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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

29
Abr18

A moda mede-se aos palmos

Carolina

Já há vários anos que prefiro fazer compras online do que em lojas físicas. Tudo nos espaços "reais" me cansa: a música alta, os amontoados de roupa, os "estímulos" vindos de todas as formas, cores e feitios, ter de encontrar o meu tamanho no meio de 32 peças expostas (ou então ter de esperar que vão buscar a peça ao armazém), as filas para pagar, as luzes dos provadores que me deixam lívida, gorda e com olheiras tipo panda, as pessoas à minha volta, o excesso de escolha... enfim. Acho que tudo, honestamente. 

Há dois anos para cá devia fazer cerca de 80% das minhas compras de forma virtual. Não punha os pés nas lojas, excepto para devolver essas mesmas roupas que tinha comprado. E foi esse "detalhe" - o de constantemente devolver as roupas - que fez com que a percentagem de peças que compro online reduzisse de forma considerável e eu voltasse às lojas, ainda que de forma muito relutante. Porquê? Porque a moda tornou-se desproporcional e inconstante e as marcas não conseguiram traduzir a experiência real para o online. 

O quê que isto quer dizer? Que já não há roupas que sejam feitas para se ajustar ao corpo, para cair bem; são feitas para um determinado estilo - ou largo, ou boyfriend, ou girlfriend, ou reto, ou skinny, ou sei lá mais o quê. O tamanho M de uma camisola pode ser igual ao tamanho XS de outra. E por isso costumo dizer que agora a moda se mede aos palmos. O conceito de culottes ou de corsários já mal existe: isto porque agora 80% das calças são para ser usadas acima do tornozelo - falta-lhes um palmo de tecido em baixo. As camisolas da moda, "cropped", ficam a meio do umbigo - algo compensado pela largura imensa da camisola, onde quase dá para meter dois torsos lá dentro - um palmo a menos num sítio, um palmo a mais noutro. Isto para não falar de conceitos híbridos como camisolas caviadas mas com gola alta, onde a medição de "palmos" já nem se aplica.

Se este estilo de moda é mau? Para se manter durante todo este tempo, não deve ser considerado mau pela maioria. Já eu, detesto. Não percebo a lógica da maioria das roupas porque, como a maioria das pessoas (embora elas pareçam não o saber), não tenho corpo para usar a maioria daquelas peças. Eu não tenho uma barriga com os abdominais definidos para usar aquelas camisolas e, por azar meu, não tenho tornozelos bonitos para mostrar ao mundo. Isto faz com que mais de metade das roupas que se vendem não me fiquem bem. Tirando todas aquelas que eu não gosto (pelo corte, pelo padrão, pelos adornos), a escolha fica efetivamente pequena.

E tudo isto piora porque os sites não estão bem construídos. Os tamanhos não são padronizados, o corte das peças não é explícito, não se percebe o tamanho das peças. Há lojas online que já disponibilizam o tamanho da modelo e o tamanho da peça que ela usa - o que já ajuda a ter uma percepção melhor das coisas - mas tudo devia ter medidas, visualização das peça em 3D e, acima de tudo, os mesmos tamanhos. Fico fora de mim quando, na mesma loja, me servem umas calças 38 e outras 42. Não entendo. E é lógico que isto nunca vai funcionar para um cliente online, que não adivinha o que se passou na cabeça de quem fez os moldes.

Acho que há um caminho gigante a percorrer por parte das marcas de moda, no que ao online diz respeito. Quanto ao gosto das pessoas, pouco há a fazer. Sei que vou ter de continuar a levar com roupa que se mede aos palmos.

08
Jan18

Os vestidos dos Golden Globes (ou um exercício de má língua)

Carolina

Confesso: este ano eu não ia fazer este post. Já não sei se as pessoas gostam, se ainda acham piada, se já passou de moda... e eu, por outro lado, estou cansada e, pensava eu, desinspirada demais para isto. Amanhã trabalho, nem sequer vou ver a gala em direto e achei que já estava velha para estas andanças. Mas estava a escrever textos aqui para o blog quando me começaram a aparecer imagens no feed com os primeiros looks e acabei por ir escrevendo aquilo que me passava pela cabeça. Cheguei a um ponto em que pensei: "vou deixar estes comentários morrer aqui?". E pronto, cá estão eles.

