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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

04
Jun18

Mais um dia na luta

Carolina

Acho que corria o mês de Janeiro quando voltei ao ginásio. No último post que escrevi sobre o assunto (algures em Outubro do ano passado), terminei com a frase "se isto sobreviver ao Natal, sou uma mulher feliz." Pois que não durou. Lá para o fim de Novembro, quando me meti no meu projeto Natalício, larguei (quase) tudo para me dedicar a isso, e o ginásio foi uma das coisas condenadas. O resultado não foi bom: nesse mês, de tanto estar sentada e parada, engordei perto de quatro quilos. Por azar, tinha uma consulta na nutricionista do ginásio poucos dias antes do Natal, onde constatei esse facto (o peso), que até aí desconhecia. A rapariga não foi branda - muito pelo contrário, achei-a rude e com muito pouco jeito para abordar uma questão que todos os nutricionistas deviam saber ser sensível - e eu fiquei em choque.

Tenho sorte em muitas coisas na vida, mas esta não é uma delas. Não tenho uma boa genética, nem um bom metabolismo; uso a comida como conforto em momentos de maior stress e gosto muito pouco de cenas verdes e hiper saudáveis; as dietas comigo só resultam se forem levadas ao extremo ou com auxílios externos; e o gosto de fazer desporto não está no meu ADN. Isto tudo é um mix perigoso, até porque basta olhar para a minha linha genealógica para ver o possível resultado (que é grande, se é que me entendem). E eu tenho pânico de ficar assim. Sofro com isso constantemente e todos os dias me olho ao espelho e penso que nunca me posso desleixar até aquele ponto. Mas, por outro lado, sei que o desleixo não tem de ser grande - basta "um bocadinho assim" para as coisas saírem dos eixos. Bastou um mês embrenhada num projeto para ganhar quatro quilos no lombo.

Então em Janeiro tentei controlar a boca e atirei-me ao ginásio. Quanto à primeira parte, é um caso difícil: o meu pecado tem um nome e chama-se "pão", que é provavelmente o alimento que eu mais gosto na vida. Para além disso, como doces esporadicamente (ainda que, dentro do conceito do esporádico, talvez mais vezes do que devia). Mas não bebo álcool, não tenho night cravings, não ponho açúcar no chá (e não bebo café, onde aí sim, preciso de açúcar) e portanto fica difícil cortar nessas coisas básicas, uma vez que não existem. Quanto ao ginásio, foi uma vitória: fiz um grupinho com alguns membros da minha família e lá íamos nós, tias e primas da vida airada, suar as estopinhas para uma aula qualquer onde tínhamos de saltar para cima de caixas (eu não salto, subo, porque tenho muito amor aos meus dentes), fazer burpees a toda a hora e coisas que tais. Comecei a fazer calo. Caraças, nunca fiquei tão orgulhosa de um calo! Achei mesmo que isto ia de vento em pôpa, já me sentia bem mais confiante.

Porque a questão aqui está no equilíbrio. Eu não sou obcecada pelo meu peso - mas tenho claramente uma panca com aquilo que vejo ao espelho e nas fotos (que nem sequer sei dizer se é, ou não, uma visão real e fidedigna daquilo que eu sou). Isto quer dizer que se eu estiver mais pesada mas visivelmente mais magra e/ou tonificada, é na boa; não é o peso que me importa. Para além disso, trata-se também de tentar fazer uma boa gestão de expectativas. Há uns anos para cá, sempre que me inscrevia no ginásio sonhava com o corpo perfeito: (acrescentar aqui tuuuudooo o que detesto no meu corpo e que gostava de mudar, mas que não vou escrever porque isso ocuparia uma folha A4 inteira). Depois, quando eventualmente desistia e me via praticamente igual, era uma desilusão. E quando comecei esta empreitada, fi-lo consciente de que não ia nunca ter o corpo que sempre quis. Só queria melhorar um bocadinho, naquilo que fosse possível - embora isto já seja admitir quase uma derrota à partida. Mas a verdade é que à medida que vamos fazendo e nos vamos entusiasmando, até pensamos "se calhar até consigo aniquilar aquele músculo do adeus". E as expectativas vão aumentando. Lembro-me bem de sentir a minha auto-motivação durante as aulas, de estar a sofrer horrores, de chegar ao ponto de querer chorar, e de pensar que ia conseguir olhar para uma foto na praia e não ter vergonha de mim mesma. E por isso continuava, até ficar mais vermelha que nem um tomate, a deitar os bofes de fora e de em alguns casos até me sentir a cair para o lado. A levantar pesos, mesmo sabendo que os meus trapézios estavam a gritar por socorro; a ter dores horríveis nos dias seguintes, a lidar com as contraturas nas costas diariamente, ao ponto ir fazer uma massagem para me aliviar a pressão (e quem me conhece sabe que, para eu ir fazer uma massagem, é preciso muito). Caraças, houve uma aula em que saí feliz, contente e satisfeita! Foram uns três meses nisto. Até ao dia.

