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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

14
Fev19

Posso ser solteira? Por favor?

Carolina

Já há muito tempo que vivemos numa sociedade em que estar solteiro é visto como uma coisa má. Mas hoje, mais do que nunca, isso se evidencia - a começar pelos programas de televisão, altamente empenhados em arranjar "a alma gémea" de qualquer um, utilizando métodos altamente inovadores e de eficácia, digamos, duvidosa. Vejamos: casar pessoas sem elas nunca se terem conhecido (Casados à Primeira Vista), fazer dates em restaurantes (First Dates) e dentro de carros (O Carro do Amor) ou juntar uma dúzia de miúdos dentro da mesma casa para ver quem se engata primeiro (Love on Top). Para vir estão outras maravilhas como os serem os pais a eleger o novo namorado da filha, escolher (ou, neste caso, eliminar) potenciais parceiros tendo por base o aspeto das suas partes iíntimas (Naked Attraction) ou ainda ter conversas muito intensas e profundas com um "match" enquanto estão deitados numa cama... usando apenas lingerie. Tudo formas maravilhosas de se conhecer a fundo uma pessoa, não é? 

É engraçado como toda a gente parece estar ansiosa por arranjar alguém mas depois desencanta as formas mais escabrosas e descabidas para o fazer. Os programas são claramente a nova moda, mas também podíamos falar do Tinder, do facebook e afins. Acho que o problema principal é o objetivo ser, à partida, encontrar alguém com quem ter uma relação amorosa - passa-se logo à frente uma possível amizade, logo aniquilada por se dar um passo maior que a própria perna. Mas estas são, provavelmente, as mesmas pessoas que se queixam de já não haver relações a sério, com um bom fundo, que é tudo feito com base em questões superficiais. Querem o quê, se os escolhem os outros pelo tamanho das mamas ou se põem o futuro nas mãos de produções de programas que nunca vos viram à frente?

Neste momento a pressão da sociedade para se arranjar um/a companheiro/a é de tal forma que nós quase que nascemos com essa ambição máxima. Já não precisamos que nos digam que só se é feliz quando se partilha a cama e a vida, isso já nos está embutido. A pressão é nossa. Não vale a pena dizer "deixem os solteiros em paz" quando são a maioria das vezes eles próprios quem mais se impõe para mudar de estado civil - e, aparentemente, agora vale tudo. Já não sabemos estar sozinhos.

Eu sou solteira por defeito - defeito por ter nascido assim, solteira, sem amarras (no sentido de default) e por não ter paciência, tolerância e disponibilidade (mental) para dedicar tanto tempo a alguém (no sentido de falha de personalidade). Vejo todo este fenómeno com alguma estranheza e, confesso, alguma impaciência. Já não tenho pachorra para quem me pergunta se tenho namorado, se anda "mouro na costa" ou quando têm claramente mais vontade de me ver casada do que eu própria tenho. E este Dia dos Namorados lembra-me sempre isto, esta necessidade contemporânea de atualizar o estado de uma relação no facebook e de partilhar fotos mimosas de mãos dadas.

Acho graça como tanta gente critica ultimamente o Natal, por se ter tornado numa festividade comercial, mas mal pensa nisso relativamente ao São Valentim, que não é nada mais do que comercial. É curioso ver como este é um dia que já temos muito enraizado na nossa vida, até mais do que alguns feriados. Quando olhamos para os nossos calendários em Fevereiro já sabemos que ali para o meio está o dia mais piroso do ano. E é de tal forma que não deixamos de o celebrar (penso que em grande parte por termos medo que a "nossa metade" fique triste por deixarmos passar esta data em branco).

E isto é um cliché, mas é verdade: o dia dos namorados, do pai, da mãe, dos irmãos e dos avós devia ser todos os dias. Não devíamos precisar de reminders para isso. E gastar 50 euros por cabeça num jantar só para provar que é amor serve de muito pouco. O mesmo se pode dizer daqueles peluches enormes, pirosos, que eventualmente vão acabar no sótão porque não há sítio melhor para os pôr. Ah, e das rosas, que pagamos neste dia ao quíntuplo do preço daquilo que pagamos nos outros 360 dias do ano (há que contabilizar o dia anterior ao dos namorados, cujas vendas aumentam à custa dos mais precavidos, e o dia da mãe e respetivo dia anterior, que segue a mesma lógica comercial). 

