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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

13
Out21

Uma história com princípio, meio e sim! #18

Os momentos de um casamento diferente

A entrada dos noivos (errrr, perdão - do noivo)

Basta recordar um dos momentos mais marcantes do meu casamento para se perceber que se tratou de uma cerimónia diferente do habitual. Ao contrário de todos os outros, é da entrada do noivo que todos se lembram. A minha entrada foi "normal"; a do Miguel foi "A" entrada. 

Começou por ser uma ideia "parva" e um tanto ao quanto descabida... até ao momento em que se tornou realidade. Os meus sobrinhos, ao saberem que as irmãs/primas iam ser as minhas meninas das alianças, indignaram-se por os rapazes não terem nenhum papel de destaque no casamento. Aí o Miguel lembrou-se de os incluir na sua entrada... mas com um twist inesquecível: os rapazes escoltariam o Miguel até ao altar ao som da Marcha Imperial do Star Wars, todos vestidos a rigor: Stormtroopers, Boba Fett e Darth Vader. Correu tudo lindamente: os miúdos guardaram segredo (até dos pais!) durante uns cinco meses, os fatos eram super giros (mandamos vir da Amazon) e toda a gente ficou a perceber que não estavamos ali para brincar - pelo menos na parte em que dissemos que aquele ia ser um casamento para mais tarde recordar, recheado de trunfos na manga, que guardamos em copas durante todo aquele tempo.

Eu e o meu pai, presos no camarim, fomos os únicos que não testemunhamos este momento - mas soube, mal entrei, que tinha sido épico. 

A minha entrada é dos momentos que não gosto particularmente de recordar: primeiro porque estava chateada por ter estado tanto tempo presa no camarim, segundo porque fiquei ainda pior quando percebi que a música que estava a tocar não era a correta e terceiro porque contempla um momento de sufoco para mim, em que já consigo olhar para o altar e vejo o Miguel a chorar como uma perdido à minha espera. Para muitos é fofinhó-coiso, para mim é só sinónimo de sofrimento, ver alguém a chorar assim, mesmo que seja de emoção ou felicidade.

Por isso a entrada resume-se a isto: ao Miguel, ao seu Star Wars e eu, finalmente, a chegar até aos braços dele. 

 

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Os votos e a cerimónia

A cerimónia foi feita pelo meu irmão mais novo - algo que, mais uma vez, partiu de uma ideia à partida parva e descabida, mas que acabou por se tornar realidade. Os meus irmãos são das pessoas mais importantes da minha vida e eu queria muito que tivessem um papel preponderante neste momento. Assim, a minha irmã e o meu irmão mais velho foram os padrinhos - uma escolha particularmente difícil no campo masculino, tendo em conta que tenho dois irmãos e não queria deixar um de fora. A solução? Incluir o não-pradrinho na cerimónia e, assim, cada um teria o seu papel.

No início ainda estivemos na dúvida sobre o que fazer: levar o conservador à quinta, contratar um cerimoniante ou arriscar de facto no meu irmão para esse papel. Fomos pela última hipótese; costumo dizer que é o meu irmão palhaço, por isso aquilo tinha tudo para correr bem. Queríamos muito que a cerimónia fosse intimista, muito nossa; que o cerimoniante nos conhecesse, que conseguisse falar com conhecimento de causa. A vantagem aqui era poder juntar uma pontinha de humor e que, embora emocional, a cerimónia fosse também divertida para quem estivesse a assistir.

Mais uma vez foi uma "idiotice" que nos saiu melhor que a encomenda. O meu irmão, nervosíssimo, foi muito mais sério no discurso do que aquilo que eu imaginava - mas saiu-se lindamente, com palavras lindas e muito emotivas também.

As madrinhas leram um texto cada uma (com muitas lágrimas à mistura) e depois chegou a nossa vez. O dele lido com a voz embargada e carregado de emoção; o meu, já quase decorado de tantas vezes o ter rescrito e relido, declamado ao mesmo tempo em que olhava de soslaio para o meu marido, com direitoa algumas piadas pelo meio, para que tudo aquilo não fosse só choro. Foram momentos muito bonitos e muito especiais, em que o poder das palavras tomou uma dimensão enorme e nos encheu o coração de amor. 

 

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A entrada na sala

Confesso que sempre achei este momento-cliché um bocadinho parvo, mas acabou por ser provavelmente o meu preferido de toda a festa. Primeiro porque foi precedido pelos únicos cinco minutos que tive sozinha com o Miguel, no camarim, enquanto toda a gente entrava na sala e se sentava - e como é bom saborear o silêncio num dia como este, ao lado da pessoa que está no olho do furacão connosco! Segundo porque foi genuinamente feliz e improvisado, desprovido de stress, tensões ou emoção em demasia e em que a música (Crazy Little Thing, dos Queen) estava em harmonia perfeita com o nosso estado de espírito. Diverti-me imenso a rodear as mesas, a dançar (sob o olhar de espanto dos meus convidados) e a poder olhar para as pessoas que partilhavam este dia connosco. Com o bónus de, no final, termos dado abraços bem apertados às duas mesas mais especiais do nosso casamento: a nossa (com os nossos pais) e a dos padrinhos. Recordo-o com saudade.

 

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O vídeo e o discurso aos pais

O almoço ia a meio mas as surpresas ainda estavam só no início. Primeiro foi para nós, depois foi para os outros.

A irmã do Miguel, numa homenagem à vida de ambos, fez um vídeo cheio de fotos nossas, recordando todo o percurso que havia de nos levar até ali. Um gesto que eu, confesso!, já esperava - mas que independentemente da expectativa, de se saber ou não, nos comove sempre. Não só por olharmos para o passado mas por percebermos que houve quem dedicasse o seu tempo para nos proporcionar aquele momento. 

Depois chegou a nossa vez. Se os irmãos são das pessoas mais importantes das nossas vidas e os queríamos incluir neste dia, os nossos pais deram-nos vida e, como tal, não podiam ficar de fora. No bolso do Miguel escondia-se um pequeno discurso, escrito um par de dias antes do casamento, que lemos para os nossos pais, como forma de expressarmos por eles o nosso amor e um agradecimento público por tudo aquilo que nos proporcionaram até ali - incluindo aquele momento. Algures na minha parte, agradeço-lhes por aturarem e acederem às nossas maluqueiras e manias, ao que o meu pai diz, a alto e bom som: "que remédio!". Ouviu-se um riso generalizado - pois sabiam que, no fundo, é verdade ;)

Depois do riso veio a descompressão, naquele que para mim foi o momento mais emotivo de toda a festa. "Casamento" e "pais" não são, para mim, palavras fáceis de conjugar - e acho que, de uma forma geral, este é visto como um momento de rompimento na relação entre os filhos e os pais. Nunca concordei com essa forma de pensar, fiz tudo para que não acontecesse, mas não quer dizer que não me afete. E ali, num dia tão recheado de emoções, não tive como fugir àquele momento.

 

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A música ao vivo (e o jogo de Portugal)

Já contei aqui que a música ao vivo foi uma decisão de última hora - mas foi a melhor decisão do mundo! O S. Pedro colaborou e os nossos planos puderam ir avante, por isso o concerto foi no exterior e pudemos todos estar sem máscara, distanciados e a desfrutar do dia e da música incrível que os Simple Sound nos proporcionaram.

Percebi que, sim, é possível fazer um baile à tarde. Que sim, é possível ser ao livre. Que vale a pena não ter medo de arriscar em coisas fora do comum, porque compensa em dobro! Pude confirmar a minha teoria, de que não é preciso escuro, luzes loucas e bolas de disco para se fazer a festa. Foi um momento incrível, com a melhor vibe de todo o casamento. Se me dissessem que todas as festas eram assim, eu passaria a ser uma party person.

Se toda a gente aproveitou? Não. Ficaram na sala os mais velhos, os mais friorentos (se dançassem, o frio passava logo) e os mais chatos. Ah, e os futeboleiros. Tivemos o azar do casamento calhar em dia de jogo decisivo para Portugal, em pleno europeu. Fomos obrigados a tomar uma decisão: ou fingir que o jogo não existia ou aceitar e embarcar na viagem de ver um jogo em conjunto. Não havia opção ideal - isso seria não haver futebol. Mas havia e, com as novas tecnologias, metade dos homens ia estar agarrado ao telemóvel a ver o resultado em tempo real. Por isso aproveitamos o projetor que já tínhamos alugado para o vídeo e projetou-se o jogo. Muita gente não foi à partida para o exterior por causa disso; outros ouviram parte da música e, à hora marcada, subiram para ver o futebol. 

Preferimos assim. Como diz o ditado: só faz falta quem cá está, e na plateia dos Simple Sound foi isso que senti. Nós, os noivos, não vimos nem uma coisa nem outra por completo: do concerto tivemos de sair a meio para ir tirar as fotos ao pôr-do-sol (com muita pena minha, pois estava gostar MUITO); do jogo só vimos o fim, com Portugal já a perder. É a vida. Foi da maneira que não "estragou" mais casamentos.

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O corte do bolo

O corte do bolo tem todo um protocolo (que só nos dizem três minutos antes de acontecer) e por isso - mais uma vez! -  é um momento pouco natural. Se por um lado dá fotos espetaculares - nisto tenho de dar o braço a torcer - por outro é só mais uma coisa feita de propósito para o livro de recordações. Aqui não mudei de ideias: se de facto desfrutei da entrada na sala (quando achava que não ia acontecer), aqui foi só o cumprir do momento. Se foi bonito? Foi. Se foi giro? Também. Se acrescenta valor? Nem por isso.

Mas a verdade é que as pessoas adoraram, elogiaram imenso o momento e creio que o retiveram na memória. Nesse aspeto fico feliz em ter cedido na questão do fogo de artifício em cascata (não queria porque, lá está... #clichê) porque dá um efeito diferente, algo mágico. Sem isso o corte do bolo seria só mais um momento do protoloco ainda mais sensaborão.

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A primeira dança (aliás, canção), a valsa e o baile

Já se tinha passado todo um dia de festa mas nós ainda tínhamos uma surpresa na manga. Provavelmente a maior de todas.

Nunca gostei de dançar - e desde o ciclo que tenho muita vergonha em fazê-lo em público, por causa de umas aulas horríveis que tive na altura. O Miguel não tem traumas do género, mas não é atividade que lhe dê grande gozo. No fundo é como eu, que danço quando o rei faz anos... ou quando alguém se casa ou há uma passagem de ano animada ao ponto de me fazer mexer as ancas. Por isso só a ideia da "primeira dança" me (nos?) dava arrepios. Decidimos logo que essa seria uma das tradições que passaríamos à frente. Mas queríamos algo que servisse para abrir a pista, altura em que toda a gente se juntaria e não seríamos só nós o centro da atenção. E o que fizemos? Cantamos.

Algures em Março estava muito em voga a música "Maldita a Hora", do João Só; o Miguel passava a vida a cantarolá-la quando chegava a casa e, quando ouvimos com atenção a letra, percebemos que fazia todo o sentido na nossa história. Passamos por várias fases: ser outra pessoa a cantá-la para nós, ser o Miguel a cantar esta música e eu cantar outra, mas acabamos por fazer um dueto no casamento. Acho que foi o dueto mais improvável da história, tendo em conta a cara das pessoas que nos rodeavam. Eu prefiro cantar a dançar, mas o Miguel prefere não fazer qualquer das duas coisas. Foi, mais uma vez, uma prova de amor. E, dadas as reações, a garantia de que vale a pena fazer diferente, se assim desejarmos. 

