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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

18
Jul19

5 dicas para fazer boas compras na internet

Muita gente fica admirada com a quantidade de coisas que mando vir da internet. Há dias em que estou vestida só com roupas que encomendei à distância. E também por causa disso acabo por ajudar muita gente neste processo, por confiarem mais em mim do que nelas próprias. Não há muitos segredos: é uma questão de hábito, de arriscar, de saber esperar e ter alguma tolerância à frustração - porque já se sabe que nem tudo corre conforme esperado.

Mas com base em tudo aquilo que fui vendo até aqui, dos medos que muita gente me disse que tinha em relação a este assunto, dos erros que fui cometendo e do que eu própria aprendi - depois várias centenas de encomendas- decidi fazer uma listagem de 5 coisas essenciais a ter em conta quando fazemos compras pela internet. Ora cá vai:

 

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(imagem retirada da internet)

 

Ter espírito crítico

Antes de gostar do que quer que seja, de ver detalhes ou roupas, é essencial fazer uma avaliação do site onde fomos parar. É de uma loja que conhecemos, que tem presença física? Tem um url normal, com uma terminação conhecida (.com, .pt, .um, etc.)? O nome da loja corresponde ao url? A linguagem é profissional? As traduções são de qualidade? É preciso pensarmos nisto tudo se não queremos ser enganados.

Como já nasci neste "mundo", sinto que já faço esta avaliação de forma automática - mas vejo que para as pessoas mais velhas isto não é tão intuitivo. Não se deixem enganar por sites falsos, que dizem ser Michael Kors mas que têm malas a 20 euros e cujo link é qualquer coisa como "mk-cheap.tk". A internet é como a vida real: tem coisas boas e coisas más. Se vos oferecessem uma mala de luxo ao preço de uma mala da Parfois não desconfiavam?

 

Analisar a composição das peças e sua modelagem

É importante saber aquilo que gostamos e não gostamos - e para isso é preciso tocar em muitas peças e ver sempre a composição das mesmas, algo que a maioria das pessoas não se preocupa em fazer (porque nem sequer pensa nisso, o que é perfeitamente normal). Como cresci no ramo têxtil, sempre foi um desafio para mim perceber como e de quê que as peças são feitas: ora polyester, algodão, modal ou elastano; se é tecido ou malha; se é malha circular ou de trama. Sei que o toque do linho pode não ser simpático, assim como a lã se não for bem tratada; sei que não gosto do angorá porque deixa pêlo por todo o lado; sei que se a peça for só composta por elastano vai sair justa ao corpo. Coisas que se aprendem com a experiência e que nos dizem logo à partida como é que a peça nos vai cair e como nos vamos sentir com ela. Para isso, basta ter atenção aos detalhes e o conhecimento vai-se entranhando. Não esquecer, no entanto, que diferentes tratamentos ao fio ou ao pano podem dar diferentes resultados, pelo que não podemos julgar uma peça só pela sua composição.

Para além disso é sempre importante ver como é que as peças caem no corpo - ou seja, ter fotografias de modelos com a roupa vestida. Só assim conseguimos perceber se a t-shirt é comprida e larga, se o gancho das calças e alto ou baixo ou até onde vão as meias. A cereja no topo do bolo é conseguir saber as medidas das modelos, assim como o tamanho das roupas que vestem, para se estabelecer pontos de comparação entre nós e as elas. Tanto as características das peças como das manequins estão normalmente escondidas em janelinhas que dizem "outras informações" - sites como a Mango ou a Zara costumam disponibilizar estes dados.

 

Ver sempre as políticas de devolução

Comprar online compensa o risco se pudermos devolver as peças. A possibilidade de trocar não é, muitas vezes, um bom negócio - porque, por azar, não gostamos de mais nada da loja ou porque a qualidade deixou muito a desejar, por exemplo. É essencial vermos se podemos devolver e como o podemos fazer. O grupo Inditex tem políticas de devolução óptimas, por exemplo; já na H&M tem de se devolver as peças por correio (ainda que seja grátis), o que obriga uma pessoa a deslocar-se ao posto mais próximo e, como se diz em bom português, a perder tempo. Para mim o ideal é a recolha em casa ou o poder devolver em loja - apesar desta última solução também exigir que nos desloquemos, mas é sempre uma hipótese de vermos outras coisas que gostamos ou experimentar um tamanho diferente de uma peça que apreciamos mas que não nos assentou como devia. Há ainda outro caso: se comprarmos coisas da China em preço de saldo não vale a pena questionarmo-nos se vamos devolver alguma coisa. Não vamos. O envio fica, provavelmente, tão ou mais caro que a peça em si - por isso, quando a compramos, temos de ter sempre isso em mente.

