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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

27
Dez17

O pós projeto de Natal: e agora o que faço da minha vida?

Carolina

Sabem aquela sensação de quando acabam de ler um livro que adoraram ou quando terminam a última temporada de uma série que gostaram muito? Um feeling quase de abandono, de não saber o que havemos de fazer à vida depois daquilo, de quase nos sentirmos "orfãos" de alguma coisa? É isso que eu sinto neste momento depois de ter acabado o meu projeto de Natal. Perdida, quase com horas a mais. Eu estava exausta, mas movida por um objetivo. Agora estou só exausta.

É incrível como as ondas de cansaço que nos invadem depois de relaxarmos de algo que nos stressou e moveu durante meses. No dia 25, depois de a 24 ter passado o dia todo na cozinha e me ter deitado às 4 da manhã, após ter posto a mesa, almoçado e brincado um pouco com o meu sobrinho, decidi "ir ver televisão para a sala". Adormeci por quatro horas. Nessa noite dormi bem, na seguinte também. E continuo a acordar cansada, enquanto sinto os meus trapézios a ficarem mais macios a cada dia que passa - embora nunca fiquem normais, porque as minhas contraturas já têm ali morada fixa. 

Os prazo que eu tinha eram demasiado curtos para um projeto tão ambicioso. Este é um dos exemplo que cabe bem numa coisa que eu digo muito, o "trabalho ingrato". Eu sei que as pessoas têm alguma noção do trabalho que me deu ver todos os vídeos, organiza-los e seleciona-los. Mas eu cresci com a máxima de que só há uma forma de fazer as coisas - bem - e não sei trabalhar de outra forma. Por isso eu fui buscar transições e sons para acompanhar (que tinham de bater certinho com a imagem), as músicas ideais para colocar como fundo (que, em certas batidas, tinham de coincidir com certas imagens), fiz uma introdução completamente desnecessária mas hilariante, que me demorou mais que todos os vídeos juntos, e outros pormenores assim do género que ninguém nota quando o resultado final é harmonioso - e que, aliás, pelo contrário, só se nota quando não estão lá. Isto levou-me muito tempo, obrigou-me a fazer noitadas - coisa que já não fazia há muitos anos -, a gerir o stress e conciliar com o trabalho, o que não foi mesmo nada fácil. Mas, caraças, o resultado valeu mais do que a pena! Não só os vídeos em si, mas também o feedback e as reações despoletadas nos outros - onde se incluíram lágrimas e tantas, tantas gargalhadas, que valem pelo mundo.

Uma das poucas coisas que me leva racionalmente a equacionar ter filhos - porque, como muitos sabem, não é algo que eu alguma vez tenha tido nos meus planos, embora nunca tenha excluído uma possível mudança de opinião ou de estado de espírito, ainda que ache improvável - é a perspectiva de dar continuidade à família, de dar aos outros aquilo que eles me deram a mim: pessoas com sangue do meu sangue, que partilham comigo não só laços de amizade, como laços de vida. Ter uma família grande é das maiores alegrias da minha vida e eu gostava de ser coerente e proporcionar esse crescimento, de dar frutos, de fazer com que os meus filhos sentissem o que sinto quando estou envolta dos meus. 

Sou sempre pessimista e um bocado céptica em relação a tudo, por isso, ao longo deste processo, nunca pensei que os vídeos fizessem tanto sucesso. Como hoje em dia todos temos uma concentração de peixes e o Natal é uma época de convívio e não para estar a olhar para um ecrã, sempre esperei que o pessoal visse, gostasse, mas que fosse deitando o olho enquanto punha o dente numa rabanada ou dava duas de conversa com a pessoa do lado. Mas não. Parou tudo para ver, toda a gente se riu imenso e no fim agradeceu e deu os parabéns - e eu fiquei consoladíssima. Primeiro porque tinha as expectativas baixas e segundo porque consegui proporcionar a toda a gente um momento diferente, de nostalgia, de saudade e ao mesmo tempo de alegria, bem representativo da união de família que se vive e sempre se viveu ao longo destes anos.

Foi um momento feliz - nem sei se foi mais para mim ou para os outros - e pronto, agora eu estou de ressaca, a recuperar do cansaço, da barriga e do coração cheio. Preciso de voltar aos dias normais - passei demasiadas horas sentada, ganhei quilos que não devia - mas isto deu para perceber que eu preciso disto para (sobre)viver. Preciso de coisas que me movam, bem além do trabalho. São este tipo de coisas o combustível da minha vida, que me dão forças para além do cansaço para avançar. É raro serem tão recompensadoras como esta foi, mas é nestes dias que percebo que eu sou pessoa de fazer e não de ver passar os outros. E até ao fim do ano, para além do trabalho, só quero descanso. Depois disso, vou pegar na pá e passar para outra obra. 

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