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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

17
Mar19

Quanto mais viajo mais gosto do meu país

Carolina

Voltei há dias de Munique, numa pequena viagem de duas noites para visitar uma feira. Foi um dejá vù: já cá tinha estado há dois anos, também em trabalho mas noutro papel, e acabei por ficar exatamente no mesmo hotel e percorrer os mesmos caminhos, já bem conhecidos pelas botas que trazia calçadas. Se daquela vez tinha sido um desafio - a minha primeira viagem de trabalho, sozinha, num país que não conhecia e não percebia nada da língua, com o stress de ter de fazer um trabalho que não me era natural e para o qual tinha de me esgotar emocionalmente para fazer bem - desta vez já fui bem mais confortável. Primeiro porque os meus pais vieram comigo (invertemos a situação mais comum e fui eu que lhes apresentei a cidade), segundo porque já sabia ao que ia e terceiro porque, entre estas duas ocasiões já tenho umas quantas viagens e outras experiências no lombo para me dar mais traquejo e sentir mais confortável.

No entanto, acho que quando cá vim pela primeira vez estava tão absorvida pela novidade, pelo stress e pelo cansaço que nem consegui reparar numa série de coisas que numa viagem comum me saltariam à vista. E desta vez, embora só tenha passado pouco mais de um dia na cidade, deu para registar uma série de factos e opiniões sobre Munique... E perceber o quão bom é viver em Portugal.

 

A primeira coisa é, claramente, a meteorologia. Enquanto em Portugal já andamos a sacar os vestidinhos e as camisolas mais finas do roupeiro, lá continua um frio de bater o dente. Penso que a temperatura mínima que apanhamos foi de 3º C., mas a sensação térmica era um par de graus abaixo – tudo devido ao vento gélido que se fazia sentir e que nos rasgava por dentro, independentemente do número de camadas que tínhamos vestidas por cima do corpo. Eu, que sou assumidamente um bambi no que ao frio diz respeito, andava embrulhada até ao nariz, mas nem isso impediu que ficasse gelada até aos ossos. E pensar que já andei de vestido e sem casaco no nosso querido Portugal!

A sensação de segurança é outra das coisas que, ainda hoje, é uma das grandes vantagens do nosso país – mesmo estando cada vez mais na moda e tendo as cidades inundadas de turistas. O nosso hotel era muito perto da Hauptbahnhof (a estação central) – ou seja, um sítio extremamente concorrido, onde se espera encontrar muitas pessoas – mas à noite as redondezas eram um tanto ao quanto assustadoras. Não sei onde é que as mulheres se metem à noite nesta cidade alemã, mas ali não era de certeza – até porque 95% das pessoas que passavam por nós eram homens, e não particularmente com bom aspeto. Sei que, se estivesse sozinha, não me sentiria segura – tanto nas ruas como, por exemplo, nas estações de metro, que se tornam autênticos subterrâneos fantasma depois das 22h.

A pobreza e a prostituição são outra das coisas que, à partida, não associamos à Alemanha, mas que há de sobra. A zona onde fiquei tinha muitos night clubs com meninas pouco vestidas à porta, pedintes por todo o lado, bêbados caídos em cada recanto e homens a aliviarem a bexiga em sítios demasiado visíveis para o meu gosto. Eu, pelo menos, cresci com uma noção de uma Alemanha muito rígida, em que tudo era feito de forma rigorosa; onde se cumpriam as regras, os limites; onde havia um civismo implícito. Não sei se isso nunca existiu ou se é um paradigma que está a mudar, mas senti a diferença desde há dois anos para cá...

Por fim, falar de um detalhe que me impressiona, tendo em conta que aqui em Portugal somos precisamente o oposto: faz-me aflição que muitos deles, mesmo quando se apercebem que não falamos alemão, continuem a dizer as coisas como se nada fosse. Aliás, a feira onde fui tinha muitos stands alemães apenas com descrições na sua própria língua... o que dá uma ideia de nacionalismo e de uma enorme falta de vontade e disponibilidade de interagir com os outros, mesmo podendo tratar-se de potenciais clientes. Posso estar mal habituada, por nós aqui tentarmos sempre falar línguas alheias, ainda que metamos a línguagem gestual, o portunhol ou o portuinglês pelo meio... mas não me parece que este seja um bom prenúncio. Passamos a vida a apregoar que a União Europeia devia funcionar como um só, mas as cisões entre países são cada vez mais evidentes.

 

Fiz pouco turismo, daí que este não seja um dos meus típicos posts de viagem. Mas, feliz ou infelizmente, este parece-me um texto igualmente importante. Viajar é bom... mas voltar a casa é óptimo. E é bom sabermos apreciar aquilo que temos e este cantinho à beira-mar plantado 

 

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12
Fev19

Antes um calendário da Pirelli que do Benfica

Carolina

Estou agora a imiscuir-me no meio industrial. Nasci no seio dele, mas há coisas que há quinze anos atrás me passavam ao lado - e ainda bem, porque não tinha sequer idade para as perceber. Coisas tão simples e tão complexas como a relação patrão-colaboradores ou a própria interação dos empregados entre si. Quando era criança achava mais graça aos processos e não estava tão preocupada com esta vertente, que agora me é essencial, tendo em conta que estou a tentar assumir o papel de liderança dentro de uma empresa. 

Aprendi muito na minha passagem pelo jornal, quanto mais não fosse porque ouvi muitas opiniões (que eu às vezes concordava, outras não) e vi outras empresas, transpondo agora um bocadinho desses conhecimentos e daquilo que vi para a minha realidade atual e tentando tornar isto o melhor possível.

Há uns dias, enquanto tentava aprender um dos processos aqui da fábrica, deparei-me com uns cartazes e calendários do "Benfica Campeão" colados numa das paredes. Ora o tetra, ora a reconquista, ora o penta que aí vinha - não sei, nem olhei bem, vermelho e branco não é a minha praia. Mas fiquei a matutar naquilo e como não gostava da imagem que aquilo transmitia. E não, não é por ser do Benfica: podia ser do Porto, do Sporting ou do Leixões. É por ser de futebol. Veio-me à memória um escritório da fábrica onde cresci, quase pintado de azul e branco da cabeça aos pés, como quem grita "este escritório é de um portista doente". E isso não é bom, porque no futebol quase todas as reações, discussões e opiniões saem diretamente do coração. E, numa empresa, aquilo que queremos é cabeça.

Lembro-me perfeitamente de uma vez, no Leroy Merlin, ter mandado uma piada sobre o Benfica a um colaborador que estava a ajudar a carregar para o nosso carro umas placas pesadíssimas que viriam a forrar a piscina. Não sei o conteúdo da piada, da boca, da indireta ou da brincadeira, creio que até foi ele que começou e eu não me deixei ficar, mas lembro-me perfeitamente do desfecho: o senhor deixou o carrinho e foi-se embora, deixando-me a mim e à minha mãe a carregar aquele peso bruto. Tudo por causa do futebol. Escusado será dizer que, de cada vez que vou a uma destas lojas, me lembro da gentileza e racionalidade deste homem, que manchou a imagem do sítio onde trabalha por uma atitude parva e irrefletida.

Há quem critique as pessoas por adornarem as secretárias com as fotos dos filhos, quem deteste ir a oficinas automóveis porque se depara com calendários cheios de mulheres em poses indecentes. Pode ser piroso e revelar muito sobre quem os tem, mas não há muito a comentar sobre isso. Já coisas com teor futebolístico são, para mim, bem piores, pois criam cisões graves à partida entre as pessoas, sem estas sequer se conhecerem. Um cartaz de futebol é uma posição expressa de um gosto clubístico e pode criar pequenas guerras perfeitamente desnecessárias. Então e se as pessoas que partilham o mesmo espaço não forem todas do mesmo clube? E se alguém doente por um outro clube visitar o sítio em questão e se puser a mandar postas de pescada sobre o golo mal anulado do jogo de domingo? É irreal pensar que alguém que se dá ao trabalho de colar posters ou adornar o seu escritório com coisas do seu clube não vai ripostar a um desafio desse género. E muito dificilmente uma conversa destas vai ter a algum sítio bom ou culminar com elogios e uma ideia positiva de quem está do outro lado.

Não quer isto dizer que vá andar por aí a tirar posters alheios das paredes ou acabar com pregões clubísticos, qual extremista. Mas, a longo prazo, preferia que eles não existissem. Mal por mal, tragam os da Pirelli.

19
Jan19

Ontem foi dia de Grease

Carolina

Depois de o ano passado ter ido ver a Avenida Q - acho que faz mesmo um ano por esta altura - ontem voltei a ir a um musical, assinado por uma produção portuguesa. Fiquei logo entusiasmada quando há uns meses vi que o Grease ia entrar em cena, mas na altura só havia sessões no Estoril; mal vi que vinham ao Coliseu comprei logo bilhetes, para mim e para os meus pais. É hipócrita da nossa parte ansiarmos por ir ver espetáculos deste género no estrangeiro e cá não darmos sequer uma hipótese.

