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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

01
Out19

(Tentar) Mudar o mundo com post-its

Sou uma post-it addicted. O meu escritório é neste momento um caos organizado, pintalgado a cores com mensagens que só eu poderei entender como "colmeia alargada", "produzir", "preteridos" ou "materiais out". Aqueles papéis coloridos são a minha forma de organização nesta fase deveras confusa do meu trabalho, em que vejo mais de uma centena de malhas por dia e tento decidir o que fazer, como fazer, quando fazer e onde integrar cada pedaço de pano de uma forma lógica, para mais tarde os poder vender. 

Uso-os também para deixar mensagens e lembretes, tanto lá em casa como no trabalho. Ah, e são essenciais em tudo o que são transições! Quando sobra muito trabalho de um dia para o outro, espeto com post-its em tudo quanto é lado. Ainda pior se for fim-de-semana - sabe-se lá a quantidade de coisas que se esquecem em dois dias de pausa! É a forma de me manter organizada, de não esquecer tarefas e de perceber aquilo que fiz anteriormente; no meio de tantos montes e montinhos que agora crio para segmentar as malhas, chega uma certa altura em que já não sei porquê que separei isto daquilo, ou o que representava o conjunto de folhas que pus a um canto. Por isso: post-its, sempre!

E este hábito já se enraizou de tal forma que muitas vezes dou por mim a pensar "devia andar com post-its na carteira"! Confesso que isto ocorre-me frequentemente quando estou a sair de minha casa, num cruzamento junto a um ATL que lá existe. Nas horas de ponta é um pandemónio, com todos os pais e mães a deixarem os seus filhos praticamente à porta, abandonando os seus veículos nos lugares mais à mão - desprezando completamente o bom funcionamento do trânsito, que a essas horas já é mau só por si. Ele é carros em cima do passeio (que impedem a visão dos condutores que surgem na via perpendicular), carros com quatro piscas em cima da passadeira. E, como uma vez escrevi, não há desculpas para isto. Estaciona-se mais longe, caminha-se mais - mas evita-se que a vida dos outros saia perturbada pelas nossas próprias rotinas e pressas.

A mim apetece-me pegar nos meus papéizinhos e deixar notas.

 

"Se tivesse um filho de cadeira de rodas, não deixaria o carro em cima do passeio".

"Se um dia o seu filho for atropelado por um condutor que não conseguiu ver a passadeira por causa de um carro tão mal estacionado como o seu, gostava ver como reagia".

"Gostava de ser mosca para o ver indignado para com os carros que estão estacionados em cima das passadeiras que o seu filho um dia irá atravessar".

 

Ideias não me faltam. Vontade também não. Mas relativamente à coragem.... não posso dizer o mesmo. Sinto que as reações das pessoas cada vez mais se agudizam e, mesmo não estando a insultar ninguém e sendo uma clara chamada de atenção, tenho medo de represálias. Ainda assim, acho mesmo que os posts-its - estes em particular - podiam ajudar a mudar o mundo. Ou pelo menos pôr as pessoas a pensar nas suas próprias ações, principalmente na estrada.

 

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(há carros que, de tantas asneiras cometidas pelo seu condutor, já estariam pejados de papéis caso toda a gente tivesse as mesmas intenções que eu...)

22
Ago19

As idiossincrasias das bolas de berlim

Sempre fui muito esquisitinha. Não gosto de nada que fuja da norma, de comida gourmet, de temperos arrojados, de especiarias, de texturas estranhas, de vegetais, de papas ou coisas moles. Sou muito simplória no que toca a comida, vá. Mas pode-se dizer que na praia viro uma pessoa bastante eclética.

Há uns anos escrevi aqui sobre a bolacha americana de côco - uma delícia que, pelos vistos, entrou em extinção este ano. Enquanto estive no Algarve chamei pela senhora, que me disse que já não faziam essa pequena relíquia da praia. Uma pena. Era óptimo e muito menos enjoativo que a bolinha. Mas enfim, uma pessoa aceita - ainda que com uma tristeza no estômago, de quem sabe que não vai voltar a provar uma coisa destas tão cedo.

