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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

26
Jul16

O país das pessoas que não são frias e a Veneza do Norte [Estolmo, Suécia]

Relativamente a Estocolmo, o que posso dizer é que seria - de todas as cidades que visitei - aquela que sem dúvida escolheria para viver. Já há vários anos que queria visitar a capital sueca, muito por culpa dos thrillers nórdicos que tenho vindo a ler ao longo dos últimos anos (em particular a saga Millenium, confesso). Aqui por casa não havia grande ânimo para conhecer esta cidade, mas acho que para todos - até para mim, que já esperava o melhor - se revelou a mais bela das surpresas. 

 

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Passei em Estocolmo uma tarde e noite, depois de termos saído de Portugal; depois ainda tive uma manhã antes de entrar no barco e outra manhã antes de voltar para casa, uma vez que só tínhamos vôo a meio da tarde. Foram porções de tempo relativamente curtas mas que acabaram por ser suficientes para ver o essencial da cidade e fazer aquilo que mais gosto: perder-me pelas ruas e ver até onde elas me levam.

A primeira impressão que tive foi: esta é a minha cidade, tem a minha filosofia. As coisas são limpas, não se vêm grandes luxos e, acima de tudo, apesar de movimentada, é uma cidade silenciosa. Desde o avião, nos arredores do aeroporto (que fica a cerca de 40 kms da cidade de Estocolmo), só se via floresta (maioritariamente pinheiros), vários lagos e meia dúzia de casas pintalgando a paisagem. Sabem aquelas passagens dos filmes captados com drones, em sítios que transpiram calma e uma beleza natural? Senti que estava dentro de um deles. Neste aspeto senti que estava (no que imagino ser, porque nunca lá fui) na Escócia. Por outro lado, é uma cidade conhecida por ser a Veneza do norte, com imensos braços de mar, pontes e vistas de cortar a respiração.

 

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Os braços de mar

 

O centro da cidade já não é tão verde, mas é um autêntico mimo cheio de tesourinhos por descobrir. Aquilo que me parece é que na Suécia as coisas são pensadas, são cuidadas, não é só mais uma coisa no meio de milhões. E isso refere-se no cuidado que eles têm com outros, no civismo, na economia do país (nota-se que não há grandes luxos a nível público, que não se compra o tijolo mais caro para ajudar o amigo) e também nos pormenores. As lojas dessa tal zona antiga da cidade (Gamla Stan) são simplesmente deliciosas e até os souvenirs parecem ser muito mais cuidados e bonitos que o normal (e encontrei uma loja dedicada a livros fantásticos - imaginem a minha alegria quando vi uma montra inteiramente dedicada ao Harry Potter). Os cafés e os restaurantes têm toques afrancesados ou italianos, e também são de uma beleza espetacular.

 

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Pormenores de Estocolmo 

 

A noite dura até bem mais tarde do que em Portugal e estar nessa parte antiga da cidade, a meia luz, no meio daqueles edifícios altos, de tons quentes e ruas estreitas, faz com que pareça que estamos num filme do Woody Allen, com aquele tom amarelado que faz com que as coisas pareçam muito mais acolhedoras. Se já estava a gostar da cidade de dia, quando a vi anoitecer apaixonei-me totalmente.

 

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Gamla Stan

 

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Gamla Stan e montra do Harry Potter

 

O respeito e o civismo respiram-se na cidade - e o único momento em que não senti isto foi quando passamos por uma série de bares, quando o relógio já batia perto da meia noite, e se viam os típicos jovens já regados e menos civilizados do ali tinha visto até então. Naquela zona as ruas ficaram mais sujas, como ficam em todo o lado, mas este choque não foi o suficiente para acabar com o estado embevecido em que me encontrava naquele momento, em relação àquela cidade. Vêem-se muita pessoas estranhas, com roupas fora do normal e cabelos alternativos; vêem-se muitos gays na rua, sem medo de esconder o que quer que seja e sem medo dos poucos que ficam a olhar para trás. Há uma aceitação e respeito generalizado que nunca vi em nenhum outro país (nem mesmo em Portugal, que penso que nesse sentido até é evoluído) e isso fez-me gostar ainda mais da cidade.

Não sei onde se foi buscar o preconceito de que as pessoas da Suécia são frias, porque tudo o que senti foi simpatia. Todas as pessoas com quem falei - tanto nas ruas (para pedir informações), como nos hotéis, aeroporto ou estações de caminhos de ferro - foram de uma simpatia generalizada e de um esforço notável para se fazerem entender (num inglês, de uma forma geral, excelente). Achei-as com um espírito leve e feliz, ao contrário da maioria dos países que visitei a seguir. 

A verdade é que acho que o tempo que apanhei nos três dias que lá estive ajudou. Os dois primeiros foram com temperaturas amenas, onde era fácil passear; no último estava um calor abrasador e um sol fortíssimo, por isso a cidade estava viva e as pessoas saíram todas à rua e espalharam-se pelos jardins e esplanadas disponíveis da cidade. É, por isso, difícil imaginar Estocolmo coberto de neve ou com chuva a cair a potes (assim como é difícil imaginar aqueles crimes horrendos que leio nos livros, numa cidade tão calma e luminosa como a que conheci) - e acredito que nessas alturas (tal como nós), as pessoas fiquem mais tristes e cabisbaixas, mas não é algo generalizado como imaginei. Até aqui, quando achava que um pessoa era fria, dizia sempre "parece sueca" - mas descobri que estava errada. 

Estocolmo aqueceu-me o coração e encheu-me as medidas. Não era aquilo que eu esperava - era melhor. Já estou ansiosa por voltar e dedicar mais tempo não só à cidade como ao país, talvez para fazer uma visita guiada pelos sítios dos livros que li e que continuam a despertar um bichinho em mim.

 

 

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 No próximo post falo-vos da Finlândia.

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