Começou com uma amigdalite chata, meia gripe, que me deitou abaixo e me deixou sem forças. Depois meteram-se umas complicações no trabalho, que resultaram em horários mais alargados. E, nisto, foi-se o hábito, foi-se o grupo, foi-se tudo. Voltaram os medos. A vergonha. O pânico de ficar disforme, de não caber na roupa. A auto-depreciação. E, pá, eu sou muito boa nisso. Chateio a única pessoa que me ouve (a minha pobre mãe, cansadinha das minhas pancadas), choro as pedras da calçada. Não sei se somos donos do nosso próprio destino, mas sei que temos algo a dizer sobre ele - e eu estou sempre num limbo, entre aceitar que sou assim e de querer mudar a toda a força. Até porque há coisas que eu sei que não mudam (pelo menos sem bisturis pelo meio), porque fazem parte de nós: não há como deixar de ter uma anca larga, uma perna grossa. Mas ter de aceitar essas e querer mudar as outras é um meio termo difícil de alcançar. E mais difícil ainda é o caminho que é preciso percorrer para chegar a qualquer uma delas.

Na altura daquela polémica da Carolina Patrocínio, que andava a subir escadas no ginásio dois dias antes da filha nascer e que depois apareceu linda na sala de partos, eu tinha um post escrito mentalmente para aqui colocar. A primeira coisa que eu lá tinha era uma palavra de apoio à minha homónima, porque também eu gostava de me sentir bonita naquele que dizem ser um dos dias mais felizes na vida de qualquer pessoa; e a segunda é que tenho uma inveja horrível da força da vontade e motivação daquela mulher. E quem diz Carolina Patrocínio diz, por exemplo, Isabel Silva. Lá terão os seus defeitos, mas caraças, acordam com as galinhas para ir treinar, fazem instastories pelo meio e ainda saem de lá felizes. Quem me dera a mim ter metade dessa força.

Ainda assim, continuo a tentar. Um mês e meio de sedentarismo depois, hoje voltei ao ginásio. Este post era só mesmo para assinalar isso.

12
Out17

Ir ao ginásio é uma autêntica montanha-russa

Carolina

Eu admiro profundamente quem vai ao ginásio e gosta. Porque ter a força de vontade de ir ao ginásio de forma regular já é algo louvável, mas gostar de lá ir é todo um outro nível. E sim, fala-vos a voz da inveja. Porque embora eu não tenha grande vontade de ir ao ginásio, lá vou aparecendo... mas gostar de lá ir é algo que eu queria mesmo ser capaz. Queria tanto, tanto, tanto sair de lá e dizer "uf, mal posso esperar por cá vir amanhã!". Mas não é isso que acontece.

Não é possível explicar os meus sentimentos em relação a este espaço de uma forma sucinta. Numa só hora eu passo por uma série de estados emocionais, que não fazem de mim uma bipolar mas sim algo parecido com uma tripolar, quadripolar ou, até talvez, pentapolar. Quando entro, apesar de ter pouca vontade, vou esperançosa; quando começa a aula e eu percebo que até consigo fazer os exercícios e estou cheia de energia, sobe em mim todo um entusiasmo exagerado e durante vinte e dois segundos passam pela minha cabeça coisas utópicas como "é este ano que eu vou ficar em forma!" ou "isto está a correr mesmo muito bem"; depois as minhas pernas começam a tremer como varas verdes e eu começo a vacilar, a sentir que não sou capaz, e na escala emocional eu já estou num seis em dez, algo pouco positivo; entretanto chega aquele exercício que já repetimos quatro vezes, que tem vindo a aumentar de dificuldade, e eu já não consigo mesmo mais e sou obrigada a parar - e eu detesto parar, mostrar parte fraca - e a escala emocional começa a subir por ali acima e eu só quero chorar por não conseguir; a cinco minutos do fim, quando o professor diz "só faltam mais duas séries!", todo entusiasmado enquanto eu já escorro suor pelas orelhas e estou mais vermelha que um tomate maduro, só quero atirar-me para o chão como uma criança birrenta e perguntar "porquê que o tempo não passa? como é que eu me meti nisto? porquê que eu voltei a fazer esta aula?!"; só quando saio do ginásio, ainda com as hormonas e as emoções aos saltos, é que penso "ao menos já posso comer mais um bocadinho" e a coisa ameniza. 