A dança veio depois. O mote foi dado por uma valsa que a família da minha mãe ensaiou e que trouxe muita gente para a pista. Foi um momento clássico mas muito giro, e que agora já não é assim tão comum - se antes de começava sempre com valsas, agora são as músicas contemporâneas que chamam as pessoas à pista. Mais uma coisa que combina connosco, velhinhos de alma, que demos de frosques mal a coisa começou a virar mais arockalhada.

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28
Set21

Uma história com princípio, meio e sim! #17

Estacionário, DIY e compras do AliExpress

Os convites foram a única coisa, ao nível de estacionário, que mandamos fazer fora. Mais uma vez, foi através do site casamentos.pt que descobrimos a Diferente e, em pleno confinamento, não tivemos grande solução senão tratar de tudo por email. A verdade é que foi tudo tão ou mais simples do que se tivessemos ido lá, muito graças ao site bem trabalhado que eles têm e às respostas rápidas, práticas e esclarecedoras do Pedro. O processo foi muito simples: depois de darmos uma vista de olhos no vasto catálogo online que têm disponível, escolhemos o estilo de convite que queríamos, propusemos algumas alterações e escrevemos o texto à nossa medida. Uns dias depois tínhamos um protótipo em casa. Depois de dado o ok, foi esperar cerca de duas semanas e chegou-nos uma caixa cheia de convites, prontos a distribuir pela família e amigos.

Foi através dos convites que demos o pontapé de saída para a temática do nosso casamento: campestre, verde e com traços entre o clássico e o moderno. O design original do convite já tinha folhas de oliveira, que quisemos manter, pois para além do lado estético, têm um simbolismo bonito (glória, abundância, paz); mandamos fazer um sinete com as nossas iniciais, para fechar o convite - era algo que queria muito, pois lembra-me o meu pai, de ser pequena e de ele derreter cera para que eu pudesse "pisar" uma carta com um sinete que tínhamos lá em casa. Para além do texto habitual do convite (mais visual e moderno que os tradicionais), acrescentamos um poema na parte de trás, que a minha mãe me ajudou a escolher. Fernando Pessoa, claro está. Foi um detalhe que poucos repararam - a tal história dos pormenores de que falei - mas que, para mim, foi importante.

Gostei muito do resultado final dos convites e ainda hoje adoro olhar para eles. Há muita gente que agora dispensa os convites em formato físico, pois são um gasto extra, não acrescentam nada (para além de espaço na gaveta) e é uma opção mais ecológica. Mas, no nosso caso, não era muito exequível; a idade média dos convidados era acima dos 50 anos, não temos o email da maioria (e muitos deles não terão sequer email), e por isso teríamos de pedir contactos, pré-anunciar o casamento e em alguns casos não passaria disso, porque há muita gente ainda distante de tecnologias. Se é algo que as pessoas guardam e só vêem uma vez por década? É. Mas é uma memória, e não há coisa que eu preze mais na vida.

Não foram baratos (50 convites custaram cerca de 300 euros, incluindo o sinete personalizado que mandamos fazer) - mas compensamos o investimento em tudo aquilo que depois fizemos dentro de portas. Foi importante para termos uma inspiração, algo em que nos pudéssemos basear e seguir. 

 

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Em relação ao table sitting, aproveitámos uma ideia da própria quinta para apresentar a distribuição dos convidados pelas mesas. Correu bem porque que, na verdade, não podia ser mais de acordo com o nosso tema: trata-se de uma oliveira em que são presos cordéis, onde depois são colocados os cartões das diferentes mesas. Não tenho nenhuma foto global do aspeto da oliveira no meu dia de casamento, mas mostro abaixo o efeito, num outro casamento.

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(foto: casamentos.pt)

 

 

Como de costume, não quis ser simples e dar números às mesas. Foram meses a pensar nisto e, pelo menos, outro mês a executar. Queríamos que até as coisas mais básicas tivessem significado e a nossa ideia foi utilizar as mesas e os menus para nos dar a conhecer, assim como a nossa história de amor (afinal de contas não era por isso que estávamos todos lá?); tanto eu como o Miguel somos pessoas reservadas, que não partilham muito sobre a sua vida íntima/amorosa, e por isso a maioria dos convidados não fazia ideia de como nos tínhamos conhecido ou apaixonado. Eram 14 mesas - cada uma com o nome de um capítulo da nossa vida a dois. Mas fomos além do nome: cada convidado encontrou, por detrás da sua ementa, uma das 14 histórias que escrevemos sobre a nossa história de amor. No fundo, 14 capítulos da narrativa que culminava naquele dia tão especial.

 

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Tentamos que as pessoas reparassem e percebessem esta ideia através de uma plaquinha de madeira que colocamos no fundo da tal oliveira. Porque para além de nos darmos a conhecer, tínhamos também a intenção de quebrar o gelo que eventualmente pudesse existir em mesas com pessoas que não se conhecessem tão bem, levando-as a trocar e comentar as histórias que iam lendo. Escusado será dizer que não resultou muito bem; na placa ninguém reparou e as histórias, modéstia aparte, também não tiveram o devido destaque. Tivemos o cuidado de as distribuir de forma a que não se repetissem em nenhuma mesa; no entanto, para ler toda a narrativa, era necessário falar com outras mesas e fazer trocas.

Apesar de achar que a adesão não foi a melhor, foi muito bom ver que, enquanto se esperava pela comida, havia pessoas a ler aquilo que, com tanto carinho, escrevemos e preparamos - e houve quem de facto se esforçasse para ler todas! Foi dos detalhes mais morosos de todo o casamento, mas dos que nos deu mais gozo. Primeiro porque fez com que revivessemos todos os momentos mais importantes da nossa jornada juntos e segundo porque, claro, é a minha praia! Adoro escrever! Foi um dos segredos do casamento que guardamos até ao último minuto - ninguém sabia, à excepção do meu pai - e é das coisas que mais me orgulho no meio de toda a organização e sei que é um pormenor que gritava "Carolina!" e que foi pensado com muito amor.

 

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A distribuição da comida na ementa foi uma private joke que poucos entenderam, pois estava distribuída com "princípio", "meio" e "sim!" - uma alusão a esta rúbrica aqui no blog. 

 

(podem clicar nas fotos de forma a ler as histórias - duas das catorze que escrevemos)

 

E porque aqui os louros são merecidos, reforçar que foi tudo feito por nós: desde o design e a conceção dos menus (parece fácil, mas só descobrir aqueles clips do topo foi o cabo dos trabalhos!), até ao corte e "clipagem". Fizemos vários protótipos, tentamos várias modalidades, imagens, papéis... e acabou por ser este o resultado final. Comprei o papel kraft (o mais escuro) e outra cartolina mais clara na Craftelier, assim como um furador-mini e os brads (os clips). Imprimimos em casa dos meus pais e cortamos tudo com uma espécie de guilhotina da Tiger que tinha parada há anos. Os tronquinhos que seguravam o nome das mesas foram comprados no AliExpress (uma das várias compras que lá fiz, algo que falarei mais abaixo).

 

Acima já vos mostrei uma das plaquinhas de madeira que distribuímos pela quinta: apesar de todas terem um vertente decorativa, algumas tinham um objetivo ou mensagem concreta que queríamos passar. Ainda procurei fornecedores para fazer isto, mas uma placa simples a dizer "bem-vindo", com os nossos nomes, custa facilmente mais de 60 euros. Por isso, mais uma vez, foi um trabalho de DIY que fizemos em conjunto e que nos deu demasiado trabalho para o feedback que teve - mas que compensou por ter ficado exatamente como sonhámos. Comprei uma placa de dois metros por 50cm no Leroy Merlin (por 16 euros!) que mandei cortar com as medidas que queria. Em casa, depois de uma breve lixadela, demos-lhe com uma espécie de tinta que as escureceu e lhes deu um ar mais rústico. Depois veio a parte pior: escrever os dizeres das placas (que queríamos que fossem giros e não meramente indicativos), fazer o seu design, cortar o vinil (o Miguel trabalha na área e por isso temos essa facilidade) e colá-lo na madeira (que foi um inferno, porque não nos lembramos que cola e madeira com verniz não combinam muito bem). 

Acabamos por fazer seis placas: uma de boas-vindas, outra com a cronologia do dia, uma para colocar junto ao livro de assinaturas, outra na árvore do table sitting, uma com a hashtag do casamento e ainda outra junto aos leques que colocamos à disposição dos convidados, também para servir como souvenir. Se eram todas necessárias? Não. Mas tínhamos madeira de sobra e, mal por mal, decidimos aproveitar. A placa de boas-vindas e a cronologia foram as que tiveram mais impacto (também eram as maiores), mas eu gosto muito da estrofe que fizemos para colocar na oliveira. 

 

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Sobre os cavaletes: a quinta tinha um, nós levamos outro, que a minha mãe utiliza para fazer as suas pinturas

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O livro de assinaturas também mandamos vir do AliExpress. Ficou muito giro mas teve pouquíssima adesão, por isso ainda bem que não foi algo em que gastámos demasiado dinheiro.

O AliExpress, para além de ser a fonte de inúmeras ideias e inspirações, foi na verdade um dos nossos maiores parceiros. Foi lá que comprei a primeira coisa para o casamento - o tal leque para oferecer aos convidados. A ideia era boa, mas para além de não ter estado muito calor, a data que mandei gravar estava errada (culpa minha, porque me precipitei e comprei os ditos antes de ter marcado o casamento, ficando assim marcada a data que inicialmente queríamos e não aquela que efetivamente acabou por ser). Mas não foi por isso que deixamos de os dar, explicando depois aos mais atentos aquilo que se tinha passado.

 

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Também foi do AliExpress que mandei fazer a caixinha de transporte das alianças, assim como os cones para as pétalas - tudo personalizado com o nosso nome e data de casamento. As opções são infinitas e muito baratas comparadas com as opções que aqui existem, por isso acho que compensa muito pensar nestas coisas pequeninas com tempo e mandar vir de lá. Se não correr bem, o investimento também não é grande.

 

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As caixas que usamos para colocar os cones de pétalas foram as mesmas que, mais tarde, serviram para colocar as suculentas para oferecer. Algumas das pétalas foram fornecidas pela Verónica; outras foram aproveitadas dos ramos que a minha mãe havia recebido no seu aniversário, duas semanas antes do meu casamento. Viva a reciclagem e reutilização!

Com este post termino a parte chata (mas eventualmente útil) que diz respeito às compras, aos fornecedores e a tudo o que se tem de pensar/aquirir/fazer para um casamento "normal" tomar forma. A organização em si está toda aqui. Alguma dúvida, já sabem que a caixa dos comentários é a serventia da casa ;) 

15
Set21

Uma história com princípio, meio e sim! #16

Decoração da sala, flores, bouquet e souvenirs

Agora que já atravessamos os tópicos mais "macro" do casamento - aquelas coisas que têm mesmo de se tratar, que se são exaustivas e por vezes chatas - passemos à parte facultativa e, para mim, mais divertida. Falemos do que é mutável, personalizável e eventualmente memorável. Já disse aqui - muitas vezes? - que tinha um medo atroz que o meu casamento fosse igual a todos os outros e queria muito fazer (e ser) diferente naquilo que conseguisse, de forma a deixar o meu (nosso, meu e do Miguel) cunho. O meu desejo era que um convidado olhasse para trás e tivesse meia-dúzia de memórias daquele dia, que retivesse algo porque notou a diferença.

