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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

27
Dez17

O pós projeto de Natal: e agora o que faço da minha vida?

Carolina

Sabem aquela sensação de quando acabam de ler um livro que adoraram ou quando terminam a última temporada de uma série que gostaram muito? Um feeling quase de abandono, de não saber o que havemos de fazer à vida depois daquilo, de quase nos sentirmos "orfãos" de alguma coisa? É isso que eu sinto neste momento depois de ter acabado o meu projeto de Natal. Perdida, quase com horas a mais. Eu estava exausta, mas movida por um objetivo. Agora estou só exausta.

É incrível como as ondas de cansaço que nos invadem depois de relaxarmos de algo que nos stressou e moveu durante meses. No dia 25, depois de a 24 ter passado o dia todo na cozinha e me ter deitado às 4 da manhã, após ter posto a mesa, almoçado e brincado um pouco com o meu sobrinho, decidi "ir ver televisão para a sala". Adormeci por quatro horas. Nessa noite dormi bem, na seguinte também. E continuo a acordar cansada, enquanto sinto os meus trapézios a ficarem mais macios a cada dia que passa - embora nunca fiquem normais, porque as minhas contraturas já têm ali morada fixa. 

Os prazo que eu tinha eram demasiado curtos para um projeto tão ambicioso. Este é um dos exemplo que cabe bem numa coisa que eu digo muito, o "trabalho ingrato". Eu sei que as pessoas têm alguma noção do trabalho que me deu ver todos os vídeos, organiza-los e seleciona-los. Mas eu cresci com a máxima de que só há uma forma de fazer as coisas - bem - e não sei trabalhar de outra forma. Por isso eu fui buscar transições e sons para acompanhar (que tinham de bater certinho com a imagem), as músicas ideais para colocar como fundo (que, em certas batidas, tinham de coincidir com certas imagens), fiz uma introdução completamente desnecessária mas hilariante, que me demorou mais que todos os vídeos juntos, e outros pormenores assim do género que ninguém nota quando o resultado final é harmonioso - e que, aliás, pelo contrário, só se nota quando não estão lá. Isto levou-me muito tempo, obrigou-me a fazer noitadas - coisa que já não fazia há muitos anos -, a gerir o stress e conciliar com o trabalho, o que não foi mesmo nada fácil. Mas, caraças, o resultado valeu mais do que a pena! Não só os vídeos em si, mas também o feedback e as reações despoletadas nos outros - onde se incluíram lágrimas e tantas, tantas gargalhadas, que valem pelo mundo.

Uma das poucas coisas que me leva racionalmente a equacionar ter filhos - porque, como muitos sabem, não é algo que eu alguma vez tenha tido nos meus planos, embora nunca tenha excluído uma possível mudança de opinião ou de estado de espírito, ainda que ache improvável - é a perspectiva de dar continuidade à família, de dar aos outros aquilo que eles me deram a mim: pessoas com sangue do meu sangue, que partilham comigo não só laços de amizade, como laços de vida. Ter uma família grande é das maiores alegrias da minha vida e eu gostava de ser coerente e proporcionar esse crescimento, de dar frutos, de fazer com que os meus filhos sentissem o que sinto quando estou envolta dos meus. 

Sou sempre pessimista e um bocado céptica em relação a tudo, por isso, ao longo deste processo, nunca pensei que os vídeos fizessem tanto sucesso. Como hoje em dia todos temos uma concentração de peixes e o Natal é uma época de convívio e não para estar a olhar para um ecrã, sempre esperei que o pessoal visse, gostasse, mas que fosse deitando o olho enquanto punha o dente numa rabanada ou dava duas de conversa com a pessoa do lado. Mas não. Parou tudo para ver, toda a gente se riu imenso e no fim agradeceu e deu os parabéns - e eu fiquei consoladíssima. Primeiro porque tinha as expectativas baixas e segundo porque consegui proporcionar a toda a gente um momento diferente, de nostalgia, de saudade e ao mesmo tempo de alegria, bem representativo da união de família que se vive e sempre se viveu ao longo destes anos.

