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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

07
Abr20

Um ano da melhor decisão da minha vida

Há um ano tomei uma decisão. Uma das mais importantes da minha vida. Tomei-a com toda a convicção de quem faz algo em que acredita - independentemente do medo de arriscar naquilo que sempre mais a assustou: uma relação amorosa. Dei o passo consciente de tudo aquilo que ia ter de enfrentar, o que fez com o momento que muitos vêem como o mais romântico de uma relação (o início, o primeiro beijo) fosse, para mim, um autêntico salto no escuro. Não sabia para onde ia, mas sabia que queria saltar. Não foi instinto, não foi um golpe de paixão, não foi um impulso. Foi decisão. E, por muito pouco romântico que pareça, ter a certeza de que queremos fazer algo deste género vale muito mais do que um beijo apaixonado, dado de rompante, de quem não vê o dia de amanhã com a pessoa a quem acabou de tocar com os lábios.

Falhei quando achei que estava consciente do que vinha a seguir. 

Falhei por achar que era aquela "A" decisão. Foram muitas "AS" decisões que tomei ao longo deste ano - e algumas foram muito, muito difícieis. Descobri que pesar amores, compara-los, dói muito; que relativizar, pensar a longo prazo e tentar imaginar a vida no futuro com a pessoa que amamos tem tanto de maravilhoso como de assustador (por todos os danos colaterais que implica). E soube, pela primeira vez na vida, que cabe muita dor dentro da felicidade.

Falhei por achar que a minha boa capacidade de gerir o tempo iria dar conta do recado e do desafio que tinha pela frente. E passei a saber que há algo muito difícil de fazer numa relação - e que foi, sem dúvida, o maior desafio deste ano: gerir o tempo que temos para nós, com o outro, com a nossa família e com os nossos amigos. Que percentagem dar para cada lado? Com quem ir almoçar no fim-de-semana? Com quem ir passar férias? E, no meio disto tudo, de não nos esquecermos de sermos nós mesmos; de não darmos tudo aos outros e ficarmos sem nada para nós. Durante muitos destes 12 meses o piano, a escrita, a leitura e outras atividades que gosto de fazer foram postas de parte em prol da minha relação e de tudo o que gira à sua volta.

Mas, acima de tudo, falhei redondamente quando achei que isto não era vida para mim. Que, a partir do momento em que o descobri, podia ter a escolha de não o ter como meu. Porque quando a vida nos dá um presente assim, nem sequer temos o direito de o desperdiçar. É como ver que nos saiu o Euromilhões e deitar o boletim fora: mais do que estúpido, seria um desrespeito para com o destino e a sorte que nos calhou na rifa.

Sorte. Digo-o todos os dias. Tenho - e tive - muita sorte. Por ter encontrado alguém que me fez alterar a minha perspectiva de vida, por este ser um homem por quem me apaixono diariamente, que gosta e cuida de mim, com quem consigo falar sobre tudo, que me respeita, ouve e mima - e de ele próprio saber que tudo isto é recíproco. E isto bastaria para haver química, amor e carinho - mas podia não ser o suficiente para vivermos os dois pacíficamente, como se partilhássemos casa há uma vida. Acima de tudo partilhamos valores, princípios e lemas de vida. Acreditamos nas mesmas coisas. Temos, sem querer, a mesma forma de viver.

Há uns dias, depois de pousar o meu livro na mesinha de cabeceira e me preparar para dormir, disse-lhe: "já viste a sorte? Se eu gostasse de fumar um charro sempre que chegasse stressada a casa ou de ir beber uns copos com os amigos à noite... se calhar a nossa relação não era igual". Ele respondeu: "gostava de ti na mesma. Talvez menos um bocadinho". Esse bocadinho pode não ser um pormenor. Lá está: o amor e carinho podiam estar lá, mas a facilidade de convivência podia não ser a mesma que temos hoje. Porque partilhamos pilares que ambos consideramos essenciais.

Acreditando na lei das probabilidades, nunca acharia isto possível. Encontrar alguém de quem eu goste. Encontrar alguém que goste de mim. Que por acaso não bebe álcool. Que por acaso não fuma. Que por acaso vê a família como o diamante mais precioso que há na vida. Que por acaso tem uma casa onde cabemos os dois, em que há espaço para cada um conseguir vestir a melhor versão de si próprio. Que por acaso gosta das minhas comidas. Que por acaso gosta de cães. Que por acaso gosta de miúdos (e roubou o coração aos meus sobrinhos). 

Que, por acaso, se sentou ao meu lado numa pós-graduação na faculdade.

Que, por acaso, era a peça que me faltava para ser feliz.