Sei que o que me dá força para continuar é, de facto, a ideia de poder comer e não me sentir balofa - e ter um gym buddy, a minha tia, que me dá força para ir a estas aulas do demónio, que eu só faria uma vez na vida se alguém não me convencesse a voltar. Para além de que eu tenho uma característica que detesto - e que até me assusta - bastante: se me olhar ao espelho depois de ir ao ginásio, acho que a imagem que vejo é muito mais simpática do que num dia que não vá ou, pior, em que tenha feito não sei quantas asneiras alimentares ao longo do dia. E eu sei que isto é psicológico, porque as diferenças não são imediatas, e porque eu sou relativamente estável a todos os níveis: peso (mais do que queria), flacidez (claramente demasiada) e forma física (de uma fora geral: lontra).

Mas enfim, fico sinceramente orgulhosa de mim por, apesar desta autêntica montanha russa de sentimentos, continuar a ir. Acho que ainda não tinha dado a boa nova sobre o meu retorno (ou, pelo menos, tentativa) à vida saudável - que, para além do ginásio, inclui até marmitas ao lanche, a minha maçã cozida, proteínas sem hidratos ao jantar e essas coisas todas -, e estou a empenhar-me seriamente para fazer disto a rotina e não a excepção. Lembro-me perfeitamente de que o ano em que me senti melhor, a todos os níveis (tanto físico como psicológico), foi quando fazia exercício e tinha mão na minha alimentação, por isso estou a fazer um esforço para voltar - tendo em conta que a minha tentativa o ano passado, no ginásio perto do trabalho, foi um flop mais do que gigante (ao ponto de eu até ter vergonha de o mencionar ou sequer de o lembrar...).

Entretanto, ter o bullet journal também tem sido um incentivo: uma das minhas métricas é a contabilidade das idas ao ginásio, por isso é giro (e bom) monitorizar quando lá vou. É fácil perceber quando me baldei (e recriminar-me por isso) ou então ver semanas onde me empenhei (e ficar feliz). Acho que para quem é como eu, é uma boa dica para não faltarem. E pronto, vamos ver até quando dura a boa vontade e a vida de lontra não vem ao de cima. Se isto sobreviver ao Natal, sou uma mulher feliz.

23
Abr17

O problema de sempre

Carolina

Chateia-me escrever este post, porque sinto que me estou a repetir. Ainda que por outras palavras, já o escrevi: e de cada vez que o escrevo, é quase o admitir de mais uma derrota. Mas há coisas na vida que são tão constantes como a nossa sombra - nunca desaparecem e nunca saem da nossa beira e esta é uma delas: a péssima relação que tenho com o meu corpo.

No que a isto diz respeito, vivo constantemente numa relação precária e instável: e tem pouco que ver com os números da balança ou até daquilo que se reflete no espelho. O problema é mesmo aquilo que o meu cérebro processa quando vê a imagem do meu corpo refletida, que depende não do meu peso, mas do meu estado de humor, da quantidade de exercício que fiz nos últimos tempos e daquilo que eu comi. Consigo perceber, racionalmente, que não tenho o corpo que queria; mas também sei que há muitos momentos em que me acho gorda e sei que não o estou. Simplesmente não estou como quero ou como me desejo.

Outra coisa que aprendi nos últimos anos é que não vou chegar, nunca, a ter esse corpo: mesmo que me apaixonasse subitamente pelo exercício físico, por saladas, super alimentos e coisas que tais. Porque o corpo que desejamos nunca é o corpo que temos. De qualquer das formas, a questão nem se põem: eu não consigo gostar de ir ao ginásio, de fazer exercício. E eu juro que já tentei! Passei uma fase mais estável aqui há uns anos, mas desde que o meu ginásio fechou, nunca mais consegui estabilizar; o outro onde andei era longe de casa, em dias de trânsito demorava meia hora a lá chegar e a situação tornou-se incomportável. Com este, fiz uma escolha errada: preferi escolher um mais perto do trabalho, com um horário de aulas que inicialmente me parecia apetecível, mas que acaba por não funcionar com o tipo de trabalho que tenho e a pouca força de vontade que me move. Para além de que comecei com o pé esquerdo, com umas aulas de PT que continuo a preferir nem sequer me lembrar. Infelizmente trata-se de um ginásio com fidelização e o meu dinheiro continua a voar sem eu lá pôr os pés há meses e sem encontrar grande solução à vista ou vontade de voltar.