Foi um momento feliz - nem sei se foi mais para mim ou para os outros - e pronto, agora eu estou de ressaca, a recuperar do cansaço, da barriga e do coração cheio. Preciso de voltar aos dias normais - passei demasiadas horas sentada, ganhei quilos que não devia - mas isto deu para perceber que eu preciso disto para (sobre)viver. Preciso de coisas que me movam, bem além do trabalho. São este tipo de coisas o combustível da minha vida, que me dão forças para além do cansaço para avançar. É raro serem tão recompensadoras como esta foi, mas é nestes dias que percebo que eu sou pessoa de fazer e não de ver passar os outros. E até ao fim do ano, para além do trabalho, só quero descanso. Depois disso, vou pegar na pá e passar para outra obra. 

24
Dez17

Feliz Natal, queridos leitores

Carolina

Hoje, em conversa aqui na cozinha, enquanto eu e a minha mãe andávamos de um lado para o outro, quais baratas-tontas para dar conta do recado, falava-se do espírito natalício. E eu dei conta que, de facto, o espírito natalício vai para além de montar a árvore de Natal, de comprar os presentes, de juntar a família. O Natal para mim é acordar demasiado cedo com o barulho dos tachos na cozinha, é pegar na tigela da minha bisavó - só usada uma vez por ano - para fazer os bolinhos de bolina, é perguntar a opinião sobre se está doce ou salgado, é chatear-me porque as opiniões não coincidem e dizer "olha, então para o ano fazes tu!!!", é lavar uma pilha de loiça e é cair para o lado no sofá depois de estar duas horas em frente ao fogão, enquanto vejo a minha mãe também a tirar uma merecida sesta perto de mim. 

No fundo, Natal é partilha, em todos os sentidos: até a partilha dos hábitos e tradições, perceber o valor daquela tigela onde durante tantos anos se fizeram aqueles bolos e aquela receita que a nossa mãe nos ensinou - e que a avó dela tinha ensinado à sua mãe, que por sua vez ensinou à minha. Natal é trabalho, mas se não fosse, pelos menos para mim, não era Natal. Este ano essa máxima foi levada a um expoente não tão agradável - não foi só o dia e a véspera de Natal que foram trabalhosos, mas sim o mês todo.

Fui engolida por Dezembro e a minha noção de tempo psicológico está um bocadinho dividida: por um lado, olho para trás e parece que passou tudo à velocidade da luz; por outro, enquanto vivia as coisas e ouvia o meu tic-tac cerebral a dizer-me que as coisas tinham que ficar feitas e que todos os dias os prazos apertavam cada vez mais, o tempo não parecia andar ao mesmo ritmo que eu, não me acompanhando o passo. "O lume brando é sempre o melhor tempero", dizem, e eu acho que o mesmo se aplica à vida: saboreamos muito melhor as coisas e damos-lhe muito mais paladar no final se tudo for feito lentamente. É assim que gosto de viver Dezembro e a época natalícia - e foi precisamente o oposto do que fiz, porque às vezes não temos escolha.

Mas é dos pequenos momentos que retiramos as melhores coisas, por isso há que os aproveitar. O meu projeto natalício ficou concluído e estou ansiosamente à espera para ver as reações da minha família a todos aqueles momentos que reuni. As rabanadas estão prontas, a aletria também, e os mais de três quilos de bolinhos de bolina que preparei estão à espera que eu termine este post para serem fritos. As prendas estão todas embrulhadas, com a certeza que depositei nelas todo o carinho, pensamento e atenção possível dada a época. E a minha peça de Natal no piano foi concluída com sucesso, ainda que longe da perfeição, mas no meio do caos destes dias não há como não ficar orgulhosa, senão do resultado final, pelo menos da minha preciosa gestão de tempo.

A minha mensagem natalícia é por isso acompanhada da minha pequena "performance", que serve para marcar também um dos maiores presentes que eu recebi este ano: o meu retorno ao piano. Desejo-vos então um óptimo Natal, com tudo o que desejam, para além de tudo o que é essencial: o quentinho da família, o sossego de uma boa saúde e a esperança de tantos Natais que ainda estão por vir. 

 

Feliz Natal!

