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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

19
Jul19

Faltam cinco meses para acabar o ano

Não houve maneira de fazer tudo com o preciosismo que queria e a exigência pela qual me pautei ao longo da minha vida. 2019 foi, até aqui, um ano de muitas conquistas, mas também com uma lista longa de coisas de que prescindi. Escrevi pouquíssimo, deixei de ler livros, cancelei a minha inscrição no ginásio, mal toquei piano, parei com os meus projetos relacionados com a organização de fotografias, não passei em blogs e muitas notícias passaram-me ao lado, ignorei que os fins-de-semana eram para descansar, adiei interminavelmente cafés, passei em branco muitos jantares, deixei de ir de férias com os meus pais em troca de cumprir prazos, trabalhos e ir a aulas. Houve momentos complicados. A gestão de tempo moeu-me. A pouca dedicação para coisas de que gosto foi difícil de aceitar.

Ter surgido um namorado nesta altura da minha vida não ajudou. Sofri, e ainda sofro, com a gestão que faço entre ele e tudo resto - querendo, ao mesmo tempo, estar com ele e não deixar de fazer nada. Conciliar isto com a relação fortíssima que sempre tive com os meus pais foi duro - e culpei-me muito por, durante tantos anos, ter dito que queria ficar sozinha. Não porque não acreditasse nisso, mas por sentir que não os preparei para este golpe duro que foi, de um dia para o outro, ter o meu coração dividido entre eles, de quem o meu amor será eterno, e outra pessoa. A verdade é que nem eu estava preparada, toda esta nova dinâmica apanhou-me desprevenida. Estamos todos ainda em fase de adaptação.

Mas eu queria muito que chegasse o dia em que a minha vida ia estabilizar, ter uma rotina que não implicasse prazos de trabalhos de grupo, de exames ou reuniões. Ansiei por estas férias - que, durante meses achei que não iam existir - por saber que seriam o fim de uma fase e o início de outra. Por ver nesta a oportunidade de finalmente equilibrar a balança.

Os dias de descanso estão a saber-me pela vida e, de cada vez que acordo, sinto vontade de recomeçar. Em pegar em tudo aquilo que ficou a meio, por acabar. Em voltar a fazer coisas que me fazem feliz - ler, escrever, aprender a tocar peças novas no meu piano. E arrancar com todos os planos novos que tenho em mente - e de fazer deles parte do meu dia, como fiz do curso o meu objetivo de um ano. Agora com mais força, mais completa e mais feliz. Por tudo aquilo que aprendi. Tudo aquilo que consegui. E, acima de tudo, por tudo o que conquistei.

 

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18
Jun19

O cansaço mora em mim

No 11º ano tive de ter explicações de matemática. Foi uma grande derrota pessoal para alguém que sempre quis ser independente em tudo - mesmo na arte de aprender. Era-me indiferente que os meus colegas tivessem aulas extras de todas as disciplinas e que, por causa disso, tivessem altas notas nos testes - tudo aquilo que eu conseguia era por mim própria, não tinha a papa feita por ninguém, era o meu suor e o meu raciocínio que estavam ali em peso. Sentia quase como se jogássemos em diferentes campeonatos - um com ajuda, outro sem. E mesmo não havendo vergonha em pedir auxílio, sempre foi uma bandeira que gostei de erguer - ainda hoje é assim, mesmo que seja uma parvoíce de todo o tamanho.

Por isso tenho sofrido nos últimos tempos do curso, em que a carga matemática é cada vez maior. Lembro-me muitas vezes da minha angústia algures em 2012, enquanto olhava para senos, cossenos e radianos e não conseguia digerir o que estava à minha frente. Tenho uma relação muito problemática com as coisas que não percebo. Comem-me viva.

Mas agora tenho um problema extra: se com a trigonometria ficava irritada por não saber mas descansada por ter a noção de que aquilo não seria algo essencial na minha vida, agora fico em pânico por me sentir incapaz em alguns tópicos que podem ser essenciais na gestão de uma empresa. Ponho-me constantemente em causa. 

Há dias em que eu acredito que essas dificuldades são só teóricas e altamente potenciadas pelo cansaço de um ano de curso, de muitas mudanças e de uma fase que se avizinha mais complicada para mim; mas há outros em que esses pensamentos me deitam abaixo e me convencem de que nunca vou conseguir. Olho para os outros - aqueles a quem agora tenho de pedir ajuda -, que parecem fazer aquilo com uma perna às costas, com ficheiros Excel todos bonitos e a frustração toma conta de mim. Martirizo-me por já não ter capacidade de concentração em aulas com termos económico-financeiros que não domino, por não ter ouvido com atenção, apontado melhor. Penso no dinheiro que investi, que os meus pais investiram em mim, e sinto-me gradualmente mais incapaz.