O que é estúpido, porque quando estamos descontentes com uma coisa o mais lógico é lutarmos para contornar essa situação. O problema - no meio de tantos outros - é eu detestar o ginásio quase tanto como detesto os defeitos do corpo que me carrega a alma. É eu ter vergonha de ser aquela que se atrapalha sempre a fazer tudo, é eu ter vergonha de não conseguir pegar num peso mais alto enquanto toda a turma pega naquilo com o mindinho, é eu ter medo de cair do step (como já caí), é eu não gostar que olhem para mim nem mesmo quando é para me corrigirem posições corporais, é eu ter vergonha de ser a primeira a desistir de um exercício porque já não aguento mais. O problema são muitos pequenos problemas, que são autênticas bolas de neve.

E não adianta dizerem que nos ginásios cada um olha por si, e que não faz mal em ser trapalhona e fraquinha e tudo mais: porque eu posso ser neurótica, mas sinto-me sempre observada. E, enquanto observada, mais fraca. Fragilizada. Sinto-me no meu pior, ali. Mas também não vale a pena afirmarem que eu estou óptima, porque eu sei que não estou - e, acima de tudo, sinto que não estou.

Aos meses que ando nisto, a tentar desfazer os nós deste novelo que me consome a alma e que anda com a minha auto-estima de arrasto pelo chão: ao ponto de querer que chegue o bom tempo, mas não ter a mínima vontade de pôr dentro de um vestido ou de um fato de banho. Sinto que já disse demasiadas vezes "é agora", sem nunca conseguir avançar significativamente: e por isso é que este post é o admitir de mais um falhanço. Tenho vergonha. Mas pior do que ter vergonha, é olhar para o baralho de cartas que disponho à minha frente e não ver grandes jogadas para onde me mover e ganhar o jogo. É pensar: "ou tens uma injeção de força de vontade para saíres daqui ou deixas-te ficar" - e não quereres nem uma, nem outra. É a escolha entre o conforto do comodismo e da infelicidade ou da motivação, das dores, dos possíveis dias maus, dos metros longe da zona de conforto e dos potenciais resultados. É escolher sempre por um caminho que nunca vai saber bem: ou pelo fim ou pelo meio para atingir o fim. 

04
Fev17

Eu e as bolas, uma relação pouco feliz

Carolina

Há uns dias fui buscar os meus sobrinhos ao colégio. A Clara estava no ginásio, onde tinha tido uma aula, e eu fui busca-la à ponta oposta do salão - tive por isso que passar, ainda que bem rente à parede, por todas aquelas bolas em pleno vôo na eminência de embaterem contra mim. Sim, porque é isso que as bolas fazem e sempre fizeram durante toda a minha vida - porque se acham que a gravidade puxa tudo e todos na direção do chão, estão enganados. Tal como todas as regras, esta também têm uma excepção: quando eu estou por perto, a força gravitacional das bolas não é em direção à terra mas sim à minha pessoa o que, como devem imaginar, é um bocadinho chato.

Desde que me lembro de existir que sofro com este drama. Aliás, educação física sempre foi O real drama da minha vida - aqueles 45 minutos ou hora e meia, duas vezes por semana, assemelhavam-se ao inferno na terra. Não sei contar a quantidade de vezes que caí, que falhei, que escorreguei, que apanhei com uma bola nas trombas: mas acreditem quando vos digo que foram mesmo muitas. Lembro-me de, no primeiro dia de aulas do sétimo ano - com professores novos, turma nova, numa escola nova - me esforcei tanto para me sair bem na corrida de estafetas que comecei a avançar com o corpo gradualmente para a frente, na esperança vã de correr mais rápido, até que me espetei contra o chão. Fui literalmente de cabeça, ao ponto de ficar com um olho negro. E isto foi só no primeiro dia do sétimo ano, por isso imaginem os anos mágicos que se seguiram.

Mas enfim, já passou. Lembro-me que mal saí daquela escola pela última vez, apesar de estar triste e das saudades durarem até hoje, o meu primeiro pensamento positivo foi "nunca mais na vida vou ter educação física!". E a verdade é que saí há quatro anos do secundário e sinto que no último ano a minha vida mudou totalmente - e eu obrigatoriamente com ela. Às vezes a vida dá tantas voltas que, de tão "ourados" que ficamos, nos esquecemos dos pequenos detalhes em que tudo está igual.

Naquele dia em que fui buscar a minha sobrinha ao ginásio da escola, entrei e cheirou-me logo a borracha; ouvi aquele som familiar das sapatilhas a escorregarem pelo chão e as quedas dos saltos mais aparatosos. E, claro, ouvi e vi as bolas a embaterem contra o chão, as paredes e as tabelas. E, caraças, naqueles segundos em que todo aquele ambiente me refrescou a memória e me lembrou dos velhos tempos, percebi que por muito que cresça... vou continuar sempre a ter medo de bolas.

17
Nov16

Adeus PT!

