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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

19
Fev18

O parafutebol (ou como o Bruno de Carvalho contribui para a degradação do futebol português)

Carolina

Tinha os meus nove anos e era louquinha pelo FCPorto. Nem digo por "futebol", porque eu estava-me pouco borrifando para os outros clubes. Eu era do Porto. Ponto. Via os jogos, punha o cachecol com o símbolo ao peito e fazia de tudo para ir ao estádio. Era - e sou - orgulhosamente sócia, mas também era miúda e fazia coisas que eram de miúdos. Detestava Lisboa, dizia mal do Benfica a todo e qualquer benfiquista que se aproximasse mais de dois metros de mim e gozava pelos campeonatos que, na altura, eles perdiam consecutivamente.

E depois cresci. Fui ficando com menos tempo para ver futebol e portanto aquela febre clubística que eu tinha foi desaparecendo. Isto coincidiu também com uma fase menos boa do FCPorto e, tudo junto, fez com que tivesse mais juízo, racionalidade e imparcialidade no que ao futebol diz respeito. Mas também fui ficando mais crescida e percebi que aquilo que eu fazia era típico de uma idade e que estava na altura de deixar isso para trás. Deixei de irritar os outros - e até de demonstrar grandes clubismos em público, a menos que esteja num local próprio para isso. Por um lado porque deixou de me dar prazer, por outro porque percebi que um dia são eles, no outro sou eu, e aquilo que eu um dia digo pode cair-me em cima no outro a seguir (estás a ler isto, Sousa Tavares?). E com isto tiro também a capacidade dos outros me irritarem - algo que acontecia sempre que diziam mal do meu Portinho - pelo menos quando falamos de atitudes dentro do limite do razoável. 

Continuo a adorar de paixão o meu clube. Agora que sou maior de idade já posso ir ao estádio sem um pendura e estou numa fase em que acabo por falar bastante de futebol, por só trabalhar com homens um tanto ao quanto fanáticos. O Porto está a recuperar e por isso eu tinha tudo para revitalizar esta minha alma de dragão - já sem os histerismos de antigamente - mas agora há toda uma outra razão para não me entusiasmar. Não se trata do futebol em si - é, aliás, tudo o que se passa à volta dele. Hoje em dia o futebol é muito mais aquilo que se joga fora de campo do que dentro dele.

São os comentadores de bancada que ocupam todas as noites os canais informativos, com ataques pessoais e comentando os ataques dos outros, e cada vez menos os lances, os jogos e os jogadores; são os próprios clubes que enchem as redes sociais de queixumes e porcaria; são os diretores de comunicação que se põem a mandar postas de pescadas e revelações, qual wikileaks; é arguidos para um lado, suspeitos por outro. É tudo um nojo. Ah! E depois temos o Bruno de Carvalho, que cai em toda uma outra categoria ("asco", talvez?).

Não sou fã do senhor, mas penso que isso é uma coisa natural. O que não me parece natural é quem gosta dele - e, caros sportinguistas, escusam de me dizer que ele fez muito pelo clube, que vestiu a camisola e que é um leão às direitas. De direita, só parece ter o ar ditatorial com que diz que os sócios devem deixar de ver televisão e comprar jornais, e que "todos, mas todos os comentadores afetos ao Sporting" devem abandonar de imediato os programas. Todos temos a nossa vertente pessoal e profissional. Ele pode ser um óptimo presidente (até custa a escrever...) mas uma pessoa que afirma que ajudou um treinador a ser despedido de outro clube - e o faz com orgulho, a alto e bom som -, para mim, é lixo. E depois, se ouvirmos tudo o que ele diz e comenta sobre todos os assuntos em geral - e já tendo em conta o pedido de boicote aos media - só lhe resta mesmo algum estatuto abaixo de lixo.

