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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

20
Nov17

Viver num mundo de beijinhos, passou-bens e acenos

Nos últimos meses, por questões de trabalho, tenho vindo a conhecer mais pessoas do que o normal. Aliás, muitas vezes nem é conhecer, as pessoas são-me simplesmente apresentadas: "muito prazer" para trás e para a frente, "foi um gosto, até à próxima" e adeus. Mas quer sejam situações em que falamos mais com as pessoas e passamos a conhece-las e até conviver com elas ou simplesmente apresentações mais formais, há sempre uma questão que se coloca: como é que cumprimentamos alguém no primeiro contacto? Beijinho, passou-bem ou um simples aceno de cabeça?

Eu acho que neste tipo de coisas cada um cria as suas próprias regras - o pior é que as regras nem sempre coincidem e algumas situações tornam-se um tanto ao quanto desconfortáveis: um dá a mão e o outro já tem a cara estendida para um beijo; ambos já têm o cumprimento de mão dado mas, naquele impasse, ainda dão um beijo por cima enquanto as mãos estão juntas; há uma hesitação estranha tipo vai-não-vai e fazem apenas um ligeiro aceno de cabeça e um trejeito com a boca como quem diz "foi quase, não percebi o que aconteceu, mas foi estranho"

Eu sou pouco dada a toques e a intimidades por isso a minha primeira reação é sempre estender a mão - pelo menos no que diz respeito a homens. Penso que em mulheres está muito universalizado o beijinho - resta saber se é um ou dois, o que ainda vem tornar toda esta questão mais complexa - e só não o faço quando percebo que há um distanciamento maior do que normal ou quando são de outras culturas ou religiões que entendo que não têm o hábito de dar a cara logo à partida. Mas nos homens é que está o busílis da questão.

Acho que é lógico para todos nós que um beijo é mais íntimo que um aperto de mão - e, por isso, eu opto quase sempre pelo passou-bem. Mas há outra questão deveras pertinente: a higiene. Apesar de nos parecer mais "próximo" cumprimentar alguém de beijo, e embora possamos pensar na quantidade de germes que por ali andam e em "quantas bocas e sítios é que esta boca já passou?", a verdade é que apertar a mão é provavelmente menos higiénico, uma vez que é a nossa ferramenta para tudo nesta vida: para nos apoiarmos nos corrimões, para tirarmos o dinheiro do bolso, para fazermos festinhas aos cães ou - aquilo em que todos pensamos - irmos à casa de banho (e depois não lavarmos as mãos).

Apesar disto, a questão "intimidade" costuma-me pesar mais e eu não dou grandes hipóteses: mal vejo a pessoa já estou de mão em riste. Mas por vezes noto que não era aquilo o esperado ou que estranham o facto de uma mulher dar um passou-bem de forma tão convicta. Mas o mais engraçado é que, se for o caso de ter uma conversa, um jantar ou algo mais próximo, já me é natural deixar que se despeçam com um beijo. E quando saio deste tipo de situações dou sempre por mim a pensar "o quê que mudou nesta hora para já passar de um comportamento para o outro?". A verdade é que eu acho que mudou muito pouco: apenas nos habituamos à presença uns dos outros, o que não quer dizer que não continuemos a ser estranhos. Mas tudo isto não se colocaria se, simplesmente, tivéssemos dado dois beijinhos à partida.

Da mesma forma que há um livro de estilo nos jornais, um livro de marca para as empresas ou um livro de instruções para os eletrodomésticos, devia acontecer o mesmo connosco - ...pelo menos em algumas situações. Isto de viver numa sociedade com beijinhos, passou-bens e acenos é muito complexo.

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