E se por um lado fizemos coisas à grande (ainda não contei, mas contarei em breve), por outro tivemos muito cuidado com todos os pormenores. Também já o referi aqui, mas repito - acredito profundamente que são os pormenores que fazem a diferença. São eles que tornam o todo melhor, mesmo que não sejam notados na sua individualidade; as coisas pequenas têm essa dinâmica infeliz, de serem notadas apenas quando falham e não quando estão presentes, mas faz parte. E embora muitas pessoas não tenham reparado em metade, nós reparamos e fizemo-lo com gosto e com propósito.

 

A decoração da sala é das primeiras coisas que se decide, assim como a disposição primária das mesas e do local do DJ. Passa-se depois para a decoração das mesas. As quintas funcionam, na sua generalidade, por packs; normalmente existem três: um mais básico, outro de gama média e outro de gama alta. Aquilo que difere entre eles é normalmente a quantidade (e qualidade) do álcool envolvido, o número de buffets e sua diversidade, e alguns extras como fogo de artifício, champanhe à entrada, etc. A decoração, à semelhança de muitos outros serviços que as quintas oferecem, funciona por acrescento; independentemente do pack que se escolha, trabalha-se sempre com base no serviço de loiças/talheres mais básico que existe (que é branco, branco e... branco). Querem diferente? Pagam. Querem um copito com cor? Pagam. Um talher dourado? Pagam. Uma toalha azul em vez de branca? Pagam. São as regras do jogo.

A primeira coisa que fizemos - e que para nós era imperativa - foi mudar as cadeiras. Nos últimos meses vi muitas, muitas, muitas fotos de casamentos - e segundo um estudo feito por mim (cujo rigor não consigo garantir, mas não têm outra hipótese senão confiar), 80% das quintas de todo o mundo têm exatamente as mesmas cadeiras (podem ver aqui). Como é que isto é possível? Não sei. Mas aquele fornecedor deve ter feito bom dinheiro. Azar dos azares, nós detestamo-las - e por isso o nosso maior investimento ao nível da decoração foi noutro tipo de cadeiras (as desta foto), mais amadeiradas e rústicas, tal como o tema do casamento. Acrescentamos também um marcador de palhota, um guardanapo e um copo verde, para não ter tudo um tom deslavado. As mesas dos convidados eram redondas, com atoalhados cor de linho (pack básico); a mesa dos noivos, onde nos sentamos nós e os nossos pais, era de madeira, com um arranjo floral suspenso, muito bonito, que acho honestamente que foi dinheiro bem gasto. O centro floral das mesas era adornado por um cubo, pelo qual também tivemos de pagar (e, bem... era dispensável, admito).

As flores foram providenciadas pela quinta, sendo que só vi os arranjos no próprio dia. Disse apenas aquilo que queria - eucaliptos, gipsofilas, astromélias e tudo o que fosse na mesma onda - e, no dia, era esperar que gostasse. A ideia era que predominassem os verdes, com os pequenos apontamentos de branco, o que foi cumprido. Não queria rosas e algumas apareceram lá pelo meio - mas, confesso, foi para o lado que dormi melhor. Na verdade só vi os arranjos com "olhos de ver" no dia seguinte ao casamento, quando fui deixar uma série de coisas que  tínhamos deixado na quinta.

 

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Cubos no centro de mesa, com arranjos florais

 

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Suspenso da mesa dos noivos (infelizmente não tenho uma foto do conjunto mesa-suspenso)

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Disposição da mesa e decoração

 

Havia apontamentos florais também nas cadeiras a caminho do altar e optamos por ter um semi-arco de folhas antes das cadeiras (algo parecido com isto), que serviu à posteriori para tirar as típicas fotos de pose. Não tenho nenhuma foto onde ele se veja claramente e, honestamente, acho que não fez muita diferença (espero estar enganada, uma vez que custou um dinheiro razoável). 

Mas não podia falar em flores sem falar das mais importates de todas: as do bouquet! Os ramos das noivas fazem parte daquela lista absurda de coisas comuns que normalmente são baratas mas que, como é para casamento, passam a custar os olhos da cara. Nunca esteve no meu plano ir a uma florista e dizer que ia casar; ia pedir um ramo normal, com as características que queria, e depois estilizava-o da forma que desejasse, caso fosse necessário. Na altura até andei a ver ramos na internet, para não ter de enganar ninguém (nem me roubarem a mim), mas entretanto falou-se da florista da minha sogra, que se disponibilizou a fazer o trabalho. Trabalho esse que eu não podia recomendar mais - por ser criativo, dedicado e feito à minha medida; por ser um negócio local, que todos devemos ajudar. 

Dei à Verónica, da BelaDona, a ideia daquilo que queria e uma série de fotos para servirem de inspiração. Tendo em conta que o casamento seria todo em tons de castanho e verde, queria dar no bouquet um apontamento de cor. Mas, mais importante, queria muito que fosse feito com flores secas, de forma a que o ramo aguentasse uma vida sem se estragar. Passado uns tempos passei na sua loja, no Castêlo da Maia, onde tinha um monte de flores diferentes para escolher. Depois foi só deixá-la fazer a sua arte. 

Mandei fazer o meu bouquet, um outro muito semelhante para atirar (que acabou por não acontecer), dois pequenos raminhos para colocar nas campas dos meus avós e um apontamento para o fato do Miguel. O que restou das flores foi para o bolo, que ficou com uma decoração única e que "casava" com o meu ramo. Daí ainda sobraram alguns raminhos de cada espécie, com os quais fiz - já depois do casamento - pequenos ramos para oferecer às mulheres que me acompanharam nesta jornada: mãe, irmã, cunhada, sogra e meninas das alianças. O principal, o meu bouquet, mora hoje no nosso quarto - comprei uma jarra de propósito para ele e é a peça que me lembra diariamente que aquele dia aconteceu.

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O bouquet, ainda na florista, sem a parte do "punho", que esteve em hipótese ser em ráfia ou corda, mas que acabou por ser um fio estilo papel kraft

 

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No dia, já com o bouquet pronto

 

A Verónica ficou ainda responsável por fazer os nossos souvenirs. Não queríamos dar nada que fosse para uma gaveta e nunca mais ser visto, que é o que acontece com a maioria das lembranças de casamento. Vimos várias alternativas, pensamos num íman para o frigorífico, máscaras... mas a ideia que ganhou foi mesmo a primeira: suculentas. É algo que (à partida) não vai para o lixo nem se guarda numa gaveta e que, não tendo utilidade prática, será sempre algo decorativo e que serve a maioria dos gostos (até porque havia variedade para escolha). Para além disso, no universo das plantas, faz parte daquela lista que não exige grandes cuidados ou atenção, tendo uma maior hipótese de sobrevivência mesmo em casas que não tenham este hábito. Ainda por cima seguia o nosso tema: rústico, verde e floral. Melhor era impossível! :)

Não consigo dar valores de referência do serviço de florista, pois todas estas peças não foram pagas por nós. No entanto, sei seguramente que não foi nenhum balúrdio - e que o meu bouquet terá custado muito menos do que os absurdos 150, 200 ou 250 euros que muitas vezes pedem para este tipo de arranjos. Por isso o conselho é o mesmo que o dos cabeleireiros: procurem, perguntem, arranjem referências e conselhos de pessoas amigas, não menosprezando pequenos negócios como este que, no meu caso, fizeram tod a diferença.

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Ainda na florista, o primeiro exemplar das nossas suculentas, envolvidas em ráfia e com um pequeno laço verde à frente. Havia ainda um detalhe em papel kraft com os nossos nomes - o design foi feito por mim e mandei imprimir as rodelas na 360 imprimir.

 

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O setting do bolo (decorado com as flores do bouquet), onde estava também o nosso livro de assinaturas e as suculentas. As caixas de madeira onde elas estavam e onde as distribuímos já eram minhas - umas utilizadas na arrumação de fotos, outras em produtos de beleza - e utilizei-as no dia para não ter de comprar outras para o efeito. O rústico, mais uma vez, presente.

 

No post seguinte falo de tudo o que é estacionário e outros detalhes - a maioria deles feitos por nós.

08
Set21

Uma história com princípio, meio e sim! #15

A música, o DJ e uma série de decisões complicadas

O entretenimento foi a parte do casamento que nos trouxe mais dúvidas desde o início. Não somos pessoas de festas, pelo que não conhecemos DJ's ou músicos nem sabemos aquilo que resulta num ambiente festivo (a questão de fazer o baile durante a tarde, por exemplo, assombrou-nos durante imenso tempo e fez com que adiássemos a programação do dia até à última da hora). O facto de termos ido a poucos casamentos também não abonou a nosso favor, pelo que tivemos de seguir o nosso instinto.

Uma das coisas más em organizar um casamento em seis meses é a urgência que se tem em arranjar fornecedores. A minha prioridade após ter a quinta, como já disse aqui, foi o fotógrafo. O vestido de noiva e o entretenimento vinham a seguir. Mas, na música, estávamos a navegar na maionese - sendo que, ainda por cima, não é algo que consigamos avaliar num vídeo ou muito menos em fotografias; é o tipo de coisa que se experencia e se aprecia (ou não) e que nem os comentários de outras pessoas ajudam muito, pois depende do estilo e gostos de cada um. Tínhamos poucas referências de nomes e zero referências de preços, pelo que optamos por um pack oferecido pela equipa de fotógrafos, que está neste momento a lançar esse serviço. 

Olhando para trás penso que foi o maior erro que cometemos, ao nível do casamento. Não que o serviço do DJ tenha sido mau: mas porque pagamos mais do que tinha sido necessário (à posteriori soubemos de outros preços e conseguimos comparar) e porque, na verdade, usufruímos muito pouco, tendo em conta que o nosso casamento acabou cedo e teve muito pouco baile. E a verdade é que a própria vibe do DJ também não coincidia com a nossa, o que acabou por fazer com que, ao final da noite, a música resvalasse para onda muito mais rock/house que não era, de todo!, do nosso agrado. No entanto, no meio de tanta coisa a decidir, acho que "errar" num só ponto do casamento não é tão grave assim.

Em relação à música a nossa abordagem foi simples: fizemos uma playlist de canções que gostávamos para o DJ ter uma ideia dos nossos gostos, assim como uma lista das músicas dos momentos-chave. Também dissemos aquilo que não queríamos: era proibída Beyoncé, Jerusalema, tudo o que é pimba, kuduro e outros estilos parecidos (a dança do quadrado também estava nas exclusões).

Tirando a parte inicial - em que o DJ não pôs a versão da música que eu queria para caminhar até ao altar, e eu fiquei POSSESSA - e a parte final, mais arockalhada, a perceção que eu tenho (porque, confesso, a minha atenção raramente se dirigia para a música de fundo) é que o DJ fez um bom trabalho quando estava em livre demanda. A verdade é que não havia muito por onde errar, uma vez que era só passar música; prescindimos de toda a parte de entretenimento que normalmente está a cargo dos DJ's: não houve jogos, desafios, cantorias nem sequer lançamento de bouquet.