 

 

19
Dez17

A praga dos jantares de Natal (ou a desilusão com os britânicos)

Carolina

No último fim-de-semana estive duas noites em Inglaterra, onde fui buscar um dos meus sobrinhos para vir passar o Natal connosco. Já lá tinha ido uma vez em Novembro, mas nunca tão perto do Natal, o que me permitiu chegar a uma conclusão: se acham que marcar uma mesa em Portugal por esta altura do ano é um filme, nem vos passa o que acontece em Inglaterra. Eles são maluquinhos por jantares de grupo natalícios!

Não estou a gozar quando digo que achei mesmo que não ia conseguir jantar. Éramos quatro e fomos entrando em todos os restaurantes que vimos à procura de mesa. Um. Dois. Três. Quatro. Nada. “Fully booked, I’m sorry”. Estava tudo a abarrotar pelas costuras e eu a ver que iamos acabar no Domino’s para ir buscar uma pizza e comer no hotel. Por sorte, acabamos por entrar num restaurante italiano que tinha uma mesinha onde nos conseguimos encaixar, engolindo algo o mais rapidamente possível, para fugir daquele barulho infernal mal pudemos.

Porque para além de cheios de gente e cheios de barulho, os restaurantes estão cheios visualmente. Eles vestem-se a rigor! E não falo só daqueles corninhos de renas que nós pomos por brincadeira ou daqueles óculos com uns pais-natal: são mesmo fatiotas, de alto a baixo, com direitinho a sapatinho de vela vermelho e tudo. Fatos de Pai Natal, tuxedos pintados nataliciamente, camisolas de malha com desenhos de pinheirinhos, flocos e bonecos de neve, gingerbreads, bengalinhas e tudo o que mais têm direito... Isto para não falar das coroas de papel que toda a gente usa, por saírem sempre em forma de brinde nos típicos crackers - que, para quem não conhece, são uns “rebuçados” feitos em papel com uns brindes lá dentro, que fazem “crack” quando se abrem. Enfim, uma festa!

Isto para não falar dos bêbados. O meu quarto de hotel ficava no sexto andar e às tantas da manhã eu ainda ouvia gritos, risos e garrafas a cair no chão - cujos vestígios, partidos em mil pedacinhos, ainda se notavam bem na manhã seguinte. Já me tinha apercebido disto, mas a cultura de cair-para-o-lado-de-tanto-beber ainda está mais implementada lá do que cá, o que é absolutamente decrépito. No restaurante onde ficamos, um rapaz caiu para o lado em cima da mesa e um dos amigos puxou-o de tal forma que ele varreu os pratos e os copos cheios de cerveja para o chão, qual cenário de filme. A melhor parte? Deixaram-no ficar ali, caído, enquanto foram fazer qualquer coisa - nem um ficou lá! - e, quando voltaram, passaram por cima dos vidros, da cerveja e das pizzas como se um tapete de pétalas de rosa se tratasse.

E eu adoro Inglaterra, sempre disse que se um dia tivesse de emigrar era para lá que iria e, confesso, durante alguns anos o meu homem idílico era um rapaz com british accent - lembram-se daquela velha máxima "don't worry if you're single, God is saving you for a British boy"? - mas, de cada vez que lá ponho os pés, sinto-me mais distante daquele estilo de vida. Adoro as cidades (isto que vos conto foi em Bristol, a sul de Londres) mas a forma de estar de quem lá vive não coincide com a minha - ou, pelo menos, com aquilo que pensava dos ingleses. Talvez fosse uma ideia irrealista. Talvez seja eu que estou mais intransigente a cada dia que passa. Ou então talvez seja apenas a época natalícia a dar com toda a gente em doida. Tudo é relativo: até a praga dos jantares de Natal, para os quais nunca mais vou olhar da mesma forma depois desta experiência. Aqui em Portugal somos uns autênticos meninos.

08
Dez17

A competição anual de luzes de Natal está em decadência

Carolina

Não sei como é que é aí na vossa vizinhança, mas numa das ruas perto de minha casa há claramente uma competição anual de luzes e enfeites de Natal - ou havia, até agora. Todos os anos, sempre pela mesma altura, lá começam a aparecer as luzinhas, as grinaldas, os pais-natal a subir parede acima, as renas a entrar pela janela, os arbustos a piscar no jardim e os corrimões pintalgados a LED's. E não é só o facto de coincidirem na altura de colocar os enfeites que me leva a crer que tudo isto é um concurso organizado, com direito a mesa de voto e até assembleia: todos os anos há um tema aparentemente comum entre todas as casas, o que faz parecer que até há um regulamento pré-planeado!