Devido a um bicho chamado "gripe" que se instalou sem pedir licença aqui em casa, os meus pais viram-se obrigados a ficar no sofá e eu cravei a minha irmã e o meu cunhado para virem comigo assistir ao espetáculo (eu própria saí de lá a achar que ia ficar acamada o resto da semana, com dores em todo o corpo e o nariz mais entupido que uma canalização com mais de 50 anos - entretanto recuperei, é só uma constipação mais pesadota). Isto para dizer que houve momentos, naquelas duas horas e meia (com intervalo incluído), que desejei muito ir para casa, cobrir-me com mantas e engolir dois Cêgripe, por isso não estava nas melhores condições para desfrutar amplamente do espetáculo. Ainda assim, gostei muito e valeu o esforço de sair de casa!

Acho que apesar da estrela da companhia ser o Diogo Morgado - que interpreta o papel do John Travolta muito bem, mas cuja voz não é incrível - acho que é a Mariana Marques Guedes quem leva daqui o papelão. Para além de ser linda, canta e dança maravilhosamente. Muitas das personagens são mesmo muito parecidas com as da peça, e a linguagem é muito jovem e informal. A peça é toda falada em português, só as músicas é que são tal e qual as originais - coreografias incluídas.

Aliás, esse é para mim um dos pontos fortes da peça: a encenação e a coreografia, para além da boa capacidade que todos os atores tinham de cantar. Em todos os trabalhos se evoluiu para um multi-tasking, já ninguém faz só uma coisa: um jornalista escreve, edita vídeo e som, uma secretária sabe tratar da agenda, dos emails e trabalhar com o programa de contabilidade, um operário já não trabalha só com uma só máquina. E, neste sentido, também os atores evoluíram: já não são só atores, têm também outras valências e está na altura de lhes dar outras oportunidades, acima de tudo aos mais novos, que já nasceram neste contexto. Ainda existe muito o preconceito de que este tipo de coisas, em Portugal, nunca são boas ou bem feitas - a típica mentalidade de português, que só o que é de lá de fora é que é bom. E assim vai continuar a ser, se não se venderem bilhetes e se não dermos uma oportunidade.

O único ponto fraco que encontrei ontem foi ao nível do som: por vezes pouco nítido nos momentos em conjunto e, nas cenas das mulheres, extremamente alto e agudo (saí de lá a odiar duas das personagens por quase me terem rompido o tímpano). De resto, é de louvar que uma nova produtora (e não só o La Féria, de quem não me confesso muito fã) se aventure nestes caminhos, claramente difíceis num país como o nosso. Mas a verdade é que se ninguém tentar, nunca vamos conseguir. 

Não sei se o espetáculo vai continuar em cena em algum sítio do país, mas se assim fôr, aconselho. E, claro, espero por mais. Nada como um musical para nos animar uma noite, ainda que estejamos a chocar uma gripe. Sair a cantarr "you're the one that want! Uh uh uh!", não sendo a cura, é sempre um bom remédio ;)

 

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11
Jan19

Agenda, bullet journal ou planner?

Carolina

Eu acho que já escrevi mais sobre agendas em meia dúzia de anos do que a maioria das pessoas pensa nelas ao longo de uma vida inteira - mas o que querem? Sou uma control freak e uma planner por natureza, está-me no sangue planear coisas, fazer listinhas e tudo o que demais há por aí para tentar contrair aquilo que está escrito no meu destino (jiboiar no sofá?). Por isso, todos os anos, lá ando eu à procura da forma ideal para apontar tudo o que preciso e para fazer todos os "checks" necessários nesta vida um tanto ao quanto entediante.

Janeiro é o mês ideal para pensar nestas coisas - não por ser um reinício (sinto mais isso em Setembro), mas sim porque é o começo de mais um ano civil, altura em que as lojas estão inundadas de coisas de estacionário giríssimas, que nos fazem querer esgotar a carteira até ao último cêntimo. A verdade é que um caderno deste género tem de ter, para mim, várias características:

  • Ter uma vista semanal e não diária, assim como uma planificação de cada mês antes da vista semanal;
  • Espaço para notas;
  • Não ter argolas, não ser muito grande (para poder transporta-lo na mala) nem muito pesado.

Parece simples, não parece? Mas não é. Pode mesmo ser um bicho de sete cabeças. A conjugação de todos estes "pequenos" fatores elimina 95% das agendas do mercado. Por isso é que o ano passado optei pelo Bullet Journal (falei disso aqui e aqui), por conseguir personaliza-lo da forma, como bem entendesse. Aquilo que eu não disse foi que passado meio ano desisti - e na altura comprei um planner, um meio termo entre a agenda e um BJ, e foi o que resultou melhor. Este ano, voltei para a agenda. 

Sendo assim, e considerando-me capaz o suficiente para dissertar sobre esta matéria, eis os meus pensamentos sobre cada um destes métodos:

AGENDA - em bom português, a "papinha" vem toda feita. A questão é que às vezes não é feita da forma que nós queremos. A grande vantagem é que há uma variedade imensa no mercado e passa muito por perder tempo até encontrar "a tal".

 

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Agenda da Rosa com Canela, a minha eleita deste ano

 

BULLET JOURNAL - é o oposto da agenda. Há todo um mar de liberdade por explorar, mas essa liberdade também significa trabalho. Todos os meses é preciso fazer o esquema do plano mensal, assim como o semanal, e eu dei por mim a não ter tempo nem paciência para tanto. Acabei por perceber que, para mim, acaba por se tornar num contrassenso - estou a tentar fazer render o meu tempo, organizando-o ao máximo, mas por outro lado estou a "perde-lo" a criar a minha própria agenda. E a verdade é que eu não me satisfaço com pouco - na net o que mais há são BJ lindos de morrer, com pessoas que nasceram claramente com uma veia artística que eu não tenho, e eu detestava ver o meu caderno com a minha caligrafia horrível, linhas tortas e outras coisas pouca agradáveis a olho nu. Isto acabou por me tirar a vontade de trabalhar nele. Às vezes tinha coisas para apontar e pensava "ainda não fiz a página de notas deste mês", e lá se iam as ideias pelo cano.

O ponto positivo era funcionar também como caderno de apontamentos - foi com o BJ que comecei a apontar todos os temas para apontar aqui no blog, listas de prendas, de compras e de tarefas (não só tarefas a fazer em dias específicos, mas tarefas ou objetivos mais gerais), o que me ajudou muito. Outra das coisas que adorei foram os trackers: quadros que nos ajudam a perceber, no espaço de um mês, a nossa performance em vários campos (o que queremos "medir" é ao gosto de cada um - se fomos ao ginásio, se bebemos água, o nosso estado de humor nesse dia, etc). Para mim é uma forma incrível de ver a minha produtividade e de pensar naquilo que fiz, assim como obrigar-me a pensar em como foi o meu dia, para o avaliar. Quando fazia isto, apercebia-me que era feliz, ainda que todos os dias houvessem coisas menos positivas.

 

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Bullet Journals pontuados, conforme os originais, à venda na Tiger em várias cores (6 euros)

 

PLANNER - um planner é um caderno estruturado para funcionar como agenda, mas cujos meses e os dias da semana não estão escritos. Ou seja, não é preciso fazermos o layout dos calendários, mas é necessário preenche-los. Gostei muito do que eu tinha, pois para além de ter a vista mensal antes de cada mês, tinha uma página de "to do's" e listas a acompanhar cada uma das vistas semanais. Apesar da organização não ser a ideal, pois não havia um lugar próprio para as notas, foi algo que resultou muito bem comigo.

 

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Planner da Stradivarius, já esgotado na loja online

 

Este ano, embora tivesse andado atrás de um planner - comprei o meu antigo no Stradivarius, que tornou a ter alguns, mas em dimensões que não me agradaram - acabei por decidi-me por uma agenda (aquela da imagem, da Rosa com Canela - pelo seu tamanho, pela decoração e, acima de tudo, pela organização). Aquilo que fiz foi uma espécie de crossover com o BJ: utilizo a sinalética deste método e coloco trackers no espaço das notas (que faço no computador e que imprimo, para não perder muito tempo). De resto: cores bonitas, uma vida ocupada e tempo - é tudo o que é preciso para dar vida a qualquer um destes métodos. 

Por aí, qual é a vossa escolha? Ou já são mais dados às novas tecnologias, poupam no papel e fazem tudo online?

