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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

26
Jul19

Chávena de Letras - "Estar vivo aleija"

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Sou suspeita: gosto bastante do Ricardo Araújo Pereira. Talvez por isso tenha saído um bocadinho desapontada depois da leitura deste livro, pois senti que conhecia muito daquilo que li: a história das batatas da avó (uma das suas melhores crónicas, para mim), do pão parvamente cortado e outros "clássicos", já dados a conhecer na rádio e noutras entrevistas.

Ainda assim, todas elas são pautadas pela sua piada inteligente, tão característica, e por pitadas de sarcasmo e acidez que dão mais sabor à leitura.

As crónicas são curtas, de fácil leitura - mesmo que o tema não cative (como houve alguns, no meu caso, relacionados com política brasileira), não é um "sacrifício" que dure muito.

É um bom livro para se ir lendo, crónica a crónica, quando nos apetece; ou para ler de fio a pavio, numa boa tarde de verão, enquanto ouvimos interiormente a tão conhecida voz do Ricardo a ler as suas piadas exclusivamente para nós.

 

As minhas crónicas favoritas: "Aquele Momento", "Amor e Batatas", "Curriculum Vitae", "Maus-tratos a Livros", "Chamaram-me um Nome" e "Perigo: Importantes Lições de Vida".

20
Jul19

Chávena de letras - "O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares"

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Já há muito tempo que me tinham aconselhado a leitura d'"O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares", nomeadamente aqui no blog, em alturas em que desesperei por algo que me voltasse a querer reaver os meus bons hábitos de leitura. Fui adiando até um dia comprar o livro... E adiando ainda mais até o começar a ler.

Não sou pessoa de gostar de temas fantasmagóricos e de coisas assustadoras; ninguém me apanha a ver um filme de terror ou a ler sobre espíritos. Não é para mim. E quando li a sinopse deste livro achei podia resvalar para alguma destas temáticas.

Agora percebo que não. Há muito pouco de assustador aqui - pelo menos não mais que nos restantes livros de fantasia - e, pelo contrário, não há falta de coisas ternurentas a que nós agarrarmos. Vejo o porquê de mo terem aconselhado em tempos onde a leitura não esteja a fluir: este é um livro que se lê de rajada, em que a narrativa empolgante é ajudada pelo correr fácil das páginas, a escrita simples e as imagens que fazem acompanhar todas as descrições de criaturas peculiares, remetendo-nos para os tempos de criança, em que a nossa imaginação era auxiliada pelas ilustrações e outros desenhos.

É uma obra boa para ler no verão, que não nos faz querer parar de ler até sabermos o seu desfecho  A história está nitidamente desenhada para ter uma continuação - que, se não me engano, já existe - visto que há, claramente, muitos mundos para explorar neste universo criado por Riggs.

Gostei.

17
Jul19

Chávena de letras - "Se esta rua falasse"

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Os livros da Alfaguara têm o dom de me conquistar pela capa. Este "Se esta rua falasse" não foi excepção. O título também ajudou.

Mas a verdade é que tudo o resto me desiludiu. Não gostos de livros abertos, sem fins claros. Esta é uma obra pura, até dolorosamente pura, que retrata a vida dos pretos na América até há umas décadas atrás; as injustiças, as desigualdades, a diferença de tratamento em relação aos brancos. Algo que, se calhar, dura até hoje - ainda que mais disfarçado. Os paradoxos daquilo que se sente, do que se quer fazer... É tudo tão real quanto confuso.

Em termos da narrativa, foi como se não saísse do sítio. Passaram-se nove meses, entre o início e o fim do livro, excluindo os flashbacks - e tudo parece ter ficado igual. É um tanto ao quanto desmotivante - embora espelhe exatamente aquilo que o livro quer transmitir. A inércia. A tristeza. A incapacidade de fazermos algo.

Não digo que não seja um bom livro. Só não é o meu tipo de livro, algo cuja leitura me dê prazer.