 

Ter em atenção os métodos de pagamento

A transferência direta é, sem dúvida, o método mais duvidoso. Se o site tem protocolos com o PayPal ou o MbWay, a história é outra;  fornecer uma referência de multibanco (para pagar através de "pagamentos de serviços" hoje em dia também é comum e aceitável. Mas é sempre de evitar fazer transferências para uma conta que desconhecemos. E nunca, mas mesmo nunca, devemos dar os dados do nosso cartão de crédito por e-mail ou derivados. Se o vosso método de pagamento preferencial for o pagamento por cartão, aconselho a que o façam através do PayPal ou criem um cartão virtual através do MbWay, em que o dinheiro lá depositado é limitado. Assim, se tudo correr mal e no pior dos cenários forem vítimas de phishing, os danos são muito mais controlados.

 

Conhecer o nosso próprio corpo

No que diz respeito às roupa, e de forma a sermos bem sucedidos, é essencial conhecermos bem o nosso corpo; saber o que fica bem e mal, o que nos favorece ou piora. Conhecer estilos genéricos de peças é bom. O que me fica bem? Calças à boca de sino ou skinny jeans? Cintura subida ou mais baixa? Vestidos midi ou curtos? Camisolas com peplum ou retas? Mangas caviadas ou curtas?

Tudo isto vai acontecendo de forma natural à medida que vamos experimentando coisas. Estabelecermos paralelismos com o formato do corpo das manequins também ajuda: se a peça lhe fica bem a ela, que tem ancas largas, se calhar também me fica bem a mim ;) Em todo o caso, se a política de devoluções for boa, podemos sempre arriscar e ir experimentando novos estilos que vão surgindo anualmente. Podemos ter sorte e encontrar novas peças favoritas. Caso contrário, devolve-se e o problema fica resolvido!

26
Jun19

Quero a Uniqlo em Portugal!

Pisei pela primeira vez uma loja da Uniqlo há uns meses, quando fui a Londres. Não foi algo desprevenido: assim que a avistei em Oxford Street pus-me logo ao caminho, porque já tinha lido muito sobre a cadeia japonesa (nos meus tempos de trabalho no jornal) e a curiosidade já tinha tomado conta de mim. Ultimamente tenho-me encontrado com fornecedores que vendem para esta marca e as minhas expectativas estavam em alta, principalmente relativamente ao conforto das peças que eles vendem. Não saí defraudada.

Para quem não conhece, a Uniqlo é uma das maiores cadeias de fast fashion do oriente - uma espécie de Zara por aqueles lados. Há, no entanto, duas grandes diferenças: a primeira é que a marca japonesa é muito menos permeável às modas temporárias do que a Inditex - por outras palavras, vive muito mais de básicos e de peças simples, pouco arrojadas, que combinam com tudo e dão para uma vida, independente daquilo que se esteja a usar; segundo, a qualidade dos materiais é substancialmente diferente. Os preços entre as duas marcas não são muito diferentes, mas enquanto a Zara põe todas as fichas no design e na renovação constante (e, diria, incessante) das coleções, a Uniqlo aposta na qualidade das peças, no seu conforto e usabilidade.

Para mim, que me abasteço praticamente só com básicos, a Uniqlo é o paraíso na terra. Há outras marcas de roupa simples (lembro-me da Cos, por exemplo, embora tenha uma linha mais conceptual ao nível do corte), mas no que diz respeito às fibras os japoneses ganham aos pontos. Já tinha ouvido falar sobre a qualidade das roupas interiores deles, por isso foi essa a zona a que me dirigi mal entrei na loja. Agora, que já usei tudo o que comprei, sinto-me em pleno direito de comentar e dizer que adoro. Na altura em que ouvi falar das malhas interiores deles era inverno, portanto tratavam-se de camisolas e bodys finos mas bem quentes; por agora não estão à venda, mas encontram tantas outras coisas interessantes - nomeadamente roupa interior fresca, com poucas costuras, de rápida secagem e anti-odor. A mim, em particular, saltou-me logo à vista as camisolas com soutien integrado. E que maravilha que são!

