Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

13
Nov19

Nara, um mimo em forma de cidade

Quando me perguntam aquilo que mais gostei no Japão eu não sei responder. Mas sei aquilo que mais me surpreendeu. Chama-se Nara. Se eu já conhecia, nem que fosse por alto, os nomes de Tóquio, Quioto e Osaka, o mesmo não se passava com aquela que é tida como a primeira capital do Japão. E digo, com toda a certeza, que vale a pena conhecer - ainda por cima basta um pequeno desvio (cerca de 45 minutos) de Quioto para lá chegar, o que é óptimo!

 

IMG_20191016_074230_1.jpg

Com muito sono e de mochilas (muito cheias) às costas, prontos para apanhar o comboio que liga Quioto a Nara

 

Nara é um mimo em forma de cidade. Quer dizer... Pelo menos a parte que eu vi. A passagem por lá ocupou-nos pouco mais de uma manhã, mas não saímos do centro histórico - que, ainda que muito turístico, é muito "respirável" e agradável. Tivemos a sorte de ir num dia de sol, algo essencial para um passeio por lá, que se faz quase todo ar livre. E que agradável que é! Tem tudo aquilo que eu gosto: espaços verdes, lugares históricos e grandiosos, lojinhas de souvenirs e de gelados, paz se a procurarmos e... bambis. Tem bambis aos magotes! São pequenos veados por todo o lado, a fazer vénias em troca de bolachas e a posar para fotos como ninguém. É só maravilhoso. A interação com estes animais e a forma como eles já se habituaram à presença humana, usando sabiamente a sua fofice para receberem comida, é coisa para fazer o dia de alguém. A mim não só me fez o dia como a viagem inteira. Teria ficado o dia todo a tirar-lhes fotos e a comprar bolachas para os engordar (há vendedores de rua específicos para estas bolachinhas, cujo pacote custa cerca de euro e meio).

 

JapaoOut2019-591.jpg

Um dos meus novos amigos

 

JapaoOut2019-599.jpg

Já davamos abracinhos e tudo! (Ele na verdade estava só a cheirar o meu bolso, que tinha bolachas...)

 

JapaoOut2019-618.jpg

O verde reina no Parque de Nara

 

Desde a saída do comboio até aos monumentos, as distâncias são todas relativamente curtas - pouco mais de um quilómetro, se tanto, entre elas. Por isso começamos pelo primeiro que nos apareceu, o Kofukuji Temple - que na verdade é um complexo deles. Contempla, entre outras coisas, o Central Golden Hall (cuja entrada é paga), o Kofukuji Pagoda (a segunda maior pagoda do Japão) e o Southern Octagonal Hall - tudo construções muito bonitas, que ganham ainda mais vida pela envolvência verde do parque e a animação dos bambis a passearem-se por todo o lado. Mas, olhando para trás, não teria gasto dinheiro na entrada no Golden Hall (que, no seu interior, tem um buda e uma série de figuras de bronze - nada de estrondoso) e aproveitado para entrar no Todaji Temple, o mais grandioso e famoso templo em Nara (onde passamos depois mas que decidimos não pagar para entrar).

 

JapaoOut2019-605.jpg

Central Golden Hall no Kofukuji Temple. Esta é a primeira foto que tiramos em grupo durante a viagem. Um conjunto de rapazes espanhóis e franceses pediu-nos uma foto e nós, como cobrança, pedimos outra ;)

 

JapaoOut2019-594.jpg

Kofukuji Pagoda. Foi construída em 730 e restaurada mais recentemente em 1426 e é a segunda maior pagoda do Japão, com 5 andares!

 

JapaoOut2019-611.jpg

Em frente ao Southern Octagonal Hall 

 

JapaoOut2019-609.jpg

Um outro ponto de vista do Golden Hall

 

JapaoOut2019-595.jpg

O Southern Octagonal Hall visto a partir do recinto fechado do Golden Hall

 

Mas não foi só à conta dos bambis e da beleza da cidade que Nara ficou cravada no meu coração. Houve um episódio particularmente especial, passado em frente ao portão do Todaji, que acho que tão cedo não vou esquecer.

As visitas de estudo são, aparentemente, muito comuns no Japão. Não havia local histórico que visitassemos que não tivesse montes de miúdos com chapéus amarelos, ora organizados em fila indiana, ora de livros na mão a tirar apontamentos enquanto ouviam o professor. Em Nara deambulavam por lá centenas de meninos e meninas, em pequenos grupos, e enquanto tirava fotografias apercebi-me que estavam a abordar os turistas de forma a treinar o seu inglês. Usei os meus ouvidos de tísica para ouvir a conversa alheia (eu sei que é feio, mas não resisti!) e comentei com os meus companheiros de viagem o quão incrível era aquela iniciativa. Até que percebi que nós próprios estávamos na mira de uns pequenos estudantes que, depois de muito hesitarem (e de nós fazermos cara de gente simpática) vieram ter connosco. "Hello, can we talk to you?", perguntou uma das meninas a medo, sendo ainda assim, e claramente, a mais aventureira de todas. Perguntaram-nos o nosso nome e de onde vínhamos, enquanto liam atentamente aquilo que estava escrito nos seus cadernos e tiravam apontamentos com as nossas respostas. Quando nos disseram de onde eram, questionando-nos se conhecíamos o sítio (a resposta era óbvia...), abriram um mapa do Japão e apontaram para o local, provando que tinham a lição bem estudada. Na folha seguinte tinham um mapa mundo - e nós fizemos questão de mostrar onde era o nosso cantinho à beira-mar plantado. No fim, um último pedido: "can we take a photo with you?". A resposta era óbvia, a condição era só uma: que nós também pudéssemos tirar uma como recordação. E assim foi. 

Achei a delicadeza e a educação com que nos abordaram absolutamente maravilhosa. E passei a admirar ainda mais os japoneses, por perceberem os seus próprios pontos fracos e trabalharem-nos desde cedo. A socialização e a capacidade de comunicar é claramente um problema para este povo - e aliar uma visita de estudo (que é sempre uma coisa "fixe") a uma tarefa que os obriga a lidar com pessoas totalmente desconhecidas e ainda falar uma língua estrangeira é só genial.

 

JapaoOut2019-643.jpg

O portão principal que dá acesso ao Todaji.

 

JapaoOut2019-638.jpg

O Nandaimon Gate é outro dos portões que dá acesso ao Todaji.

 

JapaoOut2019-636.jpg

Ei-lo: Todaji Temple, onde não entramos, e que era claramente o local com mais afluência de turistas. Foi construído em 752 e era, até há bem pouco tempo, a maior construção do mundo em madeira. Este templo tem, no seu interior, uma das maiores estátuas de Buda de todo o Japão, feito em bronze, com 15 metros de altura.

 

IMG_20191016_110356.jpg

A foto para mais tarde recordar, com o grupo de crianças japonesas que nos "entrevistou".

 

No topo da colina, em Nara, encontramos o Nigatsudo Hall, que dá acesso a umas vistas privilegiadas da cidade. É aqui que acontece um do eventos mais populares do Japão: o Omizutori, uma série de rituais budistas (dos mais antigos do Japão), que tomam lugar no início de Março. São, no fundo, rituais com fogo e água, feitos pelos monges, maioritariamente dando uso a tochas gigantes - que fazem deste um autêntico espetáculo visual. A altura em que é festejado, a água, o fogo, as tochas e tudo o resto têm os seus simbolismos próprios, mas de uma forma geral o objetivo é apagar os pecados do ano que passou. É claro que não nos foi possível assistir a isto, mas fica a informação para um próxima visita (cof cof).

 

JapaoOut2019-650.jpg

Nigatsudo Hall

 

JapaoOut2019-657.jpg

Nigatsudo Hall

 

JapaoOut2019-651.jpg

A vista no topo da varanda do Nigatsudo Hall

 

JapaoOut2019-665.jpg

Detalhes do Nigatsudo Hall

 

JapaoOut2019-668.jpg

Detalhes do Nigatsudo Hall

 

JapaoOut2019-654.jpg

Um sino gigante que encontramos no caminho para o Nigatsudo Hall

 

E Nara foi isto - e foi muito! Agora que pesquisei mais a fundo sobre os locais que visitei, percebi que ficou ainda outro tanto por ver - e que a própria cidade, para além daquilo que circunda o parque, também pode ser uma visita interessante. Houve alguns templos que ficaram de fora e um ou dois locais de potencial interesse por onde não passamos... mas o tempo não esticava e Osaka esperava por nós. 

Até lá... só mais umas fotos com os bambis.

 

JapaoOut2019-634.jpg

JapaoOut2019-670.jpg

IMG_20191016_140741.jpg

 

10
Nov19

Quioto, onde mora a história do Japão

JapaoOut2019-298.jpg

Eu, millenial de gema, achava que Quioto só era conhecida pelo tratado. Acho que a ideia que nos está implantada desde pequenos sobre esta cidade é precisamente essa, uma série de assinaturas com o nome de uma cidade com uma data de medidas (infrutíferas) para prevenir a emissão em excesso de gases de efeito de estufa. Mas não. Descobri que o Japão é um daqueles casos em que a capital acaba por ser preterida, no que diz respeito à preferência dos turistas, por outra cidade qualquer. Como acontece com Brasília, no Brasil. Com Berna, na Suíça. Ou com Camberra, na Austrália. 