08
Mai19

Review da semana 27#

Charcoil Nose Strip

 

Eu sabia que algures há uns tempos tinha escrito sobre os (pouquíssimos) produtos que uso para manter a pele minimamente decente, já que fui bafejada pela sorte no que diz respeito a espinhas e coisas que tais. Fiquei um bocadinho deprimida ao perceber que esse post a que me referia, escrito "há uns tempos", conforme eu dizia, data de 2014. Medo! No entanto, e apesar de isto me fazer sentir um bocadinho velha, é com algum espanto que constato que ainda uso vários produtos que ali listei.

E hoje venho falar-vos de um upgrade que fiz. Na altura utilizava as clear-up strips da Nivea, para tirar os pontos negros, mas entretanto descobri outro produto que, com o mesmo príncipio, faz melhor. Pus os olhos nele enquanto fazia tempo para arranjar as minhas sobrancelhas no Brow Bar da Benefit, numa loja Sephora, e decidi trazer para casa para experimentar.

Chamam-lhe Charcoil Nose Strip e é muito parecido com os da Nívea: uma banda o para nariz (que também pode ser colocada noutros locais) para "arrancar" os pontos negros; a diferença para o da outra marca é que este é enriquecido com extrato de carvão absorvente e desincrustante (portanto é preto) e vende-se individualmente, e não em packs. 

Não sei se é por ter cor preta e fazer mais contraste com as impurezas da pele, mas a verdade é que eu noto que a pele fica muito mais limpa (e a banda mais suja) com estas clear-strips da Sephora do que com as da concorrência. 

Está longe de ser uma coisa baratucha (custam cerca de dois euros cada, sendo que há muitas vezes promoções e campanhas relacionados com os produtos de marca própria da Sephora), mas a sensação de limpeza imediata que proporciona vale cada cêntimo. Gosto muito e recomendo.

 

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17
Mar19

Quanto mais viajo mais gosto do meu país

Voltei há dias de Munique, numa pequena viagem de duas noites para visitar uma feira. Foi um dejá vù: já cá tinha estado há dois anos, também em trabalho mas noutro papel, e acabei por ficar exatamente no mesmo hotel e percorrer os mesmos caminhos, já bem conhecidos pelas botas que trazia calçadas. Se daquela vez tinha sido um desafio - a minha primeira viagem de trabalho, sozinha, num país que não conhecia e não percebia nada da língua, com o stress de ter de fazer um trabalho que não me era natural e para o qual tinha de me esgotar emocionalmente para fazer bem - desta vez já fui bem mais confortável. Primeiro porque os meus pais vieram comigo (invertemos a situação mais comum e fui eu que lhes apresentei a cidade), segundo porque já sabia ao que ia e terceiro porque, entre estas duas ocasiões já tenho umas quantas viagens e outras experiências no lombo para me dar mais traquejo e sentir mais confortável.

No entanto, acho que quando cá vim pela primeira vez estava tão absorvida pela novidade, pelo stress e pelo cansaço que nem consegui reparar numa série de coisas que numa viagem comum me saltariam à vista. E desta vez, embora só tenha passado pouco mais de um dia na cidade, deu para registar uma série de factos e opiniões sobre Munique... E perceber o quão bom é viver em Portugal.

 

A primeira coisa é, claramente, a meteorologia. Enquanto em Portugal já andamos a sacar os vestidinhos e as camisolas mais finas do roupeiro, lá continua um frio de bater o dente. Penso que a temperatura mínima que apanhamos foi de 3º C., mas a sensação térmica era um par de graus abaixo – tudo devido ao vento gélido que se fazia sentir e que nos rasgava por dentro, independentemente do número de camadas que tínhamos vestidas por cima do corpo. Eu, que sou assumidamente um bambi no que ao frio diz respeito, andava embrulhada até ao nariz, mas nem isso impediu que ficasse gelada até aos ossos. E pensar que já andei de vestido e sem casaco no nosso querido Portugal!

