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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

17
Jan24

As minhas leituras em 2023

Passou-se um ano desde que defini os meus objetivos de leitura para 2023. Quando escrevi este post tinha acabado de receber o Kobo e de perceber as suas maravilhas, mas nunca imaginara o impacto que este teria na reimplementação dos meus hábitos de leitura. Por muito que me custe relegar o papel para segundo plano (aliás, diria que este ano foi quase para terceiro, depois dos audio-livros), são inegáveis as vantagens que há em ler em e-readers: é a capacidade de ler em todos os lugares sem ter a necessidade de carregar o peso de centenas de folhas; é a poupança; é a flexibilidade que nos proporciona no que diz respeito a posições de leitura e locais. É a oitava maravilha do mundo!

Mas foquemo-nos na revisão dos meus objetivos: em 2023 tinha-me proposto a ler 18 livros. Li 30 - o meu recorde pessoal, que estava fixado nos 25. Queria ler todas as noites - e assim o fiz, com muito raras excepções, claramente compensadas pelas noitadas em que li obras inteiras graças às dezenas de insónias que tive o ano passado. Queria experimentar livros num outro formato (audio-livros) e ler não-ficção: e por isso juntei o útil ao agradável e ouvi vários audio-livros, todos eles não-ficção, num combo que para mim é vencedor, principalmente quando quem os narra é o próprio escritor. Mas como isto não é tudo um mar de rosas, falhei redondamente nos três livros específicos que tinha listado para ler: não foi em 2023 que li "A Breve Vida das Flores", "Uma Educação" e "A Lista de Leitura" (embora, este último, tenha começado). Ainda assim, o balanço é muito positivo. O regresso aos livros é uma das grandes vitórias do meu ano e uma alegria imensa para mim. 

Dos 30 livros que li, apenas cinco foram em formato físico - o que comprova que o Kobo roubou mesmo o meu coração. Mas, para além disso, deu alegrias à minha carteira. Isto porque subscrevi o serviço do Kobo Plus - o que quer dizer que, por sete euros por mês, tenho acesso a uma vasta biblioteca de livros, nacionais e internacionais, sem ter necessidade de os comprar. É como adquirir um passe para uma biblioteca, em que posso "requisitar" todos os livros lá presentes desde que pague a mensalidade. Isto fez com que poupasse em duas vertentes: primeiro porque com sete euros dificilmente compro um só livro em português, portanto há garantia de poupança mesmo que só leia um livro a cada dois meses no Kobo Plus; segundo porque ao saber que tenho lá muitos livros para ler, opto por não comprar e ir gerindo os que lá estão disponíveis. Por saber que as minhas leituras em formato analógico também diminuíram muito, e apesar de continuar a adorar visitar livrarias, aprendi a conter-me e a ser racional - como sei que leio muito mais facilmente o Kobo, opto por comprar o e-book caso queira mesmo ler aquela obra. Só compro o livro físico se souber que o quero ter na minha biblioteca ou caso este não exista em formato digital.

Para tornar tudo isto mais claro, aqui vai uma dose de matemática: no final do ano havia lido 17 livros no âmbito do programa Kobo Plus. A primeira subscrição foi grátis, por isso paguei onze mensalidades - ou seja, 77 euros. Fiz um apanhado dos preços desses livros na sua versão física (a maioria das vezes até com descontos de 10%) e obtive o valor de 242 euros - ou seja, mais do triplo do que gastei com a subscrição. Por isso, para mim, é indubitável... doloroso para o coração, mas muito bom para a carteira.

No entanto, devo também dizer que o Kobo compensa se de facto aderirmos a este plano ou se tivermos facilidade em ler em inglês, língua onde as obras são muitíssimo mais baratas. Porque a verdade é uma: comprar e-books em português não é assim tão compensatório. Vejamos três exemplos práticos de livros que estão na moda: "A Criada" - 13,99€ em formato digital, 17,51€ na Wook. "Olá Linda", 13,99€ em e-book, 18,86€ na Wook. "Leme", 9,99€ no Kobo, 13,91€ na Wook. 