07
Jan19

Golden Globes: o ano da família Addams e das lições de vida dadas pelas estrelas

Carolina

A família Addams, da direita para a esquerda: Uncle Fester, Wednesday Addams, Gomez Addams, Lurch (em cima), Morticia Addams, bebé Pubert Addams, Pugsley Addams, Avó e Cousin It (aquele que parece uma vassoura gigante com um chapéu).

 

A passadeira dos Golden Globes presenteia-nos todos os anos com autênticas pepitas douradas no que diz respeito ao mau gosto das estrelas ou dos respetivos stylists. Tenho a dizer que este não foi dos piores anos, mas duas fações claramente sobressaíram: a da família Addams e a das "lições de vida por estrelas de Hollywood". Analisemos:

 

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A palidez, o formato de cara (ajudado pelo penteado pontiagudo) e aquele vestido com corpete de como quem diz "aqui não cabe nem mais uma alface", dão à Jessica Chastain um lugar como a nova Morticia Addams.

 

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Aqui, a Wednesday cresceu, mas o Lurch e a Avó continuam muito bem conservados. 

 

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Bom, creio que a Catriona Balfe está a tentar entrar no remake como uma prima afastada da família. Como não sabemos quando é que isso vai acontecer, pôs já mais sete quilos em cada anca, para precaver a possível engorda até lá (tudo culpa da menopausa, claro). P.S.: Alguém se esqueceu de lhe tirar os ganchos na altura da maquilhagem.

 

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Esta vai ser a tia afastada dos Addams, mãe da Catriona.

 

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E esta... ainda tentou entrar no casting, mas já não há lugar para mais. Melhor sorte para o próximo ano, amiga!

 

Bom, saindo agora do capítulo "Família Addams", passemos agora para a fase "lições de vida dadas pelas estrelas". Vejamos:

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A Gina Rodriguez é a primeira e ensina-nos como afastar as maminhas no seu potencial máximo. Útil para vestidos com um decote do tamanho do Everest em modo invertido, como é o caso.

 

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Ainda na secção "maminhas", Kate Mara ensina-nos que... esqueçam, não ensina nada, olhem para isto e aprendam só o que não se deve fazer nunca. Só uma coisa: aquela abertura central, é para inserir moedas? Qual é o prémio?

 

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A Elsie (?) tem como objetivo demonstrar a melhor forma de como-ser-uma-velhinha-corcunda-quando-chegar-aos-60-anos. Eu estou a aprender muito bem com ela, basta olhar para a minha postura. Devíamos claramente ser pilates-buddies.

 

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Emma Stone, num clássico "como ser invisível numa festa, usando um vestido que se confunde com o nosso tom de pele".

 

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Moss: "porque não devemos beber 3 shots de Tequila antes de ir para os Golden Globes".

 

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Do lado da Lucy Lu, aquilo que retiramos é: não confiem a 100% na vossa stylist. Até ela falha e se esquece de tirar aquela capinha de proteção que vem da lavandaria. Chato, mas só não acontece a quem não faz, não é verdade?

 

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Para terminar este capítulo... bom. Não sei se devia ter incluído isto numa versão colorida da família Addams (a cara está au point), se na área das maminhas ("como não devemos estrangula-las") ou simplesmente aqui. Todos nós podemos retirar lições valiosas deste look.

 

E só para dar uma achega, porque nem tudo foi péssimo, aqui vão alguns dos modelitos que ainda comprovam alguma restia de sanidade mental nas estrelas de Hollywood:

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A eterna Dra. Yang aproveitou o facto de ir apresentar para se pôr numa de poderosa. Gostei.

 

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A prova de que há decotes-montanha-russa que não são nem feios, nem pindéricos nem avacalhados. Achei o casalinho muito fofinho.

 

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E quem não tinha saudades da Julinha? Eu tinha! É sempre bom ver que ela não usa só meias da Calzedonia e ainda consegue pôr coisas um bocadinho out of the box sem ser meias com lacinhos. You go, girl!

 

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Mais um casal fufuxo. Ela simples, mas bonita.

 

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E estes dois... couple goals. 

 

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Não podia deixar de mencionar a Gaga. O pantone não me agradou, mas ganhou pelo vestido giganteeee. Incha Rihanna e o seu vestido omolete na MET Gala!

 

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Para terminar, um crossover entre um toureiro, um casaco do Manuel Luís Goucha e o Aladino. TCHARAM! Acabamos ou não em grande?!

 

Ah, esperem! Não podia terminar este post sem destacar a verdadeira estrela da noite. E não, não é a Gaga. É a menina das águas. Ora vejamos:

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É ou não é a pérola do ano? 

19
Nov18

Salvador Sobral: o coração mudou mas a alma continua a mesma

Carolina

Foi quase uma histeria quando vi "Matosinhos" na listagem dos próximos concertos do Salvador Sobral. "Liga, marca, anda lá!", dizia-me a amiga que acabava de me mandar a publicação, quase tão ansiosa como eu. E eu liguei para o teatro - uma autêntica prova de amor, porque fazer chamadas para pessoas que não conheço está no meu top de coisas que menos gosto de fazer nesta vida.

"Já está esgotado, menina", disseram-me do outro lado da linha. "Mas como assim, ele anunciou há minutos no facebook!", respondi atónita. Pelos vistos as pessoas foram passando e comprando bilhetes, quando viam a cara dele a passar nos ecrãs do teatro. "Estou aqui a ver e só resta um lugar, mas como queria dois só a posso pôr em fila de espera", contou-me depois de todas as explicações. É o lugar solitário, vítima de todas as pessoas que compram lugares em número ímpar e das outras que se recusam a ir sozinhas a espetáculos. "Reserve-mo!", disse logo. "Mas não eram dois?", respondeu a senhora um bocadinho confusa. "Passa a ser um".

E assim fui sozinha ao concerto do Sobral, com o último bilhete disponível de toda a plateia - mal sabendo que no dia anterior haviam de marcar outra data extra, mas sempre com o orgulho de ter comprado para o primeiro espetáculo. Aliás, esta foi uma das coisas que ele frisou: é parvo marcarem datas extra para os dias anteriores à data original, pois quem fica a perder são os "fãs a sério", que correram a comprar bilhetes para o primeiro espetáculo. "Já vim cá ontem, estou cansado, e este espetáculo vai ser uma porcaria - o que é injusto para vocês, que foram os primeiros a comprar", dizia ele em tom de brincadeira.

Mas a verdade é que o "novo" Salvador, mesmo cansado, tem muito mais energia que o antigo - e é incrível ver essa evolução, ver o quanto estava guardado por detrás daquela doença. Se achavam que ele era estranho antigamente, com todos aqueles gestos de mãos e formas de cantar, nem se aproximem de um concerto dele neste momento - em que ele salta, grita e faz trinta por uma linha para expressar aquilo que quer. A música não lhe sai só pela voz - sai-lhe pelos poros, nos movimentos, nos olhos, na expressão. Acho que é o músico que conheço que mais transparece aquilo que canta. Sente. E isso, embora seja estranho (infelizmente), é incrível. Se há coisa que detesto nas grandes bandas é tocarem só por tocar - já não se sente a alma, nem neles nem nas músicas que tocam. Parece que só ouvem o dinheiro a cair nas contas bancárias de cada vez que enchem um estádio, sem sequer saberem em que cidade estão, e prontos para passar para outra.

Não sei se o Salvador adora os fãs - ainda se nota alguma "amargura" por tudo o que aconteceu na Eurovisão e eu sinto, pelo que vi pela plateia, que a "seleção natural" ainda não está totalmente feita e há muita gente que ainda só vai mesmo ouvir a "Amar Pelos Dois". A ascensão mediática não lhe foi fácil, ainda para mais com algumas das coisas que ele foi dizendo e toda a situação de saúde pela qual passou. Mas uma coisa é certa: ele adora cantar e isso sente-se a léguas. E é ótimo que ele ainda continue a dar espetáculos pequenos e mais intimistas, como fazia na época pré-festival - pela proximidade com as pessoas e pela acessibilidade financeira que este tipo de espaços proporcionam. Mesmo eu tendo ficado na última fila do teatro, senti-o bem pertinho, e isso - para quem gosta mesmo - não tem preço.

Este concerto foi o abrir de portas do novo álbum - ele cantou várias músicas novas, entre portuguesas, castelhanas, inglesas e até francesas - e acho que só podemos esperar coisas maravilhosas. Desde letras e melodias bonitas, a uns ritmos um bocadinho diferentes (lembrou-me o Jamie Cullum a fazer rap e percussão no piano), até ao espaço já conhecido que ele dá aos seus músicos para darem asas à sua arte e terem um pouco o foco centrado neles. Por saber que será um concerto bem diferente, mas por não o querer perder por nada deste mundo, já tenho o meu bilhete para o Coliseu do Porto, onde ouvirei o álbum inteiro e já com as músicas no ouvido.

