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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

07
Abr20

Um ano da melhor decisão da minha vida

Há um ano tomei uma decisão. Uma das mais importantes da minha vida. Tomei-a com toda a convicção de quem faz algo em que acredita - independentemente do medo de arriscar naquilo que sempre mais a assustou: uma relação amorosa. Dei o passo consciente de tudo aquilo que ia ter de enfrentar, o que fez com o momento que muitos vêem como o mais romântico de uma relação (o início, o primeiro beijo) fosse, para mim, um autêntico salto no escuro. Não sabia para onde ia, mas sabia que queria saltar. Não foi instinto, não foi um golpe de paixão, não foi um impulso. Foi decisão. E, por muito pouco romântico que pareça, ter a certeza de que queremos fazer algo deste género vale muito mais do que um beijo apaixonado, dado de rompante, de quem não vê o dia de amanhã com a pessoa a quem acabou de tocar com os lábios.

Falhei quando achei que estava consciente do que vinha a seguir. 

Falhei por achar que era aquela "A" decisão. Foram muitas "AS" decisões que tomei ao longo deste ano - e algumas foram muito, muito difícieis. Descobri que pesar amores, compara-los, dói muito; que relativizar, pensar a longo prazo e tentar imaginar a vida no futuro com a pessoa que amamos tem tanto de maravilhoso como de assustador (por todos os danos colaterais que implica). E soube, pela primeira vez na vida, que cabe muita dor dentro da felicidade.

Falhei por achar que a minha boa capacidade de gerir o tempo iria dar conta do recado e do desafio que tinha pela frente. E passei a saber que há algo muito difícil de fazer numa relação - e que foi, sem dúvida, o maior desafio deste ano: gerir o tempo que temos para nós, com o outro, com a nossa família e com os nossos amigos. Que percentagem dar para cada lado? Com quem ir almoçar no fim-de-semana? Com quem ir passar férias? E, no meio disto tudo, de não nos esquecermos de sermos nós mesmos; de não darmos tudo aos outros e ficarmos sem nada para nós. Durante muitos destes 12 meses o piano, a escrita, a leitura e outras atividades que gosto de fazer foram postas de parte em prol da minha relação e de tudo o que gira à sua volta.

Mas, acima de tudo, falhei redondamente quando achei que isto não era vida para mim. Que, a partir do momento em que o descobri, podia ter a escolha de não o ter como meu. Porque quando a vida nos dá um presente assim, nem sequer temos o direito de o desperdiçar. É como ver que nos saiu o Euromilhões e deitar o boletim fora: mais do que estúpido, seria um desrespeito para com o destino e a sorte que nos calhou na rifa.

Sorte. Digo-o todos os dias. Tenho - e tive - muita sorte. Por ter encontrado alguém que me fez alterar a minha perspectiva de vida, por este ser um homem por quem me apaixono diariamente, que gosta e cuida de mim, com quem consigo falar sobre tudo, que me respeita, ouve e mima - e de ele próprio saber que tudo isto é recíproco. E isto bastaria para haver química, amor e carinho - mas podia não ser o suficiente para vivermos os dois pacíficamente, como se partilhássemos casa há uma vida. Acima de tudo partilhamos valores, princípios e lemas de vida. Acreditamos nas mesmas coisas. Temos, sem querer, a mesma forma de viver.

Há uns dias, depois de pousar o meu livro na mesinha de cabeceira e me preparar para dormir, disse-lhe: "já viste a sorte? Se eu gostasse de fumar um charro sempre que chegasse stressada a casa ou de ir beber uns copos com os amigos à noite... se calhar a nossa relação não era igual". Ele respondeu: "gostava de ti na mesma. Talvez menos um bocadinho". Esse bocadinho pode não ser um pormenor. Lá está: o amor e carinho podiam estar lá, mas a facilidade de convivência podia não ser a mesma que temos hoje. Porque partilhamos pilares que ambos consideramos essenciais.

Acreditando na lei das probabilidades, nunca acharia isto possível. Encontrar alguém de quem eu goste. Encontrar alguém que goste de mim. Que por acaso não bebe álcool. Que por acaso não fuma. Que por acaso vê a família como o diamante mais precioso que há na vida. Que por acaso tem uma casa onde cabemos os dois, em que há espaço para cada um conseguir vestir a melhor versão de si próprio. Que por acaso gosta das minhas comidas. Que por acaso gosta de cães. Que por acaso gosta de miúdos (e roubou o coração aos meus sobrinhos). 

Que, por acaso, se sentou ao meu lado numa pós-graduação na faculdade.