Acho que estou a chegar a um breaking point. Estou a acusar o cansaço. E preciso de férias para poder voltar a acreditar em mim e nas minhas capacidades.

29
Abr19

Crónicas de uma ex-solteira: A decisão

Vamos lá fazer isto estilo penso rápido. 1, 2, 3... Tenho namorado!

Agora que já todos recuperamos do choque (eu incluída - talvez tenha sido a pessoa com mais dificuldade em aceitar, na verdade) vou explicar o título deste texto. O "ex-solteira" é agora óbvio para todos, a parte d'"a decisão" pode não ser clara. Mas passar a ter namorado foi mesmo isso: uma decisão. Sinto que de alguma forma isto pode tirar algum encantamento à coisa, quase como se não houvesse magia e o amor não fosse lindo e essas coisas todas dos contos de fadas - mas, desculpem dizer-vos, é a verdade. Não decidi conhece-lo nem criar a ligação que rapidamente criei com ele, mas foi de forma totalmente consciente que avancei para lá disso. Pensando em todos os prós e em todos os contras, vantagens e desvantagens, medos e receios; só me faltou mesmo pesar numa balança física para me ajudar a decidir.

Isto porque quando eu dizia que não queria ter namorado não era só para fazer conversa. Quando dizia que queria ser totalmente independente, capaz de nunca abdicar de algo por não ter alguém ao meu lado, não era para me convencer a mim própria - era a atitude que eu assumia perante o mundo. E quando dizia que a vida era melhor sem aturar homens, também era algo em que eu acreditava (na verdade, ainda acredito).

Para mim, arranjar um namorado foi muito mais do que um simples "arranjar um namorado". Foi abdicar das minhas crenças, contrariar aquilo que tenho dito desde há muitos anos. E seria hipócrita da minha parte dizer que isso não me custou.

Porque a verdade é que são muito poucos os relacionamentos que eu vejo e penso: "gostava de ter uma pessoa assim ao meu lado, ter aquela dinâmica com alguém". E não se trata da pessoa ser bonita ou feia, trabalhar ali ou acolá, ter mais ou menos dinheiro. Trata-se das atitudes, da tolerância, do respeito. Às vezes, entre amigas, discutia-se o "homem perfeito". E eu não tinha como o descrever, não sabia a cor do cabelo, dos olhos, a altura, o tipo de cara ou de corpo; sabia, somente, aquilo que não queria. E, acreditem, a lista é grande. Porque assisti a muita coisa ao longo dos anos e disse a mim mesma que nunca quereria aquilo para mim; percebo perfeitamente o porquê das pessoas se manterem nos relacionamentos apesar de certas atitudes - porque já não concebem a vida sem essa pessoa, porque já estão habituadas, porque são financeiramente dependentes ou porque compreendem que foi simplesmente um dia mau - mas eu não queria (nem quero!) isso para mim. Se para ter umas coisas precisava de ter outras, como quem compra um pack que não é possível vender em partes separadas, então eu preferia estar sozinha. Sempre levei o ditado "mais vale só que mal acompanhada" muito a sério.

Já gostei de outras pessoas antes, mas sempre achei que não eram para mim - e que por isso não valia a pena fomentar coisas que na minha cabeça, logo à partida e por uma série de razões, não tinham futuro. Mas houve, neste caso, um detalhe que fez a diferença: fui sempre honesta, disse sempre a verdade. O que, atenção!, não faz de mim uma mentirosa até aqui, mas é aquilo que sempre fui: extremamente cuidadosa em exteriorizar sentimentos. Eu não mentia, só não dizia; quanto muito... fugia.

Ao aperceber-me do que se passava disse logo tudo: a minha posição perante os relacionamentos, a minha visão futura relativamente a filhos, aquilo que eu não tolerava nos outros e aquilo que possivelmente os outros não tolerariam em mim - neste último caso, fiz uma lista muitooo grande. E esperei que ele fugisse.

Ele ficou.

E eu diria que aquilo que aconteceu a partir do momento em que ele decidiu não arredar pé não foi um processo de conquista e muito menos de sedução. Foi de convencimento. De me mostrar que podia valer a pena e que as coisas são como nós as fazemos, que o nosso relacionamento não tem de ser como o dos outros: é como nós o quisermos. E eu avancei com essa premissa sempre presente: de que quando as coisas não estiverem bem, diz-se; e se depois de serem faladas não continuarem bem, ter em mente que o "para sempre" não existe e que foi bom enquanto tudo durou.