Disclaimer: Para quem é novo por aqui, deixem-me fazer um alerta: se quiserem ver isso desta perspetiva, isto é um alter-ego da minha pessoa. Duas vezes por ano dou-me ao luxo de ser desagradável, gozona, sarcástica e irónica. Não sou assim todos os dias, não sou assim na vida real. É só uma graça que tenho por costume fazer, que as pessoas gostam de ler e que se tornou num exercício anual de má língua. Não levem nada demasiado a peito.

 

P.S. Para quem não sabe, todas (ou quase todas) as estrelas foram de preto, num protesto contra a discriminação e o assédio sexual nos meios de trabalho (e tudo o resto, diria eu). Daí a falta de cor nesta passadeira.

 

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“Cansei de ser gira. Cansei de ser magra. Cansei de ser alta. Cansei destes braços tonificados. Vou usar um vestido que me disfarce isto tudo”, disse a estrela do Outlander, Caitriona Balfe. E conseguiu.

 

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Não, Heidi. O Cisne Negro já estreou há sete anos, foste buscar o vestido errado.

 

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Episódio de terror para qualquer estrela de Hollywood: está no carro à espera para chegar à passadeira, anda a passear pelo instagram e vê que outra pessoa tem um vestido igual ao dela (a Heidi, malvada!). Ativa o plano de emergência: busca os restos do pano usado no vestido e, com uns colchetes, prega-o à cauda, qual vestido de noiva. E voilà. (Fora de brincadeiras… é um Giambattista Valli, tenhamos respeito! Entre este e o da Heidi, a Heidi bem que pode voltar para os campos verdejantes da Alemanha)

 

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Kelly, querida, a gala deste ano é em protesto contra o assédio sexual em Hollywood, não era uma homenagem a todas as pessoas que usam próteses de ouro nos membros superiores.

 

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Não fui ver ao Wikipedia mas, pela cara, a Catherine Zeta-Jones deve estar já com uns 423 anos. Não vou avaliar o vestido: com esta idade, já não se tem discernimento para avaliar o feio e o bonito. De qualquer das formas, o corpinho é nota 20. (Se com 1/5 da idade dela eu estivesse assim… upa upa!)

 

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Sarah Jessica Parker a reciclar um qualquer vestido piroso de Sex and the City, colocando alguns adereços medonhos de um filme do Tim Burton. O princípio é bom, mas não resultou.

 

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Estou solidária com a Alicia: tal como eu, a rapariga está com problemas de fígado e foi um bocadinho enjoadita para os Globos. Ou então está grávida, o que também explica o ar conservador e o cabelo à freira. Depois da festa veste uma jaqueta para esconder as costas mais arrojadas e vai à igreja ali ao lado confessar os pecados que anda a cometer com o Fassbender. (PS1: apesar de tudo, eu gosto do vestido). (PS2: eu também pecava pelo Fassbender).

 

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A ideia é gira… mas naquele passado longínquo em que as estrelas usavam roupas com cor na passadeira, já a Emma Watson vestiu uma coisa parecida. Ainda assim, it’s a win for me. (Alison Brie)

 

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Tal como aconteceu com a Kendal Jenner, também Christina Hendrick se viu num percalço de última hora relativamente ao vestido da Alison Brie e oupa, vai pôr a parte de cima com parte do poncho de veludo da avó, muito na moda nos anos 50.

 

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É fixe saber que a Angelina consegue vestir o papel de rainha da festa sem ter de mostrar o decote ou o pernão. Dá-me esperança para o futuro, percebem? (#lontra) Tudo isto se esquecermos o facto de que aquelas mangas vão ficar todas sujas com a sopa da entrada e as migalhas do pãozinho, mas nada que um aspirador não resolva.

 

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Sarah Paulson e Amanda Peet levaram aquele mantra do “we stand together” demasiado a peito e vieram coladas para os globos.

 

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Achei graça a este macacão da Alexis Bledel, por ter um branquinho que se destaca do negrume desta passadeira. Tirava-lhe aquele pedaço de pano brilhante que ficou ali agarrado à cinta mas, fora isso, tem aqui a aprovação da je.