Carolina

Ahhh, quinta-feira, esse dia maravilhoso em que tenho treino com o PT! Foi hoje. E foi o último, que eu fiz questão de - a meio da aula, esbaforida, frustrada, irritada e tudo mais - lhe dizer que para a semana não podia contar comigo. Andei a semana toda a remoer isto. As minhas olheiras? Foi do que não dormi enquanto andava às voltas na cama, enquanto pensava em como descalçar esta bota. A minha ansiedade? Exatamente pela mesma razão.

Eu não sou uma desistente. Detesto desistir do que quer que seja, custa-me muito dar parte fraca, baixar os braços e dizer "não consigo". E apesar de na semana passada tudo o que eu quis fazer, em todos os minutos daquele treino, foi dizer "chega", obriguei-me a continuar. Esforcei-me muito para, durante estes dias, ter uma atitude positiva em relação ao próximo PT - ou, pelo menos, não pensar no assunto. Mas o nível de desconforto e a frustração que sinto nos treinos supera qualquer tipo de orgulho próprio e eu percebi que toda esta questão estava a mexer comigo mais do que era suposto.

Se por um lado evito desistir, porque se há rótulo que não quero ter em cima de mim é o de desistente, por outro tinha de pôr as coisas na balança e perceber se os níveis de ansiedade que estava a atingir compensavam tudo isto. E a resposta foi fácil: não, não compensa. Estou numa fase maravilhosa da minha vida, em que gosto do que faço, em que supero barreiras todos os dias, em que me orgulho de mim mesma e trabalho para tudo o que conquisto. Este é dos poucos momentos, até hoje, em que acordo feliz por acordar e com vontade de derrubar tudo o que me apareça à frente e conquistar o mundo. Mas tudo isso desapareceu esta semana, porque tinha ali um drama num determinado dia da semana que eu não estava a conseguir saltar e que me arruinava os dias, por eu não ver nenhuma solução que me agradasse: ou parava e era uma desistente, uma #lontra para a eternidade, ou continuava, em prol de um corpo que provavelmente nunca vou ter, prolongando este desconforto e ansiedade por tempo indeterminado.

Custou-me afirmar que não ia mais, mas aproveitei um momento de explosão da minha parte para dizer tudo o que precisava. Sei que tudo isto remonta a muitos problemas que tenho e tive: eu sempre fui um desastre a educação física, sempre fui gozada, sempre fui a última ser a escolhida para as equipas, sempre fui a menina que fica no banco de substituição, sempre fui aquela que fica com o professor porque não tem par ou que fica num trio, a "incomodar" os outros dois. Estas "brincadeiras" deixam marcas - e não são superficiais. E acho que, também por isto, me custa ter alguém a supervisionar-me quando estou a fazer algo em que sempre fui péssima - e que está sempre a apontar-me erros, sempre a esperar mais de mim. Porque a verdade é que eu estou sempre a falhar, sempre a não conseguir, sempre a cair, sempre a não levantar. Numa só hora, dou por mim a bater em murros consecutivos - ultrapasso os primeiros mas chego ao fim exausta, sem conseguir ultrapassar nem mais um. E isto reflete-se tanto física como psicologicamente: as pernas tremem-me tanto que eu não me consigo sequer equilibrar, as posições já são tão "frágeis" que um só toque serve para eu cair; e eu saio perfeitamente derrotada, com a mentalidade de que não consigo fazer nada da minha vida.

Ninguém pode dizer que não tentei - tentei por pouco tempo, mas tentei. Não pus um pé fora da minha zona de conforto: dei um triplo salto. E sim, saí fora da caixa, não aterrei bem. Talvez não fosse o PT certo ou o timing correto. Mas esta vida é feita de escolhas e elas decorrem muitas vezes das prioridades de cada um. Sei que o "sonho" de um corpo (um pouco mais) perfeito e de um postura correta volta a ser adiado, se calhar até para sempre, porque não será de ânimo leve que me meto noutra. Mas não há nenhuma barriga lisa ou glúteo definido que valha tamanha ansiedade e desconforto como o que senti nestes treinos. 

10
Nov16

E então como correu o treino com o PT?

Carolina

Olhem, foi do demónio e eu só pensava em como preferia ser gorda para o resto da vida. Saí do ginásio arrasada, tanto física (não conseguia descer sequer as escadas) como psicologicamente. É claro que não esperava maravilhas, muito menos no primeiro treino - tentei nem sequer pensar no assunto para não stressar, porque sei que se me pusesse a pensar muito acabaria por recuar - mas foi ainda pior do que esperava.

