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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

03
Fev19

Uma carta à... #3 Primor

Olá Primor,

 

Antes de mais, não tens de quê: estou prestes a revelar ao mundo que produzes a melhor manteiga que há no mercado, a Primor com Cristais de Sal. Não há palavras para descrever o quão bom é comer uma torrada, quentinha, e barrada com esta manteiga, até apanhares uma daquelas pepitas de sal que parecem deixar todo o sabor ainda mais intenso. Porque a verdade é mesmo essa: para quem gosta de manteigas salgadas (que é como quem diz, boas), não há cá President ou marca Continente que se safe. A tua é a melhor. Infelizmente é a melhor para o palato, mas não para o ambiente.

Acredita que eu percebo o conceito de produto premium - mal fora se não entendia, depois de já ter perdido a conta às aulas de marketing que já tive ao longo da vida. Percebo que queiras cobrar 1,39 euros por um pacote com 125 gramas de manteiga e tenhas de justificar o preço de alguma forma. Mas vender o produto dentro de caixas de plástico rígido, com a manteiga envolvida em papel de prata lá dentro, é só parvo. "Ah e tal, é para não ficar a saber a frigorífico - ninguém quer que uma manteiga desta altíssima qualidade perca o seu esplêndido sabor". Verdade - mas a pensar assim também todos os queijos, fiambres e coisas do género teriam de vir em caixinhas - e não vêm. Porquê? Porque 99% das pessoas têm uma coisa em casa chamada tupperwares que, veja-se só!, foram mesmo pensados para esse efeito: guardar coisas para que elas não se estraguem ou deteriorem.

Deves estar a pensar: "lá vem esta miúda com as teorias ecologistas da geração dela, que não percebe que precisamos de vender quer o mundo acabe ou não daqui a 200 anos". Não é verdade. Sou até bastante despreocupada em relação a este tópico, nada extremista (já me chega ser extremista em quase tudo o resto), mas acho que todos temos um cérebro e devemos pelo menos tentar rentabiliza-lo. Eu gosto de caixas, caixinhas e caixotas (basta entrar no meu quarto para se perceber isso), mas sou incapaz de dar utilidade às dezenas de caixas minúsculas que advém dessa embalagem. Já não tenho mais clips, totós, ganchos e molas para guardar; já nem sequer tenho mais espaço para empilhar caixinhas na eventualidade de vir a precisar delas no futuro. Sou obrigada a deita-las fora. E numa altura em que até querem abolir as palhinhas e os cotonetes, produzir uma caixa de bom plástico só por uma questão de vendas não é só parvo: é irresponsável.

Imaginemos que, de facto, as pessoas não têm tupperwares em casa (essas pessoas existem?!). Tudo bem, vende-se a manteiga com a caixinha. Mas para todos os outros que ou já têm sítio onde guardar ou que já compraram a vossa bela e durável embalagem com tampa dourada, a dizer orgulhosamente "Primor", a melhor ideia era vender a manteiga em separado. Até podiam baixar o preço por não terem de pedir tantas caixas ao vosso fornecedor, já viram? E, baixando o preço, mais pessoas provarão e ficarão viciadas na vossa maravilhosa manteiga. E mais vendas é sinónimo de mais dinheiro. E mais dinheiro é aquilo que a Primor quer, certo?

Apercebo-me agora que estou quase a dar um serviço de consultoria à distância e a custo zero, mas é para que se perceba o meu amor a este produto. Gostava muito de não o comprar com peso na consciência ou a pensar "e agora, onde é que vou utilizar mais uma caixa?!". Ou, pior, ver esta manteiga extinta do mercado porque é demasiado cara ou por não ter clientes que, ao contrário de mim, são mais radicais nestas coisas.

Pensem nisso. 

 

Obrigada,

Carolina, o meio ambiente e os arrumos de casa da Carolina que já não têm mais sítio para albergar caixas da Primor (as únicas que não agradecem são as minhas ancas, mas vamos optar por ignorar)

 

manteiga primor.jpg

03
Mar15

"Quer saco ou leva tudo na mão?"

Eu não me considero uma ecologista - pelo contrário, os ecologistas irritam-me quanto baste; todas aquelas tretas e teorias quase impraticáveis e que tencionam mudar o mundo e mentalidades em meia dúzia de dias tiram-me do sério. Ainda assim, há uma série de comportamentos que tenho que vão nesse sentido, mas não é por isso que me considero uma defensora acérrima do ambiente. Aqui em casa reciclamos e fui eu que, há uns anos, fiz força para que tal acontecesse; nunca deito lixo para o chão, em que ocasião for, mesmo que tenha de andar quilómetros com porcarias na mão (e sim, já aconteceu); tudo o que é lixo orgânico é aproveitado para compostagem e como alimento para as galinhas; não deito papéis fora que não estejam aproveitados de ambos os lados; quase todas as luzes aqui de casa já são led, por isso gastam muito menos energia. Enfim, estes e muitos mais comportamentos que, acima de tudo, passam por uma sensação de dever cívico e bom senso - e não necessariamente para me rotular de "ecologista" ou "louquinha pelo ambiente".

