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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

08
Set21

Uma história com princípio, meio e sim! #15

A música, o DJ e uma série de decisões complicadas

O entretenimento foi a parte do casamento que nos trouxe mais dúvidas desde o início. Não somos pessoas de festas, pelo que não conhecemos DJ's ou músicos nem sabemos aquilo que resulta num ambiente festivo (a questão de fazer o baile durante a tarde, por exemplo, assombrou-nos durante imenso tempo e fez com que adiássemos a programação do dia até à última da hora). O facto de termos ido a poucos casamentos também não abonou a nosso favor, pelo que tivemos de seguir o nosso instinto.

Uma das coisas más em organizar um casamento em seis meses é a urgência que se tem em arranjar fornecedores. A minha prioridade após ter a quinta, como já disse aqui, foi o fotógrafo. O vestido de noiva e o entretenimento vinham a seguir. Mas, na música, estávamos a navegar na maionese - sendo que, ainda por cima, não é algo que consigamos avaliar num vídeo ou muito menos em fotografias; é o tipo de coisa que se experencia e se aprecia (ou não) e que nem os comentários de outras pessoas ajudam muito, pois depende do estilo e gostos de cada um. Tínhamos poucas referências de nomes e zero referências de preços, pelo que optamos por um pack oferecido pela equipa de fotógrafos, que está neste momento a lançar esse serviço. 

Olhando para trás penso que foi o maior erro que cometemos, ao nível do casamento. Não que o serviço do DJ tenha sido mau: mas porque pagamos mais do que tinha sido necessário (à posteriori soubemos de outros preços e conseguimos comparar) e porque, na verdade, usufruímos muito pouco, tendo em conta que o nosso casamento acabou cedo e teve muito pouco baile. E a verdade é que a própria vibe do DJ também não coincidia com a nossa, o que acabou por fazer com que, ao final da noite, a música resvalasse para onda muito mais rock/house que não era, de todo!, do nosso agrado. No entanto, no meio de tanta coisa a decidir, acho que "errar" num só ponto do casamento não é tão grave assim.

Em relação à música a nossa abordagem foi simples: fizemos uma playlist de canções que gostávamos para o DJ ter uma ideia dos nossos gostos, assim como uma lista das músicas dos momentos-chave. Também dissemos aquilo que não queríamos: era proibída Beyoncé, Jerusalema, tudo o que é pimba, kuduro e outros estilos parecidos (a dança do quadrado também estava nas exclusões).

Tirando a parte inicial - em que o DJ não pôs a versão da música que eu queria para caminhar até ao altar, e eu fiquei POSSESSA - e a parte final, mais arockalhada, a perceção que eu tenho (porque, confesso, a minha atenção raramente se dirigia para a música de fundo) é que o DJ fez um bom trabalho quando estava em livre demanda. A verdade é que não havia muito por onde errar, uma vez que era só passar música; prescindimos de toda a parte de entretenimento que normalmente está a cargo dos DJ's: não houve jogos, desafios, cantorias nem sequer lançamento de bouquet.

A escolha das músicas dos momentos-chave (que deixo abaixo) foi dos processos mais chatos e demorados, até porque eu e o Miguel não temos gostos iguais. Passei semanas a pensar na forma como ia entrar no altar. Acabei por fazer uma short-list e escolhemos os dois em conjunto, e o critério foi simples - a emoção. Na música escolhida, e a imaginar o momento, começamos logo os dois a chorar como madalenas, por isso a decisão ficou tomada mesmo antes de a termos racionalizado. O mesmo não aconteceu com as outras, e acabou por ser tudo escolhido à última da hora - ou era, ou era! - mas no final acho que resultou tudo muito bem e fiquei feliz com a escolha de todas elas. Gostava de ter utilizado uma música do Jamie Cullum e outra do Twilight neste mix de músicas importantes, mas acabou por não acontecer e está tudo bem ;)

Mas a música não ficou por aí - e estamos apaziguados com esta questão porque, apesar de acharmos que não fizemos grande negócio com o DJ, temos a certeza que acertamos em cheio quando decidimos ter música ao vivo. Esta hipótese esteve muito tempo em cima da mesa (o meu irmão era o maior entusiasta desta ideia) mas, com o DJ contratado,  não sabíamos onde encaixar mais um momento musical. Mas encontramos "O" grupo e mexemos várias vezes no programa até encontrar aquela que foi a fórmula ideal para o nosso casamento e proporcionar aquele que, para mim, foi o seu momento mais alto.

Tivemos uma sorte descomunal por o Trio Simple Sound ter a data disponível - porque se não fossem eles, provavelmente a música ao vivo ficava descartada. Eles refletiam tudo aquilo que queríamos para o nosso dia: uma vibe muito chill, descontraída, divertida mas sem ser excessiva. Gostamos logo imenso do Ricardo na primeira reunião, numa identificação perfeita de valores e de ideais, e soubemos que no dia tudo ia correr bem. E correu. O trio interpretou perfeitamente o público que tinha à frente, e ia-os "alimentando" sempre com mais música (e até discos pedidos!), fazendo com que o pessoal dançasse coisas que, à partida, não são assim tão dançáveis. E desconstruiu uma ideia de que tinha muito medo: "será que resulta o baile à tarde?". Resulta! Mais do que isso: à tarde e ao ar livre, que foi só ouro sobre azul. Acho que é só querer, escolher bem os músicos e, acima de tudo, fazer parte do movimento. Tenho uma pena enorme de só ter assistido a metade do concerto (na outra parte estávamos a aproveitar o pôr-do-sol para tirar as típicas fotografias), porque sei que foi a parte do casamento com a qual mais me identifiquei. Foi aquele o casamento com que sonhei. Quando voltei já tinham acabado - mas toda a gente queria mais. Contratava-os de novo, num piscar de olhos, para um casamento ou qualquer outra festa. Gostei mesmo muito. 

De fora ficou a ideia de fazer um quizz depois do almoço. Na altura  fiquei triste por não conseguir avançar com algo que achava ser original, mas no dia fiquei aliviada, pois os tempos descambaram e teria sido (ainda mais) difícil de gerir tudo o que ainda havia para acontecer. Por outro lado, acho que as pessoas não vão para um casamento para fazer um trivia; a maioria das pessoas gosta de comer, beber e conversar - e a atividade de pensar muito, num dia que supostamente deve ser descontraído, não está nos seus planos. Eu sempre vi um casamento como uma festa - e festa, para mim, inclui jogos de tabuleiro e boas conversas - mas, na verdade, um casório é visto como uma coisa diferente, com tradições distintas, que não se coadunam com muitas das ideias que tinha para mim e para esse dia. Podia fazê-las - mas sei que a adesão não seria a ideal, e que o meu entusiasmo não seria refletido nos outros. E, mais uma vez, entra aqui um mantra típico, verdadeiro mas doloroso, que é: o casamento é nosso, mas a festa é dos outros. 

Ainda assim, diria que o balanço a nível de entretenimento foi positivo.

 

Para memória futura, a lista das músicas que acompanharam os momentos-chave do casamento:

Entrada do Noivo: Marcha Imperial, do Star Wars

Entrada da Noiva: Never Enough, The Greatest Showman (devia ter sido a versão original mas a que se ouviu foi outra, infelizmente)

Saída do Altar: I Want to Hold Your Hand, Beatles

Brinde: Give a Little Bit, Supertramp

Entrada na sala: Crazy Little Thing Called Love, Queen

Corte do Bolo: Ain't No Mountain High Enough, Marvin Gaye e Tammi Terrell

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