Ora são os pais-natal mais gordos e as escadas mais rebuscadas; ora são as luzes mais pirosas com as cores mais garridas que se encontram nas lojas dos chineses, com formas de colar ao vidro tais como flocos de neve, estrelas ou até mesmo corações - não fosse o Natal a época do amor; ou, como este ano, os animais natalícios, que foram fazer companhia aos cães de loiça que já moram naquelas varandas durante o resto do ano.

Estamos a falar de pequenas moradias, quase todas elas com um pequeno jardim à porta e pelo menos dois andares, pelo que podem caprichar: enchem as plantas de luzes, utilizam os corrimões das escadas para colocar enfeites fora da caixa e até dão toques dramáticos, fingindo que os pais-natal estão a cair acidentalmente pela varanda abaixo. As inspirações dos filmes americanos podem ser muitas, mas o céu é o limite.

Mas este ano estou triste: aparentemente uma das casas deixou de participar na luta, pelo que a rua está menos iluminada e, consequentemente, menos pirosa. Dei por mim a pensar que não conheço quem lá vive, mas já me tinha afeiçoado a toda esta dedicação na época natalícia - mesmo nunca tendo sido convidada para votar nas melhores decorações do ano, o que não deixa de ser ultrajante, sendo eu uma fã incondicional há vários anos. Mas enfim: a única rena na área está solitária, o arbusto ofusca todas as plantas à volta e o pai-natal está a escorregar pela parede fora, de tão magrinho que é. Uma casa foi-se e todas as outras parecem ter perdido o ânimo. É o que dizem: as tradições já não são o que eram. 

01
Dez17

Abriu-se oficialmente a época festiva!

Carolina

Dia 1 de Dezembro é, tradicionalmente, o dia de montagem da Árvore de Natal. Lutei muito contra isto durante grande parte da minha vida, fazendo um choradinho à minha mãe para montarmos a árvore mal Novembro chegava. Mas, enquanto criança, ganhei poucas vezes. Só agora que sou crescida - mas que felizmente ainda gosto do Natal! - é que ela me deixa monta-la antes deste feriado mítico.

Quem me segue no instragram sabe que este ano aldrabamos por uma semana (quem não segue pode seguir através de @carolingagongui). Eu adoro ter a árvore no centro da casa, adoro ver o piscar das luzes enquanto ando pelos corredores à noite e sinto que só falta a neve lá fora para ser o meu cenário idílico - mas tê-la por apenas um mês é tão doloroso que se der para ser durante mais um bocadinho, é perfeito. Até porque eu gosto muito mais de a ver antes do Natal do que depois - lá para o dia de Reis já não me importo que a tirem, porque sinto que aquela época já passou e vem todo um outro ano pela frente. Mas vê-la ali durante as semanas que antecedem as festas é muito especial para mim, quase como um countdown, um bichinho que se vai formando... e é tão bom!

O ano passado mostrei aqui um vídeo da montagem da árvore. Achei que o resultado final tinha ficado muito giro e foi toda uma surpresa também para mim, que tinha acabado de comprar uma árvore com três metros e tive de passar a usar um escadote como meu auxiliar. Este ano o fator surpresa já não foi o mesmo - embora, quando a montei, tivesse pensado "bolas, já me tinha esquecido de como isto era gigante!" - mas este nunca deixará de ser um momento especial, que partilho sempre com a minha mãe (e que, este ano, até teve um dedinho do meu pai, o que tornou isto numa tarefa verdadeiramente familiar). 

O resultado final é parecido com o do ano passado - nem sempre se pode fazer inovações e comprar coisas novas, até porque com uma árvore desta dimensão iria à bancarrota - mas é sempre algo que gosto de partilhar. É engraçado ver como ao longo dos anos as pessoas também vão ficando "ligadas" à minha árvore e pedem para ver fotografias, por isso é algo que mostro com todo o prazer. E, claro, enche-me de orgulho ver e ouvir comentários como "é a árvore mais bonita de todas" ou "isso é que é uma árvore à séria!". Acho que a minha Árvore de Natal é uma boa metáfora daquilo que esta quadra representa e é para mim: algo grande, luminoso, bonito e, acima de tudo, mesmo muito especial.