Não quero ser aqui a velha do Restelo, mas gostava de relembrar nascemos sozinhos e morremos da mesma forma - com ou sem anel no dedo, papéis assinados, com ou sem averbamentos na nossa ficha do registo civil. Acho bem que nos divirtamos pelo caminho e, quem quiser e tiver disposição, que o partilhe com alguém de quem gosta - mas esta pressa, esta necessidade quase absurda de se ter alguém faz-me muita comichão. 

Posto isto, resta-me desejar-vos um bom dia dos namorados. Para os comprometidos, para os que "é difícil", para os que têm amigos coloridos ou room-mates. E, claro, para os solteiros. Lembrem-se que os 50 euros que gastariam entre flores, jantares e bonecada dá para uma mariscada das boas. Não é bem a mesma coisa, mas dá para um orgasmo gastronómico. Digam lá que é mau? 

 

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10
Nov15

As necessidades que a sociedade cria em nós

Carolina

Há quem diga que nunca se pode sentir falta daquilo que nunca se teve, mas eu não concordo. Isto porque basta conhecer quem tenha algo, que passamos a ter um conhecimento - ainda que não intrínseco - sobre os efeitos que esse "objeto" tem (ou poderia ter) em nós, ao refletirmos os efeitos que teve nos outros.

Eu acho que, por exemplo, quem perdeu os pais cedo e foi viver para uma instituição - nunca sabendo o que são "pais" na verdadeira acepção da palavra, embora possa ter tido a mesma quantidade de afeto ao longo da vida - vai sentir, em algum ponto, falta dos pais que não teve. O mesmo se aplica aos filhos únicos - acho muito difícil que, mesmo que seja num ou dois momentos da vida, não tenham sentido falta da companhia e apoio que um irmão lhes podia ter dado. Quem fala em irmãos e pais também pode falar em avós, uma situação até mais recorrente: há muita gente que nunca chegou a conhecer os avós mas, por saber - de palavra - como eles eram, as suas características, sente falta de os ter conhecido. E isto tudo porque toda a gente conhece alguém com uns pais fantásticos, uns irmãos do melhor que há e uns avós super queridos - e a necessidade de ter igual, de ter algo superior, algo melhor do que nós tivemos, cria-se. Mas este raciocínio não se aplica só a pessoas: também de objetos e coisas materiais podemos estar a falar aqui. Ninguém pode dizer que as pessoas pobres não sentem falta de dinheiro, porque a menos que vivam numa redoma e não conheçam a realidade envolvente, vão querer ter mais, ter melhor - faz parte da condição humana, em todas as suas facetas, querer ter aquilo que não tem, alcançar aquilo que está mais além, ir até ao topo da pirâmide.

O que eu quero dizer com este parágrafo enorme é que as nossas necessidades já não são só as básicas e não somos só nós que as criamos - elas são criadas pela sociedade. Estar-se de bem com a vida que se tem quase que já não é bem aceite: tem de se querer sempre mais, mesmo que não sintamos falta de ir mais além - pelo menos naquela altura da vida. E isso, confesso, causa-me estranheza. 

É sabido - não o escondo - que uma das coisas que mais me afunda para os meus habituais ciclos "meio-depressivos" é a solidão. Não importa quanta gente esteja à minha volta (ou se calhar importa, mas no sentido inversamente proporcional), que a probabilidade de eu me sentir sozinha é enorme. É algo com que eu acho que nasci e que, desconfio, não me vai passar nunca. Escrevi um dia que "nasci para estar sozinha" e muita gente não percebeu e tantas outras pessoas interpretaram-no erradamente: o que queria dizer é que está enraizado em mim. Mas, claro, como é algo negativo, eu própria estou sempre a tentar mudar isso, assim como quem me rodeia - e uma das soluções "mais à mão", arranjada por pessoas que normalmente mal me conhecem (e que não sabem o quanto isso me irrita) é arranjar um namorado.

