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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

09
Set19

A preparação para a viagem ao Japão em 5 pontos

Daqui a precisamente um mês estarei a aterrar no Japão. E se quando marquei a viagem parecia faltar uma eternidade para esta se concretizar, hoje, este mês que me afasta do outro lado do mundo parece ser um par de dias que vai passar a voar. E só agora é que eu me sinto a cair na real: de que vou fazer a viagem mais longa da minha vida (18 horas dentro de um bicho com asas!), de que será o maior choque cultural que vou experienciar até hoje. Que vai mesmo acontecer.

Preparar uma viagem destas não é fácil, muito em parte devido ao muito que há para ver - e torna-se ainda mais difícil nesta época meia conturbada da minha vida, cheia de mudanças. Ainda assim, no último mês, fizemos avanços consideráveis em toda a preparação para a viagem; até aí pouco mais tínhamos do que a marcação das viagens, os hotéis e um esboço muito rudimentar daquilo que hoje se tornou no nosso roteiro de viagem - muito graças à minha companheira de viagem, que tem feito um trabalho que não tem preço.

Por isso, a um mês do início desta aventura, enumero as cinco coisas que estão a fazer parte (ou fizeram) da preparação desta viagem de sonho.

 

1. O roteiro

Gostei muito de um modelo de organização de viagens que vi um dia no instagram da Diana Bouça-Nova e decidi copiar. Dividi, numa folha de excel, sítios a visitar, onde comer e onde ficar. Não tinha muitos conhecimentos pré-adquiridos sobre o Japão – esta foi uma viagem marcada à maluca, um bocadinho por impulso devido a uma série de coisas que tinha visto na altura sobre o país – e por isso comecei por fazer um levantamento de coisas que me pareceram interessantes, divulgadas por pessoas que tinham viajado para lá há pouco tempo: nomeadamente a La Dolce Rita, a Stylista, o Alma de Viajante e o meu chefe (que também me forneceu uma catrefada de livros e guias sobre Tóquio que só agora estou a conseguir explorar devidamente). A minha companheira de viagem, a Ana, muito mais culta do que eu em matérias nipónicas, fez o mesmo – e assim se desenhou o primeiro esboço de tudo o que queríamos e/ou poderíamos visitar nas quatro cidades a que vamos: Tóquio, Kyoto, Osaka e Nara.

Numa segunda fase a Ana fez o trabalho mais duro: agrupar todos aqueles locais em "pequenos" roteiros, circulares, de forma a que pudéssemos ver tudo gastando o menor tempo possível entre viagens. Não sabemos até que ponto é que estes circuitos serão realistas para o tempo que temos – e por isso é que não faço intenções de os partilhar agora – mas vamos descobrir na altura. Prometo contar tudo depois ;)

 

2. A mochila

Hesitamos entre ir de mochila às costas ou com mala de rodinhas. Ponderei sobre o assunto e vieram-me à memória momentos pouco simpáticos, durante viagens, em que me vi à rasca para pegar no meu trolley de viagem para subir ou descer escadarias. O objetivo não é andar sempre de um lado para o outro com as coisas, mas nas transferências entre cidades não temos outro remédio – e, nesses momentos, o ideal é descomplicar. A mochila é a melhor solução. Não só pela questão do transporte mas também porque, por não ser muito grande e por o seu peso ser literalmente carregado por nós, nos obriga a conter na quantidade de coisas que pomos lá dentro. Travel light vão ser as palavras de ordem! Se virmos que começamos a ficar demasiado carregados com coisas que compramos lá, entre souvenirs e coisas a que não vamos resistir (ouvi dizer que há uma Uniqlo mesmo em frente ao meu hotel... estou desgraçada!), compramos uma mala de mão na reta final da viagem para levarmos tudo mais confortavelmente.

Comprei uma das mochilas de viagem da Decathlon, de 50 litros. Já a utilizei na minha viagem para o Algarve, em que fui de avião pela Ryanair (tendo por isso de andar, esperar e subir escadas com ela às costas) e a prova foi superada. O apoio nas ancas ajuda imenso e ter as mãos livres faz uma diferença enorme. Enquanto o pessoal andava à rasca para carregar os trolleys, eu andava ali como se nada fosse – mesmo tendo mais de dez quilos às costas. Fiquei a gostar – e esta experiência pré-Japão tranquilizou-me um pouco em relação ao que está para vir.

 

3. Compras antecipadas

Ir à descoberta não é a nossa praia. Por isso, outra das coisas que quisemos fazer foi comprar tudo o que podíamos com antecedência – para evitar filas, complicações ou eventuais dramas na explicação daquilo que queremos comprar (não sabemos até que ponto é que a comunicação é fácil...). As viagens de comboio-bala entre cidades eram uma prioridade, mas acabamos por perceber que tínhamos de comprar os bilhetes in loco; ainda assim temos assente os horários que preferimos e que tencionamos comprar quando lá chegarmos.

Tratamos também de reservar o nosso wifi portátil, que nos vai permitir estar online durante toda a nossa estadia por um preço relativamente baixo. No fundo é um mini-router que levantamos no aeroporto e que nos faz desligar das preocupações sobre roamings e outras questões.

Outra das coisas que compramos foi o Pasmo Card – uma espécie de passe recarregável que permite utilizar vários meios de transporte em todo o Japão e que nos vai ser muito útil nas ligações entre locais a visitar, principalmente quando a distância entre eles for maior ou o cansaço das pernas começar a pesar.

Por fim, comprar tudo o que sejam entradas em museus e locais de interesse, ou marcar atividades, para não perder tempo desnecessariamente. Admito que esta parte ainda não fizemos...!

 

4. Preparação física

Eu, neste momento, pareço uma pequena lontra bipede, com uma forma física digna de um hipopótamo, em que o único exercício que faço e abrir e fechar a boca – para comer, obviamente. Tenciono mudar isso em breve, mas até lá tenho que me pôr a mexer. Sei que não vão ser poucos os quilómetros que estas minhas pernas vão ter de aguentar e convém estar minimamente preparada para não passar a vida a sentar-me, qual velhinha, enquanto deito os bofes pela boca.

Por isso, até me inscrever na piscina para fazer exercício regularmente, temos tentado fazer algumas caminhadas. Fico cansada e de mau humor, principalmente nas subidas, mas passado dois minutos – e após pensar que é tudo em prol de uma causa maior (o Japão... ou a diminuição destas minhas ancas) – já passou. Agora é tentar aumentar o ritmo e a quantidade de vezes que vamos dar estas voltinhas.

 

5. Os vídeos parvos

Esta tem sido a componente mais engraça (muito mais gira do que fazer exercício, não é verdade?) e, também, mais inesperada. De um momento para o outro o meu YouTube ficou inundado de vídeos com nomes e letras que não percebo nada, mas que acabam por ser mega divertidos e com um ritmo que fica no ouvido durante o dia inteiro. Aqueles que nos tentam ensinar japonês, misturando o inglês pelo meio, são uma autêntica pérola. E, a brincar a brincar, já sei umas coisas. Já sei que Kito Kato é Kit Kat e bisu é cerveja. Já não morro nem à fome nem à sede. Siga!

 

16
Jul19

Um passeio pela Costa Vicentina

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Já o disse: ir ao Alentejo era um desejo antigo. Tinha imaginado esta viagem de muitas formas: ora com amigos, ora sozinha numa espécie de retiro, ora na loucura numa autocaravana alugada, pronta para dormir ao som do bater das ondas. Acabou por não ser de nenhuma dessas formas: fui com o meu namorado e foi maravilhoso. 

O Alentejo não desiludiu. Mas soube a pouco - embora tentássemos aproveitar tudo ao máximo. Ainda deu para ver algumas praias, comer bem (viva a sericaia e o peixinho grelhado!), conhecer mais um bocadinho e até dar um mergulhinho!

Optamos por não fazer a viagem de rajada e fizemos algumas paragens estratégicas. A primeira foi nas Grutas da Moeda - uma estreia para mim, que nunca tinha entrado em nada do género. Apanhamos a última visita guiada do dia, a uma sexta-feira, por isso estava tudo muito calmo. Não me fez aflição nenhuma estar debaixo de terra e achei as grutas em muito bom estado de conservação. Todo o tratamento que lhe deram, ao nível das luzes, torna tudo ainda mais giro - e até mágico. O guia, sempre simpático, também ajudou a que fosse tudo muito agradável - explicou a formação das estalactites e estalagmites, mostrou-nos ossadas de uns animais que caíram para dentro da gruta e fazia-nos sempre puxar pela imaginação, tentado fazer-nos visualizar animais e outras formas nas rochas por onde íamos passando. A visita dura cerca de meia hora (não chega para nos sentirmos sufocados) e eu lembrei-me recorrentemente de uma coisa que o meu pai sempre me disse: se nos queixamos da nossa profissão, agora pensem nos mineiros! Dos poucos minutos que lá estive fiquei com a pele toda oleosa e sempre com alguma vontade de, literalmente, ver a luz ao fundo do túnel. E foi só meia hora! Tentar imaginar o que é passar dias inteiros ali fechados é só aterrador - já para não falar do próprio trabalho, exigente a nível físico e cujo fator segurança não é lá muito positivo. Deu para pôr as coisas em perspetiva e, só por isso, já valeu a pena! Para além de que foi uma experiência nova, bonita, que aconselho a todos. 

