Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

06
Ago21

Há uma década a escrever neste blog

O festejo dos 4008 posts que estão para trás, uma retrospetiva e desejos de futuro

Faz hoje dez anos que criei este blog. Foi o terceiro na minha linha de blogs pessoais (o primeiro foi criado em 2009) - cada um com o seu nome e com um cunho diferente no que dizia respeito à forma e ao conteúdo que expunha, principalmente em tudo o que dizia respeito à minha esfera privada.

Parei aqui, no Entre Parêntesis, com aquele que eu achei que era o equilíbrio ideal - conseguindo por um lado demonstrar os meus sentimentos, mas por outro resguardando tudo aquilo que eu considerava que não devia estar à tona da água. Tinha 16 anos, acabava de descobrir um problema no pé (que, na altura, não sabia que viria a ser crónico) e estava prestes a entrar no 11º ano, um dos anos mais atribulados da minha vida de estudante. Hoje, com 26, estou à frente de uma fábrica têxtil, casada, já com os cursos no currículo e a vida de estudante para trás das costas, sentido que agora sim, tenho uma vida pela frente, guiada pelas minhas ambições e vontades mais concretas.

São dez anos de trabalho. Escrever num blog dá trabalho - e , mais do que isso, rouba muito tempo. Quando o criei era fácil ter motivação para escrever - vivíamos o boom destas plataformas e o feedback era rápido, quase imediato - mas os anos foram passando e a paciência das pessoas para ler textos (em vez de ver vídeos, por exemplo) foi diminuindo gradualmente. Hoje só escreve quem gosta mesmo de o fazer; quem não tem a ilusão de que o faz para influenciar, para vender ou para ganhar dinheiro. Há dez anos surgiram muitos blogs pelas razões erradas - que desapareceram igualmente rápido, ou simplesmente migraram para plataformas mais amigas da imagem e da venda fácil. Em 2011 os blogs do Sapo eram uma cidade do litoral, com vista praia; hoje, com o êxodo, somos uma vila no interior do país. E quem diz que não se está melhor na montanha? Aqui só vem quem quer, quem gosta, e não só os veraneantes.

São dez anos de mudança - e ainda bem. Na verdade não podia ser de outra forma - seria muito mau sinal se nada tivesse mudado na minha vida desde os 16 anos. Mudei de vertente na escola secundária, mudei de turma; entrei e saí da faculdade com o curso concluído e fiz mais tarde uma pós-graduação; estagiei, arranjei emprego, despedi-me; comecei a trabalhar na fábrica, tornei-me sócia; arranjei namorado, saí de casa, casei-me. É talvez a fase mais transformadora na vida de alguém - e está aqui toda, documentada, com os seus altos e baixos, assim como os vales, alguns mais silenciosos que outros.

São dez anos de gestão de expectativas. Escrevo acima de tudo porque gosto, porque é a minha auto-terapia, porque me faz bem. Mas também porque, ao longo dos anos, construí o sonho de, no fundo, me pedirem/pagarem para escrever. Não falo de posts patrocinados ou parcerias - eu queria escrever livros, queria que as minhas palavras estivessem nas mãos de alguém, que chegassem a mais gente. E, nisso, saí frustrada. Passou uma década e nunca consegui. Confesso: olho com alguma inveja para "miúdos" de 19 e 20 anos a escrever no Observador e no P3 e pergunto-me com frequência: mas como? Na minha cabeça trilhei o caminho certo: escrevi, escrevi, escrevi. Sobre tudo e mais alguma coisa. Li muito (hoje não o faço, porque ainda não consegui retomar todos os hobbies de que gosto). E, ainda assim, não consegui atrair a atenção de quem de direito. 

