Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

31
Mai18

Um poema da Rupi Kaur por dia, nem sabes o bem que te fazia

Carolina

Não sou miúda de poesias. A única poesia que realmente aprecio é a de Fernando Pessoa (que está duplamente representado no meu quarto, com duas estátuas que adoro de paixão), até porque muitas vezes nem sequer se trata de poesia. Acho que ele tem quadras lindas, sei até algumas de cor, mas foi no Livro do Desassossego que me encontrei muitas vezes em alturas mais tristes. Lembro-me de me sentar no chão, encostada à cama, e de abrir o livro de forma aleatória e de encontrar algo que me acalentasse a alma. Acontecia sempre. Curiosamente, por ter esta forma distinta de o explorar, acho que nunca o li de uma ponta à outra.

Entretanto começaram a aparecer-me no feed do instagram (pelas mãos de Rui Maria Pêgo, caso queiram saber) uns pequenos poemas muito fofinhos, com uns desenhos a acompanhar, que me chamaram à atenção. Eram assinados por Rupi Kaur, aquilo que eu vim a descobrir ser uma “instapoet”. Descobri que ela tinha dois livros (que só depois me lembrei que já tinha visto no Goodreads com ótimas críticas, e penso que até nomeado para aqueles prémios anuais do site) e mandei-os vir pelo Book Depository. E a sensação que eu tenho é que, embora não tenham nada que ver entre si, estes são para mim outros Livro's do Desassossego.

Não que me identifique com tudo – felizmente!, porque há muita dor ali envolvida, nomeadamente devido a uma violação – mas há coisas tão bonitas, tão gerais mas ao mesmo tempo tão concretas, que não há como não nos sentirmos profundamente tocados. A escrita dela é de uma delicadeza incrível e de uma sensibilidade fora do normal. É incrível como parece simples, mas tem tanta coisa lá dentro.

Também já ouvi parte de uma TedTalk dela, mas confesso que não adorei. A forma como ela escreve os poemas é também a forma como ela fala – e o seu discurso está cheio de respirações, suspiros, movimento de mãos e de corpo deveras invulgares, que no fundo dão alma e pontuação a tudo aquilo, mas que não me conquistam no discurso falado. O tema (a violação) também não me prende, por isso não vi até ao fim, mas acho que é de tal forma único que acho que todos deviam ver, nem que fosse um bocadinho, só para ver como é possível ter não só poesia nas mãos, mas também em todo o resto do corpo.

Eu, para já, vou-me ficar pela leitura. O “the sun and her flowers” é, na minha opinião, melhor que o “milk and honey”, mas há coisas lindas em ambos. Para nossa sorte, muito do que lá está escrito está também na internet, por isso basta procurar. Se gostarem muito, façam como eu e mandem vir os livros, que funcionam quase como uma coletânea. Até porque todos sabemos que não há nada que se compare ao cheiro e ao toque de um livro. Os reais. Felizmente, ainda não há cá “instabooks”.

 

9f776f24230926459302455c25acf956.jpg

88197d2bd67106b0ded75aa542380714.jpg

Rupi-Kaur-Best-Quotes.jpg

 

10
Out12

Estou a aprender a não gostar de Fernando Pessoa

Carolina

Eu já escrevi um post sobre isto - não sei há quanto tempo nem onde o escrevi, mas sei que já o fiz. O que, como estão a ver, não me impede de escrever sobre a mesma temática.

Escrever é uma das melhores coisas do mundo, para mim; e eu adoro ler, gosto da minha língua e gosto que, em tempo de aulas, me dêem a oportunidade de conhecer novos autores, aprender a escrever bem e a falar em público. Aprecio, em geral, aulas de português: mas há uma coisa que me irrita solenemente - a análise de poemas.

Não que não goste de poesia, não que não perceba os poemas - mas sim pela forma como são dados. A poesia é algo relativo e não analítico, e irrita-me profundamente que a interpretem de um só modo. Ninguém está na cabeça do autor e ninguém pode afirmar que aquela metáfora significa isto e aquela comparação aquilo; desde que siga uma linha condutora e não caia no ridículo, ninguém me pode dizer que a minha interpretação do poema está errada!

E, para além do mais, chateio-me com a sobreanálise das coisas: não sei bem porquê, mas acho que não devemos pensar demasiado naquilo que está escrito na poesia. É algo que interpretamos interiormente e que digerimos ao longo do tempo, mas que não temos de estar a olhar verso a verso para entender. É algo que se saboreia e desfruta, não algo que se engole só para não provar o sabor.

É por isto que, hoje em dia, vejo a maioria das pessoas a detestar poesia, a não perceber poesia e, acima de tudo, a descartar o mais rapidamente possível um dos nossos melhores escritores de sempre (que é Fernando Pessoa, obviamente). Eu própria começo a sentir uma aversão à análise dos seus poemas, tais as dores de cabeças que me dão e os meus desentendimentos interiores entre as minhas interpretações e as interpretações do livro/professora. Estou a tentar superar a coisa da forma mais leve possível.

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Deixem like no facebook:


E sigam o instagram em @carolinagongui

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Leituras

A ler:



goodreads.com


2018 Reading Challenge

2018 Reading Challenge
Carolina has read 5 books toward her goal of 12 books.
hide

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D

Ranking