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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

03
Nov16

Os portugueses e os canudos

Hoje, enquanto analisavam uma ficha que tinha preenchido previamente sobre mim, repararam na minha idade e depois na minha ocupação profissional, que já não diz "estudante" mas sim uma profissão "a sério". Perguntaram-me: "tão nova e já a trabalhar? Não devias estar a estudar?". 

Eu fiquei um bocadinho incrédula e pensei que, de facto, isto é o reflexo da nova mentalidade que se espalha por aí como um vírus e não tem tendência a parar: toda a gente tem de ter um curso, toda a gente tem de ser mestre, toda a gente tem de ser doutor. Há um esquecimento geral de que a partir dos 16 anos qualquer pessoa normal tem capacidades para trabalhar - e isso não lhe retira qualquer tipo de valor, só acrescenta.

Perante aquilo, eu estava segura na minha resposta ("já acabei o curso"), mas podia não estar; podia não ter condições financeiras para frequentar uma faculdade, podia não ter condições familiares ou então podia simplesmente não querer tirar um curso. Porque, por incrível que pareça, as pessoas continuam a ser pessoas mesmo que não tenham um canudo guardado no armário, quer isso seja por imposições externas ou vontade própria!

Eu acho que há pessoas que não nasceram para estudar e, nesses casos, não vejo o porquê de se terem de martirizar durante anos a fio atrás de algo que não as faz feliz. Há inúmeras profissões que não precisam de licenciaturas, mestrados e doutoramentos e são tão importantes como aquelas em que tais requisitos são necessários. Um lixeiro não precisa disso e nós precisamos dele, todos os santos dias; uma costureira não precisa disso e nós passamos a vida a precisar dela; e o mesmo acontece com um carpinteiro, um mecânico, um canalizador, um jardineiro, um sapateiro e, sinceramente, um pouco com todas as profissões - porque há todo um mar de coisas que não se aprende na faculdade e se, por um lado, pode ajudar tem um apoio teórico, por outro o mercado de trabalho, as pessoas e a experiência da vida é que nos ensina tudo o que precisamos de aprender para sermos bons profissionais.

Sim, eu estou a trabalhar a tempo inteiro aos 21 anos, e daí? Foi uma escolha minha e uma oportunidade que não quis deixar escapar, mas isso não quer dizer que no futuro não volte a estudar. Estou feliz, num trabalho que nem sempre me facilita a vida mas que me realiza e que, tenho a certeza, será uma rampa de lançamento para aquilo que quero fazer no futuro. Foi uma decisão estratégica e bem pensada; felizmente não tinha a necessidade de seguir logo para o mercado de trabalho e, se quisesse, podia ter seguido para um mestrado sem pensar duas vezes. Mas tenho quase a certeza absoluta que o mestrado não me iria ensinar tudo o que tenho aprendido nos últimos meses e que, se um dia o fizer (um mestrado ou pós-graduação, estou mais tentada para a segunda hipótese) será muito mais valorizado, porque finalmente sei o que estou a fazer e terei a minha própria experiência como exemplo.

Por isso, em jeito de remate, quero só dizer que a vida não se faz de canudos ou certificados. E a competência e a dedicação das pessoas também não.

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