Eu acho que não estou a ofender ninguém com este texto. Qualquer sportinguista com o mínimo de imparcialidade e racionalidade percebe tudo isto. O pior são mesmo os outros. Mais preocupante do que ter uma pessoa destas a falar nos media, é ter quem os ouça. E quando eu ouvi os urros e as palmas vindas da plateia de cada vez que Bruno de Carvalho dizia uma das suas baboseiras, um bocadinho da minha esperança na humanidade ia pelo cano. E muito mais se foi quando percebi que, depois do apelo do Sr. Presidente, os adeptos não têm mais nada senão tentar bater em jornalistas. É de arrepiar, não só pelo ato em si, mas por percebermos que pessoas deste calibre têm tanto impacto em pessoas "normais". Se passarmos isto a outra escala, percebemos como é que o Holocausto existiu, percebemos a existência de um Hitler, percebemos aquelas paradas, aquelas lágrimas, aquele patriotismo. Percebemos que as pessoas ficam cegas, surdas e burras quando há algo "maior" que as controla. E isso é puramente assustador. E é este capítulo sujo e paralelo do futebol (chamei-lhe "parafutebol", estou numa de neologismos) que me faz afastar cada vez mais deste desporto.

Não importam os 5-0, as chicotadas psicológicas ou as "tacitas" mais pequenas. Passou a ser um desporto de guerrilha. Mais vale, um dia destes, irmos buscar as espadas. Depois é só esperar até ver jorrar o sangue. Afinal de contas, desde os tempos medievais que é disso que o povo gosta.

18
Jan18

Porque é que os homens discutem pormenorizadamente os lances de futebol?

Carolina

Acho que hoje em dia passo mais tempo rodeada de homens do que por mulheres, muito por culpa do trabalho. E, como não podia deixar de ser, um os tópicos recorrentes é o futebol. Mas uma das coisas que eu não percebo - nem nunca percebi, para dizer a verdade - é a necessidade que eles têm de descrever pormenorizadamente as jogadas de futebol.

"Bom, aquilo foi um golaço que nem te passa. O Danilo passou a bola ao Marega do meio campo e ele, no lado esquerdo, finta o defesa lateral do Ave, depois centra para o Aboubakar, que chuta para a baliza mas a bola bate na trave. O Herrera está na recarga, ganha a bola de cabeça com um salto incrível, passa para o Brahimi e ele com um chuto de uma potencia incrível remata para o canto superior direito da baliza. O redes ainda tentou atirar-se, a luva quase chegava lá, mas aquilo era indefensável, pá." (Sim, o "pá" é um detalhe importante nas conversas masculinas).

Eu tenho a teoria de que os homens que escutam isto só apanham a parte de quem fez o centro e quem marcou o golo. Mas, se estiver enganada, quero desde já dar os parabéns aos homens deste mundo por terem a capacidade de imaginar todo este cenário nas suas cabeças. E congratular também todos os outros que decoram estes lances e detalhes, prontos para ir para o café discutir tudo ao pormenor, como quem estudou aplicadamente para um exame.

E a verdade é que eu acharia isto natural se estivéssemos em 1979, quando não havia jogos na televisão, repetições e internet - não havia outra forma de dar a entender ou mostrar as coisas. Mas porquê que esta prática se mantém agora quando, passado dez minutos, está tudo no Sapo Desporto e daí a umas horas os lances passam cinco vezes nos noticiários, 12 vezes naqueles debates com gente-que-finge-que-discute-futebol e 31 vezes nos canais especializados? Porquê que no café não sacam do telemóvel e vêem no youtube, em vez de fingirem que estão num daqueles relatos de rádio?

Porque o mais curioso disto tudo é que até podia ser uma coisa geracional - mas não é! Lembro-me desde sempre de ouvir os meus colegas rapazes a discutirem lances como se fosse a coisa mais interessante do mundo - ou, pior, a descrever aquele "golaço" que marcaram no campo da escola que, como é lógico, ninguém tem interesse em saber. 

Enfim, homens e futebol. Vai ser sempre uma cena estranha.