A sensação de segurança é outra das coisas que, ainda hoje, é uma das grandes vantagens do nosso país – mesmo estando cada vez mais na moda e tendo as cidades inundadas de turistas. O nosso hotel era muito perto da Hauptbahnhof (a estação central) – ou seja, um sítio extremamente concorrido, onde se espera encontrar muitas pessoas – mas à noite as redondezas eram um tanto ao quanto assustadoras. Não sei onde é que as mulheres se metem à noite nesta cidade alemã, mas ali não era de certeza – até porque 95% das pessoas que passavam por nós eram homens, e não particularmente com bom aspeto. Sei que, se estivesse sozinha, não me sentiria segura – tanto nas ruas como, por exemplo, nas estações de metro, que se tornam autênticos subterrâneos fantasma depois das 22h.

A pobreza e a prostituição são outra das coisas que, à partida, não associamos à Alemanha, mas que há de sobra. A zona onde fiquei tinha muitos night clubs com meninas pouco vestidas à porta, pedintes por todo o lado, bêbados caídos em cada recanto e homens a aliviarem a bexiga em sítios demasiado visíveis para o meu gosto. Eu, pelo menos, cresci com uma noção de uma Alemanha muito rígida, em que tudo era feito de forma rigorosa; onde se cumpriam as regras, os limites; onde havia um civismo implícito. Não sei se isso nunca existiu ou se é um paradigma que está a mudar, mas senti a diferença desde há dois anos para cá...

Por fim, falar de um detalhe que me impressiona, tendo em conta que aqui em Portugal somos precisamente o oposto: faz-me aflição que muitos deles, mesmo quando se apercebem que não falamos alemão, continuem a dizer as coisas como se nada fosse. Aliás, a feira onde fui tinha muitos stands alemães apenas com descrições na sua própria língua... o que dá uma ideia de nacionalismo e de uma enorme falta de vontade e disponibilidade de interagir com os outros, mesmo podendo tratar-se de potenciais clientes. Posso estar mal habituada, por nós aqui tentarmos sempre falar línguas alheias, ainda que metamos a línguagem gestual, o portunhol ou o portuinglês pelo meio... mas não me parece que este seja um bom prenúncio. Passamos a vida a apregoar que a União Europeia devia funcionar como um só, mas as cisões entre países são cada vez mais evidentes.

 

Fiz pouco turismo, daí que este não seja um dos meus típicos posts de viagem. Mas, feliz ou infelizmente, este parece-me um texto igualmente importante. Viajar é bom... mas voltar a casa é óptimo. E é bom sabermos apreciar aquilo que temos e este cantinho à beira-mar plantado 

 

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12
Fev19

Antes um calendário da Pirelli que do Benfica

Estou agora a imiscuir-me no meio industrial. Nasci no seio dele, mas há coisas que há quinze anos atrás me passavam ao lado - e ainda bem, porque não tinha sequer idade para as perceber. Coisas tão simples e tão complexas como a relação patrão-colaboradores ou a própria interação dos empregados entre si. Quando era criança achava mais graça aos processos e não estava tão preocupada com esta vertente, que agora me é essencial, tendo em conta que estou a tentar assumir o papel de liderança dentro de uma empresa. 

Aprendi muito na minha passagem pelo jornal, quanto mais não fosse porque ouvi muitas opiniões (que eu às vezes concordava, outras não) e vi outras empresas, transpondo agora um bocadinho desses conhecimentos e daquilo que vi para a minha realidade atual e tentando tornar isto o melhor possível.

Há uns dias, enquanto tentava aprender um dos processos aqui da fábrica, deparei-me com uns cartazes e calendários do "Benfica Campeão" colados numa das paredes. Ora o tetra, ora a reconquista, ora o penta que aí vinha - não sei, nem olhei bem, vermelho e branco não é a minha praia. Mas fiquei a matutar naquilo e como não gostava da imagem que aquilo transmitia. E não, não é por ser do Benfica: podia ser do Porto, do Sporting ou do Leixões. É por ser de futebol. Veio-me à memória um escritório da fábrica onde cresci, quase pintado de azul e branco da cabeça aos pés, como quem grita "este escritório é de um portista doente". E isso não é bom, porque no futebol quase todas as reações, discussões e opiniões saem diretamente do coração. E, numa empresa, aquilo que queremos é cabeça.