Ataquei portanto o senhor das bolinhas com uma descoberta que tinha feito o ano passado: "tem bolas de beterraba?". "Não, já não fazemos de red velvet". Tau! Mais uma machadada neste meu coração, mais um golpe duro nas minhas papilas gustativas. Tudo num só ano... Mas ele colmatou: "mas temos de tinta de choco!".

E foi assim que eu comecei a começar bolas de berlim pretas, para grande impressão de todos os que me rodeavam. Mas choquem-se: são boas! Tal como as da beterraba, o doce é cortado por estes sabores mais atípicos, tornando os bolos muito menos enjoativos. Fiquei muito fã!
Quando agora fui para o Alvor a escolha das bolinhas era mais reduzida - embora a escolha por entre os vendedores seja bem mais vasta. Se em Albufeira há com creme, sem creme, morango, Nutella, doce de leite, tinta de choco, entre outros, no Alvor ficam-se pelo básico. Mas, mesmo assim, tornei a inovar: marcharam umas bolinhas de alfarroba que, para mim, batem as bolas simples.
Agora estou em Vila Praia de Âncora e não há grande alternativa: ou é com creme ou não há nada para ninguém. É o fechar de um ciclo: começo nas estranhas e regresso à base, normais mas fresquinhas, tal como se querem.

Aguardo agora com ansiedade os novos sabores do próximo ano. Bolas de café, para abrir a pestana em plena praia? De maracujá, com um toque crunchy? De abóbora menina, já a antecipar sabores de natal? De cenoura, com toque caseiro? Ou uma total inovação, como bolhinhas de carvão ativado, para evitar os gases noturnos?

Ficam as ideias, senhores das bolas. Surpreendam-me!

 

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23
Abr19

As canetas que dão cor à minha vida

A culpa foi do meu antigo chefe. Depois de uma ida ao Japão ofereceu-me uma caneta cor-de-rosa, - cor de que nem sequer sou fã. Aquilo que devia ser um simples souvenir acabou por ser algo bem maior... e começou ali o início de um grande amor, entre mim e as esferográficas da Muji.

Quem me conhece (ou pelo menos convive comigo há pelo menos dois anos) sabe que a minha vida ficou muito mais colorida desde essa altura. Os meus apontamentos da faculdade, os meus blocos e as minhas agendas ganharam toda uma nova vida. É fácil distinguir as minhas coisas das dos outros: as minhas são escritas com rosa, amarelo e azul turquesa (na minha agenda isto é mesmo um código de cores, em que cada uma corresponde a compromissos, notas e tarefas, respetivamente), longe dos cadernos maçadores pintalgados com a clássica tinta preta e vermelha que sempre reinaram no mundo das canetas. O problema é quando as ditas acabam.

Estou há séculos à espera que a Muji venha para o Porto, mas pelo andar da carruagem a coisa não está para acontecer. Ou seja: tenho de me abastecer noutros sítios, nomeadamente em Lisboa - sítio onde, infelizmente, não tenho tido tempo para ir. Mas agora quando fui a Munique - já com as canetas no casco, a cor já começava a falhar - fez-se luz! É uma cidade grande, havia possibilidade de ter esta loja japonesa. E foi jackpot. Bendito GPS que me levou àquele shopping, fazendo-nos conhecer outra parte de Munique, longe da confusão dos centros turísticos - e onde nos sentamos a beber algo e a comer uma tarte esquisita mas maravilhosa, um dos melhores momentos desta minha última viagem.

Em resumo, lá vim eu, munida de canetas para o resto do ano, pronta para continuar a colorir a vida.