 

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Quem me segue sabe que eu adoro The Crown e eu esperava ansiosamente pela chegada da Clare Foy. Parece que, de tanto ser rainha, se cansou dos vestidos. Compreendo, até gosto, mas nunca é novidade.

 

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Da edição os-dragões-da-Daenerys-rasgaram-me-o vestido-mas-o-penteado-sobreviveu. (Gwendoline Christie, de Game of Thrones)

 

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E da edição os-dragões-da-Daenerys-tentaram-rasgar-me-o-vestido, mal-conseguiram, mas-o-cabelo-não-aguentou. (Lena Headey, de Game of Thrones)

 

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Não, Halle... vieste para o evento errado. Este não é um casamento de praia em modo gótico da tua melhor amiga.

 

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Se bem se lembram, a Lily James fez de Cinderella. Agora passou claramente para o dark-side e foi engolida pelas trevas.

 

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Sempre igual, mas sempre classy, esta Reese Witherspoon.

 


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Sou só eu que vejo meia clave de fá no vestido da Jessica-inssosa-Biel ou é o piano a afetar-me demais os sentidos?

 

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O vestido não é nada do outro mundo, mas achei que o facto da Octavia Spencer ir bem vestida era digno de nota.

 

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 Gosto da Mandy Moore, gosto da ideia de vestido e do bocadinho de cor... mas acho que está aqui visto que há um mercado sedento de ferros de engomar na América. Rowenta e Philips desta vida, atentem ao que vos digo.

 

13
Dez17

Review da semana 22#

Carolina

Os novos bodies com caxemira da Intimissimi

 

Acho que toda a gente já sabe que eu sofro horrores com o frio - aliás, eu sou provavelmente a blogger da história que mais escreveu sobre coisas relacionadas com este tópico. Para além de me queixar do meu sofrimento graças a temperaturas aparentemente amenas ou "só-frias" que me parecem negativas, também já escrevi muito sobre a moda que não respeita as pessoas friorentas ou simplesmente sobre gadgets e produtos que foram feitos para pessoas como eu.

Tenho evitado vestir-me com 31 camadas de roupa, escolher casacos bem quentes e acima de tudo relaxar - há cerca de um ano vi um vídeo que dizia que uma das coisas que faz com que sintamos ainda mais frio é o facto de estarmos sempre muito contraídos e encolhidos, pelo que devíamos fazer exatamente o contrário. E apesar de ser difícil - eu já "sou" naturalmente encolhida - tenho tentado e, de facto, é algo que funciona. Mas não faz milagres, por isso a roupa é mesmo a arma mais forte que tenho contra este flagelo digno do pólo norte.

Também no ano passado comecei a usar bodies, clássicos, de manga caviada, para tentar contrariar o frio. É uma óptima solução para não termos de pôr uma camisola extra por debaixo do camisolão, mas a falta de mangas e o conforto das rendas e daqueles materiais mais abertos não é igual ao de uma malha. De qualquer das formas, é óptimo para nunca termos pele de fora - não há sensação mais horrível do que baixarmo-nos para apanhar qualquer coisa, as camisolas subirem e ficarmos com as costas expostas e disponíveis para congelamento imediato.

Mas este ano descobri um 2 em 1 magnífico: os novos bodies de modal e caxemira da Intimissimi. Confesso que foi através de um anúncio que vi na televisão - é verdade, nós bem que os tentamos evitar, mas eles ainda funcionam - e pouco depois fui lá a loja experimentar, para ver se de facto era tudo aquilo que apregoavam. Desenganem-se: os bodies não são de caxemira! Há uma diferença entre "ser de caxemira" e "ter caxemira" e esta peça inclui-se no segundo caso: o que não deixa de ser óptimo. O toque deles é muito macio, muito leve e fino, mas têm uma boa capacidade de aquecimento, sendo muito confortáveis e não nos deixando com aquela sensação de sermos uns pneus ambulantes. São todos de manga comprida (yey!) e há versões de gola alta e gola redonda - e ainda há, penso eu, umas camisolas feitas com a mesma malha. Só peca pela falta de cores claras, para funcionar em perfeição com todas as peças: só tem preto, azul marinho e cor de vinho.