Isto porque eu não sou não sou dada a paixões - as cenas espontâneas, efémeras e super intensas não são muito a minha praia. Eu quando gosto, gosto a sério - algo para valer, de forma racional e duradoura. Sempre disse que Portugal tinha ganho a Eurovisão... mas eu ganhei o Salvador e não o vou largar tão cedo.

 

Por falar em Salvador, já ouviram a maravilhosa canção  que ele e a Luísa Sobral têm no novo álbum dela? Oiçam, por favor!!, a Só Um Beijo no Spotify. Vai ser só a melhor coisa da vossa segunda-feira.

24
Out18

Sobre a moda e o lixo noticioso que ela produz (ou a síndrome do colega engraçadinho)

Carolina

Sinto que hoje em dia as novas abordagens ao mundo da moda se fazem ao estilo do colega engraçadinho que todos tínhamos na turma. Aquele que nos dizia que tínhamos ido para a escola de pijama, que a nossa mãe se tinha esquecido de nos pentear o cabelo, que o buraco entre os nossos dentes era uma auto-estrada digna de um camião ou que a nossa roupa parecia vir da feira. É uma característica comum em muitos engraçadinhos: não têm graça. Pegam nos pontos fracos de alguém e jogam-nos contra a pessoa, a ver se resulta. E os outros riem-se, não por o engraçadinho ter graça, mas esperando que o alvo da graça nunca sejam eles próprios.

Devido à crise (em todos os campos) que o jornalismo está a passar, o humor - em conjunto com o clickbait (a "arte" de atrair as pessoas através de títulos polémicos, que chamam à atenção e nem sempre são verdadeiros) - é uma arma forte para nos convencer a clicar numa notícia. E por isso acha-se que todos podem fazer os outros rir ou que têm jeito para isso; acha-se que tudo é um bom tema para fazer piada ("ah e tal, o humor não tem limites!"... mas quando gozavam convosco na escola não tinha graça, pois não?); acha-se que não há uma linha que separa a piada da maldade.

É no seguimento deste novo paradigma que surge a nova vaga de notícias de moda (já muito à frente das Vogue's ou Elle's), produzidas em revistas "inovadoras" que, dizem, querem dar uma nova visão da indústria. Já há um ou dois anos que as duas semanas de moda em Portugal são desculpa para fazer de tudo: já vi vox pop's em que se questionam as pessoas sobre os criadores que vão desfilar (ou outros que foram inventados no momento) e se espera uma resposta completamente descabida por parte de quem está outro lado do microfone; já vi imensas peças que nomeiam a pessoa com mais pinta no dia "X" e d«a pessoa mais mal vestida no dia "Y" de um dos eventos; já li textos de opinião escritos por "humoristas" não identificados, onde se admite que o autor não percebe nada de moda mas que está ali para ter um olhar diferente perante o desfile. Tudo isto com um único objetivo: tentar ter graça, fazer diferente. Como? Gozando com as pessoas, tal e qual como o coleguinha engraçado do 5º ano.

Façamos uma reflexão: como se sentirão os indivíduos escolhidos como os mais mal vestidos da Moda Lisboa - que se deixaram fotografar, mas nunca sabendo em que âmbito iriam ser publicadas as suas fotos - quando vêem as suas caras escarrapachadas num artigo que se está a espalhar pelo facebook? Como é que se sentirão as manequins e as modelos quando se vêem referidas num artigo por as suas nádegas estarem cheias de celulite e a fazer, passo a expressão, "boing, boing, boing" enquanto desfilam pela passarela? Como se sentirá a Cristina Ferreira - e todas as Cristina's do país - quando se lê no título de uma notícia que a apresentadora já não tem idade para esta coisa dos desfiles e que aqueles "tronquinhos" já não são para aquelas botas? Como se sentiu Sílvia Alberto quando foi comparada com o "emplastro"do FCPorto por ter um sinal na cara, mais ao menos no mesmo lugar? (Eu esta sei a resposta: mal, de tal forma que exigiu o direito de resposta pela forma como foi tratada por esse meio de comunicação). 

Isto não são notícias, não é jornalismo. É lixo. Talvez mesmo abaixo de lixo - o esgoto. Lixo é aquilo que agora se vê em todo o lado, uma forma de encher chouriços quando nada mais há para dizer: coisas como "os cinco casacos da Mango que tem de comprar esta estação", "as coisas mais horripilantes que encontramos nos saldos da Bershka", "porque é que nunca deve misturar ganga escura e ganga clara" ou "afinal de que cor é este vestido?".

E eu, que apesar de nunca ter gostado daquela visão cinzenta e demasiado séria do jornalismo (foi isso, em grande parte, que me fez distanciar desta vertente, na faculdade), vejo-me obrigada a insurgir-me quando vejo tudo isto. Mete-me nojo, principalmente quando assisto a uma espécie de ciber-bullying no lugar de notícias - que, para além da maldade, se juntam aqui à hipocrisia, numa altura em que se fala tanto da liberdade de expressão, na normalização dos corpos e no fim da magreza excessiva das modelos (coisas que os mesmos meios de comunicação aplaudem e divulgam, mas rapidamente se esquecem).

Talvez o facto de ter trabalhado dois anos neste ramo me tenha deixado mais sensível e alerta para estas questões, até porque nunca imaginei chatear-me em prol do bom jornalismo - mas a verdade é que acho que nem é isso que me move, mas sim o ridículo que é gozar com as pessoas de forma gratuita em praça pública, muitas delas que estão só e apenas a fazer o seu trabalho. E é por isso que desde há dois anos para cá que, de vez em quando, lá estou eu a mandar "postas de pescada" nas caixas de comentários no facebook, para ver se alguém acorda para a vida. Há sempre quem ache graça ao "engraçadinho" mas tenho visto cada vez mais gente como eu, que reclama de forma civilizada e que tenta pôr fim a esta nova moda no mundo da moda. Todos os exemplos que dei nos parágrafos acima são reais: alguns mais antigos, que já poucos se lembrarão, e outros que ainda estão neste momento a correr tinta (nomeadamente com um pedido de desculpas de um meio de comunicação a propósito de notícias deste género publicadas no âmbito do último Portugal Fashion). 

Hoje saltei das caixas de comentários para aqui, algo que já estava para fazer há muito. Porque há que falar e mudar o que está mal. Porque sempre me ensinaram que as desculpas não se pedem, evitam-se. E porque ainda está bem fresca a minha memória em relação aos "engraçadinhos"; não me deixei enganar pelo tempo, não romanceei as saudades que tenho desses anos. Continuo a saber que não tinham piada nenhuma. Nem nunca irão ter.

21
Out18

Assim nasce uma estrela e se consagra outra

Carolina

 

Só os mais antigos aqui no blog (ou se calhar ninguém... é o mais provável) se lembrarão que em tempos eu fui uma grande fã da Lady Gaga - de tal forma que fará em Dezembro oito anos que a fui ver ao antigo Pavilhão Atlântico (ah, belos tempos em que este tipo de espaços não tinham nomes de marcas!). Hoje em dia continuo a gostar dela mas estou longe de seguir o seu trabalho como fazia na altura, em que ouvia todas as músicas e via todos os seus outfits estrambólicos. Acho-a uma artista completa, com "A" grande, e por isso não podia perder este momento que, acho eu, será um marco importante na sua carreira: o "A Star is Born".

Confesso que não foi só por ela que fui ao cinema (coisa que não fazia há tantos meses)! O facto do Bradley Cooper ser o responsável pela direção do filme só fez com que tivesse ainda mais vontade de ir, e não me arrependi. Nem sequer sei o que me prendeu mais ao ecrã: se a prestação dela se a arte dele. Ia escrever esta frase dizendo que não sabia o que me surpreendeu mais - mas a verdade é que não saí surpreendida; fui com as expectativas altas, esperava muito de ambos, e nenhum me desiludiu. Mas, a ter que escolher, realçava-o a ele: que não só desempenhou brilhantemente o seu papel - e o que ele canta! -, como tem claramente um olho espetacular para estar por detrás da câmara.

Nos últimos anos - na verdade, desde que fui realizadora num programa de televisão da minha faculdade - comecei a prestar muita atenção aos ângulos, àquilo que se via e não se via quando a câmara apontava para um determinado sítio, à beleza não só da cena em si mas também da forma como ela nos é apresentada. De tal maneira que nos últimos tempos tenho filmado e editado vários vídeos, porque é uma arte que cada vez mais me apaixona, principalmente pela forma natural como tudo se forma na minha cabeça: quando vou no carro a ouvir rádio e me apercebo que é aquela música que vai ter de servir de pano de fundo, quando olho para o perfil de alguém e sei que vou ter de o apanhar naquela perspetiva, quando se forma uma sequência de imagens na minha cabeça que eu sei que tenho de respeitar.

