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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

23
Jan21

Revisão das resoluções de 2020

O ano que passou não foi fácil para ninguém. Pode até nem ter corrido mal para alguns (foi, felizmente, o meu caso), mas acho que dificilmente alguém o considerará "bom". O isolamento, o medo, as restrições, o novo "açaime" com que andamos todos os dias... é algo que não fazia parte dos planos de ninguém e que, sem querer, acabou por ser a realidade de todos nós.

Mas a vida não pára - pelo menos não na totalidade. Das 19 coisas a que me propus em 2020, foram mais as que falhei do que as que cumpri; ou seja: não se trata de uma maioria. No entanto, tendo em conta o contexto, não deixa de ser vitória. Sinto que tudo custou mais neste ano; todas as vitórias foram mais duras, puxadas, difíceis de conquistar. E, para todos os efeitos, foram várias as que falhei sem ter culpa ou sequer hipótese de tentar - e, como tal, é como se não tivessem existido. Por isso, tendo em conta tudo o que passamos, não deixou de ser um ano bom, dentro do mau que foi.

 

- Perder, pelo menos, 5 kgs;
Cumprida! Não foram cinco - foram quase oito. Aliás, como me disse a nutricionista, foram na verdade dez, uma vez que graças às bolas de berlim (que comi descontroladamente nas férias) perdi um bocadinho o controlo à dieta e voltei a ganhar perto de três quilos. Em Outubro, quando tive nova consulta, já tinha voltado de novo à linha e aumentado substancialmente a minha massa muscular. Muito feliz com isto!

- Ler, pelo menos, 12 livros - o equivalente a um por mês;
Falhada. Foram apenas dez, grande parte deles lidos em período de férias. Continuo a não conseguir coordenar a leitura com a minha rotina diária... Mas a luta continua!

- Fazer, pelo menos, seis escape rooms;
Falhada. Mas não por culpa minha ou por falta de vontade - é a primeira resolução cuja responsabilidade do falhanço vou depositar em cima da pandemia. Tenho imensaaaas saudades de pôr o cérebro a funcionar durante aquela hora em que estou fechada a sete chaves - ou, como quem diz, a 256 enigmas. No entanto, apesar de, no desconfinamento, estas empresas terem aberto novamente, não é das coisas que me sinta muito segura a fazer; é uma atividade onde, obrigatoriamente, temos de mexer e tocar em tudo e parece-me humanamente impossível desinfetar tudo, por muitos cuidados que os participantes ou os organizadores tenham. Vou esperar (ansiosamente) durante mais uns tempos...

- Continuar o trabalho de apagar más fotos que, nos meus arquivos de anos e anos, ocupam gigas de espaço no meu computador;
Falhada. A partir do momento em que não entrou na lista de prioridades (porque, de facto, não é), ficou para trás. Tendo em conta as novas rotinas e todas as tarefas domésticas que tenho a meu cargo, é algo que só tenho tempo para fazer durante o fim-de-semana - e nessas alturas, quando não estou a trabalhar, quero é fazer outras coisas (tipo dormir!) e não estar a queimar pestanas a ver 26458 más fotografias.

- Não só aprender novas músicas no piano mas também trabalhar as que já sei e que, por não treinar, me esqueci;
Falhada. Apesar de ser um hábito em que felizmente não houve uma rutura total (como aconteceu com a leitura), é algo que também ainda não consegui encaixar com sucesso na minha rotina. Tocar piano é algo exigente, tanto a nível mental como físico (tocar ao final da tarde é, muitas vezes, complicado para mim, devido às dores nas costas) - e no fim de uma dia de trabalho eu quero é papas e descanso. Para mim, este é um hábito que tem prioridade sobre a leitura; é por isso que continuo a ter aulas, para me obrigar a tocar, nem que seja uma vez por semana. Mesmo assim, não está fácil - e não são poucas as vezes em que desmarco aulas, normalmente porque o trabalho me ocupa o tempo que lhes tinha destinado. 

