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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

11
Jan22

Os escolhidos do ano de 2021

A escrita é assim: tem vida própria, leva-nos para onde quer. Esta lista que hoje aqui trago nasceu para um post que ganhou outra vida, aquele que acabou por ser o resumo do meu ano. Aquilo que escrevi era para ser só uma breve introdução e, quando dei conta, já era todo um texto com princípio, meio e fim, já demasiado profundo, não abrindo espaço para listas ou coisas um bocadinho mais supérfluas. Deixei que seguisse o seu caminho independente e fiquei com esta lista das minhas escolhas do ano para outra altura. E aqui está ele!

Não vou matar dois coelhos de uma só cajadada: vão ser muitos! A maioria dos temas ou nomes que aqui trago estavam à espera de um texto (mais propriamente uma "review da semana") há demasiado tempo, por isso vou fazer uma pequenina descrição de tudo aquilo que gostei no ano que findou, fazendo ao mesmo tempo uma "mixórdia de temáticas" de coisas muito boas.

 

Produto do ano

- Pão da Granélia -

Estive muito, muito, muito indecisa entre dois produtos - vou prometer a mim mesma que escrevo sobre o outro - mas tenho de escolher aquele que mais chama o meu coração: o pão da Granélia.

A Granélia é uma mercearia que abriu no centro do Maia há relativamente pouco tempo, que tem a sua ideia base na venda a granel (podem comprar hidratos e leguminosas como arroz e feijão ou especiarias como caril ou matcha, levando apenas um frasquinho) mas que está recheada de outras coisas boas: produtos biológicos, locais e de boa qualidade assim como outras soluções ecológicas para produtos de limpeza, higiene corporal entre outras coisas. Mas a melhor de todas é mesmo o pão de fermentação natural. Não é produzido lá - é comprado no Pão da Terra (que fica em Matosinhos mas é fora de mão para mim) - mas revendido nesta mercearia, e é só a melhor coisa do mundo. Eu adoro pão - e já tinha escrito aqui (texto sobre um pão igualmente bom, mas não TÃO bom) que o melhor pão do mundo era o sourdough que o meu irmão me trazia de Inglaterra quando vinha cá passar férias. Pois que este é o sourdough. O tal! O maravilhoso! Mas em Portugal, e aqui tão pertinho, ao virar da esquina. Como resistir?!

Os pães estão disponíveis à quarta e à sexta-feira em várias modalidades, mas têm de ser encomendados com antecedência. Eu vou lá de duas em duas semanas buscar o meu - tenho de me conter para não comer meio quilo de pão logo no primeiro dia, por isso congelo-o para não me tentar e vou descongelando ao longo dos dias quando tomo o pequeno almoço. Foi a descoberta do ano!

 

Podcast do ano

- Conta-me Tudo -

2021 foi o ano dos podcasts. De manhã, antes de sair de casa, faço sempre uma arrumação geral para que ao fim da tarde o peso das tarefas domésticas não seja tão grande e tenhamos, eu e o Miguel, algum tempo de qualidade juntos. Mas arrumar ou limpar em silêncio é um tédio. E eu já ouço muita música enquanto trabalho... por isso virei-me para os podcasts, que cumprem uma função mais extensiva que a música: dá para rir, chorar e informar, mas tem sempre como base o entretenimento.

Este hábito começou com o conselho do meu ex-chefe para ouvir o Extremamente Desagradável, da Joana Marques. Na "review de 2021" o Spotify diz que este é o meu podcast favorito (porque ouvi não sei quantos episódios de rajada até ficar em dia), mas não é verdade. Não que não goste (senão não ouvia), mas porque acho que os humoristas têm uma tarefa inglória ao tentarem ter piada todos os dias. É verdade que é um estilo de humor diferente, mas não deixa de ser um bocadinho desgastante - para ela e para nós.

Aquele que eu mais gostei foi o Conta-me Tudo, do David Cristina. Não só pela diversidade de histórias, de temas mas, acima de tudo, pelo leque de emoções que nos faz sentir; para além disso é curto e ideal para ouvir enquanto me arranjo ou faço as lides domésticas - entre fazer a cama, esticar o cabelo e pôr a comida a descongelar, um episódio fica ouvido.

Ouvi também alguns episódios do Reset, da Bumba na Fofinha, vários d'O Avesso da Canção, da Luísa Sobral (aconselho muito o episódio do Miguel Araújo e o do Pedro Abrunhosa) e também do E Projetos Para o Futuro, do Nuno Markl em parceria com a Delta (curtinhos e perfeitos para quando o tempo e a paciência não abundam). Quando não havia mais para ouvir, entretinha-me com A Noite da Má Língua - e enquanto me ria com as opiniões parvas de uns e uns tiros certeiros de outros, ficava a par das notícias do dia-a-dia, em vez de pensar só em fait divers.

Neste momento estou à procura de novos podcasts para me entreter, por isso se tiverem sugestões, chutem!

 

Série do Ano

- Sex Education -

Sei que não é a escolha mais óbvia, por isso carece de contexto. Sempre gostei muito da ideia original do Sex Education mas fiquei muitíssimo desiludida com a segunda temporada - de tal maneira que não a vi até ao fim. Achei que desvirtuaram a linha de ação (e personalidade) de algumas personagens e até o enredo me estava a irritar. Dei uma segunda oportunidade e vi a terceira temporada, lançada em 2021, e voltei a ficar agarrada e fã. 

É claro que o fim da Casa de Papel é digno de menção, mas ao contrário da Sex Education não acho que as últimas temporadas tenham dado a volta ao texto e melhorado - como já tinha escrito aqui, a série devia ter parado no primeiro assalto e fechado com chave de ouro. Squid Game leva o prémio de série mais viciante, mas é demasiado dark para o meu gosto pessoal. Por fim, mencionar as Doce - a série em português que mais gostei no ano passado. Espero que existam mais, com a mesma qualidade, neste 2022.

 

Documentário do ano

- Three Identical Strangers -

Three Identical Strangers é um documentário sobre o (re)encontro de irmãos trigémeos, separados à nascença, que aconteceu por mero acaso. É sobre a forma caricata como se encontraram uns aos outros, mas vai muito mais a fundo: porque é que eles foram separados? Será que tinham semelhanças apesar de terem vivido mais de duas décadas sem se conhecerem? E como é que o reencontro os afetou? As respostas são pouco óbvias e muito mais obscuras do que aquilo que se pensaria.

Não sei porque é que me marcou tanto - se pela história engraçada, se pelo twist que acabou por ter -, mas a verdade é que falo dele com regularidade e por isso penso ser justo dar-lhe este "prémio". O documentário estava na Netflix mas penso que entretanto saiu. 