Vou esperar que isto seja um best-seller de vendas e que eles passem a fazer diste um clássico, com todas as cores e mais alguma, tal como têm as cuecas e os soutiens. Se assim for, têm aqui uma fã incondicional.

 

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17
Jul17

Calças, calças everywhere (ou #contraextinçãodasmumjeans)

Carolina

Passo a minha vida a passear-me entre rádios em busca de alguma música que goste, por isso já nem sei bem dizer em qual delas é que ouvi uma das animadoras a dizer que uma fashion advisor fez uma lista com uma série de coisas que todos tínhamos imediatamente de parar de usar. Liguei tanto àquilo que só me lembro de duas delas: a primeira eram leggings, a segunda eram mum jeans.

Não me vou meter na discussão das leggings – muito poderia ser dito aqui sobre esse tópico, mas nem sequer sou grande pessoa para opinar porque só as uso para ir ao ginásio (e como não vou ao ginásio, não as uso…). Mas falar nas mum jeans é tocar-me na ferida! Isto das opiniões relativamente à moda tem muito que se lhe diga e estas listas dos “must-have da estação” ou do “livre já o seu armário destas peças” fazem-me um bocado de espécie.

Primeiro porque só quem tem um poder económico alto e uma paciência de santo é que renova o roupeiro segundo cada estação e segundo porque há milhões de formas de conjugar as coisas e até de fazer com que as peças mais horrendas resultem em coisas visualmente aceitáveis. É tudo uma questão de gostos e estas medidas “restritas”, a mim, tiram-me do sério e não deviam ser levadas a peito só porque é uma fashion advisor que as diz. Se fosse eu, diria para se abulir o roxo de todas as roupa; ou tirar as culotes do mercado. Mas são gostos e tenho de admitir que há quem goste e que até existem pessoas a quem aquilo fique bem.

Mas voltando às mum jeans: foram as minhas salva-vidas. Já escrevi aqui que detesto comprar calças, é um verdadeiro suplício. Eu sou a receita perfeita para grande parte das calças me ficarem pessimamente: pernas e coxas gordinhas, anca larga e, para ajudar à festa, um tornozelo inchado (o que é importante, principalmente hoje em dia, em que falta um palmo em quase todas as calças existentes no mercado). Por isso, sempre que eu começava a ver que precisava de comprar esta peça de roupa, até tinha suores frios.

Até virem à baila às mum jeans. Para quem não está dentro da nomenclatura, estas são calças de cinta bastante subida e com a perna mais larga, afunilando um bocadinho em baixo (mas não exageradamente, como as skinny jeans). E para mim, esta moda foi a descida do céu à terra. Só eu sei como sofri durante todos aqueles anos em que apenas se vendiam skinny jeans e calças de cintura baixa. Eu posso usa-las (e usei-as, que remédio), mas tenho a perfeita noção de que não me ficavam bem. E uma das coisas que mais me irrita na moda é isto: criar as coisas, massifica-las e esquecerem-se de que a grande maioria das mulheres não têm aquele típico corpo de modelo em que tudo parece assentar na perfeição. Portanto a diversidade que existe hoje nas lojas – e falo ao nível dos jeans – é o que devia existir sempre.

Mas eu sei que na realidade não é assim, que a moda é imprevisível e que daqui a um par de anos ora só se usam calças à boca de sino ou se volta outra vez para as ultra skinny jeans. Por isso, para me precaver, tenho-me abastecido de jeans para os próximos anos. Se encontrar umas que gosto, que vestem bem e com uma lavagem que não tenho, nem sequer penso muito: trago para casa e está o negócio fechado.

O objectivo é funcionar quase como a Arca de Noé: quando, no mundo, já só existirem calças que só me servem nas orelhas ou e ficam para lá de mal, ainda posso contar com o meu baú pessoal de jeans, salvas no tempo em que as havia em bom e em abundância. #contraextinçãodasmumjeans

30
Jan17

Uma colheita de vestidos fabulosa nos SAG Awards

Carolina

Hoje acordei, abri um olho e enquanto acordava e não acordava, fui passeando pelo facebook. Dei de caras com um artigo da Vanity Fair sobre os SAG Awards, que aconteceram ontem, e mesmo acabadinha de acordar e com apenas metade do cérebro a funcionar percebi logo que ia ter de comentar alguns daqueles trapinhos.