Agora, a propósito deste tema, está na ordem do dia a utilização (ou não) os sacos de plástico. E, tudo bem, eu admito que havia supermercados que abusavam na quantidade de sacos que davam: se fosse preciso, punham um item em cada um, só pelos produtos serem de categorias diferentes. Ainda assim - e não sei como é nas restantes casas - todos esses sacos eram reutilizados por nós: ou para pôr o cocó do gato, ou para os meus familiares levarem os legumes e frutas da horta ou os coelhos congelados ou outro tipo de "mercadorias" que fosse preciso carregar. Agora, ao invés desses sacos dizerem "continente" ou "intermarché" vão ser pretos como os sacos do lixo comuns, porque as funções dos sacos continuam por executar e é preciso carregar as coisas de alguma forma (e não, não se vai pôr o cocó de gato em sacos de ráfia).

Mas pronto, tudo bem, já levávamos aqueles sacos maiores e resistentes para alguns supermercados (porque hoje em dia é raro frequentarmos só um supermercado - pelo menos acho eu!), não custa assim muito levar também para os outros. Os sacos já estavam nas malas dos carros, o hábito já fora criado, a diferença nem é assim muita. O pior é em tudo o resto.

No outro dia fui ao horto com a minha mãe, buscar uma série de plantas. Não havia sacos, nem paletes, nem nada disponível para carregar: lá fomos nós com os vasinhos na mão, a espalhar terra pela roupa fora e pela mala do carro. Giríssimo. Outra: fomos à lota comprar peixe. As senhoras costumam pôr saco dentro de saco, porque molham aquilo tudo, e lavam-nos e deslavam-nos e pegam neles com as mãos todas cheias de peixe - vamos pagar por cada um deles ou levamos os saquinhos de ráfia para ficarem com um aroma especial? Mas não é só neste tipo de items "problemáticos" que a questão se põem: no shopping também tem piada - agora é ver pessoas com livros na mão, coisinhas pequenas da Tiger e até telemóveis acabadinhos de comprar!

Para mim, o que é demais é erro. Nos supermercados e grandes superfícies? Tudo certo, acho bem. Agora em lojas normais, de roupas, tecnologias e outras coisas, onde muitas vezes até se fazem compras acima de certos valores mais que simbólicos, acho que o mínimo que podiam fazer era oferecer o saco (ou cobrir o valor aumentando um pouco o preço das coisas, não sei).

De qualquer da forma, concordando ou não, já aprendi a lição: depois de duas ou três experiências em que me recusei a pagar dez cêntimos por um pedaço de plástico, já me resignei e comprei um daqueles sacos de pano para pôr na carteira. Muitas vezes há compras inesperadas (vamos na rua e lembramo-nos de passar na padaria ou temos simplesmente uma compra relâmpago para fazer) e é preciso ter logo um saco ali à mão de semear. Só tenho pena é dos homens que normalmente não andam carregados com malas como nós e agora têm de se desenrascar: ou andam com um saco no bolso ou bem que fazem malabarismo com as coisas recém-compradas nas mãos. Enfim!

22
Ago13

A questão da reciclagem

Podia mentir e dizer que sempre fui uma pessoa super preocupada com o ambiente, com o aquecimento global e o efeito de estufa - mas não vou. Sempre achei que muitas dessas coisas nos foram bem vendidas, que trazem vantagens para muitas partes, mas que nem sempre são realidade. E, dizendo a verdade, nunca simpatizei com ecologistas.

Mas, vendo bem sou mais preocupada que muitas pessoas: não deito lixo para o chão (e às vezes bem me custa, que tenho de andar uma eternidade com porcaria na mão), e muito menos pastilhas elásticas; tento reutilizar tudo o que posso, desligo sempre as luzinhas, tento não deixar os aparelhos em stand-by e tantas outras coisas. Preocupo-me, por principio, mas não porque me dizem que o mundo vai acabar - faço-o porque acho que deve ser assim, quer a terra aguente mais um ou dez milhões de anos.

A questão da reciclagem é que é um ponto sensível. Eu não mencionei que fazia reciclagem acima porque, na verdade, não a faço. Aqui em casa temos quatro baldes para separar o lixo mas eu estou-me pouco borrifando e, para ser sincera, deito no que calha. O que, à partida, pode ser contraditório, tendo em conta que fui eu que fiz pressão para que começássemos a separar os resíduos aqui em casa, há uns anos. Mas isso foi antes de ver aquilo que os lixeiros do meu concelho fazem (e digo que é daqui da zona porque sei que noutros locais a reciclagem é cumprida à risca, e que vão buscar o lixo de cada contentor casa a casa, em diferentes dias entre outras coisas) - não é a primeira, a segunda ou a terceira vez que vejo os três contentores - amarelo, verde e azul - a serem despejados exactamente no mesmo veículo, uns a seguir aos outros, sem qualquer tipo de distinção. Ou seja, ando eu a preocupar-me em separar o lixo, e eles misturam-no mal os tiram dos contentores! Ah ah, "e o burro sou eu"? Nem pensar!

Acabei por contar o insólito a algumas pessoas que, para além de mo confirmarem, disseram que sabiam que o lixo - em alguns sítios - ia de facto todo junto, e só depois é que era separado, fazendo com que a minha decisão ficasse consolidada: enquanto não vir que fazem diferente, não me vou estar a preocupar em fazer algo e a perder o meu tempo para depois os outros o estragarem.

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