Lembro-me perfeitamente de uma vez, no Leroy Merlin, ter mandado uma piada sobre o Benfica a um colaborador que estava a ajudar a carregar para o nosso carro umas placas pesadíssimas que viriam a forrar a piscina. Não sei o conteúdo da piada, da boca, da indireta ou da brincadeira, creio que até foi ele que começou e eu não me deixei ficar, mas lembro-me perfeitamente do desfecho: o senhor deixou o carrinho e foi-se embora, deixando-me a mim e à minha mãe a carregar aquele peso bruto. Tudo por causa do futebol. Escusado será dizer que, de cada vez que vou a uma destas lojas, me lembro da gentileza e racionalidade deste homem, que manchou a imagem do sítio onde trabalha por uma atitude parva e irrefletida.

Há quem critique as pessoas por adornarem as secretárias com as fotos dos filhos, quem deteste ir a oficinas automóveis porque se depara com calendários cheios de mulheres em poses indecentes. Pode ser piroso e revelar muito sobre quem os tem, mas não há muito a comentar sobre isso. Já coisas com teor futebolístico são, para mim, bem piores, pois criam cisões graves à partida entre as pessoas, sem estas sequer se conhecerem. Um cartaz de futebol é uma posição expressa de um gosto clubístico e pode criar pequenas guerras perfeitamente desnecessárias. Então e se as pessoas que partilham o mesmo espaço não forem todas do mesmo clube? E se alguém doente por um outro clube visitar o sítio em questão e se puser a mandar postas de pescada sobre o golo mal anulado do jogo de domingo? É irreal pensar que alguém que se dá ao trabalho de colar posters ou adornar o seu escritório com coisas do seu clube não vai ripostar a um desafio desse género. E muito dificilmente uma conversa destas vai ter a algum sítio bom ou culminar com elogios e uma ideia positiva de quem está do outro lado.

Não quer isto dizer que vá andar por aí a tirar posters alheios das paredes ou acabar com pregões clubísticos, qual extremista. Mas, a longo prazo, preferia que eles não existissem. Mal por mal, tragam os da Pirelli.

19
Jan19

Ontem foi dia de Grease

Depois de o ano passado ter ido ver a Avenida Q - acho que faz mesmo um ano por esta altura - ontem voltei a ir a um musical, assinado por uma produção portuguesa. Fiquei logo entusiasmada quando há uns meses vi que o Grease ia entrar em cena, mas na altura só havia sessões no Estoril; mal vi que vinham ao Coliseu comprei logo bilhetes, para mim e para os meus pais. É hipócrita da nossa parte ansiarmos por ir ver espetáculos deste género no estrangeiro e cá não darmos sequer uma hipótese.

Devido a um bicho chamado "gripe" que se instalou sem pedir licença aqui em casa, os meus pais viram-se obrigados a ficar no sofá e eu cravei a minha irmã e o meu cunhado para virem comigo assistir ao espetáculo (eu própria saí de lá a achar que ia ficar acamada o resto da semana, com dores em todo o corpo e o nariz mais entupido que uma canalização com mais de 50 anos - entretanto recuperei, é só uma constipação mais pesadota). Isto para dizer que houve momentos, naquelas duas horas e meia (com intervalo incluído), que desejei muito ir para casa, cobrir-me com mantas e engolir dois Cêgripe, por isso não estava nas melhores condições para desfrutar amplamente do espetáculo. Ainda assim, gostei muito e valeu o esforço de sair de casa!

Acho que apesar da estrela da companhia ser o Diogo Morgado - que interpreta o papel do John Travolta muito bem, mas cuja voz não é incrível - acho que é a Mariana Marques Guedes quem leva daqui o papelão. Para além de ser linda, canta e dança maravilhosamente. Muitas das personagens são mesmo muito parecidas com as da peça, e a linguagem é muito jovem e informal. A peça é toda falada em português, só as músicas é que são tal e qual as originais - coreografias incluídas.