24
Jan17

O estádio é uma tentação de distrações

Carolina

No sábado fui com três dos meus sobrinhos ao futebol. O mais velho pediu-me para o levar e, perante o dia de sol que se esperava e pela raridade que agora é haver jogos durante a tarde, peguei nos outros dois e fui com a minha irmã até ao estádio. Já tinha levado o mais velho e achei justo os gémeos também terem a sua oportunidade. Ir ao estádio é algo que adoro e que adorava ainda mais quando era pequena, por isso é algo que fico feliz por lhes poder proporcionar. Mas bom, este post não é para me vangloriar pelo facto de ter levado os putos ao futebol. Quer dizer, não sendo sobre isso, não devemos no entanto esquecer de que sou, de facto, a melhor tia do mundo por ter tido a coragem de ir com os três juntos ao estádio, mas enfim. 

A verdade é que, mesmo gostando muito de ir ao Dragão e de sentir toda aquela vibe portista, acabo por não ver futebol. Parece ridículo, mas não é: quando vemos os jogos na televisão, só olhamos para a televisão; no estádio há literalmente uma multidão de coisas por onde nos distrairmos. Lembro-me que sempre foi este o meu "problema". A certa altura está tudo a assobiar e a gritar "vai para a rua" e eu fico a olhar para o céu, esperando uma explicação divina para aquilo que está a acontecer. E isto é o menos. O pior é quando falho os golos - e, acreditem, é com muito embaraço quando digo que isto acontece frequentemente.

No sábado foi igual. A certa altura a minha irmã dá-me um toque para eu reparar num senhor que estava à nossa frente e que, apesar de ser super carinhoso e cuidadoso, fazia um totó no cabelo da filha da forma mais desajeitada à face da terra. A situação teve graça precisamente por este contraste: apesar de todos os cuidados, aquele apanhado estava uma absoluta tragédia e nós olhávamos, meio embevecidas, meio gozonas, para aquela situação. O puxo ficou feito e a situação passou. Mas passado 30 segundos o pai voltou a agarrar a filha, apertando-a contra si num gesto amoroso, e desta vez fui eu que não resisti em dar um toque à minha irmã para apreciar à situação. E naqueles segundos entre chamar à atenção/ olhar/ apreciar/ comentar... o estádio levanta-se em euforia. E, claro, eu e a minha irmã ficamos sentadas, sem conseguir acompanhar os impulsos rápidos do resto da malta. Conclusão: perdemos o primeiro golo.

E podia ter sido o único, mas não foi. A certa altura marcou o Rio Ave e a minha irmã estava no telemóvel. Eu estava convicta em ver o jogo atentamente, só deitava o olho ao ecrã do iPhone se ele tremesse, mas como não se passava nada, não resisti em catrapiscar aquilo que ela estava a fazer no dela. E a certa altura só se ouve um suspiro generalizado, uma espécie de "afffffff" profundo, um som que só é descritível para quem já ouviu. E eu percebo o que se está a passar e digo-lhe, revoltada: "o Rio Ave marcou!". E ela aqui entra em negação: "não marcou nada! Oh! Não marcou...". Pois que marcou e nós tornamos a não ver.

A situação até podia ser resolvida se repetissem os golos no ecrã, mas não, somos obrigadas a ficar na ignorância. E eu sei que a culpa é minha, sei que não devia estar a olhar para o senhor da frente enquanto faz o totó à filha; que não devia estar a apreciar a disparidade entre homens e mulheres no estádio; que não devia estar a bufar para o fumo do cigarro do senhor da frente não me vir para a cara; que não devia estar a pensar na sande de panado que vou comer a seguir; que não devia pensar nas senhoras que depois limpam o estádio; que não devia estar a olhar para os apanha bolas e como queria ser um deles quando era criança. Mas, olhem, é mais forte que eu. Sou uma adepta vergonhosa e peço perdão (mas ao menos levo os sobrinhos ao futebol, dêem-me um desconto...).

