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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

27
Jun22

Uma história com princípio, meio e sim: um ano depois

Hoje é dia de bodas de papel!

Um ano. 365 dias. Casei há um ano e tudo parece ainda tão fresco... Sinto que foi ontem, mas que se passaram um trilião de coisas pelo meio - coisas que, claro, nunca caberiam num espaço de vinte e quatro horas. Mas lá que parece, parece!

Este foi um tema muito batido no blog até ao final do ano passado - e penso que bastante maçador para alguns (desculpem!) -, ultrapassando qualquer recorde no que diz respeito às séries de textos já existentes aqui no blog (mesmo os das viagens). A rubrica "Uma história com princípio, meio e sim!" tem o equivalente a um pequeno livro de 45 páginas A4 - é muita letra sobre um só casamento, eu sei...

Tudo isto seria relativizado se os textos se tivessem diluído ao longo do tempo, mas a verdade é que eu agora pouco tenho escrito, pelo que basta recuar meia-dúzia de posts para se ter rápido acesso a tudo escrevi sobre este tema. Sei que este é mais um para o monte - mas sinto que é importante para mim fazê-lo. Passou um ano, caramba! Como é que estou, em comparação com há um ano? Quero refletir sobre esse contraste, do sítio onde me encontro agora versus o de onde estava (e não me refiro fisicamente); quero perceber a evolução da minha visão de um acontecimento que foi tão colossal e avassalador na minha vida; quero comparar o tamanho das feridas; quero olhar para trás e ver as diferenças - e, se calhar, o que tinha mudado no caminho para aquele dia.

Neste momento consigo comparar aquilo que sinto em relação ao bolo total do casamento (o dia e os seis meses de preparação) com a leitura de um livro já longínqua: fica a ideia geral - se gostei ou não da obra, dos sentimentos com que fiquei e as emoções por que passei enquanto folheava o livro, assim como uma visão muito genérica da história; mas os detalhes desvaneceram-se. Tenho um grande suporte com tudo o que escrevi aqui - coisas mais práticas sobre a organização de um casamento, que quis eternizar porque sei que a memória não dá para tudo -, mas os detalhes e meandros da história, tudo aquilo que foi central neste iceberg em que bati mas que só revelei a pontinha, foi desaparecendo - e ficam "apenas" os sentimentos de seis meses muito difíceis de gerir internamente, para além de uma série de temas-chave que ainda hoje me moem.

Tenho muito a tendência de rever mentalmente acontecimentos - não fosse eu uma overthinker clássica! -, de perceber o que podia ter feito diferente, de re-encenar discussões e chegar à conclusão de que devia ter dito isto e não aquilo. O casamento não é exceção - mas sei, neste caso em específico, que fiz o melhor que sabia e podia, tendo em conta as circunstâncias.

Ainda assim, por vezes, deixo-me cair nesta tentação de pensamentos com possibilidades infinítas e dou por mim a pensar: "fogo, se era para sofrer assim, mais valia ter partido a loiça toda e ter feito as coisas exatamente como queria! Que se lixassem os tradicionalistas - levava o Miguel comigo para decidir o vestido de noiva e ponto final. Se não queria a pessoa Y no casamento, não era convidado e ponto final. Se não queria fazer a primeira dança, não tinha sequer de dar explicações - e ponto final!". Mas no fundo sei que o "ponto final" é sempre mais um ponto na história - ou, se o quisermos ver de forma mais dramática, mais um prego num caixão que estava a ganhar forma caso eu não tivesse posto pés ao caminho. O sofrimento não tem uma escala: mas acho que podemos concordar que ele funciona como a Lei de Murphy - pode sempre piorar. E pioraria. Porque eu estava no limite do meu esforço: lutei as batalhas que consegui, venci algumas, mas sinto que perdi outras tantas. E essa mágoa, por se tratar do meu casamento (com aquilo que deviam ser as minhas decisões, as minhas vontades e as minhas expectativas), está ainda longe de ser ultrapassada. Tenho ainda um longo caminho pela frente, onde o principal fator é o tempo. Porque na verdade, ainda que hoje o meu pensamento predominante seja "já passou um ano", a minha cabeça sabe que na verdade deveria dizer: "calma, ainda só passou um ano...".

E enquanto o tempo passa - e, lentamente, cura... -, a vida acontece. E entre dias bons e maus, vem ao de cima a certeza daquilo que realmente importa: a de que tomei a decisão certa, independentemente de quaisquer pedras ou pedregulhos que me tenham atravessado o caminho. Que o Miguel foi a melhor prenda que a vida me deu, o acaso mais feliz que me aconteceu e a melhor escolha que eu podia ter feito. E que o correto era dar aquele passo, supostamente tão normal e inocente, mas que na verdade encapsula todo um conjunto de memórias, mágoas e dores que, hoje percebo, são normais em muitos casos - só não são é conhecidas nem expectáveis, uma vez que o mau tem sempre tendência para ser escondido e atirado para debaixo do tapete, ficando só as fotos com os sorrisos por cima da prateleira para toda a gente ver.

Eu optei por não esconder nada - até porque tornar-me visível foi uma parte muito importante para apaziguar a minha alma. E hoje, um ano depois, sinto muita coisa: mas, acima de tudo, muita felicidade por ter casado com o homem da minha vida. Sei, todos os dias, que fiz a escolha certa - e casar-me-ia de novo com ele, mesmo sabendo tudo o que sei hoje.

Há uns dias, ao passar numa montra de vestidos de noiva, demos por nós a comentar e a partilhar precisamente o mesmo pensamento, que a olho nu pode parecer um tanto ao quanto paradoxal mas que para nós faz todo o sentido: que o casamento é um dia bonito de viver e que voltaríamos a fazê-lo, um pelo outro; mas não o quereríamos reviver. A parte boa é agora, que já passou e virou memória. Porque o dia é uma experiência gira, mas o que vem a seguir é muito melhor. E nós ainda só vamos no início. 

 

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