Muita gente me diz que eu não pareço nada apaixonada, que estou a ser mega racional, ficando confusas perante os meus comportamentos ou simplesmente com coisas que eu digo. A verdade é que eu detesto estar apaixonada - sempre detestei. Aquela sensação de estar na corda bamba, da nossa felicidade estar dependente de outra pessoa - deixo-a alegremente para os outros, que tanto parecem gostar dela e que a vendem quase como se da melhor lagosta se tratasse! O coração na boca, o estômago em mil bocadinhos, as mãos que tremem, o vai-não-vai, a dúvida inicial. A irracionalidade, sentir que não temos pleno controlo das nossas atitudes porque as nossas hormonas tomam conta do comando e deixam o cérebro de lado... Não é para mim. Deixa-me num sofrimento atroz, numa angústia diária (tira-me a fome, dá-me vómitos) e obriga-me a um controlo muito mais apertado das minhas ações, quase como um doublecheck para verificar que os meus comportamentos foram solicitados pelo cérebro e não por outro órgão qualquer. E por isso, quando esta sensação passou e eu pude descomprimir - ser eu! - tudo ficou melhor.

E ele continuava lá.

Não sei o que estou, nem quero saber. Se calhar é isto, a paixão, e o que sempre senti antes era outra coisa qualquer - mas, pelo que descrevem, não me parece. Se calhar isto que vivo é outra coisa, uma palavra que ninguém inventou. Mas a verdade é que não tenho necessidade de rotular o que sinto, porque não tenho dúvidas. E ele também não, que é o que mais importa.

Sei que se não gostasse dele não escreveria este texto. Sei que se não gostasse dele não teria baixado as armas, desfeito os muros e as paredes e baixado as inúmeras pontes de forma a permitir que ele entrasse na minha vida. Sei que se não gostasse dele nunca abdicaria daquilo em que acreditei e preguei durante tantos anos. Sei que se não gostasse dele, e não confiasse nele a 100%, nunca me disponibilizaria para estar nas suas mãos.

Nunca fui de ter namorados, "curtes" ou amigos coloridos. Nunca fui sequer de reparar em quem passava à minha volta. Digo-lhe muitas vezes: és tudo o que nunca quis. Porque não podemos ter aquilo que achamos não existir. E se é difícil eu apaixonar-me por alguém, impossível é eu gostar tanto assim de uma pessoa, mesmo sabendo que quem me comanda é a cabeça. Esse é "O" feito.

Devo-o a ele.

 

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07
Mar19

Os meus auto-retratos

Muitas das fotos que partilho aqui e nas minhas redes sociais são auto-retratos. Já tinha falado disto aqui, neste post, mas nunca expliquei ao certo como o fazia e o porquê de o fazer.

Sempre que me dizem que sou muito fotogénica digo para não acreditarem em tudo o que vêem. Não sou pouco fotogénica, é verdade, mas as fotos que mostro ao mundo são resultado de muita paciência e persistência da minha parte de forma a tirar a fotografia, aos meus olhos, perfeita. Tenho sempre uma visão muito concreta daquilo que quero - do ângulo, do sítio onde me posiciono, do tipo de focagem - e pôr essa visão nas mãos de alguém, mais do que perigoso, é injusto. As pessoas não estão dentro da minha cabeça, não são obrigadas a ler e a perceber tudo aquilo que eu quero. Por isso, e em vez de ser chata e demasiado exigente com quem já me está a fazer um favor, desde há uns dois anos para cá que sou eu que tiro as minhas próprias fotos (a não ser em eventos ou qualquer outra ocasião especial).

Como? Escolho um fundo, trato da luminosidade - quanto mais, melhor, e de preferência sempre luzes amareladas (com luzes brancas fico com um ar de morta -, preparo o tripé, a máquina (tem de estar em modo automático, o manual vai interferir com a focagem, e com o modo de fotografia em controlo remoto) e o próprio comando (o que tenho não é da marca, que custam uma fortuna, mas dos comprados no ebay).

Depois é só disparar. E paciência caso os resultados não saiam brilhantes à primeira. Ou à segunda. Ou à terceira. Ou à 56ª vez. ;)

 

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A escolha do set é sempre essencial: não convém ter muitos ruídos. Normalmente fotografo sempre no meu quarto e fico sempre próxima da câmara, de forma a que fique eu focada e tudo o resto bem mais esbatido.