Eu sou daquelas pessoas que nunca anda sem soutien. Não consigo. Durmo, inclusivamente, de soutien. Não me incomoda quem não use, todos aqueles que são a favor do movimento #FreeTheNipple e essas coisas todas, mas para mim não dá. Descarto imediatamente todas as peças de roupa que não se coadunem com o uso desta peça, mas admito que às vezes é mais uma coisa para fazer calor e que nem sempre é mega confortável. E foi com grande surpresa que percebi que muitas das peças (não só da linha dos básicos de verão, "Airism", como também vestidos e outras roupas) têm suporte para o peito, sendo o soutien perfeitamente dispensável, nunca descurando o conforto. Não sou uma cliente fácil neste aspeto - não gosto de sentir que anda tudo meio livre - e fiquei muito, muito cliente! É só vestir, pôr e andar. E o conforto daquelas malhas? É melhor do que muita lingerie!

Andei também a ver a roupa de homem e admito que ainda gostei mais do que a linha de mulher. Camisas em linho ou t-shirts de um toque muito macio; parkas e kispos muito leves (que são unissexo, na verdade, por isso podemos aproveitar). Para além, claro, da secção de boxers e de roupa interior, que eu impingi logo aos homens da minha vida - nomeadamente ao meu pai, que me anda a servir de cobaia. Não esperem cortes complexos, diferentes ou irreverentes, 30 padrões de florzinhas ou t-shirts com citações inspiradoras. É tudo para o simples, mas em bom. Eu, pelo menos, gosto muito.

Posto isto, o meu novo desejo é que a Uniqlo chegue a Portugal. Dispenso a Asos, a Foverer 21 (que, já sei, há em Lisboa, mas ainda não chegou ao Porto) ou a Miss Selfridge. Quero a Uniqlo. Já. Agora. No Porto. Por favoooor! 

(até lá, podemos sempre mandar vir pela net - são 10 euros de portes, não é um valor simpático, mas é o que há...)

 

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(um exemplo das tais camisolas, que podem ver aqui)

18
Abr19

O flagelo das carteiras que foram feitas para os assaltantes

A maioria das mulheres tem uma pancada com sapatos e carteiras. Eu não. A minha praia são mais os mais casacos.

Os sapatos nunca serão uma grande paixão, uma vez que não tenho um pézinho de Cinderella para os enfiar. Há uns anos, comprar coisas para calçar era, para mim, uma atividade vinda diretamente dos infernos; ultimamente a coisa tem vindo a melhorar e, nos dias em que estou inspirada, até consigo retirar algum prazer em comprar proteções para o meu tão querido "pé de urso". Tenho hoje uma sapateira bem mais recheada - e com coisas giras! - do que aquilo que alguma vez achei possível, desde que me apareceu este problema crónico no pé direito. Ainda assim, está longe de ser aquele tópico divertidíssimo que as mulheres-tipo falam com um brilhozinho nos olhos.

No que diz respeito às malas não acho que valha a pena ter muitas, porque dá demasiado trabalho mudar as tralhas todas de umas carteiras para as outras; juro que admiro aquelas pessoas que escolhem uma mala por dia, para combinar com o outfit! Prefiro mochilas, onde cabe tudo, e sempre em cores neutras, para combinar com qualquer tipo de roupa.

Mas neste meu último aniversário meti na cabeça que queria uma carteira. Uma coisa bonita, mais clássica, para ficar bem naqueles dias de blazer e salto alto, para dar todo um ar de empresária séria (ainda que wannabe). Mas, como criatura esquisita que sou, havia vários requisitos a serem cumpridos: não podia ser transparente (este tópico dava um post - porque raio é que agora existem malas transparentes?!),  tinha de ter possibilidade de ter fita a tiracolo, precisava de ter dimensões suficientes para albergar a minha agenda e caderno de trabalho mas não ser demasiado grande ou pesada, não ser da Parfois e companhia de forma a não encontrar uma mala igual em cada esquina, não custar os olhos da cara e ter fecho zip. Simples, certo?

Nãooooo! A conjugação de todos estes fatores tornou esta missão mais impossível que a do Tom Cruise - e o meu pai pode testemunha-lo, que diz ele que nunca viu tantas malas na vida!