A escolha das músicas dos momentos-chave (que deixo abaixo) foi dos processos mais chatos e demorados, até porque eu e o Miguel não temos gostos iguais. Passei semanas a pensar na forma como ia entrar no altar. Acabei por fazer uma short-list e escolhemos os dois em conjunto, e o critério foi simples - a emoção. Na música escolhida, e a imaginar o momento, começamos logo os dois a chorar como madalenas, por isso a decisão ficou tomada mesmo antes de a termos racionalizado. O mesmo não aconteceu com as outras, e acabou por ser tudo escolhido à última da hora - ou era, ou era! - mas no final acho que resultou tudo muito bem e fiquei feliz com a escolha de todas elas. Gostava de ter utilizado uma música do Jamie Cullum e outra do Twilight neste mix de músicas importantes, mas acabou por não acontecer e está tudo bem ;)

Mas a música não ficou por aí - e estamos apaziguados com esta questão porque, apesar de acharmos que não fizemos grande negócio com o DJ, temos a certeza que acertamos em cheio quando decidimos ter música ao vivo. Esta hipótese esteve muito tempo em cima da mesa (o meu irmão era o maior entusiasta desta ideia) mas, com o DJ contratado,  não sabíamos onde encaixar mais um momento musical. Mas encontramos "O" grupo e mexemos várias vezes no programa até encontrar aquela que foi a fórmula ideal para o nosso casamento e proporcionar aquele que, para mim, foi o seu momento mais alto.

Tivemos uma sorte descomunal por o Trio Simple Sound ter a data disponível - porque se não fossem eles, provavelmente a música ao vivo ficava descartada. Eles refletiam tudo aquilo que queríamos para o nosso dia: uma vibe muito chill, descontraída, divertida mas sem ser excessiva. Gostamos logo imenso do Ricardo na primeira reunião, numa identificação perfeita de valores e de ideais, e soubemos que no dia tudo ia correr bem. E correu. O trio interpretou perfeitamente o público que tinha à frente, e ia-os "alimentando" sempre com mais música (e até discos pedidos!), fazendo com que o pessoal dançasse coisas que, à partida, não são assim tão dançáveis. E desconstruiu uma ideia de que tinha muito medo: "será que resulta o baile à tarde?". Resulta! Mais do que isso: à tarde e ao ar livre, que foi só ouro sobre azul. Acho que é só querer, escolher bem os músicos e, acima de tudo, fazer parte do movimento. Tenho uma pena enorme de só ter assistido a metade do concerto (na outra parte estávamos a aproveitar o pôr-do-sol para tirar as típicas fotografias), porque sei que foi a parte do casamento com a qual mais me identifiquei. Foi aquele o casamento com que sonhei. Quando voltei já tinham acabado - mas toda a gente queria mais. Contratava-os de novo, num piscar de olhos, para um casamento ou qualquer outra festa. Gostei mesmo muito. 

De fora ficou a ideia de fazer um quizz depois do almoço. Na altura  fiquei triste por não conseguir avançar com algo que achava ser original, mas no dia fiquei aliviada, pois os tempos descambaram e teria sido (ainda mais) difícil de gerir tudo o que ainda havia para acontecer. Por outro lado, acho que as pessoas não vão para um casamento para fazer um trivia; a maioria das pessoas gosta de comer, beber e conversar - e a atividade de pensar muito, num dia que supostamente deve ser descontraído, não está nos seus planos. Eu sempre vi um casamento como uma festa - e festa, para mim, inclui jogos de tabuleiro e boas conversas - mas, na verdade, um casório é visto como uma coisa diferente, com tradições distintas, que não se coadunam com muitas das ideias que tinha para mim e para esse dia. Podia fazê-las - mas sei que a adesão não seria a ideal, e que o meu entusiasmo não seria refletido nos outros. E, mais uma vez, entra aqui um mantra típico, verdadeiro mas doloroso, que é: o casamento é nosso, mas a festa é dos outros. 

Ainda assim, diria que o balanço a nível de entretenimento foi positivo.

 

Para memória futura, a lista das músicas que acompanharam os momentos-chave do casamento:

Entrada do Noivo: Marcha Imperial, do Star Wars

Entrada da Noiva: Never Enough, The Greatest Showman (devia ter sido a versão original mas a que se ouviu foi outra, infelizmente)

Saída do Altar: I Want to Hold Your Hand, Beatles

Brinde: Give a Little Bit, Supertramp

Entrada na sala: Crazy Little Thing Called Love, Queen

Corte do Bolo: Ain't No Mountain High Enough, Marvin Gaye e Tammi Terrell

12
Ago21

Uma história com princípio, meio e sim! #14

Cabelos e maquilhagem - ou como tentar não ser roubada para ser uma noiva bonita

Num mundo idílico, o tema "cabelos e maquilhagem da noiva" não seria um dos que abordaria isoladamente aqui no blog. Mas, na verdade, é o exemplo perfeito de um flagelo que afeta a organização de um casório chamado «inflação completamente desproporcionada de tudo o que tenha "noiva/casamento/noivo" no nome».

Casei num domingo e a cerimónia estava marcada para as 11h30. Ou seja, tinha duas questões difíceis de resolver: primeiro a maioria dos cabeleireiros estão fechados ao domingo; segundo, dada a hora do casamento, teria de começar a arranjar-me por volta das 8h (o mais tardar!) - hora a que os cabeleireiros, normalmente, ainda não estão a trabalhar.

Por isso decidi começar a procurar serviços/profissionais que fossem a minha casa, para me arranjar não só a mim como à minha família mais próxima. E fiquei EM CHOQUE com os preços que me deram e que, aparentemente, são aceites pelo mercado em geral. Profissionais deste gênero têm normalmente packs de noivas que, desculpem-me a sinceridade, são de bradar aos céus; pedi orçamentos a quatro empresas diferentes e o mínimo que pediam para arranjar a noiva era 250€. Isto incluía maquilhagem e cabelos, assim como a prova. Sim, são dois momentos distintos e dois serviços diferentes... Mas 250 euros? 300? 350? Mas está tudo maluco?! Isto era o pacote mais pequeno, sendo que havia outros que chegavam aos 900 euros, incluindo retoques de maquilhagem ao longo do dia, pedicure e manicure.

A questão que me assola é: uma maquilhagem de noiva não é uma maquilhagem igual às outras (aliás, a minha era bem mais simples do que muitas das convidadas)? Um penteado de noiva não é igual a qualquer penteado que vamos fazer ao cabeleireiro num outro dia de festa, tirando o facto de pendurarmos lá o véu? I

E isto, na verdade, pode ser extrapolado para muita coisa no que diz respeito ao casamento. O bouquet não é um ramo normal? A lingerie não é igual aquela mais sexy da secção noite? A resposta é não. Porquê? Porque é para o casamento, o dia mais mágico das nossas vidas, e tudo o que implique dias mágicos pede preços mais elevados.

Nestes casos em que se pedem preços astronómicos por coisas aparentemente normais (só por serem para o casamento, esse dia mágicooooo!), o meu conselho é procurar e não aceitar, simplesmente, que os preços são aqueles que nos dão. Não digo que regateiem - mas procurem! Falo sempre no site dos casamentos.pt, que é normalmente uma ajuda preciosa, mas aconselho-a principalmente para fotógrafos, espaços e outros serviços especializados nesta indústria; no caso de coisas "mundanas" procurem na vossa cidade, perguntem a pessoas conhecidas, peçam referências. Há sempre alguém que conhece uma pessoa com jeito de mãos, uma lojinha ou quem tenha um cabeleireiro de confiança, por exemplo.

A mim foi o que me safou. Neste momento não tenho um cabeleireiro que frequente sempre ou onde faça serviços completos; tive uma fase onde fazia tudo o que era estética num só local mas neste momento arranjo as mãos num sítio, os pés noutro, a depilação noutro e o cabelo no sítio para onde estiver virada naquele dia. A minha mãe, neste momento, é fiel à Inês Pereira, na Maia, falou com eles e, felizmente, estavam disponíveis nesse dia!

As guidelines eram claras: estar simples e natural! A ideia inicial era ir com o cabelo semi-apanhado, só com um "nó" para encaixar o véu e o toucado, mas mudei de ideias no dia da prova, quando fizemos vários testes e toda a gente pendeu para um penteado um bocadinho mais elaborado. Na altura concordei; hoje, levaria o cabelo mais solto, a minha ideia original. O penteado foi feito de forma a que, se quisesse, o pudesse soltar parcialmente - até levei o alisador para fazer umas ondas e etc. - mas acabei por não mexer mais. O tempo no dia do casamento é tão escasso e precioso que temos de fazer algumas escolhas - e eu preferi estar com as pessoas ou com o meu marido do que ir (re)arranjar o cabelo.

O mesmo se aplicou à maquilhagem: uma linha super simples e clean, com cores suaves e leves; sem pestanas postiças nem grandes contornos, o essencial era mesmo parecer natural. Na semana anterior ainda tinha ido comprar um batom para poder retocar ao longo do dia... que ficou no mesmo saco que o alisador, em que não toquei. Mesmo com algumas lágrimas e depois de comer, não retoquei absolutamente nada - por isso acho que contratar um serviço de estética que acompanhe a noiva ao longo do dia é dinheiro deitado ao lixo (a menos que sejam celebridades ou vloggers e tenham de estar sempre no ponto..!).

A equipa da Inês Pereira foi sempre impecável e tudo correu lindamente, tanto na prova (onde fiz três penteados diferentes) como no dia do casamento. Eram 6h30 da manhã e estavam quatro profissionais a chegar e a montar todo um estaminé no jardim interior lá de casa, com luz natural de fazer inveja à maioria dos cabeleireiros, para tratar de mim, da minha mãe, irmã, cunhada e sobrinhas - sempre com boa energia e com um sorriso na cara. Demorou tudo mais tempo do que estava a contar - nunca achei que demorassem uma hora e meia só a maquilhar-me - mas quem sabe, sabe, por isso deixei que fizessemo seu trabalho e meti-me na minha vida. Pelo meio ainda tomei o pequeno-almoço e orquestrei a organização dos cones das pétalas - e acho que é seguro dizer que era a pessoa mais calma cá de casa. E a verdade é que não tinha razões para tal: correu tudo lindamente e acho que ainda ganharam clientes pelo caminho. 

 

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Para referência: para todos estes serviços e arranjar três mulheres e duas meninas (com penteados e maquilhagens várias, de complexidades diferentes), o valor rondou os 400 euros. Valeu ou não a pena, procurar? ;)

26
Jul21

Uma história com princípio, meio e sim! #12

Onde comprar vestidos de cerimónia no Porto? E o fato do noivo?

Uma das grandes odisseias do meu casamento foi arranjar vestidos. Não para mim - que já tinha decidido tudo, apesar de ter sido feito à pressa por força das circunstâncias - mas para as outras mulheres, nomeadamente a minha mãe, irmã (e madrinha), cunhadas e "meninas das alianças".

A oferta de vestidos de cerimónia já não é, à partida, muito vasta. Mas encontrar uma peça que gostemos ficou ainda mais difícil devido à pandemia, principalmente por duas razões: nos primeiros tempos de desconfinamento a procura foi imensa, pois havia muitos casamentos a acontecer dali a pouco tempo, muitos deles que já tinham sido alvo de um ou mais adiamentos. Isto correspondeu a uma procura desmesurada, que não foi acompanhada pela oferta - depois do embate que foi o confinamento, com um impacto gigante para os retalhistas, estes precaveram-se e não fizeram compras durante meses a fio. Isto resultou em pouca diversidade de modelos, muito poucos tamanhos e, no fundo, pouca escolha. 