Apesar de Tóquio ser gigantesco e ter tudo para agradar a qualquer tipo de turista, foi em Quioto que vi mais enchentes, tours e excursões. A ideia de que a história antiga está toda ali deve atrair a maior parte dos estrangeiros. Quioto foi a capital do Japão até há relativamente pouco tempo (século XIX) e, como ficou fora do mapa da bomba atómica (que era suposto ter atingido a cidade mas que foi movida para Nagasaki à "ultima da hora"), acabou por conseguir conservar muitas das coisas antigas e mais tradicionalistas da nação nipónica. Mas a verdade é esta: quase tudo são templos. E ou se é um grande entusiasta e conhecedor deste tipo de monumentos ou, a certa altura, tudo nos parece igual. 

É por isso que dissociar esta cidade dos imensos templos que tem (colocando-os num post à parte) é uma estratégica "editorial" algo arriscada - mas é mais uma tentativa de tornar isto menos pesado e extenso. Percebo que em termos de roteiro possa confundir um pouco as coisas, mas talvez juntando-os a todos consiga provar o meu ponto: de que não vale a pena visitar tudo, tudo, tudo o que é templo. É essencial escolher.

Mas voltemos ao passeio. O nosso roteiro por Quioto era extenso e exaustivo, até porque implicava acordar muito cedo num dos dias. Mas, de uma forma natural, acabamos por ir aligeirando o plano, porque deixamos de ter vontade de visitar as dezenas de templos que tínhamos em mente visitar. Percebemos que era demais e que já não estávamos a enriquecer com isso. E em parte senti-me desiludida com a cidade por causa dessa vertente meio monótona, em que as coisas são efetivamente diferentes mas nos parecem todas iguais. Ou o roteiro é mesmo muito dinâmico e inclui coisas diferentes, ou Quioto acaba por se tornar chato. Foi um pouco o que aconteceu connosco. E, para mim, revelou-se na cidade (das que visitamos) que mais me desiludiu. O facto de ter sido a cidade onde pior comemos também não ajudou, assim como a falta de algum contexto histórico que por ventura podia ter enriquecido a nossa estadia.

A ideia de antiquidade de Quioto, quando comparada com Tóquio, é de facto realista. Isso nota-se nas estruturas, nas ruas, nos edifícios. Há muito ruído visual, proporcionado pelas centenas de linhas de eletricidade que se prolongam e cruzam pelas ruas fora. E tudo isto confere uma certa aura de desorganização e até de alguma ruralidade à cidade. As casas são mais largas e espaçosas, não se vendo grandes construções em altura, e não são aqueles cubículos com os metros quadrados contados como se vê na capital. 

O nosso primeiro ponto de paragem foi o Nishiki Market - uma rua gigantesca, com lojas de ambos os lados. Comida, souvernirs, roupa - havia de tudo. E, como todos os mercados, tinha uma magia especial. Eu, pelo menos, gosto muito deste tipo de espaços; de perceber o que é típico, de interagir com as pessoas que fazem daquilo vida. Ao fim do mercado há um templo, o Nishiki Tenmangu Shrine, que também visitamos. 

 

JapaoOut2019-296.jpg

No Nishiki Market

 

JapaoOut2019-312.jpg

Em frente ao Nishiki Tenmangu Shrine

 

A caminho de um outro templo (eu não disse que eram só templos?), passamos pela Torre de Quioto. Está longe, muito longe, de ter a beleza da Tokyo Tower, mas é um ponto de passagem considerado obrigatório.

 

JapaoOut2019-348.jpg

Ao chegar ao Kyo-o-gokoku-ji, conhecido por To-ji (outro templo), deparamo-nos com um conjunto de pessoas a fazer uma festa rija ao lado de uma espécie de andor. Não sei o que festejavam, mas muitos deles estavam (com a ajuda do álcool) contentes e felizes - de tal forma que um posou para a foto, com o seu traje tradicional, porque não é todos os dias que um ocidental se enfia no meio de uma festa de japoneses.

JapaoOut2019-349.jpg

 

JapaoOut2019-350.jpg

Jackie Chan, és tu?

 

A parte mais bonita de Quioto é, infelizmente, aquela de que mais dificilmente conseguimos desfrutar. Gion é o bairro mais conhecido da cidade, popularizado pelas gueixas e por um complexo de templos gigantesco (o mais conhecido é o Kiyomizu-dera), mas que se tornou altamente turístico e, por isso, acabou por perder um pouco da sua beleza. Até porque é difícil circular, parar no meio da multidão ou ver com tempo e espaço o que quer que seja. Temos de fazer um grande esforço de abstração para conseguir saborear as vistas devidamente. Porque, de facto, merecem que paremos e apreciemos tudo aquilo. 

 

JapaoOut2019-373.jpg

Se vi alguma gueixa verdadeira, contam-se pelos dedos das mãos. Mas turistas (especialmente mulheres) vestidas desta forma tradicional, principalmente em Gion, era aos magotes. E depois aconteciam contrastes destes: a tradição junta-se à atualidade; um padrão típico faz par com uma mochila adidas e... adeus magia!

 

JapaoOut2019-374.jpg

Gion e as suas ruas movimentadas

 

JapaoOut2019-383.jpg

A entrada para o Jishu-jinja, um dos templos na área de Gion

 

JapaoOut2019-393.jpg

Os leques são um dos souvenirs mais populares no Japão - mas são longe de ser os mais baratos.

JapaoOut2019-401.jpg

Um grupo de gueixas (falsas?) aproveita a paragem para tirar umas fotos de grupo. Gosto muitíssimo desta foto.

Os trilhos de Gion merecem bem ser percorridos, pelo menos até encontrarmos um cantinho que não seja assim tão movimentado. Nós fomos andando sempre até encontrarmos um dos ex-libris de Quioto, a Yasaka Pagoda, que figura na maioria das fotos que nos aparecem quando pesquisamos algo sobre o Japão. Confirma-se que é bonita e que a envolvência do bairro, com todas as casinhas de madeira, lhe dá uma mística especial. Principalmente de noite, ou ao entardecer, hora a que passamos por lá.

Antes disso ainda fizemos uma paragem estratégica para um cafézinho no único Starbucks do mundo em tatami, o chão tradicional japonês, feito de um tipo de tecido de palha entrelaçada. Não é nada do outro mundo: é um Starbucks em que o pessoal toma café descalço (quando se tem lugar), com pernas à chinês e rabo no chão. Se é diferente? É. Tão diferente que têm mesmo de ir? Não. Mas é um bom sítio para uma paragem, um café quente (que não é muito fácil de encontrar por aquelas bandas) e um bocadinho de descanso.

 

JapaoOut2019-433.jpg

As ruas de Gion

JapaoOut2019-432.jpg

O detalhe do cabelo de uma suposta gueixa, algures pelo bairro de Gion.

 

JapaoOut2019-398.jpg

Vista para Quioto

JapaoOut2019-441.jpg

Yasaka Pagoda

JapaoOut2019-443.jpg

Yasaka Pagoda

 

O segundo dia em Quioto começou muito, muito cedo - aí pelas 5h da manhã. A razão? As multidões. Ou, neste caso, para fugir delas naquela que foi, talvez, a minha parte preferida da cidade: a floresta de bambus. Eram 7h30 quando chegamos e já havia gente a passear-se por lá (ir ainda mais cedo não é, portanto, algo de todo descabido). Ainda assim conseguimos desfrutar do espaço sem muito barulho e sem muita gente - o que, mais do que ser essencial para boas fotos, é imprescindível para saborearmos bem aquele momento. Como àquela hora o sol ainda estava fraquinho, a luz entrava suavemente por entre as imensas canas do bambu, conferindo a todo aquele espaço uma aura especial e muito bonita.

Não esperem uma coisa gigante, um caminho infinito; as imagens, em particular neste sítio, enganam. E a sensação que fica é que aquilo deveria ser maior, para podermos absorver aquela energia boa; uma espécie de labirinto por entre os bambus era um sonho para mim. A floresta é constituída apenas por um caminho relativamente estreito, portanto não dá para sentar, parar ou até respirar sossegado durante muito tempo. Por muito que tentemos acabamos por ficar sempre na fotografia de alguém ou a interromper o caminho, pelo que acaba por ser algo que obrigatoriamente se vê de passagem, em movimento - e é tão bonito que passa num fósforo. Queria mais. Muito mais! Mas, ainda assim, este foi o lugar em Quioto que ocupou um lugar mais especial no meu coração.

 

JapaoOut2019-469.jpg

JapaoOut2019-480.jpg

Para além da floresta de bambu, toda a envolvência de Arashiyama (aquela zona) é bonita. A saída da floresta leva-nos ao Parque Kameyama, com uma bela vista à beira rio, e a uma das pontes mais conhecidas da zona, a Togetsu-do. É bom sítio para fazer devagarinho, enquanto os minutos passam - especialmente se tiverem ido cedo à floresta e estejam a fazer tempo para visitar outros locais. Se na altura soubesse - e aproveitando o belo tempo que estava nesse dia - tinha levado uma pequena merenda na mochila e feito um mini-picnic à beira daqueles barquinhos. Fica a dica!