Acho que já o ano passado isto aconteceu - deparei-me com tanta tragédia que não consegui ficar calada. Este ano também apareceram por lá algumas coisas com piada e, nestes tempos que se vivem, não podemos desperdiçar nem que seja um singelo sorrisinho. Tenho para mim que a moda está tão louca que, hoje em dia, o que se vestir pior e causar mais choque é quem leva o prémio para casa. Só isto explica as passadeiras dos maiores eventos do mundo no último par de anos. Mas bom, aqui ficam as ventimentas de ontem:

 

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 Emma Stone num Alexander McQueen. A verdade é que este era um vestido vintage da sua avô - algo que se nota nos detalhes e bordados florais. Mas ao longo dos anos a traça acabou por dar cabo do lado esquerdo da peça, ainda que o valor emocional se tenha mantido intacto. Por isso, em tom de homenagem e confronto de gerações, Emma veste uma peça pesadíssima e quente do lado direito e, do lado esquerdo, saiu à rua apenas com um body da Intimissimi para arejar.

 

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 Brie Larson sem qualquer dó e piedade para com as pessoas com transtornos obsessivo-compulsivos. Aposto o que quiserem que a minha mãe, só de olhar para esta fotografia, está com suores frios. Quer dizer, até a mim, que nem sou contra assimetrias. Mas aqui a questão é mais grave: o vestido está TORTO. Tor-to. E faz com que toda ela pareça torta. E isso não é fixe.

 

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 Kerry Washington pediu um vestido da Micaela Oliveira emprestado a Cristina Ferreira. Bem me parecia que já tinha visto isto n'A Tua Cara Não Me É Estranha.

 

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 Sofia Vergara, és tu? Cadê as transparências? Cadê o corte sereia? Cadê os decotes até ao umbigo? Agora deste numa de colegial e passaste de gata-sexy-arrasadora a menina-de-repa-ao-lado-e-vestido-curto-em-ocasião-de-gala?

 

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Não é difícil perceber a inspiração do vestido de Nicole Kidman, pois não? Até os olhinhos de carneirinho mal morto estão lá. Atentar também aos pormenores de cor naqueles ombros, inspirados nos detalhes dos "ombros" do pássaro. Liiiiiiiindooo. #sqn

 

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 Natalie, querida, muito bem que podes não ser uma daquelas grávidas que gosta de ter a roupa justa à barriguinha, mas também não era preciso teres ido ao Museu do Traje buscar mommy-wear do século XIX, não é verdade?

 

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 Eu juro - mas juro mesmo! - que fui pesquisar o nome desta rapariga (que, para também quer saber, se chama Taryn Manning) porque pensei sinceramente que ela era aquela que fazia o iZombie. Achei de facto estranho que continuasse a encarnar a personagem de forma tão evidente numa passadeira, mas depois percebi que era outra senhora e que foi apenas reviver um pouco da sua fase gótica da adolescência.

 

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Pergunta para um milhão de euros: qual foi o livro que Julia Louis-Dreyfus leu durante as férias de Natal?

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Pior que ter um vestido medonho, é ter um vestido medonho com uma espécie de buraco no sovaco e ainda fazer uma pose sexy para mostrar.

 

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 E acabamos assim. O vestido é péssimo, mas não vou por aí. O pior é mesmo o penteado inspirado na última esfregona da Vilada.

19
Jan17

Podemos falar do flagelo das calças rasgadas?

Carolina

Já vos contei várias vezes sobre o drama que é eu arranjar calças de que goste. Não vale a pena repetir a lenga-lenga toda de novo, por isso acreditem simplesmente no que vos digo: comprar calças comigo é dramático, um inferno na terra. Não gosto de nada, sou esquisita, acho que tudo me fica mal - e quando não fica hei-de arranjar outro defeito.