 

Música do ano

- You Get What You Give, dos New Radicals - 

O Spotify dita que a música do meu ano é a Spring 1, uma revitalização do clássico de Vivaldi pelo Max Richter - mais uma vez porque a ouvi vezes sem fim, principalmente enquanto escrevia ou precisava de me sentir inspirada. Mas vou de novo desdizer a plataforma de streaming: apesar de adorar a Spring 1, não considero que tenha sido a música do meu ano.

Por alguma razão que desconheço, a You Get What You Give, dos New Radicals, é a música que eu associo ao meu casamento - e o facto de eu ter contraído matrimónio foi, sem dúvida, o evento central do meu ano (ou pelo menos da primeira metade). Por isso, e embora seja um bocadinho estranho escolher uma música de 1998 como a minha música de 2021, é o que vai acontecer.

Podendo dividir a coisa em dois semestres, a Adele marca sem dúvida a segunda parte do ano, com o seu novo álbum. A minha música preferida é a "I Drink Wine", mas aquela que descreve melhor 2021 é a "Hold On". Destaque extra para a lusofonia, com a minha música preferida do ano em português: Onde Vais, da Bárbara Bandeira e Carminho.

 

 

Livro do ano

- Almoço de Domingo, de José Luís Peixoto - 

Não é difícil escolher o livro do ano porque só li... dois. Eu sei, é vergonhoso. Ao menos um deles foi óptimo!

Gostei mesmo de ler este "Almoço de Domingo" - desde a estória até à construção peculiar da narrativa (algo a que os leitores de José Luís Peixoto já devem estar habituados, mas eu não). Há livros deste autor que, devido à estrutura e estilo de escrita peculiares, não me convencem. Abri uma exceção para este e ainda bem. Fiquei inspirada pela história de vida e pela força de Rui Nabeiro, de quem não sabia muito, mas de quem me senti muito mais próxima quando acabei de ler a última página.

 

"Quando acumulamos suficiente tempo, os domingos transformam-se num período de vida. Recordamos os domingos como uma unidade, anos inteiros só de domingos, estações inteiras compostas apenas por domingos: os domingos de verão, os domingos de outono, todos os domingo de inverno e, de novo, as promessas feitas pelos domingos de primavera. Foram dias separados por semanas, antecedidos por sábados com ilusões próprias, sucedidos por segundas-feiras com agendas precisas, tarefas fatais que exigiam ser feitas, mas tudo se dissipa até ficar apenas uma amálgama de domingos. Ao serem vividos, transformaram-se nessa amálgama, como um almoço de domingo infinito, a crescer permanentemente a partir do seu interior."

 

 

Programa de TV do ano

- Trafficked by Mariana van Zeller -

Sou completamente viciada nesta série que estreou o ano passado no National Geographic. A campanha promocional foi grande mas eu só me interessei mesmo pelo programa quando percebi que a jornalista era portuguesa, quando ouvi parte da entrevista que a Mariana deu ao Era O Que Faltava, da Rádio Comercial. E que jornalista! Que "tomates"!

A Mariana van Zeller mete-se no meio de gangs, de bunkers cheios de armas, de florestas recheadas de narcotraficantes e em mundos que só ouvimos falar nos filmes ou nas otícias, naquele que parece ser um mundo e uma realidade muito distantes. São normalmente 45 minutos de programa que devem exigir horas e horas e horas de pesquisa e de tentativas falhadas para ter alguém que dê a cara (ou pelo menos a voz) por todas as coisas ilegais de que já ouvimos falar mas com as quais nunca tivemos proximidade. 

A segunda temporada está agora a passar no National Geographic aos sábados, às 22h30. A primeira, para mim, ainda é melhor. Vale muito, muito, muito a pena!

 

O (meu) post do ano

- Uma História com Princípio, Meio e Sim! -

Toda a rubrica "Uma História com Príncipio, Meio e Sim!" foi um exercício muito bom, bonito e "depurador" para mim - e marcou claramente o meu ano a nível de escrita, pois foi aí que me foquei acima de tudo, defraudando todos os outros temas sobre os quais costumo dissertar. Esta série de textos foi dolorosa em alguns momentos e curativa noutros. Fi-la muito mais para mim do que para os outros, mas eu queria muito deixar registos desta fase tão conturbada da minha vida - um evento tão bom misturado com sentimentos tão difíceis... foi uma gestão complicada que quis documentar. Dentro deles, o post do vestido de noiva foi o mais lido e também o mais sentido - hoje choro quando o leio. Mas o mais importante de todos, o post do meu ano, foi o último, em que falo do casamento e da terapia.

 

A viagem do ano

- Maldivas -

Só fiz duas, Maldivas e Açores, e ainda quero escrever sobre ambas (ainda que já leve meio ano de atraso). Mas é claro que as Maldivas - perdoa-me Açores!!! - arrecadam este meu galardão, pois roubaram o meu coração. Quero tanto voltar!

 

A palavra do ano

- Resiliência

 

A foto do ano

Não há "a" foto. Há muitas, felizmente! E tendo em conta que este ano tive um fotógrafo por minha (nossa) conta num dia tão especial, a foto do ano tinha de ser uma das muitas que ele nos tirou. Mas de tão boas é difícil escolher... por isso, em vez de uma, vão duas:

 

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O vídeo do ano

Não há grandes dúvidas: o casamento foi o evento do meu ano e tudo roda à volta dele. Ainda não tinha mostrado nenhum vídeo daquele dia, por isso fica aqui em modo best of (este é o teaser, mais curtinho, bom para terem um glimpse daquilo que foi este dia tão bonito). 

 

23
Jul21

Uma história com princípio, meio e sim! #11

A escolha de um fotógrafo e a importância da fotografia e do vídeo

O fotógrafo foi a primeira coisa em que pensei mal decidimos que íamos casar. Decidimos uma data - na altura era 4 de Setembro - e eu deitei logo pés ao caminho pois tinha pânico de não arranjar alguém com quem me identificasse. Fiquei pior quando comecei a receber respostas negativas, já com agendas cheias. 