JapaoOut2019-498.jpg

Parque Kameyama, à beira rio, e os seus típicos barquinhos de madeira

 

JapaoOut2019-571.jpg

A zona de Arashiyama 

Por meio de visitas a templos e mais templos, que fomos intercalando tanto devido a uma boa gestão de tempo e de trajetos como para desenjoar, ainda fomos a outros dois locais conhecidos: a floresta de kimonos (que não acho que mereça uma paragem propositada, só se estiverem a caminho) e ao Passeio dos Filósofos - mais uma caminhada à beira rio, repleta de banquinhos, e onde se pode fazer a travessia de um lado ao outro das margens saltitando entre as pedras lá estrategicamente colocadas.

JapaoOut2019-491.jpg

Floresta de Kimonos

 

JapaoOut2019-572.jpg

Passeio dos Filósofos

O fim do segundo dia ainda deu tempo para visitar dois locais de peso: o Palácio Imperial e o Castelo de Niju. Nós estávamos claramente com azar no que aos palácios dizia respeito: mais uma vez não conseguimos visitar, pois estava fechado. E, no caso de não se poder entrar (pelo que sei a visita é curta e gratuita), não acho que valha a pena passar por lá; é apenas um conjunto de paredes e de pórticos (semelhantes a tantos que se vêem em templos e edifícios históricos) envoltos num grande jardim que não tem nada de imperdível.

Já no que diz respeito ao Castelo de Niju também foi por uma unha negra que conseguimos entrar - mas ainda bem que conseguimos! Sobre isto é importante dizer que a maior parte dos monumentos encerra muito cedo - entre as 16h e as 17h - o que também obriga a um bom planeamento de tudo aquilo que se visita. Se a memória não me falha também este castelo estava a meio gás, com obras e um circuito para os turistas bem definido e nada flexível. Mas é um local que merece a visita, até porque é diferente de tudo o que vimos até ali. O ex-libris do Castelo é o Ninomaru Palace, onde é permitida a entrada (ainda que paga), algo que não é assim tão comum. Enormes corredores com o chão forrado a tatami circundam as salas enormes que faziam daquele sítio a casa e o escritório de uma das pessoas mais importantes do Japão há alguns séculos - o Shogon, o general que comandava o exército e que era diretamente nomeado pelo imperador. As descrições sobre as divisões são mesmo muito breves, sendo que o enfoque ia mais para as pinturas que forravam as paredes do interior palácio do que propriamente das salas em si, o que me deixou com pena. Diria que este é um dos locais que merece a presença de um guia para percebermos melhor a forma como funcionava antigamente e um pouco sobre a sua história, assim como de quem lá viveu. E, já agora, responder a algumas questões bastante pertinentes: como é que um castelo não tem muralhas?! Fiquei com vontade de saber mais. (Do interior do palácio não tenho fotos, pois era proibido).

 

JapaoOut2019-580.jpg

Palácio Imperial

 

JapaoOut2019-583.jpg

Castelo de Niju

JapaoOut2019-584.jpg

Entrada Castelo de Nijo

JapaoOut2019-585.jpg

Castelo de Nijo. Estes pórticos altamente trabalhados são uma das atrações principais.

 

O pior dos dias que começam cedo é que tendem, também, a terminar cedo. Os muitos quilómetros que percorríamos e o tempo húmido não ajudavam à resistência nem ao cansaço acumulado, pelo que o nosso último dia em Quioto terminou a jantar cedo e a desfrutar do conforto de um banho quente e das nossas camas. O dia seguinte seria longo e de mochila às costas - mas valeria totalmente a pena. Rumo a Nara!

29
Out19

Um questionário ao consumidor antes de viajarmos para Quioto

Faço os diários de bordo à minha medida - nem tanto pensando naquilo que procurava antes de ir viajar mas sim tendo em mente aquilo que vou querer ler daqui a uns anos, quando a minha mente já não estiver tão fresca e eu quiser relembrar as viagens que fiz. Volto a viajar comigo mesma de cada vez que leio aquilo que escrevi sobre os meus passeios anteriores e essa é a maior razão que tenho para perder horas e horas a escrever coisas aqui no blog que, honestamente, não sei se muita gente lê.

E é sobre isso que venho indagar. Questiono-me muito sobre a forma densa como escrevo esses posts; vejo muito poucos (ou nenhuns) textos de viagem tão detalhados como os meus - mas pergunto-me se isso será bom. Sei que é mais fácil ler a Isabel Saldanha (que, por falar nela, está agora no Irão!), que com a sua escrita poética vai dando inputs sob a forma de posts de Instagram que nunca são muito longos; sei que é mais rápido perceber os bairros de Tóquio com posts breves e poucos descritivos como o do Alma de Viajante (que gosto muito!); sei que a nossa concentração digna de peixe de aquário gosta mais de fotos do que de um montão de letras. Mas nenhuma destas formas de transmitir ideias é suficiente para mim. Eu preciso de mais, de contar mais, de expor mais; de dizer aquilo que senti, a forma como vivi, o que pensei naqueles locais. E já faço um esforço para dividir o "mal pelas aldeias" e fazer diversos posts; já recheio os meus textos de fotos para ser palpável tudo aquilo que eu digo e dar uma mãozinha à imaginação para que também vocês viajem comigo. Mas não sei se é suficiente.

Por isso, hoje, pergunto diretamente: os meus diários de bordo são chatos? Não têm vontade de os ler até ao fim devido à sua extensão? Acham que perde o efeito didático e de eventual ajuda que poderá ter para as vossas viagens por ter toda aquela quantidade de informação? Ou gostam do estilo e têm a mesma visão que eu?

Por favor, contem-me tudo.

27
Out19

Tóquio, uma capital com lugar para todos

Uma introdução sobre o Japão; os bairros de Tóquio; e alguns pontos turísticos

Mentiria se dissesse que Tóquio é uma cidade lindíssima. Não é. Não tem a delicadeza das cidades italianas, a doçura de Paris ou uma linha conceptual estável como Praga. Não é uma capital que nos deixa de queixo caído por aquilo que tem – mas talvez pela forma como vive. Pelo rigor e a organização que reinam no meio do caos. Pela heterogeneidade que, por estranho que pareça, é fator de união. Pela cultura que, apesar de tão diferente da nossa, tem pontos em que cheira a ocidentalização - e, nesse momento, percebemos que é melhor ficar como está e deixar o que é nosso deste lado do mundo.

Há lugar para cada um de nós em Tóquio; sítios para todos os gostos e estilos, dos freaks aos mais clássicos. Independemente de quem somos... é só uma questão de procurar. E foi isso que mais me fascinou: como é que tanta coisa pode caber num só sítio?!

A ideia que temos dos japoneses malucos é errada e demasiado restrita. Em Tóquio, principalmente durante a semana, a cidade é invadida por engravatados e roupa mais formal, incluindo todos os alunos, que usam fardas para ir para escola. Ao todo, entre 90 a 95% das pessoas usa este dresscode. Aquela concepção que temos dos japoneses com roupas estranhas, cabelos com cores extravagantes e penteados estrambólicos aplica-se a grupos mais restritos, jovens na faixa dos 20 anos, e que não se encontram em todas as partes da cidade. Akihabara é um dos sítios mais propícios a encontrarmos estas espécimens – mais abaixo vão perceber porquê. Ah!, e não posso deixar de elogiar o estilo das japonesas. Gostei muito, muito, muito da forma como as mulheres se vestem e queria levar os guarda-roupas delas comigo (e em parte trouxe, porque me desgracei na Uniqlo...). Regra geral não há decotes nem saias curtas; os conjuntos são originais e pouco óbvios, com peças menos mainstream e formas irregulares mas que, ainda assim, prezam pelo incrível bom gosto e um equilíbrio surpreendente. Queria tudo!

Ainda falando de ideias pré-concebidas, e ao contrário da anterior, devo dizer que tudo o que achamos sobre a organização e limpeza dos japoneses é mesmo verdade. Diria que são os alemães ou suíços do oriente. E eu, que adoro regras e organização, achei aquilo o paraíso na terra. Eles fazem filas para entrar no metro! E deixam sempre os sapatos à porta de tudo - mesmo nos quartos dos hotéis, nos templos e até nos provadores das lojas! E não deitam lixo para o chão! E limpam tudo - até o espaço entre os azulejos em plenas ruas! E têm o sentido por onde se deve circular em cada sítio, ora pela esquerda ou direita, com mais espaço para o sentido com mais afluência. É o paraíso na terra!

 

Como há muita coisa para fazer e ver, convém mesmo que esta seja uma viagem bem planeada – o que exige muito tempo de preparação, mas que compensa com o tempo que não se perde in loco (até porque para pedir ajuda é preciso encontrar um japonês que saiba falar bem inglês, o que não é fácil...). Analisar as rotas mais curtas para visitar o maior número de locais é essencial - e, para mim, fazê-lo a pé (pelo menos na sua maioria) é importante. Complementamos os caminhos com a ajuda do metro, mas eu acho que uma cidade conhece-se a pé - e os 18kms que fizemos em média, diariamente, comprovam-no bem. Para nós o planeamento prévio foi ainda mais importante, uma vez que tivemos de cortar um dia inteiro em Tóquio por causa do dilúvio e dos ventos que se fizeram sentir.