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O controlo remoto que mandei vir da internet. Não funciona às mil maravilhas (basta afastar-me a mais de metro e meio que ele começa a querer falhar) e os próprios materiais são fracos, mas serve para o efeito e o preço (perto de um euro) compensa imenso o investimento. O meu já tem uns anos e continua no ativo.

 

Neste caso, queria fotografar um momento fofinho com a Molly e o Panzer. Eis o resultado:

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Outros auto-retratos:

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Autoretrato_Agosto18 (9).JPG

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14
Fev19

Posso ser solteira? Por favor?

Já há muito tempo que vivemos numa sociedade em que estar solteiro é visto como uma coisa má. Mas hoje, mais do que nunca, isso se evidencia - a começar pelos programas de televisão, altamente empenhados em arranjar "a alma gémea" de qualquer um, utilizando métodos altamente inovadores e de eficácia, digamos, duvidosa. Vejamos: casar pessoas sem elas nunca se terem conhecido (Casados à Primeira Vista), fazer dates em restaurantes (First Dates) e dentro de carros (O Carro do Amor) ou juntar uma dúzia de miúdos dentro da mesma casa para ver quem se engata primeiro (Love on Top). Para vir estão outras maravilhas como os serem os pais a eleger o novo namorado da filha, escolher (ou, neste caso, eliminar) potenciais parceiros tendo por base o aspeto das suas partes iíntimas (Naked Attraction) ou ainda ter conversas muito intensas e profundas com um "match" enquanto estão deitados numa cama... usando apenas lingerie. Tudo formas maravilhosas de se conhecer a fundo uma pessoa, não é? 

É engraçado como toda a gente parece estar ansiosa por arranjar alguém mas depois desencanta as formas mais escabrosas e descabidas para o fazer. Os programas são claramente a nova moda, mas também podíamos falar do Tinder, do facebook e afins. Acho que o problema principal é o objetivo ser, à partida, encontrar alguém com quem ter uma relação amorosa - passa-se logo à frente uma possível amizade, logo aniquilada por se dar um passo maior que a própria perna. Mas estas são, provavelmente, as mesmas pessoas que se queixam de já não haver relações a sério, com um bom fundo, que é tudo feito com base em questões superficiais. Querem o quê, se os escolhem os outros pelo tamanho das mamas ou se põem o futuro nas mãos de produções de programas que nunca vos viram à frente?

Neste momento a pressão da sociedade para se arranjar um/a companheiro/a é de tal forma que nós quase que nascemos com essa ambição máxima. Já não precisamos que nos digam que só se é feliz quando se partilha a cama e a vida, isso já nos está embutido. A pressão é nossa. Não vale a pena dizer "deixem os solteiros em paz" quando são a maioria das vezes eles próprios quem mais se impõe para mudar de estado civil - e, aparentemente, agora vale tudo. Já não sabemos estar sozinhos.

Eu sou solteira por defeito - defeito por ter nascido assim, solteira, sem amarras (no sentido de default) e por não ter paciência, tolerância e disponibilidade (mental) para dedicar tanto tempo a alguém (no sentido de falha de personalidade). Vejo todo este fenómeno com alguma estranheza e, confesso, alguma impaciência. Já não tenho pachorra para quem me pergunta se tenho namorado, se anda "mouro na costa" ou quando têm claramente mais vontade de me ver casada do que eu própria tenho. E este Dia dos Namorados lembra-me sempre isto, esta necessidade contemporânea de atualizar o estado de uma relação no facebook e de partilhar fotos mimosas de mãos dadas.

Acho graça como tanta gente critica ultimamente o Natal, por se ter tornado numa festividade comercial, mas mal pensa nisso relativamente ao São Valentim, que não é nada mais do que comercial. É curioso ver como este é um dia que já temos muito enraizado na nossa vida, até mais do que alguns feriados. Quando olhamos para os nossos calendários em Fevereiro já sabemos que ali para o meio está o dia mais piroso do ano. E é de tal forma que não deixamos de o celebrar (penso que em grande parte por termos medo que a "nossa metade" fique triste por deixarmos passar esta data em branco).

E isto é um cliché, mas é verdade: o dia dos namorados, do pai, da mãe, dos irmãos e dos avós devia ser todos os dias. Não devíamos precisar de reminders para isso. E gastar 50 euros por cabeça num jantar só para provar que é amor serve de muito pouco. O mesmo se pode dizer daqueles peluches enormes, pirosos, que eventualmente vão acabar no sótão porque não há sítio melhor para os pôr. Ah, e das rosas, que pagamos neste dia ao quíntuplo do preço daquilo que pagamos nos outros 360 dias do ano (há que contabilizar o dia anterior ao dos namorados, cujas vendas aumentam à custa dos mais precavidos, e o dia da mãe e respetivo dia anterior, que segue a mesma lógica comercial). 