Este era um dos poucos tópicos onde a minha permeabilidade ao preço (e aos exageros) era maior, porque acho inconcebível ter um mau profissional num dia tão importante como este. Já aqui falei várias vezes sobre a importância das fotografias na minha vida. Também por causa disso - e porque, confesso, tenho alguma dificuldade em delegar coisas que acho de importância máxima - auto-intitulei-me a responsável por este pelouro: sou eu quem tira e edita as fotos de todos os eventos de família e, no final do ano, junta tudo para fazer os álbuns de best ofs

Para mim as fotografias têm a mesma função da escrita: eternizam, impedem o esquecimento. Percebo aquelas pessoas que não gostam de ser fotografadas, que se sentem desconfortáveis, que acham que ficam mal e que por isso não querem ser vítimas de qualquer objetiva - no entanto conheço muito pouca gente que não goste de relembrar os tempos que já passaram (a menos que sejam tempos muito maus). Se juntar os meus diários de bordo às fotografias que tirei... viajo de novo. Quão incrível é isso?

Era essa magia - de ser capaz de recuar e reviver tudo - que eu queria para o meu casamento: poder, daqui a uns anos, olhar para aqueles frames e voltar a sentir a felicidade e as borboletas no estômago. E gostava que tal acontecesse nos meus moldes de fotografar: sem grandes poses, sem flash, com movimento e alegria. Não queria fotos clichê de véus a voar, deitada na cama ou no chão, com o bouquet pousado sobre a minha cauda. Mas a verdade é que deixar que a magia aconteça nas mãos de outros é um risco e uma responsabilidade muito grande. E, mesmo depois da escolha, confesso que tive momentos de grande receio. Será que a escolha tinha sido boa? Será que a vibe vai ser a certa? Acho que as dúvidas só se dissipam quando tivermos o trabalho completo nas mãos - mas neste momento, em que já recebi meia-dúzia de fotografias, o meu coração já está mais sossegado.

Contactei quatro empresas/fotógrafos. Primeiro os Storytellers, que descobri no site  do Casamentos.pt e cujo trabalho me atraiu por ser fora da caixa e, acima de tudo, por terem um combo de foto e vídeo, sendo que eu gostei muito de ambos os trabalhos; falei também com o Pedro Vilela que era aquele que eu dizia, há anos, que seria o meu fotografo de casamento - já devo seguir o seu trabalho há uns dez anos e nem sequer me recordo como o conheci; por indicação do meu irmão - pessoa em quem confio plenamente no que diz respeito a fotografia - fui pesquisar o João Medeiros e também a Rita Rocha, ambos com trabalhos que adorei.

Troquei vários emails com todos eles - e entre esperas, respostas e negas todos foram seriamente ponderados e podiam, todos, ter sido os escolhidos. No meio disto tudo íamos vendo as quintas, até que tomamos uma decisão. E, adivinhe-se: a data que tínhamos definido, 4 de Setembro, estava ocupada! E por isso, ao contrário daquilo que se costuma fazer, adaptamo-nos nós ao calendário da quinta e acabamos por escolher o dia 27 de Junho, uma das poucas datas que tinham livres (e por causa de uma desistência!). Nesta altura já tinha recebido algumas respostas negativas e tinha tudo apalavrado com o João Medeiros - que, na nova data, não tinha disponibilidade. Fiquei muito triste - e outra vez em pânico - porque o contacto com eles (o João e a Pamela Leite) foi do mais incrível e atencioso que experienciei ao longo desta aventura da organização do casamento, mas não tinha outra opção senão fazer uma nova ronda na minha short-list e ver se alguém tinha disponibilidade.

E os Storytellers tinham! Acabou por ser óptimo porque matamos dois coelhos de uma só cajadada: a foto e o vídeo, sendo que acho que a segunda parte é também fortíssima na equipa que escolhemos. Porque as fotos são óptimas, mas não deixam de ser imagens congeladas, incapazes de captar movimento e som, que são igualmente essenciais. Numa foto não conseguimos perceber a forma de andar ou a voz de alguém - e são esses pequenos detalhes que nos distinguem uns dos outros e que, para mim, também importam recordar. Se não fossem eles, tinha em vista o Ninho Films, a Andorinha Films e o Overall Studio - mas fiquei particularmente feliz por ser tudo a mesma equipa e sentir que estava bem servida. Os vídeos de casamento têm uma característica que não gosto: são, na sua maioria, tristes - e eu queria que o meu fosse algo alegre, que refletisse aquele dia de uma forma emocionante mas bem disposta. E os Storytellers têm vários assim, pelo que estou na esperança que o nosso seja um bom equílibrio entre toda a emoção que se viveu - porque não faltaram lágrimas no nosso casamento - mas também uma dose enorme de felicidade.

Só os conhecemos no dia do casamento - até lá só tínhamos falado com o Bruno, o "cabecilha", em reuniões virtuais. Mas a verdade é que a empatia e o à vontade foi tanto que, à posteriori, muita gente me disse achar que já nos conhecíamos. Porque, para mim, não há outra forma das fotos fluírem, serem genuínas e verdadeiras. Sei como me sinto se tirar fotos a pessoas que não gostam de ser fotografadas e vejo a diferença que faz tirar fotos a familiares ou a pessoas com quem não tenho tanta confiança. Se eu queria fotos como aquelas que eu tiro, tinha de me comportar como gosto que os outros se comportam quando estão à frente da minha lente. Eu gosto muito de tirar fotografias e de ser fotografada - mas o mesmo não se pode dizer do Miguel. E acho que, nestes casos, há uma boa dose de mentalização que deve ser feita, principalmente quando escolhemos fotografos mais "rebeldes" e fora da caixa, que foram contratados para, de alguma forma, invadirem a nossa esfera privada e a documentarem. Se não os tratarmos como alguém da família, a magia que falava acima não vai acontecer - e, para isso, mais vale contratar um fotógrafo clássico e pagar menos dinheiro.

A simpatia, o olhar curioso e atento e a capacidade de integração dos Storytellers foi notada por toda a gente, o que sobe ainda mais a fasquia e eleva as expectativas para um nível quase estratósferico. Só devo ter o trabalho completo nas minhas mãos lá pela altura do Natal - gostava de receber antes, mas dada a quantidade de casamentos que estão a acontecer imagino que não seja fácil passar horas a editar. Estou super, mega ansiosa e curiosa para ver e reviver tudo de novo, e acho que se juntaram todos os ingredientes para tudo correr lindamente e termos memórias lindas para o resto das nossas vidas. Até lá, esperemos em conjunto. Para já, ficam duas das fotografias que nos mandaram:

 

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23
Dez20

Um Natal de primeiras vezes

As fotos da árvore 2020

Este Natal vai fazer jus a este ano: vai ser estranho, diferente e recheado de primeiras vezes. Acredito que, por força das circunstâncias e do momento em que vivemos, esta estranheza não recaia só sobre mim. Mas, por coincidência, este ano vai ser de outras estreias que nada têm que ver com consequências-covid.

