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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

22
Dez17

Uma loja de porta aberta 1#

Carolina

The Feeting Room, onde a moda se saboreia lentamente

 

No início eram os sapatos. Depois o caminho do lifestyle começou a falar mais alto e apareceram as roupas, as revistas, as esculturas, as pinturas e o estacionário: tudo o que um cliente precisa para se vestir, de cima a baixo, e ainda levar na bagagem algumas experiências, cultura ou até o estômago quente forrado com um café.

O papel do The Feeting Room é mesmo esse: ser tudo um pouco e reinventar o conceito de retalho. “A inovação não está só no produto mas também no modelo de negócio”, diz Guilherme Oliveira que, em conjunto com Edgar Ferreira, forma a dupla que fundou e gere o projecto.

“Percebemos que havia uma lacuna nas marcas portuguesas: existem muitos produtores de qualidade que não chegam sequer ao mercado português ou não estavam disseminados”, explica Guilherme que quis, com o seu sócio, “criar uma plataforma não só de venda mas também de promoção das marcas”. O The Feeting Room vê-se por isso como uma incubadora e curadora de projetos, com quem desenvolve eventos, ajuda na comunicação e, acima de tudo, proporciona a oportunidade de estar em dois sítios premium: no Largo dos Lóios, Porto, e no Chiado, em Lisboa.

São muitas as marcas diferenciadoras que recheiam ambos os espaços, capazes de satisfazer os gostos de uma ampla plateia de clientes. A ideia baseia-se na co-criação de valor: “há um co-branding positivo entre todas, que se entreajudam a vender muito mais. Não se canibalizam – potenciam-se”, afirma Guilherme.

Uma boa relação qualidade-preço, a intemporalidade e qualidade das peças e a história dos projetos são pontos essenciais para figurar nestes espaços: “no retalho tradicional, o sumo e a identidade da marca acabava por se perder no processo dos intermediários e aqui não”, afirma Edgar, explicando que os funcionários têm formação sobre as marcas de forma a manter vivo o seu ADN. Por isso é que “tu cá, tu lá” é, provavelmente, a forma certa de descrever a relação do The Feeting Room com os seus parceiros, deixando também para trás a relação de distância do comércio tradicional: “temos um contacto direto com eles, damos um feedback de rentabilidade, de coolness e de feeting”, revela Edgar Ferreira.

Apesar do frenesim da moda, do movimento constante nas ruas e da procura incessante de novas marcas e novidades, no The Feeting Room as coisas querem-se slow: quer seja pelos momentos no The Coffe Room – um spinoff da própria loja portuense, que tem no seu piso superior um espaço de café onde os clientes podem desfrutar do espaço, enquanto conversam ou lêem uma revista –, quer pela filosofia inerte às roupas que vendem (onde o slow fashion já tomou lugar) ou até pela organização do espaço, feita de forma espaçosa e ordenada, sem apertos ou o caos instalado. Tudo sem pressas, enquanto se respira e absorve moda, enquanto o mundo continua a correr lá fora.

 

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07
Nov17

As minhas primeiras impressões sobre o Web Summit

Carolina

Pois é: estou em Lisboa, para a cimeira tecnológica mais popular do universo. Depois de no ano passado ter ficado com alguma pena de não ter vindo, desta vez pude vir e estava com as expectativas em alta. A minha ideia era explorar o Web Summit ao máximo, mas também tirar o maior partido do meu tempo na cidade. Para já, fiz mais a segunda parte. Porque relativamente à primeira, tenho três palavras para vos dizer: UM. CAOS. COMPLETO!

Cheguei ontem à hora do almoço e fui fazer o registo, até porque tinha uma entrada para a Opening Night - onde acabei por não ir. Há uma constatação mais que óbvia: a organização é uma desgraça e podia ser muito melhor com pequenas coisas como cartazes ou pessoas informadas; formam-se filas que ninguém sabe bem para o que são e só se sabe que o nosso sítio não é ali dez minutos depois, as pessoas do evento não sabem dizer onde são os palcos ou zonas específicas do evento, o som durante as talks era muitas vezes miserável e os atrasos inaceitáveis quando se tratam de apresentações de 20 minutos que encadeiam umas nas outras. Para além disso, um detalhe que a mim me chateia e me entristece é ver centenas de voluntários em funções que deviam ser claramente pagas, como a registar pessoas ou a carregar os sofás para cima dos palco de cada vez que mudam os painéis.

