Uma semana aterradora
Ontem foi o que foi. Hoje sai mais cedo de uma aula para vir para casa - o plano inicial era ficar a almoçar pelas redondezas da faculdade e só voltar ao fim da tarde, mas por me ter esquecido de entregar umas coisas à minha mãe o plano foi esquecido. Fiz o caminho habitual até ao carro, quando me apercebo de um aparato policial anormal naquela zona - só o tinha visto quando lá foi o Presidente da República, no fim do semestre passado, mas a situação aparentava ser mais grave.
Um autocarro parado, uma ambulância, bombeiros, máquinas fotográficas e tripés. Perguntei a um senhor o que se passava. Uma senhora tinha passado a rua e foi atropelada por um autocarro. Morreu. Ali, naquele sítio onde eu passo todos os dias porque as passadeiras parecem ser todas a quilómetros de distância. Faço exactamente o que aquela senhora fez, como tantas outras centenas fazem por dia - se calhar dou mais à perna, sou mais nova, vejo melhor os carros e estou mais atenta. Mas aconteceu.
Podia ser tão normal como qualquer outro atropelamento. Trágico, mau, terrível. Mas para mim foi mais que isso, depois de ontem ter estado com aquele aperto no peito e de hoje me aperceber que aquela artimanha para não andar umas centenas de metros até à passadeira também eu a faço. Todos os dias. E a senhora morreu.
Que está semana acabe rapidamente!