Hoje percebo que quando defini a "linha editorial" deste blog pensei nele como "mais comercial" que os anteriores por ser de livre acesso, por eu não ter a obrigação de pensar antecipadamente se esta ou aquela pessoa podiam ler este texto ou ficar ofendidos com o outro e por, acima de tudo, haver uma distinção clara daquilo que era íntimo e privado. No entanto não olhei para as coisas do ponto de vista literalmente comercial; nunca me preocupei com números, não me ajustei nem mudei o meu estilo porque achei que assim teria mais leitores. Sou uma escritora egoísta - mas, ao mesmo tempo, genuína. Não acho que se possa ter o melhor dos dois mundos - o comercial e o puramente genuíno - e eu escolhi facilmente o lado em que queria estar. Sei que escrevo textos demasiado grandes e, muitas vezes, para nichos. Dedicar toda uma temporada de textos aos preparativos do casamento é uma jogada arriscada - mas a verdade é que escrevo estes textos para mim, para um dia mais tarde me conseguir recordar destes tempos. A única diferença para todos aqueles que registam este tipo de coisas em cadernos de apontamentos ou diários é que eu partilho, o meu diário é aberto, e o dos outros não. 

Tal como num diário, não há aqui nenhuma linha de raciocínio lógica que eu procure seguir; navego ao sabor dos dias e escrevo quando e sobre aquilo que me apetece. Pode ser sobre o casamento, sobre o novo iogurte que descobri no supermercado, sobre as eleições ou uma simples opinião sobre um livro; podem ser dicas sobre o que escrever em fitas universitárias ou como pendurar as sardinhas da Bordallo Pinheiro. Muitos destes textos são preciosos anos depois de terem sido escritos - tenho muita gente que os encontra no Google e vem comentar - mas que, na altura em que os partilhei, são só mais uns para os arquivos, sem grande valor acrescentado. Mas a verdade é que, daqui a uns anos, talvez uma noiva desesperada venha aqui ver como é que eu fiz isto e aquilo, da mesma forma que vêm procurar dicas sobre viajar sozinho, como é fazer uma excursão ou um cruzeiro. 

Dez anos volvidos, já não espero nada. Tudo o que vier é bom. Fico feliz com um comentário, contente com um novo like no facebook, extasiada com um destaque e radiante (e com o coração quentinho) quando recebo um email como um que recebi há dias, relembrando-me que não estava só, que era compreendida e que ainda há gente desse lado.

Também já não estabeleço metas. Não penso em chegar aos 900 seguidores no facebook no final do ano nem em escrever cinco posts por semana. E muito menos ponho pressão em mim própria para escrever imenso com o objetivo de ser notada por alguém, para um dia me pedirem para escrever em qualquer lado. Acredito que, tal como no meu trabalho, o caminho se faz caminhando - e o que temos de fazer para algo acontecer é, simplesmente, seguir o nosso percurso e estar atentos aos sinais.

Sinto que, principalmente nestes últimos dois anos, falhei muito para com este blog e com quem o lê; é curioso como uma coisa tão simples nos pode pesar nos ombros, apesar de não termos qualquer tipo de compromisso explícito. Porque a verdade é que eu posso não escrever todos os dias, mas todos os dias penso em escrever. Por isso estou a tentar trabalhar em rotinas para conseguir satisfazer a minha vontade e necessidade de escrever para conseguir, também, reconquistar algum território perdido - porque sei que a consistência é uma das formas mais fáceis de (re)construir uma plateia, após meses ausência a perder leitores.

Quando festejei o 8º aniversário deste blog falei do que era, para mim, ser adulto. Ser adulto é esquecer. E escrever é um antídoto para todas as falhas de memória que o nosso futuro nos promete - não impedindo que cresçamos mas, talvez, que não envelheçamos tão rapidamente. Não sei se vou escrever aqui durante mais dez anos; não sei quem vou ser ou o que vou estar a fazer daqui a uma década. Mas gostava de continuar a fintar a memória e poder rebobinar a minha vida, como se de um filme de tratasse, simplesmente acedendo aos arquivos deste diário aberto. Pode ser que sim. Esperemos que sim - acho que seria bom sinal.

Parabéns Entre Parêntesis! 

 

Carolina2011_2021.jpg

20
Mar20

25 anos em tempo de Corona

Sempre levei muito a sério o provérbio do "não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti".

Eu detesto festas de anos. Sempre detestei. Já é assim desde miúda, mas nessa altura as razões prendiam-se com o medo que tinha dos escorregas nos parques de diversões escolhidos para festejar a data e porque abominava aqueles bicos de pato com queijo e fiambre que antecediam ao soprar das velas, num bolo de pastelaria igualmente abominável. Agora que penso, passaram os anos e eu não mudei assim tanto: não ando em escorregas e não vou a parques de diversões; detesto bicos de pato e ainda por cima não como queijo; e continuo a achar que um bolo de pastelaria não é digno o suficiente para festejar uma data tão importante. Se é bolo de anos, é para ser em bom - nem que seja feito pelo próprio aniversariante (que é, na maior parte das vezes, o meu caso).