De uma forma geral, como já se puderam aperceber, não fiquei muito impressionada. Gostava de dizer que todas estas desvantagens compensam com a qualidade das talks e das empresas presentes, mas o caos é tanto que nem sempre é fácil fazer uma avaliação isenta das coisas. Acho que depende também muito das pessoas: a mim as multidões stressam-me, deixam-me nervosa. Não estou sozinha no Summit mas ando, maioritariamente, sem companhia - não tenho a quem me agarrar, conversar ou descomprimir, por isso a minha vontade, como boa anti-social-desesperada-no-meio-de-70-mil-pessoas-a-tentar-fazer-networking, é aninhar-me a um cantinho e esperar que o barulho passe. Mas não passa. E eu vim para aqui por vontade própria e preciso de arranjar outra forma de lidar com os problemas sem ser em posição fetal. Por isso mentalizei-me de uma coisa: "estás sempre livre de sair". E foi assim que o dia correu - comigo stressada e a balançar esse estado de nervos com pensamentos apaziguadores como "não te preocupes que tens o oceanário aqui ao lado caso queiras silêncio". Aguentei-me histoicamente.

Como não vim para aqui em trabalho, mas sim como uma pessoa interessada em tudo o que é novas tecnologias, estava mais virada para as talks - podia dar uma volta nas startups e nos stands, mas não era a isso que pretendia dedicar o meu tempo. Preparei o meu horário, com bastantes mais coisas do que podia ver na realidade, e daquilo que vi e passeei já tirei algumas conclusões: 1) gosto muito mais de apresentações de uma só pessoa do que conversas moderadas por jornalistas - sinto que as primeiras já estão preparadas para agarrar o público, enquanto que os debates acabam por não ser tão pensados e por isso potencialmente menos interessantes; 2) o Altice Arena é, sem dúvida, o melhor local para as conferências porque têm o número de lugares sentados ideal, assim como condições de som e imagem; 3) a zona de comes e bebes é aparentemente grande, mas fica completamente lotada em horas de ponta - de tal forma que eu saí do recinto e fui ao Continente buscar uma baguete; 4) as melhores conferências são, às vezes, aquelas que não esperamos, por isso vale a pena dar uma hipótese.

Pontos a realçar de hoje: gostei muito do José Neves, da Farfetch, sobre o qual tantas vezes já escrevi; vi o Triple H no Altice Arena - não se pode dizer que tenha sido um sonho de infância, mas quase... tive muitos throwbacks com os tempos em que gostava de ver wrestling; duas das apresentações de que gostei e que não estavam nos meus planos eram com uma senhora do hotel Hilton (que falou da aplicação inovadora que têm) e o brand guy da Shell - fiquei muito bem impressionada, pela positiva. Ainda assim, uma das melhores coisinhas de hoje foi ter chegado ao hotel, tirado as sapatilhas e pôr os pés para o ar. O Web Summit pode ser fixe, mas não deixa de ser uma feira (lembrei-me bem dos meus dias em Munique)... e as feiras cansam pr'a carago. 

Vemo-nos amanhã, com as expectativas reajustadas e com um novo embate da realidade. Em caso de desespero, já sei: tenho sempre o oceanário ali ao lado. No final dos três dias faço um balanço que, tal como este post, não deixará de ser menos caótico que o próprio Web Summit.

 

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27
Fev17

A minha loucura por camas elásticas (ou o meu plano na próxima ida a Lisboa)

Carolina

Há cerca de dois anos escrevi aqui um texto, na rúbrica "Miúda de 95", que não vos dizia nada em particular mas que para mim guardava uma memória especial. Foi este, em que falava das "camas pinchonas" do Algarve, que não passavam de um conjunto de camas elásticas que existiam na rua da Oura, em Albufeira, e que eu frequentava todos os anos, quando era mais nova. Na altura não havia nada parecido, a não ser nos complexos de ginástica, e ter um espaço onde eu pudesse saltar livremente durante dez minutos era assim a melhor coisa do mundo para mim. 

Entretanto esse complexo de diversões acabou mas a coisa das "camas pinchonas" ficou para sempre no meu imaginário. Já não salto numa cama elástica há uns 14 anos, mas sempre que olho para elas teletransporto-me para esses momentos de pura felicidade e liberdade de quando era pequena. E quero sempre voltar a saltar, mas muitas vezes a altura não é certa e a entrada é só para crianças. A verdade é que, para além do ginásio onde andei em pequena, nunca mais voltei a ver camas como aquelas do Algarve - existem aqueles círculos elásticos, com rede à volta, mas não é a mesma coisa.