Foi duro fisicamente porque eu estou em péssima forma física - mesmo quando não estou, nunca faço treino funcional, pelo que é sempre difícil para mim. O problema é que aqui, ao contrário da aulas de grupo em que não temos sempre uma pessoa a olhar para nós, não podemos pôr um joelho à socapa no chão quando já não aguentamos mais estar em prancha; não podemos fazer só uma repetição enquanto os outros fazem duas só por o professor estar a olhar para o outro lado. Por isso, sempre que não aguentamos mais, é como admitir uma derrota. E eu hoje não aguentei muitas vezes. Cheguei ao ponto de estar com vómitos por causa do esforço - e, como é óbvio, estou-me borrifando se esse esforço é muito ou pouco comparado com os outros. Não quero saber se não tenho barra, se tenho 2 quilos ou 5 - se estou aflita e se tenho os meus limites, é aí que uma linha é traçada; detesto que me rebaixem por causa disso. "Mas não aguentas com uma barra de 2 quilos? Isto não pesa nada!". Sim, aguento, principalmente se for para a mandar ao focinho de alguém - caso contrário, quando tenho os músculos todos a tremer, mal consigo andar e não tenho um incentivo suficientemente bom como agredir alguém que me está a irritar... não, não aguento.

Para além do mais há a componente do contacto físico que a mim me transtorna. Eu tenho um problema com o toque - não gosto que me toquem, não gosto sequer que estejam muito perto de mim. E ter alguém sempre a empurrar-me, puxar-me, esticar-me e sei lá mais o quê... mexe-me seriamente com o sistema. É algo que eu sei que a maioria das pessoas (também conhecidas como "normais") não sente, mas que para mim é uma questão do dia-a-dia e que não é fácil de ultrapassar, pelo que é mesmo uma questão essencial para mim.

Acho que nós, humanos, temos a tendência a reagir a tudo o que nos é estranho e eu não sou excepção - se pudesse, tinha saído dali a correr e nunca mais voltava. Para o bem e para o mal tenho um mês de PT pago, que vai servir para eu não decidir com o coração e com as emoções à flor da pele e para perceber se todo este esforço vale de facto a pena. Aqui não se trata só de desgaste físico (que é o suposto, claro), mas também emocional. Dar a um homem totalmente desconhecido permissão para me tocar, estar uma hora seguida a olhar para mim e analisar-me ao milímetro, me mandar fazer exercícios todos XPTO e eu ter, ainda por cima, dificuldade em dizer que "não consigo" é algo que me consome e que eu preciso de perceber se vai passar com o tempo. Porque se não passar, estes treinos têm os dias contados.

Porque uma coisa é certa: no próximo treino irei contrariada e ansiosa por já saber mais ao menos o que vai acontecer e eu não estou para viver a minha vida nisto. Fui para o ginásio pela minha saúde, mas não só física - também mental. E, por isso, não estou disposta a estar sempre a fugir do ginásio com medo do próximo treino e ansiosa com todos aqueles pormenores que a mim me deixam eternamente desconfortável. 

Percebo que seja bom para a minha saúde e não duvidem que, mesmo a nível estético, era algo que gostava de conseguir fazer para melhorar alguns pormenores - aliás, só por isso é que me predispus a estes treinos, sabendo à partida que não ia ser fácil e pondo-me logo à partida à prova, só por saber o que ia fazer. Mas, de facto, não passam de muitos "pormenores" que não compensam o facto de acordar ansiosa no dia do treino ou de viver com medo da quinta-feira de cada semana só porque é dia de PT.

Acho que não é preciso dizer mais nada. Entrei com o pé esquerdo e não gostei. Tenho três aulas para mudar de ideias - e, como é óbvio, não espero ansiosamente por essas horas de sofrimento. As coisas podem mudar muito - e eu juro que espero que sim! -, mas há dias da nossa vida em que nos arrependemos de certas decisões. Hoje foi o dia.

05
Nov16

(Finalmente!) De volta ao ginásio

Carolina

Aleluia, irmãos! Inscrevi-me num ginásio! Acabou por vir na melhor altura possível porque o meu trabalho começa a entrar em piloto automático, ao mesmo tempo que eu já estou a entrar numa fase de total rotura com o meu corpo. Só dou graças por não ser verão, porque neste momento seria incapaz de pôr um biquíni; vestidos e calções, independentemente do tempo que esteja, também é algo que não me sinto com coragem de vestir nos dias de hoje.

Por isso, apesar de tudo, estou ansiosa por começar e ver alguns resultados. Começar a fechar a boca também ajuda, porque ando sempre com uma fome gigante e a comer o que não devo. Escolhi um ginásio perto do trabalho, com piscina (vou finalmente puder usar os meus phones à prova de água!), muitas aulas de grupo e... um PT. Honestamente nem estava a pensar partilhar isto aqui, porque não sei muito bem o que esperar, mas também não vejo grande razão para fazer segredo.