Pela primeira vez não vou passar a consoada com os meus pais.

Isto porque, também pela primeira vez, passarei o Natal com os meus sogros. 

E assim passarei, pela primeira vez, o Natal em pleno com o meu namorado.

Como se isto não bastasse, por culpa do maldito vírus, não vou ter a casa cheia como tenho sempre; este ano vimo-nos obrigados a partir a família em núcleos, para prevenir grandes ajuntamentos. E assim, pela primeira vez na minha vida, não reunirei com a minha família materna - e a ausência de todos eles, da azáfama e do barulho, será muito sentida.

Sinto que este ano o Natal está envolto numa aura meia estranha, cheia de receios e regras. Até há bem pouco tempo não sabíamos se teríamos limite de pessoas à mesa ou se podíamos ir visitar os familiares à nossa cidade-natal. Há muita gente desmotivada, sem vontade para prendas e convívios. E de forma a contrariar isso, para me obrigar a imbuir no espírito (não que precisasse: eu adoro sempre o Natal!), fiz questão de montar a árvore mais cedo. Mais uma vez de forma atípica, não publiquei aqui fotos logo após a montagem: com as minhas novas rotinas e com o recolher obrigatório aos fins-de-semana nunca conseguia apanhar fins-de-tarde para tirar fotografias, com o tempo e a dedicação que empenho anualmente. No dia em que consegui fazê-lo, não houve tempo para escrever. E fui adiando até que achei que o melhor seria publicar neste dia especial: a véspera da véspera do Natal. É aquele limbo, em que ainda não chegamos ao dia a sério, mas os níveis de entusiasmo e de stress já estão lá no topo.

Serve por isso este post para desejar a todos vós um óptimo Natal, repleto de felicidade - mesmo que a mesa não esteja tão cheia como dantes, tal como a minha. Mesmo que seja diferente... como o meu.

A árvore deste ano é branca e cinza, para ir de encontro com os nossos desejos: acima de tudo, muita paz e saúde. Sentimos que as cores vibrantes e quentes não combinavam com os últimos tempos e, por isso, redecoramos com algumas coisas novas, de modo a ficar tudo em modo branco-prateado. Agora é só mais umas horas na cozinha e depois: família, comida e prendas! Whohoo!

Sejam felizes! Bom Natal!

 

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08
Dez19

Ei-la! A minha árvore de Natal!

E mais uns quantos pensamentos sobre o significado desta época

Já é um must da época natalícia. Fazer a árvore de Natal é uma das minhas coisas favoritas de todo o sempre e este ano, apesar de todo o caos, não foi excepção. Reservamos um sábado para a fazer, decidimos o tema - esta época fugimos dos dourados e viramo-nos para os prateados e vermelhos - e pusemos mãos à obra.

É sempre um momento de partilha e união muito importante para a mim e para a minha mãe. Mas desta vez, diria, ainda foi mais essencial. Foi uma forma de eu dizer e fazer sentir que continuo ali, apesar de ter recentemente saído de casa - que é como quem diz, passei a dormir fora. Dar a perceber que aquela árvore continua a ser a minha árvore. A nossa árvore. Que continua a ser o nosso momento. A nossa festa. Uma partilha constante, como é a vida - e como vai ser sempre, partilhada com aqueles que me criaram e fizeram de mim quem eu sou hoje.

Este sábado foi pintalgado por um sentimento um bocadinho triste, pelo menos para mim, que nada teve que ver com a cama onde durmo neste momento (e a minha "saída" de casa). Os meus sobrinho visitaram-nos enquanto decoramos a árvore e eu fiquei perplexa com a forma como reagiram quando a viram.

Nada.

Nenhuma reação, para além de uns olhares de esguelha. Não se atiraram às bolas para a decorar, não perguntaram se podiam participar. Ignoraram. E isso, para mim, foi um murro no estômago. Eu, que sempre quis montar a minha e todas as árvores de Natal a que pudesse deitar a mão; que pedia encarecidamente aos meus irmãos, quando era miúda, para ajudar a decorar o símbolo máximo desta época festiva.

E eles... nada.

O mesmo "nada" que representa para eles a manhã de Natal passada na cozinha a fazer doces; que escolher as compras de Natal, pensadas para cada um, mais do que as comprar; que montar uma árvore de Natal e perceber que é muito mais do que um processo decorativo. 

Entristece-me que os miúdos vejam o Natal como um dia em que recebem prendas quando, para mim, é todo um mês de partilha. De dar muito mais que receber. Um mês para estar. Um mês para ficar, sentar, desfrutar. Sentir. 

A minha árvore é muito mais que uma árvore. É o sinónimo de tudo isto, de tudo o que o Natal significa para mim. Que, como se nota, é muito.

 

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05
Abr19

Doze truques para tirar melhores fotografias

Quando estive a fazer a seleção das fotos da minha excursão ao centro da Europa, há uns meses, lembrei-me que podia enumerar uma série de dicas de modo a melhorar as fotografias que todos tiramos no dia-a-dia (e nas nossas férias e outros dias especiais, como é óbvio). À medida que ia fazendo uma série de correções e dizia a mim mesma "tenho de me lembrar para dizer isto à minha mãe" - pessoa que me tira a maioria das fotos quando viajamos - achei que podia enumerar uma série de truques não só para ela mas também para o mundo, para que as fotografias de todos passem a sair ainda mais bonitas. Na altura fiz uma lista, até anunciei a minha intenção nas redes sociais, mas tempo para pôr isto em prática é que nem vê-lo. Mas hoje foi o dia!

Reuni por isso doze dicas que podem revolucionar a vossa forma de fotografar - algumas mais óbvias que outras e, claro, dependentes também do gosto de cada um. O truque basilar de tudo isto é tentar sempre tirar a melhor foto possível e esquecer a ideia de que "depois edito a foto". A parte da edição é a mais chata, trabalhosa e dispendiosa (em termos de tempo... e também de software) da fotografia, para além de que é preciso dispor de programas, tempo, paciência, dedicação e organização para o fazer. Ou seja: é tentar evitar esse passo e tirar, à partida, as melhores fotos possíveis. De qualquer das formas, já fica o registo: para editar as minhas fotografias utilizo o Adobe LightRoom.

