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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

23
Jul18

Tudo sobre a minha incrível viagem aos Açores (parte 1)

Carolina

Decidi fazer este post em duas partes, para não arriscar que nenhuma alma o leia por preguiça ou falta de vontade perante tanto texto. Isto porque eu não quero que este seja só um mero post mete-nojo ou descritivo. Pesquei várias informações super úteis em blogs, que me ajudaram bastante nesta viagem, e quero que fiquem aqui todas as dicas de que eu usufrui e que agora já posso acrescentar, para que este seja um relato e uma memória para a posteridade, mas também algo rico e informativo para outros que queiram viajar ou simplesmente sentir-se inspirados. Todos os posts sobre os Açores podem ser lidos aqui.

 

Açores_GoPro (1).JPG

 

Às vezes perguntam-me se gostei dos Açores ou quanto é que gostei de São Miguel. A resposta é sucinta e explícita: o suficiente para ir querer ir viver para lá. E não brinco! Não é algo que possa fazer agora - porque tenho os meus pais, uma pós-graduação para fazer e tudo aqui - mas acho que quando for mais velha seria muito feliz nos Açores. Aquela calmia combina comigo. São Miguel é uma ilha limpa - exclui-se o cocó de vaca nas vielas rurais -, com muito pouco trânsito e que transpira tranquilidade; em que não há buzinadelas a torto e a direito nem estacionamentos em segunda fila. Em que as pessoas se cumprimentam frequentemente e onde se apresentam, quase todas, com um aperto de mão convicto e um sorriso nos lábios. Em que a comida é óptima e existem peixes que aqui no continente nunca ouvimos falar. Em que, não deixando de ser uma ilha onde, em alguns pontos, conseguimos ver de um lado ao outro, tem todas as infraestruturas necessárias para se ter uma vida confortável e cosmopolita o suficiente. Em que muitos dos ex-libris ainda só têm meia-dúzia de pessoas, o que permite desfrutar de tudo com outra qualidade. De modos que, depois da pergunta, as pessoas normalmente olham para mim com um ar trocista e dizem "saíste de lá apaixonada!". E eu digo que sim, que é verdade, sem vergonhas. Não foi por um açoriano. Foi pela ilha inteira.

Depois de sair de lá pensei num plano altamente maquiavélico, que foi dizer mal da ilha a toda a gente, só para ficar com ela "só para mim". Isto porque tenho PÂNICO que os Açores virem atração turística de primeira classe e todo aquele sossego vá pelos ares. É tudo ótimo e muito bonito para a economia e a publicidade do país, mas eu sinto na pele o que o turismo faz a uma cidade. No Porto, eu própria me sinto uma turista! Os restaurantes são caros e maus; o trânsito é caótico, com autocarros e tuk-tuks a atrasarem o movimento e pessoas a atravessarem-se no meio da estrada; há ruas em que uma pessoa não consegue atravessar em linha reta de uma ponta à outra, parecendo um caminho de obstáculos. É incrível o movimento, mas é altamente cansativo - até porque, claramente, estão a faltar estruturas para dar vazão a isto. E eu penso que se os Açores começarem a ficar na boca do mundo, vai ser o fim de parte da sua magia. E eu não quero. Até porque aquele estilo de beleza natural não aguenta com autocarros e centenas e centenas de pessoas a passar por lá diariamente.

Por isso, meus amigos, mantenhamos isto em segredo. Um segredo só nosso, está bem? Até porque se me estão a ler devem ser portugueses... e se são portugueses têm quase o dever moral de lá passar. Relativamente aos estrangeiros... vamos fingir que Portugal é só o Continente e guardar os Açores só para nós, está bem?

 

Como planeei a minha viagem?

Eu fui até aos Açores comprando um pack de cinco dias (de segunda a sexta) da Agência Abreu. Fi-lo porque me pareceu ser um preço competitivo para tudo o que incluía (voos, hotel e visitas guiadas) e, apesar de não me ter arrependido, não voltava a repetir. Porquê? Porque já não faço parte de uma geração que gosta de ter a papinha toda feita e porque estes programas implicam alguma falta de liberdade. Ter transfer à hora x, ter de estar num sítio à hora y, sem grande possibilidade de mudanças... é tudo muito intrincado, extra-planeado (até para mim, miúda de planos). O pack incluía uma viagem de jipe à Lagoa do Fogo e das Sete Cidades (com almoço incluído), com paragem na Caldeira Velha para um banho; um passeio pelas Furnas (também com o cozido incluído) e pelo Parque Terra Nostra, com tempo para banhos; e um passeio de barco para ver os cetáceos (que eu não fiz, depois da minha experiência traumática depois de ter tentado nadar com os golfinhos). Todos estes serviços eram feitos por empresas exteriores, o único contacto que tive com pessoas da Abreu foi mesmo nos transferes.