 

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Nas Grutas da Moeda

 

A primeira noite foi passada em Óbidos - terra onde já tinha feito uma paragem rápida o ano passado, que nem tinha dado para absorver bem a coisa. Fiquei surpreendida porque de noite não se via vivalma - lembrei-me até de Veneza, onde tive exatamente a mesma sensação. A dicotomia noite-dia é impressionante. Esperei que no dia seguinte estivesse uma avalanche de gente (tal como estava quando lá tinha ido), mas não: o facto de não estar a decorrer nenhum daqueles eventos dentro do castelo deve ter ajudado, tornando o passeio muito mais agradável e as ruas bem mais transitáveis. Confirmei aquilo que já desconfiava: Óbidos é um mimo. Adoro o conceito, adoro a cores, adoro as lojinhas, adoro as muralhas, adoro as vielas, os declives e os pormenores em cada recanto. As lojinhas com um toque tradicional derretem-me, os espaços alterados para a conjugação de duas coisas improváveis (tipo uma livraria e uma mercearia ou uma livraria e uma igreja) fazem de mim uma criança feliz. Gosto mesmo muito de vilas com história e sei que um dia lá vou voltar. 

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Paragem seguinte: Peniche. Também foi uma estreia para mim, nunca lá tinha ido. Estava tudo um bocado caótico: apanhamos uma prova de triatlo, que ia fechar muitas das ruas da cidade, por isso foi praticamente almoçar e vir embora. Também, sejamos sinceros: aquela ventania não convidava a grandes passeios. O vento estava presente em todo o país e não passamos por nenhum sítio onde não o sentíssemos, mas Peniche ganhou aos pontos neste campeonato. Ainda assim deu para fazer uma visita ao Cabo Carvoeiro e à Fortaleza de Peniche, prisão de muitos presos políticos, conhecida pela fuga de muitos deles (incluindo Álvaro Cunhal). Neste momento está transformado no Museu da Resistência e da Liberdade e a entrada é livre - só pagam se quiserem os audio-guias, que não me parecem muito necessários, até porque têm descrições em todos os locais. Os espaços abertos são poucos - têm o parlatório (local de conversa entre os prisioneiros e os visitantes), a sala de visitas (onde chegaram a decorrer alguns casamentos) e o segredo (a solitária). Isto para além das vistas da Fortaleza para o mar, obviamente muito bonitas (segunda foto do lado direito, na montagem abaixo). Mas confesso que fiquei um pouco desiludida, acho que há muito mais a explorar num local destes - nem que fosse a oportunidade de ver uma cela, para se ter noção das condições em que lá se vivia. Esperemos que seja uma coisa a melhorar a médio prazo. 

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As Berlengas lá atrás

 

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Depois sim, rumamos até Milfontes, onde ficava o nosso hotel - As Três Marias, conforme já contei aqui. Visitamos várias praias (pelo menos aquelas com acessos minimamente decentes) e tentamos encontrar aquela que estivesse mais protegida do vento, para podermos tomar um banho. Escolhemos a Zambujeira no Mar, que tem toda uma arriba que nos protegia daquelas rajadas do diabo. E se cá em cima estava frio, lá em baixo estava um pequeno forno, mesmo com os singelos 22ºC de temperatura que se faziam sentir. Foi o primeiro mergulho do ano e soube pela vida!

Ainda fomos a Porto Côvo (enquanto ouvíamos o Rui Veloso no carro, obviamente) e demos outros passeios pela costa, meios à deriva e a ver até onde as estradas nos levavam. Não tínhamos grandes horas nem planos, por isso fomos à descoberta. Também por isso acabo por não conseguir precisar muitos dos sítios por onde passamos.

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Na Zambujeira da Mar

 

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No dia da vinda, em que tínhamos pensado fazer praia, acabamos por mudar de planos e ir até ao Badoca Safari Park. A verdade é que podemos ir à praia muitas vezes, mas não é todos os dias que estamos a lado do único safari em Portugal. E eu adianto-me já e ponho as fichas na mesa: fiquei muito desiludida.

Arrependi-me mal cheguei, quando vi uma fila enorme só para comprar os bilhetes. Aliás: arrependi-me amargamente quando percebi que ela não andava. Demoramos 40 minutos só para comprar as entradas, o que acho absurdo e inaceitável. O sistema de filas era muito confuso, as funcionárias não punham ordem (havia ultrapassagens, a fila prioritária era usada indiscriminadamente) e dava logo vontade de atirar a toalha ao chão. Mas sobrevivemos.

A questão é que lá dentro não foi muito melhor. A única coisa que se safa são, precisamente, os animais - que também não são muitos. Cadê os leões e os tigres e essas coisas todas que se deviam ver na selva africana? As placas informativas sobre as espécies, quando existiam, estavam muito degradadas, tornando muitas vezes impossível a leitura; muitos dos animais estavam sozinhos; algumas das proteções eram mal pensadas, sendo quase impossível perceber que bichos é que viviam em cada espaço; a ilha dos primatas, para além de ficar longíssima, é deprimente - os animais estão tristes, a água à volta completamente suja e choca e a própria visibilidade para as ilhas era má, não sendo bom nem para eles nem para quem visita. Isto para não falar do próprio safari! Acho que nunca snifei tanto pó e tanto cheiro a gasolina de uma só vez. O guia do safari era muito simpático, é uma experiência gira, mas as condições em que é feito deixam muito a desejar. Pontos altos: a proximidade com as girafas (o animal mais bonito que vi, de uma imponência inacreditável), as jaulas abertas dos pássaros, em que é possível a interação com eles e um sentimento de proximidade maior que o normal e, claro, os suricatas. Adoptava um, já, já, já! 

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De resto, fica a vontade de voltar e ver tudo o que ficou por visitar ❤️ Mas voltar. Sempre.

 

Onde ficamos: em Óbidos, na Josefa d'Óbidos - é uma antiga hospedaria, remodelada em algumas partes, mas que não merece as 4 estrelas que lhe foram atribuídas. Os quartos de banho precisavam de uma reforma e o pequeno-almoço merecia mais. O aspeto exterior é mau, mas o interior é melhor, por isso não se assustem. A localização é muito boa. Já em Vila Nova de Milfontes ficamos no Três Marias, que mereceu um post meu, que podem ler aqui.

Onde jantamos: tivemos sempre muita dificuldade em arranjar onde jantar, não por falta de oferta, mas por estar tudo cheio! Convém pensar no assunto e reservar com antecedência. O jantar em Óbidos foi razoável, no Jamón Jamón; o melhor foram, de longe, os croquetes de alheira. O polvo assado que comemos depois também estava bom, mas não era nenhuma especialidade. Em Porto Covo jantamos na Taska do Xico um bom peixe grelhado, em Milfontes fomos a um dos restaurantes mais conhecidos (Porto das Barcas), onde acho que elevamos demasiado as expectativas e o preço foi um bocadinho puxado. A maior surpresa foi num restaurante a caminho da Zambujeira do Mar, a Barca Traquitanas, onde comemos uma massada de peixe de bradar aos céus! Tínhamos passado pelo restaurante, não demos nada por ele, mas acabamos por voltar... e valeu tanto a pena. Ainda hoje sonho com aquilo, foi mesmo o petisco que marcou todas as férias, aconselho vivamente.

11
Jul19

Há um ano estava nos Açores

Há uns dias perguntaram-me qual o destino do mundo, para onde tinha viajado, que mais tinha gostado. Eu respondi: "para além dos Açores?".

Acho que isso diz tudo.

Há precisamente um ano eu estava na ilha, sem saber que me esperava uma das melhores semanas da minha vida. É difícil explicar a importância que aqueles dias tiveram para mim. Foram a recolha de um conjunto de provas que eu precisava para comprovar tudo o que dizia até ali: que podia viajar sozinha, que me safava sozinha. Que podia ser feliz sozinha. E fui.

Não houve uma pinga de solidão naqueles dias. Percebi que era assim porque sabia que quando voltasse ia ter uma série de braços abertos para me receber, estrafagar e apertar com mimos. Porque sabia que estava sozinha ali, mas não estava só. E o concretizar dessa dicotomia, que me perseguiu durante tantos e tantos anos, foi o equivalente a um respirar de alívio. Pude desfrutar de mim mesma - sem o stress de querer agradar aos outros, de fazer a vontade aos outros, de ter outros na equação. Foi a sensação de liberdade mais profunda que senti até hoje - uma mistura que, hoje vejo, também tem muito de egoísta. Mas é o que é. Sou assim. Fiz as pazes comigo mesma naquela terra, aceitei-me. E acreditei em mim mesma, em tudo aquilo que dizia e que queria. Ganhei forças para este ano que passou - e que tanto exigiu de mim - e sinto que fui buscar muito àquelas paisagens e àquele silêncio. E, acima de tudo, muita vontade de voltar.

Por tudo isto, os Açores terão para sempre um significado especial para mim. Hei-de sempre falar das ilhas com um brilhozinho nos olhos, de quem se sente eternamente grata pelas coisas mais bonitas que viu na vida. Por tudo o que aprendeu. E por toda a paz que absorveu. Sou hoje uma pessoa mais feliz por ter lá ido.

 

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22
Jun19

Um mar de calmia em pleno Alentejo

No início do mês realizei um desejo que já tinha há muito: ir ao Alentejo. Passo sempre esta região de rajada, ignorando-a por completo devido a uma vontade cega de chegar ao destino do costume: o Algarve. Mas desta vez fizemos daquele sítio o nosso destino e lá fomos nós, país abaixo, prontos para uns dias de descanso.

Não descansamos muito, porque parecíamos baratas tontas a querer ver as praias, as vistas e tudo o que a natureza tivesse para nos eferecer. Conto todos os locais por onde passamos e o nosso itenerário num próximo post, porque agora quero só falar do sítio maravilhoso que nos acolheu durante aqueles dias, em Vila Nova de Milfontes. Um local pautado pela cor branca, pelo simplismo e, acima de tudo, pela calmia.