 

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20
Jan19

Uma carta à... #1 Longa Vida

Dou por mim muitas vezes a pensar que queria dizer umas coisas a uma certa pessoa, objeto ou marca. É uma espécie de reclamação interior, que não posso entregar a ninguém mas que me contamina o cérebro de coisas parvas durante um tempo indeterminado, enchendo-me de vontade de deitar tudo cá para fora, mas sem grande forma de o fazer. Nunca quiseram endereçar uma carta insultuosa àquele canto da cama que insiste em vos destruir o mindinho do pé? E dizer umas coisinhas àquela senhora que está sempre a fazer depósitos no banco com 50 mil moedinhas? Ou à outra que anda a vasculhar os cupões no momento do pagamento, em plena caixa do Continente? Pois, bem me queria parecer que não sou a única.

Então, no Verão, lembrei-me: se eu tenho um blog, porque raio é que não despejo lá tudo isto? E por isso, quase meio ano mais tarde, cá estou, estreando esta nova rubrica de cartas a entes desconhecidos/intangíveis/incontactáveis. O primeiro texto vai para a marca que despoletou tudo isto, que é recordista em me fazer escrever cartas mentalmente, e que eu amaldiçoo de cada vez que me deixa mal numa visita ao supermercado: a Longa Vida. Ora vamos lá.

 

 

Querida Longa Vida, 

Acho que te posso tratar assim, por tu, visto nos conhecermos há muitos anos. Foi contigo que aprendi a fazer chantilly e é em parte por tua culpa que desde cedo que me atiram as taças de natas para as mãos, com a desculpa de que "nunca me caem". Mas a verdade é que não sou eu - és tu.

Não há que ter vergonha em admiti-lo: tu és uma espécie de Viagra das natas. Contigo, sobem sempre. Não vale a pena estar a gastar dinheiro com os teus concorrentes, porque já se sabe que não é a mesma coisa e que vai dar asneira; que não podemos virar a tigela por cima da nossa cabeça, em jeito de demonstração, porque sabemos que não vai resultar.

Mas o facto de tu teres o monopólio do mundo das natas não te dá o direito de menosprezares assim os teus clientes. Quantas vezes é que eu fui atrás de ti e me deparei com uma caixa vazia, solitária, no corredor dos lacticínios? Quantas vezes é que já saí de grandes superfícies de mãos a abanar, sem natas para adoçarem os meus morangos, a minha pavlova, as minhas natas do céu ou o meu agelatinado?

Por ti, já cheguei a correr 4 supermercados em menos de meia hora. Quem não disser que isto é amor, não percebe nada do assunto. Mas numa relação a sério as provas têm de vir dos dois lados (embora o Salvador cante "o meu coração pode amar pelos dois", toda a gente sabe que isto, a longo termo, se torna insustentável), e eu estou cansada de lutar sozinha. Está na altura de fazeres alguma coisa - comprares mais vacas, empregares mais gente, arranjares mais máquinas ou despedires o responsável pela distribuição. Qualquer coisa. Mas fá-lo por nós e pelo bem da nossa relação, já tão duradoura.

O preço da gasolina está caro e eu já não vou para nova, e não aguento picos de emoções como aqueles que me acontecem quando me deparo com a prateleira do supermercado vazia, quando vou em tua busca.

Por favor pensa em mim. Em nós. Em todos os amantes de natas que não aguentam a tristeza de não as ver subir, embora as batam durante meia hora. Isto já para não falar das vezes em que atiram as culpas para cima de nós – mulheres - e do nosso ciclo menstrual, com o mito secular de que as natas não pegam se estivermos com o período. Todos sabemos que a culpa é da Mimosa e outras que tais. Precisamos de ti e só tu nos podes ajudar.

Porque com mais natas Longa Vida no supermercado, nunca mais ninguém ficará frustrado!

Obrigada e até breve,

Carolina

 

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P.S. Giro, giro era se alguém um dia respondesse. Aí é que era!

 

07
Jan19

Golden Globes: o ano da família Addams e das lições de vida dadas pelas estrelas

A família Addams, da direita para a esquerda: Uncle Fester, Wednesday Addams, Gomez Addams, Lurch (em cima), Morticia Addams, bebé Pubert Addams, Pugsley Addams, Avó e Cousin It (aquele que parece uma vassoura gigante com um chapéu).