Depois há outra dificuldade acrescida: na roupa de cerimónia é muito difícil encontrar meios-termos, no que ao preço diz respeito. Ou é tudo estupidamente caro ou francamente barato (e, consequentemente, de fraca qualidade). Isto obrigou a que tivesse de fazer praticamente um estudo de mercado para conseguir arranjar vestidos bonitos, bons, mas cujo o preço não obrigasse à venda de um rim. Tive mais experiências más que boas - e este é o post que gostaria de ter encontrado há uns meses, quando andava de um lado para o outro à procura do vestido perfeito para cada uma das minhas pessoas. Para mim, é serviço público - e isso implica honestidade. Por isso aqui vai a minha opinião, nua e crua, sobre todos os sítios onde pus os pézinhos. Ora vamos lá:

 

Começamos a pesquisa pela Maia, minha terra-natal:

- Encanto, loja muito popular de vestidos de noiva. Tem vestidos de cerimónia bonitos, diria que para uma faixa-etária já tipo mãe do noivo/noiva. Os preços são sempre de 300 euros para cima. Peca, muito, pelo atendimento, de que não gostei minimamente.

- Vestido Meu. Não posso opinar sobre os vestidos porque nem sequer os vi. Dois minutos depois de entrar na loja e esperar por algum tipo de atendimento, surge uma senhora que nos diz que só atendem por marcação (mesmo estando a loja vazia e eu dizendo que só queria ver os vestidos de cerimónia, que não era sequer para vestir). "Se quiserem dou-lhes o número de telemóvel para marcarem", acrescentou. "Obrigadinha, mas sei ir ao Google", apetecia-me responder. Batemos com a porta para não mais voltar. Se não querem vender, há quem queira. Adeus!

- SheSaid. Esta não é uma loja dedicada a roupa de cerimónia - é uma multi-marca de gama média-alta que também tem alguma oferta para ocasiões mais formais. Acima de tudo tem boas opções para vestimentas "limbo", que tanto são para festa como para o dia-a-dia, dependendo dos acessórios e sapatos com que conjugamos. Para um público jovem-adulto. Funcionárias muito atenciosas.

- Francisco's (Valongo). Esta loja, muito discreta, foi uma óptima surpresa. Também multi-marca, tem uma oferta maior que a SheSaid no que diz respeito a roupa de cerimónia, com preços entre os 150€ e os 400€. Fomos impecavelmente atendidas e foi por pouco que não compramos lá um dos vestidos que  procurávamos. 

 

Seguimos para o Porto. Sei que há mais lojas do que as que vou mencionar, principalmente dedicadas a noivas na zona de Sá da Bandeira, mas não entramos porque não nos identificamos com o estilo de roupa que vendem.

- Rosa Clará. Fomos lá fazer a minha primeira prova de vestido de noiva e ficamos logo de olho em alguns vestidos de cerimónia - de tal forma que foi lá que a minha mãe comprou o seu. A coleção é muito bonita, mas não é nem para todos os tipos de corpos nem de carteiras. Há muitos vestidos acima dos 600€. O atendimento, na minha opinião, também não é um ponto forte, tendo-me desagradado em várias ocasiões. Vale só pelo produto - caso tenhamos dinheiro para ele.

- Pronovias. A visita a esta loja foi só por descargo de consciência, pois não tínhamos visto nada no site que nos encantasse. A escolha também era relativamente reduzida. O atendimento já foi muito mais atencioso, mesmo não tendo marcação e havendo provas a decorrer no interior. Os preços são semelhantes aos da Rosa Clará.

- AmourGlamour. Foi, de todas, a loja com mais escolha. É a mais eclética ao nível de estilos e de preços - há para todos os gostos, preços e feitios. E por isso é que se tem de ir para lá, acima de tudo, com paciência - porque é tanta coisa, tanta cor, tanto modelo... que fácil é desistir pelo cansaço. Das duas, uma: ou vamos de mente aberta e prontas para vestir metade da loja ou temos uma ideia muito definida e já procuramos coisas muito específicas, que reduzam a escolha. Independentemente disso, a palavra de ordem é mesmo paciência. E tempo. E mais paciência. O atendimento é simpático.

- EasyPrice. Loja com vestidos "low-cost", com um estilo jovial. Os preços baixos da roupa (dos 50€ aos 100€) pagam-se no serviço e na qualidade. Estivemos praticamente uma hora na fila para entrar e a loja estava um autêntico C-A-O-S, com os funcionários sempre ocupados a ir buscar coisas ao armazém, completamente incapazes de arrumar tudo aquilo que as pessoas desarrumavam. Só aceitam dinheiro e não fazem trocas ou devoluções. A roupa é muito "moda", pouco ou nada intemporal, e à base de materiais baratos (como poliéster). É uma boa solução para malta nova que não quer investir num vestido caro que, de facto, só vai usar uma ou duas vezes.

 

Matosinhos:

- SwagStore. Loja muito semelhante à EasyPrice, mas mais organizada e com outro tipo de serviço (arranjos, inclusivamente). A base dos materiais é a mesma mas diria que serve um público mais vasto, desde teenagers até adultos, tanto com modelos mais joviais e mais "moda", como outros mais conservadores e clássicos. Preços entre os 60 e os 130€.

 

Vila do Conde:

- Borsini. Foi a última loja que visitamos - até porque, felizmente!, não precisamos de procurar mais. Adoramos tudo, desde o atendimento - fomos tratadas como se fossemos clientes da casa há quinze anos - até à diversidade de modelos e de preços. Se soubesse o que sei hoje teria até feito uma prova de vestidos de noiva, pois tinham uma coleção pautada por um enorme bom gosto. Tanto a minha irmã como a minha cunhada compraram lá os seus vestidos - lindos e dentro do preço que procuravam. Tudo correu bem: os prazos foram cumpridos, os arranjos impecáveis. Zero razões de queixa, 100% de recomendável.

 

"Meninas das Alianças"

O nome está entre aspas porque, na prática, não tive meninas das alianças. As escolhidas foram as minhas sobrinhas que já não têm idade este posto. Também não lhes quis chamar de damas de honor, por isso ficou ali num meio termo: foram atrás de mim até ao altar e ajudaram-me com o vestido/véu/cauda e levaram também as alianças e os nossos votos.

Arranjar vestidos para meninas de 11 e 13 anos não é fácil: porque já não são crianças mas também não são adultas; porque já têm gostos e opiniões próprias, mas também têm de cumprir com os gostos dos pais. Um filme! 

Foram dias e dias à procura e optamos por comprar os vestidos numa grande marca. Escolhemos um vestido da Mango, da secção de adulto, que servia e ficava bem a ambas (ainda que com alguns arranjos). Iam muito fofinhas!

 

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O fato do noivo

Nem tudo foi um mar de rosas. O Miguel comprou o seu fato no Prassa e não ficou cliente, tanto pela oferta de produtos (ou a falta dela) como pelo atendimento. Têm a fama, tiram o proveito, mas não fazem jus ao nome.

É verdade que escolher um fato não tem o mesmo peso de um vestido de noiva - mas é o momento do noivo, do protagonista, e deve ser visto como tal. O que ele sentiu foi que aquela era uma loja para massas, sem o tratamento personalizado que se quer naquele momento (e que se devia exigir pelos preços lá praticados). Não se sentiu minimamente apoiado aquando da escolha do fato, ficando não só com a sensação de que era mais um mas também que o estavam a despachar, para entrar outro freguês e faturar mais umas centenas de euros.

A escolha era limitada. Os funcionários foram explícitos, dizendo que só se podia comprar o que estava exposto e com conjuntos definidos - não havia hipótese de mandar vir tamanhos ou outros modelos assim como não era possível escolher um colete diferente daquele que vinha originalmente com o fato (que era, por regra, da cor do mesmo). Quando, dois meses depois, foi buscar aquilo que tinha comprado, a camisa tinha uma das mangas subidas e outra por subir - o arranjo teve de ser feito à pressão, na hora, enquanto ele lá esperava. O atendimento podia ter melhorado de uma altura para a outra, mas tal não se verificou.

Pessoalmente não tive opinião na matéria - nem da escolha da loja, nem do fato (embora este tenha sido uma boa escolha, com uma cor muito bonita e um bom cair) - mas, se tivesse tido, sugeria a loja Infinitomar, na Maia. Fui lá antes do casamento, fazer uma outra compra, e fui tratada de forma exímia. Foi lá que o meu cunhado comprou o seu fato e onde fez, pelo mesmo preço que no Prassa, um colete por medida, com materiais escolhidos por si.

Fica a dica!

23
Jul21

Uma história com princípio, meio e sim! #11

A escolha de um fotógrafo e a importância da fotografia e do vídeo

O fotógrafo foi a primeira coisa em que pensei mal decidimos que íamos casar. Decidimos uma data - na altura era 4 de Setembro - e eu deitei logo pés ao caminho pois tinha pânico de não arranjar alguém com quem me identificasse. Fiquei pior quando comecei a receber respostas negativas, já com agendas cheias. 

Este era um dos poucos tópicos onde a minha permeabilidade ao preço (e aos exageros) era maior, porque acho inconcebível ter um mau profissional num dia tão importante como este. Já aqui falei várias vezes sobre a importância das fotografias na minha vida. Também por causa disso - e porque, confesso, tenho alguma dificuldade em delegar coisas que acho de importância máxima - auto-intitulei-me a responsável por este pelouro: sou eu quem tira e edita as fotos de todos os eventos de família e, no final do ano, junta tudo para fazer os álbuns de best ofs

Para mim as fotografias têm a mesma função da escrita: eternizam, impedem o esquecimento. Percebo aquelas pessoas que não gostam de ser fotografadas, que se sentem desconfortáveis, que acham que ficam mal e que por isso não querem ser vítimas de qualquer objetiva - no entanto conheço muito pouca gente que não goste de relembrar os tempos que já passaram (a menos que sejam tempos muito maus). Se juntar os meus diários de bordo às fotografias que tirei... viajo de novo. Quão incrível é isso?

Era essa magia - de ser capaz de recuar e reviver tudo - que eu queria para o meu casamento: poder, daqui a uns anos, olhar para aqueles frames e voltar a sentir a felicidade e as borboletas no estômago. E gostava que tal acontecesse nos meus moldes de fotografar: sem grandes poses, sem flash, com movimento e alegria. Não queria fotos clichê de véus a voar, deitada na cama ou no chão, com o bouquet pousado sobre a minha cauda. Mas a verdade é que deixar que a magia aconteça nas mãos de outros é um risco e uma responsabilidade muito grande. E, mesmo depois da escolha, confesso que tive momentos de grande receio. Será que a escolha tinha sido boa? Será que a vibe vai ser a certa? Acho que as dúvidas só se dissipam quando tivermos o trabalho completo nas mãos - mas neste momento, em que já recebi meia-dúzia de fotografias, o meu coração já está mais sossegado.

Contactei quatro empresas/fotógrafos. Primeiro os Storytellers, que descobri no site  do Casamentos.pt e cujo trabalho me atraiu por ser fora da caixa e, acima de tudo, por terem um combo de foto e vídeo, sendo que eu gostei muito de ambos os trabalhos; falei também com o Pedro Vilela que era aquele que eu dizia, há anos, que seria o meu fotografo de casamento - já devo seguir o seu trabalho há uns dez anos e nem sequer me recordo como o conheci; por indicação do meu irmão - pessoa em quem confio plenamente no que diz respeito a fotografia - fui pesquisar o João Medeiros e também a Rita Rocha, ambos com trabalhos que adorei.