Ou eram feias. Ou caras. Ou feitas com materiais duros e nada confortáveis. Ou eram enormes. Ou autênticas pochetes. Ou pesadas para o tamanho que tinham. E, acima de tudo, 90% delas são pensadas para ladrões, onde basta pôr uma mãozinha discreta para apanhar tudo o que estiver a jeito. Cadê os fechos, gente? Agora as malas só fecham com pequenos ímanes centrais ou cordéis, que tornam o acesso à mala mais fácil do que comprar canábis (que, lembre-se, ainda é ilegal). Para encontrar um fecho éclair é preciso procurar neste mundo e no outro e a probabilidade de os encontrar só em parcelas centrais da mala ou em pequenos bolsos é muito grande. Não há malas com fecho, hoje em dia. Fica tudo ali à mão de semear, restando-nos ter esperança e boa fé no mundo e nas pessoas, esquecendo totalmente de entidades tão diversas como ladrõeszecos e pickpockets.

Portanto, das quatro, uma: 1) ou há falta de cabeças pensantes por detrás do design destas malas; 2) a moda está a sobrepôr-se totalmente à racionalidade; 3) isto é tudo um complô dos fabricantes de malas para sermos mais facilmente assaltados e irmos a correr comprar outra mala supostamente mais segura, alimentando assim o seu próprio negócio; 4) ou então sou eu que sou uma gaja demasiado esquisita e exigente para comprar até uma simples mala. É só escolher! Ainda assim, no dia em que se lembrarem de fazer carteiras giras e seguras, mandem-me email, sim?

 

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(imagem retirada daqui)

Estão a ver? É só pôr ali uma mãozinha jeitosa e discreta e já está, lá se foi o iPhone X!

 

09
Nov18

Um mundo com demasiada informação (da rubrica #Viver sem telemóvel mas a trabalhar para ter um)

Depois de ter visto o meu telemóvel ir por água abaixo - literalmente -, e sabendo que nessa situação são normalmente poucos os sobreviventes, comecei logo a pensar que outro telefone poderia comprar. Uma coisa era certa: eu estava aberta a novas experiências, e comprar um iPhone não ia voltar a acontecer. Muito para além de gostar ou não do telemóvel ou do interface, o iPhone tem o problema dos serviços adjacentes (iCloud e iTunes) que são capazes de levar até um santo à loucura - principalmente se esse mesmo santo tiver um computador que não seja Apple.

Lancei-me por isso ao mercado dos telemóveis de braços abertos, pronta para experimentar as maravilhas da Huawei, passando pela competição renhida da Xiaomi, dos rejuvenescidos Nokia e até pela Samsung, da qual nunca fui fã. E aqui começa o problema: num universo de centenas de telemóveis - mesmo que consigamos reduzir a gama devido ao fator preço - qual escolher?

Comecei por fazer o típico: ligar ao meu irmão, a pessoa em quem mais confio nestes tópicos, a pedir a sua opinião. Foi ele que me apresentou ao GSM Arena, cujas opiniões acabaram por pesar bastante na minha decisão final. O drama é que todos estes sites que avaliam telemóveis são eternamente insatisfeitos: há sempre alguma coisa que está mal, há sempre detalhes que faltam, há sempre uma lista demasiado grande de desvantagens - e pior, há sempre uma comparação com outros modelos, dentro da mesma linha e preço, que eventualmente também nos podem satisfazer (mas que também têm uma lista recheada de prós e contras). 

Chegamos a este ponto e, para além do problema inicial de escolher um telemóvel, ainda temos outro: lidar com a quantidade soberba de informações que temos nas mãos mas que, em vez de nos esclarecerem como era suposto, só nos confundem mais. Do nada, caímos num silo que em vez de ter cereais tem nomes de processadores, tipos de entrada USB, tamanhos de RAM, polegadas e diagonais de ecrã, chipsets XPTO, câmaras que vêm aos pares, não sei quantos miliamperes de bateria, cartões SD para se enfiar em vários sítios diferentes... a par dos testes à luz solar, dos altifalantes, da rapidez, da qualidade do som, da duração da bateria, da câmara fotográfica de dia e de noite, do modo de desfoque, de retrato, de paisagem, de panorama, da utilização do HDR, da qualidade do vídeo com 1080p a 30 fps ou 60 fps, com ou sem estabilizador... E, wow!, não conseguimos respirar! E se depois chegamos a alguma conclusão - algo altamente improvável, dado que o nosso cérebro está feito em papa depois de processar tamanha quantidade de informação -, ainda vemos todas as promoções em vigor, todos os sites meios rafados que têm preços altamente competitivos mas cuja confiança é duvidosa ou cujo local de envio fica do outro lado do mundo, o que é um bocado chato tendo em conta que precisamos do telemóvel para ontem. Cansativo, hun?

