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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

11
Jan17

O mundo a tons de sépia

Há uns tempos perdi os meus óculos - sim, aqueles que comprei por causa do Edward/Pattinson e que eram os meninos dos meus olhos. Descansem que não foi por muito tempo: um dia depois encontrei-os, mas entretanto - e como não sobrevivo sem óculos de sol, os meus olhos já não querem outra coisa - roubei uns à minha mãe para ir para o trabalho. Confesso que não gosto muito de me ver com eles, mas era o que havia - e a cavalo dado (ou roubado, neste caso) não se olha o dente.

Não sei se foi nesse dia que notei, mas subitamente tudo me parecia mais bonito. O relevo das nuvens estava muito mais acentuado, o pôr do sol ainda mais incrível, o azul do céu mais quente. Por um lado senti que algo tinha mudado, mas por outro a mudança pareceu-me natural. Só quando, por qualquer razão, tirei os óculos é que percebi que não estava tudo mais bonito: estava tudo igual, eu só tinha uns óculos diferentes. E ainda hoje, mesmo sabendo que são os óculos que me embelezam o mundo, há qualquer coisa no meu cérebro que não deteta imediatamente que eu tenho um filtro à frente dos olhos e continuo a achar, por breves segundos, que o mundo subitamente está mais bonito. 

E a verdade é que eu continuo a não gostar de me ver com eles: mas aquilo que eu vejo através deles compensa tudo o resto. 

 

IMG_3339.JPG

 

05
Jul16

Eu, os meus óculos e um "W" na cara

Há seis anos comprei os meus primeiros óculos de sol. Sei a data tão precisamente porque também sei a razão porque os comprei. Tem dois nomes: Edward Cullen (ou Robert Pattinson, é como preferirem). Sim, podem revirar os olhinhos e lançar um suspiro de "esta miúda não cresce", mas é a mais pura das verdades. Até vos digo mais: comprei-os por causa de uma cena em específico, que gostei tanto, mas tanto, mas tanto que soube que tinha de ter uns óculos iguais aos dele. E assim foi - mandei-os vir pela net e, quando chegaram aqui a casa, foi amor à primeira vista.

Na altura eu usava-os, pura e simplesmente, porque os adorava de coração. Nunca antes tinha usado óculos de sol e não gostava da sensação de ver o mundo numa tonalidade diferente da real. Mas depois, com o hábito, já não me via sem eles. Ainda hoje os uso diariamente, mais do que outros brancos (também ray-ban) que comprei posteriormente. Estão riscadinhos, velhinhos, mas não há iguais. 

Passei a usa-los de tal forma que agora não consigo estar no exterior sem óculos de sol. Mesmo quando está um dia nublado e o sol não está à espreita, tenho de os pôr se não quero andar com os olhos sempre semicerrados e ganhar uma dor de cabeça ao fim de pouco tempo. Às vezes até à noite me apetece pô-los - passei a ser tão sensível à luz que até as luzes dos carros que vem no sentido oposto a mim me ferem a vista! 

Posto isto, e como é óbvio, não consigo estar numa praia (onde tudo é sol, calor e mais sol) sem os óculos. Resultado: tenho uma marca não-morena debaixo dos olhos e no topo do nariz. Toda a gente me diz o mesmo "tens a marca dos óculos!" mas, meus amigos, não consigo evitar. Eu juro que tentei, mas não consigo estar num sítio a céu aberto sem os meus melhores amigos. E a verdade é que, no ponto em que isto já está, a situação (pelo menos este ano) já não é reversível. Tenho de aceitar, porque a vida é sempre a andar para a frente - mesmo quando tens uma faixa branca em forma de "W"  na tua cara.

 

106xdmv.png

 (a dita cena)

25
Mar14

Apaixonei-me

É verdade, aconteceu. Algum dia tinha de ser e algum dia eu havia de tornar isto público.

Foi num dia como os outros, em que decidi ir ao NorteShopping comprar sabe-se lá o quê (quando coisas de grande magnitude como esta acontecem esquecemos tudo o resto) - nem sequer estava com particular vontade de fazer compras, sair ou ver pessoas. Foi na MultiÓpticas - eu entrei para ver os RayBan, mas mal sabia que o que queria mesmo ver estava no lado oposto da sala. A minha mãe, que estava comigo, numa indecisão profunda em relação a que óculos comprar, decidiu ir ver outras opções no outro lado da loja. E foi aí que tudo aconteceu, que me roubaram o coração. Não era chamativo, não era nada do outro mundo: mas, olhando bem, era fantástico para mim.

Ali estavam, numa das estantes que dizia "Marc Jacobs"; pretos, lindos e que, lamento a falta de modéstia, me ficavam tão bem... Tenho medo que este seja um amor platónico, que nunca venha a acontecer e que a histórinha do "viveram felizes para sempre" não seja propriamente verdade. Mas o meu coração ficou ali, com aqueles óculos de sonho, independentemente do seu preço horrível e dos rostos em que poderá pousar. 

 

 

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