 

É caso para dizer que há acasos felizes. O dia 7 de Abril de 2019 não foi um deles: foi uma decisão (que implicou muitas e que vale todas elas). Foi a mais acertada que fiz até hoje, aproveitando o melhor acaso da minha vida.

 

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14
Fev20

Hoje há sopa para jantar

Uma espécie de texto sobre o dia dos namorados - ou como este dia deve ser a rotina

Lembro-me bem de, já a meio da viagem do Japão, dizer ao meu namorado que tinha "saudades de fazer sopa". Repeti a expressão vezes suficientes para ela ser uma espécie de "coisa nossa". 

A sopa foi a refeição que criou rotina em nossa casa. Sendo ambos trabalhadores, o fim do dia é o tempo de excelência (que é como quem diz: o único) para estarmos juntos. Uns meses depois de começarmos a namorar definimos que iríamos jantar sempre juntos - e o meu jantar sempre se baseou na sopa. Era coisa que nunca tinha feito - todos sabemos que a sopa da mãe é a melhor do mundo - mas aprendi a reproduzi-la à minha forma. E hoje digo-o com orgulho: acho que faço boa sopa. Se calhar porque com todo os ingredientes vai uma boa dose de amor.

Mesmo em tempos que não os de dieta, onde a sopa é mesmo uma das minhas maiores aliadas, aquele momento diário de puxar da tábua, cortar o alho e a cebola para fazer o estrugido, de escolher o que tenho no frigorífico para deitar para dentro do tacho e esperar que tudo aquilo coza, enquanto emana o seu cheirinho característico, é mágico para mim. Mesmo nos dias em que não me apetece ter esse trabalho. Mesmo quando a cebola me faz chorar as pedras da calçada. Mesmo quando chego do trabalho derreada, só com vontade de um banho e um sofá para me deitar. Porque fazer sopa passou a significar casa. Passou a ser a minha rotina. A nossa rotina.

A verdade é que a "sopa" não acaba no momento em que a passo com a varinha mágica. Também significa estar a comê-la ao lado de quem amo, enquanto cada um partilha as idiossincrasias do seu dia - mais os problemas, as chatices, os desabafos ou, por contrário, as coisas boas que nas horas antes aconteceram. Não acaba no momento em que lavamos os pratos, já depois da sopa sorvida, em que cada um arruma a cozinha o mais rapidamente possível, por sabermos que a seguir vem a parte que mais desejamos: o descanso. O mimo. O sofá.

A sopa é tudo isso. É a rotina.

Tenho saudades de fazer sopa em semanas muito agitadas, com jantares e eventos e dias demasiado caóticos para caberem na agenda. Tive saudades de fazer sopa quando fui de férias, tanto para o Algarve como para o Japão. Tive saudades - muitas! - de fazer sopa quando fui operada e a minha mobilidade era reduzida. E vou ter sempre saudades quando a rotina me faltar. Quando ele me faltar.

Hoje é só mais um dia como os outros - sempre disse, enquanto solteira, que queria que assim fosse. Mas há sopa para o jantar - com tudo o que isso significa. E que bom que é!

 

14
Mai19

Crónica de uma ex-solteira: Contar aos outros

Acho que ninguém esperou que, mal eu tivesse um namorado, fosse contar às outras pessoas. Por todas as razões e mais alguma - e principalmente por ser uma pessoa reservada, que gosta muito de ter a sua esfera íntima bem protegida - penso que todos contavam que eu guardasse segredo até a situação estar estável. Até eu achava que ia ser assim!

Mas dei por mim sufocada na minha própria omissão. Eu não mentia, mas não dizia tudo - e sentia isso como uma deslealdade para com com aqueles que me amavam e que tinham o direito de saber que eu estava feliz. E o que me estava a fazer feliz.

Esconder coisas ou mentir está longe de ser a minha especialidade - mas, acima de tudo, eu não estava bem com a minha consciência ao inventar desculpas só para estar com uma pessoa. Eu queria poder dizer que ia estar com ele, em vez de dizer que tinha uma ida programada ao cinema, a um escape game ou à praia. Porque tendo namorado ele é, por si só, um plano - não é preciso justificações extra ou algo fora da rotina para explicar mais uma saída. 

E por isso fui contando. Uma a uma, as pessoas foram sabendo, da forma mais desprevenida e "desplaneada" possível. Quando tinha uma oportunidade (no meio de uma conversa normal ou quando me davam alguma deixa) largava a bomba e esperava pelas reações - que foram quase todas hilariantes, uma vez que ninguém estava a contar. Juro que devia ter filmado! Entre dizer que tenho namorado ou que vou fazer uma viagem à lua... a incredulidade era semelhante. Os olhares e as expressões de choque, os "estás a gozar" e as caras de espanto ainda hoje me fazem rir quando me recordo. Só nesta altura me apercebi a proeza que consegui fazer ao longo destes anos: não só acreditar piamente naquilo que dizia em relação a não querer ter namorados mas, acima de tudo, de fazer os outros acreditar no mesmo.