Troquei vários emails com todos eles - e entre esperas, respostas e negas todos foram seriamente ponderados e podiam, todos, ter sido os escolhidos. No meio disto tudo íamos vendo as quintas, até que tomamos uma decisão. E, adivinhe-se: a data que tínhamos definido, 4 de Setembro, estava ocupada! E por isso, ao contrário daquilo que se costuma fazer, adaptamo-nos nós ao calendário da quinta e acabamos por escolher o dia 27 de Junho, uma das poucas datas que tinham livres (e por causa de uma desistência!). Nesta altura já tinha recebido algumas respostas negativas e tinha tudo apalavrado com o João Medeiros - que, na nova data, não tinha disponibilidade. Fiquei muito triste - e outra vez em pânico - porque o contacto com eles (o João e a Pamela Leite) foi do mais incrível e atencioso que experienciei ao longo desta aventura da organização do casamento, mas não tinha outra opção senão fazer uma nova ronda na minha short-list e ver se alguém tinha disponibilidade.

E os Storytellers tinham! Acabou por ser óptimo porque matamos dois coelhos de uma só cajadada: a foto e o vídeo, sendo que acho que a segunda parte é também fortíssima na equipa que escolhemos. Porque as fotos são óptimas, mas não deixam de ser imagens congeladas, incapazes de captar movimento e som, que são igualmente essenciais. Numa foto não conseguimos perceber a forma de andar ou a voz de alguém - e são esses pequenos detalhes que nos distinguem uns dos outros e que, para mim, também importam recordar. Se não fossem eles, tinha em vista o Ninho Films, a Andorinha Films e o Overall Studio - mas fiquei particularmente feliz por ser tudo a mesma equipa e sentir que estava bem servida. Os vídeos de casamento têm uma característica que não gosto: são, na sua maioria, tristes - e eu queria que o meu fosse algo alegre, que refletisse aquele dia de uma forma emocionante mas bem disposta. E os Storytellers têm vários assim, pelo que estou na esperança que o nosso seja um bom equílibrio entre toda a emoção que se viveu - porque não faltaram lágrimas no nosso casamento - mas também uma dose enorme de felicidade.

Só os conhecemos no dia do casamento - até lá só tínhamos falado com o Bruno, o "cabecilha", em reuniões virtuais. Mas a verdade é que a empatia e o à vontade foi tanto que, à posteriori, muita gente me disse achar que já nos conhecíamos. Porque, para mim, não há outra forma das fotos fluírem, serem genuínas e verdadeiras. Sei como me sinto se tirar fotos a pessoas que não gostam de ser fotografadas e vejo a diferença que faz tirar fotos a familiares ou a pessoas com quem não tenho tanta confiança. Se eu queria fotos como aquelas que eu tiro, tinha de me comportar como gosto que os outros se comportam quando estão à frente da minha lente. Eu gosto muito de tirar fotografias e de ser fotografada - mas o mesmo não se pode dizer do Miguel. E acho que, nestes casos, há uma boa dose de mentalização que deve ser feita, principalmente quando escolhemos fotografos mais "rebeldes" e fora da caixa, que foram contratados para, de alguma forma, invadirem a nossa esfera privada e a documentarem. Se não os tratarmos como alguém da família, a magia que falava acima não vai acontecer - e, para isso, mais vale contratar um fotógrafo clássico e pagar menos dinheiro.

A simpatia, o olhar curioso e atento e a capacidade de integração dos Storytellers foi notada por toda a gente, o que sobe ainda mais a fasquia e eleva as expectativas para um nível quase estratósferico. Só devo ter o trabalho completo nas minhas mãos lá pela altura do Natal - gostava de receber antes, mas dada a quantidade de casamentos que estão a acontecer imagino que não seja fácil passar horas a editar. Estou super, mega ansiosa e curiosa para ver e reviver tudo de novo, e acho que se juntaram todos os ingredientes para tudo correr lindamente e termos memórias lindas para o resto das nossas vidas. Até lá, esperemos em conjunto. Para já, ficam duas das fotografias que nos mandaram:

 

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21
Jul21

Uma história com princípio, meio e sim! #10

A construção de um vestido de noiva e o embate num dogma da sociedade

A prova na Rosa Clará aconteceu a uma quarta-feira – e na sexta seguinte o país fechou. De volta ao confinamento. A minha prova com a Pureza estava marcada para meados de Fevereiro e acabou por só acontecer no final de Abril, quando voltamos a desconfinar. Foram dois meses de espera, ânsia e sofrimento.

A Pureza tem agora o seu novo espaço no Porto, num edifício lindo junto à Biblioteca Municipal, onde atualmente se encontra a Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal. Foi lá que fui e que fiz a primeira prova com ela – algo muitoooo diferente da prova anterior, giro para algumas pessoas, potencialmente assustador para outras.

Não acho que fazer um vestido por medida seja para todos. Na minha opinião é preciso ter uma noção mais ao menos clara do que se quer, conhecer bem o próprio corpo e os nossos gostos e, diria até, ter alguma experiência no que diz respeito aos tecidos e à sua fluidez (não tem de ser nenhum expert – basta alguém que goste de fazer compras e toque em muita roupa). Pessoas sem qualquer tipo de noção do que querem, do que gostam, do que fica bem... o melhor é irem a uma loja e experimentar um bocadinho de tudo para tirar alguma conclusão. Depois se, tal como eu, quiserem alguma coisa única e ter uma palavra a dizer sobre o processo de construção do vestido, aí sim, podem passar para uma experiência deste género. No entanto, fica o aviso: a magia de nos vermos com um vestido de noiva (a menos que experimentem algum da coleção para venda) não existe numa prova destas, o que pode ser desconcertante para algumas noivas.

Basicamente, a primeira prova consiste em experimentar várias peças e conjugá-las, construindo o vestido bocadinho a bocadinho. Como é que queremos o top? Decote em bico, redondo, mais profundo ou mais conservador? E a saia? Em chiffon, tule? Plissada ou com um corte reto? Com cauda ou sem cauda? E as mangas? Com, sem? Compridas, curtas ou meio-termo? Rentes ao braço ou fluídas? Depois de tudo isto, tiramos 568 medidas e voilà! No fim, parecemos umas bonecas repletas de alfinetes, com uma manga diferente de cada lado e a cabeça a carborar forte até decidir aquilo que realmente queremos.

As minhas guidelines eram simples: queria um vestido com um decote em V, com mangas soltas, muito fluído e sem saiote. Como bónus gostava que tivesse várias camadas (no fundo, ter vários vestidos num - tirava a cauda, depois isto, depois aquilo) e que fosse versátil o suficiente para, eventualmente, o usar numa outra ocasião. Tinha mandado várias fotos – incluindo a do tal vestido de que gostei na Rosa Clará – e o processo inicial foi extremamente simples.

Enquanto alguém que gosta de moda e que ama têxtil – sem esquecer que também já tinha tido aquele primeiro embate, que me atirou para longe dos contos de fadas que tinha imaginado – eu gostei muito da prova e senti-me no controlo do meu próprio vestido. Sei que para a minha irmã, que não tinha estado na primeira prova e não me viu a experimentar um vestido a seguir ao outro, aquilo não foi a representação daquele sonho que também ela tinha para mim. Mas, no meu caso, foi uma sensação nova - estranha, mas boa. Senti-me sempre muito segura e calma nas mãos da Pureza e das suas profissionais – embora mentisse se dissesse que o caminho até ter o meu vestido não teve lombas e solavancos.

Fui a última pessoa, de toda a festa, a ter vestimenta – casei no domingo e só na terça-feira é que trouxe a roupa para casa (sendo que na sexta anterior tinha ido escolher a renda para a cauda). Muitas pessoas perguntavam-me se eu não estava em stress com isso, e a minha resposta era verdadeira: não, não estava. Independentemente dos dramas com o vestido, estava mais do que segura da minha escolha e das mãos em quem tinha deixado esta tarefa tão importante. Seria para mim muito mais stressante ter comprado o vestido numa loja qualquer que os importa e que, com todos os problemas inerentes ao covid, podia sofrer atrasos indesejados. Desta forma eu sabia que o meu vestido estava a ser feito de raiz em Lisboa (não em Barcelona, não na China ou no Bangladesh) e que, caso qualquer problema surgisse, eu estava a três horas de distância de o resolver (ou, pelo menos, de ter o poder de decisão para tal). Como empresária da têxtil não posso esconder que me deu um prazer extra dar trabalho a uma empresa de moda portuguesa, com costureiras competentíssimas e de um trabalho de excelência.

No total fizemos cinco provas (três no Porto, duas em Lisboa): a primeira, onde “montamos” o vestido; a segunda, onde vimos pela primeira vez o vestido como uma peça completa e acertamos detalhes (como o tamanho do decote e escolhemos as rendas); a terceira, onde subimos a baínha e vimos o trabalho feito até então; a quarta, onde decidimos nova renda para a cauda (depois de um percalço com a primeira renda que escolhi, que não chegou do fornecedor) e voltamos a ver todos os detalhes do vestido, incluindo o véu; e a quinta, a primeira com a cauda e o vestido completo, onde nos ensinaram a vestir e fechar tudo (ou a tirar as partes), altura em que o pude finalmente levar para casa!

As provas, embora fossem momentos de ânsia, não eram momentos muito felizes. Nunca, em nenhuma fase do processo, me senti apaixonada pelo vestido ou sequer pela ideia daquilo que ele viria a ser. E aí perguntam-me: mas depois de tantos anos a ver vestidos, não sabias o que querias?! A resposta é não. Nunca achei que me iria casar. Via os vestidos como uma utopia. Pensava muitas vezes: “usaria este se me casasse com 50 anos. E este se não tivesse as ancas largas. E este se o casamento fosse na praia”. Nunca pensei: “é este!”. Sabia, à partida, os estilos que gostava e não gostava. Estava muito inclinada para o estilo boho e sei que nunca vestiria um vestido com corte sereia. Mas não sei até que ponto não levaria um vestido de princesa, se as circunstâncias fossem as ideais para isso, percebem? Dependia de tanta coisa! E como casar nunca esteve nos planos, não era algo com que me preocupasse. E quando chegou a altura... fiquei perdida. Perdida com tanta coisa que tinha visto ao longo dos anos, perdida com o facto de nada estar a decorrer conforme eu desejava e contava, perdida pela frustração de não sentir aquilo que aparentemente todas as noivas se sentem – lindas, maravilhosas e especiais.

Aqui, o facto de ter um vestido feito só para mim também não ajudou: vi-me muitas vezes indecisa após as provas, pois sentia que havia qualquer coisa que eu não gostava mas que não sabia explicar. Inicialmente o vestido era para ficar com uma linha (demasiado) simples e ao longo do tempo foi ficando cada vez mais trabalhado: a cauda era para ser em chiffon com fitas de renda e passou a ser toda rendada, era para ser só atrás e no final acabou a cobrir a saia toda; o decote sofreu várias alterações (sempre para maior), entre outros detalhes. A minha mãe, irmã e cunhada iam dando ideias e inputs, mas eu sentia-me desamparada. E, do desamparo, veio a incompreensão.