Pois que hoje completo 25 anos de vida. E, dado ser um quarto de século, ia abrir uma exceção: fazer uma festa. Queríamos que não fosse o simples "soprar das velas"; íamos convidar a toda a minha família e até, na loucura, alguns amigos - algo que sempre evitei, porque me faz confusão a mistura de núcleos que não têm nada em comum entre si a não ser conhecerem o aniversariante. Foi sempre isto que detestei em festas de anos; se no dia-a-dia já me sentia muitas vezes excluída e posta de parte, nestas festas a sensação agudizava-se, pois chegava a não conhecer ninguém, e via-me sozinha no meio de uma multidão. Posta de parte porque não alinhava nas brincadeiras. E à parte, porque nunca fui fã do conceito de festa, que envolve barulho e muita confusão.

Mas são 25 anos. Era ano de exceção - não só pelo número bem redondo mas também pela fase da vida que vivo. É o primeiro ano que festejo com um namorado ao lado, que retirou de mim a sensação eterna de estar só, independentemente de estar só com ele ou ter o mundo à minha volta; é o afirmar de uma nova fase, pessoal e profissional - tão importantes e tão vincadas que é impossível ignorar. Por ter toda a gente que importa à minha volta.

Por todos percebermos isso, queríamos celebrar.

Esquecemo-nos que a vida dá muitas voltas. E que raio de volta esta, que mexeu não só comigo, não só como os outros, mas com o mundo inteiro. As séries e os livros de suspense e ficção científica não podiam ter adivinhado o que se avizinhava - num dia tínhamos uma vida normal, noutro estamos presos em casa. As notícias gritam estado de emergência. Contágio à mínima coisa. Mortes. Infetados. De um dia para o outro fecha tudo, de uma noite para a outra não sabemos se continuamos a trabalhar ou se devemos ficar em casa.

Hoje faço 25 anos. Em 25 anos é a primeira vez que não estou com os meus irmãos, seus cônjuges e filhos neste dia que marca o meu nascimento. Foi a primeira vez que não pude abraçar a minha mãe mal abri a porta da cozinha. Em que não pude dar um beijo ao meu pai quando o vi a chegar. Foi a primeira vez desde que cozinho que não fiz um bolinho para que todos pudéssemos comer ao jantar, depois do cabrito assado da minha mãe (o meu prato de eleição). 

É um dia tão feliz como triste: por saber que os anos continuam a contar e que a minha vida está recheada de coisas boas, mas por outro lado por não as conseguir partilhar com quem verdadeiramente amo e faz parte de mim e desta jornada. Que estes tempos de isolamento e de diversidade sirvam para percebermos a importância de pequenas coisas que há um par de dias tínhamos como garantidas. E não falo da festa de anos.

O beijo de uma mãe.

O abraço de um pai.

O canto em uníssono dos meus irmãos a entoarem-me o "Parabéns a Você" - um momento que até hoje passava à frente sem grandes dramas -, enquanto espero para soprar as velas, sem medo de infetar o bolo. 

 

Façamo-nos valer das novas tecnologias, que nos aproximam em tempos de distância. E que este aniversário, que decerto ficará para sempre na minha memória, sirva de exemplo para perceber o que realmente importa. Bem dizem que a "velhice" traz conhecimento associado.  E um quarto de século já é alguma coisinha ;)

 

aniv25.jpg

 

06
Ago19

Ter um blog é lembrarmo-nos do que fomos. Há oito anos que faço por recordar.

Escreve Ricardo Araújo Pereira no seu último livro: "Ser adulto é esquecer o que foi ser criança." O Ricardo é um génio, mas não é preciso muito para chegar a esta conclusão. Bato de caras com ela de cada vez que vejo um carro de condução a ser pressionado por um outro condutor, que tenta ultrapassar pela esquerda, pela direita e só não passa por cima porque o automóvel (ainda) não tem asas. Isto tudo porque já não se lembra do pânico que é estar ao volante de um carro pela primeira vez; do chato que é estar constantemente a ser mandado e corrigido por um instrutor; do suor que toma conta das mãos e do tremor que invade as pernas. Já se esqueceu. Ser adulto é esquecer.