Aliás, esse é para mim um dos pontos fortes da peça: a encenação e a coreografia, para além da boa capacidade que todos os atores tinham de cantar. Em todos os trabalhos se evoluiu para um multi-tasking, já ninguém faz só uma coisa: um jornalista escreve, edita vídeo e som, uma secretária sabe tratar da agenda, dos emails e trabalhar com o programa de contabilidade, um operário já não trabalha só com uma só máquina. E, neste sentido, também os atores evoluíram: já não são só atores, têm também outras valências e está na altura de lhes dar outras oportunidades, acima de tudo aos mais novos, que já nasceram neste contexto. Ainda existe muito o preconceito de que este tipo de coisas, em Portugal, nunca são boas ou bem feitas - a típica mentalidade de português, que só o que é de lá de fora é que é bom. E assim vai continuar a ser, se não se venderem bilhetes e se não dermos uma oportunidade.

O único ponto fraco que encontrei ontem foi ao nível do som: por vezes pouco nítido nos momentos em conjunto e, nas cenas das mulheres, extremamente alto e agudo (saí de lá a odiar duas das personagens por quase me terem rompido o tímpano). De resto, é de louvar que uma nova produtora (e não só o La Féria, de quem não me confesso muito fã) se aventure nestes caminhos, claramente difíceis num país como o nosso. Mas a verdade é que se ninguém tentar, nunca vamos conseguir. 

Não sei se o espetáculo vai continuar em cena em algum sítio do país, mas se assim fôr, aconselho. E, claro, espero por mais. Nada como um musical para nos animar uma noite, ainda que estejamos a chocar uma gripe. Sair a cantarr "you're the one that want! Uh uh uh!", não sendo a cura, é sempre um bom remédio ;)

 

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11
Jan19

Agenda, bullet journal ou planner?

Eu acho que já escrevi mais sobre agendas em meia dúzia de anos do que a maioria das pessoas pensa nelas ao longo de uma vida inteira - mas o que querem? Sou uma control freak e uma planner por natureza, está-me no sangue planear coisas, fazer listinhas e tudo o que demais há por aí para tentar contrair aquilo que está escrito no meu destino (jiboiar no sofá?). Por isso, todos os anos, lá ando eu à procura da forma ideal para apontar tudo o que preciso e para fazer todos os "checks" necessários nesta vida um tanto ao quanto entediante.

Janeiro é o mês ideal para pensar nestas coisas - não por ser um reinício (sinto mais isso em Setembro), mas sim porque é o começo de mais um ano civil, altura em que as lojas estão inundadas de coisas de estacionário giríssimas, que nos fazem querer esgotar a carteira até ao último cêntimo. A verdade é que um caderno deste género tem de ter, para mim, várias características:

  • Ter uma vista semanal e não diária, assim como uma planificação de cada mês antes da vista semanal;
  • Espaço para notas;
  • Não ter argolas, não ser muito grande (para poder transporta-lo na mala) nem muito pesado.

Parece simples, não parece? Mas não é. Pode mesmo ser um bicho de sete cabeças. A conjugação de todos estes "pequenos" fatores elimina 95% das agendas do mercado. Por isso é que o ano passado optei pelo Bullet Journal (falei disso aqui e aqui), por conseguir personaliza-lo da forma, como bem entendesse. Aquilo que eu não disse foi que passado meio ano desisti - e na altura comprei um planner, um meio termo entre a agenda e um BJ, e foi o que resultou melhor. Este ano, voltei para a agenda. 

Sendo assim, e considerando-me capaz o suficiente para dissertar sobre esta matéria, eis os meus pensamentos sobre cada um destes métodos:

AGENDA - em bom português, a "papinha" vem toda feita. A questão é que às vezes não é feita da forma que nós queremos. A grande vantagem é que há uma variedade imensa no mercado e passa muito por perder tempo até encontrar "a tal".

 

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Agenda da Rosa com Canela, a minha eleita deste ano

 

BULLET JOURNAL - é o oposto da agenda. Há todo um mar de liberdade por explorar, mas essa liberdade também significa trabalho. Todos os meses é preciso fazer o esquema do plano mensal, assim como o semanal, e eu dei por mim a não ter tempo nem paciência para tanto. Acabei por perceber que, para mim, acaba por se tornar num contrassenso - estou a tentar fazer render o meu tempo, organizando-o ao máximo, mas por outro lado estou a "perde-lo" a criar a minha própria agenda. E a verdade é que eu não me satisfaço com pouco - na net o que mais há são BJ lindos de morrer, com pessoas que nasceram claramente com uma veia artística que eu não tenho, e eu detestava ver o meu caderno com a minha caligrafia horrível, linhas tortas e outras coisas pouca agradáveis a olho nu. Isto acabou por me tirar a vontade de trabalhar nele. Às vezes tinha coisas para apontar e pensava "ainda não fiz a página de notas deste mês", e lá se iam as ideias pelo cano.