Por isso, ver todos os pontos de vista que o Bradley Cooper "desenhou" para nos contar esta história soube-me a um rebuçado bem doce. Não é uma realização linear: os planos são muito pensado e bem criados. Ora temos grandes close-ups da cara, ora temos uma visão completa de uma divisão; ora vemos a Gaga de perfil, ora vemos ambos de costas. Mas nada disto é gratuito: tudo tem uma intenção, onde moram pequenos pormenores que fazem por ser vistos, mas que para quem estiver absorvido pela história do filme podem passar despercebidos. Destaco, por exemplo, todas as cenas em cima do palco, que têm algo de mágico - no movimento, na cor, na intensidade do som. Agora é esperar para ver o que o Bradley faz a seguir.

A história retrata um bocadinho daquilo que está por detrás do estrelato: o sucesso repentino de alguém (que acontece, ainda para mais hoje, com todos estes fenómenos virais) em contraste com a queda de uma estrela, aliada ao álcool e às drogas (que, infelizmente, também é o pão nosso de cada dia). Fala ainda da perda da identidade própria de um artista para poder agradar às massas, dos estragos que o mais pequeno detalhe pode fazer na carreira de alguém e, claro, de uma história de amor entre duas pessoas que estão em fases totalmente opostas das suas vidas. Acho que a Lady Gaga, provavelmente por já ter passado (e testemunhado) muitos destes processos, encaixa no papel de Ally que nem uma luva. Sobre os dotes musicais dela ninguém tinha dúvidas (e que belo soundtrack resultou deste filme!), e agora resta só saber o que virá a seguir: será que noutro filme que não retrate uma vida similar à dela (no sentido de uma carreira musical) ela se sairá tão bem? Eu acho que sim. Talvez tenha mesmo nascido uma estrela. A outra já existia, só passou a brilhar ainda mais.

14
Out18

Viena, a capital cosmopolita

Carolina

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Viena é, provavelmente, a capital mais conhecida de todas as quatro por onde passei. Isso faz com que existam, por defeito, muitas ideias pré-concebidas da cidade, que podem ou não ajudar no confronto que temos com a realidade. E a verdade é esta: acho que, inconscientemente, esperava mais. Aliás, esperava que fosse diferente. Isto porque sempre ouvi falar da Áustria como um país com locais lindíssimos, onde era o pormenor e o detalhe que faziam a diferença, onde há vilas e cidadezinhas que parecem saídas de contos de fadas. Acho que fui contagiada por este espírito e não esperava que Viena fosse uma cidade totalmente cosmopolita, a mais atual de todas a que fui nesta viagem e, acima de tudo, a mais "pesada": com muita pedra e grandes edifícios. Devo também, em nome da justiça da cidade, fazer um disclaimer: Viena, sendo a nossa última paragem, foi o sítio onde estivemos mais cansados. Notei isso em todos os circuitos que fiz: a última paragem sofre sempre por ser a última - quer seja por não se tirarem tantas fotos por o "cartão estar quase cheio" ou porque "já se tem demasiadas fotografias", ou por já não se ter tanta energia para explorar todos os recantos, ou por já nem se ter paciência para ouvir (e muito menos apontar) tudo aquilo que a guia diz. Sinto mesmo que as minhas memórias de Viena são as menos concretas, tenho ideias vagas de tudo, mas se precisar de me lembrar de um determinado sítio já tenho alguma dificuldade. Enfim, vicissitudes da vida!

Mas vamos por partes. Já é da praxe o meu passeio noturno mal chego a uma cidade. Desta vez o destino foi Prater, o parque de diversões mais antigo do mundo e que contém aquele que é, provavelmente, o símbolo mais conhecido de Viena: a roda gigante, em funcionamento desde 1897. Apesar de eu ser completamente aversa a diversões (nunca andei nuns carrinhos de choque, por exemplo!), achei este sítio incrível - mas pareço ter sido a única, pois dentro do pequeno grupo de pessoas com quem estava ninguém parecia muito interessado em continuar por lá; andamos na roda gigante e, com muita pena minha, viemos logo embora. Tudo aquilo tinha uma aura que misturava o vintage com o degradante, ajudada pelas luzes dos divertimentos que iluminavam o escuro da noite, um bocadinho como imagino Coney Island. Adorava ter explorado mais.

A vista da roda gigante, de noite, não é nada de especial. Porquê? Porque Viena é escura, não está iluminada. Esta foi, talvez, a minha maior desilusão. Esperava um cenário tipo Paris ou, mais recentemente, Budapeste. Mas não. Acho que muito por "culpa" da ecologia, a maioria das luzes (para além das essenciais) são desligadas - mesmo as das montras nas principais ruas da cidade. Percebo e concordo com o princípio, mas tira toda a magia - de tal forma que nem tirei fotos, não se iria ver nada. Por isso, se empenharem os vossos 10 euros na roda, façam-no de dia.

Uma nota, para mim, sempre importante: achei o ambiente muito civilizado em todos os espaços por onde andei e senti-me sempre muito segura, tanto de noite, como de dia.

 

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À entrada do espaço da roda gigante há uma série de "maquetes" em movimento muito giras

 

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Dentro da nossa cabine na roda gigante

 

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A cabine 30 no topo da roda - 65 metros acima da terra!

 

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Uma das diversões iluminada no meio do negrume da noite

 

A visita do dia seguinte começou no complexo do palácio de Hofburgo, a residência de inverno da família imperial, cujo interior não visitamos. No entanto dá para atravessar os caminhos interiores do palácio, passando pelos seus pátios e pelas conhecidas cavalariças - uma parte do complexo conhecida por Stallburg, onde hoje estão os cavalos da Escola Espanhola de Equitação. Para terem uma ideia da dimensão, o palácio abrange uma área de 240 mil metros quadrados!

É neste complexo que encontram a praça Albertina, que alberga o museu de Sissi, um dos mais conhecidos e falados neste momento em Viena. Retrata a vida da Imperatriz Elisabeth, casada com Francisco José I, um casal muito afamado e acarinhado por todos - é impossível ir a Viena e não ouvir falar deles. Ela está em todas as lojas de souvenirs, ao lado de Mozart e das peças inspiradas pelo Klimt, só para terem uma ideia. Esta era uma das opções que tínhamos para ver e fazer no nosso tempo livre mas optamos por desfrutar da cidade e do bom tempo em vez de vermos o museu; algumas pessoas da excursão foram e só deram boas referências! É provavelmente algo interessante a fazer quando a meteorologia não ajudar.

Ao caminhar-se pelo veio central do palácio, por onde a passagem é livre, passamos pela Ala Leopoldinense (onde se situa o gabinete do presidente austríaco - e antigamente do imperador), pela Praça dos Heróis, pelo Palácio Velho, pelo Palácio Novo (que agora alberga partes da Biblioteca Nacional e alguns museus) e finalmente pelo Portão Exterior. Tudo isto é, no fundo, uma grande prova do império que a Áustria liderou durante cerca de 50 anos - é enorme, é pesado, é grandioso. Impõe respeito. E, de forma inconsciente, era toda esta grandiosidade que eu não esperava.

 

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À entrada do palácio (feita por aquela grande porta no centro da foto)

 

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Estátua à entrada do palácio

 

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Uma das cúpulas do palácio

 

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A frente do Palácio Velho, com o seu conhecido Portão Suíço (nomeado assim por ter sido durante algum tempo vigiado pela Guarda Suíça)

 

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A frente do Palácio Novo 

 

A paragem seguinte foi uma que eu facilmente passaria à frente - Hundertwasserhaus, umas casas de habitação social concebidas por Friedenreich Hundertwasser, que é uma espécie de Gaúdi austríaco. Os edifícios têm umas formas estranhas, muitas cores, varandas e sempre um elemento com água. Seria giro se estivesse melhor conservado e se fosse algo de maior dimensão. Em frente há uma galeria, também dentro do mesmo estilo arquitetónico, cheia de lojas de souvenirs com todos os estilos, tamanhos e preços - coisas com alguma graça mas que se arranjam noutros sítios se não quiserem fazer esta paragem que, repito, era para mim dispensável.

 

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Hundertwasserhaus

 

Já a paragem seguinte é um ponto obrigatório: o Palácio de Belvedere que, na verdade, são dois - o superior e o inferior. A entrada nos jardins é gratuita mas o interior (agora transformado em museu) é pago, uma vez que é lá que estão, por exemplo, as pinturas de Klimt (incluindo, se não me engano, o tão famoso "Beijo"), entre outros nomes famosos.