Os nossos roteiros não tinham só como enfoque os monumentos ou pontos turísticos mas também os bairros em si – ir lá, passear, perceber o tipo de pessoas que os frequentam e tirar-lhes a pinta. Percebemos que na maior parte das vezes éramos os únicos ocidentais num raio alargado, o que só prova que conseguimos imiscuir-nos no mundo dos japoneses, o que tornou a experiência ainda mais rica. Não sei se foi por ser época baixa ou devido às notícias do furacão, mas a verdade é que fiquei surpreendida pela pouca quantidade de turistas que vi na cidade. Se a memória não me falha, só num ou dois templos é que realmente nos apercebemos da diversidade de pessoas que lá andavam; de resto, eram os japoneses e nós, os três estarolas ocidentais ;)

Para me facilitar a vida agrupei as minhas considerações e fotos por bairros. Esta divisão não é mega precisa, até porque as fronteiras entre uns e outros nem sempre são perfeitas, mas dá para ter uma ideia do espírito de cada um dos locais. Os sítios mais deslocados, em que não visitamos o bairro em si, estão no final. Tenham em atenção que aqui não incluo tudo o que é templos, que mostrarei numa publicação futura. Vamos a isto.

 

Ginza, o bairro fancy de Tóquio

O nosso primeiro hotel ficava em Ginza – o que por um lado é bom, porque foi a zona que indiretamente mais exploramos, mas que por outro acabou por ser aquela que mais “desprezamos”. É o bairro com as ruas mais amplas e luminosas, com edifícios grandes, mais atuais e cosmopolitas, cheios de vidro e formas estranhas e bonitas. É aquele onde o passeio é agradável mas em que nos sentimos um bocadinho pequeninos perante a impossibilidade de comprar ou até aceder à grande parte das coisas que lá está. Ele é Gucci's, Chanel, Hermés e coisas que tais – mas também tem Zara's e, adivinhem, a maior Uniqlo do mundo. Era nosso plano entrar lá (e fazer compras, óbviooo) mas, por uma questão de logística, acabamos por ir à loja de Shibuya, que já foi grande o suficiente para eu desgraçar a minha carteira. Mal por mal, talvez tenha poupado o meu porta-moedas de uma tragédia ainda maior.

Muito perto do nosso hotel ficava o Kabukiza Theater, um teatro com 130 anos. Só apreciamos por fora, mas vale a passagem.

Apesar de Ginza ser o centro fancy e de compras da cidade ficou marcada, para mim, pelo Mercado Tsukiji – o antigo mercado do peixe, onde se vendiam aqueles atuns enormes em leilões que se realizavam às tantas da manhã. Atualmente é um mercado, estilo Bolhão, em que tanto locais como turistas compram os mais variados alimentos – entre vegetais e frutas, até marisco. Fiquei espantada com a quantidade de peixe que eles lá têm e a forma como o apresentam; há imenso peixe seco (sabiam que até as espinhas se comem?), outros em molhos estranhos... Vende-se também comida confecionada, como os mini-polvos e as lulas grelhadas na hora, entre outros pitéus. Eu adorei o ambiente, a comida e a variedade – e foi sem dúvida o meu sítio preferido das redondezas de Ginza. Foi lá o nosso primeiro almoço, num restaurante totalmente escolhido ao calhas e que não sei o nome – era de sushi, com tapete rolante, só com japoneses que já sabiam o funcionamente daquilo de cor e salteado e que ficavam a olhar para nós – e provavelmente para as nossas maneiras horríveis – como se fossem burros a olhar para um palácio. Adorei!

 

JapaoOut2019-38.jpg

Kabukiza Theater

JapaoOut2019-41.jpg

Banca do mercado Tsukiji

 

JapaoOut2019-44.jpg

Os céus de Ginza

comidatokyo.jpg

Várias comidas no mercado Tsukiji

 

 

Akihabara, o paraíso dos geeks

Este bairro é o sonho de qualquer geek. São lojas e lojas e lojas e lojas cheias de livros de anime, figuras de anime, autocolantes de anime, jogos de anime, legos de anime... basicamente tudo o que possam imaginar e que envolve anime. E manga. Muitas destes items com preços absurdos, claramente dedicados a colecionadores e apreciadores. E, acreditem, há muitos! Vi adultos de fato e gravata a jogarem a cartas de Pokémon's, Invizimals e outras séries que não sei o nome como se aquele fosse o último dia das suas vidas! 

Não sou fã deste tipo de coisas mas fui com duas pessoas que eram – e andei atrás dos melhores preços em lojas que não lembram ao diabo, pequenas, estreitas, em quartos e oitavos andares com escadas que convidam à queda, apurando o olho para uns bonequinhos em específico por entre corredores minúsculos, atulhadas de bonecos estranhos que nunca antes tinha visto na vida. Fica a dica: os melhores preços estão nas lojas mais escondidas e remotas, por isso abram a pestana! Toda esta correria foi estranha, cansativa, mas boa ao mesmo tempo. E gostei particularmente do par de lojas que vi com coisas vintage – GameBoys e outras consolas antigas, centenas de jogos e outros objetos que me levaram a uma viagem no tempo.

Esta é também a zona dos MaidenCafés – onde as empregadas de mesa levantam as saias enquanto servem os seus clientes. Não fomos a nenhum (dispenso ver cuequinhas ou até um pouco mais), mas fiquei com a sensação de que algumas das meninas que estavam sugestivamente vestidas na rua a atrair as pessoas não se limitavam a “mostrar coisas”. E eram muito novas para isso. Não gostei.

Em resumo: foi das zonas mais movimentadas e loucas onde estivemos, de tal forma que nos acabamos por sentir envolvidos por aquilo e vibrar tanto como eles.

 

JapaoOut2019-272.jpg

As bonecas à venda numa loja em Akihabara

JapaoOut2019-283.jpg

Anime... Anime everywhere!

JapaoOut2019-266.jpg

Alguns livros chegavam a custar mais de 100 euros!

 

JapaoOut2019-269.jpg

Figuras de animação de Dragon Ball - um autêntico must have no Japão

 

IMG_20191013_165756.jpg

Consolas vintage em Akihabara

 

 

Jimbocho, o sítio certo para quem ama livros

Achei este bairro um mimo. E há um ponto positivo: como não percebo nada do que diz nos livros, não tenho tentação de os comprar – até porque são caros... Mas, por momentos, vontade não me faltou; acho a forma como as páginas estão escritas (na vertical) giríssima, assim como todos aqueles caracteres desenhados, que tornam tudo muito mais bonito.

As lojas em si são encantadoras. Pequeninas, como quase tudo lá, e com as paredes todas forradas a livros, papel e lombadas antigas. No exterior havia sempre tabuleiros recheados de livros, assim como algumas livrarias de rua, que utilizavam as paredes como prateleiras. O sonho de qualquer pessoa que gosta de livros. Vale bem a pena.

Destaque para uma das livrarias mais populares, a Kitazawa. Tem dois pisos: o de baixo tem um café, o de cima tem livros estrangeiros e raros. Não é uma Lello, com uma beleza arquitetónica particular, mas é bonita.

 

JapaoOut2019-31.jpg

Loja em Jimbojo

JapaoOut2019-26.jpg

Uma livraria de rua

JapaoOut2019-30.jpg

Um cantinho da livraria Kitazawa

IMG_20191010_114734.jpg

Loja em Jimbojo

IMG_20191010_114806.jpg

Loja em Jimbojo

 

 

Harajuko, entretenimento e compras de mãos dadas

Em Harajuko passamos pela grande avenida que é dominada pela Omotesando Hills, um complexo de lojas muito grande; ora tem Gucci's e Chanel's, como lojas vintage de alto calibre que também não nos aventuramos a tentar. Destaque para duas lojas temáticas. A primeira é a Kiddy Land, o paraíso dos miúdos (e graúdos) que gostam de tudo o que seja desenho animado ou anime. Se a memória não me falha são seis pisos recheados de bonecos, peluches, merchandising, canecas... tudo! Passando por coisas tão diferentes como Star Wars, Snoopy, Lego, The Avengers, Hello Kitty, Pokémon, Doraemon e outros desenhos animados tipicamente japoneses. É um mundo – mesmo para quem não é fã destas coisas! A segunda loja situa-se no interior da Laforet, um espaço multi-loja, que tem lá dentro dois espaços recheados de coisas das Sailor Moon. Vale a pena para quem via estes desenhos animados em pequeno – caso contrário, na minha opinião, é totalmente dispensável.

Entre esta avenida e o templo Meiji (do qual gostei muito e de que falerei no outro post dedicado aos templos), passamos em Takeshita-Dori, uma rua muita conhecida pelo seu movimento e diversidade de lojas. Normalmente é quase impossível lá circular, mas dada a época do ano e o fenómeno meteorológico que se aproximava, não estava nada demais. Melhor que a Rua das Flores na maior parte dos dias ;)

 

JapaoOut2019-149.jpg

Omotesando Hills

JapaoOut2019-152.jpg

Takeshita Dori

 

Shinjuko, a energia em forma de bairro

Do templo Meiji seguimos a pé para Shinjuko, daí ser difícil perceber a fronteira entre um bairro e outro. De qualquer das formas, uma coisa é certa: o coração de Shinjuko tem uma energia eletrizante – e é enormeeeee. É talvez o sítio onde mais andamos entre pontos de interesse; parecia que as ruas nunca mais acabavam! Não tem propriamente uma razão para ser muito conhecida, mas vale a pena passar lá. Não sei se foi por ter lá estado ao final da tarde, mas gostei muito das luzes e da vida que têm – até mais que Shibuya, confesso.