Até que há uns dias vi um artigo qualquer que falava de um espaço chamado Bounce, em Lisboa que é... um complexo de camas elásticas. Fui à loucura. A minha mãe estava ao lado e olhava-me como se eu fosse uma autêntica criança que descobriu uma taça cheia de guloseimas. No fundo, é tal e qual aquilo que havia no Algarve mas em ponto ainda maior; na Oura havia tipo dez camas, lá parece-me haver dezenas - e com obstáculos para saltar, cestos para "afundar" bolas, camas de diferentes tamanhos para fazer diferentes brincadeiras, um sítio especial para jogar ao "mata" e umas camas para saltar para o "vazio". Enfim, o paraíso.

Estive a fazer uma pesquisa e o preço de entrada, por uma hora, são 12€ (mais uma meias que é obrigatório comprar, que custam dois euros, mas que são reutilizáveis) - o que, comparado com o que pagava no Algarve, é uma autêntica pechincha (acho que pagava o mesmo por vinte minutos). Mas a verdade é esta: até podia ser mais, porque eu ia na mesma. Até tremo só de pensar na possibilidade de ir. Isto é tão parvo... mas é algo que queria há tanto, tanto tempo que achava que nunca mais ia sair do meu imaginário e da minha memória. É quase como aquela história dos bolos das avós: é quase impossível voltarmos a sentir aquele sabor, aquela sensação especial - mas há sempre aquela réstia de esperança.

Na minha próxima ida a Lisboa, o Bounce vai ter de fazer parte do itinerário. Acho que à partida vou ter medo, mas também não duvido que depois de acordada a criança que há em mim... ninguém me para. (Podemos ir já amanhã?!)

 

 

09
Jun16

Níveis de inveja preocupantes

Carolina

Vou dizer isto de forma direta e virtualmente gritante:

 

EU JÁ NÃO AGUENTO VER MAIS POSTS SOBRE A FEIRA DO LIVRO EM LISBOA!

 

A sério. Para uma book lover que resida fora da capital, ver todos os dias um post sobre a feira é quase como arrancar uma unha lentamente. Ou seja: é doloroso. São livros novos, promoções, sessões de leitura, sessões de autógrafos e, claro, milhões de livros no mesmo sítio. E, segundo dizem, até comida boa têm direito!

E vocês dizem: "mas porquê tudo isto se vocês aí no Porto também têm uma feira do livro?". Amigos, mordam essa língua: a nossa feira do livro, desde que a APEL entrou em rotura com a Câmara do Porto (se não estou enganada), nunca mais foi a mesma - e não chega nem ao dedo mindinho dos alfacinhas. Porque, acreditem, é fraca. Não se trata de um conjunto de editoras encontrar-se no mesmo espaço, mas sim de livreiros e alfarrabistas - o que, no fundo, faz daquilo uma fnac ao ar livre e com uma programação um bocadinho diferente do habitual. Ainda assim, as promoções são muito poucas e as presenças de autores ainda menores. É triste, tendo em conta que ainda há poucos anos tínhamos uma feira do livro a sério a decorrer nos Aliados, que era só um do meus eventos favoritos do ano.

Para além da qualidade da feira ter diminuído a olhos vistos, também acho o "novo" local bem pior: pessoalmente, e apesar de achar o Palácio de Cristal muito bonito, prefiro muito os Aliados. Parece mais uma feira a sério, maior, mais ampla, mais urbana. 

Tenho saudades da feira antiga e, por conseguinte, muita inveja de quem tem uma feira de jeito para visitar. Tudo o que me apetece é meter-me num comboio para Lisboa e reclamar o meu direito de também ser uma bookworm como deve ser e me ver no paraíso dos livros. (Mas, como não o vou fazer, aproveitem por mim - mas, por favor, parem de nos mostrar aquilo que nós perdemos em posts de nos fazer roer de inveja).

06
Dez15

De volta à base

Carolina

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Ir a Lisboa mais perto do Natal já é quase um clássico para mim - e sabe-me sempre pela vida! Claro que desta vez teve um saborzinho especial, pelas razões que descrevi no post abaixo - foi bom rever amigos e foi delicioso passar uma horinha com o meu sobrinho caçula ao colo. 