Depois disso - e apesar de toda a curiosidade, as bocas e o burburinho que se gerou na família à volta deste assunto - fiquei muito mais leve. Deixou de existir um elefante na sala e eu senti que fui fiel aos meus princípios. 

O passo seguinte era tornar as coisas públicas, fora da esfera familiar. E também nesse aspeto eu sentia alguma urgência em contar ao mundo - principalmente aqui, que sempre foi o meu espaço predileto de desabafo e de verdade. Não sei o que me parecia estar a passar uma fase tão bonita da minha vida sem o demonstrar ou registar aqui. Era só incoerente com tudo o que tinha vindo a fazer nestes últimos oito anos. E por isso - mais uma vez, surpreendendo muita gente - decidi escrever aquele texto, que foi uma forma incrível de expor o que estava a sentir naqueles últimos tempos, aproveitando também para organizar as ideias e os meus próprios pensamentos.

A verdade é que sempre achei parva a exposição excessiva dos relacionamentos nas redes sociais e na internet. Tenho há anos um texto para escrever cujo título seria algo como "as redes sociais são o melhor termómetro dos relacionamentos". Quando no Facebook se passa de "numa relação" para "é complicado", é porque a coisa está grave. Quando se transfere, silenciosamente, o status de relacionamento de comprometido para solteiro (apagando simultaneamente todas as fotos em conjunto que havia por entre as entranhas desta rede social) é porque está tudo condenado e a coisa foi-se de vez. Acho que é informação a mais, principalmente quando exposta no facebook - a ferramenta mais usada hoje em dia no âmbito da cusquice e da inveja alheia.

E hoje, por um lado, percebo porquê que as pessoas o fazem. Acho que nos é intrínseco querermos mostrar algo ao mundo que nos faz muito felizes - e isto é ainda mais impulsionado pelas redes sociais, onde queremos mostrar tudo o que de bom e de melhor se passa na nossa vida. E, como humana que sou, às vezes dou por mim a ter de resistir à tentação de publicar fotos nossas, principalmente porque ainda o sinto muito meu, quase impartilhável. Não quero saber da opinião dos outros, mesmo que esta seja só "que fofinhos!". Não quero saber se o acham bom ou mau para mim, giro ou feio, com cara de boa pessoa ou não; se a voz é fina ou grossa, se as mãos são grandes ou cabem dentro das minhas e se o seu sorriso é alinhado. Por um lado quero contar e mostrar, mas por outro quero combater a cusquice e a maldicência alheia, ficando nesta bolha que se vive nos primeiros tempos e que, creio, não voltará a acontecer.

Estou a usufruir ao máximo deste meio termo que consegui, entre a verdade e a não-exposição. Ainda não houve apresentações oficiais, mas também não nos escondemos - se acontecer um encontro espontâneo as apresentações já ficam feitas e o problema resolvido. Caso contrário, fica para um dia destes, sem stresses, que para já estamos a usufruir de todos os minutinhos de paz e sem qualquer intromissão alheia. De qualquer das formas, se um dia destes virem uma foto algures com um rapaz simpático e uma rapariga com um sorriso embevecido - eu - já sabem do que se trata. Somos nós ;)

29
Abr19

Crónicas de uma ex-solteira: A decisão

Vamos lá fazer isto estilo penso rápido. 1, 2, 3... Tenho namorado!

Agora que já todos recuperamos do choque (eu incluída - talvez tenha sido a pessoa com mais dificuldade em aceitar, na verdade) vou explicar o título deste texto. O "ex-solteira" é agora óbvio para todos, a parte d'"a decisão" pode não ser clara. Mas passar a ter namorado foi mesmo isso: uma decisão. Sinto que de alguma forma isto pode tirar algum encantamento à coisa, quase como se não houvesse magia e o amor não fosse lindo e essas coisas todas dos contos de fadas - mas, desculpem dizer-vos, é a verdade. Não decidi conhece-lo nem criar a ligação que rapidamente criei com ele, mas foi de forma totalmente consciente que avancei para lá disso. Pensando em todos os prós e em todos os contras, vantagens e desvantagens, medos e receios; só me faltou mesmo pesar numa balança física para me ajudar a decidir.

Isto porque quando eu dizia que não queria ter namorado não era só para fazer conversa. Quando dizia que queria ser totalmente independente, capaz de nunca abdicar de algo por não ter alguém ao meu lado, não era para me convencer a mim própria - era a atitude que eu assumia perante o mundo. E quando dizia que a vida era melhor sem aturar homens, também era algo em que eu acreditava (na verdade, ainda acredito).

