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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

23
Out17

Roma, a cidade imponente

Já diz o ditado: Roma não se fez num dia. E, por isso, também não se visita em 24 horas... e muito menos em cinco! Mas eu tinha de tentar. A capital italiana foi a última paragem do cruzeiro que fiz e eu tinha voo nesse mesmo dia, o que significa que tinha cerca de cinco horas para "ver a cidade". Aqui não tivemos grande escolha: a tour era a nossa única alternativa se não queríamos ter problemas. O porto não é mesmo em Roma, mas sim em Civitavecchia, que fica a quase uma hora de distância do centro da cidade; já o aeroporto fica a cerca de meia hora das principais atrações turísticas. Para além disso ainda tínhamos as malas: eram três e pesavam todas mais de vinte quilos, por isso não davam propriamente para andar a passear. Ou seja: entre transferes, logísticas com as malas (guardar, pagar, ir buscar, carregar) e outros possíveis problemas, o tempo para passeio iria ser escasso (e sofrido, porque iríamos estar sempre preocupados). Esta foi, por isso, a primeira tour que compramos (e já estava praticamente esgotada!) para não haver problemas ou imprevistos. No final, comprovou-se que foi a melhor opção, até porque o cansaço já nos estava a transformar em crianças birrentas: o dia de desembarque é duro e longo - às 7 da manhã já estávamos fora do barco, o que fez com que às 6.30h já nos estivessem a correr dos quartos e que às 6h o pequeno almoço já tivesse quase tomado.

Agora vamos lá ser diretos: eu não visitei Roma. Eu vi um bocadinho da cidade (o outro bocadinho que podia ter visto passou-me ao lado, porque adormeci no autocarro). Do que vi, gostei muito e é de certeza uma cidade a visitar. O meu pai chamou-lhe "a cidade dos toldos", porque todas as casas e lojas tinham toldos para proteger do sol - já eu, apesar de não lhe ter dado nome, achei-a uma cidade muito jovial e alegre, principalmente nas zonas da margem do Rio Tibre, que me conquistaram à primeira vista.

No fundo, só fomos a dois locais, dois pesos pesados do turismo: a Basílica de São Pedro e o Coliseu - até porque ir a Roma e não ver o Papa é coisa grave de se fazer. Não vimos Sua Santidade, mas foi como se víssemos: na altura em que fomos deixaram de fazer missas na praça, porque o calor era tanto que as pessoas, ao esperarem, desfaleciam e havia episódios menos felizes que todos queriam evitar. Se não estou em erro, só ao domingo é que o Papa aparecia na janela do seu quarto para acenar às pessoas - e não foi esse o dia em que nós lá fomos.

Apesar disso, tivemos uma hora à espera para entrar na Basílica - parte do tempo ao sol. Deu tempo para tirar as medidas todas ao espaço, apreciar tudo, ver as coisas com bons olhos e tirar fotografias para dar e vender. Aqui a questão não é de bilheteira, porque a entrada é grátis, mas sim do controlo que é feito à entrada: tudo tem de passar no raio-x, o que atrasa imenso o processo. Penso, aliás, que também é este o propósito: para além de ser mais seguro, faz com que a entrada dos turistas seja mais lenta e não encha a Basílica, nunca estando o espaço de tal forma cheio que se torna intransitável.

Uma coisa curiosa: eu imaginei que a praça fosse muitooo maior! Quando a vemos na televisão, com gente até arrebentar pelas costuras, parece uma coisa enorme: mas, na verdade (e na minha cabeça) é bastante mais pequena do que parece. Nessa altura ainda não tinha ido a Fátima (curiosamente fui umas duas semanas depois) e pude perceber que Fátima acaba por ser muito maior - até porque na praça do Vaticano há umas "pérgulas" que a circundam, acabando por reduzir de alguma forma o espaço, enquanto que em Fátima isso não acontece. Mas só aí é que este espaço pode ser comparado com o português: porque em tudo o resto (arquitetónicamente falando) é mais rico.

 

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Na praça de São Pedro

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Estátuas na orla da Praça de São Pedro

 

Podem-se tirar fotos à vontade dentro do espaço porque nada é pintado em frescos, não havendo riscos das pinturas se estragarem: no entanto, há uma grande rigidez relativamente às mochilas (têm de estar na frente) e, acima de tudo, ao facto dos ombros terem de estar cobertos. Estava um calor dos ananases e eu não tinha nada com que me cobrir, por isso comprei um lenço na praça enquanto esperava.