Ele continua igual, com a mesma simpatia e de sorriso fácil, só que um bocadinho mais maciço. E, claro, já com o seu primeiro dente a espreitar - algo mais do que suficiente para ele devorar bolachas e fazer uma lixeira de todo o tamanho no raio de um metro. Os meus amigos continuam iguais, felizes, e a transmitirem-me a mim essa felicidade (e eu preciso mesmo de ser contagiada!). Passados estes anos ainda me conseguem mostrar coisas novas - fomos ao jardim da estrela e tomamos café na Gulbenkian, sítios onde nunca tinha estado - e convencer a experimentar coisas novas - foi com eles que comi sushi pela primeira vez há uns anos e ontem foi dia me estrear a comer num restaurante chinês/cantonês. À noite ainda demos uma volta pela baixa para ver os enfeites e as luzinhas de Natal, para completar o espírito e a magia desta altura do ano.

O tempo foi pouco - no fundo, não cheguei a estar lá nem 24 horas -, por isso não me dei ao trabalho de pegar na máquina para fotografar. Tirei fotos com a grávida mais querida de Lisboa (a minha amiga) e com o meu sobrinho; não passou disso. Quis gastar o tempo a conversar (sinto que não os vejo durante tanto tempo que preciso de pôr a conversa toda em dia), passear e arejar as ideias. Foi bom. Já ajuda a ter força e inspiração para as últimas duas semanas de faculdade que se seguem, que são sempre as mais infernais do semestre. 

04
Dez15

Viagem relâmpago

Carolina

Eu não sei o quê que se anda a passar com o tempo mas ele está a passar-me por entre os dedos. Ainda (ao que me parecem) "dois dias" eu estava dizer "lá para Novembro ou Dezembro tenho de ir a Lisboa!" e agora, assim do nada, Novembro já passou e Dezembro já caminha por aí a passos largos. Não percebo como é que isto aconteceu. Não percebo. As entregas de trabalhos estão mesmo ao virar da esquina, o Natal aproxima-se a passos largos e as prendas estão por comprar e os fantasmas dos exames também já estão a espreitar e os resumos por escrever. Um stress de todo o tamanho que acontece todos os santos anos, sem excepção.

Como se tudo isso já não bastasse, acontecem sempre vinte e seis mil coisas e há sempre outras tantas para fazer. Uma delas - e que já estava anunciada há meses - era um ida a Lisboa. E tem de ser agora. Uma das melhores amigas que a vida - e os blogs - me deram está neste momento de barriga grande e prestes a fazer-me tia (ainda que emprestada) pela sétima vez. Não posso perder a oportunidade de estar com ela antes de ela ser mãe, de tirar fotos com ela e com a sua barriga; no fundo, antes de ela enfrentar a maior reviravolta da vida dela. Por outro lado, aproveito para tomar um café com a minha cunhada e o meu sobrinho, que vieram passar o fim-de-semana e de quem tenho mesmo muitas saudades - estou morta por estragar aquele miúdo com beijos, sendo que a próxima vez que o vou ver (em principio, se não existirem mais escapadelas como esta) será só no verão. Comprei as viagens há um par de horas, decidi tudo em cima do joelho, desmarquei já coisas combinadas e marquei outras, tudo em modo speedy Gonzales. Uma coisa sem pré-aviso e pensamento prévio, algo tão raro em mim como a água do mar estar quente nas praias do Porto - ou seja, mesmo muito raro!

Isto vai apertar todos os meus horários, todas as minhas tarefas; as coisas que tinha escritas para este fim-de-semana na agenda vão ser empurradas e distribuídas pela semana, mas acho que vale o esforço. Respirar outro ar, sair do ambiente saturado da faculdade, cheio de preocupações e mini-intrigas que acabam por nos ocupar a cabeça de uma forma quase absurda. Nesta altura do ano só dá faculdade, não se pensa em mais nada. Tudo à volta parece ficar enevoado de forma a só conseguirmos ver com nitidez todos os trabalhos que nos faltam fazer, os problemas que precisam de se resolver e os apontamentos a estudar. Arriscar perder um dia e meio nesta altura do ano e ao ritmo a que estou pode não correr bem, mas só pode ser bom. Tem de ser bom. Compensa o risco, compensa o tempo perdido em viagens, compensa a adrenalina e a pressa que vem a seguir. Compensa pelo mimo, pelas pessoas, pelo ar fresco e - claro - por Lisboa.