Para mim, arranjar um namorado foi muito mais do que um simples "arranjar um namorado". Foi abdicar das minhas crenças, contrariar aquilo que tenho dito desde há muitos anos. E seria hipócrita da minha parte dizer que isso não me custou.

Porque a verdade é que são muito poucos os relacionamentos que eu vejo e penso: "gostava de ter uma pessoa assim ao meu lado, ter aquela dinâmica com alguém". E não se trata da pessoa ser bonita ou feia, trabalhar ali ou acolá, ter mais ou menos dinheiro. Trata-se das atitudes, da tolerância, do respeito. Às vezes, entre amigas, discutia-se o "homem perfeito". E eu não tinha como o descrever, não sabia a cor do cabelo, dos olhos, a altura, o tipo de cara ou de corpo; sabia, somente, aquilo que não queria. E, acreditem, a lista é grande. Porque assisti a muita coisa ao longo dos anos e disse a mim mesma que nunca quereria aquilo para mim; percebo perfeitamente o porquê das pessoas se manterem nos relacionamentos apesar de certas atitudes - porque já não concebem a vida sem essa pessoa, porque já estão habituadas, porque são financeiramente dependentes ou porque compreendem que foi simplesmente um dia mau - mas eu não queria (nem quero!) isso para mim. Se para ter umas coisas precisava de ter outras, como quem compra um pack que não é possível vender em partes separadas, então eu preferia estar sozinha. Sempre levei o ditado "mais vale só que mal acompanhada" muito a sério.

Já gostei de outras pessoas antes, mas sempre achei que não eram para mim - e que por isso não valia a pena fomentar coisas que na minha cabeça, logo à partida e por uma série de razões, não tinham futuro. Mas houve, neste caso, um detalhe que fez a diferença: fui sempre honesta, disse sempre a verdade. O que, atenção!, não faz de mim uma mentirosa até aqui, mas é aquilo que sempre fui: extremamente cuidadosa em exteriorizar sentimentos. Eu não mentia, só não dizia; quanto muito... fugia.

Ao aperceber-me do que se passava disse logo tudo: a minha posição perante os relacionamentos, a minha visão futura relativamente a filhos, aquilo que eu não tolerava nos outros e aquilo que possivelmente os outros não tolerariam em mim - neste último caso, fiz uma lista muitooo grande. E esperei que ele fugisse.

Ele ficou.

E eu diria que aquilo que aconteceu a partir do momento em que ele decidiu não arredar pé não foi um processo de conquista e muito menos de sedução. Foi de convencimento. De me mostrar que podia valer a pena e que as coisas são como nós as fazemos, que o nosso relacionamento não tem de ser como o dos outros: é como nós o quisermos. E eu avancei com essa premissa sempre presente: de que quando as coisas não estiverem bem, diz-se; e se depois de serem faladas não continuarem bem, ter em mente que o "para sempre" não existe e que foi bom enquanto tudo durou.

Muita gente me diz que eu não pareço nada apaixonada, que estou a ser mega racional, ficando confusas perante os meus comportamentos ou simplesmente com coisas que eu digo. A verdade é que eu detesto estar apaixonada - sempre detestei. Aquela sensação de estar na corda bamba, da nossa felicidade estar dependente de outra pessoa - deixo-a alegremente para os outros, que tanto parecem gostar dela e que a vendem quase como se da melhor lagosta se tratasse! O coração na boca, o estômago em mil bocadinhos, as mãos que tremem, o vai-não-vai, a dúvida inicial. A irracionalidade, sentir que não temos pleno controlo das nossas atitudes porque as nossas hormonas tomam conta do comando e deixam o cérebro de lado... Não é para mim. Deixa-me num sofrimento atroz, numa angústia diária (tira-me a fome, dá-me vómitos) e obriga-me a um controlo muito mais apertado das minhas ações, quase como um doublecheck para verificar que os meus comportamentos foram solicitados pelo cérebro e não por outro órgão qualquer. E por isso, quando esta sensação passou e eu pude descomprimir - ser eu! - tudo ficou melhor.

E ele continuava lá.

Não sei o que estou, nem quero saber. Se calhar é isto, a paixão, e o que sempre senti antes era outra coisa qualquer - mas, pelo que descrevem, não me parece. Se calhar isto que vivo é outra coisa, uma palavra que ninguém inventou. Mas a verdade é que não tenho necessidade de rotular o que sinto, porque não tenho dúvidas. E ele também não, que é o que mais importa.

Sei que se não gostasse dele não escreveria este texto. Sei que se não gostasse dele não teria baixado as armas, desfeito os muros e as paredes e baixado as inúmeras pontes de forma a permitir que ele entrasse na minha vida. Sei que se não gostasse dele nunca abdicaria daquilo em que acreditei e preguei durante tantos anos. Sei que se não gostasse dele, e não confiasse nele a 100%, nunca me disponibilizaria para estar nas suas mãos.