 

A passadeira dos Golden Globes presenteia-nos todos os anos com autênticas pepitas douradas no que diz respeito ao mau gosto das estrelas ou dos respetivos stylists. Tenho a dizer que este não foi dos piores anos, mas duas fações claramente sobressaíram: a da família Addams e a das "lições de vida por estrelas de Hollywood". Analisemos:

 

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A palidez, o formato de cara (ajudado pelo penteado pontiagudo) e aquele vestido com corpete de como quem diz "aqui não cabe nem mais uma alface", dão à Jessica Chastain um lugar como a nova Morticia Addams.

 

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Aqui, a Wednesday cresceu, mas o Lurch e a Avó continuam muito bem conservados. 

 

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Bom, creio que a Catriona Balfe está a tentar entrar no remake como uma prima afastada da família. Como não sabemos quando é que isso vai acontecer, pôs já mais sete quilos em cada anca, para precaver a possível engorda até lá (tudo culpa da menopausa, claro). P.S.: Alguém se esqueceu de lhe tirar os ganchos na altura da maquilhagem.

 

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Esta vai ser a tia afastada dos Addams, mãe da Catriona.

 

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E esta... ainda tentou entrar no casting, mas já não há lugar para mais. Melhor sorte para o próximo ano, amiga!

 

Bom, saindo agora do capítulo "Família Addams", passemos agora para a fase "lições de vida dadas pelas estrelas". Vejamos:

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A Gina Rodriguez é a primeira e ensina-nos como afastar as maminhas no seu potencial máximo. Útil para vestidos com um decote do tamanho do Everest em modo invertido, como é o caso.

 

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Ainda na secção "maminhas", Kate Mara ensina-nos que... esqueçam, não ensina nada, olhem para isto e aprendam só o que não se deve fazer nunca. Só uma coisa: aquela abertura central, é para inserir moedas? Qual é o prémio?

 

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A Elsie (?) tem como objetivo demonstrar a melhor forma de como-ser-uma-velhinha-corcunda-quando-chegar-aos-60-anos. Eu estou a aprender muito bem com ela, basta olhar para a minha postura. Devíamos claramente ser pilates-buddies.

 

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Emma Stone, num clássico "como ser invisível numa festa, usando um vestido que se confunde com o nosso tom de pele".

 

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Moss: "porque não devemos beber 3 shots de Tequila antes de ir para os Golden Globes".

 

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Do lado da Lucy Lu, aquilo que retiramos é: não confiem a 100% na vossa stylist. Até ela falha e se esquece de tirar aquela capinha de proteção que vem da lavandaria. Chato, mas só não acontece a quem não faz, não é verdade?

 

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Para terminar este capítulo... bom. Não sei se devia ter incluído isto numa versão colorida da família Addams (a cara está au point), se na área das maminhas ("como não devemos estrangula-las") ou simplesmente aqui. Todos nós podemos retirar lições valiosas deste look.

 

E só para dar uma achega, porque nem tudo foi péssimo, aqui vão alguns dos modelitos que ainda comprovam alguma restia de sanidade mental nas estrelas de Hollywood:

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A eterna Dra. Yang aproveitou o facto de ir apresentar para se pôr numa de poderosa. Gostei.

 

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A prova de que há decotes-montanha-russa que não são nem feios, nem pindéricos nem avacalhados. Achei o casalinho muito fofinho.

 

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E quem não tinha saudades da Julinha? Eu tinha! É sempre bom ver que ela não usa só meias da Calzedonia e ainda consegue pôr coisas um bocadinho out of the box sem ser meias com lacinhos. You go, girl!

 

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Mais um casal fufuxo. Ela simples, mas bonita.

 

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E estes dois... couple goals. 

 

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Não podia deixar de mencionar a Gaga. O pantone não me agradou, mas ganhou pelo vestido giganteeee. Incha Rihanna e o seu vestido omolete na MET Gala!

 

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Para terminar, um crossover entre um toureiro, um casaco do Manuel Luís Goucha e o Aladino. TCHARAM! Acabamos ou não em grande?!