Acho que a vida também é isto.

 

 

18
Jul15

A Santini no Porto

Carolina

Praticamente um mês depois de ter aberto ao público, consegui ir à nova Santini do Porto, situada na nova zona in da cidade (junto da rua das Flores). Antes de abrir (e mesmo antes de ser anunciado) ansiei muito por este momento, mas devo admitir que, agora que abriu, percebo que vai ser mais um local para ir com amigos de fora, muito de vez em quando. 

Esperei mais de um mês para lá ir porque, segundo me disseram, nos primeiros dias a geladaria tinha filas até cá fora (e eu não estava para isso); por outro lado, comecei a fazer gelados em casa (cada dose de gelado fica-me mais barato que uma taça pequena na Santini) e, os poucos gelados que como, são agora aqueles que faço (sem corantes, conservantes e super genuínos!). Mas, ainda assim e depois de tanto alarido, e porque estava a passar ali ao lado, decidi experimentar.

Posso dizer, honestamente, que me arrependi logo, mal entrei. Julguei mal a fila e, quando me vi entranhada lá no meio, só queria fugir (não era, efetivamente, até à porta como me haviam dito - mas quase!). Demorei entre cinco a dez minutos a ser atendida e desconfio que o calor abrasador que se sente lá dentro é uma bela técnica de marketing para o pessoal comer gelados - depois de se estar naquela fila, o calor é tanto que comer qualquer coisa fresca não é um desejo mas sim uma necessidade. O espaço onde se servem os gelados é muito pequeno e os empregados ainda estão muito pouco coordenados - o que resulta em demasiada demora no serviço, consequente atraso em despachar clientes que, por sua vez, também atrasa a fila de pré-pagamento (que é logo ali ao lado e, se pára uma fila, a outra também não avança porque não há grande espaço para meter pessoas). 

Mal paguei, já a suar em bica, deparei-me com o quadro de sabores: o meu preferido (doce de leite) "não estava disponível de momento". Pela 52º vez naqueles minutos apeteceu-me zarpar dali, guardar o talão para mais tarde e voltar num dia mais inspirado. Mas pensei no post que podia escrever e aguentei, enquanto olhava para a lista de sabores e me decidia. Acabei por escolher coco e chocolate, em parte para os comparar com os meus gelados e perceber diferenças e possíveis melhorias que posso fazer no futuro. Cheguei lá fora, respirei fundo (apesar de estar um dia de sol, estava-se melhor fora do que dentro do estabelecimento), alambazei-me com o chocolate e o de côco nem sequer comi até ao fim.

Cheguei a uma rápida conclusão: os gelados são bons, e isso ninguém lhes tira. Alguém que nunca os tenha comido em Lisboa vai acha-los espetaculares e, se for resistente ao calor abrasador, talvez tornar-se cliente assíduo. Mas, para mim, Santini é Lisboa. É sinónimo de descoberta da cidade, lembra-me os primeiros dias em que comecei a explorar Lisboa e a apaixonar-me por ela. A Santini é a minha amiga C. que me levou lá pela primeira vez, são aqueles tempos bons que nunca hei-de esquecer. A Santini, no fundo, é muito mais do que uma loja de gelados: é um marco, uma memória especial que, descentralizada do seu local, nunca me vai saber ao mesmo. E a loja do Porto até podia ter mais trinta sabores diferentes, ar condicionados super-potentes, um espaço super giro e empregados de tronco nu - seria sempre uma luta perdida, uma luta injusta, porque, neste caso em específico, não é o paladar ou a racionalidade que funcionam e julgam, mas sim as memórias. E essas estão a 300 kms daqui.

 

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14
Jul15

Então e o Alive?

Carolina

Foi bom! Saí de Lisboa com a sensação de que tinha apanhado uma sova, de tão cansada que estava, mas foram uns dias de beleza.