Não quero ser aqui a velha do Restelo, mas gostava de relembrar nascemos sozinhos e morremos da mesma forma - com ou sem anel no dedo, papéis assinados, com ou sem averbamentos na nossa ficha do registo civil. Acho bem que nos divirtamos pelo caminho e, quem quiser e tiver disposição, que o partilhe com alguém de quem gosta - mas esta pressa, esta necessidade quase absurda de se ter alguém faz-me muita comichão. 

Posto isto, resta-me desejar-vos um bom dia dos namorados. Para os comprometidos, para os que "é difícil", para os que têm amigos coloridos ou room-mates. E, claro, para os solteiros. Lembrem-se que os 50 euros que gastariam entre flores, jantares e bonecada dá para uma mariscada das boas. Não é bem a mesma coisa, mas dá para um orgasmo gastronómico. Digam lá que é mau? 

 

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30
Dez18

Em 2018 eu...

- Mudei de vida, despedi-me e agarrei no desafio de embarcar nas empresas da família;

- Voltei à universidade;

- Viajei sozinha pela primeira vez - o destino foi os Açores, e foi uma paixão que será eterna;

- Fui ao Brasil, à Áustria, à Eslováquia, à Hungria e à República Checa;

- Fui muito de força contra o vidro de uma janela;

- Voltei a ouvir o Salvador Sobral ao vivo - mas não pus os pés em nenhum festival;

- Estive ao lado da Molly o dia todo, enquanto esperei que nascessem os seus 8 bebés lindos;

- Fiz repas e adorei;

- Comprei um piano de cauda;

- Visitei Palmela, Serra da Arrábida, Sesimbra, Setúbal, Óbidos e Caldas da Rainha;

- Perdi-me no Gerês e fui praticamente ameaçada por uma daquelas vacas gigantes que lá andam;

- Fiz férias no Algarve - as piores dos últimos anos - e acampei em Oleiros;

- Fui a Baião comer um anho incrível com o pessoal do piano;

- Também foi com eles que fui ver o Yann Tiersen;

- Perdi o meu último avô;

- Comecei a dar aulas de piano;

- Deixei cair o meu telemóvel na sanita e estive mais de uma semana desligada dos eletrónicos;

- Decidi abandonar a Apple e comprar um Xiaomi;

- Comecei a usar óculos;

- Escrevi pouco e li ainda menos;

- No último terço do ano consegui retomar as minhas idas ao cinema;

- Ri-me imenso à custa da telenovela do Bruno de Carvalho;

- Fiz três Escape Rooms - só não saí de um;

- Comecei a fazer pó de imersão nas unhas;

- Vi a Casa de Papel e Narcos; continuei a ver a Anatomia de Grey, This is Us e The Good Doctor;

- Ri-me a bandeiras despregadas com o Casados à Primeira Vista;

- Vi mais um familiar nascer no meu dia de anos;

- Organizei todas as fotos dos meus avôs paternos e aprendi muito sobre a sua história;

- Só comi um pão com chouriço e não fui às festas da cidade;

- Fui à terra onde nasceu o meu avô e até conheci uma prima;

- Fui duas vezes ver a Avenida Q;

- Inscrevi-me num concurso de escrita criativa.

 

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16
Dez18

Caixa d'óculos

Já há alguns anos que sabia que via mal. Quando entrei na faculdade tínhamos de fazer umas provas, incluindo à visão, que deram - à primeira vistoria - uns resultados trágicos de apenas 70% de visão no olho direito. É lógico que eu não estava assim tão cegueta e aquele teste foi feito às três pancadas. Fui mesmo ao oftalmologista que me disse que, apesar de ver pior do tal olho, não era razão para alarme e que, caso não tivesse efeitos secundários, o uso de óculos era dispensável.

Passaram-se cinco anos desde essa altura. A primeira lembrança deste meu mal veio numa aula de piano. Estava no último teclado da sala e, para olhar para uma pauta projetada no quadro, fechava os olhos mais do que qualquer asiático. "Precisas de óculos, mulher!", gozou a professora. Pouco tempo depois comecei o meu curso executivo. Na fila do meio, os powerpoints liam-se com alguma dificuldade, mas tudo o que era escrito no quadro - principalmente a vermelho e a verde - passava-me ao lado. E as legendas do Netflix, mais pequeninas que o normal? Nos dias de maior cansaço, era um esforço extra. E aí eu soube que tinha chegado a altura. 