 

Ah, esperem! Não podia terminar este post sem destacar a verdadeira estrela da noite. E não, não é a Gaga. É a menina das águas. Ora vejamos:

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É ou não é a pérola do ano? 

30
Out18

Pelo direito à torrada quente

Falar de direito não é a coisa assim mais cativante do mundo. Falo por experiência própria, que nas últimas semanas levei uma injeção valente no que diz respeito a esta temática (e em particular relativamente ao direito no trabalho).

Mas acho que nos direitos do homem falta um ponto fundamental, ao lado de todas aquelas coisas que nós já sabemos (a vida, o respeito, a liberdade, o repouso...): o direito à torrada quente.

Podemos discutir a sua pertinência, principalmente quando posta ao lado de assuntos tão importantes e delicados, mas admitamos: uma torrada bem quentinha, onde a manteiga derrete ao primeiro toque, pode ser um abraço bem quente numa noite fria; pode ser o nosso porto de abrigo quando nos sentimos sós; pode ser o nosso ombro amigo quando não temos amigos; pode ser o conforto de um estômago vazio e o êxtase das nossas papilas gustativas; pode ser um oásis no meio de um deserto. Uma torrada quente pode ser quase tudo neste vida.

E sim, eu disse quente. Porque uma torrada fria - aquela em que os dentes mal conseguem partir e em que espalhar a manteiga é quase barrar cimento em tijolo-burro - é quase tão mau como um coração despedaçado; é a chuva torrencial num dia de verão; é a noite de Natal passada na solidão.

Como tal, nunca devíamos ser privados de comer a nossa torrada quente, acabadinha de sair da torradeira. Nunca devíamos ter de ir abrir a porta que tocou no momento em que aproximávamos a dita à boca; jamais devíamos atender o telemóvel que toca na hora H; não devíamos ter de corresponder aos pedidos dos nossos pais e irmãos quando dizem “podes vir aqui ao quartooooo?”; não devíamos sentir-nos obrigados a agir de uma forma altruísta quando alguém nos pede “uma trinquinha”.

Comer uma torrada quente é, ou devia ser, um momento solene, meramente interrompido apenas e só em alturas de profunda urgência. Porque o derreter da manteiga não acontece cinco minutos depois; porque aquele “crunch” da primeira trinca não se repete se formos a algum sítio durante “uns segundinhos”; porque só vivemos uma vez e cada torrada quentinha deve ser apreciada como se fosse a última, mesmo que haja uma durante todas as muitas manhãs da nossa vida.

 

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27
Out18

Como assim, vou ter de sobreviver sem fotos diárias do Harry e da Meghan?!

Acaba em breve a visita real do momento. E vocês, leigos da realeza, perguntam-se: "de que raio é que ela está a falar?". Falo da visita real dos Duques de Sussex (aka Harry e Meghan) à Austrália, que me tem brindado com centenas de fotos diárias de vestidos bonitos, de sorrisos embevecidos e coisas assim fofinhas do género - a par da maravilhosa Austrália, claro, que foi sempre uma viagem de sonho para mim.

E agora passamos à próxima pergunta: "porquê que vês centenas de fotos dessas por dia e como é que sabes quando é que a visita vai acabar?". Chama-se Instagram e internet, meus amigos. Acho que já tinha referido num post algures que eu tenho uma panca com a realeza, em particular com a britânica: vai daí que sigo meia dúzia de páginas totalmente dedicadas a este tema (umas mais específicas que outras - algumas à realeza europeia de uma forma geral, outras só à britânica, outras só sobre Kensignton e ainda algumas exclusivamente sobre o Harry e a Meghan). Tendo em conta o fuso horário australiano, e no que nesta visita diz respeito, isto quer dizer que mal eu acordo tenho o meu feed de instagram recheado de fotos do casalinho do momento. E quando eu digo centenas, são mesmo centenas. Os primeiros quinze a vinte minutos dos meus dias, nestas últimas duas semanas, resumem-se à forma como a Meghan olha para o Harry, os vários vestidos, sapatos e acessórios da Meghan, as mãos (sempre) dadas do casal, a Meghan a afagar a barrinha com o próximo bebé real, a mesma foto de 35 ângulos diferentes... é isto. 