Expliquei muitas vezes, ao longo destes meses, a importância que tinha para mim envolver o Miguel no processo da escolha do vestido. Sou normalmente uma pessoa muito decidida e se gostar de uma peça trago-a para casa e uso-a, independentemente das opiniões alheias. O Miguel é a minha exceção. A opinião dele pode, de facto, mudar a minha – e eu tenho de admitir que tenho uma permeabilidade e uma abertura às opiniões dele diferente das opiniões das restantes pessoas. Por razões diversas o processo do casamento foi, durante muitos dias, duríssimo. E era ele, ao final do dia, quem me ouvia e apoiava. Era a minha muleta. Muleta essa que me faltou neste processo – que se iniciou realmente em meados de Abril, altura em que estava extremamente fragilizada – acima de tudo porque a tradição assim o dita.

Não consigo perceber porque é que os noivos não podem ver o vestido da noiva (e vice-versa). Para mim era a opinião mais importante de todas – e tive de esperar até ao último segundo para poder saber, finalmente, aquilo que ele achava da minha escolha. Mas atenção: fi-lo porque percebi que, para ele, o efeito surpresa era algo bom. Ele queria ver-me vestida, pela primeira vez, no altar – e eu compreendi. O que não aceitei – e que me doeu e dói até hoje – foi a incapacidade generalizada dos outros perceberem o meu ponto de vista, por muito que eu tentasse explicar. Senti-me invisível – eu a minha dor, tão evidente para mim naquele momento, e que eu achava que era impossível não transparecer para os outros. Eu dava explicações racionais e emocionais, eu tentava desconstruir e desvalorizar o lado da tradição... eu tentei de tudo. Descobri que é um autêntico dogma, uma luta que não vale a pena travar. Não é só o facto de estar enraizado na sociedade, é ser uma questão central do casamento. Pessoas com quem íamos falando esporadicamente perguntavam pelo vestido e, logo a seguir, retorquíam: “o Miguel não viu o vestido, pois não?!”.

E eu não estava para fretes. “Não, não viu, mas devia”. E depois explicava. E normalmente a resposta era sempre a mesma: “o noivo não deve ver o vestido, dá má sorte”. E eu não tinha outra solução senão seguir caminho e continuar na minha, embora respeitando sempre a vontade do noivo não ver, de facto, o vestido. E o que teria mudado, perguntam vós?

O Miguel não é um expert em moda e muito menos em vestidos de noiva. Mas tem uma especialidade: chama-se Carolina. Se o Miguel estivesse nas provas e visse na minha cara que eu não estava feliz com o vestido – como de facto aconteceu - ,  teria dito qualquer coisa, sugeria mudanças, faria críticas construtivas e colocar-me-ia sempre acima das suas vontades próprias. No limite, se não houvesse mesmo nada a acrescentar, dizia-me: “estás linda, não te preocupes, eu não mudava nada!”. E eu podia nem acreditar, mas sossegava. Porque aquele vestido era para mim, mas a pensar nele. E se ele gostava... eu ia gostar também.

Mas não foi assim. Chorei muito. Falei muito com ele até chegar a um terreno sólido em termos de decisões (eu quis saber como era o fato dele, mas ele preferiu ficar na ignorância até me ver no dia do casamento), até dissecar todas estas dores, até deixar que a roupa fosse um dos maiores obstáculos deste casamento. Percebi que era muito mais que roupa que estava em jogo: era uma dor muito profunda de incompreensão, um sentimento de invisibilidade muito grande perante quem me rodeava. Eu falava, mas não me ouviam. Senti sempre que a tradição era mais forte que a minha vontade e a minha crença – e isso mexeu muito, muito comigo.

Um dia o Miguel disse-me que era eu que fazia o vestido, tal como era ele que faria o fato. Ele sentia-se impecável dentro da roupa que escolhera – e sabia que, no dia D, ia estar impecável para mim. Eu só tinha de me sentir igual. Linda, confiante e impecável. Confiar no meu instinto, nas minhas decisões e vestir aquela peça com a confiança com que visto tudo o resto quando quero arrasar.

E foi assim que eu enfrentei a última prova: com as palavras dele a fazerem-me eco na cabeça, de queixo levantado e esperança de que tudo estivesse bonito. E estava. A linha que separa um vestido bonito de um piroso é ténue, mas sei que no meu caso esteve longe de ser ultrapassada; é um vestido intemporal, sem modas, frufrus ou breloques. Não me favorecia em tudo (acho que me alargava ligeiramente), mas era de uma excelência magnífica no que diz respeito aos materiais e à construção. E, acima de tudo, tinha detalhes que gritavam "Carolina!". 

Não casei com o vestido dos meus sonhos, porque eu não sonhei com nenhum vestido. Mas casei com um vestido que tinha muito de mim e com a certeza de que fiz a escolha certa quando escolhi a fazer um vestido à medida, de que estava a usar uma peça única – minha, só minha! - e que daqui a uns anos olharei para trás e direi: caramba, estava linda!

 

Seguem fotos da segunda, terceira e última prova (das restantes não tenho ou são muito más) - assim como algumas do grande dia. 

 

Segunda prova - ver o vestido construído pela primeira vez e escolha das rendas:

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Terceira prova - ver pela primeira vez a aplicação da renda no topo e nas mangas (inacabadas); decote ainda muito subido; cauda por fazer, ainda com a renda e ideia original, de cair simplesmente para trás:

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Última prova - tudo finalizado!:

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No grande dia:

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19
Jul21

Uma história com princípio, meio e sim! #9

O fim de um conto de fadas chamado "vestido de noiva"

O vestido de noiva foi, provavelmente, o tema central dos seis meses de preparação do casamento. Isto aconteceu por várias razões: primeiro porque, apesar de nunca ter planeado casar, sempre adorei ver vestidos e era talvez a coisa que mais ansiava fazer – ver, vestir e escolher o meu vestido; segundo porque com as restrições de circulação e o fecho das lojas algures em Fevereiro, as minhas provas foram sendo adiadas – na prática o meu vestido foi feito em menos de dois meses, o que provocou taquicardias às pessoas mais próximas de mim; terceiro porque o vestido é sempre um tema importante, das coisas que as pessoas mais perguntam; e quarto porque eu própria fiz do vestido “o tema” quando quis que o meu namorado me ajudasse a escolhê-lo.

Mas comecemos pelo início. Mal marcamos o casório decidi logo que ia fazer o vestido no atelier da Pureza de Mello Breyner. Houve duas razões para o fazer, mas a principal foi o facto de sempre ter desejado um casamento único e diferente. Nesta altura já sabia que o casamento não se ia realizar em minha casa (e por isso, sendo numa quinta, já ia ser igual a 2453 casamentos) e sentia que o fator diferenciador estava a ir pelo cano; assim, quis mesmo que a peça central fosse feita só e exclusivamente para mim. Para além disso tinha na ideia fazer um vestido mutante, que se pudesse ir adequando ao longo da festa – e isso dificilmente se consegue numa loja de noivas normal.

Mas a verdade é que ao longo da minha vida sempre tive uma marca de vestidos de noiva que segui religiosamente e cujas coleções conhecia de fio a pavio há mais de dez anos: a Rosa Clará. Fiquei num impasse muito grande, em ir lá experimentar alguns dos vestidos que gostava, ou não; na verdade tinha medo de me apaixonar por algum, tendo já uma prova marcada na Pureza. Acabei por acatar o risco, depois de uma conversa com uma amiga que tinha casado há pouco tempo e que me disse uma grande verdade: experimentar não custa. A ideia de ir lá e saber que, à partida, não ia trazer nada... era-me estranha. Parecia que ia lá fazer perder o tempo das pessoas. E custa-me dizer que “vou pensar” quando na verdade já sei o que quero. Ainda assim, optei por ir: primeiro porque, apesar de tudo, estava com uma mente aberta (caso contrário nunca teria medo de me apaixonar por um vestido deles) e segundo porque sabia que ia ser uma mais-valia quando fosse construir o meu vestido. É importante perceber o que nos fica bem e mal, o que é confortável e, acima de tudo, se aquilo que temos em mente para nós próprias nos favorece. E a verdade é esta: ainda bem que fui!

Foi a primeira grande lição – e embate – em relação a este tema. A primeira coisa que me passou pela cabeça mal vesti o primeiro vestido foi que todo aquele processo era extremamente desconfortável: subir para o pedestal, colocar o saiote, estar praticamente nua, ter alguém a vestir-te e a pôr as maminhas e tudo no sítio. Uff! Depois veio a desilusão de cada vez que me olhava ao espelho: todos os vestidos, sem excepção, tinham qualquer coisa que não era do meu agrado. Eram todos lindos no geral – e, modéstia à parte, ficavam-me todos muito bem – mas no particular, nos detalhes, falhavam todos em qualquer coisa. E, para mim, os pormenores são essenciais pois acredito que são eles que dão magia ao todo.

Tinha levado uma lista dos vestidos que queria experimentar e rapidamente percebi uma coisa: aquilo que nós vemos na internet está longe de ser a realidade. Ou então, fazendo aqui um trocadilho, é a realidade... mas vista de longe. Eu achei que tinha escolhido vestidos simples mas todos eles tinham um fru-fru ou blink-blink que não se via nas fotografias. Eram lantejoulas, brilhantes, missangas. Os tules nunca eram simples: ora tinham bolinhas ou cortes estratégicos. E isto para não falar do que é tê-los vestidos! Um dos meus vestidos favoritos, que andava a namorar há meses (mesmo antes de ficar noiva), tinha mangas compridas – mais uma vez, tooooodas recheadas de missangas. E o desconforto que aquilo é, a arranhar-nos os braços, quase como se 100 formigas andassem ali para cima e para baixo (e de vez em quando dessem umas picadinhas)? E o peso das trinta camadas de tule? E a dificuldade de movimentos que um saiote implica? Experimentei até um vestido cai-cai, sob a sugestão da senhora que me atendeu; levar uma peça sem alças não era uma opção, mas lá lhe fiz a vontade, o que só serviu para ter mais certezas daquilo que já queria. Para mim não se tratava de um vestido, mas sim de um autêntico espartilho! O corpete tinha pelo menos seis arames à volta do tronco para garantir que nada saía do lugar – e, de facto, era eficaz. Tão eficaz que respirar se tornava numa tarefa hercúlea... e eu gostava de não morrer no dia do meu casamente.

Houve um vestido que gostei, no geral, mas cujos detalhes não me convenceram – pedi o orçamento para ter uma ideia daquilo que me esperava e saí da loja com um gigante peso no peito. Hoje, olhando para trás, percebo que corri o risco e valeu a pena, no sentido em que não adiei o inadiável: um gigante balde de água fria que me viria a acompanhar até praticamente o final do processo. O conto de fadas caiu logo por terra – o que foi bom, porque iria acontecer mais cedo ou mais tarde.

Diria que nada ali foi óptimo: nós estavamos com o tempo contado, pois a prova ficou entalada entre as várias visitas a quintas que tínhamos marcadas para aquele dia. O stress, portanto, não ajudou. Acho que apesar de simpática, a senhora que me atendeu também não foi perspicaz o suficiente para perceber a onda em que estava e aquilo que eu gostava, sugerindo-me coisas que não estavam dentro dos meus gostos ou exigências para o vestido. Depois de sair de lá, enquanto digeria tudo aquilo, fui ver os vestidos que tinha experimentado e vi muitos outros que me podiam ter sugerido e que, quiçá, me tivessem convencido mais. Mas enfim! A cereja no topo do bolo, para mim, foi sentir-me forçada a tomar uma decisão por causa da "falta de tempo" - se quisesse um vestido para Junho, tinha de o comprar naquele momento, pois cinco meses era um prazo muito apertado. Pressão nunca ajuda - muito menos quando implica uma compra de uma peça de roupa no valor de milhares de euros. E, assim, saí da loja de mãos a abanar - algo que já previa, pois tinha ideia de mandar fazer o vestido. A questão não estava nas mãos vazias, mas sim no coração apertado com que saí de lá. 