Uma das coisas importantes a ter em conta nos Açores é que o tempo muda de um minuto para o outro. Sabem aquela história que todos já ouvimos e que pensamos "pfffff!", de que nesta terra existem as quatro estações do ano num só dia? É verdade, é impressionante. Num minuto está um sol que faz a pele estalar e no outro já chove torrencialmente, com aquelas pingas gordas que não deixam uma parte do nosso corpo impune. Por isso é que ter tudo planeado ao milímetro não é boa ideia: há que ser flexível e adequar os nossos passeios às condições meteorológicas. Uma das melhores formas de fazer isso é instalando a aplicação SpotAzores (não sei se há outras), que vos dá acesso a câmaras nos vários pontos da ilha, para perceberem onde é melhor ir naquela altura em particular. Principalmente no que diz respeito às lagoas, que estão muitas vezes submersas em nuvens, dá um jeitaço inacreditável.

 

"Carolina, alugaste carro?"

Uma das perguntas que mais me fizeram foi se aluguei um carro. Sim, aluguei. Acho que é um erro não alugar, mesmo tendo já excursões marcadas. Não há nada como ter o nosso tempo e a nossa liberdade para conhecer a ilha de forma despreocupada. Não há muito a temer relativamente à condução ou às estradas açorianas: é tudo tão calmo que a adaptação é facílima, principalmente para quem vive em grandes cidades, estando habituado a sentir-se na selva em plena hora de ponta. Pelas minhas contas, teria dois dias e meio livres para fazer o que quisesse (acabei por ter três dias inteiros, por não ter ido ver as baleias), e ter um carro compensou sempre. Eu adoro andar a vaguear e ir parando consoante as placas que me aparecem; se vejo que existe um miradouro no caminho (algo que está sempre a acontecer) e me apetece parar, gosto de ter essa liberdade e esse tempo para ver, fotografar e aproveitar o momento. Quanto ao estacionamento, também é relaxado: há quase sempre lugares de rua mas, nos sítios mais movimentados, há parques (e não, não cobram pequenas fortunas, mesmo que fiquemos lá algumas horas).

Comparei preços, serviços e carros e acabei por escolher a Magic Islands. Deixaram-me o carro no hotel, precisamente à hora marcada. Melhor era impossível! Era um Ford SUV, deste ano, super confortável e com uma condução incrivelmente fácil - e um GPS incrível, o melhor que vi até hoje a nível de GPS's integrados. Fiz seguro contra todos os riscos (que fica mais caro do que o próprio carro), porque mais vale prevenir que remediar, mas felizmente não precisei de o ativar. É preciso ter em atenção um "pormaior" nestes seguros: eles excluem os problemas mais prováveis a ter nos Açores - furos nos pneus, jantes e estragos por debaixo do carro. 

De reparar que, por existirem imensos carros alugados, São Miguel é uma ilha cheia de carros coloridos - muito melhor que os brancos-cinza-preto que só se vêem por cá. O meu era azul elétrico. Pow!

Para quem é do Continente, ver uma ilha em que tudo parece perto e em que há sítios que se consegue ver de um lado ao outro pode dar uma ideia enganosa. De uma ponta à outra São Miguel tem 250kms - pouco menos que o caminho Porto-Lisboa - mas lembrem-se que para aceder a alguns sítios têm de percorrer estradas aos "s", que implicam andar mais devagar (aliás, andar devagar é sempre bom, porque conseguimos ver melhor a vista). Isso faz com que não seja assim tão rápido ir de um sítio ao outro, por isso convém não andar apertado nos horários... até porque nunca se sabe quando vamos ter umas vaquinhas simpáticas a impedir-nos de passar a rua.

 

Açores_cam (44).jpg

 

O que levar na mala?

Uma das coisas que me preocupava nesta viagem era o que levar vestido - não por uma questão de estilo, mas sim porque tenho sempre medo de ter frio e não sabia como estabelecer um equilíbrio num sítio onde num dia tanto chove como faz sol. Tenho a dizer que até aqui a viagem foi um sucesso: não levei nada a mais nem nada a menos. Foi no ponto!

Dicas que podem ser úteis:

1) Andem sempre com um kispo fino ou um impermeável convosco, porque a chuva e o vento (algo não muito falado, mas que está lá e em boa quantidade) vêm sem avisar; 2) Nas minhas tours e nos passeios de carro andei sempre com um saco à parte com a minha toalha e o meu biquini-feio (já sabem que não vale a pena levar o vosso swimwear preferido para os Açores, certo? Aquelas águas ferrugentas ameaçam a boa saúde de qualquer pano...), pronta para um banho sempre que fosse possível. 3) Só usei chinelos para ir tomar banho - fora isso, sempre sapatilhas, nunca sandálias! Tive medo de levar as minhas Merell de verão, porque se chove ficam todas molhadas, mas arrisquei e compensou (apesar de ter chovido). Foi o equilíbrio perfeito e tanto dava para cidade como para andar na montanha. 4) Apesar de ter levado calções, nunca os usei - andei sempre de calças, de ganga ou tecido, porque senti que a média de 21ºC que apanhei não era suficiente para andar com as pernas à mostra. 5) Acima de tudo, levem muitas t-shirts e roupa interior (eu levei um montão de meias, com medo de as molhar com a potencial chuva), porque ao caminhar sua-se bastante e é bom ter essas peças sempre que nos queremos trocar, que já nos dão uma sensação "fresca" sem ocupar muito espaço na mala. Cheguei inclusivamente a andar com meias na mochila, para estar pronta para qualquer molha.