É por isso que sei que ainda não sou adulta. Pelo menos, na maioria dos casos. Ainda me lembro de muita coisa - e, ai!, se me recordo daquelas aulas de condução! E, sobre o que não me lembro, (re)leio.

Este blog faz hoje oito anos e sinto que essa é a maior vantagem que ele me traz: lembrar-me de quem sou, de quem já fui, o que senti, o que pensei, pelo que passei. Tenho uma regra de ouro: nunca apagar um post. Por muito que me envergonhe, que não goste ou já não me identifique, ele está lá; porque em algum momento eu senti que ele fazia sentido. 

Racionalizar as coisas de forma a escreve-las é um exercício que me faz crescer todos os dias. Encontro as minhas próprias contradições, argumento contra mim mesma. Apuro as minhas ideias. E lembro-me delas com mais facilidade. Não me esqueço. Torno-me adulta, mas nem tanto.

Consigo recordar com precisão o impasse da minha mudança de área no secundário; a escolha do curso, o tormento do primeiro ano; a ânsia do primeiro trabalho, o terror de ter de me despedir; a aventura de entrar nos negócios de família, a loucura de começar a dar aulas de piano, a falta de vontade de tirar uma pós-graduação. Ter tirado a carta, ter entrado na faculdade, ter-me formado, ter sido tia mais uma vez, ter arranjado namorado, ter ultrapassado a morte de familiares, ter sido operada. Ter viajado - tanto!, e poder reviver tudo com tanto pormenor.

Ter um blog é ter a oportunidade de viajar no tempo. De não esquecer.

Ter um blog há oito anos é saber que temos parte da nossa vida escrita - no meu caso, um terço da minha história está aqui, para relembrar o que fui. E, em parte, para me lembrar todos os dias o que quero ser.

 

north-shore-mama-for-the-first-time-in-8-years-750

20
Mar19

Vinte e quatro anos

Simpatizo muito mais com números pares; não sei porquê, mas dão-me uma ideia mais reconfortante e redonda do que os números ímpares, que na minha cabeça estão repletos de  arestas e picos e coisas não tão fofinhas. Por isso disse sempre que até gostava da ideia de me livrar dos 23 anos e passar para um número par.

Comecei a pensar sobre os meus 23 e reparei que houve, de facto, arestas. Lombas, chamar-lhe-ia. Ou uns buracos na estrada. Que, na verdade, fui eu que construi. Aos 23 saí do jornal, comecei a trabalhar com o meu pai, inscrevi-me numa pós-graduação, comecei a dar aulas de piano. E a sensação de estar perdida - algo que aconteceu muitas vezes, quase todos os dias deste meu ano 23 - foi compensada com o conforto de me sentir em controlo da minha vida e de finalmente estar a seguir o caminho que sonhei desde miúda.

Acho que foi o ano em que mais arrisquei e em que mais bati o pé - tanto aos outros como a mim mesma, aos meus preconceitos, medos e ideias demasiado enraizadas. Foi provavelmente o ano da minha vida com mais apostas de longo prazo, em que esqueci o prazer imediato, e em que pus todas as fichas na minha resiliência; sinto que colei os meus pés na terra e gritei "daqui não saio, daqui ninguém me tira", já a antever todos os ventos fortes e tempestades que se avizinhavam. Até ver, aguentei. Aguentei o peso emocional e a carga de trabalho que implicou voltar a estudar e aguentei os pequenos terramotos provocados pelo simples facto de viver com a mesma pessoa com quem trabalho e com quem passei a partilhar opiniões e decisões estratégicas de uma empresa.

Hoje entro nos 24 - número par, redondinho e bonito - e despeço-me dos 23 com um agradecimento profundo a todas as lombas que instalei no meu próprio caminho. Quase que fiz as pazes com os números ímpares, porque percebi que as arestas também podem ser uma coisa boa; se não fossem elas, se tudo fosse redondo e liso, não havia mudanças de direção. E quase tudo o que eu fiz nestes meus 23 foi definir ângulos de mudança, usar a régua e o esquadro e escrever a lápis o caminho por onde é suposto ir - nunca me esquecendo que posso apagar, mudar de ideias e voltar atrás... Mas que ao menos o risco já está traçado. Só falta mesmo percorre-lo.