Outra pergunta: "mas isso é uma boa forma de gastares o teu tempo?". São guilty pleasures. E a verdade é que eu ia passar o mesmo tempo a vaguear nas redes sociais, só que de uma forma mais dispersa e encontrando potencialmente coisas que não quero ler ou ver (posts de cães abandonados, o Bolsonaro à frente das eleições, aumento nos combustíveis... essas coisas). Assim fico só a babar-me para cima deles, para toda a sua "fofinhice" e a acreditar que tudo aquilo é um conto de fadas (eu sei que não é, vi com muita atenção o "The Crown"), e assim arranco o dia toda bem disposta.

"Mas tu agora deste em monárquica, foi?", perguntam-me. Nã! Já imaginaram sermos governados pelo Duarte Pio e sua Isabelinha? A ideia que tenho deles não é assiiiiim a melhor coisa deste mundo (mas dizem-me que o filho, por contrário, e de se aproveitar...) e eu sou um pessoa de hábitos - já nasci numa República e assim pretendo continuar, mantendo-me na ilusão de que o meu voto até pode contribuir para mudar o rumo das coisas. Mas isto é como a coisa dos filhos: acho os dos outros muitos giros, acho muito bem que os tenham... mas eu tê-los é que nem pensar! De modos que prefiro continuar aqui com o Marcelo e ver à distância todos os príncipes e princesas, em todas as suas visitas e roupas magníficas do outro lado de mundo.

O único problema é que para a semana acaba-se o bem bom - o Harry e a Meghan voltam para Inglaterra e eu vou ficar abandonada às péssimas notícias do facebook e às fotos do dia-a-dia no instagram. Como é triste a vida da plebe!

 

(e agora, como já estou de ressaca antecipada, tomem lá algumas fotos dos dois nesta viagem - é clicar nas setas)

 

 

01
Set18

O fim do mistério

Eu tinha um feeling que me dizia que, no dia em que fiz o post, haveriam avanços no caso do rapaz misterioso infiltrado numa festa de carnaval de família. Não me enganei.

O meu irmão “taggou” vários amigos na foto, obrigando-os a ver a foto; eu voltei a chatear a minha família com uma nova foto do intruso encapuzado e também chamei à atenção da minha tia emigrante (beijinhos tia!) para que ela voltasse a olhar para o foto com olhos de ver. Todos os contactos feitos através do meu irmão caíram em saco roto - ainda tive um falso alarme, um homem que caía perfeitamente naquele estilo de rosto mas que dificilmente teria ido parar a uma festa como aquelas - quando, finalmente, caiu a bomba. Tive de esperar dois anos por isto, meus amigos!

A pressão que fiz com a minha tia resultou: ela voltou a mostrar a foto ao meu tio que, por milagre, se recordou daquela cara que afinal não lhe era estranha. O intruso é afinal um sobrinho afastado desse meu tio, que estava cá de visita (vindo de África do Sul, creio), e que deve ter integrado o baralho de cartas para, na altura, estar com ele. Não sei até que ponto o rapaz não se terá integrado, uma vez que absolutamente ninguém se lembra dele (será que recebemos os outsiders assim tão mal?!), mas a verdade é que nunca obtive uma resposta positiva sempre que perguntei sobre quem ele era. Para nosso consolo, ele ao menos estava com uma cara feliz - e, dado todo o espalhafato que foi esse carnaval, deve ter achado que éramos uma família altamente (ainda que, aparentemente, ninguém lhe tenha falado...!) ;)

Venho então por este meio agradecer a vossa participação na resolução deste mistério que assolava a minha mente há demasiado tempo. Não é que tenham reconhecido o rapaz -teriam de morar do outro lado do globo para o conhecer - mas acredito que ao nível da força cósmica talvez tenham ajudado alguma coisa. Pouparam-me dinheiro num detetive privado - creio que essa era a próxima fase do meu estado de loucura.

