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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

16
Dez17

A Maria Vaidosa Magazine é uma lufada de ar fresco

Um dos meus posts mais comentados e vistos do ano foi aquele em que falava da casa dos Youtubers. O post não era abonatório mas ao menos tentava pôr água na fervura – coisa que alguns dos comentadores até nem achou muita graça. Mas enfim, a verdade é que há mais youtubers em Portugal do que aqueles que vivem todos juntos e fazem parvoíces – e eu acompanho alguns fielmente.

Uma das pessoas que sigo com atenção e que, diria, me iniciou nisto do Youtube – porque até há uns três anos atrás eu só usava este site para ouvir músicas e nem sabia para que servia o botão “subscrever” – foi a Maria Vaidosa. Consigo dizer exatamente o dia em que a comecei a seguir, porque veio na sequência de um post da Maçã de Eva (que sigo há vários anos), que falava dela como uma promessa nacional.

Confesso: o meu primeiro pensamento quando a vi foi “quem é que ela pensa que é?”. Ela é tão extrovertida, tão apalhaçada (num bom sentido - e era-o mais naquela altura do que agora), tão espalhafatosa - quase como sentíssemos que nos ocupa o quarto e a mente toda - que eu achei aquilo irritante e quase ultrajante. Mas ficou-me o bichinho e a verdade é que, apesar desta primeira impressão, eu voltava sempre ao canal dela para ver mais - ainda que o assunto maquilhagem não me puxe e o lado da moda, embora seja algo de que goste muito, também não me leve a ver vídeos.

Passaram-se uns dois anos e eu sinto que já faço parte da vida dela. (É estranho este sentimento, não é?). Já lhe “conheço” o namorado, os cães, as partes de sua casa - e pelo caminho fui gostando de a conhecer, embora de facto nunca tenha falado com ela na vida. E fiquei mesmo orgulhosa quando ela lançou o seu mais recente projeto, a Maria Vaidosa Magazine, tornando-se assim na única youtuber portuguesa com uma revista homónima, que é quase uma extensão do seu canal para o papel, com conteúdos e estilos muito semelhantes.

Eu nunca fui compradora de revistas de beleza e de moda, por várias razões que vou passar a enumerar: 1) são normalmente caras; 2) têm pouco conteúdo e o que têm é muitas vezes irrelevante; 3) ter pouco conteúdo não quer dizer que tenham poucas páginas - quer dizer, sim, que a maioria da revista se resume a anúncios publicitários; 4) não cai no meu leque de interesses saber qual a cor da moda, o novo rímel da marca X ou ver sessões fotográficas com roupas que eu não tenho dinheiro para comprar. Mas, dado que a revista era dela, decidi experimentar - e a verdade é que saí surpreendida pela positiva.

A revista é trimestral e só por isso é que lhe “perdoo” o preço: quase cinco euros. Mas diria que esta é das poucas desvantagens. Acima de tudo, aquilo que tenho de realçar é que quase todas as páginas são de conteúdo e não de publicidade - e só isso é um fator altamente diferenciador para todas as revistas do mercado. Depois, gostei da proximidade com que ela escreve, dirigindo-se diretamente ao leitor, de forma descontraída e despreocupada, tal como faz nos vídeos. A seleção de conteúdo também é interessante - não tem aqueles testes tipo “saiba se o seu namorado a está a trair com a sua melhor amiga” ou páginas de teor sexual tipo “os casais contam-nos as suas experiências em casas de swing”, porque felizmente também não é esse o target da publicação - e inclui entrevistas, tutoriais e pequenos destaques tipo produtos a comprar, livros ou filmes para ver. Há ainda mais dois pormenores, para mim, interessantes: naquelas seleções tipo “o amarelo é que está a dar”, onde se apresentam não sei quantos artigos daquele estilo, a maioria deles é de lojas comuns e a preços acessíveis, o que me parece importante; sinto que a revista vive muito de pessoas, de fotos bonitas (e realistas, não tanto daquelas sessões conceptuais) e de histórias de pessoas que, na perspetiva da Mafalda, valem a pena conhecer.

Acima de tudo, aquilo que mais gosto aqui é a ideia de que os sonhos e os projetos em grande podem ser uma realidade. Mais do que gostar da revista em si, gosto da força de vontade da Mafalda, que espero que inspire os mais novos a trabalhar e a lutar por aquilo que realmente gostam – em vez de acharem que se ganha dinheiro a atirar canetas de varandas ou a comprar cobras gigantes para ter em casa. A, mim, pelo menos, inspira-me muito - ao ponto de ter ficado um bocadinho “invejosa” por este seu feito. Um dia espero poder fazer um igual - não em forma de revista mas, esperemos, em forma de livro.