Nenhum destes, por exemplo, está disponível no Kobo Plus. Se eu gostava de os ler? Gostava. Se os vou comprar? Provavelmente não, pelo menos enquanto houver outros que me entretêm na subscrição, enquanto espero que os preços baixem quando estes livros deixarem de estar em voga. No ano passado comprei apenas três e-books, porque me apetecia mesmo lê-los no momento - de resto, faço uma gestão de expectativas e vontades, ligando ao racional e tentando tirar o maior proveito possível da imensidão de livros que tenho disponíveis para ler. De qualquer das formas, não entendo muito bem o porquê dos preços dos e-books nacionais - não havendo os encargos de impressão e distribuição, que diria que são aquilo que tem mais peso no mercado editorial, os valores deviam ser muito mais baixos. Existe, de facto, alguma diferença de valores entre a versão em papel e a versão digital - mas é muito pequena para ser compensatória, principalmente tendo em conta que de um lado trazemos para casa um bem (que podemos oferecer ou até vender à posteriori) e do outro só temos um ficheiro digital, inócuo. Não nos podemos depois queixar e admirar que os jovens leiam cada vez mais em inglês - a necessidade aguça o engenho e, neste caso, o saber outra língua apela à poupança.

Por fim, destacar que li sete autores portugueses, o que muito me alegrou!

Este ano fixei o meu objetivo em 25 livros - fui razoável, até porque espero não ter tantas noites de insónia como em 2023. Entre livros físicos e Kobo, audio-books e virar de páginas ou romances e bandas-desenhadas... o que importa é ler. Fica, apenas, um pedido para mim própria: não ter medo de arriscar. Há obras que, pelas opiniões que já ouvi, pela base da própria história ou por não querer beber da tristeza que está lá dentro, vou sempre a medo, com receio de não gostar. Mas sei que nem sempre faço bem em adiar ou pôr de parte. Porque este ano, quando arrisquei, tive as minhas leituras mais saborosas.

 

O melhor livro de 2023: Terra Americana, de Jeanine Cummins

A maior desilusão de 2023: Pessoas Que Conhecemos nas Férias, Emily Henry

Melhor surpresa de 2023: Onde Cantam is Grilos, de Maria Isaac

Melhor audio-book de 2023: Maybe You Should Talk With Someone, Lori Gottlieb

14
Jan24

Em 2023 eu...

- Fui pela primeira vez a um festival com o Miguel;

- Percebi o impacto que o silêncio pode ter numa fábrica... e achei que ia fechar portas;

- Fui à China e a Cabo Verde;

- Vi o meu sobrinho mais velho tornar-se maior de idade;

- Fui a Fão comer Clarinhas e a Viana do Castelo comer bolas de berlim;

- Fui conhecer o Bolhão renovado e levei lá os meus sobrinhos;

- Vi partir a minha cadela mais velhinha, a Ziva;

- Fui à Madeira - e fiquei lá retida dois dias depois de terem cancelado o meu vôo;

- Continuei a treinar, numa média de três a quatro vezes por semana;

- Ouvi um concerto dos Candlelight e vi também um concerto do Miguel Araújo com o António Zambujo;

- Comi demasiados churros no Sr. de Matosinhos - e não me arrependo;

- No capítulo teatros: fui ver o "Cats" ao Rosa Mota, a "Estudante e o Sr. Henrique" e "Nem a Ponta do Mindinho" ao Sá da Bandeira;

- Eu e o Miguel estreamos um novo ritual: ir, de vez em quando, jantar (ou almoçar) cachorrinhos ao Gazela - e depois ir comer uma natinha quentinha à Rua de Santa Catarina;

- Comprei novos móveis e tapetes e redecoramos ligeiramente a nossa sala - e também fizemos um extreme makeover na nossa lavandaria e escritório;

- Fui com a minha mãe ouvir a Orquesta Strauss ao Coliseu, numa espécie de concerto de ano novo;

- Acho que só fui uma vez ao cinema, para ver o Avatar - e, apesar de ter gostado, já não aguentava mais tempo sentada;

- Andei de bicicleta elétrica - e já não me punha em cima de uma bicileta há pelo menos uma década - e achei que ia cair a cada segundo dos dez minutos que andei;

- Num recital de piano desisti, a meio, de tocar uma peça - foi a primeira vez que me aconteceu;

- Fui passar um fim-de-semana em Alvares e passeei por várias aldeias de Xisto (Talasnal, Piódão);

- Fui com o Miguel fazer um workshop de cerâmica - não nasci para aquilo, mas foi divertido;

- Voltei a ter Covid e, suspeito, Gripe A;

- Festejei, pela primeira vez, o Halloween;

- Semi-adotei um gato, na fábrica;

- Nadei no rio Vez;

- Voltei a tocar piano com mais consistência;

- Bati o meu recorde de homens nus avistados - dei por mim em vários areais de nudistas e não apreciei;

- Uma das minhas orquídeas deu, finalmente, flor - a primeira vez desde que me foram oferecidas;

- Tive notícias muito más sobre pessoas próximas;

- Não fui ver as luzes de Natal nem corri todos os mercados natalícios à minha volta;