Nunca fui de ter namorados, "curtes" ou amigos coloridos. Nunca fui sequer de reparar em quem passava à minha volta. Digo-lhe muitas vezes: és tudo o que nunca quis. Porque não podemos ter aquilo que achamos não existir. E se é difícil eu apaixonar-me por alguém, impossível é eu gostar tanto assim de uma pessoa, mesmo sabendo que quem me comanda é a cabeça. Esse é "O" feito.

Devo-o a ele.

 

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14
Fev19

Posso ser solteira? Por favor?

Já há muito tempo que vivemos numa sociedade em que estar solteiro é visto como uma coisa má. Mas hoje, mais do que nunca, isso se evidencia - a começar pelos programas de televisão, altamente empenhados em arranjar "a alma gémea" de qualquer um, utilizando métodos altamente inovadores e de eficácia, digamos, duvidosa. Vejamos: casar pessoas sem elas nunca se terem conhecido (Casados à Primeira Vista), fazer dates em restaurantes (First Dates) e dentro de carros (O Carro do Amor) ou juntar uma dúzia de miúdos dentro da mesma casa para ver quem se engata primeiro (Love on Top). Para vir estão outras maravilhas como os serem os pais a eleger o novo namorado da filha, escolher (ou, neste caso, eliminar) potenciais parceiros tendo por base o aspeto das suas partes iíntimas (Naked Attraction) ou ainda ter conversas muito intensas e profundas com um "match" enquanto estão deitados numa cama... usando apenas lingerie. Tudo formas maravilhosas de se conhecer a fundo uma pessoa, não é? 

É engraçado como toda a gente parece estar ansiosa por arranjar alguém mas depois desencanta as formas mais escabrosas e descabidas para o fazer. Os programas são claramente a nova moda, mas também podíamos falar do Tinder, do facebook e afins. Acho que o problema principal é o objetivo ser, à partida, encontrar alguém com quem ter uma relação amorosa - passa-se logo à frente uma possível amizade, logo aniquilada por se dar um passo maior que a própria perna. Mas estas são, provavelmente, as mesmas pessoas que se queixam de já não haver relações a sério, com um bom fundo, que é tudo feito com base em questões superficiais. Querem o quê, se os escolhem os outros pelo tamanho das mamas ou se põem o futuro nas mãos de produções de programas que nunca vos viram à frente?

Neste momento a pressão da sociedade para se arranjar um/a companheiro/a é de tal forma que nós quase que nascemos com essa ambição máxima. Já não precisamos que nos digam que só se é feliz quando se partilha a cama e a vida, isso já nos está embutido. A pressão é nossa. Não vale a pena dizer "deixem os solteiros em paz" quando são a maioria das vezes eles próprios quem mais se impõe para mudar de estado civil - e, aparentemente, agora vale tudo. Já não sabemos estar sozinhos.

Eu sou solteira por defeito - defeito por ter nascido assim, solteira, sem amarras (no sentido de default) e por não ter paciência, tolerância e disponibilidade (mental) para dedicar tanto tempo a alguém (no sentido de falha de personalidade). Vejo todo este fenómeno com alguma estranheza e, confesso, alguma impaciência. Já não tenho pachorra para quem me pergunta se tenho namorado, se anda "mouro na costa" ou quando têm claramente mais vontade de me ver casada do que eu própria tenho. E este Dia dos Namorados lembra-me sempre isto, esta necessidade contemporânea de atualizar o estado de uma relação no facebook e de partilhar fotos mimosas de mãos dadas.

Acho graça como tanta gente critica ultimamente o Natal, por se ter tornado numa festividade comercial, mas mal pensa nisso relativamente ao São Valentim, que não é nada mais do que comercial. É curioso ver como este é um dia que já temos muito enraizado na nossa vida, até mais do que alguns feriados. Quando olhamos para os nossos calendários em Fevereiro já sabemos que ali para o meio está o dia mais piroso do ano. E é de tal forma que não deixamos de o celebrar (penso que em grande parte por termos medo que a "nossa metade" fique triste por deixarmos passar esta data em branco).

E isto é um cliché, mas é verdade: o dia dos namorados, do pai, da mãe, dos irmãos e dos avós devia ser todos os dias. Não devíamos precisar de reminders para isso. E gastar 50 euros por cabeça num jantar só para provar que é amor serve de muito pouco. O mesmo se pode dizer daqueles peluches enormes, pirosos, que eventualmente vão acabar no sótão porque não há sítio melhor para os pôr. Ah, e das rosas, que pagamos neste dia ao quíntuplo do preço daquilo que pagamos nos outros 360 dias do ano (há que contabilizar o dia anterior ao dos namorados, cujas vendas aumentam à custa dos mais precavidos, e o dia da mãe e respetivo dia anterior, que segue a mesma lógica comercial). 