A verdade é que neste momento vivemos num mundo com demasiada informação sobre tudo. Há dez anos, quando se queria adquirir um telemóvel ou um carro, compravam-se revistas, analisavam-se as características e liam-se as críticas - limitadas a um espaço relativamente curto, dentro de uma ou duas páginas; tudo o resto eram opiniões com base em experiências pessoais, do indíviduo X que tinha tido imensos problemas com determinada marca ou de outro que adorava o carro Y. Mas hoje o espaço é ilimitado e não há só duas ou três revistas sobre o tópico - há milhares de fontes para escolher. Qual é que a mais fiável? Qual é aquela que procura um telemóvel com características semelhantes àquelas que nós próprios queremos?

Cheguei à conclusão de que este processo é um ciclo vicioso. Li várias críticas (em sites estrangeiros e portugueses) a uma seleção de meia-dúzia de smartphones, vi vários vídeos do youtube ("Porque é que NÃO deve comprar este telemóvel", "Porque é que este smartphone é o melhor do ano", "Comparação entre o Huawei X e Z") - e tudo isto nos leva a ainda mais conteúdos, ora porque não percebemos uma coisa, ora porque diferentes artigos se contradizem em determinado detalhe ou simplesmente porque nos são sugeridos e "mais um também não faz mal a ninguém". Até que parei. Percebi que já tinha tirado tudo o que podia dali: já tinha feito uma shortlist, já tinha feito os prós e os contras mais importantes de cada uma das minhas escolhas, já tinha todas as pré-informações possíveis e imaginárias e já tinha aprendido uma série de coisas novas ("nodge" e "chipset" passaram a fazer parte do meu vocabulário, por exemplo). 

E daí segui o derradeiro conselho do meu irmão: "vai a uma loja, experimenta o telemóvel, vê se gostas do interface, da maneira como fica na mão... e depois decides". E foi assim. Não é curioso como, no fim de tudo isto, depois de todas as horas de pesquisa, e de comparações... tudo se volta a resumir à vida real? Ao "feel" da coisa, para lá de todos os gigas, processadores e cenas geek-racionais? Somos criaturas complexas, não é verdade?

13
Dez17

Review da semana 22#

Os novos bodies com caxemira da Intimissimi

 

Acho que toda a gente já sabe que eu sofro horrores com o frio - aliás, eu sou provavelmente a blogger da história que mais escreveu sobre coisas relacionadas com este tópico. Para além de me queixar do meu sofrimento graças a temperaturas aparentemente amenas ou "só-frias" que me parecem negativas, também já escrevi muito sobre a moda que não respeita as pessoas friorentas ou simplesmente sobre gadgets e produtos que foram feitos para pessoas como eu.

Tenho evitado vestir-me com 31 camadas de roupa, escolher casacos bem quentes e acima de tudo relaxar - há cerca de um ano vi um vídeo que dizia que uma das coisas que faz com que sintamos ainda mais frio é o facto de estarmos sempre muito contraídos e encolhidos, pelo que devíamos fazer exatamente o contrário. E apesar de ser difícil - eu já "sou" naturalmente encolhida - tenho tentado e, de facto, é algo que funciona. Mas não faz milagres, por isso a roupa é mesmo a arma mais forte que tenho contra este flagelo digno do pólo norte.

Também no ano passado comecei a usar bodies, clássicos, de manga caviada, para tentar contrariar o frio. É uma óptima solução para não termos de pôr uma camisola extra por debaixo do camisolão, mas a falta de mangas e o conforto das rendas e daqueles materiais mais abertos não é igual ao de uma malha. De qualquer das formas, é óptimo para nunca termos pele de fora - não há sensação mais horrível do que baixarmo-nos para apanhar qualquer coisa, as camisolas subirem e ficarmos com as costas expostas e disponíveis para congelamento imediato.

