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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

19
Jan19

Ontem foi dia de Grease

Depois de o ano passado ter ido ver a Avenida Q - acho que faz mesmo um ano por esta altura - ontem voltei a ir a um musical, assinado por uma produção portuguesa. Fiquei logo entusiasmada quando há uns meses vi que o Grease ia entrar em cena, mas na altura só havia sessões no Estoril; mal vi que vinham ao Coliseu comprei logo bilhetes, para mim e para os meus pais. É hipócrita da nossa parte ansiarmos por ir ver espetáculos deste género no estrangeiro e cá não darmos sequer uma hipótese.

Devido a um bicho chamado "gripe" que se instalou sem pedir licença aqui em casa, os meus pais viram-se obrigados a ficar no sofá e eu cravei a minha irmã e o meu cunhado para virem comigo assistir ao espetáculo (eu própria saí de lá a achar que ia ficar acamada o resto da semana, com dores em todo o corpo e o nariz mais entupido que uma canalização com mais de 50 anos - entretanto recuperei, é só uma constipação mais pesadota). Isto para dizer que houve momentos, naquelas duas horas e meia (com intervalo incluído), que desejei muito ir para casa, cobrir-me com mantas e engolir dois Cêgripe, por isso não estava nas melhores condições para desfrutar amplamente do espetáculo. Ainda assim, gostei muito e valeu o esforço de sair de casa!

Acho que apesar da estrela da companhia ser o Diogo Morgado - que interpreta o papel do John Travolta muito bem, mas cuja voz não é incrível - acho que é a Mariana Marques Guedes quem leva daqui o papelão. Para além de ser linda, canta e dança maravilhosamente. Muitas das personagens são mesmo muito parecidas com as da peça, e a linguagem é muito jovem e informal. A peça é toda falada em português, só as músicas é que são tal e qual as originais - coreografias incluídas.

Aliás, esse é para mim um dos pontos fortes da peça: a encenação e a coreografia, para além da boa capacidade que todos os atores tinham de cantar. Em todos os trabalhos se evoluiu para um multi-tasking, já ninguém faz só uma coisa: um jornalista escreve, edita vídeo e som, uma secretária sabe tratar da agenda, dos emails e trabalhar com o programa de contabilidade, um operário já não trabalha só com uma só máquina. E, neste sentido, também os atores evoluíram: já não são só atores, têm também outras valências e está na altura de lhes dar outras oportunidades, acima de tudo aos mais novos, que já nasceram neste contexto. Ainda existe muito o preconceito de que este tipo de coisas, em Portugal, nunca são boas ou bem feitas - a típica mentalidade de português, que só o que é de lá de fora é que é bom. E assim vai continuar a ser, se não se venderem bilhetes e se não dermos uma oportunidade.

O único ponto fraco que encontrei ontem foi ao nível do som: por vezes pouco nítido nos momentos em conjunto e, nas cenas das mulheres, extremamente alto e agudo (saí de lá a odiar duas das personagens por quase me terem rompido o tímpano). De resto, é de louvar que uma nova produtora (e não só o La Féria, de quem não me confesso muito fã) se aventure nestes caminhos, claramente difíceis num país como o nosso. Mas a verdade é que se ninguém tentar, nunca vamos conseguir. 

Não sei se o espetáculo vai continuar em cena em algum sítio do país, mas se assim fôr, aconselho. E, claro, espero por mais. Nada como um musical para nos animar uma noite, ainda que estejamos a chocar uma gripe. Sair a cantarr "you're the one that want! Uh uh uh!", não sendo a cura, é sempre um bom remédio ;)

 

IMG_20190119_001216.jpg

05
Jan15

Sobre um espetáculo de magia e a realização dos sonhos

Ontem fui ver o Helder Guimarães à Tertúlia Castelense. Para quem não sabe, o Helder é um mágico de cartas (uma vez campeão do mundo e duas vezes considerado o mágico do ano - Parlour Magician of the Year) que é aqui do Porto e emigrou para os EUA em busca do seu sonho: ser mágico. E - como se vê - conseguiu! Woody Allen, Ryan Gosling, Steve Martin, Jimmy Kimmel, entre outros já viram o seu espectáculo em Hollywood. Ainda assim, Helder diz que o melhor palco de todos foi onde atuou ontem... bem mais pequeno e minimalista que os de Hollywood... mas que cheira a casa.

Foi a primeira vez na vida que vi um espetáculo de magia ao vivo, embora sempre tenha apreciado esta arte, e visto vídeos na televisão e na internet. Devo admitir que a aprecio de forma diferente da maioria: gosto muito de ver os truques, mas gosto ainda mais de perceber como se fazem (já sei que vão dizer que isso estraga a magia do espetáculo, mas são gostos e curiosidades). Ontem, no entanto, dediquei-me exclusivamente a apreciar o espetáculo e sentir-me verdadeiramente privilegiada por estar ali, naquele grupo tão restrito de pessoas e a ver algo que nunca mais seria repetido. O Helder é um mágico divinal, que mexe nas cartas de uma forma verdadeiramente mágica, com um sentido de humor apuradíssimo e que não deixa ninguém indiferente por ser tão igual a todos nós mas, ao mesmo tempo, tão peculiar.

Ontem saí daquela sala muito inspirada e cheia de vontade de escrever - mas o computador já estava desligado e o sono era demasiado para dar uso à caneta, ainda para mais com uma gripe em cima. O que tinha para dizer era que aquela noite se tinha resumido a muito mais do que cartas, truques e magia, mas tinha sido sim uma fonte de inspiração imensa. O Helder é a personificação de um sonho tornado realidade. A prova de que o trabalho e o esforço compensam e que, com uma ajuda da sorte e de um grande talento, podes chegar onde queres. Mesmo sendo português e tendo de emigrar para a América, onde acham que Portugal é um país do terceiro mundo onde não há, por exemplo!, eletricidade (uma das várias peripécias e calinadas que ele foi partilhando ao longo do espetáculo).

Fez-me pensar em mim e na minha escrita; nesta coisa dos sonhos, de que tanto falamos, mas que tão poucas vezes pomos em prática. Porque dá trabalho, dá dores de cabeça, às vezes traz consequências dolorosas: meios para atingir um bem maior. Traz expectativas atreladas: as nossas e as dos outros (qual delas a pior?).

O meu pai, por exemplo, diz que para mim exige pouco. Posso fazer o que quiser da minha vida, só tenho é que, um dia, ganhar o Nobel da Literatura (coisa pouca, hun?). Rio-me sempre quando me diz tal coisa - embora o repita vezes sem fim, talvez para me ajudar a acreditar. E depois de uma noite como a de ontem, às vezes, numa réstia de esperança bem lá no fundo de horizonte, até penso que possa ser verdade. Um Nobel até que era giro.

 

helder.JPG

 (Foto: http://www.tertuliacastelense.com/magia-helder-guimaraes-tertulia2015/)

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