Não quero ser aqui a velha do Restelo, mas gostava de relembrar nascemos sozinhos e morremos da mesma forma - com ou sem anel no dedo, papéis assinados, com ou sem averbamentos na nossa ficha do registo civil. Acho bem que nos divirtamos pelo caminho e, quem quiser e tiver disposição, que o partilhe com alguém de quem gosta - mas esta pressa, esta necessidade quase absurda de se ter alguém faz-me muita comichão. 

Posto isto, resta-me desejar-vos um bom dia dos namorados. Para os comprometidos, para os que "é difícil", para os que têm amigos coloridos ou room-mates. E, claro, para os solteiros. Lembrem-se que os 50 euros que gastariam entre flores, jantares e bonecada dá para uma mariscada das boas. Não é bem a mesma coisa, mas dá para um orgasmo gastronómico. Digam lá que é mau? 

 

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10
Nov15

As necessidades que a sociedade cria em nós

Há quem diga que nunca se pode sentir falta daquilo que nunca se teve, mas eu não concordo. Isto porque basta conhecer quem tenha algo, que passamos a ter um conhecimento - ainda que não intrínseco - sobre os efeitos que esse "objeto" tem (ou poderia ter) em nós, ao refletirmos os efeitos que teve nos outros.

Eu acho que, por exemplo, quem perdeu os pais cedo e foi viver para uma instituição - nunca sabendo o que são "pais" na verdadeira acepção da palavra, embora possa ter tido a mesma quantidade de afeto ao longo da vida - vai sentir, em algum ponto, falta dos pais que não teve. O mesmo se aplica aos filhos únicos - acho muito difícil que, mesmo que seja num ou dois momentos da vida, não tenham sentido falta da companhia e apoio que um irmão lhes podia ter dado. Quem fala em irmãos e pais também pode falar em avós, uma situação até mais recorrente: há muita gente que nunca chegou a conhecer os avós mas, por saber - de palavra - como eles eram, as suas características, sente falta de os ter conhecido. E isto tudo porque toda a gente conhece alguém com uns pais fantásticos, uns irmãos do melhor que há e uns avós super queridos - e a necessidade de ter igual, de ter algo superior, algo melhor do que nós tivemos, cria-se. Mas este raciocínio não se aplica só a pessoas: também de objetos e coisas materiais podemos estar a falar aqui. Ninguém pode dizer que as pessoas pobres não sentem falta de dinheiro, porque a menos que vivam numa redoma e não conheçam a realidade envolvente, vão querer ter mais, ter melhor - faz parte da condição humana, em todas as suas facetas, querer ter aquilo que não tem, alcançar aquilo que está mais além, ir até ao topo da pirâmide.

O que eu quero dizer com este parágrafo enorme é que as nossas necessidades já não são só as básicas e não somos só nós que as criamos - elas são criadas pela sociedade. Estar-se de bem com a vida que se tem quase que já não é bem aceite: tem de se querer sempre mais, mesmo que não sintamos falta de ir mais além - pelo menos naquela altura da vida. E isso, confesso, causa-me estranheza. 

É sabido - não o escondo - que uma das coisas que mais me afunda para os meus habituais ciclos "meio-depressivos" é a solidão. Não importa quanta gente esteja à minha volta (ou se calhar importa, mas no sentido inversamente proporcional), que a probabilidade de eu me sentir sozinha é enorme. É algo com que eu acho que nasci e que, desconfio, não me vai passar nunca. Escrevi um dia que "nasci para estar sozinha" e muita gente não percebeu e tantas outras pessoas interpretaram-no erradamente: o que queria dizer é que está enraizado em mim. Mas, claro, como é algo negativo, eu própria estou sempre a tentar mudar isso, assim como quem me rodeia - e uma das soluções "mais à mão", arranjada por pessoas que normalmente mal me conhecem (e que não sabem o quanto isso me irrita) é arranjar um namorado.

