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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

08
Fev21

Uma história com princípio, meio e sim 4#

Casar em casa ou numa quinta?

Este post podia chamar-se "a segunda grande - ou gigante, vá - cedência".

Se eu um dia casasse, iria fazê-lo em casa. Foi essa a premissa com que cresci, embora durante muitos anos casar não estivesse na equação. Quando me juntei ao Miguel e se começou a ver a seriedade da coisa, o meu pai relembrou-me: se te casares, casas aqui! E, neste caso, eu partilhava da sua vontade.

O meu irmão - o único casamento "a sério" na minha família nos últimos 25 anos - casou numa quinta, mas a verdade é que, principalmente do lado do meu pai, sempre houve a tradição de se fazer casamentos e festas de grande calibre dentro de portas. A minha avó já estava calejada, com vários casamentos, batizados e comunhões celebrados na sua casa, que era bem mais pequena que a nossa. A minha própria festa de batizado foi lá - e dizem que foi tudo óptimo! Também os meus sobrinhos tiveram a sua festa de batismo em casa dos meus pais - montou-se uma pequena tenda, contratou-se um serviço de catering e estava a festa pronta. Foi a primeira que fizemos e a que recorremos a serviços de fora, montagem de infraestruturas e etc., mas correu tudo bem e ficou-se com a ideia de que era uma coisa viável para se repetir.

Mas se no batizado dos meninos éramos uns 60, no meu casamento poderemos chegar aos 170. Mal soube deste número liguei ao meu pai, que tem uma noção de espaço bem melhor que a minha, já com a pergunta na ponta da língua: "é possível pôr está gente toda lá em casa?". Ele respondeu que sim. Um alívio!

E aí começamos a pensar na logística da coisa: onde seria o copo de água, a cerimónia, o espaço de dança; já tínhamos uma ideia mais ao menos concreta e contactamos empresas de aluguer e montagem de tendas e pedimos orçamentos. Quando começamos a olhar para os espaços fomos colocando "e se's". Haviam sempre detalhes que não nos agradavam ou que não eram exequíveis - ou, quando eram, aumentavam os preços de forma louca. É engraçado pensar que uma casa pode ser enorme, mas que por vezes nenhuma área se adequa perfeitamente àquilo que precisamos ou idealizamos; a ideia era fazer tudo no exterior, com recurso a tendas, mas a certa altura tudo se complicou - ora porque havia árvores no meio, ora porque o chão não estava nivelado, ora porque havia elementos que iriam ficar no centro dos espaços e que não eram possíveis de remover... um sem fim de coisas. Depois partimos para outros problemas: e as casas de banho, como era? Utilizavam-se as dos quartos? E o catering, onde ficaria, tendo em conta que queriam água, fogões, fornos e coisas que tais? E os cães, onde ficavam? Podiam estar presos, mas iam ladrar a cerimónia inteira... E os meus pais, onde dormiam naquela noite perante todo o barulho? E se os vizinhos se queixassem? E se a tenda ocupar o espaço de passagem dos carros, como é que se vai passar para o interior? E quem vai limpar a bagunça toda depois da festa?

Fui vendo as pessoas a desistir uma a uma perante os entraves que iam aparecendo a cada ideia que tínhamos. Eu fui a única que me mantive firme na minha vontade. Sabia que ia dar mais trabalho. Sabia que ia ocupar mais tempo. Sabia que ia custar mais caro. Mas era o meu casamento e ia ser único - não ia haver fotos no mesmo sítio que 356 casais, não ia haver protocolo definido, não ia haver um igual. A ideia do controlo e da flexibilidade total das coisas deixou-me agarrada até ao último minuto. Queria muito poder escolher tudo, desde as coisas mais macro (onde montaríamos as tendas e a própria data do casamento) até aos detalhes mais micro (as flores, toda a decoração, o altar). O paraíso de qualquer control-freak.