Há dias fui fazer a avaliação física e já sabia que me iam tentar espetar com treinos com um Personal Trainer. Ia preparadíssima para dizer que não, mas o preço pareceu-me simpático o suficiente para tentar - sendo que agora a trabalhar tenho mais margem de manobra para pagar este tipo de gastos extra. Há vários anos que ando em ginásios e nunca consegui obter os resultados que queria, pura e simplesmente porque não tenho capacidade para me atirar para fora da minha zona de conforto e experimentar coisas novas. Numa altura da minha vida em que tudo o que eu faço no meu dia a dia é estar fora da zona onde me sinto confortável (aka passar a vida a ligar e falar com pessoas), pensei que um esforço extra neste campo não me ia matar.

Por outro lado, o rapaz pareceu-me sinceramente calmo e não é um daqueles armários que assustam só de passar ao lado. Quem me conhece sabe que eu tenho uma relação difícil com homens que não conheço, sinto-me "ameaçada". Há muitas razões para isso acontecer (uma delas é eu ser maluca...), mas se há coisa que eu detesto nos homens é um típico instinto de agressividade que eu não consigo tolerar, também porque sei que sou incapaz de controlar; nos PT e nos professores de educação física em geral isso reflete-se muitas vezes em berros e numa interação agressiva para com os alunos, que não tem o intuito de magoar ou insultar, mas sim de incentivar. Mas eu lido muito mal com gritos, que a mim me retraem ao invés de me levarem a fazer o que quer que seja - quer seja no ginásio, no trabalho ou nos meus tempos de escola. 

Vou começar por fazer PT uma vez por semana e ver como corre; vou aliar com as outras aulas de grupo e a piscina, claro, até porque estou cheia de saudades de nadar. Para além do mais, desta vez há uma novidade extra: de uma forma geral, conto começar a treinar de manhã e não ao fim do dia, como era meu costume - apesar de ter o horário livre, é mais fácil ir antes de trabalhar do que depois, até porque nunca tenho hora de saída. E pronto, são estas as novidades. Estaria a mentir se dissesse que não estou receosa e ansiosa - principalmente em relação ao PT -, mas por outro lado sinto-me mesmo esperançosa. Se correr bem, aumento para duas aulas semanais; se correr mal e não gostar, páro, esqueço e ando para a frente. Prometo ir dando novidades.

12
Set16

We'll always have pão com chouriço (e ovos moles)

Carolina

Acabou ontem a última feira medieval aqui das proximidades e, com ela, os pães com chouriço de 2016. Foi óptimo enquanto durou, enchi o bucho muito mais do que devia, mas está na altura de dizer adeus. Estou desde o Senhor de Matosinhos (ou seja, inícios de Junho) a enfardar esta iguaria tão portuguesa - passei pelas romarias e feiras todas, parei sempre nas barracas de pão artesanal e tirei a barriga de misérias. Uns souberam-me pela vida e outros nem tanto, mas de arrependimentos não se faz esta vida e não há nada tão bom como um palato feliz e uma barriguinha cheia.

Mas bom, posto isto, é altura de entrar nos eixos. Ontem foi a minha data limite de gordices-ilimitadas-sem-peso-na-consciência-e-definitivamente-mais-peso-na-balança. Terminei em bom, numa visita relâmpago a Aveiro onde comi um sushi da melhor espécie e terminei com um gelado de ovos moles que era só assim de bradar aos céus. 

Agora, com o novo trabalho, quero criar rotinas e voltar a uma vida minimamente equilibrada. Não é que seja fácil, porque já percebi que, para o bem e para o mal, o meu trabalho não tem horários rígidos - tanto posso passar uma manhã em casa como um dia inteiro no escritório (e por "dia" pode entender-se sábado ou domingo). É algo que gosto, mas que obriga a uma responsabilidade e organização acrescida, não facilitando a vida a quem gosta de rotinas, como é o meu caso. Ainda assim, quero voltar para o ginásio, quero os meus quinze minutinhos para o pequeno-almoço, quero comer em casa sempre que possível, quero as minhas séries depois do jantar e um livro e um chá ao fim-de-semana. Posso não conseguir tudo, mas vou ao menos tentar.

O ginásio é parte integrante e essencial em tudo isto, não só porque esta história das "gordices ilimitadas" é óptima para o palato mas péssima para a auto-estima, mas também porque preciso de um escape do trabalho e de um momento só meu, livre de agendas, sites, notícias, telemóveis e emails sempre a piscar. Este ano estou outra vez com a mesma dúvida: mudo de ginásio, para um mais perto de minha casa ou do trabalho, ou fico onde estou, que me fica longe de tudo mas que tem um professor que adoro de coração? Sinto que o facto de ser longe me está a prejudicar e já ando há demasiados anos a adiar a resolução de ser fiel ao ginásio (e com isso um relacionamento estável com o meu corpo e a minha auto-estima).