O ponto positivo era funcionar também como caderno de apontamentos - foi com o BJ que comecei a apontar todos os temas para apontar aqui no blog, listas de prendas, de compras e de tarefas (não só tarefas a fazer em dias específicos, mas tarefas ou objetivos mais gerais), o que me ajudou muito. Outra das coisas que adorei foram os trackers: quadros que nos ajudam a perceber, no espaço de um mês, a nossa performance em vários campos (o que queremos "medir" é ao gosto de cada um - se fomos ao ginásio, se bebemos água, o nosso estado de humor nesse dia, etc). Para mim é uma forma incrível de ver a minha produtividade e de pensar naquilo que fiz, assim como obrigar-me a pensar em como foi o meu dia, para o avaliar. Quando fazia isto, apercebia-me que era feliz, ainda que todos os dias houvessem coisas menos positivas.

 

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Bullet Journals pontuados, conforme os originais, à venda na Tiger em várias cores (6 euros)

 

PLANNER - um planner é um caderno estruturado para funcionar como agenda, mas cujos meses e os dias da semana não estão escritos. Ou seja, não é preciso fazermos o layout dos calendários, mas é necessário preenche-los. Gostei muito do que eu tinha, pois para além de ter a vista mensal antes de cada mês, tinha uma página de "to do's" e listas a acompanhar cada uma das vistas semanais. Apesar da organização não ser a ideal, pois não havia um lugar próprio para as notas, foi algo que resultou muito bem comigo.

 

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Planner da Stradivarius, já esgotado na loja online

 

Este ano, embora tivesse andado atrás de um planner - comprei o meu antigo no Stradivarius, que tornou a ter alguns, mas em dimensões que não me agradaram - acabei por decidi-me por uma agenda (aquela da imagem, da Rosa com Canela - pelo seu tamanho, pela decoração e, acima de tudo, pela organização). Aquilo que fiz foi uma espécie de crossover com o BJ: utilizo a sinalética deste método e coloco trackers no espaço das notas (que faço no computador e que imprimo, para não perder muito tempo). De resto: cores bonitas, uma vida ocupada e tempo - é tudo o que é preciso para dar vida a qualquer um destes métodos. 

Por aí, qual é a vossa escolha? Ou já são mais dados às novas tecnologias, poupam no papel e fazem tudo online?

07
Jan19

Golden Globes: o ano da família Addams e das lições de vida dadas pelas estrelas

A família Addams, da direita para a esquerda: Uncle Fester, Wednesday Addams, Gomez Addams, Lurch (em cima), Morticia Addams, bebé Pubert Addams, Pugsley Addams, Avó e Cousin It (aquele que parece uma vassoura gigante com um chapéu).

 

A passadeira dos Golden Globes presenteia-nos todos os anos com autênticas pepitas douradas no que diz respeito ao mau gosto das estrelas ou dos respetivos stylists. Tenho a dizer que este não foi dos piores anos, mas duas fações claramente sobressaíram: a da família Addams e a das "lições de vida por estrelas de Hollywood". Analisemos:

 

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A palidez, o formato de cara (ajudado pelo penteado pontiagudo) e aquele vestido com corpete de como quem diz "aqui não cabe nem mais uma alface", dão à Jessica Chastain um lugar como a nova Morticia Addams.

 

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Aqui, a Wednesday cresceu, mas o Lurch e a Avó continuam muito bem conservados. 

 

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Bom, creio que a Catriona Balfe está a tentar entrar no remake como uma prima afastada da família. Como não sabemos quando é que isso vai acontecer, pôs já mais sete quilos em cada anca, para precaver a possível engorda até lá (tudo culpa da menopausa, claro). P.S.: Alguém se esqueceu de lhe tirar os ganchos na altura da maquilhagem.