Mas este ano descobri um 2 em 1 magnífico: os novos bodies de modal e caxemira da Intimissimi. Confesso que foi através de um anúncio que vi na televisão - é verdade, nós bem que os tentamos evitar, mas eles ainda funcionam - e pouco depois fui lá a loja experimentar, para ver se de facto era tudo aquilo que apregoavam. Desenganem-se: os bodies não são de caxemira! Há uma diferença entre "ser de caxemira" e "ter caxemira" e esta peça inclui-se no segundo caso: o que não deixa de ser óptimo. O toque deles é muito macio, muito leve e fino, mas têm uma boa capacidade de aquecimento, sendo muito confortáveis e não nos deixando com aquela sensação de sermos uns pneus ambulantes. São todos de manga comprida (yey!) e há versões de gola alta e gola redonda - e ainda há, penso eu, umas camisolas feitas com a mesma malha. Só peca pela falta de cores claras, para funcionar em perfeição com todas as peças: só tem preto, azul marinho e cor de vinho.

Vou esperar que isto seja um best-seller de vendas e que eles passem a fazer diste um clássico, com todas as cores e mais alguma, tal como têm as cuecas e os soutiens. Se assim for, têm aqui uma fã incondicional.

 

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09
Nov17

Finalmente vou ter um bullet journal apresentável!

Tenho jeito para muitas coisas nesta vida, mas artes não é uma delas. Ambas as minhas sobrinhas, que têm oito e dez anos, desenham muito melhor que eu, que tenho vinte e dois. Sempre foi uma causa perdida: nunca tive jeito, nunca tive capacidade para desenhar as coisas de forma proporcional, nunca tive a mão precisa ou detalhada. Apesar disso, nunca foi algo que me incomodasse: preciso pouco das artes na minha vida. E, quando preciso, encontro soluções, que é precisamente aquilo que vos vou contar abaixo.

Já tinha dito que tomei a decisão de fazer um bullet journal e deixar as agendas para trás. A experiência tem corrido muito bem, tenho-me vindo a ajustar consoante aquilo que descubro que gosto e não gosto, que uso e não uso, que preciso ou não preciso. Mas perante todo os vídeos e imagens que vi para aprender como é que o bullet journal funcionava, só me apoquentava uma coisa: o meu bloco era horrível. A minha caligrafia não ajuda, é um facto, mas tudo o resto também era mau - eu bem que tentava escrever o nome do mês de uma forma bonitinha, fazer um quadrado com os cantos a 90º ou uma espécie de grinalda num título... mas não resultava. Já utilizava todos os truques que tinha visto no YouTube (autocolantes, washi tape), mas faltava aquele toque de bullet journal. E encontrei.

Comprei uma espécie de moldes (como aqueles que tínhamos em criança) que têm todas aquelas formas típicas de bullet journal e mais qualquer coisa. Desde as típicas setas, aos quadrados e retângulos, passando pelas caixas de título, há logos de redes sociais, números, corações, símbolos meteorológicos, balões de fala... enfim, toda uma panóplia de coisas, muitas que nunca virei a usar. Ao todo são 12 "folhas" com inúmeros desenhos que comprei no ebay por pouco menos de quatro euros. 

Acho que para quem é como eu - um desastre nas manualidades, mas que quer ter um caderno bonito e apresentável - está é uma boa ideia. Fica a dica. Para comprar, aqui.

 

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01
Jun17

As ambiguidades das estratégias de vendas

Há uns dias recebi uma newsletter da Salsa que tinha umas calças que eu achei graça. Fui ao site e acabei por explorar mais um bocadinho – é uma marca portuguesa e, podendo, acho bem que compremos aquilo que é nosso. Nunca fiz muitas compras na Salsa e só uma vez fiz uma compra online, sobre a qual escrevi aqui, uma vez que fiquei tão surpreendida – pela positiva – pelo serviço que prestaram.

Mas bom, andava eu a ver as calças e as camisas e reparei que eles (como outros, provavelmente) têm lá uma indicação de “top seller”. E eu pus-me a pensar naquilo e em como essa indicação, que tem de certeza como objectivo vender mais (não há nada nos sites que seja feito para "não comprar"), a mim não me atrai minimamente: se há coisa que eu detesto é ver pessoas com roupas iguais às minhas - e se um artigo é dos mais vendidos, a probabilidade de ver alguém na rua com uma peça igualzinha à minha é maior, certo?