 

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23
Out16

Mudam-se os tempos, mas as vontades nem por isso

Carolina

Ontem levei o meu sobrinho mais velho ao Estádio do Dragão. Ele nunca tinha ido e estava em pulgas, eufórico com a novidade. Leva-lo ao estádio era algo que já há muito que gostava de fazer com ele; foi um momento marcante para mim, lembro-me do quão encantada fiquei quando pisei aquele sítio pela primeira vez e queria muito poder proporcionar-lhe uma experiência semelhante. Como ele começou há tempos a interessar-se por futebol, jogadores e etc., achei que seria a altura ideal.

E adorou, pois claro. Eu fiz questão de ir ver um jogo mais "fácil" (embora, nos dias de hoje e no estado em que o FCPorto se encontra, todos os jogos são uma incógnita), para termos mais probabilidades de ganhar - e vencemos por três, o que já deu para tirar a barriga de misérias e para ele saltar de emoção vezes suficientes. Para além disso, à saída, ainda apanhamos o Helton, que é um querido e estava a tirar fotos com a malta toda - e tirou uma também com ele, por isso o batismo não podia ter sido melhor. A pior parte foi mesmo no fim, porque como em qualquer batismo... apanhamos com água. Muita água. O rapaz até ficou atarantado de tão encharcado que ficou - eu, tia, mais velha e experiente, já estou mais habituada a estas coisas, mas devo confessar que já não apanhava com uma carga de água tão grande há uns anos largos. 

Mas enfim, o mais giro disto tudo eram as coisas que ele me ia dizendo no decorrer do jogo - que eram exatamente as coisas que eu dizia e pensava quando era mais nova! Primeiro disse-me que gostava de ser um daqueles meninos que estão atrás dos painéis publicitários, a apanhar e mandar bolas (eu também dizia que queria ser menino e ir para as escolinhas só para ir para lá); depois ainda se lembrou dos outros meninos que entram com os jogadores em campo, porque também gostava de ir de mão dada a eles - principalmente com o Herrera e o André Silva, os seus preferidos (eu era igual, mas a minha crush era mais o Vitor Baía, o Derlei ou o Benny McCarthy); durante o intervalo começou a dizer que fixe, fixe era estar nos lugares mais baixos para poder falar com os jogadores - e no fim do jogo, quando saímos para a zona das comidas onde existem televisões, viu o André Silva a entregar a camisola a uma miúda e enfatizou ainda mais este pensamento, acrescentando que o melhor lugar era mesmo ao ladinho do túnel (e eu era tal e qual: pedia encarecidamente ao meu pai para ir para os lugares de baixo para os ver mais de perto, algo que ele sempre me negou por se ver muito pior o jogo).

Senti-me um bocadinho velha quando o ouvi repetir tudo aquilo que em tempos ia na minha cabeça e, pior, quando achei que fazia sentido responder as mesmas coisas que o meu pai me respondia a mim. Ok, talvez não tão pragmática (não lhe disse "mas para quê que tu queres uma camisola mal-cheirosa de um jogador de futebol de 20 anos!?"), mas disse-lhe que, de facto, ver os jogos nos lugares de baixo era muito pior e outras coisas que tais. A parte boa é que continuo a ser uma criança como ele em certas coisas: continuo a querer ser pequenina e andar nas escolinhas de futebol para ser apanha bolas e, na verdade, também gostava de ter uma camisola de um jogador qualquer. Também ainda não cheguei à fase de preferir ver os jogos em casa do que no estádio mas devo admitir que aquelas correntes de ar não são boas para ninguém (e sim, passei a minha vida a perguntar-lhe "não tens frio?", "aperta lá o casaco"...) e que, quando cheguei ao carro estilo pingo, só queria um sofá onde me esticar e uma mantinha quente sobre o corpo.

Afinal de contas estou velha, mas só um bocadinho.