 

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Esta vai ser a tia afastada dos Addams, mãe da Catriona.

 

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E esta... ainda tentou entrar no casting, mas já não há lugar para mais. Melhor sorte para o próximo ano, amiga!

 

Bom, saindo agora do capítulo "Família Addams", passemos agora para a fase "lições de vida dadas pelas estrelas". Vejamos:

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A Gina Rodriguez é a primeira e ensina-nos como afastar as maminhas no seu potencial máximo. Útil para vestidos com um decote do tamanho do Everest em modo invertido, como é o caso.

 

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Ainda na secção "maminhas", Kate Mara ensina-nos que... esqueçam, não ensina nada, olhem para isto e aprendam só o que não se deve fazer nunca. Só uma coisa: aquela abertura central, é para inserir moedas? Qual é o prémio?

 

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A Elsie (?) tem como objetivo demonstrar a melhor forma de como-ser-uma-velhinha-corcunda-quando-chegar-aos-60-anos. Eu estou a aprender muito bem com ela, basta olhar para a minha postura. Devíamos claramente ser pilates-buddies.

 

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Emma Stone, num clássico "como ser invisível numa festa, usando um vestido que se confunde com o nosso tom de pele".

 

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Moss: "porque não devemos beber 3 shots de Tequila antes de ir para os Golden Globes".

 

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Do lado da Lucy Lu, aquilo que retiramos é: não confiem a 100% na vossa stylist. Até ela falha e se esquece de tirar aquela capinha de proteção que vem da lavandaria. Chato, mas só não acontece a quem não faz, não é verdade?

 

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Para terminar este capítulo... bom. Não sei se devia ter incluído isto numa versão colorida da família Addams (a cara está au point), se na área das maminhas ("como não devemos estrangula-las") ou simplesmente aqui. Todos nós podemos retirar lições valiosas deste look.

 

E só para dar uma achega, porque nem tudo foi péssimo, aqui vão alguns dos modelitos que ainda comprovam alguma restia de sanidade mental nas estrelas de Hollywood:

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A eterna Dra. Yang aproveitou o facto de ir apresentar para se pôr numa de poderosa. Gostei.

 

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A prova de que há decotes-montanha-russa que não são nem feios, nem pindéricos nem avacalhados. Achei o casalinho muito fofinho.

 

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E quem não tinha saudades da Julinha? Eu tinha! É sempre bom ver que ela não usa só meias da Calzedonia e ainda consegue pôr coisas um bocadinho out of the box sem ser meias com lacinhos. You go, girl!

 

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Mais um casal fufuxo. Ela simples, mas bonita.

 

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E estes dois... couple goals. 

 

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Não podia deixar de mencionar a Gaga. O pantone não me agradou, mas ganhou pelo vestido giganteeee. Incha Rihanna e o seu vestido omolete na MET Gala!

 

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Para terminar, um crossover entre um toureiro, um casaco do Manuel Luís Goucha e o Aladino. TCHARAM! Acabamos ou não em grande?!

 

Ah, esperem! Não podia terminar este post sem destacar a verdadeira estrela da noite. E não, não é a Gaga. É a menina das águas. Ora vejamos:

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É ou não é a pérola do ano? 

19
Nov18

Salvador Sobral: o coração mudou mas a alma continua a mesma

Foi quase uma histeria quando vi "Matosinhos" na listagem dos próximos concertos do Salvador Sobral. "Liga, marca, anda lá!", dizia-me a amiga que acabava de me mandar a publicação, quase tão ansiosa como eu. E eu liguei para o teatro - uma autêntica prova de amor, porque fazer chamadas para pessoas que não conheço está no meu top de coisas que menos gosto de fazer nesta vida.

"Já está esgotado, menina", disseram-me do outro lado da linha. "Mas como assim, ele anunciou há minutos no facebook!", respondi atónita. Pelos vistos as pessoas foram passando e comprando bilhetes, quando viam a cara dele a passar nos ecrãs do teatro. "Estou aqui a ver e só resta um lugar, mas como queria dois só a posso pôr em fila de espera", contou-me depois de todas as explicações. É o lugar solitário, vítima de todas as pessoas que compram lugares em número ímpar e das outras que se recusam a ir sozinhas a espetáculos. "Reserve-mo!", disse logo. "Mas não eram dois?", respondeu a senhora um bocadinho confusa. "Passa a ser um".