O Três Marias, turismo rural, era tudo o que eu precisava nesta fase mais louca da minha vida. Adorei o espaço, a filosofia e a decoração. Mais: adorei o facto de acolherem uma avestruz, ovelhas e... três burros naquela quintinha, que se passeavam calmamente por lá enquanto tomávamos o pequeno-almoço! É caso para dizer que este hotel foi feito a pensar em mim ;)

Tinha ficado com o espaço debaixo de olho depois de o ter visto num blog e correspondeu a todas as expectativas que tinha sobre ele. É, literalmente, um sítio para se descansar. Para se ouvir o vento a correr nas árvores e a ver as estrelas no cair da noite. Onde o único trânsito que existe é no ar, onde as andorinhas fazem corridas para chegar primeiro às migalhas. Onde nos apetece falar baixinho para não interromper o estado de calmia em que estamos todos mergulhados. Onde não há televisão – nem no quarto nem na sala comum. É mesmo um retiro da sociedade – ou, para lá chegar, não tivessemos de percorrer dois quilómetros de terra batida!

O nosso quarto era uma mezannine, com um sofá em baixo e o quarto e a casa de banho em cima. Vivia dos detalhes: a cama protegida por uma rede mosquiteira, num cenário mega romântico-fofinho; as portas feitas em tábuas de madeira, que davam um ar rústico a todo o espaço; o chão aquecido na zona da casa de banho; a chaleira e as chávenas prontas para servir um chá. Tudo perfeito. Para mim só faltava uma coisa para ser algo do outro mundo: uma piscina, para uma pessoa não ter de fazer mais do que uns metros para poder estar de papo para o ar e aproveitar as maravilhas do mundo rural.

Adorei o pequeno-almoço, não muito grande mas com comida muito fresca (como um bolo quentinho, acabado de sair do forno) e toda a simpatia das pessoas. Tive pena de não jantar lá, pois creio que a comida devia ser tão caseira como nas nossas casas – e, pelo que li, onde se promove o convívio entre os hóspedes, numa mesa grande onde todos se sentam tal e qual uma grande família.

À saída peguei num cartão, nos postais que têm à disposição de quem lá fica e prometi voltar. Gostava muito de conseguir cumprir essa promessa.

 

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21
Mai19

London on my mind

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Eu estava a precisar de um fim-de-semana fora como de pão para a boca. Desde Setembro que ainda não tinha feito férias e o meu cérebro já pedia misericórdia - principalmente por todas as mudanças consecutivas no âmbito de trabalho (ora têxteis, ora piano, ora contabilidade e gestão). Contei afincadamente os dias para me meter no avião e ir para Londres - uma visita de médico, ir sexta e voltar domingo, mas que me soube pela vida. Mudar de ares consegue fazer milagres.

Mentiria se não dissesse que esta foi uma viagem especial. Foi, porque foi a primeira viagem que fiz com o meu namorado; foi a primeira vez que estivemos juntos durante 24 horas, sem trabalho pelo meio, sem cada um ter de ir para suas casas ao final da noite. Em que superamos questões que diariamente dão discussões em casais pelo mundo inteiro tal como "onde é que vamos comer?", em que partilhamos casa de banho e as decisões do dia-a-dia. E a verdade é que foi incrível.

O plano inicial era irmos aos estúdios da Warner Bros, do Harry Potter, do qual ambos somos fãs. Compramos as viagens, marcamos hotel (pensando que tudo isto seria prioritário) e, quando vamos ao site dos estúdios comprar bilhete, damos (ainda que virtualmente) com o nariz na porta. Já só há bilhetes para Julho - a menos que se comprem packs por agências que incluem viagens de ida e volta e cujos preços são ainda mais inflacionados que o normal (uma negociata qualquer com a Warner Bros que devia ser proibida, mas enfim). Ficamos com pena, mas Londres é muito mais do que aquilo: por isso fomos à descoberta. 

Esta foi a minha terceira visita à capital inglesa mas a primeira dele, por isso quis dar-lhe um cheirinho de tudo aquilo que Londres é para mim - a cidade que, apesar de cinzenta, seria provavelmente aquela que escolheria para viver se fosse obrigada a sair do meu país.

Tivemos sorte com o hotel (Grange Wellington Hotel), que fica num edifício antigo, tipicamente inglês, localizado na zona de Westminster. A envolvência era muito calma, com um parque e casas vitorianas a toda a volta; no fundo estávamos muito perto de tudo mas longe da azáfama que é a Londres citadina que sempre conheci. Apesar da aparência antiga do exterior, o interior era todo renovado e o quarto (assim como a casa de banho) era muito agradável e espaçoso o suficiente para se circular e não nos sentirmos apertados. A única coisa que não adorei foi o pequeno-almoço: a comida era boa e fresca, mas os funcionários não eram muito simpáticos e achei a distinção entre "english breakfast" e "continental breakfast" um bocadinho parva... como a minha reserva só incluía o pequeno-almoço continental não tínhamos direito a comer os pratos "quentes", pelo que havia uma zona onde não podíamos tocar. Não que a mim me faça diferença, pois sou pessoa de ó comer pão com manteiga ao pequeno-almoço, mas achei um tanto ao quanto indelicado, como quem diz "ali não podem comer, é só para clientes de ordem superior"...

Cresci a ouvir falar dos teatros em Londres, de como tudo era magnífico. Da última vez que lá estive, há três anos, fomos ver o Mamma Mia e fiquei fã. Queria muito repetir a experiência (com outro espetáculo) e levar o meu namorado comigo - e enquanto esperávamos pelo avião no aeroporto (era TAP e atrasou como sempre...!), fomos pesquisando algo que interessasse a ambos e que não custasse mais do que a estadia do nosso hotel e viagens juntos... Tivemos de também de conjugar a nossa disponibilidade com os poucos lugares que já havia vagos e, no meio disto tudo, surgiu o Witness of the Prosecution - um teatro baseado numa obra da Agatha Christie. As reviews eram na generalidade muito boas e havia uma sessão no dia da nossa chegada, por isso foi o escolhido.

 

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Cartaz do espetáculo

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County Hall, local do espetáculo

A peça acontece no County Hall e decorre naquilo que parece ser o centro de um parlamento, em forma de hemiciclo. Só por isso já é giro e diferenciador - e faz sentido, uma vez que toda a peça decorre à volta de um julgamento e parte do público faz até parte integrante da ação. As voltas e reviravoltas que a história dá, muito ao estilo de Agatha Christie, mantêm-nos presos à trama - mesmo nos momentos mais lentos. Confesso que depois de um dia de viagem houve alturas em que o sono apertou, mas de uma forma geral gostei muito da peça e das interpretações - e o final, claro, foi inesperado, ou não fosse esta uma peça escrita pela mestre do crime! Não é um musical e, como tal, não nos traz aquela boa disposição e energia com que fiquei no Mamma Mia - mas saímos de lá enriquecidos e com um segredo no bolso que, como é óbvio, não podemos revelar. ;) Não aconselho a quem não tenha um entendimento muito bom do inglês - com dicções menos boas e a rapidez com que eles falam, nem sempre é fácil entender tudo, por isso é necessário ter um bom conhecimento da língua.

É engraçado como fomos bafejados pela sorte com muitas das pessoas que se cruzaram no nosso caminho durante a viagem. Durante o intervalo da peça um casal de americanos, do Texas, meteu conversa connosco - e do nada já estávamos a falar de Fátima, dos pastéis de nata, do bacalhau e de como eles tinham mesmo de vir a Portugal. Mal aterramos tivemos também uma surpresa boa: quando íamos comprar os bilhetes para o comboio até ao centro da cidade, um casal, a dirigir-se para o aeroporto, vem ter connosco e oferece-nos os seus bilhetes de transportes públicos, válidos até ao resto daquele dia. Andamos de comboio e metro durante sem pagar um cêntimo e graças à boa-vontade de um casal, que podia perfeitamente ter levado os bilhetes consigo e ter-se borrifado para os outros. Achei um gesto mesmo muito bonito.

À chegada ao hotel, já preparadíssimos para pôr em prática o nosso saber da língua inglesa, recebe-nos uma portuguesa - contentíssima por, nesse dia, já serem os segundos conterrâneos que conhece. E, já no fim da viagem, à ida para o aeroporto e num comboio atolado de gente (com carruagens vazias mas fechadas ao público - não se percebe...), sem lugar para me sentar, um italiano ofereceu-me o seu lugar. Ao meu lado ficou uma inglesa que também meteu conversa connosco - e lá voltei eu à conversa do bacalhau e de como a senhora tinha de visitar Portugal. Aprendam comigo: a conversa do bacalhau não falha! Ajudou a que a viagem passasse mais rápido e, por a senhora ser nativa, faz-nos sentir muito mais integrados - conhecermos pessoas que vivem nas terras que estamos a visitar é, talvez, a melhor forma de sentirmos que aquela cultura ficou verdadeiramente entranhada em nós.

Apanhamos um tempo incrível e por isso quisemos usufruir ao máximo dos outdoors em vez de nos metermos em locais interiores. Nas horas em que choveu aproveitamos para ir ao Madame Tussauds (que eu também nunca tinha ido) e foi um momento divertido. Fiquei de coração partido por já não estar lá a estátua do Robert Pattinson, mas enfim, penso que seja o destino - agora que tenho namorado, já me tiraram o homem inglês do caminho...

Compramos os bilhetes pela internet e todo aquele sistema de entradas é um bocado confuso (é feito por slots de horas, mas há filas diferentes em vários locais, o melhor é sempre perguntar). Apesar de estar cheio de gente e do preço não ser barato, acho que é algo giro de se fazer (principalmente se não quisermos ver museus mais "pesados" e estivermos à procura de uma escapadela mais descontraída) e transforma-se numa recordação que se leva para a vida. Há algumas estátuas mais bem conseguidas que outras, atrações pagas (como uma viagem ao mundo do Sherlock Holmes ou as fotografias com o Harry e a Meghan), mas passam-se ali um par de horas num abrir e piscar de olhos. Para mim uma das minhas partes favoritas foi o percurso de "táxi" que se faz dentro da história de Londres. 