- Nasceu a primeira orquídea desta casa!;

- Fui a Évora, à Guarda, ao Algarve, à Serra da Estrela e a Sanxenxo, onde andei de kayak;

- Comecei a ver ciclismo e fui, pela primeira vez, assistir a parte de uma etapa na Volta a Portugal e à chegada de outra etapa no Grande Prémio do JN;

- Tentei começar a aprender a tocar guitarra;

- Cortei o cabelo... e arrependi-me;

- Vi, pela primeira vez, as malhas da fábrica num desfile de moda;

- No capítulo séries: vi, claro, tudo o que era possível de "Love is Blind" na bicicleta. Foi lá que vi também "As Leis de Lydia Poet", "Squid Game: The Challenge",  "Break Point", "Down for Love", "Soy Georgina" e "Rabo de Peixe". Fora da bicicleta vi  "Volta à França - no coração do pelotão", "Mark Cavendish - pedalar até ao fim", "Queen Charllote", "The Crown", "Physical 100", "The Gilded Age", "Welcome to Wrexam", "Only Murders in the Building", "Stutz" e "XO Kitty" e "The Boy Who Lived".

- Comecei a vender coisas na Vinted;

- Eu, os meus irmãos e alguns sobrinhos formamos uma banda à última da hora e demos um mini-concerto de 4 músicas no Natal;

- Comecei a ler no kobo e a ouvir audiolivros - o que resultou em 30 livros lidos este ano!!!

06
Jan23

Meia dúzia de desejos para 2023

Já passei por várias fases no que diz respeito a resoluções de ano novo. (Ou objetivos. Ou desejos. Não é tudo igual - escrevi-os do mais concreto até ao mais "esotérico" - mas, na prática, são coisas que gostávamos que acontecessem - quer sejam da nossa total responsabilidade na execução ou não). Alturas houve em que era produtivo para mim listar um sem-fim de metas para concretizar no ano corrente, sendo que as analisava uma a uma quando os 365 dias passavam; outras também existiram em que não ditei nenhum objetivo, pois a vida em si já estava a dar demasiado trabalho a resolver-se.

Este ano escolhi um meio termo - seis desejos. Não é uma lista muito grande e a pressão para a executar também não é enorme (senão diria "objetivos", essa coisa mais séria). Mas a verdade é que gosto de me balizar em quase tudo o que faço - e tiro prazer em trabalhar para ser e fazer melhor.

Nesta lista não constam as coisas básicas como os desejos de saúde para mim e para os que me rodeiam ou trabalho; também não contam os objetivos que transitam do ano passado, como manter uma alimentação equilibrada e fazer exercício 5 vezes por semana. Então cá está a meia-dúzia de 2023:

 

- Ler 18 livros. Aumentei a fasquia em 6 livros relativamente ao ano passado, mas acho possível e exequível - se mantiver a genica com que estou agora, até seria facilmente ultrapassasável. Mas falarei sobre este tema num próximo texto.

 

- Aumentar os registos ao longo do ano - quer seja ao nível de fotografias, vídeos ou escrita. Os últimos anos têm sido de vivências poderosas, mas em que tenho monesprezado os registos futuros - algo a que sempre dei muita importância. 2021 foi o primeiro ano em que houve meses em que não publiquei nada aqui no blog, algo que consegui piorar em 2022, com três meses sem um único post; olho para a minha galeria no telemóvel, tenho dificuldade em encontrar uma fotografia minha decente e percebo que aquele aglomerado de imagens se resume a printscreens, questões de trabalho ou fotos que têm o único propósito de me lembrarem de alguma coisa num futuro próximo. Quando faço os apanhados do meu ano tenho sérias dificuldades em recordar-me do que fiz, do que vi, onde fui - porque não tenho registos. 

Para além de mais fotos e vídeos (exclusão feita aos aniversários e ajuntamentos familiares, em que continuo sempre de máquina em punho), gostava de implementar uma ideia que vi algures: escrever um pequeno resumo no fim de cada mês - não só do que fiz e vivi, mas também um apanhado do meu estado de espírito naqueles dias. A verdade é que chegamos ao final do ano com a ideia de que tudo passou a correr - mas também não podemos culpar a memória por não se lembrar do que fizemos ao certo há mais de uma centena de dias. É bom saborear as coisas no momento em que as vivemos - mas será que se as registarmos não tendemos a perpétua-las, a desfrutar ainda mais delas? Eu sempre achei que sim - mas com a correria dos dias, a pressão do tempo e a falta de hábito tenho desconsiderado o poder das memórias no futuro. E gostava muito de mudar isso.