- Fazer um curso sobre malhas no estrangeiro;
Falhada. Mais uma culpa que recai sobre o Covid: tinha tudo marcado para ir para a Alemanha durante duas semanas - casa alugada, viagens compradas, tudo - e foi a primeira coisa que caiu por terra devido ao vírus. Foi o primeiro sinal de que a coisa ia ser séria e que estava a começar a afetar a Europa amplamente. Tive pena - porque na altura tive a coragem de marcar, o que foi notável, uma vez que é algo que sai muito da minha zona de conforto - mas não tive outra alternativa senão adiar. Não sei é se não é um adiamento ad eternum.

- Riscar, pelo menos, mais um país do meu mapa de locais visitados;
Falhada. O plano estava delineado e, mais uma vez, se não fosse o Covid, em 2020 teria feito mais um cruzeiro e riscado a Grécia dos meus países a visitar. Não foi desta. Na verdade não só não conheci mais nenhum país como nem sequer visitei nenhum neste ano que passou - algo que já não acontecia, provavelmente, desde os meus dez anos.

- Fazer com que a minha empresa volte, tantos anos depois, a ser representada em feiras;
Cumprida! Foi uma difícil, mas fiquei muito feliz com o resultado e o feedback que obtive. E, para além de tudo mais, foi uma conquista pessoal muito grande.

- Depois da missão de tentar manter a minha caixa de email limpa, este ano auto-proponho-me (e prometo tentar) deixar limpo o ambiente de trabalho, sem todos aqueles items que lá guardo "só porque naquele momento não tenho o tempo para os arrumar e que, mal tenha um tempinho, arrumo" e que se transformam em autênticos monos que habitam o meu ambiente de trabalho durante anos;
Falhada. Como diz o ditado, "old habits die hard". O pior é que foi uma falha dupla: não só não consegui fazer o que queria em relação ao ambiente de trabalho como deixei que o meu email voltasse a ser invadido por mensagens por ler e arquivar. Uma tragédia.

- Não quero voltar ao ginásio. Não sou feliz no ginásio, não gosto do ginásio e é irrealista pôr isso na minha lista. Mas este ano gostava de encontrar alguma coisa de que gostasse - ou, pelo menos, que não fosse um sacrifício de todos os tamanhos. Não tem de ser algo que me deixe como a Carolina Patrocínio - basta algo que me permita não virar lontra e, já agora, não ganhar os 5kgs que pretendo perder em 2020;
Cumprida - praticamente... Factualmente, houve uma vitória - segundo a máquina XPTO da nutricionista, a minha massa gorda diminuiu e o músculo aumentou. Ainda assim tenho a plena noção de que fui muito inconstante. Houve um par de meses em que fiz workouts em casa (e senti resultados, mesmo no meu dia-a-dia) mas a partir do momento em que facilitei um e dois dias, o hábito perdeu-se. Valeu-me o padel, que sempre vai queimando umas calorias e minorando o peso na minha consciência. 

- Escrever, pelo menos, dois posts por semana aqui no blog. Isto seria muito, muito, muito importante para mim, pois sinto uma pressão e um arrependimento enorme quando não escrevo. Duas vezes por semana é o mínimo dos mínimos para quem tinha o objetivo de escrever todos os dias;
Falhada. É talvez a falha que mais que custa nesta lista toda. Mais do que a leitura e mais do que o piano, a escrita é um hábito que preciso de tornar basilar na minha (nova) vida. Repito-me, eu sei: mas não está fácil. No entanto é das coisas que me habita o pensamento diariamente e cuja culpa me come por dentro. Eu posso não me lembrar que tenho um livro por ler durante dias a fio - mas todos os dias, sem falta, me lembro de novas coisas para escrever ou revejo mentalmente textos que já tenho desenhados, em que só falta passar da cabeça para o "papel". E é esse hiato que me falta preencher. Preciso de escrever mais e pensar menos. Preciso de agilizar este processo - parece-me sempre que é uma atividade "pesada", que adio eternamente para quando "tiver tempo e energia". Posso estar no sofá sem fazer nada e com o computador ao lado: mas não lhe pego. Não sei porquê. Sei é que tenho de contrariar isso - e, como tal, esta é uma das resoluções que vai transitar para 2021. 