E, para mim, "arranjar um namorado" é mais uma das necessidades criadas pela sociedade. É óbvio que é uma coisa natural da vida - o que estou a dizer é que, hoje em dia, há quase um regulamento invisível que dita que "pessoas normais até aos vinte anos devem conter no seu currículo x namorados; caso contrário, são autênticas aberrações e devem sentir-se mal consigo próprias, excluídas da sociedade, sentirem-se mergulhadas numa solidão profunda e devem ser aconselhadas a mudar de rumo de forma mais célere possível; caso a situação não se altere passado cinco anos, devem ser enviadas para o psiquiatra mais próximo". Porque eu, honestamente, não preciso de um namorado - não preciso porque nunca encontrei alguém de quem precise. Porque nunca encontrei alguém de quem gostasse o suficiente e que dissesse para mim mesma "esta pessoa vai acrescentar algo positivo à minha vida, vai-me fazer mais feliz do que estou agora" - ou seja, essa necessidade nunca foi genuinamente criada em mim. As razões acima são aquelas porque eu acho que se deve ter um namorado - e pela qual, um dia, vou ter um. Quando aparecer, quando for tempo, quando tiver sorte, quando o conhecer.

Mas a sociedade não concorda e eu chego a um ponto em que sinto falta de ter um namorado - mesmo nunca tendo tido um e, vejam lá, não querendo ter um! Isto porque há toda uma ideia pré-feita, passada de boca em boca, de que ter alguém ao nosso lado nos faz mais feliz. E, claro, que é a receita perfeita para alguém como eu, que se sente cronicamente sozinha. É uma ideia com mais falhas do que argumentos e raciocínio lógico mas que, por cansaço, acabo por ceder. Há dias - os mais frágeis - em que penso, em bom português "Foda-se, se a solução para este nó na garganta é um namorado, mais vale avançar com isto rápido e de uma vez por todas", mesmo sabendo que é tudo, TUDO, mentira. Porque, lá está, são as necessidades que a sociedade nos cria, mesmo nós não precisando delas. E que prova de que podemos sentir falta de coisas que nunca tivemos (às vezes nem que seja para dizer "já tive e não deu resultado!!!") e - o mais engraçado disto tudo - que nem sequer queremos ter. 

11
Abr15

Isto é para os apanhados, certo?

Já várias vezes na minha vida que achei que estava a ser filmada para os apanhados. Consigo nomear um par delas, mas sei que já houve mais vezes em que pensei "isto só pode ser para os apanhados". Hoje aconteceu mais uma vez. Então o que aconteceu?

Fui ao cinema com uma amiga e escolhemos um sítio onde pouca gente vai, uma vez que já tínhamos planeado chegar em cima da hora e queríamos garantir lugar. Isso acabou por não ser necessário porque, no final de contas, éramos pouco mais de uma dezena naquela sala de cinema. Ficamos na ala central, a par de um casal atrás de nós (na casa dos quarenta anos) e outro à nossa frente (com idade próxima dos sessenta); na ala esquerda estava um grupo de amigos (divididos em duas partes - um casal de namoraditos, propositadamente num canto, e os outros, meia-dúzia de filas abaixo, para garantirem que ninguém se sentia incomodado). 

É claro que do casalito de miúdos que estava no canto ninguém esperava que vissem o filme com grande atenção. Como estavam longe e eu estava concentrada no filme, toda a ação naquela ala me passou ao lado. O pior - e o inusitado - foi o casal atrás de nós. Desconfio seriamente que tenham resolvido tirar a lua-de-mel no cinema, porque aquilo estava... intenso. 

No início até pensei que, quando entrei, tivesse visto mal a idade deles - eu só ouvia beijos, abraços e movimentos! Na tela passavam-se cenas de alta tensão e eu a tentar evitar as lágrimas de tanto rir daquela situação completamente inacreditável. Se já é detestável ter um casalinho de namorados adolescentes em pleno clima de romance junto de nós, pior é quando esse casal já tem idade para ter juízo - e casas, com quartos incluídos (coisas que os adolescentes, normalmente, não têm).

E foi aí que pensei: eu estou nos apanhados! Tudo aquilo era tão óbvio que o grupo de amigos que estavam a uns metros de todo o centro de ação se aperceberam do sucedido e se juntaram em plena galhofa durante o intervalo, rindo a bandeiras despregadas. E eu não consegui evitar fazer o mesmo. Acho que vou estar atenta aos próximos programas de apanhados que passarem na televisão, continuo a achar que aquilo não pode ter acontecido "na vida real".

06
Abr15

Sushi em frente ao mar

Num dos jantares destas mini férias no Algarve, fomos comer a um sitio onde só se tem aceso pela praia. Estacionamos e fomos pelo passadiço até lá. Pelo caminho, passamos por um casal de namorados (podiam ser amigos, mas duvido seriamente) sentados num banco de madeira, virados de frente para o mar.

No início achei que estivessem só a apreciar a vista (linda, por sinal, estava uma maré vaza maravilhosa) mas depois percebi que estavam a jantar. Entre os dois estavam três tabuleiros cheios de rolinhos de sushi e, à vez cada um, iam-nos pescando e saboreando, enquanto disfrutavam da vista e da companhia um do outro. Admito que observei aquilo embevecida e achei a ideia para lá de genial. O sushi já é caro, mas um restaurante de sushi com vista mar é incomportável para  quase todas as carteiras. Mas para grandes problemas, grandes soluções: e eu acho que aquele cantinho era 30 vezes melhor do que um qualquer restaurante.