A moda tem muitos males (e agora que trabalho no meio dela, descubro cada vez mais), mas um deles é estar em permanente mudança e esquecer-se que os corpos não mudam (e que alguns gostos também não, uma vez que há gente que não muda de opiniões ao sabor das modas). Há uns anos não se via mais nada nas lojas para além de skinny jeans: o que, para alguém como eu, que tem pernas gordinhas, era horrível. Se eu agora acho que é um drama comprar calças, naquela altura era o apocalipse. Há coisa de um ano voltaram as calças de cinta subida e aí eu rejubilei - acho que naquele período de meses comprei mais calças do que nos cinco anos anteriores.

E depois alguém teve a brilhante ideia de começar a rasgar as calças todas, como se todos tivéssemos tombado num degrau e esfolado não só o joelho como a perna toda. E a única pergunta que se impõem aqui é: "porquêêêêêê?". Porquê que 80% das calças vendidas em lojas fast-fashion têm rasgões? Na minha altura (vêem como estou velha?) as calças que se rasgavam tinham duas saídas: 1) iam para deitar fora ou 2) cosiam-se ou colocavam-se remendos, com aqueles bonecos "colados" com o ferro de passar a roupa. E agora, para além de se andar com os jeans todos rotos (às vezes mais rotos que inteiros, diga-se de passagem), ainda se paga por eles virem todos estragados. Não cabe na cabeça de ninguém.

Mas bom, eu sei que nesta coisa das modas não há nada a fazer - é sentar e esperar que passe. A questão é que eu gostava mesmo de comprar calças - decentes, sem "decotes". E a minha solução é a seguinte: se fazer DIY (do it yourself) está tão em voga, porque não juntar o útil ao agradável e, por cada compra de calças de ganga, vender um "ripador" de jeans e um conjunto de instruções sobre "como rasgar as suas calças da melhor forma para ficar na moda"? Assim ficávamos todos felizes: aqueles que ainda têm juízo e compram calças completas, aqueles que gostam das calças rasgadas conforme se vendem e ainda aqueles que também gostam das calças cheias de buracos mas preferem rasgões de outras dimensões para além daqueles vendidas em lojas. No meio disto tudo, ainda ficavam a ganhar, por poderem dar aos clientes "aquele" toque de personalização que agora é tão valorizado.

Por favor, pensem nisto.

Assinado: uma compradora desesperada.

 

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(amiga, está frio, não é tempo de andar com os joelhos à mostra...)

09
Jan17

Golden Globes: mais um ano seca na passadeira vermelha

Carolina

Vou começar dizendo uma coisa que todos vocês já sabem: estou velha. Para além do mais, hoje, sinto-me desinspirada. Estava muito animada com o início das passadeiras vermelhas mas à medida que a noite foi passando e que as fotos se iam desenrolado à frente dos meus olhos, percebi que era mais do mesmo: tanto os vestidos como os meus comentários. Para além do mais, em busca da minha má-língua perdida, fui ver posts antigos e vi tantos comentários de gente que não percebe o gozo disto e que leva a vida tão a sério que, subitamente, não me apeteceu ter a trabalheira do costume. 

A verdade é que esta foi uma gala homogénea em termos de trapinhos: para mim, não houve nem coisas lindas nem incrivelmente horríveis. Posto isto, este ano, juntei tudo num só post - sinto que não tenho muito a acrescentar e espero que nos Óscares a inspiração chegue - tanto a mim como às estrelas de Hollywood, que estão claramente a precisar tanto quanto eu.

 

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 Começando em bom: apresento-vos o meu preferido da noite. Mandy More numa cor já mais que vista, num modelo também já conhecido mas muito bonito. Adoro.

 

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Sarah Jessica Parker festeja este ano 20 anos de casamento e, como tal, decidiu renovar os votos nos Golden Globes - na verdade, é essa a única razão para não trazer um véu em conjunto com este vestido de noiva.

 

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Anna Chlumsky na edição anual do clássico não-tinha-mais-nada-para-vestir-por-isso-trouxe-um-lençol. Há, no entanto, que apreciar a qualidade do mesmo: não é toda a gente que dorme envolta em cetim verde. Haja respeito.

 

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Ouçam... eu não posso dizer que a Lilly Collins esteja péssima. Para muitos foi a melhor da noite, eu sei. Tudo o que posso dizer é que está dentro do estilo: imagino que era assim que as senhoras iam vestidas nos Golden Globes... em 1917.