 

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14
Jul16

Sobre o fim de uma embirração pessoal

Carolina

Acho que há certos momentos da nossa vida em que temos de ceder, deixar o orgulho de parte e poder admitir que, porventura, estávamos errados. Ou então superar simplesmente coisas em que temos razão mas que não passam de atos únicos, irrefletidos e que não têm necessáriamente de rotular para sempre a vida de uma pessoa. Talvez essa evolução se chame crescer, não sei. 

Hoje anuncio, para regozijo de muitos, o fim de uma embirração pessoal de há muitos anos e que tanta gente batalhou. Tem dois nomes, é dado como o melhor jogador do mundo e chama-se Cristiano Ronaldo. E não, não foi pelas lágrimas que ele verteu nesta última final; tratou-se sim de uma "desembirração" gradual já ao longo dos últimos, talvez, dois anos. Como disse, as razões que evocava para não simpatizar com ele continuam lá, mas acho que está na hora de serem ultrapassadas e de ver para além disso. Escrevo isto depois de ver um vídeo que me apareceu no facebook com ele a cumprimentar fãs em todo e qualquer lado, a consola-los - alguns doentes e com incapacidades físicas visíveis - e o meu coraçãozinho de gelo derreteu. Achei que era uma boa altura para pôr um ponto final nisto e anuncia-lo definitivamente ao mundo.

Isto não implica que eu passe a simpatizar mais com o Real Madrid do que com o Barcelona; não quer dizer que eu ache correto que se continue a fazer dele o herói e indispensável da seleção, quando neste euro se provou que - embora ele tenha lutado muito - os outros não lhe ficaram nada atrás e se tenha de defender o menino de ouro quando ele faz qualquer coisa mal ou não jogue assim tão bem, quando os outros jogadores não têm o mesmo tratamento. Mas quer dizer que posso elogiar um golo ou uma ação dele sem que me lancem olhares do tipo "ai é??? mas não és tu que o detestas?!" e que possa verter uma lagrimita quando ele sai de campo a chorar baba e ranho ou quando se emociona quando levanta mais uma bota de ouro.

Continuo a dizer que temos todo o direito de simpatizar ou não com determinadas pessoas - quer tenhamos ou não razões para isso. Há primeiras impressões que marcam, determinadas ações que não nos passam ao lado e que rotulam imediatamente determinadas pessoas. Mas acho que também temos o direito de mudar as nossas opiniões e posições, agir de acordo com a nossa consciência e a nossa própria evolução. Continuo a ter um punhado cheio de embirrações pessoais, mas hoje uma caiu oficialmente por terra. (Estejam descansadinhos que ainda tenho muito com que me entreter com todos os outros que sobram.)

 

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11
Jul16

Espera... não foi um sonho?

Carolina

A alegria de quando se ganha algo no futebol é tão grande, tão imensa, explode tanto no peito que às vezes não parece verdade. Uma pessoa deita-se, dorme - se conseguir dormir - e quando acorda quase tem de se beliscar para saber que é verdade.

Eu abri a pestana, vi o cachecol depositado ao calhas em cima da cama depois de ter ido para a rua com ele ao pescoço e percebi que sim, que foi tudo real. 

Lamento sinceramente a todas as pessoas que se acham superiores e intelectuais e se recusam a ver e vibrar com os 22 jogadores atrás de uma bola. Porque, meus amigos, não sabem o que perdem. Creio que hoje Portugal acordou com um ânimo, uma alegria e uma força que não via há muitos anos - e isso não tem preço.

11
Jul16

Nação valente!

Carolina

Muitos se questionam o porquê de se gastar tanto dinheiro no futebol, de tanta gente gostar de ver 22 "cães a um osso". E a resposta está aqui: está na união, na movimentação de massas incrível que eu acho que só o futebol é capaz de mover. E isto serve para quem não gosta de futebol, para quem não sabe o que é um off-side, para quem não gosta o Ronaldo ou não sabia que o José Fontes sequer existia. Porque, quando se fala de uma nação ou uma cidade, há um elo de ligação que supera tudo o resto e que faz todas as célulazinha do nosso corpo vibrar.