Em vez do vídeo, e para ser diferente, este ano fiz um gif da montagem:

 

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Arvore2017-1.jpg

 

24
Dez16

Bom Natal!

Carolina

No fim de Novembro fui aos correios e a senhora que me atendeu, depois de ver a data, disse "meu deus, Dezembro está mesmo a chegar! É aquele mês que passa num ápice, nem se dá conta do tempo passar". Na altura anui, sorri e fiz essas coisas todas de quem ouve mas ao mesmo tempo não ouve, porque só quer despachar aquilo e não está para se chatear. Mas como quase tudo na vida, a senhora (muito mais velha que eu) tinha razão: este mês voou. Não percebo a velocidade com que abri todas as janelinhas do meu calendário do advento, não me lembro de as abrir e parece-me que foi ontem que estava em êxtase por saborear o chocolate número um. Não sei se é por ser o meu primeiro Natal como trabalhadora, mas sinto que muitas coisas - incluindo as chatas, ao menos isso! - me passaram ao lado neste mês das festas. 

Serve esta introdução para dizer que não sei como é possível ser Véspera de Natal e de que estou plenamente convencida de que entrei numa máquina do tempo. De qualquer das formas, e antes que volte outra vez para trás querias, não podia deixar de desejar a todos vós, que me lêem desse lado, dois dias de festa rija, em família e com tudo o que se quer: saúde, felicidade e muitos doces em cima da mesa.

Já sabem que adoro o Natal, que é uma época muito especial para mim, ainda que cada vez mais agridoce. Eu não sou católica nem crente, mas sirvo-me destes dias como pretexto para estar com a minha família e mima-los como posso: quer seja cozinhando os meus doces favoritos para eles ou dando-lhes prendas. É o único dia do ano em que não há desculpas: não há jantares de trabalho, crianças doentes, compras para fazer, trabalho em atraso ou vontade de ficar em pijama. Para mim, muito mais do que um feriado religioso, é uma data em que nos obrigamos a parar e estar e mimar aqueles que mais gostamos.

Sei que não conheço a maioria de vós, mas sinto que me dão muito durante o ano inteiro. São a companhia perfeita para uma loner como eu, têm as palavras certas nas pontas dos dedos e dão muitas vezes alegria a uma vida que é, muitas vezes, monótona. Por isso, quero para vocês tudo aquilo que desejo aos meus: que tenham os vossos natais, como querem e com quem querem, e que desfrutem, porque a vida são dois dias - e já que não sabemos o dia de amanhã, mais vale enfardarmos em bom.

 

Bom Natal a todos!

Molly (100 de 1).jpgMolly2 (100 de 1).jpg

P.S. A Molly-Rena também manda lambidelas festivas!

23
Dez16

As pencas da Carolina

Carolina

"As pencas da Carolina" foi a expressão que mais ouvi durante o meu dia. Podem estar a estranhar por duas razões distintas: primeiro porque muitos não devem saber o que são pencas (meninos do sul!) e segundo porque, mesmo sabendo, juntar "pencas" e Carolina na mesma frase é algo improvável. Mas eu explico.

Em primeiro lugar pencas são as couves que se usam no Natal, para comer em conjunto do bacalhau. Não sei se têm outro nome, mas pelo menos no norte é assim que lhe chamamos e mesmo nos supermercados é assim identificada. São umas couves bonitas e enormes, com uma folha larga, que aqui em casa plantamos sempre com abundância para esta época festiva. É claro que nem sempre saem lindas e maravilhosas, depende sempre do tempo que se faz sentir e de outros fatores, como tudo na agricultura: mas este ano São Pedro foi bondoso e proporcionou as condições climatéricas ideias para umas pencas majestosas. Ao todo, nasceram mais de duas centenas no nosso quintal - e embora a família seja muito grande e a distribuição pelos amigos seja algo já frequente, ainda há muita couve para colher e comer nos próximos tempos. 

Posto isto, enquanto me preparava para sair de casa para ir para o trabalho, a minha mãe vem-me perguntar se não quero ajudar ao desbaste das pencas do nosso quintal, oferecendo algumas ao meu chefe e colegas de trabalho. Eram oito e meia da manhã e já eu lhes estava a mandar mensagens, qual mercearia em ofertas relâmpago e de liquidação. Fiz mais ao menos as contas e levei dez pencas para o escritório, em dois sacos do lixo gigantes e pesados que mal me cabiam dentro do carro.

