Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

01
Fev16

Offline is the new luxury

Ando desligada, é a verdade. Tenho mensagens no telemóvel por responder, emails por ver e enviar, conversas no facebook inacabadas, muitos posts por escrever. Por um lado, tenho noção que isto só aumenta o isolamento que sempre senti e de que me auto-critico; mas, por outro, ando tão cansada de tudo, que o que me apetece é desligar a ficha e deixar ficar. Porque só nos últimos meses é que percebi a quantidade de cansaço que toda esta tecnologia que nos envolve me provoca.

Tudo começou em Março ou Abril do ano passado, altura de preparações do Fora da Caixa. Nunca fui tão concorrida na vida e até já tinha vergonha de cada vez que o telemóvel tocava e as pessoas ficavam a olhar para mim. Eram mensagens, telefonemas, emails, whatapps, mensagens no slack (uma aplicação para trabalhar em equipa, vale a pena), conversas no facebook. Não tinha descanso para almoço, jantar ou dormir - o telemóvel tocava. Tocava sempre, até as pessoas me arregalarem os olhos e eu clicar no botão desligar ou o ir pôr a uns metros de distância. Foram dois meses intensos, muito cansativos, mas que passaram - e, com toda a avalanche que aconteceu naquele período de tempo, não tive tempo para analisar o que me estava a deixar arrasada, física e psicologicamente, até porque haviam mais vinte e sete mil coisas para pensar e tratar.

Só agora, neste semestre, é que percebi a mossa que isto estava a criar em mim. Já é um clássico criar grupos no facebook para cada grupo de trabalho da faculdade que se tem; a isso, vêm aliadas também as conversas de grupo. É por essas duas vias que colocamos as nossas partes dos trabalhos, dúvidas, troca de ideias e galhardetes - e as notificações vão caindo, a luz do telemóvel acende-se, o "ping" e a vibração fazem-se ouvir. Isto a juntar àquilo que originalmente já tínhamos: os telefonemas, as mensagens, o resto do facebook, o whatapp e outras coisas que tais. No fundo, não temos descanso - e foi aí que comecei o meu blackout. Ia vendo, mas pouco ia respondendo - estava exausta, farta até às pontas do cabelo de tanta vibração, de tanto "ping", de tanta dependência. Comecei por pôr o telemóvel em silêncio (só vibrava, o que também já me tirava do sério), depois tirei as notificações do facebook e, por fim, acabei por descobrir o botão de "descanso" do iPhone, que me tira todos os sons, vibrações e luz do telemóvel. Escusado será dizer que o utilizava bem mais do que nas alturas em que "descansava" e que aproveitava, melhor que nunca, aquele silêncio quase ensurdecedor que a falta do telemóvel me provocava.

Foi nesse "modo" que passei praticamente toda a recuperação da cirurgia, porque estava farta de acordar às custas da vibração de uma mensagem de uma conversa de grupo no facebook que nem sequer era para mim. Clicava no botãozinho milagroso, dormia e, quando acordava e me apetecia, tratava dos assuntos que apareciam nas notificações do ecrã: respondia às mensagens, devolvia chamadas, falava nos grupos caso fosse caso disso. Ainda assim, dizer que andei parca em palavras, é ser simpático.

Apesar dessa fase pior já ter passado, ainda não voltei à normalidade - e, sinceramente, não quero. Pretendo responder a tudo o que tenho pendente, voltar ao normal com algumas conversas e pessoas, mas, no que diz respeito a tudo o resto, vou pôr um travão. Isto de estar disponível durante vinte e quatro horas por dia é mau. Mesmo mau. Para além de criar dependência (da qual, neste momento, me sinto mais livre), aumenta o stress de forma exponencial. Nunca podemos estar sozinhos connosco próprios - já quase que nem o sabemos fazer. Nunca podemos deixar o telemóvel em casa sem entrar em pânico. Nunca podemos ter paz.

2016 vai ser, por grande vontade minha, um ano em que vou tentar equilibrar as coisas neste sentido. Não vou deixar coisas sem resposta (como tem acontecido), mas também não esperem que ande sempre com o telemóvel na mão. Está na altura de viver (também) fora dos ecrãs, para bem da minha sanidade mental. 

 

large.jpg

1 comentário

Comentar post

Pesquisar

Mais sobre mim

foto do autor

Redes Sociais

Deixem like no facebook:


E sigam o instagram em @carolinagongui

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Leituras

A ler:



goodreads.com


2019 Reading Challenge

2019 Reading Challenge
Carolina has read 1 book toward her goal of 12 books.
hide

Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

Ranking