Durante este processo lembrei-me muitas vezes de uma história que vivi com a minha irmã. Certa vez, no Algarve, ao esquecer-se das suas lentes e tendo lá em casa umas compradas por uma das minhas primas - com mais dioptrias que ela -, decidiu experimentar. E, naquele momento, parece que entrou num mundo novo. "Eu vejo pó!", dizia ela, espantadíssima. Eu não cheguei a esse ponto, mas já não me lembrava do quão nítidas podiam ser as coisas. Vivia há já algum tempo num mundo esbatido.

Adaptei-me muito bem aos meus novos amiguinhos - só as primeiras três utilizações é que me deixaram um bocadinho confusa, mas resisti - e agora são-me indispensáveis na carteira, e muito mais em qualquer situação de aula. Não os uso sempre - só quando preciso ou conduzo à noite -, mas infelizmente apercebo-me que estou a ver gradualmente pior quando estou sem eles. Pelos vistos é normal, para mal dos meus pecados.

Cá em casa dizem que pareço uma professora. Eu ainda não sei se gosto ou não, mas não lhes ofereço qualquer resistência - sinto-me cegueta e um bocadinho incapaz quando não consigo ler coisas que antigamente via. Portanto é isto. Oficialmente caixa d'óculos.

 

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15
Out18

Posts entupidos

Não sei se já se aperceberam mas tenho uma série de pancas e manias que, por vezes, não consigo ultrapassar. Uma delas, no que diz respeito ao blog, é não conseguir escrever um post quando outro está por acabar. Isso acontece sempre mas nota-se mais quando estou a escrever diários de bordo: são textos que demoro sempre muito a escrever (pelo menos comparado com o meu padrão), porque implicam uma pesquisa constante nos meus apontamentos, nos itinerários e até noutras fontes (é frequente não saber o nome das igrejas e ando a vasculhar no google, por exemplo) e também uma boa articulação com as minhas fotos. Para além da organização do próprio post - ando muitas vezes com parágrafos e fotos para trás e para a frente para a publicação ficar mais coesa e de leitura mais fácil.

Como não gosto de publicar outros textos enquanto outros estão a ser (lentamente) desenvolvidos nos rascunhos, o blog pára. Num mês escrevi quatro posts por isso mesmo: não foi por falta de ideias ou inspiração - tenho a minha lista de ideias recheada - mas sim porque queria publicar tudo direitinho. Pancas!

E a verdade é que costumo ver sempre o custo/benefício neste tipo de medidas, pois já sei que os diários de bordo são coisas demoradas, o que vai em sentido contrário de uma das coisas que mais prezo aqui no blog: a regularidade das publicações. E a verdade é que o retorno que tenho não é suficiente para o tempo e o trabalho que me dá reunir toda aquela informação e o tempo que passo sem publicar nada. Mas faço destes os meus posts egoístas: canso-me enquanto os faço, "sai-me do pêlo" e privo-me de escrever outras coisas (e a vós de as ler), mas sei que daqui a um ano volto atrás e, enquanto os releio, faço uma autêntica viagem no tempo. Estes posts são melhores que qualquer álbum, qualquer pasta cheia de fotografias, qualquer site turístico. Tudo da minha viagem está ali. E, quando tenho saudades, volto atrás para os ler e é como se tivesse sido ontem.

Por isso desculpem este interregno. Espero ao menos que as anteriores publicações vos façam viajar comigo. Nos próximos tempos vou estar a "desentupir" a minha lista de posts, que foi ficando cheia ao longo deste último mês, que foi um autêntico turbilhão que virou a minha vida de pernas para o ar. Há muito para escrever nos próximos tempos.

03
Set18

Sobre uma tatuagem, a falta de coragem e de loucura

Há uns dias estava a rever o Inception e chamou-me à atenção uma frase que a personagem do Leonardo di Caprio diz à Ellen Page: as ideias, a partir do momento em que são implantadas na nossa cabeça, são como um vírus - não saem e tendem a propagar-se, neste caso dentro de nós.

Naquele momento lembrei-me da minha tatuagem - que ainda não é minha, porque não existe. Tive dia e hora marcada para a fazer, faz por esta altura um ano: mas fiquei tão agoniada, tão preocupada, tão atormentada com os "e se's", que desmarquei. Sei ao pormenor o desenho, o sítio; sei quem quero que ma faça, sei o preço, sei a morada; sei a opinião dos meus pais, sei que não adoram, mas sei que não vão deixar de dormir por causa disso. Sei tudo. Só não sei se quero um compromisso desses para o resto da minha vida. Mas também sei que a ideia não me sai da cabeça.

