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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

28
Ago18

O mistério de um rapaz desconhecido numa festa de família

Há 16 anos a minha família organizou aquele que foi para mim – e considero-o ainda hoje – o melhor carnaval de sempre. Como sempre fomos muitos, decidimos vestir-nos de baralho de cartas e pregar um susto aos meus pais, invadindo a minha própria casa e fazendo deles os “jokers” deste baralho.

Foi divertidíssimo, estávamos cheios de adrenalina e todo o processo foi engraçado: as minhas tias fizeram os fatos, pretos e vermelhos (na prática era um vestido e um gorro de cabeça inteira, só com furos para os olhos), e os meus tios fizeram as cartas. Na noite destinada juntamo-nos todos em casa de uma das minhas tias, preparamo-nos e encaminhamo-nos aqui para casa – onde fomos, no inicio, parados pelos meus cães, que assustados com o aparato não nos queriam deixar fazer a invasão (pelo menos não de forma silenciosa). Eu tinha sete anos, não tenho imensas memórias desse dia, mas ficou-me marcado para sempre – e acho que espelha bem o sentido de humor peculiar e o espírito de partilha da minha família.

Há dois anos, enquanto estava a ver as poucas fotos que tenho desse dia, deparei-me com uma cara desconhecida no meio do grupo. Não é certamente da família, pois tê-lo-ia reconhecido; achei que era o namorado de alguém, na altura, ou um amigo (algo pouco provável, porque estávamos só em família, mas nunca se sabe).

Aproveitei as festas de família para questionar cada tio, cada primo, até os meus irmãos. Nada. Todos se riam como uns perdidos de cada vez que alguém dizia “não conheço”. Estive dois anos nisto – a família é tão grande que é difícil apanha-los a todos – e ninguém reconhece aquela cara. Pus no nosso grupo no facebook, voltei a perguntar. Nada. Neste campismo de família fiz uma tentativa final e obtive a mesma resposta. Decidi passar isto para uma esfera pública e colocar no meu facebook um post publico, pedindo a amigos, ex-namorados, primos de primos e quem mais visse a publicação para ver se alguém reconhecia a cara do rapaz. Ninguém. Pedi para o meu irmão partilhar (aquele que mais trazia amigos aqui para casa) e ninguém sabe.

Ou seja: esteve alguém numa festa de família, que não é da família, e que ninguém parece (re)conhecer. O pior é que este não era um evento fácil de “crashar”: tudo foi planeado, os fatos foram feitos para um determinado número de pessoas, assim como as cartas. Não podia haver convidados de última hora – esta pessoa tinha de estar na nossa lista. E eu só pergunto: como é possível?

Só tenho uma foto nítida da cara do rapaz e outras com ele aqui em casa, a vaguear com o grupo, como era suposto. Não há aparentemente nada de errado, para além de ninguém o conhecer e todos agirmos como se o conhecêssemos!

Posto isto, se alguém reconhecer a cara do intruso, que se acuse. Mesmo que seja algum antepassado (embora, a meu ver, ele tenha um ar bastante contemporâneo). Neste momento, em que eu acho que já fiz tudo ao meu alcance para descobrir esta pessoa, já estamos abertos a todo o tipo de teorias, desde fantasmas a vampiros que nos fizeram uma lavagem cerebral para o integrarmos no grupo. Ou talvez um assassino ou ladrão, que se escondeu algures aqui em casa – e quiçá ainda está para aí, 16 anos depois. Em último caso, talvez seja um extraterrestre, que só se vê nas fotografias e não na vida real. Já estou por tudo! (Será que já é evidente que este mistério me está a endoidecer?!)

 

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28
Fev17

Ora então... bom Carnaval!