Antes de começar a enumerar, quero apenas dizer o seguinte: é muitas vezes no detalhe que mora uma boa fotografia. Eu gostava das minhas fotos antes de saber fotografar (que é como quem diz "saber mais do que clicar no obturador"), mas passei a adora-las após o curso que tirei, quando comecei a ver as coisas de uma forma mais crítica. É óbvio que é o sentimento que conta, as emoções presentes na foto, o momento... mas, mesmo assim, os pormenores fazem a diferença. E muito do que vou listar aqui não passam de detalhes, insignificantes para alguns, mas que farão a diferença para muitos. O olhar também se educa ;)

Vamos a isto:

 

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Um dos erros mais comuns tem que ver com as fotos tortas. Há espaço para tudo: fotografias tortas, fotografias direitas, fotografias de pernas para o ar... mas normalmente a intenção percebe-se, até pelo nível artístico da imagem. Numa foto "normal" a linha do horizonte deve estar paralela à linha horizontal da foto. Quando se posicionam para tirar a foto, esta é uma das coisas que devem ter em atenção; olhem mais além do que simplesmente o sujeito a quem estão a dirigir a objetiva. 

 

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Esta também é um clássico. Percebo que às vezes faça sentido - quando queremos apanhar um monumento alto, entre outras situações - mas normalmente o excesso de "ar" em cima das nossas cabeças não acrescenta nada. E quando é necessário, é preciso faze-lo com equilíbrio, não deixando apenas a pontinha da cabeça a dizer olá para a foto. Mais vale fazer um bom enquadramento da pessoa ou do elemento, mexer no zoom ou nas pernas e nos braços (o também chamado "zoom à moda antiga"), e pôr tudo em harmonia. Na foto acima, há mais ar que Carolina. E não era bem isso o suposto, certo?

 

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A luz é um dos principais problemas - senão mesmo o maior - no mundo da fotografia. Fotografar pessoas em locais onde estas apanhem tanto sombra como sol é muito chato, porque é muito difícil encontrar um balanço. O ideal é mesmo isto não acontecer - ou se fica de um lado ou do outro. Cuidado com situações clássicas como bonés ou chapéus, que deixam sombras exatamente na parte mais importante a fotografar - a cara de uma pessoa. Caso não haja volta a dar (como nas fotos acima), duas soluções: ou flash (que eu evito a todo o custo) ou fazer tratamento posterior, ao nível dos tons escuros e das sombras. Isto é algo que se contorna melhor (embora não se resolva) com o uso manual da máquina - o automático fica sempre confuso nestas situações.

 

Correcoes (3).png

Outra vez luz. Ou, neste caso, exposição. Espaços muito interiores, sem luz natural, pedem sempre flash quando a máquina está em modo automático. Mais uma vez, sou avessa a esta luz artificial e faço de tudo para não a utilizar. Neste caso, os realces dados na fotografia da direita foram trabalhados à posteriori, mas a foto ganhou muito mais vida.

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Esta já é quase cliché... mas não esquecer!

 

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Quando tiramos uma fotografia há que perceber o que é essencial. A envolvência contribui ou não para embelezar a foto? Se não contribui, sai fora - mesmo que para isso tenhamos de mover o sujeito para outro local. Quando não o fazemos no local e deixamos o problema para a edição, há uma solução fácil quando a fotografia é tirada ao baixo: torna-la vertical. No exemplo acima, as fotos são exatamente as mesmas: uma ao lado de um poste horrível, outra com muito menos ruído. Faz ou não faz a diferença?

 

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Ainda neste âmbito, é importante (à partida) fugir de elementos distrativos - coisas grandes ou coloridas que nos atraiam prioritariamente o olhar, distraindo-nos do essencial. Na foto acima tinha uma placa néon (passível de ser cortada digitalmente) e um balde do lixo verde-alface mesmo ao meu lado, impossível de remover. Apesar de gostar da minha posição e expressão na foto, esta foi uma das muitas imagens que mandei para o lixo - em grande parte por causa destes "pormaiores" que acabam por destruir a fotografia.

 

Luminosidade (4).pngEste é um truque que faz a diferença. Quando fotografamos alguém de perfil convém sempre deixar espaço na direção em que a pessoa dirige o olhar e não o contrário. Aplica-se principalmente quando são fotos horizontais, onde haveria margem para mostrar o objeto para o qual a pessoa olha com tamanho interesse. Fica simplesmente estranho cortar a expansão do olhar de alguém (ver foto da esquerda). Caso isto aconteça uma possível solução é, mais uma vez, tornar a foto vertical.

Ainda sobre isto, relembrar que os elementos centrais da foto não têm de estar, literalmente, no centro! A regra dos terços é sempre uma boa forma de tirar as típicas fotos turísticas de uma forma diferente e desenjoar da máxima de que "no meio está a virtude".

 

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Isto são gostos pessoais, mas a verdade é que às vezes nem nos apercebemos que os temos; nem sabemos porquê, mas gostamos mais de uma foto do que de outra, embora nada seja aparentemente muito diferente... A tonalidade das fotografias é, para mim, essencial - e eu gosto delas com um tom quente, amarelado. Aliás, como na vida! Eu fujo de luzes brancas, gosto muito mais de lâmpadas amareladas. Daí detestar o flash, que dá um tom branco em tudo o que "toca". Acho que a tonalidade amarela dá uma sensação muito mais quente e confortável às fotos. Basta olhar para os exemplos acima, onde para além disso também foi ajustada a linha do horizonte (neste caso a linha do horizonte não se vê, mas percebe-se claramente que a foto está torta através da "linha" dos prédios, que não está paralela à vertical da foto).

 

Luminosidade (1).png

Há quem ame e há quem odeie. Eu uso IMENSO o desfoque nas imagens. Adoro. Acho que foi a coisa que mais queria aprender quando fiz o curso de fotografia e aplico-o desde então. Quando se fotografa em automático a forma mais fácil de fazer isto é aproximar-mo-nos da pessoa ou do objeto em questão; em manual, abrir ao máximo o diafragma para que o fundo fique o mais desfocado possível.  Acho que dá um efeito muito bonito quando queremos apenas enquadrar de uma forma subtil o individuo, dando-lhe o mais destaque possível, mas fazendo do fundo algo esbatido, que integra a foto de forma natural e muito pouco ruidosa.

 

Luminosidade7.png

Passo a vida a chatear a minha mãe porque ela corta as fotos. Mas ela fá-lo porque quer, porque gosta de tirar fotos meio-artísticas. E está tudo bem com isso. O que não está bem é cortar um bocado de um braço, uma parte do ombro ou um pedaço da cabeça só para que caiba tudo na foto, ou porque não há mais zoom. Os cortes devem ser dados com um propósito. Ou é ou não é. Há que assumir o corte. Se assim não for, fica estranho. Os cortes só devem ser feitos quando propositados ou quando há espaço para tal. Os assuntos fotografados (e as fotos em geral) precisam de espaço para respirar de uma forma equilibrada. E tirar partes, qual talhante, nunca é boa ideia.