E, para mim, "arranjar um namorado" é mais uma das necessidades criadas pela sociedade. É óbvio que é uma coisa natural da vida - o que estou a dizer é que, hoje em dia, há quase um regulamento invisível que dita que "pessoas normais até aos vinte anos devem conter no seu currículo x namorados; caso contrário, são autênticas aberrações e devem sentir-se mal consigo próprias, excluídas da sociedade, sentirem-se mergulhadas numa solidão profunda e devem ser aconselhadas a mudar de rumo de forma mais célere possível; caso a situação não se altere passado cinco anos, devem ser enviadas para o psiquiatra mais próximo". Porque eu, honestamente, não preciso de um namorado - não preciso porque nunca encontrei alguém de quem precise. Porque nunca encontrei alguém de quem gostasse o suficiente e que dissesse para mim mesma "esta pessoa vai acrescentar algo positivo à minha vida, vai-me fazer mais feliz do que estou agora" - ou seja, essa necessidade nunca foi genuinamente criada em mim. As razões acima são aquelas porque eu acho que se deve ter um namorado - e pela qual, um dia, vou ter um. Quando aparecer, quando for tempo, quando tiver sorte, quando o conhecer.

Mas a sociedade não concorda e eu chego a um ponto em que sinto falta de ter um namorado - mesmo nunca tendo tido um e, vejam lá, não querendo ter um! Isto porque há toda uma ideia pré-feita, passada de boca em boca, de que ter alguém ao nosso lado nos faz mais feliz. E, claro, que é a receita perfeita para alguém como eu, que se sente cronicamente sozinha. É uma ideia com mais falhas do que argumentos e raciocínio lógico mas que, por cansaço, acabo por ceder. Há dias - os mais frágeis - em que penso, em bom português "Foda-se, se a solução para este nó na garganta é um namorado, mais vale avançar com isto rápido e de uma vez por todas", mesmo sabendo que é tudo, TUDO, mentira. Porque, lá está, são as necessidades que a sociedade nos cria, mesmo nós não precisando delas. E que prova de que podemos sentir falta de coisas que nunca tivemos (às vezes nem que seja para dizer "já tive e não deu resultado!!!") e - o mais engraçado disto tudo - que nem sequer queremos ter. 

11
Abr15

Isto é para os apanhados, certo?

Carolina

Já várias vezes na minha vida que achei que estava a ser filmada para os apanhados. Consigo nomear um par delas, mas sei que já houve mais vezes em que pensei "isto só pode ser para os apanhados". Hoje aconteceu mais uma vez. Então o que aconteceu?

Fui ao cinema com uma amiga e escolhemos um sítio onde pouca gente vai, uma vez que já tínhamos planeado chegar em cima da hora e queríamos garantir lugar. Isso acabou por não ser necessário porque, no final de contas, éramos pouco mais de uma dezena naquela sala de cinema. Ficamos na ala central, a par de um casal atrás de nós (na casa dos quarenta anos) e outro à nossa frente (com idade próxima dos sessenta); na ala esquerda estava um grupo de amigos (divididos em duas partes - um casal de namoraditos, propositadamente num canto, e os outros, meia-dúzia de filas abaixo, para garantirem que ninguém se sentia incomodado). 

É claro que do casalito de miúdos que estava no canto ninguém esperava que vissem o filme com grande atenção. Como estavam longe e eu estava concentrada no filme, toda a ação naquela ala me passou ao lado. O pior - e o inusitado - foi o casal atrás de nós. Desconfio seriamente que tenham resolvido tirar a lua-de-mel no cinema, porque aquilo estava... intenso. 

No início até pensei que, quando entrei, tivesse visto mal a idade deles - eu só ouvia beijos, abraços e movimentos! Na tela passavam-se cenas de alta tensão e eu a tentar evitar as lágrimas de tanto rir daquela situação completamente inacreditável. Se já é detestável ter um casalinho de namorados adolescentes em pleno clima de romance junto de nós, pior é quando esse casal já tem idade para ter juízo - e casas, com quartos incluídos (coisas que os adolescentes, normalmente, não têm).