 

"Que sítios visitaste?"

Eu tive uma sorte descomunal. Na primeira metade da semana - em que fui ver as lagoas - apanhei um tempo incrível; a segunda metade, que tinha destinado para explorar Ponta Delgada e outras coisas mais "mundanas", o tempo foi quase sempre de chuva. As duas lagoas principais - a Lagoa do Fogo e a das Sete Cidades - vi logo no segundo dia, de jipe, com a GreenZone Açores. Comecei com chave de ouro, portanto. Aconselho o serviço deles a 100%! O guia que foi connosco - chamava-se Paulo - era incrível e prestável, super cuidadoso porque uma das pessoas que ia no carro enjoava com facilidade. E tirava fotos sempre que lhe pedia - e sabia focar e tudo!!! Devo-lhe grande parte das boas fotos que tenho nesta viagem. Fizemos vários caminhos de terra, até passamos um riacho (uhuh, adrenalina!) e percebia-se o entusiasmo da parte do guia em nos mostrar as coisas bonitas da terra dele - e ele podia ter-se limitado a fazer as lagoas, como estava no plano, mas foi parando várias vezes para nos mostrar vários pontos de vistas e até outras atrações. A GreenZone já tinha surgido nas minhas pesquisas, foi uma sorte a Abreu ter-lhe subcontratado esse serviço, e voltaria a repetir. Ir de jipe é uma mais valia, porque vamos a sítios em que de carro é difícil ou arriscado aventurarmo-nos. E eles já sabem os caminhos e têm experiência, por isso é ouro sobre azul. Ficou por fazer, com eles, uma visita ao Nordeste. Fica já "marcada" para quando voltar. Diria que o único senão nestas visitas pode ser para quem enjoa ou tem problemas de costas ou de rins, uma vez que pode haver alguma "torbulência". Fora isso, é dinheiro bem aplicado!

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Lagoa do Fogo

 

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Num miradouro onde parámos, não sei o nome 

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A Lagoa do Fogo na primeira paragem que fizemos

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Lagoa das Sete Cidades

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 Lagoa das Sete Cidades

 

Não me façam aquela pergunta típica de "qual foi a tua lagoa favorita?", por favor. É cruel. Todas são lindas. Uma das sensações com que me debati nos momentos em que via aquelas paisagens de fazer cair o queixo foi "como é que eu vou guardar isto para o resto da minha vida?". Estava um bocadinho numa corrida contra o tempo, ainda por cima estando numa tour os timings não são controlados por nós, e eu só queria que aquela calma e aquela beleza ficassem agarradas a mim para o resto da vida, que aquilo não se apagasse. Como é que isso se faz? Tiram-se fotos com a máquina, o telemóvel, a GoPro e tudo o que de mais há? Simplesmente sentamo-nos, respiramos e tentamos tentar uma fotografia mental daquilo que estamos a ver e a sentir? É uma gestão difícil. Por minha vontade eu tinha ficado largos minutos em cada um dos sítios onde estive, com o rabo alapado no chão, só a dar-me tempo para absorver - algo que fiz noutros momentos desta viagem, sendo outra das incontáveis vantagens de estarmos sozinhos. Nas lagoas não houve tempo para isso, mas planeio faze-lo da próxima vez.

Essa primeira tour ainda incluiu, para além do almoço, paragens em alguns outros sítios. Vou destacar dois: o primeiro foi a Caldeira Velha, onde se podem tomar banhos com aquelas águas maravilhosas. Foi o meu primeiro banho deste género e, apesar de não ser o meu sítio favorito a este nível, ficará com um lugar especial no meu coração por isso. Tem três "poços", o primeiro em que a temperatura da água é natural e não controlada (quando fui estava fria e só entrei quase para a foto), os outros dois já são maravilhosamente bons. A água, apesar de ter partículas de ferro, não é nada comparada à do Terra Nostra, por exemplo. E o bem que isto fez às minhas contraturas?! Ah! E não esquecer os jardins lindos que envolvem os poços - parece que estamos a entrar numa floresta tropical ;)

O segundo sítio que quero destacar, e que simplesmente ADOREI, foi a Lagoa das Empadadas. Este é um dos tais que só de jipe é que se chega lá, mas é de uma beleza incrível. É pequena (principalmente quando comparada com as outras), mas de uma pureza inacreditável, toda protegida com uma "parede" de árvores. Não há palavras para aquilo. Como é que a natureza tem sítios como estes, tão naturalmente bonitos e arranjados? Foi dos meus sítios favoritos de toda a ilha.

 

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Na Caldeira Velha

 

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Caldeira Velha

 

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Lagoa das Empadadas

 

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 Lagoa das Empadadas

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Igreja de São Nicolau, perto da Lagoa das Sete Cidades

 

 (to be continued)

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