Luminosidade (2).png

Por fim, uma das minhas coisas preferidas... brincar com as luzes. Sem flash, claro! Estas fotos em Budapeste deram-me muito trabalho (não tinha tripé), mas continuam a ser das minhas favoritas de sempre. Quando o fundo é rico em luzes e, neste caso em particular, temos um foco de luz que podemos aproveitar para nos iluminar, podem resultar coisas espetaculares. Mas, aqui, é preciso saber do assunto - e ter muita paciência e tolerância à frustração, pois a probabilidade das fotografias saírem mal é grande. Sabendo que queremos tirar fotos deste género o melhor é levar um tripé - ou, à falta de melhor, improvisar um (quem nunca?). A verdade é que os resultados compensam.

 

E por aí? Mais dicas?

10
Mar19

A história por detrás das fotografias

Estou a cumprir com um dos meus objetivos de 2019 e já me lancei à empreitada que vai ser arrumar a minha gigante pasta de fotos digitais - aliás, pastas, no plural. Centenas delas. Se o quiser cumprir vai ter mesmo de ser assim: aos pouquinhos mas com muita frequência e desde do início do ano, que isto não vai ser uma coisa que vá conseguir resolver de um dia para o outro só para fazer "check" na resolução de ano novo.

A primeira fase já está completa: dividir todas as pastas pré-existentes por anos. Agora entrei na segunda, bem mais demorada: esmiuçar pastas macro (coisas como "fotos de iphone"), com milhares de fotos incategorizadas - e tantas outras incategorizáveis - que depositei no meu computador só com o objetivo de reaver espaço no meu telemóvel ou cartões de memória a abarrotar pelas costuras. Este tipo de pastas são o meu pior pesadelo e aquilo que aconselho sempre a que ninguém faça - mas é como diz no ditado, "faz o que eu digo, não faças o que eu faço".

No que aos telemóveis diz respeito esta é mesmo a saída mais comum; já há muitos anos que arquivo com data as fotos tiradas com a máquina, mas os telemóveis com câmara vieram acrescentar todo um nível de complexidade a este campo: porque inicialmente as partilhas das fotos para o computador não eram tão fáceis, porque tiramos fotografias a coisas absolutamente desnecessárias e desinteressantes (muita vezes só com o objetivo de registar algo, coisa que antes fazíamos utilizando o bloco de notas, por exemplo) e porque, por ser um telemóvel e não apenas um dispositivo que tira fotografias, vamos deixando acumular. Já deitei milhares de fotos fora - entre selfies, fotos de livros, de outras coisas que queria comprar, 45789 imagens manhosas dos meus cães e etc. - e já criei pastas para outras tantas que encontrei e que perderia caso não estivesse a fazer esta seleção. A fase seguinte, depois de me desfazer destas pastas monstruosas e de ter tudo dividido por anos, vai ser entrar em cada uma das subpastas e deitar todas as fotos más-repetidas-tremidas-desfocadas para a reciclagem. Mas até lá chegarmos, upa upa - temos muito caminho para percorrer!

A parte boa disto tudo é que tenho apanhado uns tesourinhos que me fazem quase ganhar o dia. Vídeos e fotos que nem sabia que existiam, ora dos meus sobrinhos a cantarem-me os parabéns, ora de colegas de turma a dançarem no balneário, entre outras pérolas. Mas é a mexer em fotos antigas que relembro que há duas fase de Carolina. Quase tipo A.C. e D.C., mas em que o "C.", em vez de Cristo, é o meu nome. Há uma fase clara em que sinto que renasci. Mais: há uma foto que marca esse momento.

Depois de um episódio triste que marcou a minha pré-adolescência, que já relatei há alguns anos aqui, sinto que congelei no tempo. Houve um período de mais de um ano em que passei um borrão e não era eu, era apenas uma fase de transição. Olho para as fotos dessa altura - fáceis de distinguir, porque foi a fase em que estive mais gordinha em de toda a minha vida - e não me reconheço. Honestamente, já quase nem me lembro. Percebo hoje o esforço que fiz para voltar a gostar de mim mesma, depois de me ter deixado engordar daquela forma e sou capaz de entender os sorrisos que fui reavendo com o passar do tempo. Assim se mede a intensidade de um acontecimento: não só pela forma como reagimos na altura em que ele aconteceu, mas também pela maneira (e dificuldade) com que nos reerguemos depois de ele passar. Sei que, para além de mim, mais ninguém consegue ver este tipo de coisas apenas a olhar para uma foto.

Durante as minhas limpezas dei de caras com a foto que durante mais tempo esteve no background do meu telemóvel. Ninguém diria que aquela simples fotografia, onde nem a cara aparece, foi um turning point. Lembro-me bem de a tirar, na casa de banho, com a minha camisola preferida do momento: da Zara, com muito elastano, com riscas transversais brancas e cinzentas. Bem justinha ao corpo. Foi ela que me fez aceitar que já não era a miúda gordinha que tinha sido. Fez também ela parte da minha transição para aquilo que sou hoje. 

É isto que adoro nas fotografias, a capacidade de me fazerem viajar no tempo, de conseguirem ajudar a (re)construir um bocadinho da história de alguém - e principalmente a minha. Relembrar o que fui, o que pensava, onde estava, o porquê de ter tirado aquela fotografia. Como era. Quem era.

Tenho pena que hoje em dia se use tanto a fotografia para manipular os outros: ora para se fingir que se tem a vida perfeita, o dinheiro para comprar uma mala Louis Vuitton, que se vai ao ginásio cinco vezes por semana ou para vender um produto qualquer de maquilhagem. Não quer dizer que essas fotos não tenham histórias por detrás; quer só dizer que não foram tiradas com o propósito certo - e o propósito certo, em muitas ocasiões, é mesmo não ter um propósito.

A fotografia vai muito além da cara cortada, do queixo marcado por algumas espinhas da adolescência e de uma camisola às riscas. É tudo aquilo que não se vê nos pixels, mas que eu sei que é tão ou mais importante do que tudo aquilo que lhes dá cor. É a capacidade de viajarmos no tempo. De voltarmos a calçar os nossos próprios sapatos e pensarmos "afinal é por isto que cheguei aqui". Cada foto é uma história, só que muitas vezes não nos lembramos dela.