Iam-me dando sempre conselhos em contrário, com argumentos muito válidos. O mais relevante de todos era de que um casamento em casa iria dar mais trabalho e custar mais dinheiro do que um numa quinta, onde tudo estará pronto sem termos de nos preocupar com o antes, o durante e o depois. E eu sabia que sim, mas continuava agarrada à ideia de casar em casa, embora o saco dos contras fosse pesando cada vez mais nas minhas costas.

Acedi a ir a uma quinta sob o mote de ter noção dos preços praticados e para tirar ideias em relação a toda a organização (tanto em termos de timings como de espaço) - mas sabia que, lá no fundo, aquilo era o princípio do fim do meu casamento de sonho. Apercebi-me disso mal nos metemos no carro, após a primeira visita, e toda a gente se mostrou deslumbrada com o espaço, enumerando todas as coisas maravilhosas de que gostaram. Só eu é que tinha uma lista maior de contras do que de prós - e fiquei tristíssima quando percebi que o meu casamento ia mesmo acabar por ser mais um num calendário cheio deles, igual a todos os outros, nos moldes em que outras pessoas o queriam.

Sem saber muito bem como, a partir da visita àquele primeiro espaço, comecei num sprint de quintas que só terminou no último dia de desconfinamento - e já com uma quinta escolhida. Foram cinco dias de loucura pura, de um cansaço horrível e de um processo de luto do meu próprio ideal de casamento... que foi triste e duro para mim. 

Sei que a decisão foi para bem de todos e não estou arrependida - mesmo ainda não tendo o casamento acontecido. Para mim os problemas não eram o trabalho nem o dinheiro - mas coisas tão simples como o conforto e a paz dos meus pais (e dos meus cães) e o fator de instabilidade que o processo iria criar em todos nós. Gosto da quinta que escolhemos - tanto pelo espaço como pela flexibilidade que me proporcionam, que me traz de volta um bocadinho da sensação de controlo que tanto gostava num casamento em casa - e acho, no fundo, que tomamos a decisão certa. Mas as decicões certas também doem.

25
Abr14

No regrets

Quando as coisas não correm bem e são consequência de algo que decidimos antes, normalmente, arrependemo-nos. E eu tinha todos os ingredientes para estar arrependida daqui até à lua por ter mudado de ciências para letras, por ter vindo para jornalismo... Tantas decisões que tomei, tão pensadas para, no fim, chegar aqui e olhar para trás a ver que foi em vão.

Mas a verdade é que eu não me arrependo de nada: nem de um segundinho apenas. Apesar do fim não ter compensado, o meio foi o melhor que podia ter acontecido na minha vida. E eu acho que nunca tinha sentido este desfasamento - normalmente os fins são melhores do que os meios; aliás, pressupões-se que, quando se diz que algo é um meio para atingir um fim, esse meio até nem seja muito agradável - mas este foi. E, surpreendentemente, embora não me tenha levado a nada que me esteja a completar ou a fazer feliz, hoje sinto-me grata por ter conseguido tomar aquela decisão, mudar de curso, turma, colegas, amigos e, o mais importante, de ares. 

E estou feliz por não me arrepender - dá-me, de certa forma, mais segurança nas minhas decisões futuras (que, acho, se aproximam a passos largos). É tão bom não sentirmos pena de nós próprios, ou culpa ou arrependimento. Descubro que essa foi a fase mais bem resolvida da minha vida. E provavelmente mais feliz. Como me poderia arrepender disso?

17
Fev14

Decisões

Acho que sou um bocadinho paradoxal. Se por um lado sou conformista e me deixo estar no meu canto em alguns casos, noutros não me consigo deixar ficar e procuro uma mudança para melhor. O pior das mudanças são as decisões prévias que se tem de fazer. Custa-me tanto, tanto, tanto tomar decisões! E depois eu fico moída por dentro, penso desde que acordo até que me deito e se for preciso ainda sonho com o assunto. É horrível.