É lá que podem encontrar a cabeça do Godzila no topo de um edifício. Se não souberem onde procurar é provável que nem reparem – para além de que têm de estar bem posicionados para o ver decentemente. É giro, vê-se se estiver de passagem, mas a menos que sejam grandes entusiastas do filme não acho que tenha de ser um ponto obrigatório. Mas as ruas à volta são bem agradáveis e merecem o passeio.

Foi lá que, do nada, entramos numa loja de jogos enorme, com uma barulheira astronómica. São jogos de dança, guitarras, tambores, jogos de terror, corrida. De tudo um pouco. Ainda nos aventuramos nos tambores, mas confesso que não fomos muito bem sucedidos. O negócio do jogo, em toda a capital, é brutal - e há ambientes realmente pesados. Há que escolher bem os sítios onde se entra, porque vale a pena a experiência, mas dispensa-se ficar mal disposto com o vício de algumas pessoas que claramente nos rodeiam nesses locais.

Foi lá que ficamos na nossa última noite (no hotel cápsula), numa zona que me deu uma outra percepção dessa parte da cidade – e não posso dizer que tenha sido muito boa. Se por um lado a rua principal estava invadida por lojas e restaurantes coreanos, com todo o caos que isso implica a uma sexta-feira à noite, as perpendiculares enchiam-se de “gentlemans bars”, meninas pouco vestidas e um ambiente um bocadinho pesado. Ainda assim, continuo na minha: aquilo é enorme. E com muitaaa gente!

Ficou por ver, lá, o Tokyo Metropolitan Government Building, que ofereceria uma vista panorâmica da cidade de forma gratuita, mas que está fechado aos fins-de-semana... altura em que contávamos lá ir. Por isso fica para uma próxima.

 

JapaoOut2019-193.jpg

Há milhares e milahres e milhares de máquinas deste género, com todo o tipo de objetos que possam imaginar, mas que engolem dinheiro como se não houvesse amanhã e que nuncaaa dão nada em troca. Ingratas!

JapaoOut2019-196.jpg

O Godzilla no topo do edifício

 

JapaoOut2019-192.jpg

As cores das ruas de Shinjuko

JapaoOut2019-195.jpg

As cores das ruas de Shinjuko

 

Shimokitazawa, o bairro vintage

Chegar a Shimokitazawa desde Ginza, através de metro e comboio, demora cerca de uma hora. É, por isso, um investimento de tempo. Mas, para mim, valeu totalmente a pena! Até o caminho é giro, porque sentimos que estamos a sair do Tóquio-grandioso para Tóquio-subúrbio, onde a vida real se desenrola; sem grandiosismos ou o sentimento cosmopolita que se sente noutros locais. É uma cidade simples, daquelas que víamos no Doraemon quando éramos miúdos – e se eu, que nunca gostei desse tipo de desenhos animados, gostei tanto, imagino quem de facto era fã!

Infelizmente, dadas as circunstâncias e a obrigatoriedade de encurtar tempos devido ao tufão, não dispus do tempo que queria lá; mas tive muita vontade de me perder totalmente naquelas ruas e ir à descoberta sem o GPS em modo de auxílio. Há muitas lojas de roupa em segunda mão e outras tantas de roupa nova mas original (não no sentido negativo da expressão), com decorações muito giras e uma vibe um bocadinho alternativa ou boho, tal como gosto. Os preços, esses, não eram assim tão acessíveis – mas dependiam, obviamente, do tipo de peça e de lojas onde estavam.

Mais uma vez, éramos os únicos ocidentais que por lá andavam, o que ainda dava mais a sensação de que estávamos nas profundezas do Japão. Adorei!

Um dos pontos altos lá foi o donut da Captain's Donuts, uma sugestão que já trazíamos no roteiro e que valeu totalmente a pena. Dado que é uma coisa conhecida (na loja existem várias fotos com grupos de música e de reportagens televisivas), esperávamos que fosse uma coisa grande; mas na verdade é uma lojinha minúscula, que deve ter pouco mais que cinco metros quadrados, apenas com uma senhora velhinha lá dentro, que simpaticamente nos atendeu. Serviu-nos dois donuts maravilhosos; uma espécie de bolas de berlim, sem aquele açúcar todo por cima, e levemente aromatizados com algo que não sei descrever, mas que equilibrava incrivelmente com o doce e a (pouca) gordura que o donut trazia. Aconselho.

Almoçamos numa hamburgueria, da qual não fiquei fã e que não guardei o nome.

 

JapaoOut2019-135.jpg

A típica loja de Shimokitazawa

JapaoOut2019-139.jpg

Os maravilhosos donuts da Captain's

 

IMG_20191011_120518.jpg

Eram mesmo bons!

 

JapaoOut2019-143.jpg

Uma montra apetecível nas ruas de Shimokitazawa

 

Shibuya e a sua mítica passadeira

É talvez dos sítios mais populares de Tokyo pela sua passadeira hiper-movimentada e pelos ecrãs gigantes, ao bom estilo de Times Square. É capaz de ter sido um dos sítios mais mexidos onde estivemos, mas não é nada do outro mundo; estivemos lá quando o tufão já estava a ameaçar chegar, e já chovia, pelo que não devia ser a altura mais popular naquele local. É lá que estão as lojas mais conhecidas como a Uniqlo, a H&M, entre outras – como a Don Quijote, uma loja gigantesca onde podem encontrar tudo o que há no mundo: desde roupa, fantasias, cosmética, comida... tudo!

 

IMG_20191010_183046_1.jpg

A passadeira mais famosa do Japão

 

Odaíba, a ilha tecnológica

Odaíba é uma ilha artificial de Tóquio, uma parte claramente mais recente e tecnológica da cidade. A travessia do centro da capital para lá, de comboio, é uma viagem bonita e que deve ser apreciada. O bairro está repleto de shoppings enormes, com centenas de lojas para todos os gostos, bolsos e feitios; alguns mais virados para a roupa, outros para a comida, outros para entretenimento.

Fomos lá no dia a seguir ao tufão e a maior parte das coisas só abriu da parte da tarde. A manhã foi dedicada a uma busca infindável de um sítio para comer (estava mesmo TUDO fechado, inclusivamente os supermercados abertos 24 horas), a apreciar as vistas da cidade e os monumentos ao ar livre – nomeadamente uma miniatura da estátua da Liberdade. Para fazermos tempo acabamos por ir à única coisa aberta no shopping – o piso das diversões, onde acabamos no típico karaoke japonês. E, digo-vos, é imperdível! Escolhem a sala onde querem estar, encomendam comida e cantam o que quiserem, durante o tempo que vos aprouver. Ri-me que nem uma perdida e adorei! Diria que é uma experiência obrigatória em Tóquio, mesmo para quem tem vergonha de cantar ou se acha uma cana rachada. Aquilo não é o Got Talent – o objetivo é divertirmo-nos. E isso, diria, é garantido.

Odaíba era para nós uma paragem obrigatória porque tínhamos comprado com antecedência bilhetes para o TeamLab, um museu de imagens e salas interativas, com projeções e luzes em movimento. Devo confessar que não adorei. Achei-o extremamente desorganizado (algo muito atípico entre os japoneses), com filas enormes para algumas das salas mais especiais, que pouco mais serviam do que para tirar fotos bonitas. O museu é isso: um palco para fotos, uma estrela para o instagram. E isso vende. E é uma verdade: quem tiver tempo e paciência tira lá fotos dignas de um book. Mas como não era para isso que lá estava, confesso que me passou um bocadinho ao lado e não voltaria a investir o meu dinheiro lá.

É em Odaíba que hoje em dia se situa o novo mercado do peixe mas, pelas mesmas razões que já falei acima, estava também fechado – o que se tornou numa das nossas grandes falhas nesta viagem. Mas, enfim, fugiu fora do nosso controlo.

 

JapaoOut2019-235.jpg

A vista de Odaiba

 

JapaoOut2019-243.jpg

A mini Estátua da Liberdade em Odaíba

JapaoOut2019-236.jpg

O majestoso edifício da FujiTV

 

IMG_20191013_142114.jpg

Team Lab

JapaoOut2019-255.jpg

A sala mais concorrida do Team Lab

JapaoOut2019-262.jpg

A sala mais concorrida do Team Lab

 

Um dos pontos de visita obrigatórios em Tóquio é o Palácio Imperial. Mas, se estiveram atentos às notícias, sabem que a coroação do novo imperador foi há dias - e isto fez com que este e outros locais estivessem fechados ou a meio-gás, com vista à preparação de um evento tão especial para os japoneses. O Palácio Imperial foi, obviamente, um deles - e apesar de termos lá ido na última manhã em que esteve aberto, só uma pequena partes dos jardins estavam acessíveis, pelo que foi uma desilusão. Ao menos fica o "check" neste ponto crucial da visita.

JapaoOut2019-6.jpg

A entrada do Palácio Imperial

JapaoOut2019-9.jpg

À entrada do Palácio Imperial com o meu mais que tudo

 

No caminho para o Palácio passamos pelo Hibiya Park, um dos muitos que preenchem de verde a capital japonesa. São todos extremamente bem cuidados e bonitos, como não podia deixar de ser. E uma das coisas que mais adorei foi ver crianças, das creches ou berçários, a passearem com as suas cuidadoras numa espécie de parques (aquelas mini-cercas para elas brincarem) ambulantes. Era só a coisa mais querida-fofa-cutxi-cutxi de todo o sempre. Tão fofo que até tinham um sinal de proibido fotografar - porque claramente toda a gente acha aquela imagem totalmente irresistível. Nota-se mesmo que a interação dos miúdos com a natureza é uma prioridade para eles.