 

Img071.jpg

07
Mar19

Os meus auto-retratos

Muitas das fotos que partilho aqui e nas minhas redes sociais são auto-retratos. Já tinha falado disto aqui, neste post, mas nunca expliquei ao certo como o fazia e o porquê de o fazer.

Sempre que me dizem que sou muito fotogénica digo para não acreditarem em tudo o que vêem. Não sou pouco fotogénica, é verdade, mas as fotos que mostro ao mundo são resultado de muita paciência e persistência da minha parte de forma a tirar a fotografia, aos meus olhos, perfeita. Tenho sempre uma visão muito concreta daquilo que quero - do ângulo, do sítio onde me posiciono, do tipo de focagem - e pôr essa visão nas mãos de alguém, mais do que perigoso, é injusto. As pessoas não estão dentro da minha cabeça, não são obrigadas a ler e a perceber tudo aquilo que eu quero. Por isso, e em vez de ser chata e demasiado exigente com quem já me está a fazer um favor, desde há uns dois anos para cá que sou eu que tiro as minhas próprias fotos (a não ser em eventos ou qualquer outra ocasião especial).

Como? Escolho um fundo, trato da luminosidade - quanto mais, melhor, e de preferência sempre luzes amareladas (com luzes brancas fico com um ar de morta -, preparo o tripé, a máquina (tem de estar em modo automático, o manual vai interferir com a focagem, e com o modo de fotografia em controlo remoto) e o próprio comando (o que tenho não é da marca, que custam uma fortuna, mas dos comprados no ebay).

Depois é só disparar. E paciência caso os resultados não saiam brilhantes à primeira. Ou à segunda. Ou à terceira. Ou à 56ª vez. ;)

 

IMG_20190216_190400.jpg

A escolha do set é sempre essencial: não convém ter muitos ruídos. Normalmente fotografo sempre no meu quarto e fico sempre próxima da câmara, de forma a que fique eu focada e tudo o resto bem mais esbatido.

IMG_20190216_190414.jpg

O controlo remoto que mandei vir da internet. Não funciona às mil maravilhas (basta afastar-me a mais de metro e meio que ele começa a querer falhar) e os próprios materiais são fracos, mas serve para o efeito e o preço (perto de um euro) compensa imenso o investimento. O meu já tem uns anos e continua no ativo.

 

Neste caso, queria fotografar um momento fofinho com a Molly e o Panzer. Eis o resultado:

ComCaes-10.jpg

ComCaes-6.jpg

 

Outros auto-retratos:

Autoretrato_Abril (6).jpg

Autoretrato_Agosto18 (9).JPG

Auto-retrato_Fev18 (10).JPG

CarolinaOculos (8 de 16).jpg

29
Jan19

Quem não quer um fotógrafo na sua vida?

Rio-me muitas vezes com aquelas imagens que me aparecem inadvertidamente no Facebook a gozar com os maridos e namorados que passam as passas do Algarve para tirar uma foto decente à sua companheira (e, mais difícil que isso, uma fotografia passível da sua aprovação). É vê-los nas posições mais esquisitas, ora deitados ou a fazer o pino, ou até enfiados no mar (vestidos!), com água até à cintura, pela conquista do ângulo perfeito. E a verdade é que, de uma maneira ou de outra, com mais ou menos exageros, todos nós já assistimos a isto.

Eu acho que, principalmente as mulheres, sonham com a fotografia perfeita - aquela que espelha muitas vezes aquilo que elas não são -, sendo por isso irrealisticamente exigentes; mas ficam também legitimamente tristes por sentirem que os seus mais que tudo não conseguem (e alguns não se esforçam sequer para) captar a sua essência. A foto é uma transcrição da realidade - e se um namorado diz à rapariga que ela é linda, mas depois, quando precisa de captar uma prova disso, sai tudo mal e porcamente... Uma pessoa desconfia.

Depois de ter escrito o texto sobre o timing da escrita, lembrei-me de um post que tinha aqui há quase um ano, abandonado e inacabado algures nos rascunhos. Dizia a primeira frase: "Não tenho namorado - nem quero. Mas se um dia tiver, gostava que fosse fotógrafo". Escrevi-o depois de uma viagem a Lisboa, onde fui em trabalho para fazer uma entrevista, e onde testemunhei o trabalho de um fotógrafo incrível. A conversa decorreu num escritório normal, sem grandes decorações ou coisas bonitas - era apenas mais um escritório, com uma mesa e várias cadeiras, e respetivos copos de água para quando a sede apertasse. Mas depois, quando vi as fotos, fiquei de queixo caído. Não importava se o escritório não passava de um escritório, se a pessoa em causa era bonita ou feia - as foto falavam por si, e eram incríveis porque todos os ângulos foram escolhidos ao pormenor, porque eram visto pelos olhos de alguém especial. E a verdade é que isso já nasce com as pessoas - e embora os maridos de todo o mundo se possam esforçar muito, há quem não tenha esse dom. E nós, mulheres, temos de aceitar (o que não significa não pedir para nos tirarem fotografias).

"Os bons fotógrafos sabem tornar uma pessoa pouco bonita em alguém atrativo, conseguem dar vida ao que na realidade foi quase morto, sabem mostrar o importante, o impactante. E talvez isso se alargue à vida, na procura constante dos melhores ângulos para viver. E isso é incrível.", escrevi mais à frente. Porque, no fundo, quem não quereria ter uma visão constantemente mais bonita do mundo e de tudo aquilo que nos rodeia?

15
Jan19

Panzer (ou como o meu colo nunca chegou a ficar frio)

ComCachorros24Dez18 (45).jpg

 

"Desde que tirei o curso de fotografia que estou sempre à procura da foto "mais perfeita". Alinho os horizontes, balanço os brancos e trabalho as sombras, ponho as fotos mais amareladas como gosto, tento sempre que não haja ruído a distrair do foco principal. E, claro, tento pôr-me bonita. 
Mas também gosto de fotos verdadeiras. Esta é uma delas. Tirada na véspera de Natal, nos 20 minutos de pausa que tive depois de fritar os doces natalícios e onde aproveitei para estar com os meus pequenos. Pijama, pantufas, avental, olheiras, cabelo horrível. E ainda bem que nas fotografias não se sente o cheiro a fritos! E, no entanto, uma foto tão bonita como todas as outras. 
Quando adormeceram todos no meu colo, gritei pela minha irmã para ir buscar a máquina e captar o momento. "De avental?", Perguntou. Disse que sim, era como estava, era assim que ia ficar. O Amor é isso tudo.
Desde que eles nasceram - em que os vi sair, bolinhas em sacos, e a respirar pela primeira vez - que conto incessantemente de um a sete, para me certificar que estão todos. Acordei muitas vezes a meio da noite para ter a certeza de que respiravam, punha-os a mamar se via que estavam mais magros e trazia-os à vez ao colo, para os ensinar o significado de mimo.
Agora conto de sete a zero, em contagem decrescente até o colo ficar a vazio. Até ficar frio. E dói. Mas dizem os sábios que amar também é deixar ir, e eu acredito. Que a minha Dora, o Lilo, o Pantufas, a Cuca, a Mel, o Rufus e a Mimosa sejam felizes nas suas novas casas é um dos meus desejos de 2019. Que aqueçam muitos colos como aqueceram o meu."