No dia em que a fizer, se a fizer, não quero dar aviso prévio; quero aparece e, oh!, já está. Não quero colher mais opiniões do que as que já tenho, não quero conspurcar a minha mente com ainda mais preconceitos com os que já lá existem - e a verdade é que tenho muitos, mesmo inconscientemente. Lembro-me que na altura em que tinha tatuagem marcada o tema surgiu várias vezes em conversas de família (sem que eu puxasse pelo assunto) e as vozes eram tão dissonantes ("odeio", "adoro", "nem pensar", "porquê mexeres no teu próprio corpo?", "é arte") que acabaram por implantar mais medos dentro de mim. O faz-não-faz estava a consumir-me tanto que deitei a ideia para trás das costas e desisti, ainda que desiludida comigo mesma. Senti (e ainda sinto, na verdade) que não a fiz por ter medo daquilo que os outros iam pensar e por recear as consequências que aquelas marquinhas podiam ter. E, caraças, isso não sou eu! Mas não queria ir contra a vontade dos meus pais que, embora me tivessem dado carta branca, torceram um bocadinho o nariz; tive medo de crescer e não querer ver aquilo no meu pulso; pensei no que os outros podiam pensar quando, numa reunião de negócios importante, o relógio deixasse ver que outrora eu decidi escrever algo em mim; tive medo de, depois de fazer uma tatuagem, querer fazer outra, como toda a gente diz que acontece.

Li muito sobre o assunto - não sobre a ciência de fazer as tatuagens ou os riscos, mas sim sobre o potencial arrependimento e as consequências sociais que ainda hoje existem caso queiramos mexer na nossa própria pele. Nunca cheguei a nenhuma conclusão. Passei sempre por períodos de certeza absoluta e outros de dúvida extrema - e mudava de estado em pouco mais de cinco minutos. Tive tanta certeza de que a ia fazer que tenho aqui, nos rascunhos, um post a descrever o porquê e a explicar a necessidade que eu senti de tatuar algo; mas também tive tantas dúvidas que cheguei ao ponto de desistir. Disse à tatuadora que, quando a fizesse, seria num ápice: decidir, ir e fazer. Não podiam haver muitos dias de hiato, não podia ser algo extremamente pensado (não mais do que já é, entenda-se). Mas isso também não é o que eu sou. 

Voltando ao di Caprio, a ideia é um vírus. Ficou em remissão durante uns meses, mas voltou em força desde a primavera. Faço-não-faço, a minha mente anda nisto tipo pêndulo. Olho para pessoas que admiro, que gosto (por dentro e por fora), e penso "caraças, a tatuagem que ela tem não afeta nada aquilo que penso dela". Mas sei que nem todos são assim. Sei que até eu posso mudar e odiar-me daqui a uns anos por um dia ter tatuado, de alguma forma, um período da minha vida. 

Pergunto-me se algum dia conseguirei tomar uma decisão e passar por cima de todos os argumentos - tanto racionais como emocionais - que se levantam sempre que penso nisso. Pergunto-me se algum dia terei coragem de me render a um compromisso tão grande (espero) como o período da minha vida. Por um lado gostava muito. Por outro... "e se...?".

11
Jul18

Um dia difícil, um mote de vida, uma experiência inesquecível e alimento para os peixes e para a alma

Tinham razão: vim para os Açores! Às seis da manhã de ontem estava a entrar para o avião que me traria a São Miguel enquanto fechava o livro que estou a ler no momento, "The Subtle Art of Not Giving a Fuck", de Mark Manson. Parei de ler numa altura em que ele falava da aceitação das experiências negativas, que nos traziam muito mais coisas melhores do que o desejo de coisas positivas. Não sabia que isso ia ser uma aprendizagem para aplicar no próprio dia.

Decidi há uns dias que ia nadar com golfinhos. Marquei, paguei, ouvi tudo com muita atenção e enfiei-me no barco com a convicção de que ia ter um dos momentos da minha vida. Achei que um dos melhores. Enganei-me só neste "pormenor". Mal o barco começou a andar eu soube que aquilo ia ser das coisas mais aventureiras que eu alguma vez tinha feito - e eu não sou aventureira nem gosto de aventuras. Não gosto de coisas em que não detenha o controlo da situação e eu soube que ali não ia poder controlar as coisas - mal sabia que nem o meu próprio corpo. A viagem até ao local onde estavam os golfinhos (talvez a vinte minutos) foi tenebrosa e dolorosa. Os salpicos e os tombos que tinham graça nos primeiros minutos, rapidamente se tornaram em algo horrível que eu só queria que acabasse. Eu já via golfinhos em todo o lado, só pedia a algo ou alguém que eles aparecem rapidamente para aquilo poder parar - até que eventualmente parou.