Vi-me grega para transportar as couves pelas escadas do escritório acima mas lá consegui, orgulhosíssima das couves que ali transportava. Entretanto fui ao almoço de natal do trabalho e a notícia espalhou-se: a certa altura já só se discutia de couves, doces, agricultura e tradições natalícias e eu (supostamente) tinha pencas para oferecer a meio mundo - apesar de só ter 10 ali à mão de semear. Era "o bacalhau com as pencas da Carolina", "ir buscar ao escritório as pencas da Carolina", "perguntar à mãe se quer pencas da Carolina" e muitas outras coisas que acabavam com "as pencas da Carolina". Acabei a racionar as couves em vários sacos: duas para um lado, três para o outro, quatro para outro saco, uma noutro. Foi uma festa, parecia que estávamos na feira.

Porque, afinal de contas, o Natal também é isto: sujar o carro novo todo com as couves, quase cair das escadas por as transportar em cima de sapatos de salto alto, racionar para dar a mais gente. Não é a prenda mais óbvia do mundo, mas não deixa de ser especial. E, sejamos sinceros, não há nada como uma couvinha biológica no bacalhau cozido. (Boa ação do dia: check!)

 

Pencas.jpg

As ditas - aqui só metade das que levei.

19
Dez16

Calendário do advento em modo geek

Carolina

Nada bate o calendário de advento de chocolate, isso é certo. Não me venham cá com produtos de maquilhagem dentro de caixinhas, vídeos de Sara's Sampaios e Irina's Shayks a dançarem sensualmente só com uma mini-peça de roupa sobre o corpo ou meias feitas à mão penduradas pela casa. A verdade é que nada bate aqueles chocolatinhos, que nos consolam nestes dias frios de Dezembro e nos põem logo com um sorriso pela manhã diante a perspectiva de ter de abrir mais uma janelinha.

Acredito que os outros calendários agradem a alguns (percebo que quem adore maquilhagem ache piada aquele calendário que anda aí em voga, da The Body Shop, ou que os senhores se babem para cima do calendário da revista americana Love, de que a nossa Sara Sampaio fez parte), mas a verdade é que continuo a achar que nada bate os chocolates. Ainda assim, também me dou ao luxo de apreciar outros calendários - e aqui se prova que sou meia geek. Porque podia gostar da maquilhagem ou das meias espalhadas pela casa, mas não... o calendário que eu achei mais piada foi mesmo o da Google, naquilo a que eles chamaram "Santa Tracker". No fundo, todos os dias vemos um novo "ponto de paragem" do Pai Natal - que podem ser jogos (óptimos para matar tempo, que é coisa que não tenho mas mesmo assim mato), vídeos ou pequenas animações que têm o intuito de ensinar como se diz "pai natal" em todas as outras línguas ou que querem simplesmente entreter. Ah, claro, nunca esquecendo uma contagem decrescente - até ao segundo! - da chegada do Pai Natal.

A verdade é que sou uma apaixonada pela Google e adoro o facto de uma empresa tão grande e importante "perder" recursos e tempo para dar estes mimos aos seus utilizadores. Na verdade são coisas com pouca utilidade prática, mas que fazem com que nos relacionemos muito mais facilmente com a marca. Dito isto - e escrito este post, que já tardava em chegar - vou voltar ao trabalho, que hoje tenho noitada pela frente. Quanto a vós, se estiverem de férias e sem nada para fazer, podem ir sempre jogando com as renas e os elfos no "Santa Tracker", enquanto caem em vocês de que faltam só quatro dias para o Natal. (Sim, quatro, OMG!).

 

SantasTracker.jpg

 

16
Dez16

Uma ode ao [meu] Natal

Carolina

Eu não sei quanto a vocês e à vossa família, mas na minha o Natal é assim uma espécie de guerra fria: todos os anos há cenas, todos os anos alguém quer acabar com esta brincadeira, mas todos os anos se mantém tudo igual. Acho que esta época envolve uma série de mixed feelings complicados de gerir: por um lado é tempo de estar com a família, mas por outro sente-se ainda mais a falta dos que cá não estão; há férias e feriados, é uma altura de "paz", mas todo este frenesim das prendas, doces, festas, jantares e a própria consoada fazem com que se precise de ir uma semana para as Caraíbas no início do ano para um repouso absoluto com vista a "repor os valores de origem".