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O Palácio Superior, com o seu enorme lago à frente

 

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Ainda o Palácio Superior

 

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O Palácio Inferior (ao fundo) e os seus jardins

 

Ainda sobre palácios, também visitamos o Palácio Schönbrunn (que significa bela fonte em alemão - e é assim chamado porque o Imperador Matthias descobriu uma fonte aqui, neste local, em 1600, durante uma caçada). O Palácio teve muitas fases mas foi maioritariamente usado como residência de verão - e foi aqui que viveu Napoleão quando as tropas francesas invadiram Viena. É também um local importante porque foi aqui que morreu o Imperialismo, em 1918, quando o Imperador Carlos I renuncia as funções de chefe de estado.

Nós só visitamos o exterior e passeamos por uma pequena parte dos magníficos jardins, com várias fontes e "avenidas" muito bem cuidadas, com as árvores cuidadosamente aparadas e as flores em belíssimo estado. No entanto, pelas fotos e pela história rica do palácio, creio que a visita ao interior vale a pena - até porque, convenhamos, jardins já vimos muitos! Há vários tipos de bilhetes, mas penso que em visitas mais completas os preços começam nos 13 euros (mais uma vez, é conveniente comprar pela internet para evitar filas desnecessárias). Dentro do Palácios há sítios onde se pode entrar, pagando a entrada à porta, como o Tiergarten, o jardim zoológico mais antigo do mundo, o Wagenburg (o museu das carruagens) ou a Casa das Palmeiras, que é uma espécie de estufa.

 

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A entrada do Palácio

 

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Numa das fontes - não percebi se estava em ruínas ou se queria imitar ruínas

 

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Vista traseira do palácio e um pouco dos seus jardins

 

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Uma das fontes mais conhecidas (e bonitas)

 

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 Um dos locais que mais gostei foi um túnel forrado a roseiras, ainda com algumas rosas em flor

 

Agora falando em igrejas, um clássico nas visitas turísticas: a Catedral de Santo Estevão, bem no coração de Viena, é um must-see, sendo o edifício gótico mais importante da Áustria. Tanto o interior como o exterior são muito bonitos, grandiosos e impactantes. Reparar no telhado, todo esmaltado. A entrada é grátis.

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A torre da Catedral mede 137 metros

 

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Um órgão antigo no centro da igreja. Se tocar num só teclado já é difícil, imagem tocar em quatro e com dezenas de botões à volta. Credo!

 

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No interior da igreja

 

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Detalhe no interior da igreja

 

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O teto em forma de várias abóbadas

 

Fomos também à Igreja de São Carlos Borromeu - aliás, passamos por lá, uma vez que estava fechada. Mas tivemos imensa sorte pois, nessa altura, estava a decorrer um festival de rua com performances e artes circenses na praça em frente à igreja. Havia imensa gente, várias lojinhas improvisadas, comida e muita animação. Foi divertido e deu para sentir o espírito da cidade. É o tipo de coisa que às vezes pode fazer a diferença numa visita e que nos faz pensar que esta pode mesmo ser uma cidade muito agradável para se viver (os rankigs ao nível da qualidade de vida concordam com isto).

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 Em frente à  Igreja de São Carlos Borromeu

 

E agora a minha parte favorita de Viena: o Naschmarkt, o mercado local. É estranho ter sido este o meu local favorito da cidade, não é? De todo o esplendor da cidade, os palácios e a ópera, um "simples" mercado ter sido o meu local preferido revela muito daquilo que Viena foi para mim: uma surpresa, tanto de um ponto de vista positivo como negativo. Quando apontei este mercado nos meus sítios a visitar pensei que fosse algo fechado, como aquele que visitei em Budapeste. Mas não. É um mercado ao ar livre, enorme (é quase uma avenida inteira!), cheio de bares, cafés, restaurantes e muitas bancas com produtos coloridos e com um ar delicioso. É um misto de Galerias de Paris (aqui no Porto), com os mercados árabes, esplanadas... é difícil descrever, mas aconselho vivamente. Gostamos tanto que fomos lá duas vezes: uma vez à tarde, onde aproveitamos para lanchar, e outra no último dia, na nossa despedida de Viena, onde almoçamos - com uma comida boa, num ambiente super simpático e movimentado e por um preço nada exagerado. No domingo apanhamos uma espécie de flea market, onde imensas pessoas vendiam as suas velharias, tralhas e algumas coisas giras. Nós não tínhamos tempo para grandes compras nem paciência para andar lá a vasculhar no meio dos milhões de objetos que lá haviam (acredito que existissem alguns engraçados, mas é preciso ter olho para o negócio para não se ser enganado e, acima de tudo, ter muita paciência para encontrar o que quer que seja no meio daquela desorganização). Não sei se é algo que acontece mensal ou semanalmente (ou até de forma esporádica), mas também tem a sua graça e fica mesmo ao fundo do mercado e prolonga-se até ao fim da avenida.

 

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Numa das ruas do mercado

 

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Uma "montra" cheia de azeitonas de tamanhos, cores e feitios que eu nunca sequer imaginei existirem

 

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A cores das especiarias numa banca do mercado

 

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Umas amêndoas absolutamente deliciosas que lá compramos, cobertas com sementes de sésamo. De ir ao céu e voltar!

 

 Outros locais por onde passamos e que merecem menção:

A Secessão, um edifício muito bonito que fica pertíssimo do mercado, que é  "casa" do estilo da Secessão Vienense, encabeçadao por Gustav Klimt. Está tudo muito pouco claro à volta do edifício, por isso inicialmente achei que isto fosse uma daquelas igrejas estranhas ou outra coisa qualquer. Na verdade é uma espécie de museu, onde decorrem exposições.

 

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Secessão

 

O Café Sacher, que dá o nome ao doce mais popular de Viena: o Sacher. É um bolo de chocolate de duas camadas, divido por doce de alperce e coberto por uma camada espessa de chocolate negro. Era das poucas coisas que sabia de Viena: lembro-me da minha irmã ter ido lá, há mais de uma década, e me ter trazido uma caixinha de madeira (que ainda guardo) com um bolo lá dentro. Era este. Passado tanto tempo voltei a comer e voltei a não adorar. Mas não há dúvida que é um dos símbolos de Viena. 

O Café e o Hotel Sacher são o sítio oficial, mas na verdade este bolo come-se em todo o lado. Há também uma loja oficial, onde podem comprar bolos grandes, pequenos, bombons, tabletes de chocolate... tudo e mais alguma coisa. É um pouco cara, mas é também dos melhores souvenirs que podem trazer. Afinal de contas... é chocolate. E chocolate é sempre bom.

 

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Fachada do Café Sacher

 

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No interior da loja dos bolos Sacher

 

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Igreja de São Miguel

 

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Museu de História da Arte e de Ciências Naturais

 

Despeço-me com o edifício mais emblemático da cidade: a Ópera. O nosso circuito incluía (ainda que por um valor pago à parte) um concerto na Ópera que optamos por não ir: primeiro porque eram umas horas a menos de passeio, segundo porque não tínhamos roupa decente para ir ver um concerto, mesmo que fosse pouco algo formal, e terceiro porque, a ver, que seja algo em bom. Também não visitamos o interior por uma questão de falta de tempo e por termos outras prioridades. Dizem, no entanto, que é uma das paragens obrigatórias: a entrada fica por 7,5 euros e inclui um bilhete para o museu (que, esse sim, dizem ser desinteressante). A verdade é que - e fazendo uma pescadinha de rabo na boca com o inicio do meu texto e com o que já mencionei também noutros parágrafos - é que eu acho que esperava outra coisa. Este é um edifício grande, mas não é um arrepio na espinha, não é um UAU. Podia ser um museu como tantos outros, um edifício de estado. Tanta coisa! O imaginário construído à volta de Viena, em particular para quem gosta de música clássica (como eu), pode ser traiçoeiro na hora de visitarmos esta capital. Por isso cautela com as expectativas!

De resto, é óbvio que é uma grande capital europeia, que merece ser visitada. Quanto a mim, espero em breve dar uma volta por outras cidades austríacas, essas sim, que dizem parecer saídas das histórias de princesas.

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Ópera vista de noite - um dos poucos edifícios iluminados

 

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Ópera vista de dia

 

Onde fiquei? No Arcotel Kaiserwasser, junto aos edifícios das Nações Unidas, numa parte muitíssimo atual a cidade. O hotel é grande e confortável, tem um bom pequeno-almoço e uma filosofia muito amiga do ambiente: caso dispensem a limpeza diária dos quartos oferecem dinheiro a uma associação relacionada com abelhas; têm "fruta feia" grátis à porta do pequeno-almoço, para os hóspedes não fazerem aquelas figuras tristes de meter fruta à socapa dentro das malas para comer durante o dia e outras coisas que tais. A decoração é toda em tons de vermelho, algo que não gostei muito, mas que se diluí comparando com outras vantagens do espaço. Fica muito perto de uma estação de metro, que fica a seis estações do centro da cidade.