Gosto de pensar como, muitas vezes, as coisas são tão ambíguas – e a parte do marketing e de vendas é algo que, honestamente, me desperta interesse e acarreta muitos riscos, porque a mensagem pode ser interpretada de mil e uma maneiras. Suponho que quem pensou nesta medida a fez com o objectivo dos consumidores perceberem que esta é uma peça que, por exemplo, veste bem, ou tem bons materiais ou é gira e está na moda – por isso as pessoas têm ainda mais razões para a comprar. Mas, em mim, tem o efeito contrário. Não é que eu seja a amostra mais fidedigna, mas enfim. A verdade é que as estratégias de comunicação e de vendas estão por todo o lado – mesmo onde nós achamos que são coisas “naturais” e frutos do acaso – por isso é sempre interessante pensar no efeito que este tipo de técnicas surte em nós. No fundo, virar o feitiço contra o feiticeiro.

21
Mai17

Pensamentos dispersos na charcutaria de um supermercado

Eu gosto muito de ir ao supermercado - eu sei que isto é estranho, a maioria das pessoas detesta, mas é coisa para me relaxar; gosto de ver produtos novos, as informações nutricionais e, por isso, não gosto de ir à pressa (até porque nesses dias é quando apanhamos mais filas).

Mas é precisamente de filas que eu quero falar: não são as das caixas que mais me incomodam, mas sim a da charcutaria. Por aqui se vê o quanto os portugueses comem queijos, fiambres, chourições, salpicões e mortadelas - com e sem azeitona - aos molhos. Para além de serem muitas vezes quantidades alucinantes (meio quilo de queijo, por amor de Deus!), parece que muitas vezes têm um gosto particular em levar todo o tipo de produtos existentes nesta secção do supermercado. É que nem precisam de sair daqui para irem com o cesto cheio, carregado com coisas suficientes para fazer francesinhas para um batalhão!

Eu, que já sei que para ir à charcutaria é preciso uma vida, já tenho as minhas técnicas: mal chego ao super vou logo tirar senha e vou deitando um olho, de quando em vez, à tabuleta com os números para não perder a lugar - o que, no fundo, são esperanças infundadas porque eu posso praticamente correr a meia maratona por entre os corredores da loja e, quando acabar, ainda faltam três senhas para me atenderem. Mas enfim, uma pessoa pode sonhar.

Como sou organizada, faço um plano de ataque ao supermercado antes de começar a fazer as compras, de forma a demorar o menos tempo possível e não passar vinte vezes no mesmo corredor - e isto faz com que seja sempre (sempre!) mais rápida nas minhas compras (mesmo que sejam muitas) do que a velocidade com que se despacham senhas na charcutaria. Tudo isto piora quando há clientes que exigem que as máquinas sejam limpas porque antes do fiambre de peru que exigiram estava um de porco que pode ter contaminado a dita máquina com carne vermelha; ou que pedem uma fatia para entreter o filho, enquanto encomendam quase um quilo de queijo para a família inteira.

E sim, eu sei disto tudo porque depois de ter o carro cheio, de ter verificado a lista mais de uma dúzia de vezes e de ter pensado em qualquer coisa que me falte na dispensa ou no frigorífico, não tenho outra hipótese senão ficar pacífica e pacientemente à espera que gritem "quarenta-e-dois!", enquanto olho para uma variedade espantosa de enchidos, queijos e coisas que tais é penso na quantidade infindável deste tipo de coisas que invadem diariamente (ou horariamente?) os estômagos dos portugueses. 

Entretanto já está no 41 (yupiiiiiii!). Vou parar de escrever e esperar que gritem por mim. Obrigada pela companhia.


[escrito no supermercado, à espera de 250 gramas de fiambre]

19
Mai17

O mapa mundo-raspadinha

Há duas coisas na vida que eu sinto que me alimentam a alma. É algo difícil de descrever, mas é uma sensação de inspiração pura; saio daqueles momentos com vontade - e a acreditar - que consigo conquistar o mundo. A primeira é viajar, a segunda é ir a concertos. Ainda há tempos não sabia o que havia de fazer com a minha vida, sentia-me mesmo perdida, começava a questionar todas as minhas escolhas - e pensei o quanto me fazia falta ir dar uma volta a um país alheio ou sair profundamente tocada de um concerto.