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Picamos o ponto em todos os lugares principais: Buckingham Palace, Picadilly Circus, Oxford Street, Westminster Abbey (nunca lá tinha passado e fiquei um pouco desiludidade, pois achei que era muito maior, devido às fotos do casamento da Kate e do William), Leicester Square, Westminster Bridge, etc. Outro dos locais que, para mim, é obrigatório é Camden Town: fomos numa altura em que choveu um bocadinho mas é sempre um local com graça, com todo o tipo de pessoas e estilos, óptimo para quem está no mood para compras e coisas mais fora da caixa (que não foi o meu caso). Ainda tentei passar pelo estúdio de fotografia que me roubou mais gargalhadas em toda a minha vida, onde me vesti de dama antiga, mas creio que já fechou... É pena. Almoçamos por lá, demos uma volta, rimo-nos com algumas personagens que passaram por nós e foi um bom bocado. Ah!, e já que não conseguimos ir aos estúdios dos Harry Potter fizemos uma paragem rápida em Kings Cross, onde deixamos umas libras na loja dedicada aos filmes porque, apesar de adultos, no que toca a HP, ainda somos umas autênticas crianças.

 

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Vista para o London Eye da Ponte de Westminster

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Westminster Abbey

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Leicester Square

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Oxford Street

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Palácio de Buckingham

 

Acabamos por passar uma boa porção de tempo a passear por parques, eu toda embevecida a olhar para patos, gansos e, claro, os esquilos. Parecia uma criança eufórica quando vi um esquilo a passar-me à frente! Por sorte apanhamos um local onde viviam três "papagaios" (não sei se eram de facto papagaios ou outro tipo de aves), que várias pessoas alimentavam. Mais uma vez fomos presenteados pela simpatia dos locais, que nos deram para a mão muitos frutos secos e por isso passamos largos minutos a fazer vídeos e a tirar fotos com os pássaros, enquanto os chamávamos e eles pousavam nas nossas mãos, enquanto enxotávamos as pombas com o resto do corpo (uma delas agarrou-se ao meu soutien; na altura não teve graça!). Foram momentos completamente improvisados mas que, honestamente, vão ser dos que vão ficar mais marcados na minha memória.

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Carolina embevecida com os animais, parte 1

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Carolina embevecida com os animais, parte 2

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A tentar uma transferência do passáro de mão para mão

Passei também pela zona rica das embaixadas, perto do nosso hotel, que depois acaba por ir dar ao Harrods. Pelo meio ainda atravessamos a ChinaTown lá do sítio, local onde também nunca tinha estado. Por estas pequenas "pérolas" pelo caminho é que vale muito a pena conhecer uma cidade a pé e perder tempo a explora-la, mesmo nos locais que não aparecem nos mapas como sendo turísticos. Tenho para mim que a verdadeira essência das cidades está nos sítios onde menos esperamos.

Londres, por ser uma cidade enorme, tem muito que ver - e a zona onde ficamos hospedados influencia muito os locais que visitamos, pois nunca queremos sair muito de um determinado raio. Ainda não foi desta que fui a Portobello Road, à Tower Bridge, a Cheshire Street ou ao Old Spitalfield Market (assim como o Borough Market): coisas que já tinha na agenda mas cujo tempo não deu para tudo. Por um lado é bom: assim ficamos com mais uma razão para um dia lá voltar.

 

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Pelo bairro de Westminster

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Chinatown

 

O que faltou ver: Portobello Road, Tower Bridge, Cheshire Street, Old Spitalfield Market, Borough Market. Museu britânico. Estúdios da Warner Bros.

Onde fui comer: Jamie's Italian em Victoria Street (nada de especial); Tozi's (italiano, no bairro de Westminster, comemos uma boa carne e o espaço é bastante agradável); Loco Locale (também italiano, em frente ao County Hall, razoável).

Onde fiquei: Grange Wellington Hotel, em Westminster.

Relato da minha viagem a Londres em 2016, aqui.

10
Mai19

Vale a pena ir ao Palácio da Pena

Sintra sempre foi uma das minhas cidades favoritas. Fui lá várias vezes em passeio, outras somente para comprar queijadas (ninguém me pode condenar por isto, aquele doce devia ser considerado a 8ª maravilha do mundo) e até em visita de estudo - e em cada uma destas paragens me apaixonei mais por aquele serra, aquelas estradinhas e a sua aura mística. Já tinha ido à Quinta da Regaleira (maravilhosa, aconselho vivamente e com visita guiada!) e ao Palácio Nacional, mas tinha uma falta gravíssima no currículo: o Palácio da Pena.

Já há muito que queria lá ter ido e aproveitei o feriado para concretizar este desejo - tivemos sorte, porque estava um dia de sol lindo, que dava uma luz especial às cores que pintam o palácio. E apesar do mar de gente que lá estava (e não era por ser feriado, uma vez que 95% eram estrangeiros) e de ter suado um bocadinho para subir aquilo tudo, valeu muito a pena. É este tipo de coisas que vamos ver no estrangeiro e que nos deixam maravilhados e a verdade é que nos esquecemos que temos locais tão ou mais bonitos em Portugal do que os que vemos lá fora. As salas do palácio (onde, infelizmente, não deixam fotografar) têm decorações lindíssimas, tetos muito trabalhados e de um bom gosto imenso. Mas a verdade é que fica muita coisa por ver e explicar, muito por culpa da falta de organização do próprio palácio.

Mal fomos comprar o bilhete disseram-nos logo: havia 40 minutos de fila para entrar. Isto porque Sintra padece do mesmo mal que o resto do país - excesso de turistas. Portugueses, nem vê-los! A nossa língua mãe era a menos falada ali no meio, só mitigada por um número razoável de brasileiros que andava por lá a deambular. 

Sintra sofre pela proximidade de Lisboa e pela beleza incrível da cidade, que atrai qualquer pessoa... mas a verdade é que ali tudo ali é pequeno, os acessos são maus, as estradas estreitas, os parques de estacionamento minúsculos. Sintra é linda, mas só se não tiver um mar de pessoas. E o pior é que a questão não é só chegar lá: é também a visita ao próprio palácio, que é feita por ordem de chegada, em filinha indiana (qual meninos da escola - com contínuas e tudo a vigiar!), o que não potencia minimamente a visita. Somos quase obrigados pelo resto da fila a ir avançando pelos corredores fora, sem tempo para poder olhar à volta ou ler as pequenas descrições na sala (que são as únicas informações que nos contextualizam sobre o sítio onde estamos). Senti mesmo muita falta de uma visita guiada, de alguém que me explicasse o que estava a ver, para dizer quem eram as pessoas que estavam pintadas nos quadros pendurados na parede, contar histórias engraçadas sobre aqueles espaços e dar-lhes alguma vida, assim como a noção de como eram as coisas naquele tempo. Acima de tudo senti falta de parar e apreciar o que estava à minha volta. Penso que se houvesse visitas com hora marcada, para um determinado número de pessoas, tudo funcionaria melhor e todos os visitantes desfrutariam e sairiam muito mais enriquecidos do palácio, bebendo muito mais da cultura e da história de Portugal.

Estou com esperança de que, se um dia voltar, as coisas já sejam diferentes e mais organizadas. Acho que é dos locais no nosso país que mais merece protagonismo e um planeamento estruturado, com cabeça, tronco e membros. O Palácio da Pena (e toda a sua envolvência) é incrível, com vistas de cortar a respiração, com uma mística mesmo muito especial e que merece a visita de todos nós. Oupa, façam-se ao caminho!

 

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22
Abr19

Viagem com viagem se paga: o início de uma nova aventura

Não me considero uma pessoa minimamente influenciável. Nunca fui, mesmo naquelas fases mais sensíveis da nossa vida. Mas há uma coisa em que fraquejo, em que sou uma autêntica Maria Nabiça (que tudo o que vê, tudo cobiça): as viagens. E o pior é que sou-o em todas as áreas: leio um livro passado no Camboja e quero lá ir; vejo uma foto em Budapeste e apetece-me ver aquela vista na primeira pessoa; vejo vídeos sobre determinado destino e este vai logo para a minha top list; ouço uma conversa qualquer sobre umas férias incríveis e começo logo a ter ideias. É isto: todas as regras têm suas exceções e a minha é esta - sou mega influenciável no que a viagens diz respeito e mudo de ideias do dia para a noite; se num dia garanto que não vou à Tailândia, por ter muitos ratos e bichos estranho, no outro já vi uma foto magnífica e estou convencida. Tenho para mim que, para o bem e para o mal, isto vai acabar comigo a querer conhecer o mundo inteiro...!

Este ano o meu plano era ir à Islândia. Já o tinha como um dado adquirido  - e, também por isso, foi duro quando descobri que a tour que queria fazer, com a agência que escolhi, já tinha esgotado. Nunca esperei que isso acontecesse; não tratei de tudo com mais antecedência porque me faz alguma impressão marcar coisas com um ano de distância (sei lá o que vou fazer para a semana, quanto mais!) e porque as viagens ainda não estavam disponíveis naquela altura. Quando me sentei e disse "é agora", clicando nas datas e no "avançar", acabo por me deparar com zero vagas. Caiu-me tudo. Fiquei mesmo triste. Era algo que já tinha tão certo na minha cabeça, com tantas expectativas, que tive de certa forma de fazer o luto dessa ideia (até porque ir por outra agência não é algo que queira fazer).