Importa saber: o funcionamento das linhas de metro é relativamente intuitiva, assim como a compra dos bilhetes; para quem é do Porto será ainda mais fácil, uma vez que tem a mesma lógica que o de cá - "picam-se" os bilhetes no início e o bilhete é válido durante a hora seguinte, onde podemos andar livremente, desde que não andemos numa lógica de circuito (ir e vir, por exemplo). Não são é baratos: 2,40€ para adultos. Atentem a que há vários preços especiais consoante as idades, assim como várias modalidades (bilhetes de 72h e etc.). A língua é o alemão (difícil, mas sempre é melhor do que o húngaro!) e a moeda é o euro (aleluia!).

O que faltou ver? Entrar no edifício da Ópera e ver uma ópera. Conhecer melhor Prater. Visitar o museu da Sissi e o interior do Palácio Schönbrunn.

 

 E assim terminam os diários de bordo desta excursão! Podem ler todos clicando aqui.

02
Out18

Budapeste, a incrível capital da Hungria

Carolina

“Budapeste, cortada por um rio. O Danúbio, pensei, era o Danúbio mas não era azul, era amarelo, a cidade toda era amarela, os telhados, o asfalto, os parques, engraçado isso, uma cidade amarela, eu pensava que Budapeste fosse cinzenta, mas Budapeste era amarela.” 

Chico Buarque

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É isto. As palavras de Chico Buarque dizem tudo. Não vale a pena estar cá com paninhos quentes: Budapeste ganhou-me no momento em que, na primeira noite, subi ao Castelo. Foi o momento "wow" que precisava nesta viagem e foi, sem dúvida alguma, o mais impactante de todos. Quando observei a cidade toda iluminada lembrei-me de algumas fotos que já tinha visto e soube que esta também seria a imagem que ia guardar para o resto da vida. Budapeste ganhou-me ali, sem sequer a ver à luz do dia. E, é engraçado, pensei que nunca a vista de dia bateria aquela paisagem noturna. E se por um lado não bateu, por outro não deixou de me surpreender, mais uma vez. De dia, a cidade continuava linda, mas uma beleza diferente, quase reinventada.

Budapeste são, na verdade, duas cidades: Buda - o lado da colina - e Peste, o lado plano. Pelo que percebi há uma certa rivalidade - ainda que saudável - entre os moradores de cada lado. Buda, dizem, é para os mais endinheirados, enquanto que Peste é o lado das pessoas "normais". Os dois lados são separados pelo rio Danúbio, tão celebrizado por uma obra de Strauss - há várias pontes que possibilitam esta passagem, a mais conhecida é a Ponte das Correntes (onde infelizmente não passei a pé, mas que me parece inspirada na ponte de Brooklyn, em Nova Iorque). Eu fiquei do lado de Buda, o mesmo do Castelo - daí a facilidade de ter subido até lá na noite da minha chegada -, e o oposto ao Parlamento.

 

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A Igreja de Matias de noite

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A vista do Panteão dos Pescadores, de noite. Ao fundo a Ponte das Correntes

 

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O Parlamento iluminado durante a noite, visto do Panteão dos Pescadores

 

 Acho mesmo que o Castelo e o Parlamento são os dois edifícios que nos fazem cair o queixo em Budapeste, tanto de dia como de noite. Estive, para além da primeira noite, um dia e meio na cidade - e as visitas em cada uma das manhãs corresponderam, precisamente, a estes dois locais. 

A área do Castelo (como podem ver no mapa abaixo) é gigante: isto porque o Castelo não é só o monumento em si, mas também aquela parte da cidade. Dentro do perímetro dos ex-libris, também conhecido por cidade medieval, estão a Igreja de Matias e o Bastião dos Pescadores, entre outros edifícios também conhecidos (se não me engano, um era um antigo convento das Carmelitas). Era aqui que antes viviam as pessoas importantes do reino (daí ser um castelo), mas ultimamente toda a parte institucional da Hungria (nomeadamente o governo) está do lado de Peste. Segundo a nossa guia isso pode estar prestes a acabar, uma vez que este Governo tem a intenção de se "mudar" outra vez para Buda. Em jeito de má língua, contou-nos também que o Primeiro-Ministro (sim, aquele que adora os migrantes) pretende ficar num gabinete em frente ao Danúbio, onde vai acrescentar uma varanda para poder ver melhor as vistas. Só os invejosos dirão que é má ideia ;)

A Igreja de Matias é bonita, imponente e incrivelmente branca (a entrada é paga). Digo isto porque as igrejas (principalmente muito trabalhadas) tendem a ficar escuras (e mais feias) ao longo dos tempos, dada a dificuldade de as limpar. Esta está impecável, num estado de conservação formidável, e tem um telhado em cerâmica lindo de morrer. O seu interior também é bonito, em tons de laranja. Uma das peças mais importantes, com uma história ligada à Segunda Grande Guerra, é uma Nossa Senhora negra, que está numa das capelas a igreja. A pior coisa deste duo Igreja-Bastião dos Pescadores foi um "trio" que se lhes juntou - o Hotel Hilton, um autêntico monstro feio ao lado daqueles monumentos incríveis. É uma pena. Só demonstra o poder do dinheiro.

 

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O Mapa do Castelo

 

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A Igreja de Matias

 

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 O interior da Igreja de Matias

 

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Alguns detalhes da Igreja de Matias (a Nossa Senhora à esquerda e uns vitrais à direita)

 

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A vista do Panteão dos Pescadores

 

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 Num dos "spots" mais requisitados do Bastião... e com razão

 

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Um ponto de vista do Bastião dos Pescadores

 

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À saída do Bastião dos Pescadores

 

Um dos photo-stops mais populares é a Praça dos Heróis, onde estão estátuas dos maiores líderes Húngaros e uma homenagem ao Soldado Desconhecido. Se é verdade que é uma praça bonita, também o é que eu não fazia questão de lá ter parado. Sinto que é algo "comum", que se vê em vários sítios. É mais uma. Portanto, se tiverem com um tempo apertado, aconselho a que passem esta à frente ou só de carro. Lá à volta há vários edifícios conhecidos, nomeadamente o do Museu de Belas Artes (neste momento fechado para obras); relativamente perto fica também o Parque da Cidade (penso que é lá que está inserido um lago que, no verão, dá para passear de gaivota e, no inverno, quando ele gela, se pode patinar). Ainda nas redondezas, mencionar o Balneário Széchenyi, com as famosas águas termais da Hungria - não fui lá, mas dizem ser incrível e muito bonito, com 15 piscinas, três delas ao ar livre e, claro, com água quentinha! As termas e os spa's são um must em Budapeste, há ao pontapé... de tal forma que o lago dos hipopótamos, no Jardim Zoológico, é com água termal. Luxos! ;)

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A Praça dos Heróis

 

Foi aqui que acabou a tour do primeiro dia e tivemos ordem de soltura. Optamos por ir conhecer o mercado e eu fiquei espantada com a quantidade de enchidos que eles lá têm. No andar de baixo o edifício tem inúmeras bancas de comida (peixe, carne, verdes e fruta e outras comidas) - incluindo paprika, a especiaria mais famosa da Hungria - e no de cima milhões de souvenirs. Na verdade aquilo é tanta tralha junta que é difícil ter o discernimento e a paciência para se encontrar o que quer que seja, mas não deixa de ser um local muito giro e que merece a visita. No fundo, é o nosso Bolhão mas em bom (até porque parece ter sofrido uma requalificação há relativamente pouco tempo) ou a Boqueria em Barcelona mas, se a memória não me trai, um pouquinho maior.

 

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A fachada do edifício do Mercado

 

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No interior do Mercado

 

A paragem seguinte foi na Sinagoga. Se em Praga acabamos por passar o "capítulo judeu" praticamente à frente, em Budapeste optamos mesmo por entrar (o bilhete não é barato: três mil florins). Nunca tinha entrado numa Sinagoga, em Portugal não há esta abertura, e por isso fiquei feliz por ter esta oportunidade, principalmente tendo em conta que esta é a maior da Europa, a segunda maior do mundo (a primeira fica em Nova Iorque, creio). Por sorte apanhamos uma visita guiada (grátis) dentro do local e acabamos por visitar os arredores do monumento - o cemitério e as várias homenagens que fizeram aos mortos no holocausto e a algumas personalidades que fizeram a diferença (pela positiva) neste genocídio. Aprendi muito, o guia era um senhor fantástico e um comunicador de excelência, e tive muita pena de não ter tempo para ouvir o resto da visita, feita no interior da sinagoga. Tenho a certeza que teria aprendido ainda mais. Achei o local bonito e interessantíssimo - e ainda me ri um bom bocado, uma vez que todos os homens que entram têm de usar um quipá (aqueles "chapeuzinhos" que os judeus usam) descartável, feito de papel. Mas alguns eram carecas e outros não tinham simplesmente cabeça para aquilo, por isso era vê-los sempre a segurar o papel para não voar. Hilariante.