Que, por acaso, era a peça que me faltava para ser feliz.

 

É caso para dizer que há acasos felizes. O dia 7 de Abril de 2019 não foi um deles: foi uma decisão (que implicou muitas e que vale todas elas). Foi a mais acertada que fiz até hoje, aproveitando o melhor acaso da minha vida.

 

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14
Fev20

Hoje há sopa para jantar

Uma espécie de texto sobre o dia dos namorados - ou como este dia deve ser a rotina

Lembro-me bem de, já a meio da viagem do Japão, dizer ao meu namorado que tinha "saudades de fazer sopa". Repeti a expressão vezes suficientes para ela ser uma espécie de "coisa nossa". 

A sopa foi a refeição que criou rotina em nossa casa. Sendo ambos trabalhadores, o fim do dia é o tempo de excelência (que é como quem diz: o único) para estarmos juntos. Uns meses depois de começarmos a namorar definimos que iríamos jantar sempre juntos - e o meu jantar sempre se baseou na sopa. Era coisa que nunca tinha feito - todos sabemos que a sopa da mãe é a melhor do mundo - mas aprendi a reproduzi-la à minha forma. E hoje digo-o com orgulho: acho que faço boa sopa. Se calhar porque com todo os ingredientes vai uma boa dose de amor.

Mesmo em tempos que não os de dieta, onde a sopa é mesmo uma das minhas maiores aliadas, aquele momento diário de puxar da tábua, cortar o alho e a cebola para fazer o estrugido, de escolher o que tenho no frigorífico para deitar para dentro do tacho e esperar que tudo aquilo coza, enquanto emana o seu cheirinho característico, é mágico para mim. Mesmo nos dias em que não me apetece ter esse trabalho. Mesmo quando a cebola me faz chorar as pedras da calçada. Mesmo quando chego do trabalho derreada, só com vontade de um banho e um sofá para me deitar. Porque fazer sopa passou a significar casa. Passou a ser a minha rotina. A nossa rotina.

A verdade é que a "sopa" não acaba no momento em que a passo com a varinha mágica. Também significa estar a comê-la ao lado de quem amo, enquanto cada um partilha as idiossincrasias do seu dia - mais os problemas, as chatices, os desabafos ou, por contrário, as coisas boas que nas horas antes aconteceram. Não acaba no momento em que lavamos os pratos, já depois da sopa sorvida, em que cada um arruma a cozinha o mais rapidamente possível, por sabermos que a seguir vem a parte que mais desejamos: o descanso. O mimo. O sofá.

A sopa é tudo isso. É a rotina.

Tenho saudades de fazer sopa em semanas muito agitadas, com jantares e eventos e dias demasiado caóticos para caberem na agenda. Tive saudades de fazer sopa quando fui de férias, tanto para o Algarve como para o Japão. Tive saudades - muitas! - de fazer sopa quando fui operada e a minha mobilidade era reduzida. E vou ter sempre saudades quando a rotina me faltar. Quando ele me faltar.

Hoje é só mais um dia como os outros - sempre disse, enquanto solteira, que queria que assim fosse. Mas há sopa para o jantar - com tudo o que isso significa. E que bom que é!

 

02
Jul14

Amores confinados a um número de páginas

Não deixa de ser curioso ver a facilidade com que me apaixono por personagens ficcionais e a dificuldade com que gosto de alguém real. Bastaram as primeiras páginas - e não estou a exagerar - de o "Equador" para me derreter por Luís Bernardo e todo o seu discurso. Mas quem diz o Luís Bernardo também diz o Edward nos meus tempos áureos do "Twilight", o Patch do "Hush Hush", o Gus do "A Culpa é das Estrelas" ou o Étienne do "Anna e o Beijo Francês". É esperar que eu lá chegue, porque hei-de os correr a todos.

No entanto, na vida real, para alguém me conseguir atrair (e já nem digo conquistar) é uma tarefa, a muitos, impossível de alcançar. Porquê, perguntam vocês? Não faço ideia. Não sei se as personagens por quem deliro são demasiado irreais para serem verdade, não sei se são só o protótipo de rapazes/homens perfeitos, idealizados por mulheres meio que desesperadas (embora o Gus tenha sido criado por um homem e seja, provavelmente, o meu favorito, mas enfim). Talvez, num livro, consiga decifrar aquilo que pensam e sentem, e por isso sejam mais interessantes; não sei se sou eu que estou mais aberta, mais receptiva, sem aquele pé atrás e o instinto protetor que constantemente pergunta "mas quem é aquele tipo, de onde vem, o que quer, o que tem de interessante?". Não sei.