 

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24
Set17

O que penso sobre a casa dos youtubers e os vídeos dos seus moradores

Eu acho que é impossível que quem tenha filhos, primos, sobrinhos ou irmãos com idades compreendidas entre os seis e os 14 anos nunca tenha ouvido falar do Wuant, do Windoh, do Ovelha Nigga, do Gato Galático ou, de uma forma geral, da casa dos youtubers. Eu aqui em casa - creio que como todos os adultos - recebi um tratamento de choque: berros, asneiras e muitas gargalhadas um tanto ao quanto irritantes vindos das colunas de computadores alheios. Entretanto a exposição mediática desses youtubers, em grande parte devido à casa onde passaram a viver, já fizeram o trabalho de os mostrar ao público em geral. Ou seja, suspeito que, de uma maneira ou de outra, já devem ter ouvido falar sobre eles.

Aliás: provavelmente já ouviram dizer mal deles, que é o que mais se faz por aí. Somos todos peritos a criticar, mas a fazer... nem por isso. Porque apesar de eu não achar graça ao conteúdo deles - e sim, falo com conhecimento de causa, porque tenho ouvido demasiadas vezes "COMO É QUE'É MEUS PUTOS, DAQUI É WINDOHHH" e coisas que tais, para poder escrever este post - sou capaz de apreciar o trabalho que está por detrás de toda aquela palhaçada ou "trollagem", como eles gostam de chamar.

Para mim há, naqueles vídeos, um conflito de valores. Primeiro os que estão à vista de todos, os preocupantes: que é fácil ter uma vida desafogada, que se compram facilmente sapatilhas de mil euros e carros de alta cilindrada, que é fácil sair de casa dos pais para ir viver com os amigos numa "mansão", que se podem ter ações inconsequentes sem pensar nos resultados finais (exemplo: pôr super cola na cara de alguém sem antes ter pesquisado como se tirava o produto da pele) e que é prudente deixar de se investir na formação para viver de um canal do youtube sem ter um plano B. E depois os valores subjacentes, esses sim com importância: que é o trabalho que lhes proporciona aquela vida, aquela fama, todas estas oportunidades. O problema é que o que está à vista de todos acaba por ser, para quem vê (crianças maioritariamente), o principal, porque não há maturidade suficiente para se perceber os valores implícitos. Para os putos, aquilo é o trabalho mais fixe de sempre! O meu sobrinho mais velho, por exemplo, queria ser experimentador de colchões (eu sei, eu sei...). Agora? Quer ser youtuber. Porquê? Primeiro porque acha que lhe vai dar tanto trabalho como andar a saltar para os sítios onde as pessoas dormem - erro crasso! -, segundo porque acha que mal crie um canal lhe vai logo sair um Audi XPTO na rifa. Nem ele nem a maioria sabem o trabalho e as horas que aqueles miúdos passam entre filmagens e edições - e também não fazem noção do tempo (os anos!) que eles passaram a fazer vídeos sem likes, comentários ou putos a berrarem-lhes à porta.

Se calhar estão a ler este texto de sobrolho levantado e pensar "esta miúda está mesmo a defender aqueles energúmenos?". Pois, eu sou assim, tento sempre ver o outro lado da moeda - e acho que, como em tudo na vida, isto não é uma questão linear. A única coisa que defendo nestes vídeos - e que absolutamente ninguém pode negar - é que aquilo dá trabalho. Lá por eles se estarem a divertir e a fazer asneiras de forma consecutiva, não quer dizer que depois não passem horas em frente ao computador para fazer aquilo resultar e passar os vídeos para algo "comestível" e visualizável, com todos aqueles pózinhos de perlimpimpim que aparentemente fazem daqueles canais um sucesso. As pessoas "normais" não sabem as horas de edição que estão por detrás daquilo - como não sabem o trabalho que dá escrever diariamente para um blog. São coisas camufladas como hobbies, como algo ligeiro para quem as faz, mas para além de já ser o trabalho para algumas pessoas em Portugal (caso deles), requer muitas horas de dedicação e empenho.

Mas isto não quer dizer que eu apoie aquilo que eles fazem e muito menos os valores que eles lá transmitem. No outro dia o meu queixo bateu no chão quando ouvi o Windoh, num vídeo filmado no seu quarto de hotel no Brasil, a dizer: "este quarto está mesmo muito desarrumado, tenho de chamar a senhora para o vir limpar". Mexeu-me com as entranhas. Elas já estavam remexidas ao ver o estado caótico daquele quarto, com lixo espalhado pelo chão, misturado com roupas sujas e lavadas - roupa interior incluída -, mas quando me apercebo que ele ia chamar uma criada para o limpar, toda eu fiquei revoltada. E preocupada. Porque percebo que é daqui que vêm algumas das mentalidades dos meus sobrinhos e de tantos outros miúdos. Coisas que já deviam ter ficado no século passado e que estão a ser alimentadas por miúdos com uma noção de respeito e educação muito diferente da minha. E isto sim, é alarmante. Mais do que os berros, mais do que as asneiras, mais do que as expressões horríveis como "bem poddddddre". Aquilo com que devíamos estar preocupados são os valores ali transmitidos que, infelizmente, ultrapassam os do trabalho e da dedicação. 

 

Foto: Visão

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