Que os 24 continuem a ser uma bela viagem. Eu estou aqui, do lado da janela, à espera de ter boas vistas.

CarolinaOculos (16 de 16).jpg

20
Mar18

23! Hoje é dia de comer bolo e ter uma boa desculpa para isso!

tumblr_m1qckjRc0P1rrk6bho1_500.jpg

 

Hoje faço 23 anos.

Como costuma acontecer sempre que festejo o meu aniversário (calha sempre neste dia, coisa estranha!), andava a pesquisar uma imagem para assinalar esta data - que, embora não seja a minha favorita, é sempre algo a festejar. Lá pelo meio, encontrei uma postal um bocado feio que dizia "23: Stay patient and trust your journey". E eu, que nem sequer sei se acredito em coincidências ou destinos, pensei: caraças, é isto! 

Acho que os 23 vão ser diferentes e vão marcar uma viragem na minha vida. Tenho esperança que seja um dos anos em que mais me dedico a mim mesma, antes de me atirar de cabeça (e alma e coração) a projetos que me vão ocupar por inteiro.

Que me tragam força, paciência, perseverança e fé em mim própria, nas minhas decisões e no meu próprio caminho - e que tudo isso comece já hoje, por favor!

Que não seja só mais um. 

Que seja um ano do carago.

20
Mar17

Grata

Não sei porque não gosto de fazer anos, mas é uma coisa quase visceral. É acordar de manhã e pensar "oh não..." e querer e ficar mais um bocadinho na calmia dos lençóis. Tento sempre decifrar este tipo de sentimentos, perceber porquê que ao contrário das pessoas normais eu não consigo estar feliz neste dia que me celebra. Ainda não consegui, pelo menos de forma completa - mas acho que estou a chegar lá. E é o mesmo problema de sempre: as pessoas.

Este dia é um reminder de todas as pessoas que ganhei, que conquistei, que gostam de mim e que me amam; mas também é uma lembrança de todos os que perdi. Todo ele é uma gestão de expectativas. É estúpido, até porque as coisas nem sempre são lineares e eu já me esqueci de dar os parabéns a pessoas importantes para mim - mas é o que é.

É perceber quem se limita a escrever "parabéns" no teu mural do facebook; quem, ainda que não se lembrando, vê no facebook e pega no telemóvel para te mandar uma mensagem; é ver quem te liga e ainda manda uma mensagem como bónus; é ver quem te liga do nada, de forma inesperada e sem qualquer compromisso; é ver quem te escreve coisas bonitas, quem te diz que tem saudades mesmo não falando durante os outros 364 dias do ano  - e tu fingires que acreditas - e é ver quem não faz nada disso. E é perceberes que antes aquela pessoa te ligava e agora só te manda uma mensagem quase monossílabica; e é entenderes e veres na profundezas do teu ser que querias que aquela outra te dissesse mais que "parabéns".

A verdade é que as palavras valem pouco e os gestos falam por si e mais alto que qualquer outra coisa. O aniversário e só um dia - graças a deus! - mas serve de amostra daquilo que temos. Acho que mentimos quando dizemos que não nos importamos quando alguém de quem gostamos se esquece de uma data que, quer queiramos quer não, é especial; tão e simplesmente porque isso quer dizer que não pairamos na cabeça daquela pessoa, que não estamos no seu "espectro". E isso é triste, porque todas as relações - quer sejam de amizade, companheirismo ou amor - que não são correspondidas são simplesmente tristes.

Acredito muito em mim em determinadas coisas e relativamente a certas competências - mas nunca me apercebo do apreço que potencialmente os outros podem ter por mim. Acho sempre que sou o elemento descartável, o que não faz falta, o de substituição. E pode ser paranóia, e em alguns casos sei que sim, mas é algo que não consigo evitar; acho que há feridas que vão ser para sempre mal curadas, há coisas que doem demasiado, há perdas demasiado pesadas para serem esquecidas. E eu tenho, desde cedo, um saco cheio.

