"Veja se tenho aí algum cupão, no meio dos 395 que trago!"
Esta história dos cupões de desconto no Continente já me começa a tirar do sério. E logo a mim, que sou aquela pessoa que passa a vida a imprimir os cupões para aproveitar cada descontinho e ter dinheiro acumulado em cartão, que dá um jeitaço quando se vai só comprar pão ou algo que nos esquecemos e queremos despachar aquilo rápido. É só dizer "desconte do cartão" e não temos de andar a contar trocos ou com códigos de multibanco.
Mas agora deve ter-se estabelecido uma moda em que as pessoas usam os cupões mas nem olham bem para eles. Acho muita piada ao pessoal que chega às caixas e atira para lá os cupões que recebeu há dois meses atrás, dizendo à funcionária, qual criada posta ali ao seu dispor: "veja se tenho aí alguma coisa que dê para descontar!". Oi? E lá fica a coitada (ou coitado) a ver as datas dos cupões ("estes já passaram a data", "estes é só para Dezembro") e a fazer a seleção consoante as compras que a pessoa leva ("detergentes não leva, pois não?").
Isto não faz sentido nenhum! Numa era em que se tenta fazer tudo mais rápido, onde há caixas self-service, onde se tenta facilitar tudo ao máximo, onde toda a gente tem pressa e se tenta optimizar os serviços de modo a funcionarem bem e rápido, isto é um atentado. Porquê? Porque somos uma cambada de preguiçosos que já nem a porcaria dos cupões - com descontos em nosso proveito! - conseguimos escolher.
É bom que a SONAE abra os olhinhos e instrua os seus funcionários de que são, precisamente, funcionários de caixa - o que é bem diferente de ser criado de alguém. Se as pessoas não têm tempo - sequer! - para fazer a triagem dos cupões, então que não os utilizem. Não vão ser os funcionários a fazer a seleção de uma pilha deles, atrasando todas as outras pessoas que estão à espera na caixa.
Já agora não querem que vos levem as comprinhas ao carro? Ou até que vos carreguem ao colo, para não se cansarem (ainda mais) pelo caminho? Enfim.