 

Texto publicado no meu instagram a 30 de Dezembro

 

Escrevi este texto poucos dias antes do fim do ano, quando os meus pequenos texugos estavam a abandonar o meu colo a uma velocidade estonteante. Não é difícil perceber que não estava feliz. Mas mal eles nasceram eu sabia que era assim que ia ser: era lógico que não íamos ficar com os sete, mas cedo combinámos que não íamos ficar com nenhum. Porque já tínhamos muitos, porque seria mais uma despesa, mais trabalho e mais preocupações. Porque aquilo que a minha mãe queria mesmo era uma cria da Molly e do Calvin - e não do vizinho.

Foram indo, um a um. Saí sempre de casa quando sabia que os iam buscar. O colo ia ficando mais frio, mas ao menos não era eu que os tirava de cá. Até que ficaram dois. Rodava-os entre o quentinho do meu abraço, dormia com eles ao peito, via-os a brincar como se não houvesse amanhã ou a dormir em conchinha como se nunca tivessem conhecido outra forma de encaixe. Até que chegou a hora.

Eram os meus dois últimos meninos e, esses, não os queria deixar ir sem lhes apertar aquelas barrigas gordas. Quando deixo ir um, descaradamente em lágrimas em frente aos seus novos donos, aperto o outro no colo. E, quando largo esse, escondo a cara por detrás do casaco de penas para não verem a minha cara. Não fiz por mal, por arrependimento, nem para terem pena de mim - foi somente a dor e a infelicidade de os ver partir a vir ao de cima. O sentimento de que já não sobraria nenhum.

E nesse momento, num vai-não-vai, entregam-me o cão para o colo. Que era meu, que não tinha mal. E eu entreguei-o de volta, em pânico por não honrar um compromisso. Mas, insistindo ainda assim, lá veio ele de volta para as minhas mãos. 

Hoje, o Lilo de que falo no meu post do instagram chama-se Panzer. Todos os dias me rói as pantufas e me ataca com aqueles dentes em forma de agulha. Todos os dias, quando me vê, corre na minha direção com aquelas orelhinhas de abano e com todas as suas regueifas a oscilar para cima e para baixo. E todos os dias - até ao dia em que conseguir - o agarro no meu colo, tal e qual como fiz naquela noite, quando o trouxe para o quente da casa que agora era mesmo a sua.

Muita gente me disse, depois de ficarem a conhecer que ele tinha ficado cá, que "sabia que eu não ia aguentar ficar sem um cão". Pois eu não fazia ideia. A partir do momento em que decidimos dar todos os cães, e acima de tudo quando soube que havia quem quisesse cada um deles, eu nunca ponderei ficar com um (ainda que secretamente desejasse que me tivessem oferecido um no Natal). Só que aconteceu. A minha dor e a sensibilidade de quem estava do outro lado falou mais alto (e ainda hoje, só de me lembrar desse momento, escorrem-me as lágrimas pela cara abaixo).

Foi há precisamente dois meses que nasceram. Tenho tido a sorte de ter notícias de muitos deles e o meu coração está sossegado por saber que estão bem, que são amados e bem cuidados. E a forma como o cachorro da minha vizinha - que acolheu um dos filhos da Molly - corre na minha direção quando me vê, diz-me que eu fiz tudo certo. Não vive comigo, mas pelos vistos ainda lhe cheiro a casa. Talvez o meu colo seja sempre a casa de cada um deles. Do Panzer, será de certeza.

 

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DSC_0532.JPG

ComCachorros-4.jpg

16
Dez18

Caixa d'óculos

Já há alguns anos que sabia que via mal. Quando entrei na faculdade tínhamos de fazer umas provas, incluindo à visão, que deram - à primeira vistoria - uns resultados trágicos de apenas 70% de visão no olho direito. É lógico que eu não estava assim tão cegueta e aquele teste foi feito às três pancadas. Fui mesmo ao oftalmologista que me disse que, apesar de ver pior do tal olho, não era razão para alarme e que, caso não tivesse efeitos secundários, o uso de óculos era dispensável.

Passaram-se cinco anos desde essa altura. A primeira lembrança deste meu mal veio numa aula de piano. Estava no último teclado da sala e, para olhar para uma pauta projetada no quadro, fechava os olhos mais do que qualquer asiático. "Precisas de óculos, mulher!", gozou a professora. Pouco tempo depois comecei o meu curso executivo. Na fila do meio, os powerpoints liam-se com alguma dificuldade, mas tudo o que era escrito no quadro - principalmente a vermelho e a verde - passava-me ao lado. E as legendas do Netflix, mais pequeninas que o normal? Nos dias de maior cansaço, era um esforço extra. E aí eu soube que tinha chegado a altura. 

Durante este processo lembrei-me muitas vezes de uma história que vivi com a minha irmã. Certa vez, no Algarve, ao esquecer-se das suas lentes e tendo lá em casa umas compradas por uma das minhas primas - com mais dioptrias que ela -, decidiu experimentar. E, naquele momento, parece que entrou num mundo novo. "Eu vejo pó!", dizia ela, espantadíssima. Eu não cheguei a esse ponto, mas já não me lembrava do quão nítidas podiam ser as coisas. Vivia há já algum tempo num mundo esbatido.

Adaptei-me muito bem aos meus novos amiguinhos - só as primeiras três utilizações é que me deixaram um bocadinho confusa, mas resisti - e agora são-me indispensáveis na carteira, e muito mais em qualquer situação de aula. Não os uso sempre - só quando preciso ou conduzo à noite -, mas infelizmente apercebo-me que estou a ver gradualmente pior quando estou sem eles. Pelos vistos é normal, para mal dos meus pecados.

Cá em casa dizem que pareço uma professora. Eu ainda não sei se gosto ou não, mas não lhes ofereço qualquer resistência - sinto-me cegueta e um bocadinho incapaz quando não consigo ler coisas que antigamente via. Portanto é isto. Oficialmente caixa d'óculos.

 

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