Mas mesmo as decisões pequenas são um pequeno problema: coisas como "o que vou jantar?". E depois não quero nada, já não sei nada, fico insatisfeita e começo a procurar comida quando nem sequer sei o que quero, enfim, uma canseira. Com sorte, acabo por nem comer: só como horas depois, porcarias que nem sequer devia tocar, mas naquela altura a fome já é tanta que nem penso na dieta que comecei há não sei quantos dias.

Portanto, se isto é assim com coisas mínimas, imagine-se o que é mudar de curso, mudar de turma ou algo mais pesado. É o terror. Penso, peso os prós e os contras, escrevo-os, choro, rio com a minha própria estupidez e angustia, penso, desespero, penso mais um bocadinho, falo com pessoas mais experientes e torno a pensar. E uma tortura chinesa, quase. E a verdade é que, nos últimos tempos, tenho tido a necessidade de me pôr neste tipo de situações que, para mim, são difíceis de enfrentar, porque tenho noção de que não estou bem, que preciso de mudar, nem que seja de atitude, pensamento ou objetivos. 

Por acaso, e antes de mudar de curso (se é que vou mudar, isto está tudo num gigante banho maria) estou a pensar mudar de turma. Pelo que parece, a minha é a mais desejada de todas e cresce a cada dia que passa: ou são alunos de erasmus que assistem às aulas, ou alunos de outros cursos ou alunos de outras turmas que também já se mudaram. Tanta gente que já nem há computadores para todos. E a verdade é que eu gosto da minha turma, mas também gosto de pessoas que andam na outra em que estou a pensar mudar. Mas depois penso nos prós e nos contras e nisto e naquilo e a minha cabeça fica cheia de macaquinhos e a minha decisão adiada(que nem seria decisão porque nem uma autorização tenho para fazer o que queria, mas enfim). Sou uma chata, tão chata, que até me chateio a mim mesma.

12
Fev14

Desabafo do dia (ou mais decisões por tomar)

Felizmente não tenho a memória curta. Nunca me esqueci de uma promessa (e condição) que fiz à minha directora de turma da altura, quando mudei de curso. Antes de mudar ela fez-me prometer que, se me arrependesse, voltaria atrás - aos números, às químicas e às físicas e tudo mais. Eu disse que sim - e um "sim" com significado e tenho tentado honrar a minha promessa. 

Nunca me arrependi. Não me arrependo de ter ido para ciências, de ter mudado para humanidades a meio do 11º ano ou de ter escolhido ciências da comunicação para primeiro curso; por muito curtas que as experiências tenham sido, todas elas me ensinaram algo de valioso. E por muito que me irrite - que irrita - esta actividade de "salta-pocinhas" que ando a aperfeiçoar, sei ao menos que o faço em busca da minha felicidade. Ao menos não me resigno à minha vidinha triste; enveredo por um caminho, tento, se não funciona, tento outra vez, mas se vir que não der, mudo. E orgulho-me muito de ter conseguido mudar de curso no 11º, contra ventos e marés. Foi assim que consegui o meu melhor ano de escola de todo o sempre, onde fui feliz até rebentar. Durou foi pouco.