No início da viagem, o biólogo disse-nos, na brincadeira, "If you get seasick, don't feed the boat, feed the fishes". Todos nos rimos, eu também - eu, que me sentei no primeiro lugar do barquito, porque queria ter vista priviligiada para aquele momento inesquecível. "No topo do barco é mais bumpy", avisaram-me. Eu anuí. Já fiz dois cruzeiros, já andei em iates, em barcos de pesca, em barcarolas e barcos salva-vidas - não ia haver problema. Fi-lo de forma ingénua e quase inconsciente. É importante saber que eu adoro água, adoro mar e tenho medo de muito pouco neste âmbito e nunca pensei que aquilo fosse correr de outra forma que não maravilhosamente bem.

Mas o barco parou e eu passei a saber que aquilo não ia correr bem. Vomitei tantas vezes quantas a embarcação parou para nos deixar sair; vomitei o pouco que tinha no estômago e aquilo que não tinha. Talvez nunca na vida me tenha sentido tão indisposta. Saltei uma vez para a água, muito agitada, e não vi bicho algum. Saltei a segunda, já com menos conteúdo no estômago do que na vez anterior e lá os vi nadar por debaixo de mim e voltei ao barco, afirmando-me derrotada. Não conseguia saltar mais, tinha medo de desmaiar na água. Ia vendo os golfinhos passar, ia ouvindo os relatos de quem chegava ao barco, os "uau"'s, as vozes de quem tinha tido a experiência de uma vida. E eu a lutar ativamente para não cair para o lado. Só queria ir para terra.

Feliz e infelizmente, os meus colegas de atividade não se deixaram perturbar pelo que me estava a acontecer. Apesar de altamente desapoiada, o meu infortunio não os impediu de se divertirem - embora, calculo, nunca seja agradável ver alguém a vomitar de cinco em cinco minutos. Percebi rapidamente algumas das vantagens e desvantagens de viajar sozinho: por um lado, não preocupei ninguém; por outro, estava sozinha ali, a sentir-me nas posições mais vulneráveis da minha vida, e ninguém quis saber. Levei a GoPro mas não consegui tirar uma só foto. Cheguei a um ponto em que duvidei da minha capacidade de me levantar. Fiz a viagem de regresso toda de olhos fechados, sem energia para pestanejar, e com a minha cabeça com dois pensamentos em loop: a música do Boss AC "tu és mais forte e sei que no fim vais vencer" e a frase "TU NÃO PODES DESMAIAR". Só me ocorria aquilo que aconteceria se eu quinasse, que iria de certeza envolver ambulâncias, chamadas de urgência para os meus pais que ficariam em pânico e todo um caos que eu não queria provocar. Soube que desmaiar não era opção.

Não sei como, mas aguentei-me. Saí do barco com o meu próprio pé, a tremer como se estivesse dentro de mim um terramoto de magnitude 10 na Escala de Richter. Ativei o instinto racional, prático e de sobrevivência e sobrevivi.

Não sei o que provocou tudo isto. A velocidade do barco não ajudou, a maré agitada muito menos, assim como o lugar que escolhi na embarcação. Foi uma sucessão de coisas más. Não foi um mal estar médio, foi algo quase totalmente incapacitante. Eu não queria saber dos golfinhos para nada e, quando umas horas depois consegui recuperar, senti uma tristeza horrível: queria tanto aquilo e, no fim de contas, tudo o que desejava era ir embora. Não se trata só de ser um dos piores momentos de que tenho memória da minha vida, mas também da frustração de não ter tido dos melhores momentos da minha vida.

 

"The desire fore more positive experience is itself a negative experience. And, paradoxically, the acceptance of one's negative experience is itself a positive experience".

The Subtle Art of Not Giving a Fuck

 

Comecei nos Açores com o pé esquerdo. Tenho a prova nas costas, no rabo e nas pernas, onde tudo está pisado; no estômago, que ainda não normalizou; e na memória, que ainda treme só de pensar no que aconteceu. Mas que se "fuckem" os golfinhos, o barco e quem não me ligou nenhum. Caraças, o dia de hoje foi brilhante, esta ilha é incrível e eu estou feliz e bem de saúde. Não consigo não deixar de desejar experiências positivas, mas aprendi com a negativa. Já levo bagagem desta viagem, e não estou a falar da do porão. Ontem alimentei os peixes, hoje alimentei a alma e tudo valeu a pena.

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