Durante anos vi fotos e fotos de vestidos que, percebi naquele momento, não correspondiam à realidade - se por um lado parecem muito maiores, fluídos e confortáveis do que são verdadeiramente, por outro todos os detalhes (para o bem e para o mal) ficam escondidos aos olhos das lentes fotográficas. Também não ajudou ter visto demasiados episódios do “Say Yes to the Dress”, com pessoas a encontrar os seus vestidos de sonho.

Porque eu não tive o meu. Senti-me frustrada, triste... quase enganada. Foi um monte de expectativas derrubadas de uma só vez que fizeram com que este tópico passasse de um dos mais ansiados do meu casamento para um dos mais temidos. E eu não sabia o que ainda estava por vir. 

 

(continua...)

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15
Jul21

Uma história com princípio, meio e sim! #8

As idiossincrasias das quintas e a derradeira escolha de um espaço

Não fui com a mente propriamente aberta aquando da visita às quintas. No total visitamos sete espaços: a Quinta das Camélias, a Quinta do Avesso, o The Astoria, o Palacete Camarinha, a Quinta de Sonhos, a Casa Montevidéu e a Quinta do Alferes de Crasto - tudo em três dias, num autêntico tetris de horários e disponibilidades, porque sabíamos que em breve tudo iria fechar portas e precisávamos de ter uma decisão caso quiséssemos que o casamento andasse para a frente ainda este ano.

A primeira, claro, foi a mais visada pelo meu mau humor, pois a ideia de não fazer o casamento em casa ainda não estava interiorizada e a minha vontade de o fazer noutro sítio qualquer era praticamente nula. Mas a verdade é que foi um teste para fazer logo uma lista daquilo que queria num espaço, já que a minha casa estava posta de parte. De um ponto de vista estético, a ideia era que o tema fosse rústico, com muitas madeiras (soalho era um ponto fulclar) e folhas verdes. Mas, acima de tudo, eu precisava de me sentir livre - livre de fazer mudanças e escolhas no que diz respeito à decoração, livre para definir o plano do meu dia sem grandes entraves (e isto refere-se a horários, locais e etc.), livre de alguém do protocolo que me estivesse sempre a guiar, como se de uma criança se tratasse. Era esse o meu maior requisito, que nem sempre é fácil de perceber numa primeira reunião ou visita. O que me leva a outro ponto: o anfitrião. É esta a pessoa que nos explica o conceito por detrás de um espaço e eu nunca achei que alguém pudesse ter tamanha importância na nossa decisão. Mas a verdade é que tem. Identificarmo-nos com alguém é meio caminho andado para dizermos que sim e fazer negócio - e houve vários sítios em que isso não aconteceu.

Percebi duas coisas: 1) há quintas que querem realizar casamentos à sua medida, não à medida dos noivos - o ideal, claro, é que estas duas ideias coincidam, mas quando assim não o é, e mesmo que o negócio esteja em causa, a disponibilidade para mudar é pouca. Um exemplo: num dos sítios as mesas estavam dispostas em linha reta, corridas; perguntamos se as podíamos espalhar pelo espaço (até por causa do covid), e a resposta é que a quinta não se identificava com esse conceito, que o que fazia sentido eram mesas grandes como se fosse um jantar de família. Fiquei muito confusa - e embora mais razões tenham pesado para descartar este espaço (que, só por acaso, era o que eu mais gostava do ponto de vista estético), só este "pormaior" me fez desistir e passar para outra. 2) As soluções chave na mão devem ser algo muito procurado, pois quase todas as quintas têm parcerias e tudo projetado para poder fazer tudo sem que os noivos tenham de se preocupar de sobremaneira. Acho que é uma faceta de tal forma vincada que as quintas se adaptaram e acomodaram ao fácil, fazendo sempre tudo da mesma forma. Em vários espaços me disseram que "o noivo entra por ali, a noiva depois entra por aquele portão, e o corte do bolo é em cima daquela ponte sobre o lago, onde vão sair alguns cones de fogo de artifício". E se eu não quiser entrar por aquele portão? E se me apetecer cortar o bolo na mesa? E, imagine-se, se não quiser fogo de artifício!? Ser tudo tão óbvio e pensado só me recordava do quão único iria ser um casamento em minha casa - e como agora, sendo numa quinta, iria ser igual a outros 589 que lá tinham feito.

Estas duas questões encostaram logo o The Astoria e a Quinta das Camélias para canto - embora ambas sejam esteticamente bonitas (a Quinta das Camélias é demasiado "branca" para o meu gosto, com misturas de dourados que também não me convenceram, mas foi a favorita dos meus pais). O Palacete Camarinha é uma pérola escondida, mas para um conceito de casamento que não era o meu - muito mais indicado para quem sonha com um casamento de princesas. A Quinta de Sonhos ficava numa zona que não nos agradou e o espaço era pequeno -esta última característica foi comum à Casa de Montevideu (onde fomos super bem tratados!) e a Quinta do Avesso (que tinha o look e o conceito perfeito, tal e qual como desejávamos, mas com um espaço muito limitado).

Ao nível de preços, as quintas que visitamos oscilavam entre os 80 e os 140 euros (menus base) por cabeça. No entanto é preciso ter muita atenção a tudo o que está ou não incluído - há quintas que não incluem a decoração floral, por exemplo, o que vai logo mudar os preços finais. Para além dos serviços acrescidos com outros parceiros (quase todas elas aconselham um determinado fotógrafo ou DJ), estes espaços funcionam com base em escalões - o mais baixo tem, por exemplo, dois tipos de buffets e qualidades de vinho mais "fracas", o intermédio já tem mais um buffet e já oferecem o bolo, assim como bebidas de mais nome; e o alto já tem mariscos, sushi's, champanhe e coisas que tais. Tudo o resto é pago à parte: se quiserem um copo ou um prato diferente, um centro de mesa mais pomposo, uma mesa de madeira, um bar de cocktails... enfim! É normal que também se cobrem pela execução do casamento civil, devido à preparação do local e decoração. É por isso muito fácil ver a conta a crescer se não estivermos atentos e as prioridades bem definidas. 

A nossa escolha acabou por recair sobre a Quinta do Alferes de Crasto, acima de tudo, por três razões: primeiro por ser linda (muito amadeirada, tal como queria) e ter um espaço exterior muito amplo, com sol, sombra e muitos lugares onde sentar, ideal para estes tempos de pandemia onde tudo o que se quer é distância e ar livre; segundo por ter aquilo que achamos ser a melhor relação preço/qualidade - das quintas que visitamos, situa-se num ponto intermédio no que diz respeito ao preço por cabeça; terceiro, por termos sentido versatilidade, liberdade de movimentos e de escolha por parte da quinta, que dentro dos espaços e serviços que dispõe, estão abertos a sugestões e àquilo que os noivos desejam fazer. 

Foram cerca de cinco meses de preparação e nem tudo foi um mar de rosas - algo que também aconteceu devido ao volume inacreditável de trabalho que estas quintas estão a ter nesta fase. Toda a gente se casou este ano! Penso que ajudou muito sermos uns noivos descontraídos, pois acho que me teria sentido muito desamparada se fosse uma noiva muito preocupada/stressada; não senti que o acompanhamento tivesse sido incansável - foi profissional e o suficiente, mas para pessoas mais ansiosas, creio que é pouco.

Houve alguns episódios no decorrer das visitas e do planeamento que também não nos agradaram. Um que me chateou particularmente, porque sou muito picuinhas neste tópico, foi dizerem à minha cunhada (à minha frente) que os noivos não têm de saber de tudo, que aquele é um dia de surpresas. Acho que isto é única e exclusivamente da decisão de quem vai casar - e cabe à pessoa que está encarregue do nosso casamento fazer uma leitura do tipo de noivos que tem à frente ou, pelo menos, ser cautelosa. Nunca gostei de surpresas - muito menos num dia que andei meses a preparar ao pormenor! O que se tem de fazer nestas situações é falar com os noivos e perguntar se há algum convidado que tenha flexibilidade para fazer surpresas, tomar decisões ou comandar a festa quando nós não podemos ou é suposto não sabermos de algum pormenor. Esse alguém deve ser apontado por nós - senão, do nada, tínhamos um discurso da tia-avó afastada que só nos vê quando o rei faz anos... e as coisas não podem funcionar assim. Se forem como eu mais vale porem as cartas em cima da mesa e serem claros: não há surpresas a não ser que se trate disto ou daquilo, organizado por aquela ou outra pessoa.

O incidente mais grave aconteceu na primeira prova de degustação. A quinta mudou o catering com quem costumava trabalhar e aquele foi o primeiro jantar que serviram para um conjunto de noivos e suas famílias - e foi um autêntico desastre, desde o rissol de entrada até ao bolo de bolacha da saída. Foi tão mau que diria que os nossos pais puseram a realização do casamento em causa. Ficamos com o coração nas mãos. Eu não tinha as expectativas altas - servir boa comida em eventos deste género, onde tem de se dar de comer a mais de 100 pessoas, é uma tarefa difícil. Mas vai um longo caminho entre comida razoável e aquilo que nos serviram - e o pânico ficou instalado. Depois de reunião de urgência e reclamações veio uma nova degustação - e a diferença foi da noite para o dia. Tanto na comida como no tratamento - desta vez já pudemos escolher os acompanhamentos, trocar isto por aquilo, de forma a que os pratos ficassem mesmo a nosso gosto.

Tal não impediu que, até ao dia do casamento, não ficássemos com o coração nas mãos, em dúvida com aquilo que tinha acontecido (coisa que ainda hoje não percebemos), mas tudo caiu por terra no final do dia D. Arrisco-me a dizer que foi das melhores comidas que já provei em eventos desta envergadura - e que estava tudo ainda melhor que na segunda degustação. Houve muita gente a repetir ambos os pratos, tanto de peixe como de carne, e nós não podíamos ter ficado mais felizes.

Da quinta também não temos nada a dizer: todas as guidelines que tínhamos dado em termos de decoração foram cumpridas (nós levamos muita coisa de casa - menus, placas decorativas, table sitting, etc), foram-se adaptando às contrariedades do dia e aos atrasos típicos (o dia começou chuvoso, por isso estavam a montar a cerimónia no interior - algo que mudaram uma hora antes do início da mesma, quando se aperceberam que o sol começou a aparecer)os atrasos são inevitáveis) sem nos chatearem de sobremaneira, estava tudo lindo, limpo e com um serviço impecável, com pessoas atenciosas e muito educadas. Não podíamos pedir mais. Apesar de não ter sido o sonho inicial, diria que nos saiu melhor que a encomenda - e ficamos 100% satisfeitos, assim como toda a gente com quem falamos.

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(as fotos do casamento só deverão chegar algures pelo Natal - pelo que, por agora, só tenho poucas fotos para vos mostrar do meu dia. quando as receber, eventualmente, atualizarei os posts. quanto às outras quintas, uma breve pesquisa será suficiente para verem imensas fotos!)

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