E a melhor forma de recuperar de um desgosto destes é passar para outra ideia, investir noutra coisa. Andei a investigar destinos e deparei-me com o Japão - país que tinha entrado muito recentemente na minha lista de "to visit", por culpa da La Dolce Rita. Acompanhei a sua viagem através dos insta stories (ainda os podem consultar nos seus destaques) e fiquei totalmente apaixonada. (Percebem isto de ser influenciável?) Percebi rapidamente que tinha de lá ir. E dado que tinha ficado sem destino de férias - que serão bem merecidas, após o fim da pós-graduação - decidi que não era tarde nem cedo! Aquilo que aconteceu com a Islândia não ia voltar a acontecer. 

E foi assim que, rapidamente e sem grandes "e se's", marquei uma viagem de dez dias até ao Japão. Ainda não tenho nada definido, a não ser os voos e a companhia (desta vez, não vou sozinha); o mais provável é não ficar só por Tóquio, e estou a prever passagens por Kyoto e Osaka. Mas até lá tenho muita pesquisa para fazer e coisas para ver e rever. Para mim, planear uma viagem - apesar de ser cansativo e às vezes frustrante - já é, só por si, viajar. Por isso esta é uma fase que anseio e da qual pretendo tirar todo o proveito. E por isso, se tiverem dicas, não se acanhem - contem-me tudo, que estou prestes a marcar coisas e preciso do maior número de conselhos (úteis) possível!

Caramba, vou ao Japão. Dá para acreditar?

 

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17
Mar19

Quanto mais viajo mais gosto do meu país

Voltei há dias de Munique, numa pequena viagem de duas noites para visitar uma feira. Foi um dejá vù: já cá tinha estado há dois anos, também em trabalho mas noutro papel, e acabei por ficar exatamente no mesmo hotel e percorrer os mesmos caminhos, já bem conhecidos pelas botas que trazia calçadas. Se daquela vez tinha sido um desafio - a minha primeira viagem de trabalho, sozinha, num país que não conhecia e não percebia nada da língua, com o stress de ter de fazer um trabalho que não me era natural e para o qual tinha de me esgotar emocionalmente para fazer bem - desta vez já fui bem mais confortável. Primeiro porque os meus pais vieram comigo (invertemos a situação mais comum e fui eu que lhes apresentei a cidade), segundo porque já sabia ao que ia e terceiro porque, entre estas duas ocasiões já tenho umas quantas viagens e outras experiências no lombo para me dar mais traquejo e sentir mais confortável.

No entanto, acho que quando cá vim pela primeira vez estava tão absorvida pela novidade, pelo stress e pelo cansaço que nem consegui reparar numa série de coisas que numa viagem comum me saltariam à vista. E desta vez, embora só tenha passado pouco mais de um dia na cidade, deu para registar uma série de factos e opiniões sobre Munique... E perceber o quão bom é viver em Portugal.

 

A primeira coisa é, claramente, a meteorologia. Enquanto em Portugal já andamos a sacar os vestidinhos e as camisolas mais finas do roupeiro, lá continua um frio de bater o dente. Penso que a temperatura mínima que apanhamos foi de 3º C., mas a sensação térmica era um par de graus abaixo – tudo devido ao vento gélido que se fazia sentir e que nos rasgava por dentro, independentemente do número de camadas que tínhamos vestidas por cima do corpo. Eu, que sou assumidamente um bambi no que ao frio diz respeito, andava embrulhada até ao nariz, mas nem isso impediu que ficasse gelada até aos ossos. E pensar que já andei de vestido e sem casaco no nosso querido Portugal!

A sensação de segurança é outra das coisas que, ainda hoje, é uma das grandes vantagens do nosso país – mesmo estando cada vez mais na moda e tendo as cidades inundadas de turistas. O nosso hotel era muito perto da Hauptbahnhof (a estação central) – ou seja, um sítio extremamente concorrido, onde se espera encontrar muitas pessoas – mas à noite as redondezas eram um tanto ao quanto assustadoras. Não sei onde é que as mulheres se metem à noite nesta cidade alemã, mas ali não era de certeza – até porque 95% das pessoas que passavam por nós eram homens, e não particularmente com bom aspeto. Sei que, se estivesse sozinha, não me sentiria segura – tanto nas ruas como, por exemplo, nas estações de metro, que se tornam autênticos subterrâneos fantasma depois das 22h.

A pobreza e a prostituição são outra das coisas que, à partida, não associamos à Alemanha, mas que há de sobra. A zona onde fiquei tinha muitos night clubs com meninas pouco vestidas à porta, pedintes por todo o lado, bêbados caídos em cada recanto e homens a aliviarem a bexiga em sítios demasiado visíveis para o meu gosto. Eu, pelo menos, cresci com uma noção de uma Alemanha muito rígida, em que tudo era feito de forma rigorosa; onde se cumpriam as regras, os limites; onde havia um civismo implícito. Não sei se isso nunca existiu ou se é um paradigma que está a mudar, mas senti a diferença desde há dois anos para cá...

Por fim, falar de um detalhe que me impressiona, tendo em conta que aqui em Portugal somos precisamente o oposto: faz-me aflição que muitos deles, mesmo quando se apercebem que não falamos alemão, continuem a dizer as coisas como se nada fosse. Aliás, a feira onde fui tinha muitos stands alemães apenas com descrições na sua própria língua... o que dá uma ideia de nacionalismo e de uma enorme falta de vontade e disponibilidade de interagir com os outros, mesmo podendo tratar-se de potenciais clientes. Posso estar mal habituada, por nós aqui tentarmos sempre falar línguas alheias, ainda que metamos a línguagem gestual, o portunhol ou o portuinglês pelo meio... mas não me parece que este seja um bom prenúncio. Passamos a vida a apregoar que a União Europeia devia funcionar como um só, mas as cisões entre países são cada vez mais evidentes.

 

Fiz pouco turismo, daí que este não seja um dos meus típicos posts de viagem. Mas, feliz ou infelizmente, este parece-me um texto igualmente importante. Viajar é bom... mas voltar a casa é óptimo. E é bom sabermos apreciar aquilo que temos e este cantinho à beira-mar plantado 

 

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14
Out18

Viena, a capital cosmopolita

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Viena é, provavelmente, a capital mais conhecida de todas as quatro por onde passei. Isso faz com que existam, por defeito, muitas ideias pré-concebidas da cidade, que podem ou não ajudar no confronto que temos com a realidade. E a verdade é esta: acho que, inconscientemente, esperava mais. Aliás, esperava que fosse diferente. Isto porque sempre ouvi falar da Áustria como um país com locais lindíssimos, onde era o pormenor e o detalhe que faziam a diferença, onde há vilas e cidadezinhas que parecem saídas de contos de fadas. Acho que fui contagiada por este espírito e não esperava que Viena fosse uma cidade totalmente cosmopolita, a mais atual de todas a que fui nesta viagem e, acima de tudo, a mais "pesada": com muita pedra e grandes edifícios. Devo também, em nome da justiça da cidade, fazer um disclaimer: Viena, sendo a nossa última paragem, foi o sítio onde estivemos mais cansados. Notei isso em todos os circuitos que fiz: a última paragem sofre sempre por ser a última - quer seja por não se tirarem tantas fotos por o "cartão estar quase cheio" ou porque "já se tem demasiadas fotografias", ou por já não se ter tanta energia para explorar todos os recantos, ou por já nem se ter paciência para ouvir (e muito menos apontar) tudo aquilo que a guia diz. Sinto mesmo que as minhas memórias de Viena são as menos concretas, tenho ideias vagas de tudo, mas se precisar de me lembrar de um determinado sítio já tenho alguma dificuldade. Enfim, vicissitudes da vida!

Mas vamos por partes. Já é da praxe o meu passeio noturno mal chego a uma cidade. Desta vez o destino foi Prater, o parque de diversões mais antigo do mundo e que contém aquele que é, provavelmente, o símbolo mais conhecido de Viena: a roda gigante, em funcionamento desde 1897. Apesar de eu ser completamente aversa a diversões (nunca andei nuns carrinhos de choque, por exemplo!), achei este sítio incrível - mas pareço ter sido a única, pois dentro do pequeno grupo de pessoas com quem estava ninguém parecia muito interessado em continuar por lá; andamos na roda gigante e, com muita pena minha, viemos logo embora. Tudo aquilo tinha uma aura que misturava o vintage com o degradante, ajudada pelas luzes dos divertimentos que iluminavam o escuro da noite, um bocadinho como imagino Coney Island. Adorava ter explorado mais.

A vista da roda gigante, de noite, não é nada de especial. Porquê? Porque Viena é escura, não está iluminada. Esta foi, talvez, a minha maior desilusão. Esperava um cenário tipo Paris ou, mais recentemente, Budapeste. Mas não. Acho que muito por "culpa" da ecologia, a maioria das luzes (para além das essenciais) são desligadas - mesmo as das montras nas principais ruas da cidade. Percebo e concordo com o princípio, mas tira toda a magia - de tal forma que nem tirei fotos, não se iria ver nada. Por isso, se empenharem os vossos 10 euros na roda, façam-no de dia.

Uma nota, para mim, sempre importante: achei o ambiente muito civilizado em todos os espaços por onde andei e senti-me sempre muito segura, tanto de noite, como de dia.

 

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À entrada do espaço da roda gigante há uma série de "maquetes" em movimento muito giras

 

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Dentro da nossa cabine na roda gigante

 

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A cabine 30 no topo da roda - 65 metros acima da terra!

 

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Uma das diversões iluminada no meio do negrume da noite

 

A visita do dia seguinte começou no complexo do palácio de Hofburgo, a residência de inverno da família imperial, cujo interior não visitamos. No entanto dá para atravessar os caminhos interiores do palácio, passando pelos seus pátios e pelas conhecidas cavalariças - uma parte do complexo conhecida por Stallburg, onde hoje estão os cavalos da Escola Espanhola de Equitação. Para terem uma ideia da dimensão, o palácio abrange uma área de 240 mil metros quadrados!