É muito difícil para mim explicar tudo o que vai cá dentro, as razões que me movem, que me fazem duvidar todos os dias do curso em que estou. Teria de me fazer enveredar por caminhos que não quero partilhar; muitas dúvidas em relação ao meu futuro e tudo mais. Sinto que, nos meus ombros, tenho mais peso - das responsabilidades que ainda não tenho - do que devia, mas não o consigo evitar. Não sou uma rapariga do momento; sou uma rapariga do presente-futuro, que gosta de pensar em tudo durante muito tempo e que olha não só para o curto prazo mas também para o médio e o longo. Quero, na medida do possível, continuar com o mesmo nível de vida que tenho e sei o que tenho de fazer para isso acontecer; acho (ou tenho a certeza?) que um emprego na área do jornalismo, para além de não me satisfazer, nunca iria ser suficiente. Depois, e um ponto importante a reter, é que não pretendo estudar mais do que o necessário - porque eu podia tirar jornalismo na "desportiva" e depois tirar o curso que, de facto, me iria dar bases para aquilo que precisava. Mas, primeiro, eu não consigo pagar a sério para depois fazer um curso na "desportiva" - sou incapaz de não me preocupar, de não ter pesadelos, de deixar de fazer as coisas. Segundo - e as coisas podem mudar, é certo -, eu já percebi que estar na faculdade não constitui grande entretenimento, diversão ou alegria para mim e por isso - e como não sou masoquista - não pretendo prolongar o "sofrimento" (e eu sei que a faculdade é o melhor tempo das nossas vidas e mimimi mas olhem, aqui estou eu). Por fim, e não menos importante - e algo contra o qual ando a lutar contra todas as minhas forças - é a carga desmotivadora que cai em cima de mim a cada dia que passa: já não chegava eu não querer seguir jornalismo nem nada que se pareça (ou seja, o que me dá sempre a sensação de estar ali "para nada"), ainda tenho (e temos) de levar com professores que têm uma teoria contrária à de Galileu e, afinal, são eles que estão no centro do universo - e mandam, e abusam e desrespeitam a torto e a direito. 

Isto também para dizer que estou, de novo, com o peso de mais uma decisão nas mãos - e que, a ser feita, tem de ser em breve. Desta vez - e um bocadinho ao contrário daquilo que se passou no secundário - não seria uma saída para um caminho mais fácil. Mas seria mais útil, uma construção de um futuro muito provável e que eu (ao contrário do jornalismo) sempre disse que um dia seguiria.

Eu, no fundo, sou uma caixinha de Pandora que não vão querer abrir. Há demasiado aqui dentro para vir cá para fora - acho que nem eu sei explicar, verbalmente, a confusão de preocupações que se entrelaçam no meu cérebro. E de emoções que, só de abrir uma brecha da caixinha, saem cá para fora e me deixam totalmente arrasada. Não há fachada que aguente, ou sorriso, ou esforço; não há Zumba ou Combat que me libertem suficientemente a mente e nem mesmo o sono me deixa descansar, pois nestas alturas os pesadelos fazem sempre parte das minhas noites. Se eu pudesse, nem eu abria (ou sentia) a porcaria da caixa; mas eu não tenho mesmo volta a dar.

22
Fev12

Mais uma decisão... das grandes

Não sei que exames vou fazer. Dos quatro, dois: FQ, Biologia, MACS e/ou Geografia.

E agora perguntam: e porque não vais aos quatro? E eu respondo prontamente: Porque os exames de humanidades coincidem com os exames de ciências. E agora dizem: Faz uns na primeira fase e outros na segunda. E eu argumento: mas para se ir à segunda fase tem de se ir à primeira.

Se passar, nem que seja a só um dos exames de humanidades, para o ano estou lá (em humaidades). Se não passar a nenhum, perco o ano. Se fizer os exames das específicas de ciências, para o ano espera-me o mesmo inferno que estou a passar este ano.

Logo eu que sou tão boa neste tipo de decisões, tenho cerca de duas semanas para tomar esta (porque tenho que me increver nos exames).

Decisions, decisions...

07
Fev12

Das decisões importantes

As opiniões dos que nos são próximos são sempre importantes, mas defendo que somos nós que temos de tomar as nossas decisões depois de uma longa reflexão - e depois de a tomar, não vacilar. A partir do momento em que temos uma decisão tomada e perguntamos a alguém "mas achas bem?", estamos a meio caminho andado para que aquilo que tínhamos decidido não seja cumprido. Vai haver sempre opiniões em contrário - muitas vezes, opiniões de peso.

Devemos ouvir, reflectir e calar. Tomamos uma decisão e concretizamo-la, tornado depois claro aquilo que fizemos para todos os que queiram saber. Ou isso, ou temos um pulso de ferro e um escudo fortíssimo à nossa volta, que nos impeçam de mudar de opinião após as pressões vindas de todos os lados em forma de modestas opiniões.

 

"Decisions, decisions."

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