 

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A entrada da Sinagoga

 

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Dentro da Sinagoga (vêem os quipás de papel?)

 

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Monumento aos judeus mortos no Holocausto

 

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Em muitas das "folhas" deste monumento há nomes de pessoas mortas durante aquele período negro; outras estão vazias, em homenagem aos muitos que ainda continuam desaparecidos ou que não há registo de morte

 

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Pelas ruas de Budapeste

 

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Com uma estátua desconhecida atrás de mim mas que ficou bem na foto ;)

 

O segundo dia começou com a subida ao Monte Gellert onde, para além de uma vista muito bonita para o Danúbio e para os dois lados da cidade, está a estátua da liberdade (que se vê de toda a cidade). Confesso que, apesar de ter gostado, não me fez cair o queixo. Não sei se se pode visitar este local de noite, mas desconfio que terá outra magia. No dia em que fui havia uma certa neblina no ar, que fazia com que tudo ficasse um bocadinho mais baço... talvez por isso não me tenha perdido de amores por esta vista. Mas vale a pena, quanto mais não seja para umas fotos bonitas.

 

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O Danúbio e as duas partes da cidade

 

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Uma das vistas do Monte Gellert

 

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A estátua da liberdade

 

A paragem final foi no Parlamento. Na maioria dos sítios este é um edifício que ignoramos, mas em Budapeste é impossível faze-lo: pela beleza, pela grandiosidade e pela riqueza deste monumento que faz esconder o nosso parlamento de vergonha. É incrível e bonito, tanto por dentro como por fora, e por isso merece uma visita. Se o fizerem, informem-se antes e comprem um bilhetes pela internet, porque as filas não eram pequenas; os preços são diferentes para residentes e não residentes da UE, os horários são apertados e as visitas (divididas por línguas - não há em português) entram em tranches, com horários muito rígidos e apertados. 

Aquilo é um parlamento, mas podia perfeitamente ser um palácio. Se a memória não me trai, a guia disse que com o dinheiro que se gastou entre construção e decoração deste monumento se poderia construir uma cidade funcional com cerca 70 mil pessoas, com todas as infraestruturas necessárias. Alguns detalhes interessantes e que eu apontei: tem 700 salas, 4km de passadeira vermelha ao longo dos corredores (que é aspirada todos os dias... por homens) e 20 kms de escadas! A Sala da Cúpula é a mais popular, uma vez que (para além da sua beleza) é o local onde estão as joias da coroa, guardadas por vários guardas com uma cara muito séria - desculpada unicamente pelo trabalho aborrecidíssimo que eles lá desempenham. Nessa área é proibído fotografar.

 

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O exterior do Parlamento

 

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A entrada do Parlamento para pessoas que lá trabalham, não para a "plebe"

 

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A parte traseira do local onde estão as joias da coroa, com umas escadarias imponentes

 

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Detalhes do teto do Parlamento

 

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Numa das salas do Parlamento

 

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A sala da assembleia

 

 A nossa despedida foi feita no maior ícone de Budapeste: o Danúbio! A nossa tour incluía um almoço a bordo de um barco, onde percorremos uma pequena parte do rio e vimos algumas das principais pontes de um ponto de vista diferente. E é só por isso que esta pequena volta pode eventualmente valer a pena: ver as pontes e a cidade de uma outra forma. Enquanto lá estava pensei muito sobre como se compararia aquela viagem à de uma no rio Douro e a verdade é que aqui a viagem é muito melhor; primeiro porque as pontes são mais bonitas e segundo porque as margem são também elas muito mais belas. Cá, mesmo saindo das cidades, há sempre vegetação e um quadro verde pintado a toda a volta; ali eram umas margens pouco naturais e feias, feitas maioritariamente por pedras, o que fazia com que só um lado da cidade (Peste) é que conseguisse ser visto. Ou seja: pode valer a pena se gostarem de andar de barco, de ter outra perspetiva da cidade e, acima de tudo, se tiverem tempo.

 

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O Parlamento visto do rio

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A Ponte das Correntes

 

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No barco

 

Em resumo, adorei Budapeste. Achei-a menos coerente que Praga (no sentido em que tem uma maior diversidade no tipo e no estilo de edifícios e na altura dos mesmos, por exemplo), mas de uma grande beleza. Continuo a dizer que aquela vista do Castelo, no dia da minha chegada, teria sido o suficiente para adorar a cidade. Tal como Praga, é uma cidade bonita de geral mas, ao contrário da capital Checa, tem monumentos que, no seu particular, são estonteantes (como o Parlamento). O facto de ter um rio tão popular (impossível não nos lembrarmos do Danúbio Azul) também faz com que entremos numa aura do nosso imaginário que, só por si, já traz alguma magia à cidade. Uma das coisas que também gostei muito foi a cultura das esplanadas que eles têm: em todos os sítios há cafés para nos sentarmos e aproveitarmos o dia. A Avenida Andrássy e a Váci Utca (esta última pedonal - a primeira não me lembro...) são as ruas mais populares da cidade, cheias de lojas de souvenirs e de compras, que têm mesmo de ser visitadas. 

Mas não há bela sem senão. Para além daqueles elogios todos que Chico Buarque teceu sobre Budapeste, também disse que o húngaro é a única língua que o diabo respeita. Porque o húngaro é mesmo isso: diabólico. Quando achávamos que o checo já era péssimo, fomos presenteados com aquele dialeto completa e totalmente imperceptível e impronunciável. Um terror. A par disso, diria eu, estão os húngaros, com os quais não simpatizei minimamente. Achei-os mal-educados e rudes, com muito pouca vontade de ajudar; no hotel (e apesar de eu não entender uma palavra do que diziam) percebi que estavam a gozar com a nossa cara quando reclamamos a propósito do pequeno-almoço. São uma mistura de europeus-ciganos-móngois. Eu sei que é estranho (pode até soar a preconceituoso), mas é a melhor forma que tenho de os descrever. Não vim de lá fã deste povo.

De resto... muitos corações para Budapeste! Posso confessar secretamente que, da quadra de capitais que visitamos, foi a que mais me encantou. 

 

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Um "cheirinho" da cidade

 

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E mais um, com a sua luz tão característica

 

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... e mais um!

 

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Até um dia, Budapeste!

 

Onde fiquei? No hotel Mercure Buda. Diria que a localização é boa (15 minutos a pé do Castelo), mas a experiência foi no geral má - em grande parte por viajar em grupo. Achei o quarto agradável, confortável e bem decorado, com uma casa de banho espaçosa - mas o pequeno-almoço foi um desastre. Tão mau que valeu uma reclamação por escrito na receção e uma crítica destruidora no TripAdvisor, quando cheguei cá. Havia um espaço de pequeno-almoço reservado a grupos e que era frequentemente invadido por dezenas de asiáticos, que usurpavam tudo o que podiam. E estou em falar de tupperwares em cima de tupperwares cheios de ovos, fruta, pão e tudo o que houvesse, deixando o local - para além de imundo - completamente vazio. Mais do que ter pouco que comer, tinha nojo sequer de pôr os cotovelos em cima da mesa. Foi horrível.

No que respeita à estadia, escolher um hotel em Budapeste é sempre um bocadinho cruel: temos obrigatoriamente de escolher um lado da cidade e vamos ter, eventualmente, de atravessar para o outro de forma a visitar as coisas mais bonitas. Por isso boa sorte!

A saber: A moeda é o mais chato na Hungria porque a conversão não é muito prática e implica muitos zeros. Um euro equivale a cerca de 300 florins. Portanto é normal pagarem valores que, para nós, são absurdos... tipo 10 mil florins por um almoço ou mil florins por um íman. Soa-nos tudo demasiado grande.

Gostei do ambiente noturno da cidade, com muitas luzes e com uma boa sensação de segurança.

Uma das coisas populares em Budapeste são os jantares com música ao vivo e com as danças húngaras, com semelhanças ao nosso folclore. Os músicos são quase todos ciganos (é mesmo, dizem-no sem pudores) e as músicas seguem esse estilo. Um dos jantares de grupo foi num destes locais e eu dispensava mais que muito, mas depende do estilo de cada um. 

O que faltou ver? Acabar de ouvir a visita guiada na Sinagoga, passar a pé na Ponte das Correntes e ir às termas. Ver a Basílica de São Estevão e a Ópera.

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