Mas bom, isto foi só um parágrafo introdutório sobre o quanto eu gosto de viajar, porque na verdade venho aqui mostrar-vos uma coisa que comprei e mostrei ontem no meu instagram e que fez furor, pelo que prometi partilhar tudo e não esconder nada. E o que é? É um mapa mundo ao estilo de uma raspadinha - cada país que já tenhamos visitado, raspamos, e assim ficamos com uma visão global de todos os países onde já pusemos os pés. 

Eu vi isto algures - não sei bem onde - e comecei a pesquisar. É muito raro comprar coisinhas deste género logo à primeira: corro os sites todos (normalmente o ebay é logo a primeira opção e quase sempre a mais barata), comparo preços e só depois é que tomo a minha decisão. Custa-me dizer isto, mas às vezes até as vejo em sites e lojas online portuguesas, que vendem estas coisas giras (e que as pessoas não sabem onde encontrar) por preços exorbitantes, mas contorno o ciclo e vou diretamente à fonte (ou quase), ficando-me tudo muito mais barato.

Comprei este mapa por pouco mais de cinco euros, aqui. Tem 43cm por 30cm, cabe bem numa moldura caso seja esse o efeito que querem dar, mas vem bem acondicionado num tubinho (estilo pintura) para quem preferir guardar e ir fazendo updates de forma mais fácil (uma vez que, depois de emoldurado, é mais chato andar a tirar e pôr de cada vez que se vai a um sítio novo). É em papel resistente e um pouco lustroso, pelo que não tive qualquer dificuldade em raspar. O efeito final é muito giro e tudo o que eu quero agora é raspar mais e mais e mais - é sinal de que estou a fazer aquilo de que gosto e que tenho inspiração para dar e vender. Para já, o efeito é um bocadinho enganar: apesar de me sentir uma sortuda por, aos 22 anos, ter viajado o que viajei, a verdade é que só o verde da Rússia faz parecer que já corri metade do mundo - o que (para já!) ainda não é bem verdade ;)

 

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10
Mai17

Review da semana #20

O partidor de ovos ou CoisasSupostamenteInúteisQueComproNoEbay, parte 2#

 

Há uns meses tive uma insónia e, já em desespero de causa, liguei a televisão em busca de algum consolo e companhia, uma vez que o sono não estava para chegar. Calhou nas televendas. Entre fazer zapping e não fazer, vi um anúncio de uma ferramenta “partidora de ovos” e delirei com aquilo. Custava uma pequena fortuna para aquilo que fazia (podemos partir os ovos à mão e sem custos, não é verdade?) mas eu achei a ideia hilariante.

Passado uns tempos, nas minhas pesquisas por gadgets-giros-e-potencialmente-não-funcionais no ebay, lembrei-me de pesquisar pelo partidor de ovos e, como é lógico, encontrei (há alguma coisa que não exista no ebay?). Estava a um preço muito mais simpático do que nas televendas e, numa de gozo, mandei vir.

Quando chegou já nem me lembrava do que aquilo era e fiquei um bocadinho a olhar para aquele objeto estranho como um boi olha para um palácio. Quando percebi, fui a correr ter com a minha mãe – outra experiente em gadgets-de-cozinha-giros-que-servem-para-pouco – para lhe perguntar se adivinhava o que era aquilo. Não chegou lá. Ri-me que nem bandeiras despregadas enquanto lhe explicava e ela resmungava que a dita ferramenta não servia para nada.

Mas bom, eu estava era em pulgas para a pôr em prática. Ansiava pela minha próxima tarte ou bolo para levar a uma festa de família só para ter de partir ovos. Estava híper curiosa para saber se aquilo ia funcionar – e, pelo aspeto, achei mesmo que ia ser um flop. Por isso filmei a minha primeira reacção, quando estreei o partidor de ovos.

 

 

Funcionou! E funcionou tão bem que não consegui não rir – muito! – com o sucedido. No vídeo não se vê porque a peça não estava encaixada, mas pode acrescentar-se uma pecinha por debaixo do sítio onde o ovo é aberto de forma a separar a gema da clara – o que torna isto ainda mais completo e “sério” (se é que isso é sequer possível).

Já testei mais vezes e foi muito raro o ovo em que isto correu mal. É óbvio que não é uma ferramenta essencial em todas as cozinhas, as nossas mãos fazem perfeitamente este trabalho… mas tem piada. E as gargalhadas que dei enquanto abri estes ovos, já valeu os três euros que dei por isto.

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