Vou guardar a ideia para mais tarde realizar. Lá para 2036, quando arranjar um namorado (isto se o sushi ainda estiver na moda, na altura).

26
Nov14

Estou farta

A questão repete-se de uma forma ou de outra, quase todos os dias. Tento ignorar - até fui ver e o último post que fiz sobre este tópico, sendo que data de Março deste ano (já lá vão oito meses, não é mau) - mas, sinceramente, nem sempre consigo. São questões nucleares que mexem connosco.

Do que falo? Da minha falta de namorados, pois claro está. Se não é a mãe é o tio; se não é o tio é a amiga; se não é a amiga é um conhecido que encontramos na rua, um daqueles que já não vemos há muito tempo. Vem nas mais variadas formas: as mais diretas ("então e namorado, já tens?" - já com aquele tom de impaciência); as que vêm em forma de sugestão ("já viste aquele ali? imaginava-te com ele!"); as desconfiadas ("não me acredito que ainda não tens namorado... conta lá a verdade!"); as que nos dão graxa ("és tão gira e inteligente, não é possível não teres um rol deles atrás de ti!"); e as desesperadas, quando estamos a falar de alguém nosso conhecido - mas que quase só sabemos o nome - mas já é a pessoa ideal ("esse aí parece mesmo o ideal para ti!").

Tudo bem, eu admito, não é normal. Mas digam-me uma coisa: querem que eu faça o quê? Querem que arranje um namorado de quem não gosto, só para me chatear a cabeça, só porque vossas excelências me querem ver com um parzinho? Querem que eu arranje alguém por arranjar, porque a vossa sede de relacionamentos é maior que a minha? Estou farta desta merda, pá.

As pessoas não percebem o efeito que isto tem em alguém, o desgaste que causa, a baixa de auto-estima que provoca. Eu estou sozinha porque quero, mas também porque nunca surgiu oportunidade de estar com alguém de quem verdadeiramente gostasse, me atraísse, com quem me imaginasse estar. Uma mistura de azar com falta de oportunidades, conhecimentos e entrega da minha parte. Não é fácil ver toda a gente contente, feliz e aos beijinhos com o seu respetivo namorado e nós termos a sensação de que vamos ficar para tias - não é só a pressão que os outros põem em cima de nós, mas também a pressão que nós próprios exercemos sobre nós mesmos! Sentimo-nos - e uso o plural porque sei que não sou a única nesta posição - umas chatas, umas feias, que parece que não merecemos a atenção de ninguém e que somos a coitadinha, que está eternamente solteira.

Estou farta. As investidas alheias só pioram. Sou feliz solteira, mas ninguém parece perceber isso - e toda a gente faz questão de me relembrar que há toda uma outra felicidade quando se namora. Nesta sociedade somos obrigados a ter alguém para dar a sensação de que estamos completas - e a cada dia que passa sinto mais isso. O desespero das pessoas está latente, já quase qualquer coisa serve - pode ser bonito ou feio, hetero ou gay, dois anos mais novo ou dez anos mais velho. Tudo serve desde que não fique para tia e não ganhe o rótulo de solteirona para a eternidade. Já só falta mandarem-me os currículos completos com candidatos, essa medida desesperada.

Enfim, já disse que estou farta? Então pronto: estou farta. 

27
Set14

Desgostos de amor platónicos

Estes últimos dias aqui em casa não têm sido de fácil digestão para mim e para a minha mãe. Explicando melhor: estamos de coração partido.

Ela porque hoje o seu adorado Clooney se casa hoje com Amal Alamuddin em Veneza; eu porque o meu Robert decidiu arranjar a namorada mais feia à face da terra e já se assume com ela, de mãos dadas por aí, como se nós não estivéssemos a ver! Tanto um como outro, no fundo, são uns sonsos: o primeiro andou aí anos a namorar e/ou namoriscar raparigas mais novas, mas casamento nem vê-lo; o segundo andou anos numa relação com Kristen Stewart, mas sem uma pessoa perceber realmente o que se passava ali, e até vermos um beijinho que fosse - ou mãos dadas, que seja! - demoramos meio século. E agora ambos nos dão uma facada pelas costas: um casando de rompante com uma senhora que conheceu "há meia dúzia de dias" e o outro a assumir um namoro que, se tiver meses já é muito, logo com a rapariga mais feia que foi arranjar (quer dizer, Robert, para isso estava cá eu, à distância de um mero email!). 

Temos o direito de ter o coração despedaçado. Vou só ali carpir mais um bocadinho e já volto.

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