Sei que, se saltassem do papel, me daria por satisfeita com um deles, e que provavelmente não estaria solteira. Mas enfim, temos de nos contentar com o que temos, certo? Homens reais. Esperem notícias sobre este assunto lá para 2034, talvez - cansada de amores mais do que impossíveis, limitados por algumas folhas de papel - me redima e arranje um namorado. Entretanto vou voltar para a minha leitura: sim, que o Luís Bernardo - sozinho em S.Tomé, coitadito - está à minha espera.

03
Fev14

Momento mexerico do dia (ou como deixar de acreditar no amor)

Não. Pode. Ser. Eu não costumo comentar a vida alheia (vou cuscando as capas da revistas cor-de-rosa, mas fico-me por aí), mas esta não me pode ficar impune! Então a Cláudia Vieira e o Pedro Teixeira separaram-se? Um dos poucos casais públicos que eu acreditava que daqui a quarenta anos ainda iam estar juntos, velhinhos, de mão dada e com uma catrefada de filhos às costas (sim, eu em vez de esperar um comunicado de separação esperava era um comunicado a dizer que ela estava grávida de novo) e acabou aqui? 

Têm de perceber, isto mexe comigo: eu fui uma seguidora fiel e apaixonada da série deles dos Morangos com Açúcar; sempre apelidei a série dois como a melhor de todos os tempos, ainda para mais porque os protagonistas estavam juntos na vida real. E agora fazem-me isto?! E ela é tão gira, e ele TÃO giro, e fazem um dos casais mais bonitos e fofos de todo o sempre e... acabou?

Estou aqui de coração partido. E depois ainda me dizem para acreditar no amor! Pffffff!

 

27
Nov13

Uma questão de encantamento

A verdade é que não é assim tão difícil deslumbrar-me. Não acontece muitas vezes porque, simplesmente, as qualidades que têm esse poder sobre mim não são fáceis de encontrar. Talvez seja por isso que continuo solteira ao de eterno: não é uma questão de exigência por si só. Quando nos apaixonamos, há um encantamento que vem associado - quando isso não acontece, não há nada a fazer.

Ao contrário da maioria, não é um corpo bem definido ou uma carinha laroca que me deixam a babar. Quer dizer, ajudam, como é óbvio - quem não gosta de ter um namorado que dá gosto olhar todos os dias e que faz com que todas as outras se roam de inveja? Pois claro. Mas isso não é tudo. Aliás, é muito pouco. Há duas coisas que me deixam louca logo à partida: um rapaz que seja rico culturalmente (que goste de cinema, que vá ao teatro, que leia!!) e tenha interesses fora do comum (se souber, por exemplo, coisas sobre físicas e químicas e biologias e introduza isso numa conversa perfeitamente casual é um bom início); saber tocar um instrumento musical - um rapaz que se sente em frente a um piano e que faça sair dali uma melodia qualquer de Beethoven ou de Mozart ou a Comptine d'Un Autre Été do "Amélie" conquista automaticamente metade do meu coração. 

Infelizmente, não são qualidades que se encontrem aí a cada canto. As consequências estão à vista (ó pra mim solteira) - e não me incomodam particularmente, mas não impedem que eu pense no assunto, como outra coisa qualquer. É algo que me intriga, embora devesse ser eu a pessoa que mais percebesse a razão desta minha "síndrome de solteirice" - a verdade é que não sou e por isso é que às vezes me ponho aqui a divagar. Lembro-me de vez em quando e as pessoas fazem também questão de mo lembrar, tendo em conta que não são poucas as pessoas que me vêem e perguntam de rajada "e então, namorado, já tens?"

Ontem, enquanto a voz do Jamie ecoava na minha cabeça, lembrei-me de mais esta razão (a falta de encantamento ou, por outras palavras, rapazes que se aproveitem) e decidi que era mais uma para juntar à lista. Nada como o Jamie para me inspirar.

26
Dez11

Por favor, não me partas o fígado

Quando estamos com problemas no campo amoroso, saímo-nos com metámoras como "dói-me o coração", "tenho o coração despedaçado", "partiste-me o coração" ou "tenho o coração na boca". Tenho-me perguntado o porquê de ser sempre o coração.

Sim, o coração é o nosso orgão vital. Mas, verdade seja dita, até é feiinho. Porque não o fígado? É algo essencial e que está anexado ao nosso sistema digestivo - tal como alguém que nos é essencial e que nós precisamos de ter sempre ao pé de nós.

É isso. Agora vou passar a dizer "partiste-me o fígado" ou "deixaste-me o fígado despedaçado". Deveras inovador.

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