Outro dos parque mais conhecidos é o Ueno, por onde também passámos.

JapaoOut2019-1.jpg

Hibiya Park

 

É a Torre Eiffel lá do sítio - e, tal como a própria, vale mais a pena visitá-la de noite, pois é muito mais bonita iluminada. A Tokyo Tower é outro ponto obrigatório na capital e optamos por a ver de fora, não subimos (para ir ao topo, rondam os 25 euros). Fiquei feliz só por a ver de perto e acho que foi uma boa aposta gastar o dinheiro noutras atrações ou compras que fizemos posteriormente.

JapaoOut2019-83.jpg

O topo da Tokyo Tower

Passamos por outros locais que, por só terem sido de passagem ou não ter achado que mereciam grande menção, deixei aqui para o fim. Alguns deles: Chidorigofuchi, Chuo-dori Avenue, Hamarikyu Gardens, Tokyo Station, Tokyo Skytree e a Mori Tower. 

Por outro lado houve sítios que tínhamos no roteiro que, por uma razão ou por outra (maioritariamente devido ao tufão), tivemo de descartar. Alguns deles: Tokyo Anime Center, Roppongi Hills, Park Hyatt Hotel (o bar do “Lost in Translation”), Omoide Yokocho (Piss Alley), Parque Yoyogi e Tomigaya.

 

A seguir... Quioto!

24
Out19

Um sem fim de aventuras no Japão

Seria de esperar que uma viagem ao Japão fosse uma coisa sonhada, muito planeada e desejada. Uma daquelas viagens que temos na nossa wish-list ao longo dos anos mas que, pela distância e pelo preço, vamos adiando consecutivamente.

Não foi o meu caso. Eu, perante a impossibilidade de este ano ir à Islândia, fiz scroll num site de viagens e saiu-me na rifa o País do Sol Nascente. Tinha visto uma série de coisas que me haviam aguçado a curiosidade nos últimos tempos e decidi que era para ali que iria. Ainda não sabia com quem. Nem para onde ao certo. Nem como. Mas seria o Japão.

Só mais tarde soube que iria com dois amigos – e que um viria a tornar-se meu namorado - e que passaria por quatro cidades durante uma semana e meia. Que iria dormir não só num quarto de hotel mas também num ryokan, os típicos quartos deles, assim como num hotel cápsula. E que ia para outro continente com a Emirates, a minha companhia de sonho.

E só muitos poucos dias antes é que me apercebi que ia experienciar o primeiro furacão da minha vida. E que me ia meter num parque de diversões.

E só no momento em que o estava a viver é que soube que estava a sentir a terra a tremer aos meus pés e que aquilo era o sismo mais forte que tinha vivido até então.

 

Ir para o Japão foi um salto gigante para fora da minha zona de conforto e as circunstâncias quiseram que essa zona fosse ainda melhor explorada do que aquilo que eu esperaria. Superei tudo e estou muito orgulhosa de mim mesma. Sobrevivi ao jet lag, ao cansaço de carregar demasiados quilos de mochila às costas; à comida estranha, à partilha constante de um quarto e ao convívio durante 24 horas com duas pessoas que até há um ano não conhecia (nomeadamente durante um dia inteiro fechados num quarto de hotel); aos momentos maus de cada um de nós, às saudades, às alturas de maior pressão. Até do medo. Como temos dito por brincadeira, fomos presenteados com a verdadeira “Japan Full Experience” - e saímos carregados de histórias para contar. O facto de nunca ter feito desta viagem um sonho fez com que não tivesse grandes expectativas – ia de espírito totalmente aberto, pronta para ser surpreendida. E fui.

Por isto, um ou dois posts não chegariam para contar tudo aquilo que preciso. Os próximos tempos aqui no blog vão ser de deixar os olhos em bico – quase literalmente. Abaixo deixo a lista de textos que deverão sair num curto período de tempo, numa planificação e um conjunto de ideias que fui fazendo (e tendo) ao longo da minha viagem para melhor explorar e expor cada uma das cidades onde passei, assim como as suas idiossincrasias. Vai ainda haver espaço para contar algumas das nossas aventuras e peripécias, assim como todas as dicas que tenho para vos dar quando se lembrarem de ir para o outro lado do mundo.

Ora aqui vai a ementa dos próximos tempos:

 

Tóquio, uma cidade com lugar para todos

Quioto, onde mora a história do Japão

Nara, um mimo em forma de cidade

Osaka, a capital da vida boémia

Um mundo de templos por descobrir

Experiências japonesas que não vou esquecer 

Dez curiosidades sobre o Japão (e os japoneses)

Detalhes práticos e úteis para quem um dia quiser visitar o País do Sol Nascente

 

JapaoOut2019-154.jpg

 

12
Out19

Estou no Japão!

Desculpem a falta de posts, mas estou ocupada a ser feliz do outro lado do mundo!

Depois de dezoito horas de viagem chegamos a Tóquio e já vimos coisas incríveis. E sobrevivemos a um tufão. E a um tremor de terra. Tem sido uma aventura!

Aproveitei este dia de paragem obrigatória, uma vez que o tufão nos obrigou a recolher durante um dia inteiro no hotel, para começar a trabalhar nos diários de bordo. Tenho tanto para contar! Não só sobre o que tenho visto mas também sobre todos os choques culturais e todas as experiências que tenho vivido.

Amanhã saio de Tóquio (para onde volto dentro de dias) para seguir para Quioto.

Tenho posto muita coisa no instagram - principalmente nos instastories! Vão-me acompanhando por lá, em @carolinagongui!

 

IMG_20191011_150035.jpg

 

09
Set19

A preparação para a viagem ao Japão em 5 pontos

Daqui a precisamente um mês estarei a aterrar no Japão. E se quando marquei a viagem parecia faltar uma eternidade para esta se concretizar, hoje, este mês que me afasta do outro lado do mundo parece ser um par de dias que vai passar a voar. E só agora é que eu me sinto a cair na real: de que vou fazer a viagem mais longa da minha vida (18 horas dentro de um bicho com asas!), de que será o maior choque cultural que vou experienciar até hoje. Que vai mesmo acontecer.

Preparar uma viagem destas não é fácil, muito em parte devido ao muito que há para ver - e torna-se ainda mais difícil nesta época meia conturbada da minha vida, cheia de mudanças. Ainda assim, no último mês, fizemos avanços consideráveis em toda a preparação para a viagem; até aí pouco mais tínhamos do que a marcação das viagens, os hotéis e um esboço muito rudimentar daquilo que hoje se tornou no nosso roteiro de viagem - muito graças à minha companheira de viagem, que tem feito um trabalho que não tem preço.

Por isso, a um mês do início desta aventura, enumero as cinco coisas que estão a fazer parte (ou fizeram) da preparação desta viagem de sonho.

 

1. O roteiro

Gostei muito de um modelo de organização de viagens que vi um dia no instagram da Diana Bouça-Nova e decidi copiar. Dividi, numa folha de excel, sítios a visitar, onde comer e onde ficar. Não tinha muitos conhecimentos pré-adquiridos sobre o Japão – esta foi uma viagem marcada à maluca, um bocadinho por impulso devido a uma série de coisas que tinha visto na altura sobre o país – e por isso comecei por fazer um levantamento de coisas que me pareceram interessantes, divulgadas por pessoas que tinham viajado para lá há pouco tempo: nomeadamente a La Dolce Rita, a Stylista, o Alma de Viajante e o meu chefe (que também me forneceu uma catrefada de livros e guias sobre Tóquio que só agora estou a conseguir explorar devidamente). A minha companheira de viagem, a Ana, muito mais culta do que eu em matérias nipónicas, fez o mesmo – e assim se desenhou o primeiro esboço de tudo o que queríamos e/ou poderíamos visitar nas quatro cidades a que vamos: Tóquio, Kyoto, Osaka e Nara.

Numa segunda fase a Ana fez o trabalho mais duro: agrupar todos aqueles locais em "pequenos" roteiros, circulares, de forma a que pudéssemos ver tudo gastando o menor tempo possível entre viagens. Não sabemos até que ponto é que estes circuitos serão realistas para o tempo que temos – e por isso é que não faço intenções de os partilhar agora – mas vamos descobrir na altura. Prometo contar tudo depois ;)

 

2. A mochila

Hesitamos entre ir de mochila às costas ou com mala de rodinhas. Ponderei sobre o assunto e vieram-me à memória momentos pouco simpáticos, durante viagens, em que me vi à rasca para pegar no meu trolley de viagem para subir ou descer escadarias. O objetivo não é andar sempre de um lado para o outro com as coisas, mas nas transferências entre cidades não temos outro remédio – e, nesses momentos, o ideal é descomplicar. A mochila é a melhor solução. Não só pela questão do transporte mas também porque, por não ser muito grande e por o seu peso ser literalmente carregado por nós, nos obriga a conter na quantidade de coisas que pomos lá dentro. Travel light vão ser as palavras de ordem! Se virmos que começamos a ficar demasiado carregados com coisas que compramos lá, entre souvenirs e coisas a que não vamos resistir (ouvi dizer que há uma Uniqlo mesmo em frente ao meu hotel... estou desgraçada!), compramos uma mala de mão na reta final da viagem para levarmos tudo mais confortavelmente.