Enfim, até tomar uma decisão definitiva vou andando e habituando-me a esta nova vida, que ainda há muita coisa para afinar. Quanto ao pão com chouriço, para o ano há mais. Para já, e com imensaaaaa pena minha, vou ter de acabar com aquela caixa de ovos moles. Prometo ser rápida que é para começar isto da vida saudável rapidinho, ok?

 

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20
Abr16

Então e o ginásio, como vai?

Carolina

Vai, finalmente, no caminho certo. O início custou muito - em grande parte porque há muitos dias em que não me sinto bem de saúde. Nos primeiros tempos foi o cansaço natural dos primeiros tempos de trabalho, mas depois o cansaço e o mau estar continuavam; hoje acho que é um mistura de ansiedade (que, sabe-se lá porquê, tomou conta do meu corpo de forma indecente) e da síndrome vertiginosa que me foi recentemente diagnosticada, depois de eu não me ter conseguido levantar durante uma manhã inteira com tonturas medonhas - e que está a melhorar e a ser tratada. Pelo pouco que ainda li sobre o assunto, a síndrome pode dar-me todos os sintomas que eu, de facto, tinha: mau estar, náuseas, cansaço extremo. Quando este fim-de-semana aliviei a medicação, os sintomas recomeçaram a aparecer - por isso, para já, é para manter e não abusar nas voltinhas e nos movimentos bruscos.

Mesmo nos dias piores tenho feito um esforço para ir ao ginásio - regra geral, venho mais relaxada depois de ter feito uma aula. O plano é fazer quatro aulas semanais, duas de pilates e duas de zumba. Apesar de me ter custado a ir, estou a adorar as aulas de pilates - gosto imenso da professora e, no fim daqueles 45 minutos, sinto-me quase hipnotizada de tão relaxada que fico. No dia seguinte os músculos doem todos, mas naquela hora a seguir à aula... é quase paradisíaco.

Há dias que correm muito bem e que vivo aquilo intensamente e sinto-me impecável e outros que nem tanto. Na última aula de pilates dei um puxão do lado direito das costas que quase me levou às lágrimas; a dor vinha desde o lado direito das costelas até à mão, que nem sequer conseguia fechar. Mais uma estreia: uma massagem em plena aula, que foi o que me safou. Segundo a professora, libertei um ponto de tensão (um dos milhares que devo ter) que se irradiou pelo corpo... e não foi bom. Fiz o resto da aula já um tanto ao quanto tonta e pálida - mas sem desistir.

Quanto à ideia de ir às máquinas... ainda não consegui chegar lá. As minhas inseguranças, o medo do ridículo e o facto de não confiar na minha forma física para pegar sequer em quatro sacos de arroz não tornam fácil atingir este objetivo. Sempre detestei a zona das máquinas - e imaginar-me naquele ambiente, com aquelas pessoas... não é fácil para mim. Mas também ainda não desisti. Espero um dia destes ganhar coragem, fechar os olhos, pedir ajuda e quebrar esta barreira de uma vez por todas.

O ginásio é daquelas coisas que nos cansa tanto como nos liberta; que nos faz sentir tão cansados quanto vivos. E que custa mesmo muito a começar mas que depois não conseguimos perceber como é que conseguimos sequer parar. Tenho para mim que suar ali as estopinhas é melhor que ir ao psicológo. A mim, pelo menos, faz milagres. 

24
Fev16

Cenas que só me acontecem a mim

Carolina

Ontem, na sequência deste post, lá fui eu para o ginásio onde me planeava inscrever, já vestida a rigor para uma aulinha de zumba. Saio de casa com meia-hora de antecedência, para ainda ter tempo de preencher papelada e descobrir o caminho sem grandes pressas. Meto-me no carro, insiro a morada no GPS e tudo me parece bater certo com as indicações que tinha sobre o local.

Chegada ao sítio indicado, não vejo ginásio nenhum. Ando para trás e para a frente, dou voltas a rotundas, entro dentro de uma empresa de transportes, meto-me num quelho que me obrigou a andar praticamente dois quilómetros até conseguir fazer inversão de marcha. No fim, já passavam praticamente vinte minutos da hora prevista para a aula. E eu vim embora para casa, sem conseguir encontrar o ginásio.

Para a próxima talvez seja melhor ir enquanto há luz do dia. Ou isso ou tenho mesmo de comprar uns óculos.

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