Quinta foi a maior enchente: não se passava, eram horas para comer o que quer que fosse, passar em frente a qualquer palco era um filme. Vi a minha vida a andar para trás porque ambientes demasiado cheios dão cabo de mim - felizmente, os outros dois dias foram mais calmos. Arrisco a dizer que gostei mais deste concerto de Muse do que o que vi aqui no Porto - ainda assim, ao contrário da maioria das pessoas, não fiquei tipo "WOW" ou a ansiar por mais; foi fixe, foi o concerto com mais festa e efeitos em todo o festival (tivemos direito a confetis e fitinhas no ar, que deram um efeito super giro) mas... é isso. James Bay é muito boa onda, Ben Harper tem aquelas músicas clássicas que sabe sempre bem ouvir e, honestamente, Alt-J foi o que menos gostei desse dia (não sou grande conhecedora da banda mas gosto da onda, mas achei-os muito murchos). 

A sexta-feira foi a estopada que toda a gente sabe: depois de me ter deitado às quatro da manhã, acordei às oito para me meter no comboio e fazer o exame. O plano era estudar na viagem e ir com tudo na ponta da língua (e colado a cuspo), mas estava a enjoar e com um sono dos demónios; acabou por ser a melhor viagem de comboio da minha vida. Dormi, praticamente, durante toda a viagem! Cheguei cá, almocei, tomei banho e segui para o exame (com muito medo e muito peso na consciência). Contra tudo o que esperava, até correu bem (acho eu, estou à espera da nota!). Mal acabei fui para a estação e tornei a meter-me num comboio para a capital - desta vez sem dormir, só com enjoos e muita vontade de chegar. Mal pus os pés na estação de Santa Apolónia (onde nunca tinha estado, e ainda por cima aquilo é grande e confuso quanto baste) segui para o metro, para sair no Cais do Sodré; lá apanhei o comboio urbano para sair em Algés. Achei aquilo tudo muito creepy mas meti-me no primeiro comboio que vi à frente - limitei-me a seguir pessoas que, como eu, tinham pulseiras no pulso e, vá-se lá saber como, cheguei ao festival! Comecei logo a encher o bucho com a melhor refeição que fiz no recinto - um waffle com morangos e chantilly. Ainda ouvi, assim estilo barulho de fundo, os Kodaline, sendo que depois segui para os Mumford and Sons, que gostei muito. Têm uma onda super gira, dançante e festiva, embora o concerto tenha sido calminho - se calhar é a lei da vida, para compensar os The Prodigy, que vieram a seguir. E uma palavra para aquilo: MEDO! Não os conhecia... e fiquei feliz por isso. Não é que seja intragável, mas não é claramente o estilo de música que mais aprecio. Muito barulho, muitos gritos, muitas luzes (óptima para epilépticos...) e muitos "fucking" em tudo o que o senhor dos corninhos pronunciava. Pelo meio ainda houve petardos e alguma confusão, pelo que viemos embora a meio (passamos por polícia de intervenção e tudo, por isso acho que foi a melhor decisão possível). No meio de tudo isso ainda tivemos tempo para ir ver o Herman na tenda dos comediantes e eu, que até nem gosto destas coisas e não sou grande fã dele, achei muita graça. O ambiente era giro, podíamos estar sentados (amén!) e só foi pena por ser curtinho.

O dia seguinte era o meu dia, a razão para eu estar ali. Foi, de todos, o que mais gostei, também porque passei o dia todo na capital. Fui almoçar ao Noobai, no miradouro do Adamastor e a vista valeu por tu-do! Depois ainda andamos uns bons quilómetros, tudo porque eu quis ir ver a Amália do Vhils. Gostei imenso e foi a tarde perfeita para mais uma visita à capital. Cheguei a casa, tomei um banho refrescante e seguimos para o recinto, comigo já em pulgas para ouvir o Sam Smith. Antes dele ainda ouvimos um bocadinho dos HMB e de Dead Combo e depois... fez-se magia. Foi o único concerto que vi, literalmente, no meio da multidão (os outros ou estava mais afastada do palco, com mais espaço e ar para respirar, ou estava na zona de grávidas - que, já agora, era top! - com a minha amiga que está de esperanças). Deixei com ela as minhas tralhas e meti-me lá para o meio, a cantar tudo o que sabia, a dançar e a deixar as lágrimas escorregar pela cara fora quando assim exigiam (e sim, na "Lay me Down" elas caíam simplesmente). Foi, para mim, o melhor momento de todo o festival e teria pago o bilhete todo só para o ouvir a ele. Foi tudo o que queria e esperava: simples, genuíno e lindo de morrer. Adorei o facto de ele falar com o público, de explicar as coisas e, enfim, de ter aquela voz de anjo. Depois disso podia vir o que quer que fosse que eu já tinha o dia (e o verão) ganho. Chet Faker foi giro (não conhecia e gostei) e até os Disclosure subirem para palco demorou imenso tempo (acho que o público todo esmoreceu um bocado), o que deu para passar na tenda electrónica, ouvir um bocado de Azelia Banks e de vislumbrar Rui Unas a pôr músicas de outros tempos. A espera serviu de pouco, uma vez que os Disclosure foram uma desilusão e viemos para casa pouco depois de começarem.