Por outro lado, hoje tive surpresas boas - principalmente vindas do mundo do trabalho. Sempre disse que não queria inimigos e sinto que estou a colher os frutos de uma entrada pacífica no mundo do trabalho. Recebi chamadas e mimos que nunca, nem nos meus sonhos, pensei receber. E fiquei mesmo, mesmo sensibilizada - ao ponto de me apetecer chorar um bocadinho de cada vez que clicava no "vermelho" do desligar. Os meus sobrinhos também me fizeram duas surpresas maravilhosas, com um recital de um poema e uma canção para mim, e eu não tenho como ficar derretida perante tantos gestos de carinho.

Obrigada a todos, do fundo do coração, pelos desejos de um bom aniversário. Foi mais um, já acabou e eu estou feliz por ter chegado ao fim. Agora tenho 364 dias de sossego =)

20
Mar17

22 velas

Hoje faço anos. Sempre que me perguntam qual é a minha data de aniversário digo "20 de Março" e, normalmente, acrescento: "ou acabo com o Inverno ou começo com a Primavera". É algo que acho giro. Não gosto de fazer anos, mas gosto do dia que escolhi (ou escolheram) para eu nascer: tanto pelo número como por esta particularidade que, por acaso, acho que tem muito que ver comigo.

Infelizmente, acho que sou um bocadinho desiquilibrada no que diz respeito ao estados de humor: ou estou muito bem ou estou muito mal. Não sou de muitos meios termos. Ou sou Inverno ou sou Primavera. Porque muito embora a estação "rival" do Inverno seja o Verão, a verdade é que a mudança mais drástica se dá na altura da Primavera: passamos de dias frios para um calorzinho bom; de árvores despitas para os troncos em flor; de céu cinzento para céu azul; de camisolas de gola alta para t-shirts de manga curta; de galochas para sandálias. E isso representa-me. Eu tenho verdadeiramente dias - e fases - de Primavera e outras de Inverno. E a verdade é que eu fujo da estação fria - tanto no sentido literal como figurado - como um gato foge de água, mas a verdade é que a vida se faz com todas as estações do ano.

Hoje, para além de fazer anos, começa a Primavera. Em 1995, há precisamente 22, era o último dia de Inverno. Contam-me os meus pais que estava um calor dos ananáses, vindo sabe-se lá de onde. Que passaram dos agasalhos para as mangas curtas, literalmente, do dia para a noite. Só previa aquilo que aí vinha - eu e as minhas mudanças drásticas de "temperatura".

Não escondi que nos últimos tempos o Inverno morou para estes lados. Tenho tentado gerir da melhor forma e passar para o outro lado da barricada - o florido, de céu limpo e todas essas coisa boas - e acho que, pouco a pouco, a coisa está a ir ao sítio. De uma forma geral tive uns 21 muito bons; revolucionaram-me a minha vida, foi um ano de mudança e de coisas muito, muito boas. De férias e momentos espetaculares, que guardo como referência daquilo que quero para os meus dias: leveza, saúde e simplicidade. Acho que o resto vem.

Hoje começa a Primavera. E eu, se pudesse pedir um desejo relativamente a estes 22 acabadinhos de chegar, era isso mesmo: que fosse Primavera durante grande parte dos meus dias.

 

Resultado de imagem para remember me cake gif

(desculpem, tinha de ser. são 22... mas com a panca do costume)

 

06
Ago16

Parabéns, blog fofinho!

5_cupcake.jpg

 

 

Foi há cinco anos que criei esta nova casa para os meus textos, devaneios, opiniões e coisas parvas. Pode não parecer muito, pode parecer fácil, mas às vezes não é. Manter um blog diário é difícil, exige trabalho, dedicação e tempo - e embora eu nem sempre consiga dedicar-lhe tudo o que quero e que ele merece, tenho dado o meu melhor e estou satisfeita com estes cinco anos de "casa".

Lembro-me que festejei os três anos do Entre Parêntesis quase de luto, por causa da minha avó. Os quatro anos celebraram-se no decorrer de um verão complicado e depois de um período de euforia total na faculdade: a representação de um "arrefecimento" abrupto e de algum desapontamento. Já este aniversário representa mais uma reviravolta que está para chegar na minha vida e um esforço muito grande da minha parte para fazer deste último verão "grande" algo memorável.