 

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28
Ago18

O mistério de um rapaz desconhecido numa festa de família

Há 16 anos a minha família organizou aquele que foi para mim – e considero-o ainda hoje – o melhor carnaval de sempre. Como sempre fomos muitos, decidimos vestir-nos de baralho de cartas e pregar um susto aos meus pais, invadindo a minha própria casa e fazendo deles os “jokers” deste baralho.

Foi divertidíssimo, estávamos cheios de adrenalina e todo o processo foi engraçado: as minhas tias fizeram os fatos, pretos e vermelhos (na prática era um vestido e um gorro de cabeça inteira, só com furos para os olhos), e os meus tios fizeram as cartas. Na noite destinada juntamo-nos todos em casa de uma das minhas tias, preparamo-nos e encaminhamo-nos aqui para casa – onde fomos, no inicio, parados pelos meus cães, que assustados com o aparato não nos queriam deixar fazer a invasão (pelo menos não de forma silenciosa). Eu tinha sete anos, não tenho imensas memórias desse dia, mas ficou-me marcado para sempre – e acho que espelha bem o sentido de humor peculiar e o espírito de partilha da minha família.

Há dois anos, enquanto estava a ver as poucas fotos que tenho desse dia, deparei-me com uma cara desconhecida no meio do grupo. Não é certamente da família, pois tê-lo-ia reconhecido; achei que era o namorado de alguém, na altura, ou um amigo (algo pouco provável, porque estávamos só em família, mas nunca se sabe).

Aproveitei as festas de família para questionar cada tio, cada primo, até os meus irmãos. Nada. Todos se riam como uns perdidos de cada vez que alguém dizia “não conheço”. Estive dois anos nisto – a família é tão grande que é difícil apanha-los a todos – e ninguém reconhece aquela cara. Pus no nosso grupo no facebook, voltei a perguntar. Nada. Neste campismo de família fiz uma tentativa final e obtive a mesma resposta. Decidi passar isto para uma esfera pública e colocar no meu facebook um post publico, pedindo a amigos, ex-namorados, primos de primos e quem mais visse a publicação para ver se alguém reconhecia a cara do rapaz. Ninguém. Pedi para o meu irmão partilhar (aquele que mais trazia amigos aqui para casa) e ninguém sabe.

Ou seja: esteve alguém numa festa de família, que não é da família, e que ninguém parece (re)conhecer. O pior é que este não era um evento fácil de “crashar”: tudo foi planeado, os fatos foram feitos para um determinado número de pessoas, assim como as cartas. Não podia haver convidados de última hora – esta pessoa tinha de estar na nossa lista. E eu só pergunto: como é possível?

Só tenho uma foto nítida da cara do rapaz e outras com ele aqui em casa, a vaguear com o grupo, como era suposto. Não há aparentemente nada de errado, para além de ninguém o conhecer e todos agirmos como se o conhecêssemos!

Posto isto, se alguém reconhecer a cara do intruso, que se acuse. Mesmo que seja algum antepassado (embora, a meu ver, ele tenha um ar bastante contemporâneo). Neste momento, em que eu acho que já fiz tudo ao meu alcance para descobrir esta pessoa, já estamos abertos a todo o tipo de teorias, desde fantasmas a vampiros que nos fizeram uma lavagem cerebral para o integrarmos no grupo. Ou talvez um assassino ou ladrão, que se escondeu algures aqui em casa – e quiçá ainda está para aí, 16 anos depois. Em último caso, talvez seja um extraterrestre, que só se vê nas fotografias e não na vida real. Já estou por tudo! (Será que já é evidente que este mistério me está a endoidecer?!)