Comprei uma das mochilas de viagem da Decathlon, de 50 litros. Já a utilizei na minha viagem para o Algarve, em que fui de avião pela Ryanair (tendo por isso de andar, esperar e subir escadas com ela às costas) e a prova foi superada. O apoio nas ancas ajuda imenso e ter as mãos livres faz uma diferença enorme. Enquanto o pessoal andava à rasca para carregar os trolleys, eu andava ali como se nada fosse – mesmo tendo mais de dez quilos às costas. Fiquei a gostar – e esta experiência pré-Japão tranquilizou-me um pouco em relação ao que está para vir.

 

3. Compras antecipadas

Ir à descoberta não é a nossa praia. Por isso, outra das coisas que quisemos fazer foi comprar tudo o que podíamos com antecedência – para evitar filas, complicações ou eventuais dramas na explicação daquilo que queremos comprar (não sabemos até que ponto é que a comunicação é fácil...). As viagens de comboio-bala entre cidades eram uma prioridade, mas acabamos por perceber que tínhamos de comprar os bilhetes in loco; ainda assim temos assente os horários que preferimos e que tencionamos comprar quando lá chegarmos.

Tratamos também de reservar o nosso wifi portátil, que nos vai permitir estar online durante toda a nossa estadia por um preço relativamente baixo. No fundo é um mini-router que levantamos no aeroporto e que nos faz desligar das preocupações sobre roamings e outras questões.

Outra das coisas que compramos foi o Pasmo Card – uma espécie de passe recarregável que permite utilizar vários meios de transporte em todo o Japão e que nos vai ser muito útil nas ligações entre locais a visitar, principalmente quando a distância entre eles for maior ou o cansaço das pernas começar a pesar.

Por fim, comprar tudo o que sejam entradas em museus e locais de interesse, ou marcar atividades, para não perder tempo desnecessariamente. Admito que esta parte ainda não fizemos...!

 

4. Preparação física

Eu, neste momento, pareço uma pequena lontra bipede, com uma forma física digna de um hipopótamo, em que o único exercício que faço e abrir e fechar a boca – para comer, obviamente. Tenciono mudar isso em breve, mas até lá tenho que me pôr a mexer. Sei que não vão ser poucos os quilómetros que estas minhas pernas vão ter de aguentar e convém estar minimamente preparada para não passar a vida a sentar-me, qual velhinha, enquanto deito os bofes pela boca.

Por isso, até me inscrever na piscina para fazer exercício regularmente, temos tentado fazer algumas caminhadas. Fico cansada e de mau humor, principalmente nas subidas, mas passado dois minutos – e após pensar que é tudo em prol de uma causa maior (o Japão... ou a diminuição destas minhas ancas) – já passou. Agora é tentar aumentar o ritmo e a quantidade de vezes que vamos dar estas voltinhas.

 

5. Os vídeos parvos

Esta tem sido a componente mais engraça (muito mais gira do que fazer exercício, não é verdade?) e, também, mais inesperada. De um momento para o outro o meu YouTube ficou inundado de vídeos com nomes e letras que não percebo nada, mas que acabam por ser mega divertidos e com um ritmo que fica no ouvido durante o dia inteiro. Aqueles que nos tentam ensinar japonês, misturando o inglês pelo meio, são uma autêntica pérola. E, a brincar a brincar, já sei umas coisas. Já sei que Kito Kato é Kit Kat e bisu é cerveja. Já não morro nem à fome nem à sede. Siga!

 

16
Jul19

Um passeio pela Costa Vicentina

Alentejo_Junho_Tlm-81.jpg

 

Já o disse: ir ao Alentejo era um desejo antigo. Tinha imaginado esta viagem de muitas formas: ora com amigos, ora sozinha numa espécie de retiro, ora na loucura numa autocaravana alugada, pronta para dormir ao som do bater das ondas. Acabou por não ser de nenhuma dessas formas: fui com o meu namorado e foi maravilhoso. 

O Alentejo não desiludiu. Mas soube a pouco - embora tentássemos aproveitar tudo ao máximo. Ainda deu para ver algumas praias, comer bem (viva a sericaia e o peixinho grelhado!), conhecer mais um bocadinho e até dar um mergulhinho!

Optamos por não fazer a viagem de rajada e fizemos algumas paragens estratégicas. A primeira foi nas Grutas da Moeda - uma estreia para mim, que nunca tinha entrado em nada do género. Apanhamos a última visita guiada do dia, a uma sexta-feira, por isso estava tudo muito calmo. Não me fez aflição nenhuma estar debaixo de terra e achei as grutas em muito bom estado de conservação. Todo o tratamento que lhe deram, ao nível das luzes, torna tudo ainda mais giro - e até mágico. O guia, sempre simpático, também ajudou a que fosse tudo muito agradável - explicou a formação das estalactites e estalagmites, mostrou-nos ossadas de uns animais que caíram para dentro da gruta e fazia-nos sempre puxar pela imaginação, tentado fazer-nos visualizar animais e outras formas nas rochas por onde íamos passando. A visita dura cerca de meia hora (não chega para nos sentirmos sufocados) e eu lembrei-me recorrentemente de uma coisa que o meu pai sempre me disse: se nos queixamos da nossa profissão, agora pensem nos mineiros! Dos poucos minutos que lá estive fiquei com a pele toda oleosa e sempre com alguma vontade de, literalmente, ver a luz ao fundo do túnel. E foi só meia hora! Tentar imaginar o que é passar dias inteiros ali fechados é só aterrador - já para não falar do próprio trabalho, exigente a nível físico e cujo fator segurança não é lá muito positivo. Deu para pôr as coisas em perspetiva e, só por isso, já valeu a pena! Para além de que foi uma experiência nova, bonita, que aconselho a todos. 

 

Alentejo_Junho_Tlm-2.jpg

Nas Grutas da Moeda

 

A primeira noite foi passada em Óbidos - terra onde já tinha feito uma paragem rápida o ano passado, que nem tinha dado para absorver bem a coisa. Fiquei surpreendida porque de noite não se via vivalma - lembrei-me até de Veneza, onde tive exatamente a mesma sensação. A dicotomia noite-dia é impressionante. Esperei que no dia seguinte estivesse uma avalanche de gente (tal como estava quando lá tinha ido), mas não: o facto de não estar a decorrer nenhum daqueles eventos dentro do castelo deve ter ajudado, tornando o passeio muito mais agradável e as ruas bem mais transitáveis. Confirmei aquilo que já desconfiava: Óbidos é um mimo. Adoro o conceito, adoro a cores, adoro as lojinhas, adoro as muralhas, adoro as vielas, os declives e os pormenores em cada recanto. As lojinhas com um toque tradicional derretem-me, os espaços alterados para a conjugação de duas coisas improváveis (tipo uma livraria e uma mercearia ou uma livraria e uma igreja) fazem de mim uma criança feliz. Gosto mesmo muito de vilas com história e sei que um dia lá vou voltar. 

TRÊS MARIAS (4).png

Paragem seguinte: Peniche. Também foi uma estreia para mim, nunca lá tinha ido. Estava tudo um bocado caótico: apanhamos uma prova de triatlo, que ia fechar muitas das ruas da cidade, por isso foi praticamente almoçar e vir embora. Também, sejamos sinceros: aquela ventania não convidava a grandes passeios. O vento estava presente em todo o país e não passamos por nenhum sítio onde não o sentíssemos, mas Peniche ganhou aos pontos neste campeonato. Ainda assim deu para fazer uma visita ao Cabo Carvoeiro e à Fortaleza de Peniche, prisão de muitos presos políticos, conhecida pela fuga de muitos deles (incluindo Álvaro Cunhal). Neste momento está transformado no Museu da Resistência e da Liberdade e a entrada é livre - só pagam se quiserem os audio-guias, que não me parecem muito necessários, até porque têm descrições em todos os locais. Os espaços abertos são poucos - têm o parlatório (local de conversa entre os prisioneiros e os visitantes), a sala de visitas (onde chegaram a decorrer alguns casamentos) e o segredo (a solitária). Isto para além das vistas da Fortaleza para o mar, obviamente muito bonitas (segunda foto do lado direito, na montagem abaixo). Mas confesso que fiquei um pouco desiludida, acho que há muito mais a explorar num local destes - nem que fosse a oportunidade de ver uma cela, para se ter noção das condições em que lá se vivia. Esperemos que seja uma coisa a melhorar a médio prazo. 

Alentejo_Junho_Maq-8.jpg

As Berlengas lá atrás

 

vistas alentejo.png

 

Depois sim, rumamos até Milfontes, onde ficava o nosso hotel - As Três Marias, conforme já contei aqui. Visitamos várias praias (pelo menos aquelas com acessos minimamente decentes) e tentamos encontrar aquela que estivesse mais protegida do vento, para podermos tomar um banho. Escolhemos a Zambujeira no Mar, que tem toda uma arriba que nos protegia daquelas rajadas do diabo. E se cá em cima estava frio, lá em baixo estava um pequeno forno, mesmo com os singelos 22ºC de temperatura que se faziam sentir. Foi o primeiro mergulho do ano e soube pela vida!

Ainda fomos a Porto Côvo (enquanto ouvíamos o Rui Veloso no carro, obviamente) e demos outros passeios pela costa, meios à deriva e a ver até onde as estradas nos levavam. Não tínhamos grandes horas nem planos, por isso fomos à descoberta. Também por isso acabo por não conseguir precisar muitos dos sítios por onde passamos.