E foi aí que pensei: eu estou nos apanhados! Tudo aquilo era tão óbvio que o grupo de amigos que estavam a uns metros de todo o centro de ação se aperceberam do sucedido e se juntaram em plena galhofa durante o intervalo, rindo a bandeiras despregadas. E eu não consegui evitar fazer o mesmo. Acho que vou estar atenta aos próximos programas de apanhados que passarem na televisão, continuo a achar que aquilo não pode ter acontecido "na vida real".

06
Abr15

Sushi em frente ao mar

Carolina

Num dos jantares destas mini férias no Algarve, fomos comer a um sitio onde só se tem aceso pela praia. Estacionamos e fomos pelo passadiço até lá. Pelo caminho, passamos por um casal de namorados (podiam ser amigos, mas duvido seriamente) sentados num banco de madeira, virados de frente para o mar.

No início achei que estivessem só a apreciar a vista (linda, por sinal, estava uma maré vaza maravilhosa) mas depois percebi que estavam a jantar. Entre os dois estavam três tabuleiros cheios de rolinhos de sushi e, à vez cada um, iam-nos pescando e saboreando, enquanto disfrutavam da vista e da companhia um do outro. Admito que observei aquilo embevecida e achei a ideia para lá de genial. O sushi já é caro, mas um restaurante de sushi com vista mar é incomportável para  quase todas as carteiras. Mas para grandes problemas, grandes soluções: e eu acho que aquele cantinho era 30 vezes melhor do que um qualquer restaurante.

Vou guardar a ideia para mais tarde realizar. Lá para 2036, quando arranjar um namorado (isto se o sushi ainda estiver na moda, na altura).

26
Nov14

Estou farta

Carolina

A questão repete-se de uma forma ou de outra, quase todos os dias. Tento ignorar - até fui ver e o último post que fiz sobre este tópico, sendo que data de Março deste ano (já lá vão oito meses, não é mau) - mas, sinceramente, nem sempre consigo. São questões nucleares que mexem connosco.

Do que falo? Da minha falta de namorados, pois claro está. Se não é a mãe é o tio; se não é o tio é a amiga; se não é a amiga é um conhecido que encontramos na rua, um daqueles que já não vemos há muito tempo. Vem nas mais variadas formas: as mais diretas ("então e namorado, já tens?" - já com aquele tom de impaciência); as que vêm em forma de sugestão ("já viste aquele ali? imaginava-te com ele!"); as desconfiadas ("não me acredito que ainda não tens namorado... conta lá a verdade!"); as que nos dão graxa ("és tão gira e inteligente, não é possível não teres um rol deles atrás de ti!"); e as desesperadas, quando estamos a falar de alguém nosso conhecido - mas que quase só sabemos o nome - mas já é a pessoa ideal ("esse aí parece mesmo o ideal para ti!").

Tudo bem, eu admito, não é normal. Mas digam-me uma coisa: querem que eu faça o quê? Querem que arranje um namorado de quem não gosto, só para me chatear a cabeça, só porque vossas excelências me querem ver com um parzinho? Querem que eu arranje alguém por arranjar, porque a vossa sede de relacionamentos é maior que a minha? Estou farta desta merda, pá.

As pessoas não percebem o efeito que isto tem em alguém, o desgaste que causa, a baixa de auto-estima que provoca. Eu estou sozinha porque quero, mas também porque nunca surgiu oportunidade de estar com alguém de quem verdadeiramente gostasse, me atraísse, com quem me imaginasse estar. Uma mistura de azar com falta de oportunidades, conhecimentos e entrega da minha parte. Não é fácil ver toda a gente contente, feliz e aos beijinhos com o seu respetivo namorado e nós termos a sensação de que vamos ficar para tias - não é só a pressão que os outros põem em cima de nós, mas também a pressão que nós próprios exercemos sobre nós mesmos! Sentimo-nos - e uso o plural porque sei que não sou a única nesta posição - umas chatas, umas feias, que parece que não merecemos a atenção de ninguém e que somos a coitadinha, que está eternamente solteira.