Não deixa de ser giro pensar que, quando me "mudei" para aqui, estava ainda no secundário e no vai-não-vai para mudar de curso e no meio de uma crise existencial épica. Agora, quase licenciada, estou a menos de um mês de ir trabalhar e entrar no mundo dos crescidos. É estranho mas tão bom ao mesmo tempo saber que há algo - ao longo destes 1827 dias - que é constante, uma linha condutora entre os tempos e todas as decisões e ações que tive. Essa linha condutora é este blog, porque está tudo aqui: os medos, os pensamentos, as tomadas de decisão, as dores, as alegrias, as tristezas, as vitórias e as derrotas.

Sou a mesma Carolina, só cinco anos mais velha, mais crescida, mais madura, mais experiente e mais certa das suas escolhas. E, espero, que melhor escritora do que era em 2011! E é assim que quero que isto continue a ser: a mesma Carolina, mas em constante evolução. Porque se há algo que aprendi durante estes anos é que podemos mudar, evoluir e crescer, e mesmo assim continuar a sermos fiéis a nós mesmos.

 

Que sejam os primeiros 5 anos de um "vida" longa :)

 

01
Mai15

Um ano de Molly

Parece que foi ontem que vi aqueles ratinhos em forma de cães em volta da Luna, a mãe. Eram tão pequeninos que até metia impressão pegar-lhes. Eram todos demasiado fofos - tão fofos que só apetecia comer e estrafegar com beijos e mimos bons. Mal eu sabia, nessa altura, que um daqueles cãezinhos iria ser meu.

Parece até que foi hoje que vi a Molly entrar aqui em casa, dentro de um saco de papel e um lacinho vermelho ao pescoço, em forma de prenda de anos da minha mãe. Mal toda a gente sabia que aquela tinha sido a melhor prenda do mundo, não para a aniversariante, mas sim para mim.

Ainda me lembro da primeira noite que passei com ela, quase metida na minha cama; do drama que foi introduzi-la na matilha, uma vez que o Tomé tinha uma vontade louca de a comer de um só trago; da diferença de tamanho grotesca entre ela, com dois meses, e os outros cães; da primeira noite em que dormiu aqui dentro de casa, completamente enroscada em duas mantas onde a embrulhei para parar de tremer de frio. Foi o primeiro cão que conquistou lugar aqui dentro de casa, mas desde o início que conquistou os nossos corações. Tenho uma relação com ela que não tenho, nem nunca tive, com mais nenhum cão - talvez porque ache que tudo aquilo que sinto por ela é recíproco. Ela mima-me quando eu preciso, eu faço-lhe o mesmo; ela é chata quando quer alguma coisa, mas eu também sou chata quando quero que ele faça o que quer que seja; ela tem a mania que manda, e eu mostro-lhe que quem manda sou eu. Mas, dentro das nossas grandes diferenças, completamo-nos. Acho que somos quase feitas uma para a outra. 

Como prenda de anos antecipada, a semana passada esqueci os trabalhos, o programa, os computadores, as internets e os telemóveis e levei-a à praia pela primeira vez. Todos aqueles passeios e treinos tinham esse grande objetivo: começar a leva-la de carro a alguns sítios para nos passearmos uma à outra. Para primeira experiência correu bem. Fomos para uma praia com pouca gente e ficamos lá meia hora. Não estranhou a areia nem tentou meter-se na água; no passeio portou-se lindamente, com excepção dos momentos em que via outros cães ou mirava os pássaros para caçar (o que é um problema porque eu não reparo neles e não estou à espera do puxão que ela me dá). Nunca a soltei da trela, com medo que ela fugisse ou se metesse com outros cães, mas estamos num bom caminho. Acho que foi a melhor prenda de aniversário que ela podia ter tido.

Em suma, há um ano tinha acabado de nascer uma das minhas melhores amigas. Parabéns Guacamolly*!

 

molly_montagem.jpg

*um nome fofinho que eu lhe chamo, num trocadilho entre o prato "guacamole" e o seu nome, Molly

Pesquisar

Mais sobre mim

foto do autor

Redes Sociais

Deixem like no facebook:


E sigam o instagram em @carolinagongui

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

    1. 2022
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2021
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

Ranking