Na minha família da parte da mãe o maior drama (ou alegria, depende do ponto de vista) é o número de pessoas: passamos sempre dos 30 e a família tende a aumentar, entre namorados, maridos e toda uma nova geração de filhos que se está a construir. Isto significa mais gente para sentar, mais gente a sujar, mais gente para dar de comer, mais gente para coordenar. É complicado e extremamente cansativo ao ponto de, desde há muitos anos, haver sempre um momento em que alguma das matriarcas da família (que organizam os Natais) dizerem "chega!, para o ano não quero o Natal!". Felizmente nunca cumprem com a sua palavra porque, passado o cansaço, valores mais altos se levantam - e eu percebo, juro que sim. Também é a minha casa que fica em pantanas, também sou eu que carrego mesas e cadeiras para sentar toda a gente, também sou eu que acordo às 7 da manhã para fritar os doces - e sei que tenho idade para isso mas que os anos no lombo da minha mãe e da minha tia, as "anfitriãs" das festas, já lhes começam a pesar.

Sempre que elas vêm com estas conversas eu ataco por outro lado, alinho na delas. "Pronto, está bem, acaba-se com o Natal. Para o ano passamos o Natal sozinhos, cada um para seu lado?". A resposta nunca é positiva, após pensarem seriamente no que dizem. "Então, vamos viajar?". Aí já hesitam, mas eu não. A verdade é que nenhum de nós (da minha família, entenda-se) vai tomar como "normal" ter um Natal só com meia-dúzia de pessoas à mesa. A ideia de viajar é muito bonita - e não me interpretem mal, porque eu adoro passear por esse mundo fora - mas a verdade é que é Natal em qualquer parte do mundo; naqueles dois dias vai sempre haver famílias reunidas, prendas e todo o tipo de tradições natalícias e isso, inevitavelmente, faz-nos ter saudades de casa, do "nosso" Natal.

E sim, o nosso Natal é caótico. Mas é também maravilhoso. O ano passado passei o dia sozinha, com os meus pais e o meu avô, e foi um dos Natais mais tristes da minha vida; tinha o cabrito, os bolinhos de bolina, as rabanadas, o bolo rei. Mas sabem o que tinha mais? Um silêncio ensurdecedor, que é coisa que, no meu conceito de Natal, não encaixa. Acredito que existam Natais maravilhosos com 4, 5, 7, 10 pessoas - mas não para mim, que vivo desde que nasci no seio de uma família grande, barulhenta, com muitas diferenças mas, acima de tudo, muito unida. Não sei o que é passar um ano sem que me olhem, num sentimento de espanto, pena e inveja, quando digo que somos mais de trinta à mesa - porque toda essa confusão é que é para mim o Natal.

Há quem apregoe há anos que este nosso conceito natalício vai eventualmente acabar - porque se juntam tantos núcleos familiares que a articulação entre todos, num só dia, é praticamente impossível (uns vão às mães, outros às sogras, outros aos sogros - quando há pais separados ainda é pior - e por aí em diante). E é verdade. Já há muitos anos que não estamos todos juntos - ora falta o meu irmão que não veio de Inglaterra, ora falta uma tia que também está emigrada, ora faltam os meus primos que já têm mais do que duas famílias para se dividir. Mas ao menos persistimos ao tempo e continuamos na esperança de que, no ano seguinte, consigamos estar todos juntos. Porque o nosso Natal é tão forte, é tão bom e tem um tamanho impacto nas nossas vidas que nós não o conseguimos deixar ir - e no dia em que isto acabar, se acabar, posso garantir que nunca mais teremos Natais tão felizes, porque a nossa memória não nos deixa esquecer todos os risos, sorrisos, dramas e cumplicidades (ou, como quem diz, o amor) que se vivem nestes dias. O Natal pode ser complicado, pode ser difícil de (di)gerir - mas eu tenho a certeza absoluta que mais complicado ainda é a falta dele.

 

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