Até eu, que desisti da seleção em 2004 (quase como um desgosto de amor épico), vibrei. E, meus amigos, acreditem ou não: até chorei quando o Ronaldo chorou. Porque não há manias ou embirrações que sobrevivam a injustiças e às evidências: foi uma injustiça alguém que se dedicou uma vida inteira ao futebol não poder contribuir para a sua equipa ganhar. Senti que era este ano e depois da fase de grupos achei que era sempre a andar; ainda ontem afirmei e reafirmei aos mais cépticos que íamos ganhar. E ganhamos. E até eu fui para a rua de cachecol ao peito, embebido em mofo, que já há 12 anos que não via a luz do dia!

Não precisamos de jogar bonito (que não jogamos). Também não precisamos de jogar bem (que também não aconteceu). Valeu-nos a garra, a sinceridade e a humildade, que para mim foram sem dúvida os ingredientes desta vitória épica. Não gostei particularmente dos jogos de Portugal em campo, mas adorei o jogo que fizemos no "exterior": não precisamos de bocas para ganhar, de mandar indiretas bem diretas para os nossos oponentes, de jogar sujo fora de campo. Foi limpinho, foi à rasca, mas foi merecido. Esta foi pelo Euro 2004 e por toda a festa que há 12 anos já devia ter sido nossa.

Ganhamos, car*lho! 

 

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07
Jul16

Por falar em vitórias...

Carolina

Estamos nas finais! E eu em dupla final: enquanto portuguesa, nas finais do euro; enquanto estudante, na final do curso. E estou mesmo muito feliz pelas duas razões. Sobre Portugal falo depois (respirem fundo, que não vou dizer mal do Ronaldo), mas sobre a final do curso quero falar agora.

A verdade é que ainda me falta um exame, que faltei graças à operação que fiz em Janeiro. Mas é uma cadeira fácil e tudo menos importante, pelo que quase que sinto que a tenho meio feita; fazer e entregar o relatório soube-me ao golpe final destes três anos de licenciatura, o culminar de tudo isto. Se o estágio foi maravilhoso, fazer o relatório foi doloroso. Todas as palavrinhas que lá estão saíram a ferros, num fim-de-semana prolongado que, por um lado, teimava em não passar e, por outro, passava depressa demais para aquilo que eu precisava.

Hoje dou por mim a pensar, de vez em quando: "será que escrevi aquilo no relatório? era importante". Porque a verdade é que o meu cérebro parecia estar a entrar em colapso: já não sei o que fiz, o que disse, o que escrevi ou devia ter escrito. Sei que acabei com um alívio enorme por ter entregue e, ao mesmo, uma irritação colossal por ter deixado aquilo para a última, em algo que era tão importante e que devia espelhar o melhor possível aqueles três meses tão maravilhosos para mim. Senti que devia ter feito mais, que devia estar melhor - e agora, já relaxada, penso nas várias coisas que ficaram por escrever. Talvez por isso, não esperava grande nota - por eu própria ter ficado desiludida comigo mesma.

Mas no início desta semana soube o resultado, naquela que é a cadeira mais importante de todo o curso. 18. Acabo o curso com um 18 e não podia estar mais feliz.

 

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15
Jun16

Quando ir a um shopping? Em dia de jogo, claro!

Carolina

Hoje a minha mãe faz anos (já agora, parabéns à melhor mãe do mundo! <3) e perante a desorganização e deprimência total que tem sido a minha vida nas últimas semanas, ontem eram 21h e eu ainda não tinha uma prenda para ela. Saí do ginásio, jantei, tomei banho, fui buscar o meu carro à oficina e rumei ao NorteShopping (dizendo à minha mãe, no entanto, que ia tomar café - foi uma mentirinha piedosa, sim?). 