É neste complexo que encontram a praça Albertina, que alberga o museu de Sissi, um dos mais conhecidos e falados neste momento em Viena. Retrata a vida da Imperatriz Elisabeth, casada com Francisco José I, um casal muito afamado e acarinhado por todos - é impossível ir a Viena e não ouvir falar deles. Ela está em todas as lojas de souvenirs, ao lado de Mozart e das peças inspiradas pelo Klimt, só para terem uma ideia. Esta era uma das opções que tínhamos para ver e fazer no nosso tempo livre mas optamos por desfrutar da cidade e do bom tempo em vez de vermos o museu; algumas pessoas da excursão foram e só deram boas referências! É provavelmente algo interessante a fazer quando a meteorologia não ajudar.

Ao caminhar-se pelo veio central do palácio, por onde a passagem é livre, passamos pela Ala Leopoldinense (onde se situa o gabinete do presidente austríaco - e antigamente do imperador), pela Praça dos Heróis, pelo Palácio Velho, pelo Palácio Novo (que agora alberga partes da Biblioteca Nacional e alguns museus) e finalmente pelo Portão Exterior. Tudo isto é, no fundo, uma grande prova do império que a Áustria liderou durante cerca de 50 anos - é enorme, é pesado, é grandioso. Impõe respeito. E, de forma inconsciente, era toda esta grandiosidade que eu não esperava.

 

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À entrada do palácio (feita por aquela grande porta no centro da foto)

 

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Estátua à entrada do palácio

 

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Uma das cúpulas do palácio

 

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A frente do Palácio Velho, com o seu conhecido Portão Suíço (nomeado assim por ter sido durante algum tempo vigiado pela Guarda Suíça)

 

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A frente do Palácio Novo 

 

A paragem seguinte foi uma que eu facilmente passaria à frente - Hundertwasserhaus, umas casas de habitação social concebidas por Friedenreich Hundertwasser, que é uma espécie de Gaúdi austríaco. Os edifícios têm umas formas estranhas, muitas cores, varandas e sempre um elemento com água. Seria giro se estivesse melhor conservado e se fosse algo de maior dimensão. Em frente há uma galeria, também dentro do mesmo estilo arquitetónico, cheia de lojas de souvenirs com todos os estilos, tamanhos e preços - coisas com alguma graça mas que se arranjam noutros sítios se não quiserem fazer esta paragem que, repito, era para mim dispensável.

 

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Hundertwasserhaus

 

Já a paragem seguinte é um ponto obrigatório: o Palácio de Belvedere que, na verdade, são dois - o superior e o inferior. A entrada nos jardins é gratuita mas o interior (agora transformado em museu) é pago, uma vez que é lá que estão, por exemplo, as pinturas de Klimt (incluindo, se não me engano, o tão famoso "Beijo"), entre outros nomes famosos.

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O Palácio Superior, com o seu enorme lago à frente

 

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Ainda o Palácio Superior

 

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O Palácio Inferior (ao fundo) e os seus jardins

 

Ainda sobre palácios, também visitamos o Palácio Schönbrunn (que significa bela fonte em alemão - e é assim chamado porque o Imperador Matthias descobriu uma fonte aqui, neste local, em 1600, durante uma caçada). O Palácio teve muitas fases mas foi maioritariamente usado como residência de verão - e foi aqui que viveu Napoleão quando as tropas francesas invadiram Viena. É também um local importante porque foi aqui que morreu o Imperialismo, em 1918, quando o Imperador Carlos I renuncia as funções de chefe de estado.

Nós só visitamos o exterior e passeamos por uma pequena parte dos magníficos jardins, com várias fontes e "avenidas" muito bem cuidadas, com as árvores cuidadosamente aparadas e as flores em belíssimo estado. No entanto, pelas fotos e pela história rica do palácio, creio que a visita ao interior vale a pena - até porque, convenhamos, jardins já vimos muitos! Há vários tipos de bilhetes, mas penso que em visitas mais completas os preços começam nos 13 euros (mais uma vez, é conveniente comprar pela internet para evitar filas desnecessárias). Dentro do Palácios há sítios onde se pode entrar, pagando a entrada à porta, como o Tiergarten, o jardim zoológico mais antigo do mundo, o Wagenburg (o museu das carruagens) ou a Casa das Palmeiras, que é uma espécie de estufa.

 

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A entrada do Palácio

 

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Numa das fontes - não percebi se estava em ruínas ou se queria imitar ruínas

 

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Vista traseira do palácio e um pouco dos seus jardins

 

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Uma das fontes mais conhecidas (e bonitas)

 

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 Um dos locais que mais gostei foi um túnel forrado a roseiras, ainda com algumas rosas em flor

 

Agora falando em igrejas, um clássico nas visitas turísticas: a Catedral de Santo Estevão, bem no coração de Viena, é um must-see, sendo o edifício gótico mais importante da Áustria. Tanto o interior como o exterior são muito bonitos, grandiosos e impactantes. Reparar no telhado, todo esmaltado. A entrada é grátis.

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A torre da Catedral mede 137 metros

 

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Um órgão antigo no centro da igreja. Se tocar num só teclado já é difícil, imagem tocar em quatro e com dezenas de botões à volta. Credo!

 

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No interior da igreja

 

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Detalhe no interior da igreja

 

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O teto em forma de várias abóbadas

 

Fomos também à Igreja de São Carlos Borromeu - aliás, passamos por lá, uma vez que estava fechada. Mas tivemos imensa sorte pois, nessa altura, estava a decorrer um festival de rua com performances e artes circenses na praça em frente à igreja. Havia imensa gente, várias lojinhas improvisadas, comida e muita animação. Foi divertido e deu para sentir o espírito da cidade. É o tipo de coisa que às vezes pode fazer a diferença numa visita e que nos faz pensar que esta pode mesmo ser uma cidade muito agradável para se viver (os rankigs ao nível da qualidade de vida concordam com isto).

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 Em frente à  Igreja de São Carlos Borromeu

 

E agora a minha parte favorita de Viena: o Naschmarkt, o mercado local. É estranho ter sido este o meu local favorito da cidade, não é? De todo o esplendor da cidade, os palácios e a ópera, um "simples" mercado ter sido o meu local preferido revela muito daquilo que Viena foi para mim: uma surpresa, tanto de um ponto de vista positivo como negativo. Quando apontei este mercado nos meus sítios a visitar pensei que fosse algo fechado, como aquele que visitei em Budapeste. Mas não. É um mercado ao ar livre, enorme (é quase uma avenida inteira!), cheio de bares, cafés, restaurantes e muitas bancas com produtos coloridos e com um ar delicioso. É um misto de Galerias de Paris (aqui no Porto), com os mercados árabes, esplanadas... é difícil descrever, mas aconselho vivamente. Gostamos tanto que fomos lá duas vezes: uma vez à tarde, onde aproveitamos para lanchar, e outra no último dia, na nossa despedida de Viena, onde almoçamos - com uma comida boa, num ambiente super simpático e movimentado e por um preço nada exagerado. No domingo apanhamos uma espécie de flea market, onde imensas pessoas vendiam as suas velharias, tralhas e algumas coisas giras. Nós não tínhamos tempo para grandes compras nem paciência para andar lá a vasculhar no meio dos milhões de objetos que lá haviam (acredito que existissem alguns engraçados, mas é preciso ter olho para o negócio para não se ser enganado e, acima de tudo, ter muita paciência para encontrar o que quer que seja no meio daquela desorganização). Não sei se é algo que acontece mensal ou semanalmente (ou até de forma esporádica), mas também tem a sua graça e fica mesmo ao fundo do mercado e prolonga-se até ao fim da avenida.

 

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Numa das ruas do mercado

 

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Uma "montra" cheia de azeitonas de tamanhos, cores e feitios que eu nunca sequer imaginei existirem

 

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A cores das especiarias numa banca do mercado

 

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Umas amêndoas absolutamente deliciosas que lá compramos, cobertas com sementes de sésamo. De ir ao céu e voltar!

 

 Outros locais por onde passamos e que merecem menção:

A Secessão, um edifício muito bonito que fica pertíssimo do mercado, que é  "casa" do estilo da Secessão Vienense, encabeçadao por Gustav Klimt. Está tudo muito pouco claro à volta do edifício, por isso inicialmente achei que isto fosse uma daquelas igrejas estranhas ou outra coisa qualquer. Na verdade é uma espécie de museu, onde decorrem exposições.

 

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Secessão

 

O Café Sacher, que dá o nome ao doce mais popular de Viena: o Sacher. É um bolo de chocolate de duas camadas, divido por doce de alperce e coberto por uma camada espessa de chocolate negro. Era das poucas coisas que sabia de Viena: lembro-me da minha irmã ter ido lá, há mais de uma década, e me ter trazido uma caixinha de madeira (que ainda guardo) com um bolo lá dentro. Era este. Passado tanto tempo voltei a comer e voltei a não adorar. Mas não há dúvida que é um dos símbolos de Viena. 

O Café e o Hotel Sacher são o sítio oficial, mas na verdade este bolo come-se em todo o lado. Há também uma loja oficial, onde podem comprar bolos grandes, pequenos, bombons, tabletes de chocolate... tudo e mais alguma coisa. É um pouco cara, mas é também dos melhores souvenirs que podem trazer. Afinal de contas... é chocolate. E chocolate é sempre bom.