 

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Qualquer semelhança é pura coincidência. 

 

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 Pior do que vir vestida de zebra brilhante, é vir vestida de zebra brilhante e ser fotografada de pernas abertas. Que lady.

 

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 Tenho sempre relações difíceis com os vestidos da Emma Stone - usa normalmente cores pálidas quando ela própria é branca como um copo de leite. Não se pode dizer que o vestido seja feio e muito menos que lhe cai mal - simplesmente parece uma continuação dela. O que não deixa de ser irónico, uma vez que ela é mesmo uma estrela. (Perceberam?)

 

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 Eu acho que já disse isto numa das anteriores galas, mas repito, porque é verdade: querida Kerry, a tua assessora ODEIA-TE. Como é que alguém sai assim de casa? E os três palmos de vestido que faltam ali em baixo? Porquêêêê....?!

 

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 Eu vi este vestido e não percebi muito bem o que se passava. Depois vi o laço e caiu-me a ficha: foi claramente um presente envenenado.

 

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 Sofia Vergara raptou a Jennifer Lopez, sequestrou-a em casa durante a noite e desfilou com o vestido que ela tinha escolhido para esta passadeira. Está explicado.

 

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 Eu acho que o facto de uma das minhas vestimentas preferidas da noite ser um fato já diz muito sobre a insossisse que se viveu naquela passadeira vermelha. Evan Rachel Wood incrível.

 

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 Tenho para mim que quem criou este vestido não era estilista... mas sim um professor de geometria descritiva.

 

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Os vendedores de brilhos e lantejoulas para os lados de Hollywood estão a rejubilar e a esfregar as mãozinhas de contentes: este ano foi só encher os cofres! Este ano houve brilhos para dar e vender, ao ponto dos meus olhos já terem ferimentos de tanta coisa reluzente. Podia dizer que isso é algo bom mas... not really.

 

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 Uma amiga minha disse e bem: a Cláudia Vieira está, neste momento, a tirar a referência deste vestido para usar nos Globo de Ouro, versão portuguesa. Como resistir a mostrar aqueles abdominais conseguidos com muito esforço e três meses só a alfaces?

21
Nov16

Eu, o frio e a minha luta anual com as roupas de inverno

Carolina

Eu sei que esta conversa já é velha e perdoem-me se for repetitiva... mas é que todos os Invernos eu dou de caras com peças ridículas e confesso que fico ofendida por as outras pessoas - comuns mortais de pele, osso e músculo como eu - não terem o frio que eu tenho.

Andava eu a passear na loja online da H&M e os meus olhos bateram nesta camisola (ver foto) que, por sinal, é super gira. Eu adoro camisolas com os ombros à mostra, tenho algumas em modo verão - onde de facto está calor para se ter os ombros nus! - mas, no Inverno...? Então nós temos frio nos braços, na barriga, no peito e os ombros andam ao léu? É que ainda por cima aquela zona do pescoço é das mais sensíveis e qualquer corrente de ar que ali passe é sempre equivalente a um frio polar. 

Eu sei, eu sei, eu sei... quem está na moda não tem frio. Mas eu continuo a não perceber porquê que se vendem tantas t-shirts no inverno como no verão, como é que as calças e muitas malhas não são mais quentes, como é que muita gente só anda aí com uma camada de roupa que muitas vezes não passa de uma camisa fininha e horrorosamente fria. As lojas, da estação quente para a estação fria, só ficam mais guarnecidas de casacos e de algumas - poucas - malhas quentes; de resto, o espólio mantém-se o mesmo, o que me choca um bocadinho.

Eu não entendo, mas juro que gostava - chego a esta época do ano e ando sempre à cata dos camisolões mais quentes e fofos, só quase para ficar com os olhos e o nariz de fora para não enregelar. Todos os anos travo esta luta contra o frio e contra todas estas lojas que ainda vivem num espírito quente (mesmo que esteja a nevar lá fora!) - e todos os anos perco.

Por falar nisso, até já levei uma mantinha para o trabalho, que no outro dia estava prestes a entrar em hipotermia. Imaginem-me no computador, no escritório, com uma mantinha pelas costas. Eu sei, sou uma velhota em espírito. E ainda querem que use camisolas descascadas como esta?!