Já sabia que o shopping ia estar com pouca gente, mas nunca pensei vê-lo tão deserto. Sou menina para afirmar que nunca na minha vida (nem quando lá chego dez minutos depois de abrir) tinha visto o shopping assim, muito menos às 21.30h da noite. Uma paz e um sossego inacreditáveis, que fizeram desta visita rápida uma das melhores dos últimos tempos. Comprei tudo o que queria e ainda dei uma vista de olhos pelas montras, algo que há muitos meses que não fazia. 

Uma das coisas que trabalhar (ou estagiar) ajuda é a gastar muito menos dinheiro: como estamos no escritório não estamos a queimar dinheiro em shoppings ou lojas online. A verdade é que, para mim, o estágio foi não só uma experiência enriquecedora a nível pessoal como também a nível bancário - porque eu simplesmente não tinha tempo para gastar o dinheiro. Coincidiu também com o facto de me ter cansado um pouco de ver roupa e de estar sempre atrás de coisas giras - antes eu conhecia as coleções todas da maioria das lojas; passava-as a pente fino nos sites e depois ia na rua catalogando os conjuntos de quem passava por mim. É claro que, ao mesmo tempo, ia comprando. Agora não vejo as coleções, nem online nem em loja - e, confesso, tenho-me desfeito de grande parte do meu roupeiro com grande vontade e tem sido a minha mãe a comprar roupa para mim para conseguir ir compensado aquilo que vai saindo (como se tivesse 5 anos, eu sei - mas sabe tão bem!). 

O ambiente dos shoppings agora satura-me um pouco, por isso mesmo em dias em que me apetece comprar coisas acabo por me fartar com muita facilidade. Mas ontem, com tanto espaço e tão bom ar para respirar, foi como se tivesse as lojas todas só para mim (e isso refletiu-se na quantidade de sacos que trazia na mão!).

Quando é que é mesmo o próximo jogo de Portugal? Acho que já tenho planos.

14
Mai16

Dramas de uma portista

Carolina

Ficou claro logo no início da época que para nós (FCPorto) a corrida para o campeonato estava fora de questão. É doloroso, tendo em conta o percurso do Porto nos últimos 20 anos, mas são fases - não me vou sequer debruçar nas razões que levaram a este desastre; fico-me apenas pelo desejo de uma reformulação total, tanto na equipa como na direção do clube. 

Mas passando ao que interessa: ao constatar que o nosso clube não pode ganhar de forma alguma, por quem torcemos? E quando digo "torcemos", falo de algo realista, porque podemos sempre torcer pelo Vitória de Guimarães ou pelo Rio Ave, que sabemos à partida que as probabilidade deles ganharem o campeonato é baixíssima. A nível prático, a pergunta é: queremos que ganhe o Sporting ou o Benfica?

Tudo isto não faria sentido até esta época, porque sendo o Benfica o nosso eterno rival, é óbvio que queríamos que o Sporting ganhasse. Mas com o Bruno Carvalho na direção do clube e o Jorge Jesus como treinador a coisa muda de figura - porque são os dois do mais irritante e insuportável que existe; o ego deles não cabe sequer neste universo, humildade é coisa que não existe e está trocada por uma vaidade profunda que me custa a engolir. Ah, e também têm uma coisa em comum: falam demais, metem-se com quem não devem e, eventualmente, metem a pata na poça. 

Posto isto, não sei o que será pior: ver o nosso eterno rival ganhar ou ter de aturar as vaidades daqueles dois pedantes após a vitória do campeonato. Porque se o Benfica ganhar eu desligo a televisão e as redes sociais durante uma noite e a coisa passa... Se for o Sporting, acho que vou tomar estas medidas durante a semana inteira, tal o alarido que aqueles dois vão fazer. 

Por isso, por muitooooo que me custe dizer isto (e custa mesmo muito!), este fim-de-semana estou a torcer pelo Benfica (o meu "eu" há dois anos atrás, se lesse isto, internava-me imediatamente). Porque, confesso, para além de não ter de aturar a "parelha maravilha", vai-me saber pela vida ve-los engolir tudo o que disseram ao longo da época, como se tudo isto tivesse ganho à partida.

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