 

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04
Dez17

Eu julgo as pessoas pelos seus carrinhos de compras

Julgar é feio, eu sei. Mas, na verdade, isto não se trata bem de um julgamento: é mais um conjunto de ideias, características e histórias que eu obtenho através daquilo que as pessoas levam nos seus carrinhos de compras e pela forma como agem quando estão numa fila de supermercado - e, em minha defesa, posso também dizer que faço o exercício inverso. Ou seja, penso muitas vezes "o quê que as pessoas pensariam de mim perante os produtos que tenho aqui em cima do tapete?"

Isto depende muitos dos dias, do meu estado de humor, da má-língua e até do tipo de compras. Sobre aquelas pessoas que compram poucas coisas - muitas vezes aquisições de última hora ou os ingredientes para o jantar - eu tento adivinhar quais os pratos que vão sair dali; em compras mais substanciais, tento mesmo decifrar o estilo de pessoa, passando primeiro pelos produtos e depois para uma avaliação superficial do próprio indivíduo. Vejamos algumas das categorias que costumo encontrar:

- Os saudáveis (onde se incluem também as fit, que não são necessariamente saudáveis, mas pelo menos parecem): o carrinho está frequentemente recheado de proteínas, carnes brancas, skyrs, óleo de coco, aveia e coisas assim; esta é talvez a tipologia mais rara.

- Os "não-saudáveis": estas não são, necessariamente, as que trazem mais gordices no carrinho, mas sim aquelas pessoas que às vezes têm filhos e lhes levam pacotes de todos os cereais possíveis - estrelitas, chocapic, kellogs com frutos vermelhos -, iogurtes gregos de caramelo, bolachinhas dos crocodilos, rissóis e pizzas congeladas. Dou sempre por mim a pensar "será que esta senhora sabe a quantidade de açúcar que está naqueles cereais?" e na falta de clareza que há neste sentido, não sendo este um julgamento necessariamente pejorativo (no sentido de pessoas gordas, por exemplo) mas sim de alguma desinformação.

- Os gulosos: estes, ao contrário dos não-saudáveis, sabem bem o que levam no carrinho - e que, no caso das mulheres, se vai transferir diretamente para as ancas e, no caso dos homens, para a barriguinha. Chocolates, gomas, sugos, gelados. Tudo uma maravilha... mas não há bela sem senão, e nós sabemos disso.

- Os caça-promoções exagerados: detetam-se à distância através dos carrinhos estilo monopólio - só levam um tipo de produto em quantidades abismais e ridículas, que só um exército é que é capaz de deitar abaixo durante um mês inteiro, seguido, e sem pausas. Mas estava em promoção, por isso vale a pena.

- Os cupõezaólicos: este tipo de pessoa não se vê bem pelo conteúdo do carrinho - a menos que sejamos, também nós, cupõezaólicos e saibamos que tudo o que está ali é patente de uma promoção - mas sim pelos dezassete minutos que as pessoas demoram a ir buscar os cupões, a procurar os cupões, a ler os cupões, a entregar os cupões, a guardar os restantes cupões. Enfim. Cupões e cupões e cupões.

- Os esperançosos: bastante comum no dia dos namorados - uma rosa, morangos e preservativos. É fácil tirar-lhes a pinta.

- Os desorganizados: isto não tem que ver com o conteúdo do carrinho, mas sim com a forma como as coisas estão arrumadas. Estas pessoas chumbaram na disciplina do tetris e estão matam um obsessivo-compulsivo de cada vez que atiram impiedosamente mais um item para dentro do carrinho, não respeitando a regra do mais-pesado-por-baixo e outras coisas que tais;

- Os jovens pré-ressaca: o vodka mais barato da secção, copinhos de plástico e nada para comer, que é para o álcool bater o mais rapidamente possível e eles nem se lembrarem que aquela noite existiu;

 

No fim disto tudo, e fazendo uma avaliação global da minha pessoa, gosto de pensar que sou uma boa mistura entre o saudável e o guloso. Ou então sou simplesmente aquela pessoa que vai só buscar pão e que mal põem o pé fora do supermercado já está com uma bucha na boca, o que me abre toda uma nova categoria: a esfomeada. Assenta-me que nem uma luva.

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