Eu adorava falar-vos da Igreja mas, honestamente, faltam as palavras. Eu situo-me entre o agnóstico e o ateu, por isso quase todos os rituais e simbolismos da igreja católica me passam ao lado - mas, felizmente, tenho olhos para ver e gosto muito de igrejas devido à sua beleza arquitetónica. E a Basílica de São Pedro é o expoente máximo de tudo o que já vi na vida, não há fotos que lhe façam jus. Enquanto esperava e derretia na fila, pensei sinceramente se toda aquela espera era merecida: e, de facto, é. Visitei (até durante o próprio cruzeiro) igrejas de tirar a respiração, mas a imponência desta é qualquer coisa de espetacular. É tudo tão grande, tem tanto detalhe, tem tanta riqueza junta... que de facto se torna difícil descrever por palavras ou sequer por imagens. É obrigatório ir lá e ver. Independentemente das crenças ou da religião, é um edifício de uma imponência indescritível. Fiquei de boca aberta.

 

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O teto à porta da Basílica

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A sublime Pietà, de Miguel Ângelo - quando pensamos que ele esculpiu esta peça aos 23 anos, sentimo-nos verdadeiramente inúteis e despidos de talento...

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Nunca estive tão feliz dentro de uma igreja ;)

 

A nossa guia era muito simpática e estava sempre a impulsionar-nos a ver as coisas de perto e explorar a Basílica. Dizia "estiveram uma hora ali fora à espera, agora merecem ver tudo! Tirem fotos, observem, toquem!". Para mim, foi uma autêntica salva-vidas: sinto que o ramo da religião é um dos meus pontos fracos em termos de cultura geral. É um tema que, à partida, não me desperta muito interesse e por isso tenho muita dificuldade em reter a informação: ouço falar sobre o assunto, estou atenta, mas passado pouco tempo já não me lembro de nada. Para além disso, como nunca fui a missas ou tive catequese, o meu background religioso baseia-se apenas na cultura geral e nas discussões aqui de casa.

Foi por isso muito útil ouvir todas as explicações dela relativamente à igreja e a tudo o que estava lá dentro: as esculturas, o altar, o chão, as cúpulas, as paredes, o altar. Mais uma vez, lembro-me de pouca coisa, mas gostei muito e aprendi (ainda que levemente) uma série de coisas que antes desconhecia. 

Infelizmente, devido à nossa falta de tempo berrante, não conseguimos visitar a Capela Sistina...

 

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O topo do Baldaquino

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Uma visão mais ampla do espaço - que, apesar de estar cheio de turistas, é tão grande e tão alto que tudo parece dispersar-se

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Teto da Basílica

 

Depois seguimos para o Coliseu. Apesar das filas serem grandes, como éramos um grupo e já tínhamos os bilhetes pré-comprados, passamos à frente de todo aquele caos e entramos diretamente. Penso que só uma palavra pode descrever este edifício: imponente. Como é que uma coisa construída há praticamente dois mil anos continua ali, de pé, com aquela estrutura magnânime? Quantas pessoas já terão passado por ali, pisado aquelas pedras? Pessoas de épocas tão diferentes da nossa, onde nada era igual... enfim, o peso da história neste edifício é algo difícil de descrever. 

 

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À entrada do Coliseu

 

É incrível fecharmos os olhos e imaginarmos o que se passou ali - o povo aos berros, os leões esfomeados, os gladiadores a tentarem degolar-se mutuamente. É um peso que, naqueles segundos, carregamos nos ombros e que é corroborado com todas as histórias que ouvimos dos guias ou em documentários ou na internet. Eu já queria ter ido ao Coliseu há muito tempo, sempre adorei a história por detrás do edifício, mas só quando lá vamos é que conseguimos "entrar" dentro dela - vendo as bancadas, as arcadas, os subterrâneos. Se não fosse o caos provocada pelo movimento e pelo barulho dos turistas, seria muito fácil viajarmos no tempo e imaginarmos o que aquilo teria sido durante o Império Romano - porque o estado de conservação ainda é tão incrível que basta ter um bocadinho de imaginação para as coisas acontecerem por debaixo dos nossos olhos.

 

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 Coliseu

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Uma visão global do Coliseu - foto tirada do primeiro andar

 

As catacumbas não se podem visitar, mas pode-se subir ao primeiro andar e ter uma visão mais ampla do espaço. Nessa altura, depois de lá chegar, já estamos ofegantes devido à subida íngreme das escadas, mas ao olharmos para aquela vista perdemos definitivamente a respiração: a magnitude do Coliseu é incrível e merece ser vista, pelo menos, uma vez na vida. Preferencialmente com tempo (algo que eu não tinha), com um bom guia e numa época onde não existam tantos turistas como em pleno Julho. 

A viagem de regresso a Roma não está marcada no papel, mas já está na minha cabeça. É inconcebível não lá voltar. Foi uma passagem breve, mas também foi só um até já.

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