 

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Fachada do Café Sacher

 

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No interior da loja dos bolos Sacher

 

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Igreja de São Miguel

 

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Museu de História da Arte e de Ciências Naturais

 

Despeço-me com o edifício mais emblemático da cidade: a Ópera. O nosso circuito incluía (ainda que por um valor pago à parte) um concerto na Ópera que optamos por não ir: primeiro porque eram umas horas a menos de passeio, segundo porque não tínhamos roupa decente para ir ver um concerto, mesmo que fosse pouco algo formal, e terceiro porque, a ver, que seja algo em bom. Também não visitamos o interior por uma questão de falta de tempo e por termos outras prioridades. Dizem, no entanto, que é uma das paragens obrigatórias: a entrada fica por 7,5 euros e inclui um bilhete para o museu (que, esse sim, dizem ser desinteressante). A verdade é que - e fazendo uma pescadinha de rabo na boca com o inicio do meu texto e com o que já mencionei também noutros parágrafos - é que eu acho que esperava outra coisa. Este é um edifício grande, mas não é um arrepio na espinha, não é um UAU. Podia ser um museu como tantos outros, um edifício de estado. Tanta coisa! O imaginário construído à volta de Viena, em particular para quem gosta de música clássica (como eu), pode ser traiçoeiro na hora de visitarmos esta capital. Por isso cautela com as expectativas!

De resto, é óbvio que é uma grande capital europeia, que merece ser visitada. Quanto a mim, espero em breve dar uma volta por outras cidades austríacas, essas sim, que dizem parecer saídas das histórias de princesas.

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Ópera vista de noite - um dos poucos edifícios iluminados

 

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Ópera vista de dia

 

Onde fiquei? No Arcotel Kaiserwasser, junto aos edifícios das Nações Unidas, numa parte muitíssimo atual a cidade. O hotel é grande e confortável, tem um bom pequeno-almoço e uma filosofia muito amiga do ambiente: caso dispensem a limpeza diária dos quartos oferecem dinheiro a uma associação relacionada com abelhas; têm "fruta feia" grátis à porta do pequeno-almoço, para os hóspedes não fazerem aquelas figuras tristes de meter fruta à socapa dentro das malas para comer durante o dia e outras coisas que tais. A decoração é toda em tons de vermelho, algo que não gostei muito, mas que se diluí comparando com outras vantagens do espaço. Fica muito perto de uma estação de metro, que fica a seis estações do centro da cidade.

Importa saber: o funcionamento das linhas de metro é relativamente intuitiva, assim como a compra dos bilhetes; para quem é do Porto será ainda mais fácil, uma vez que tem a mesma lógica que o de cá - "picam-se" os bilhetes no início e o bilhete é válido durante a hora seguinte, onde podemos andar livremente, desde que não andemos numa lógica de circuito (ir e vir, por exemplo). Não são é baratos: 2,40€ para adultos. Atentem a que há vários preços especiais consoante as idades, assim como várias modalidades (bilhetes de 72h e etc.). A língua é o alemão (difícil, mas sempre é melhor do que o húngaro!) e a moeda é o euro (aleluia!).

O que faltou ver? Entrar no edifício da Ópera e ver uma ópera. Conhecer melhor Prater. Visitar o museu da Sissi e o interior do Palácio Schönbrunn.

 

 E assim terminam os diários de bordo desta excursão! Podem ler todos clicando aqui.

02
Out18

Budapeste, a incrível capital da Hungria

“Budapeste, cortada por um rio. O Danúbio, pensei, era o Danúbio mas não era azul, era amarelo, a cidade toda era amarela, os telhados, o asfalto, os parques, engraçado isso, uma cidade amarela, eu pensava que Budapeste fosse cinzenta, mas Budapeste era amarela.” 

Chico Buarque

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É isto. As palavras de Chico Buarque dizem tudo. Não vale a pena estar cá com paninhos quentes: Budapeste ganhou-me no momento em que, na primeira noite, subi ao Castelo. Foi o momento "wow" que precisava nesta viagem e foi, sem dúvida alguma, o mais impactante de todos. Quando observei a cidade toda iluminada lembrei-me de algumas fotos que já tinha visto e soube que esta também seria a imagem que ia guardar para o resto da vida. Budapeste ganhou-me ali, sem sequer a ver à luz do dia. E, é engraçado, pensei que nunca a vista de dia bateria aquela paisagem noturna. E se por um lado não bateu, por outro não deixou de me surpreender, mais uma vez. De dia, a cidade continuava linda, mas uma beleza diferente, quase reinventada.

Budapeste são, na verdade, duas cidades: Buda - o lado da colina - e Peste, o lado plano. Pelo que percebi há uma certa rivalidade - ainda que saudável - entre os moradores de cada lado. Buda, dizem, é para os mais endinheirados, enquanto que Peste é o lado das pessoas "normais". Os dois lados são separados pelo rio Danúbio, tão celebrizado por uma obra de Strauss - há várias pontes que possibilitam esta passagem, a mais conhecida é a Ponte das Correntes (onde infelizmente não passei a pé, mas que me parece inspirada na ponte de Brooklyn, em Nova Iorque). Eu fiquei do lado de Buda, o mesmo do Castelo - daí a facilidade de ter subido até lá na noite da minha chegada -, e o oposto ao Parlamento.

 

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A Igreja de Matias de noite

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A vista do Panteão dos Pescadores, de noite. Ao fundo a Ponte das Correntes

 

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O Parlamento iluminado durante a noite, visto do Panteão dos Pescadores

 

 Acho mesmo que o Castelo e o Parlamento são os dois edifícios que nos fazem cair o queixo em Budapeste, tanto de dia como de noite. Estive, para além da primeira noite, um dia e meio na cidade - e as visitas em cada uma das manhãs corresponderam, precisamente, a estes dois locais. 

A área do Castelo (como podem ver no mapa abaixo) é gigante: isto porque o Castelo não é só o monumento em si, mas também aquela parte da cidade. Dentro do perímetro dos ex-libris, também conhecido por cidade medieval, estão a Igreja de Matias e o Bastião dos Pescadores, entre outros edifícios também conhecidos (se não me engano, um era um antigo convento das Carmelitas). Era aqui que antes viviam as pessoas importantes do reino (daí ser um castelo), mas ultimamente toda a parte institucional da Hungria (nomeadamente o governo) está do lado de Peste. Segundo a nossa guia isso pode estar prestes a acabar, uma vez que este Governo tem a intenção de se "mudar" outra vez para Buda. Em jeito de má língua, contou-nos também que o Primeiro-Ministro (sim, aquele que adora os migrantes) pretende ficar num gabinete em frente ao Danúbio, onde vai acrescentar uma varanda para poder ver melhor as vistas. Só os invejosos dirão que é má ideia ;)

A Igreja de Matias é bonita, imponente e incrivelmente branca (a entrada é paga). Digo isto porque as igrejas (principalmente muito trabalhadas) tendem a ficar escuras (e mais feias) ao longo dos tempos, dada a dificuldade de as limpar. Esta está impecável, num estado de conservação formidável, e tem um telhado em cerâmica lindo de morrer. O seu interior também é bonito, em tons de laranja. Uma das peças mais importantes, com uma história ligada à Segunda Grande Guerra, é uma Nossa Senhora negra, que está numa das capelas a igreja. A pior coisa deste duo Igreja-Bastião dos Pescadores foi um "trio" que se lhes juntou - o Hotel Hilton, um autêntico monstro feio ao lado daqueles monumentos incríveis. É uma pena. Só demonstra o poder do dinheiro.

 

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O Mapa do Castelo

 

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A Igreja de Matias

 

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 O interior da Igreja de Matias

 

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Alguns detalhes da Igreja de Matias (a Nossa Senhora à esquerda e uns vitrais à direita)

 

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A vista do Panteão dos Pescadores

 

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 Num dos "spots" mais requisitados do Bastião... e com razão

 

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Um ponto de vista do Bastião dos Pescadores

 

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À saída do Bastião dos Pescadores

 

Um dos photo-stops mais populares é a Praça dos Heróis, onde estão estátuas dos maiores líderes Húngaros e uma homenagem ao Soldado Desconhecido. Se é verdade que é uma praça bonita, também o é que eu não fazia questão de lá ter parado. Sinto que é algo "comum", que se vê em vários sítios. É mais uma. Portanto, se tiverem com um tempo apertado, aconselho a que passem esta à frente ou só de carro. Lá à volta há vários edifícios conhecidos, nomeadamente o do Museu de Belas Artes (neste momento fechado para obras); relativamente perto fica também o Parque da Cidade (penso que é lá que está inserido um lago que, no verão, dá para passear de gaivota e, no inverno, quando ele gela, se pode patinar). Ainda nas redondezas, mencionar o Balneário Széchenyi, com as famosas águas termais da Hungria - não fui lá, mas dizem ser incrível e muito bonito, com 15 piscinas, três delas ao ar livre e, claro, com água quentinha! As termas e os spa's são um must em Budapeste, há ao pontapé... de tal forma que o lago dos hipopótamos, no Jardim Zoológico, é com água termal. Luxos! ;)

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A Praça dos Heróis

 

Foi aqui que acabou a tour do primeiro dia e tivemos ordem de soltura. Optamos por ir conhecer o mercado e eu fiquei espantada com a quantidade de enchidos que eles lá têm. No andar de baixo o edifício tem inúmeras bancas de comida (peixe, carne, verdes e fruta e outras comidas) - incluindo paprika, a especiaria mais famosa da Hungria - e no de cima milhões de souvenirs. Na verdade aquilo é tanta tralha junta que é difícil ter o discernimento e a paciência para se encontrar o que quer que seja, mas não deixa de ser um local muito giro e que merece a visita. No fundo, é o nosso Bolhão mas em bom (até porque parece ter sofrido uma requalificação há relativamente pouco tempo) ou a Boqueria em Barcelona mas, se a memória não me trai, um pouquinho maior.