 

CamisolaHM.jpg

13
Nov16

A minha peça de 2016

Carolina

2016 foi o ano em que descobri as camisas. Ou blusas. No fundo, tudo o que seja em tecido, leve e fluído - quer tenha botões à frente ou não. Têm sido a minha tábua de salvação nestes dias completamente bipolares entre frio-calor-frio-calor-frio, porque ponho uma básica de alças por baixo, depois a camisa e ando assim. Nos dias de mais frio posso pôr um lenço fino ao pescoço e tapar-me com um casaco que anda sempre comigo (mulher prevenida vale por duas, já sabem como é) e a questão fica logo resolvida.

Por outro lado, dá-me um ar mais adulto, o que nesta fase da minha vida já começa a dar jeito. A verdade é que tenho uma rotina muito descontraída e consigo planear quase sempre a minha vida no dia anterior, o que me permite prever como vai ser o "dress code" do meu dia; mas principalmente estando na área da têxtil e da moda, não parece muito bem andar constantemente com as minhas t-shirts hiper confortáveis mas coçadas ou com os meus camisolões com borboto, como às vezes (nos dias maus, pronto) ia para a faculdade. 

As camisas/blusas afiguram-se por isso o meio termo perfeito, tanto a nível meteorológico como de dress-code, em que é fácil fazer "upgrades": o primeiro resolve-se pondo casacos e adereços por cima (uma vez que calor, nesta fase do ano, já não tenho) e o segundo trocando por exemplo as sapatilhas por umas botas, tornando o visual mais formal.

Confesso que, até aqui, por não serem nem uma típica roupa de inverno nem de verão, não eram peças que me conquistassem: agora sou a maior fã e tem sido das coisas que mais tenho comprado (e herdado da minha mãe), salvando-me muitas vezes daquela indecisão típica e ajudando-me a responder àquela malfadada questão "o quê que vou vestir hoje?". Estou rendida :)

02
Nov16

Review da semana 10#

Carolina

Os "footies" da Primark

 

Que eu sou uma friorenta do pior já todos sabemos. Mal vem um bocadinho de frio já gosto de andar toda encasacada (também porque os casacos são a minha real perdição e acho que tenho uns belos exemplares para mostrar ao mundo), mas a verdade é que nesta época do ano em que faz frio de manhã, está uma caloraça de dia e outra vez frio à noite é bom ter peças que sirvam de meio-termo.

É sempre um filme para me vestir nestes dias; demoro sempre o dobro do que nos dias normais. O drama vai desde a camisola até ao calçado. Pois que, no que diz respeito às camisolas, continuo muito indecisa, mas este ano descobri que gosto de me ver de sapatos. Já tinha comprado uns o ano passado, castanhos, mas tive imensa dificuldade em conjuga-los, pelo que ficaram a maioria do tempo na gaveta; esta estação fiz um esforço para os calçar, passei a adora-los e ainda comprei uns parecidos em preto, para ter sapatos para todo o tipo de roupas. Descobri que são óptimos para este tempo! Mas aqui um grande problema se coloca: e meias? Eu, friorenta, não aguento andar sem meias - até porque me faz aflição estar em contacto direto com o sapato. 

A minha mãe disse-me que tinha uns soquetes da Primark, que eram espetaculares, e eu experimentei e fiquei rendida. Lá fui eu a correr para a Primark, logo ao abrir do shopping para não enlouquecer no meio da multidão, e não tendo encontrado uns iguais às da mãe, comprei outros que ainda gostei mais, em renda preta. São super confortáveis e bonitos e têm uma parte de silicone no calcanhar, para a meia não escorregar: acabam por ser muito mais giros do que aquelas meias de algodão que costumo usar e que eventualmente acabam por ficar com um ar meio desbotado. Também trouxe outras de algodão muito fino, em cor de pele, que também gosto muito - mas estas de renda roubaram o meu coração. 

Já aqui falei várias vezes da Primark e no facto de não ser cliente habitual, por mil e uma razões; no entanto, há certas peças e artigos que acho que vale mesmo a pena. Este é sem dúvida um deles, óptimo para esta altura do tempo bipolar entre frio-quente-frio. Acreditem no que eu vos digo!

 

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