Destes três dias intensos trago o bilhete, a pulseira e o cartaz comigo, para guardar na minha caixinha de recordações. Trago muito poucas fotos (já decidi que não vale mesmo a pena) mas muito boas recordações, para guardar no coração - dos momentos que tive, dos espaços que conheci e, acima de tudo, das pessoas com quem estive, que - a par desta cidade que me recebe sempre tão bem - fazem sempre de mim uma rapariga mais feliz.

 

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09
Jul15

4 dias de loucura

Carolina

Tenho andado apática, sem força de vontade para nada - nem escrever. Não me apetece fazer nada, nem o que quero nem o que devo. Enfim, é aquela depressão pré-verão que me dá sempre. Mas está na altura de abanar comigo... a sério.

Hoje sigo de avião, para Lisboa, para o primeiro dia do NOS Alive. Amanhã de manhã meto-me num comboio, venho para o Porto; de tarde faço o exame e, mal acabe, torno a meter-me no comboio, diretamente para o recinto do festival. Sábado é dia de "descanso", que vai terminar em beleza com a voz do Sam Smith a entrar-me pelos ouvidos (basicamente, a razão porque vou ao festival). No domingo volto a meter-me no avião para voltar para casa.

Nem dá para acreditar que tenha falado em apatismo no parágrafo anterior. Os primeiros quatro dias de roda viva começam... agora!

31
Out14

Zumba fitness party

Carolina

Está quase a fazer uma semana que fui zumbar para o MEO Arena - a última vez que lá tinha ido foi para ouvir a Lady Gaga, há quatro anos, ainda o espaço se chamava Pavilhão Atlântico (tão melhor!).

Foi a segunda vez que me meti num evento deste género, embora este tenha sido de muitoooo maior dimensão - o que por um lado é giro, porque se sente toda aquela "aura zumbástica" e espírito de comunidade (que existe imenso na zumba), mas por outro é muita gente, muito ar saturado, muitas pisadelas e bofetadas não intencionais e muito pouca visibilidade para o palco. 

O início do evento foi fraquinho, com um mini concerto da Adriana Lua - o pessoal ficou um bocadinho confuso, se era suposto tentar imitar aquelas coreografias ou não, e a certa altura já toda a gente se entreolhava a perguntar "mas o que é isto?". Mas passou, foi rápido, e daí para a frente foram três horas sem paragens de zumba - mais especificamente 42 músicas. Havia vários instrutores, todos excelentes, com boas coreografias (embora nem todas resultassem no ecrã) e adereços, e uma coordenação invejável. Eu já sabia algumas músicas - as que mais vibrei - e adorei o início, mas com o passar do tempo o meu pé começou a ressentir-se com tantos saltinhos e tive de parar por causa das dores (a minha frustração atingiu níveis astronómicos).

Não acho que este tipo de "aulas" seja prático, nem acho que funcione muito bem, apesar de perceber perfeitamente o propósito destes eventos. Uma aula de zumba, bem vivida (ou seja, para perder uma boa dose de calorias), não deve ter muitos alunos, para podermos ter o máximo contacto visual com o professor e poder reproduzir as coreografias o melhor possível. Nestes casos passamos a maior parte da música a tentar decifrar os passos, e a faze-los a meio gás, enquanto que devíamos estar a depositar ali todas as nossas energias. Para além disso, o facto de os instrutores estarem num palco faz-me uma confusão tremenda, pois estou habituada a que o professor esteja em frente ao espelho (de costas para mim) e não de frente.

Fora isto tudo e do potencial enquanto aula ser bem menor, vale sempre pela experiência. Para mim a zumba não é uma moda, foi mesmo a minha bóia de salvação para um sedentarismo pós-secundário em que me estaria afundar se não tivesse descoberto a modalidade. Mudou-me, pôs-me muito mais à-vontade com o meu corpo e deu-me mais confiança em mim própria. Só posso estar feliz e agradecida.

 

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(foto do facebook oficial do evento) 

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