Estou farta. As investidas alheias só pioram. Sou feliz solteira, mas ninguém parece perceber isso - e toda a gente faz questão de me relembrar que há toda uma outra felicidade quando se namora. Nesta sociedade somos obrigados a ter alguém para dar a sensação de que estamos completas - e a cada dia que passa sinto mais isso. O desespero das pessoas está latente, já quase qualquer coisa serve - pode ser bonito ou feio, hetero ou gay, dois anos mais novo ou dez anos mais velho. Tudo serve desde que não fique para tia e não ganhe o rótulo de solteirona para a eternidade. Já só falta mandarem-me os currículos completos com candidatos, essa medida desesperada.

Enfim, já disse que estou farta? Então pronto: estou farta. 

27
Set14

Desgostos de amor platónicos

Carolina

Estes últimos dias aqui em casa não têm sido de fácil digestão para mim e para a minha mãe. Explicando melhor: estamos de coração partido.

Ela porque hoje o seu adorado Clooney se casa hoje com Amal Alamuddin em Veneza; eu porque o meu Robert decidiu arranjar a namorada mais feia à face da terra e já se assume com ela, de mãos dadas por aí, como se nós não estivéssemos a ver! Tanto um como outro, no fundo, são uns sonsos: o primeiro andou aí anos a namorar e/ou namoriscar raparigas mais novas, mas casamento nem vê-lo; o segundo andou anos numa relação com Kristen Stewart, mas sem uma pessoa perceber realmente o que se passava ali, e até vermos um beijinho que fosse - ou mãos dadas, que seja! - demoramos meio século. E agora ambos nos dão uma facada pelas costas: um casando de rompante com uma senhora que conheceu "há meia dúzia de dias" e o outro a assumir um namoro que, se tiver meses já é muito, logo com a rapariga mais feia que foi arranjar (quer dizer, Robert, para isso estava cá eu, à distância de um mero email!). 

Temos o direito de ter o coração despedaçado. Vou só ali carpir mais um bocadinho e já volto.

30
Mar14

Porque já me começo a chatear

Carolina

Confesso que esta conversa sobre os namoros me começa a chatear (e a magoar). Se não vejo uma pessoa há mais de três meses, uma das primeiras perguntas (e só não é a primeira porque fica mal) é se já tenho, finalmente, namorado. Quando digo a resposta de sempre, começam numa bela dissertação sobre a razão da minha solteirice aguda: uns dizem que afasto os rapazes só com o olhar, outros que nem lhes dou hipótese, outros que ponho o cabelo à frente dos olhos e por isso não conseguem ver a minha carinha "linda" e, por fim, a teoria que mais me espanta, que viro para o outro lado (que é como quem diz: sou lésbica). 

Já devem ter percebido por outros textos meus que eu não tenho nada contra a homossexualidade,  que defendo os direitos deles e tudo mais - mas isso não quer dizer que me insira no grupo. Parece que, hoje em dia, uma rapariga aos 19 anos não ter namorado é tão anormal e tão socialmente inaceitável que começam a ir buscar as razões mais mirabolantes para o justificar. E confesso que fico um bocado magoada e desapontada quando pessoas que me conhecem (porque quem não conhece pode dizer e desdizer à vontade porque não tem conhecimento de causa) coloca sequer algumas hipóteses em questão. Quem me conhece, sabe que para além dos mil e um defeitos que encontro nos homens, encontro o dobro nas mulheres; não gosto de o dizer aqui porque sei que a minha plateia é maioritariamente feminina e temo que se sintam ofendidas, mas eu acho a maioria das mulheres são más como as cobras, não olham a meios para atingir os fins. E se eu não gostasse de homens, bem que ficaria sozinha o resto da vida, porque as mulheres são infinitamente piores.