Que me perdoem os foliões, mas eu não gosto nada do Carnaval. Acho que mesmo quando era pequena não era algo com que vibrasse muito. Tive um Carnaval que me marcou muitíssimo, passado com a minha família, mas não passa disso. Acho que a última vez que me fantasiei foi há uns oito anos, para uma festa onde uma amiga minha me levou de arrasto: fui de gato, esquecendo-me (na minha inocência) de que este animal fofinho tem uma conotação meio sexual, e passei a noite a ouvir "miaus" e coisas do género. Já não me bastava ter de estar numa festa e ainda levei com aquilo. Jurei que, enquanto me lembrasse, não me metia noutra (e, como se vê, ainda me lembro muito bem, portanto o retorno não está para breve).

Mas a verdade é que mesmo não participando no Carnaval há já muitos anos, em Maio do ano passado tive os meus 10 minutos carnavalescos, patrocinados obrigados pela minha mãe. Quando em Londres, numa visita a Camden, andávamos lá às voltas até que a minha mãe encontrou uma espécie de estúdio de fotografia, onde as pessoas se mascaravam para fazer sessões fotográficas temáticas; sei que havia três temas possíveis, mas só me lembro das damas antigas e da máfia. No fundo, é um souvenir personalizado (e caro) de uma visita a Londres.

A minha mãe delirou com aquilo, adorou a ideia, mas eu disse logo que nem pensar, não me ia vestir coisíssima nenhuma. Mas o dia não nos estava a correr bem, estávamos com o estado de espírito pelas ruas da amargura e, numa segunda passagem, a minha mãe voltou a folhear as fotos que havia à entrada e quis fazer uma coisa daquelas. E, pronto, uma pessoa pelas mães faz tudo. Lá escolhemos o tema, as roupas e os acessórios (eram postos por cima das nossas roupas), as raparigas puseram-nos um bocado de maquilhagem e lá fizemos a sessão fotográfica. Foi uma coisa de partir o coco a rir, eu achava que estava alucinar e nem me acreditava que me tinha metido naquilo. O fotógrafo dizia-nos como segurar no livro, para levantar o queixo, para olhar para o canto, para fazer isto e aquilo... e eu estava sempre à beira de um ataque de riso.

Ataque de riso esse que aconteceu mal nos sentamos no sofá e começamos a ver as fotos. Nem sequer consigo explicar bem, mas sei que estavam já outras pessoas a ser fotografadas (aquilo era um open-space, só com umas cortinas, o cenário era todo o mesmo para os diferentes temas mas tinha "cantos" específicos para cada um) e eu e a minha mãe começamos a rir-nos estéricamente daquilo que estava a passar no ecrã. Eu chorava, chorava, chorava de rir... acho que mal respirava. De cada vez que a rapariga mostrava uma nova, eu ia morrendo. Foi uma risota pegada e um drama para conseguirmos escolher três para imprimirmos e trazermos para casa (no início, só pensávamos trazer duas... mas as pérolas eram tantas que não deu para evitar).

Lá escolhemos, pagamos e mais tarde passamos para as levantar. Quando as vimos, voltamos a rir-nos à gargalhada. De facto, a experiência teve muita graça, mas aquilo é algo tão fora de mim que só mostrei as fotos a um par de pessoas (já a minha mãe, mesmo contra todos os meus pedidos, esparramou aquilo no facebook...). Ainda hoje, quando passo pela foto que a minha mãe emoldurou (!!!), me encolho de vergonha. Sim, teve graça, mas ainda não me acredito que posei como Dama Antiga, com um fotógrafo a dizer-me o que fazer e o diabo a quatro. 

Há uns dias, enquanto pensava no Carnaval e nos posts aqui no blog, lembrei-me disto. É uma pérola que tenho escondida há quase um ano - aliás, quando tive as fotos na mão, achei que as ia guardar para a vida. Mas a verdade é que há coisas demasiado boas para estarem escondidas - e embora esta seja uma faceta que, no meu caso, é pouco comum e que, sinceramente, eu tenho muita dificuldade em mostrar, ela há-de existir algures em mim. Por isso, meus amigos, bom Carnaval.

 

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