 

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A fachada do edifício do Mercado

 

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No interior do Mercado

 

A paragem seguinte foi na Sinagoga. Se em Praga acabamos por passar o "capítulo judeu" praticamente à frente, em Budapeste optamos mesmo por entrar (o bilhete não é barato: três mil florins). Nunca tinha entrado numa Sinagoga, em Portugal não há esta abertura, e por isso fiquei feliz por ter esta oportunidade, principalmente tendo em conta que esta é a maior da Europa, a segunda maior do mundo (a primeira fica em Nova Iorque, creio). Por sorte apanhamos uma visita guiada (grátis) dentro do local e acabamos por visitar os arredores do monumento - o cemitério e as várias homenagens que fizeram aos mortos no holocausto e a algumas personalidades que fizeram a diferença (pela positiva) neste genocídio. Aprendi muito, o guia era um senhor fantástico e um comunicador de excelência, e tive muita pena de não ter tempo para ouvir o resto da visita, feita no interior da sinagoga. Tenho a certeza que teria aprendido ainda mais. Achei o local bonito e interessantíssimo - e ainda me ri um bom bocado, uma vez que todos os homens que entram têm de usar um quipá (aqueles "chapeuzinhos" que os judeus usam) descartável, feito de papel. Mas alguns eram carecas e outros não tinham simplesmente cabeça para aquilo, por isso era vê-los sempre a segurar o papel para não voar. Hilariante.

 

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A entrada da Sinagoga

 

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Dentro da Sinagoga (vêem os quipás de papel?)

 

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Monumento aos judeus mortos no Holocausto

 

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Em muitas das "folhas" deste monumento há nomes de pessoas mortas durante aquele período negro; outras estão vazias, em homenagem aos muitos que ainda continuam desaparecidos ou que não há registo de morte

 

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Pelas ruas de Budapeste

 

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Com uma estátua desconhecida atrás de mim mas que ficou bem na foto ;)

 

O segundo dia começou com a subida ao Monte Gellert onde, para além de uma vista muito bonita para o Danúbio e para os dois lados da cidade, está a estátua da liberdade (que se vê de toda a cidade). Confesso que, apesar de ter gostado, não me fez cair o queixo. Não sei se se pode visitar este local de noite, mas desconfio que terá outra magia. No dia em que fui havia uma certa neblina no ar, que fazia com que tudo ficasse um bocadinho mais baço... talvez por isso não me tenha perdido de amores por esta vista. Mas vale a pena, quanto mais não seja para umas fotos bonitas.

 

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O Danúbio e as duas partes da cidade

 

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Uma das vistas do Monte Gellert

 

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A estátua da liberdade

 

A paragem final foi no Parlamento. Na maioria dos sítios este é um edifício que ignoramos, mas em Budapeste é impossível faze-lo: pela beleza, pela grandiosidade e pela riqueza deste monumento que faz esconder o nosso parlamento de vergonha. É incrível e bonito, tanto por dentro como por fora, e por isso merece uma visita. Se o fizerem, informem-se antes e comprem um bilhetes pela internet, porque as filas não eram pequenas; os preços são diferentes para residentes e não residentes da UE, os horários são apertados e as visitas (divididas por línguas - não há em português) entram em tranches, com horários muito rígidos e apertados. 

Aquilo é um parlamento, mas podia perfeitamente ser um palácio. Se a memória não me trai, a guia disse que com o dinheiro que se gastou entre construção e decoração deste monumento se poderia construir uma cidade funcional com cerca 70 mil pessoas, com todas as infraestruturas necessárias. Alguns detalhes interessantes e que eu apontei: tem 700 salas, 4km de passadeira vermelha ao longo dos corredores (que é aspirada todos os dias... por homens) e 20 kms de escadas! A Sala da Cúpula é a mais popular, uma vez que (para além da sua beleza) é o local onde estão as joias da coroa, guardadas por vários guardas com uma cara muito séria - desculpada unicamente pelo trabalho aborrecidíssimo que eles lá desempenham. Nessa área é proibído fotografar.

 

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O exterior do Parlamento

 

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A entrada do Parlamento para pessoas que lá trabalham, não para a "plebe"

 

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A parte traseira do local onde estão as joias da coroa, com umas escadarias imponentes

 

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Detalhes do teto do Parlamento

 

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Numa das salas do Parlamento

 

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A sala da assembleia

 

 A nossa despedida foi feita no maior ícone de Budapeste: o Danúbio! A nossa tour incluía um almoço a bordo de um barco, onde percorremos uma pequena parte do rio e vimos algumas das principais pontes de um ponto de vista diferente. E é só por isso que esta pequena volta pode eventualmente valer a pena: ver as pontes e a cidade de uma outra forma. Enquanto lá estava pensei muito sobre como se compararia aquela viagem à de uma no rio Douro e a verdade é que aqui a viagem é muito melhor; primeiro porque as pontes são mais bonitas e segundo porque as margem são também elas muito mais belas. Cá, mesmo saindo das cidades, há sempre vegetação e um quadro verde pintado a toda a volta; ali eram umas margens pouco naturais e feias, feitas maioritariamente por pedras, o que fazia com que só um lado da cidade (Peste) é que conseguisse ser visto. Ou seja: pode valer a pena se gostarem de andar de barco, de ter outra perspetiva da cidade e, acima de tudo, se tiverem tempo.

 

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O Parlamento visto do rio

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A Ponte das Correntes

 

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No barco

 

Em resumo, adorei Budapeste. Achei-a menos coerente que Praga (no sentido em que tem uma maior diversidade no tipo e no estilo de edifícios e na altura dos mesmos, por exemplo), mas de uma grande beleza. Continuo a dizer que aquela vista do Castelo, no dia da minha chegada, teria sido o suficiente para adorar a cidade. Tal como Praga, é uma cidade bonita de geral mas, ao contrário da capital Checa, tem monumentos que, no seu particular, são estonteantes (como o Parlamento). O facto de ter um rio tão popular (impossível não nos lembrarmos do Danúbio Azul) também faz com que entremos numa aura do nosso imaginário que, só por si, já traz alguma magia à cidade. Uma das coisas que também gostei muito foi a cultura das esplanadas que eles têm: em todos os sítios há cafés para nos sentarmos e aproveitarmos o dia. A Avenida Andrássy e a Váci Utca (esta última pedonal - a primeira não me lembro...) são as ruas mais populares da cidade, cheias de lojas de souvenirs e de compras, que têm mesmo de ser visitadas. 

Mas não há bela sem senão. Para além daqueles elogios todos que Chico Buarque teceu sobre Budapeste, também disse que o húngaro é a única língua que o diabo respeita. Porque o húngaro é mesmo isso: diabólico. Quando achávamos que o checo já era péssimo, fomos presenteados com aquele dialeto completa e totalmente imperceptível e impronunciável. Um terror. A par disso, diria eu, estão os húngaros, com os quais não simpatizei minimamente. Achei-os mal-educados e rudes, com muito pouca vontade de ajudar; no hotel (e apesar de eu não entender uma palavra do que diziam) percebi que estavam a gozar com a nossa cara quando reclamamos a propósito do pequeno-almoço. São uma mistura de europeus-ciganos-móngois. Eu sei que é estranho (pode até soar a preconceituoso), mas é a melhor forma que tenho de os descrever. Não vim de lá fã deste povo.

De resto... muitos corações para Budapeste! Posso confessar secretamente que, da quadra de capitais que visitamos, foi a que mais me encantou. 

 

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Um "cheirinho" da cidade

 

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E mais um, com a sua luz tão característica

 

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... e mais um!

 

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Até um dia, Budapeste!

 

Onde fiquei? No hotel Mercure Buda. Diria que a localização é boa (15 minutos a pé do Castelo), mas a experiência foi no geral má - em grande parte por viajar em grupo. Achei o quarto agradável, confortável e bem decorado, com uma casa de banho espaçosa - mas o pequeno-almoço foi um desastre. Tão mau que valeu uma reclamação por escrito na receção e uma crítica destruidora no TripAdvisor, quando cheguei cá. Havia um espaço de pequeno-almoço reservado a grupos e que era frequentemente invadido por dezenas de asiáticos, que usurpavam tudo o que podiam. E estou em falar de tupperwares em cima de tupperwares cheios de ovos, fruta, pão e tudo o que houvesse, deixando o local - para além de imundo - completamente vazio. Mais do que ter pouco que comer, tinha nojo sequer de pôr os cotovelos em cima da mesa. Foi horrível.

No que respeita à estadia, escolher um hotel em Budapeste é sempre um bocadinho cruel: temos obrigatoriamente de escolher um lado da cidade e vamos ter, eventualmente, de atravessar para o outro de forma a visitar as coisas mais bonitas. Por isso boa sorte!

A saber: A moeda é o mais chato na Hungria porque a conversão não é muito prática e implica muitos zeros. Um euro equivale a cerca de 300 florins. Portanto é normal pagarem valores que, para nós, são absurdos... tipo 10 mil florins por um almoço ou mil florins por um íman. Soa-nos tudo demasiado grande.

Gostei do ambiente noturno da cidade, com muitas luzes e com uma boa sensação de segurança.

Uma das coisas populares em Budapeste são os jantares com música ao vivo e com as danças húngaras, com semelhanças ao nosso folclore. Os músicos são quase todos ciganos (é mesmo, dizem-no sem pudores) e as músicas seguem esse estilo. Um dos jantares de grupo foi num destes locais e eu dispensava mais que muito, mas depende do estilo de cada um. 

O que faltou ver? Acabar de ouvir a visita guiada na Sinagoga, passar a pé na Ponte das Correntes e ir às termas. Ver a Basílica de São Estevão e a Ópera.

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