Mas a pior parte de tudo isto são as dúvidas e os medos que acabam por implantar em nós,  como se estar solteira fosse um crime ou algo raro e problemático no mundo; não são questões em relação à nossa sexualidade (pelo menos não para mim, que sei bem o que gosto), mas sim em relação a nós mesmos. Chega a um ponto em que as questões que as pessoas se colocam, também nós nos colocamos: será que sou assim tão feia?, será que sou assim tão má?, será que tenho alguma coisa de mal que os afaste assim do nada e eu nem sequer me apercebo?, será que sou desinteressante?  Questões parvas, estúpidas e idiotas mas que acabam por nos assombrar pelo simples facto de estarmos solteiras e a sociedade achar que está na idade certa para arranjar alguém! 

E eu não estou a guardar-me para o casamento, não estou a arranjar tempo para sair do armário nem estou a fazer-me de difícil. Sabem também o quê que não estou? Para me chatear com quem não merece o meu tempo, com quem não me desperta interesse, com quem não me chama a atenção,  me deslumbre,  iluda, fascine e alegre. Quando o dia chegar, chegou. E até lá deixem-se de merdas.

02
Mar14

Vale a pena esclarecer isto

Carolina

Sempre me disseram que devemos ter a capacidade de rirmos de nós próprios. E embora eu não tenha um sentido de humor muito apurado (que não tenho), acho que tenho vindo a conseguir rir-me de algumas das minhas particularidades, em vez de deprimir por causa delas.

Assim é com a Zumba. E com o facto de eu não ter namorado. Se eu podia deprimir por aí, e dizer que não tenho ninguém que goste de mim nem que se interesse por mim e mimimimi? Podia, mas prefiro não o fazer, até porque estou ciente que grande parte da culpa nesta minha solteirice é minha. Nunca, em nenhum dos meus posts, eu disse que era uma aberração da natureza, me deitei para baixo, disse que ia morrer solteira (pelo menos com seriedade) ou que nunca nenhum rapaz iria olhar para mim. Brinco apenas com o assunto, tal como brinco com a minha incapacidade dançar ou como podia gozar com o facto de pintar pior do que a minha sobrinha de 6 anos ou de ter estado na linha de reprovação a história. Não é dar importância a mais a um assunto, não é menosprezar-me, não é uma afirmação de que vou ficar solteira para sempre. É uma brincadeira, porque, de facto, não é muito normal uma rapariga de 18 anos não ter namorado, nunca ter tido, não estar interessada em ninguém e não fazer um drama disso. É uma particularidade com que eu, felizmente, tenho a capacidade de "gozar", em vez de sofrer com isso. Pelo menos em demasia.

27
Fev14

Como ser eficaz na tarefa de não arranjar namorado

Carolina

Ires para a Zumba, ficares no teu lugar habitual - que é, por acaso, mesmo em frente à porta (porque raio é que me pus ali no primeiro dia, meus deus?!)-, e esperares que te vejam a dançar horrivelmente como só tu sabes.

 

 

(Explicando: o ginásio onde ando é relativamente pequeno. Os balneários, a zona das máquinas e o estúdio de aulas são todos muitíssimo próximos uns dos outros. Quando a aula de Zumba começa, a música - que se faz ouvir em todo o lado - atrai os mais curiosos (que podem, por acaso, até ser rapazes jeitosos - mas, verdade seja dita, eu nem reparo bem: é uma mistura de cansaço com a falta de vontade de olhar quem me está a ver naqueles preparos), que se colam à porta de vidro a apreciar as dançarinas de categoria. E quem está logo ali à mercê dos olhares, quem é? Exacto. Essa pessoa que (não) adora dançar e que morre de vergonha só por lhe porem os olhos em cima: eu.)

De facto, e apesar de sempre ter tido a teoria de que muita gente ia para os ginásios exibir o corpinho e tentar arranjar namorado à força toda, tenho de admitir que, para mim, essa técnica jamais funcionaria. Porque, mesmo estando longe de ter um corpo de sonho, o exercício físico deixa-me vermelha, calorenta e despenteada - o suficiente para afugentar qualquer tipo de pretendentes. 

Aprendam comigo. Ser solteira é fácil. No meu caso basta ir ao ginásio.

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