E assim fui sozinha ao concerto do Sobral, com o último bilhete disponível de toda a plateia - mal sabendo que no dia anterior haviam de marcar outra data extra, mas sempre com o orgulho de ter comprado para o primeiro espetáculo. Aliás, esta foi uma das coisas que ele frisou: é parvo marcarem datas extra para os dias anteriores à data original, pois quem fica a perder são os "fãs a sério", que correram a comprar bilhetes para o primeiro espetáculo. "Já vim cá ontem, estou cansado, e este espetáculo vai ser uma porcaria - o que é injusto para vocês, que foram os primeiros a comprar", dizia ele em tom de brincadeira.

Mas a verdade é que o "novo" Salvador, mesmo cansado, tem muito mais energia que o antigo - e é incrível ver essa evolução, ver o quanto estava guardado por detrás daquela doença. Se achavam que ele era estranho antigamente, com todos aqueles gestos de mãos e formas de cantar, nem se aproximem de um concerto dele neste momento - em que ele salta, grita e faz trinta por uma linha para expressar aquilo que quer. A música não lhe sai só pela voz - sai-lhe pelos poros, nos movimentos, nos olhos, na expressão. Acho que é o músico que conheço que mais transparece aquilo que canta. Sente. E isso, embora seja estranho (infelizmente), é incrível. Se há coisa que detesto nas grandes bandas é tocarem só por tocar - já não se sente a alma, nem neles nem nas músicas que tocam. Parece que só ouvem o dinheiro a cair nas contas bancárias de cada vez que enchem um estádio, sem sequer saberem em que cidade estão, e prontos para passar para outra.

Não sei se o Salvador adora os fãs - ainda se nota alguma "amargura" por tudo o que aconteceu na Eurovisão e eu sinto, pelo que vi pela plateia, que a "seleção natural" ainda não está totalmente feita e há muita gente que ainda só vai mesmo ouvir a "Amar Pelos Dois". A ascensão mediática não lhe foi fácil, ainda para mais com algumas das coisas que ele foi dizendo e toda a situação de saúde pela qual passou. Mas uma coisa é certa: ele adora cantar e isso sente-se a léguas. E é ótimo que ele ainda continue a dar espetáculos pequenos e mais intimistas, como fazia na época pré-festival - pela proximidade com as pessoas e pela acessibilidade financeira que este tipo de espaços proporcionam. Mesmo eu tendo ficado na última fila do teatro, senti-o bem pertinho, e isso - para quem gosta mesmo - não tem preço.

Este concerto foi o abrir de portas do novo álbum - ele cantou várias músicas novas, entre portuguesas, castelhanas, inglesas e até francesas - e acho que só podemos esperar coisas maravilhosas. Desde letras e melodias bonitas, a uns ritmos um bocadinho diferentes (lembrou-me o Jamie Cullum a fazer rap e percussão no piano), até ao espaço já conhecido que ele dá aos seus músicos para darem asas à sua arte e terem um pouco o foco centrado neles. Por saber que será um concerto bem diferente, mas por não o querer perder por nada deste mundo, já tenho o meu bilhete para o Coliseu do Porto, onde ouvirei o álbum inteiro e já com as músicas no ouvido.

Isto porque eu não sou não sou dada a paixões - as cenas espontâneas, efémeras e super intensas não são muito a minha praia. Eu quando gosto, gosto a sério - algo para valer, de forma racional e duradoura. Sempre disse que Portugal tinha ganho a Eurovisão... mas eu ganhei o Salvador e não o vou largar tão cedo.

 

Por falar em Salvador, já ouviram a maravilhosa canção  que ele e a Luísa Sobral têm no novo álbum dela? Oiçam, por favor!!, a Só Um Beijo no Spotify. Vai ser só a melhor coisa da vossa segunda-feira.

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