- Alimentar o blog das receitas duas vezes por mês. Com a minha nova faceta de "dona de casa", cozinhar acabou por ser um escape; escrever novas receitas é sinónimo de que estou a inovar e de que estou na cozinha por gosto, o que é algo que quero que se mantenha;
Falhada. Se é por falta de receitas? Não. Se é por não me lembrar de lá ir? Não. É exatamente pela mesma razão de não escrever aqui: um misto de preguiça com um cansaço eterno. Mas é das coisas que me faz falta, porque não são poucas as vezes em que me dão brancas e não me lembro como fazer isto ou aquilo. E, como tal, é também outra das resoluções que vai transitar para 2021.

- Tornar a vida entre as minhas "duas casas" o mais suave possível, atenuando todas as lombas e solavancos que fui sentindo - e que tanto me martirizaram - ao longo do ano que passou;
Cumprida - mais ao menos... Aprendi que, provavelmente, nunca vai ser fácil. Nunca vai ser perfeito. Nunca vai existir o equilíbrio ideal. Fazer o melhor possível, diariamente, já tem de ser sinónimo de missão cumprida - mesmo que os resultados não sejam sempre aqueles que desejamos. 

- Fazer o álbum de fotos do best of de 2019 e acabar o da minha viagem do Japão;
Cumprida! O álbum do Japão foi feito logo no início do ano; já o resumo de 2019 esteve a ser cozinhado durante meseeeees e só no final do ano é que o acabei, acabando mesmo por o oferecer como prenda de Natal ao meu pai.

- Manter a minha lista de trackers atualizada - sou um bocadinho baldas no que toca à minha lista de "do's" e "do not's"  gostava de conseguir completar tudo durante um mês, sem dias de falha;
Falhada. Não dei uso recorrente à minha agenda (onde tenho os trackers) durante vários meses; no fundo usei-a quando os dias apertavam em termos de tarefas, mas como não haviam compromissos ou coisas marcadas (por causa da pandemia), toda esse lado prático da agenda acabou por ficar obsoleto. E se a agenda foi pouco usada... Os trackers foram completamente esquecidos.

- Assinar a revista Prima e não empilhar edições para as ler de rajada no Verão;
Falhada. Não assinei nem comprei todas as edições - só as que me apeteceu. Mas nenhuma ficou por ler!

- Voltar a fazer uma viagem a dois com o meu namorado, mesmo que seja só uma escapadinha de fim-de-semana;
Cumprida! Apesar de todo o panorama pandémico, eu e o Miguel conseguimos tirar alguns dias para namorar - e foram dos melhores dias do meu ano. <3️ Tenho muita pena de não ter escrito sobre os locais onde fui e, acima de tudo, os sítios onde fiquei (pergunto-me se será tarde demais ou se ainda será pertinente?) - pois eram lindos, românticos e constituíram um dos pontos altos do meu ano.

- Continuar a conhecer terras deste nosso maravilhoso e lindo Portugal;
Cumprida! O sul foi o mais privilegiado: primeiro no Alentejo, onde voltamos à Zambujeira do Mar, a Porto Côvo, Vila Nova de Milfontes e outras terras por aí e, mais tarde, uma estreia que já tardava: Évora! Que linda cidade. E voltei a outra que também adoro: Vila Viçosa! No Algarve voltei a uma zona onde já não ia há muito: Cacela Velha, Manta Rota e Tavira. Por aí estreei-me também na Praia Verde. Conheci também Vale do Lobo. Dos sítios do costume, voltamos a Portimão e ao Alvor. Falhou Albufeira - algo que acho que nunca me tinha acontecido na vida.

- E, mais uma vez, ser constantemente mais positiva. Tentar ser feliz todos os dias. Fazer um balanço diário do meu dia e perceber a sorte que tenho, mesmo nos dias piores. 
Cumprida! Muito por graças ao meu namorado, que mesmo sem dizer nada já me faz agradecer por aquele dia, simplesmente por se preocupar comigo, me perguntar como estou e me querer, genuinamente, ouvir e saber como estou. De cada vez que me deito na cama, ao fim de mais um dia, sinto-me grata por ter alguém ao meu lado como ele - e por ter, de uma forma geral, uma vida tão abençoada e uma família tão boa.

 

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