Alentejo_Junho_Tlm-72.jpg

Na Zambujeira da Mar

 

Alentejo_Junho_Tlm-77.jpg

 

IMG-20190609-WA0028.jpg

No dia da vinda, em que tínhamos pensado fazer praia, acabamos por mudar de planos e ir até ao Badoca Safari Park. A verdade é que podemos ir à praia muitas vezes, mas não é todos os dias que estamos a lado do único safari em Portugal. E eu adianto-me já e ponho as fichas na mesa: fiquei muito desiludida.

Arrependi-me mal cheguei, quando vi uma fila enorme só para comprar os bilhetes. Aliás: arrependi-me amargamente quando percebi que ela não andava. Demoramos 40 minutos só para comprar as entradas, o que acho absurdo e inaceitável. O sistema de filas era muito confuso, as funcionárias não punham ordem (havia ultrapassagens, a fila prioritária era usada indiscriminadamente) e dava logo vontade de atirar a toalha ao chão. Mas sobrevivemos.

A questão é que lá dentro não foi muito melhor. A única coisa que se safa são, precisamente, os animais - que também não são muitos. Cadê os leões e os tigres e essas coisas todas que se deviam ver na selva africana? As placas informativas sobre as espécies, quando existiam, estavam muito degradadas, tornando muitas vezes impossível a leitura; muitos dos animais estavam sozinhos; algumas das proteções eram mal pensadas, sendo quase impossível perceber que bichos é que viviam em cada espaço; a ilha dos primatas, para além de ficar longíssima, é deprimente - os animais estão tristes, a água à volta completamente suja e choca e a própria visibilidade para as ilhas era má, não sendo bom nem para eles nem para quem visita. Isto para não falar do próprio safari! Acho que nunca snifei tanto pó e tanto cheiro a gasolina de uma só vez. O guia do safari era muito simpático, é uma experiência gira, mas as condições em que é feito deixam muito a desejar. Pontos altos: a proximidade com as girafas (o animal mais bonito que vi, de uma imponência inacreditável), as jaulas abertas dos pássaros, em que é possível a interação com eles e um sentimento de proximidade maior que o normal e, claro, os suricatas. Adoptava um, já, já, já! 

TRÊS MARIAS (3).png

TRÊS MARIAS (2).png

De resto, fica a vontade de voltar e ver tudo o que ficou por visitar ❤️ Mas voltar. Sempre.

 

Onde ficamos: em Óbidos, na Josefa d'Óbidos - é uma antiga hospedaria, remodelada em algumas partes, mas que não merece as 4 estrelas que lhe foram atribuídas. Os quartos de banho precisavam de uma reforma e o pequeno-almoço merecia mais. O aspeto exterior é mau, mas o interior é melhor, por isso não se assustem. A localização é muito boa. Já em Vila Nova de Milfontes ficamos no Três Marias, que mereceu um post meu, que podem ler aqui.

Onde jantamos: tivemos sempre muita dificuldade em arranjar onde jantar, não por falta de oferta, mas por estar tudo cheio! Convém pensar no assunto e reservar com antecedência. O jantar em Óbidos foi razoável, no Jamón Jamón; o melhor foram, de longe, os croquetes de alheira. O polvo assado que comemos depois também estava bom, mas não era nenhuma especialidade. Em Porto Covo jantamos na Taska do Xico um bom peixe grelhado, em Milfontes fomos a um dos restaurantes mais conhecidos (Porto das Barcas), onde acho que elevamos demasiado as expectativas e o preço foi um bocadinho puxado. A maior surpresa foi num restaurante a caminho da Zambujeira do Mar, a Barca Traquitanas, onde comemos uma massada de peixe de bradar aos céus! Tínhamos passado pelo restaurante, não demos nada por ele, mas acabamos por voltar... e valeu tanto a pena. Ainda hoje sonho com aquilo, foi mesmo o petisco que marcou todas as férias, aconselho vivamente.

11
Jul19

Há um ano estava nos Açores

Há uns dias perguntaram-me qual o destino do mundo, para onde tinha viajado, que mais tinha gostado. Eu respondi: "para além dos Açores?".

Acho que isso diz tudo.

Há precisamente um ano eu estava na ilha, sem saber que me esperava uma das melhores semanas da minha vida. É difícil explicar a importância que aqueles dias tiveram para mim. Foram a recolha de um conjunto de provas que eu precisava para comprovar tudo o que dizia até ali: que podia viajar sozinha, que me safava sozinha. Que podia ser feliz sozinha. E fui.

Não houve uma pinga de solidão naqueles dias. Percebi que era assim porque sabia que quando voltasse ia ter uma série de braços abertos para me receber, estrafagar e apertar com mimos. Porque sabia que estava sozinha ali, mas não estava só. E o concretizar dessa dicotomia, que me perseguiu durante tantos e tantos anos, foi o equivalente a um respirar de alívio. Pude desfrutar de mim mesma - sem o stress de querer agradar aos outros, de fazer a vontade aos outros, de ter outros na equação. Foi a sensação de liberdade mais profunda que senti até hoje - uma mistura que, hoje vejo, também tem muito de egoísta. Mas é o que é. Sou assim. Fiz as pazes comigo mesma naquela terra, aceitei-me. E acreditei em mim mesma, em tudo aquilo que dizia e que queria. Ganhei forças para este ano que passou - e que tanto exigiu de mim - e sinto que fui buscar muito àquelas paisagens e àquele silêncio. E, acima de tudo, muita vontade de voltar.

Por tudo isto, os Açores terão para sempre um significado especial para mim. Hei-de sempre falar das ilhas com um brilhozinho nos olhos, de quem se sente eternamente grata pelas coisas mais bonitas que viu na vida. Por tudo o que aprendeu. E por toda a paz que absorveu. Sou hoje uma pessoa mais feliz por ter lá ido.

 

Açores_cam (40).jpg

22
Jun19

Um mar de calmia em pleno Alentejo

No início do mês realizei um desejo que já tinha há muito: ir ao Alentejo. Passo sempre esta região de rajada, ignorando-a por completo devido a uma vontade cega de chegar ao destino do costume: o Algarve. Mas desta vez fizemos daquele sítio o nosso destino e lá fomos nós, país abaixo, prontos para uns dias de descanso.

Não descansamos muito, porque parecíamos baratas tontas a querer ver as praias, as vistas e tudo o que a natureza tivesse para nos eferecer. Conto todos os locais por onde passamos e o nosso itenerário num próximo post, porque agora quero só falar do sítio maravilhoso que nos acolheu durante aqueles dias, em Vila Nova de Milfontes. Um local pautado pela cor branca, pelo simplismo e, acima de tudo, pela calmia.

O Três Marias, turismo rural, era tudo o que eu precisava nesta fase mais louca da minha vida. Adorei o espaço, a filosofia e a decoração. Mais: adorei o facto de acolherem uma avestruz, ovelhas e... três burros naquela quintinha, que se passeavam calmamente por lá enquanto tomávamos o pequeno-almoço! É caso para dizer que este hotel foi feito a pensar em mim ;)

Tinha ficado com o espaço debaixo de olho depois de o ter visto num blog e correspondeu a todas as expectativas que tinha sobre ele. É, literalmente, um sítio para se descansar. Para se ouvir o vento a correr nas árvores e a ver as estrelas no cair da noite. Onde o único trânsito que existe é no ar, onde as andorinhas fazem corridas para chegar primeiro às migalhas. Onde nos apetece falar baixinho para não interromper o estado de calmia em que estamos todos mergulhados. Onde não há televisão – nem no quarto nem na sala comum. É mesmo um retiro da sociedade – ou, para lá chegar, não tivessemos de percorrer dois quilómetros de terra batida!

O nosso quarto era uma mezannine, com um sofá em baixo e o quarto e a casa de banho em cima. Vivia dos detalhes: a cama protegida por uma rede mosquiteira, num cenário mega romântico-fofinho; as portas feitas em tábuas de madeira, que davam um ar rústico a todo o espaço; o chão aquecido na zona da casa de banho; a chaleira e as chávenas prontas para servir um chá. Tudo perfeito. Para mim só faltava uma coisa para ser algo do outro mundo: uma piscina, para uma pessoa não ter de fazer mais do que uns metros para poder estar de papo para o ar e aproveitar as maravilhas do mundo rural.

Adorei o pequeno-almoço, não muito grande mas com comida muito fresca (como um bolo quentinho, acabado de sair do forno) e toda a simpatia das pessoas. Tive pena de não jantar lá, pois creio que a comida devia ser tão caseira como nas nossas casas – e, pelo que li, onde se promove o convívio entre os hóspedes, numa mesa grande onde todos se sentam tal e qual uma grande família.

À saída peguei num cartão, nos postais que têm à disposição de quem lá fica e prometi voltar. Gostava muito de conseguir cumprir essa promessa.

 

TRÊS MARIAS (1).png

TRÊS MARIAS.png

Pesquisar

Mais sobre mim

foto do autor

Redes Sociais

Deixem like no facebook:


E sigam o instagram em @carolinagongui

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Leituras

A ler:



goodreads.com


2019 Reading Challenge

2019 Reading Challenge
Carolina has read 1 book toward her goal of 12 books.
hide

Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

Ranking