 

- Procrastinar menos - as redes sociais são um autêntico cancro na nossa gestão de tempo. Não sei o porquê de serem tão apelativas, mas basta um pequeno deslize na nossa concentração e, do nada, já lá estamos a fazer scroll, 95% das vezes sem qualquer tipo de proveito próprio - não aprendemos, não ficamos a conhecer nada de novo. O tempo passa e nada nos acrescenta - uma dupla perda, uma vez que tempo é coisa que normalmente escasseia e que coisas interessantes para ver e fazer há de sobra.

Isto acontece-me ocasionalmente em casa, mas é um caso sério no trabalho. A minha função é maioritariamente intelectual - pensar para resolver problemas, pensar para antecipar problemas, pensar para optimizar os processos, pensar para motivar as pessoas. Pensar, pôr por escrito e arranjar forma de tornar tudo real... a parte prática, normalmente, já sai do meu controlo. E não há ninguém que aguente tantas horas a pensar - pelo menos de forma produtiva e útil. E a verdade é que, no meio de um trabalho qualquer, eu apercebo-me que estou a divagar para conseguir ter folga de pensar sobre determinado assunto. E o problema não é o tempo que estou parada - é a forma como o estou a (des)aproveitar. Por isso o meu objetivo é conseguir perceber que preciso de uma pausa e utilizar esse tempo em coisas que me acrescentem - utilizando-o para escrever posts, como estou a fazer agora, por exemplo. Ou a ler. Ou o que quer que seja que não implique redes sociais - o escape mais fácil do mundo, mas também o mais oco.

 

- Experimentar um restaurante novo por mês e tentar consumir mais cultura. Sei que não posso ser a única a quem a pergunta "então onde vamos almoçar?" faz urticária. Gosto de ir comer fora - mas não adoro. Mas uma das razões pelas quais gosto cada vez menos é o facto de ter de pensar onde ir. Um sítio é muito caro; noutro come-se muito; outro cheira a comida; noutro fomos mal servidos da última vez que lá fomos; e ao que sobra não nos apetece ir. E assim se esgota rapidamente uma lista de restaurantes. Nisto (e em muitas outras coisas) sou uma autêntica velhinha e tenho algum receio de experiementar restaurantes novos - mas gostava de mudar isso e de, assim, aumentar a lista de sítios para poder ir almoçar ou jantar fora. A meta é ambiciosa, mas não custa tentar. De resto, também gostava de ir mais ao cinema, ao teatro e a concertos - houve fases da minha vida em que ia a quase tudo isto, mas agora por preguiça, menor oferta ou forretice diminuí significativamente. Vamos ver como corre este ano.

 

- Fazer um esforço consistente para escrever mais. Um dia destes, à noite, tive a ideia maluca de escrever 300 palavras por dia, todos os dias. Lembro-me que era a métrica usada nos tempos de escola, algo que fazia em pouco mais de cinco minutos - mas não acho saudável ter essa pressão acrescida todos os dias em cima de mim, principalmente em alguém como eu, que põe pressão em tudo o que faz. Por isso, sem qualquer meta definida, gostava simplesmente de escrever mais; se conseguisse implementar a minha terceira medida para este ano e evitar procrastinação desnecessária, sei que era meio caminho andado. Mas o trilho restante sou eu - e a minha força de vontade - que tenho de percorrer. Vamos a dia 6 e isto está a correr bem - mas prognósticos só no final do jogo, como dizia o outro. E ainda faltam 359 dias para este acabar, por isso ainda me parece ser um pouco precoce dizer se estamos de facto em bom andamento.

 

- Gostava de ser mais consistente no piano - mas, tendo que escolher, a escrita tem prioridade no meu tempo. No piano sempre fui muito movida por objetivos - que no início era ir a todos os recitais com uma música nova. Mas depois apareceu a pandemia - e adeus musicais ao vivo! - e agora o número de espetáculos é muito mais reduzido, pelo que tendo a protelar a aprendizagens de novas peças porque não tenho nenhuma razão concreta para avançar com mais vontade. No final do ano fiz algum trabalho de forma a arranjar um tempo dedicado ao piano - que é uma das minhas grandes falhas - mas com as festas o hábito desvaneceu-se, pelo que tenho de voltar a fazer um esforço para treinar e para avançar, para não ter aquele sentimento de ficar para trás. Voltar a ter aulas presenciais seria muito positivo também - mas só a estabilidade no trabalho me permitirá eventualmente esse luxo.

 

E por aí, têm objetivos? E sugestões de restaurantes aqui no Porto, para eu tentar completar os meus desejos? Grata!

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