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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

18
Mar16

"Tu, na indústria da moda?"

É esta a resposta que muitas vezes levo (ou pelo menos que parecem dizer só com o olhar) quando digo o que estou a fazer da vida. São reações que partem acima de tudo por pessoas que não me conhecem - porque quem me conhece sabe que o mundo da moda e da têxtil cresceram comigo. Os tecidos, os rolos, as tintas, o fumo e o barulho foram, durante anos a fio, o meu ATL - e desde muito pequenina que dizia que, "quando for grande quero trabalhar aqui". E apesar de todas as voltas que a vida dá, de todas as escolhas que fui fazendo e que me distanciaram deste caminho que queria para mim desde tão cedo, vim parar ao mesmo ramo, mesmo estando numa área onde tal não fosse tão previsível. Foi, claro, uma escolha da minha parte - mas eu diria que também teve um dedinho do destino, que me "realinhou as estrelas" e me voltou a lembrar do caminho que quis para mim, desde miúda. 

De qualquer das formas, e tendo em conta aquilo que o mundo da moda espelha para o exterior, percebo um pouco a reação que as pessoas têm. A televisão e os outros meios de comunicação social passam a imagem de que tudo neste mundo é glamoroso e fora do normal - e, na realidade, não é. Pelo menos em grande parte do processo da "moda", desde o fio até à confeção. Existem, claro, pessoas sui generis - como existem em todas as áreas. Se os estilistas e designers têm mais propensão para umas tendências mais amalucadas e diferentes? Têm. Se os grandes consumidores de moda também são parecidos (ou tentam ser)? Também pode ser verdade. Mas eles representam uma pequena parte do processo produtivo que a têxtil exige. Há muito mais para além disso. Há partes que não são nada glamorosas, há partes chatas, há partes iguais a todos os outros negócios (burocracias, contabilidades, trabalhos de escritório) - e embora nós só valorizemos o trabalho final, a verdade é que isso não seria possível sem todo o processo que está por detrás. Esse maioritariamente feito por pessoas mais que "normais".

No blog não dá para ter percepção disso, mas eu tenho dois pólos distintos em relação à minha forma de vestir: na maioria dos dias (aí uns 90%), opto por tudo o que é simples, confortável e - nestes dias de inverno - quente!; nos outros 10% dos dias, normalmente fins-de-semana, decido arranjar-me e produzir-me um pouco mais, normalmente sem razão aparente - só porque, nesse dia, me sinto especialmente bem e bonita e me apetece calçar uns sapatos de salto alto, umas calças amarelas e um casacão diferente. Ainda assim, a grande maioria das pessoas está habituada a ver-me de sapatos rasos ou botas de cano alto, calças de ganga e básicos. SIm, porque palavra chave do meu roupeiro é "básicos". Uso básicos todos o dias, nem que seja debaixo de camisolas mais "bonitas" - e quase todas as minhas peças de roupa têm uma só cor, sem desenhos ou floreados, alterando-se apenas o material e o corte. O que vai dando um toque de diferença aos meus looks, maioritariamente no inverno - no verão, com os vestidos e a vontade de usar um pouco mais de cor, a tendência dos "básicos" atenua-se um pouco - são os cachecóis e os casacos, onde tento caprichar um pouco. De resto, a simplicidade é o meu nome do meio.

Posto isto, e tendo em conta a imagem que temos das pessoas que adoram moda, eu sou precisamente o oposto. Também graças a esta vaga de blogs de moda - que muitas vezes estão completamente a leste de tudo - as pessoas acham que quem gosta deste mundo tem de estar sempre a seguir tendências, usar chapéus para o trabalho, estar maquilhada todos os dias, tirar selfies a olhar para não sei onde... e isso está errado. Para mim, é triste ver que neste mundo que amo desde pequenina, ainda mais do que antes, o que importa é ver e ser visto (como escreveu a Maçã de Eva, num post que vale a pena ler e que subscrevo na íntegra). A Moda Lisboa e o Portugal Fashion (que começou há dois dias), que deviam ser para quem percebe e gosta da coisa de forma genuína, são a prova provada de que quem "gosta de moda", muitas vezes, não percebe peva sobre o assunto, caindo no ridículo em nome de certas "tendências".

Eu uso básicos, não uso chapéus, saltos altos ou maquilhagem on a daily basis;  fui ontem ao meu primeiro desfile de moda, comecei agora a trabalhar no ramo e cresci à volta dos tecidos. Eu gosto de moda, adoro a têxtil e não preciso de ser o centro das atenções para que saibam disso. Há que perceber que a moda não é só feita de quem ser olhado.

 

 

 

(adenda: mesmo sabendo que a "moda" e a "têxtil" são áreas diferentes, para mim, uma não vive sem a outra e muitas vezes quem trabalha uma, trabalha outra; daí junta-las no raciocínio do post)

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