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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

27
Jun17

O meu primeiro ano sem férias grandes

Ir de férias é óptimo. Aquilo que ninguém nos diz é o trabalhão que dá ir laurear a pevide - e não, não falo de escolher destinos, marcar viagens e hotéis; falo de tudo o que se tem de deixar pronto antes de ir passar uns dias longe do trabalho. Ah, e também o que custa voltar: mesmo que a vontade de voltar exista, sentimo-nos a arrastarmo-nos pelos corredores, cheios de sono, com saudades dos nossos livros e dos pés na areia - e trememos só de pensar no trilião de emails que temos por ler. Mas pronto, já passou, já é terça-feira e a rotina está a invadir-me outra vez - até daqui a quinze dias, em que me estrearei em Itália.

Mas continuando: eu estava cheia de medo de não me conseguir desligar do mundo do trabalho enquanto estivesse de férias. Trabalhei durante dez meses seguidos e o trabalho é, em grande parte, a minha vida; são preocupações e stresses que já estão entranhados em mim e que me movem, uma vez que não tenho muitas mais forças motoras na minha vida. Estar sem internet e com pouquíssima rede ajudou a que me desligasse do mundo laboral, mas sempre que ia ao email e não me caía nada quase que ficava desiludida - passo a vida com "pim"'s, com emails sempre a chegar e só agora percebi que também faço disso uma companhia. E sim, confesso uma coisa: é estranho ver as coisas funcionarem sem nós estarmos lá dentro; percebermos que coisas que nós criamos ou ajudamos a criar rolam sem nós, aparentemente sem grandes sobressaltos. No fundo, entendermos que somos substituíveis. Ninguém é igual a ninguém, é um facto, mas as coisas fazem-se: e eu tenho um medo incrível de um dia ir ao mar e perder o lugar. Sou muito pouco confiante em tudo o que faço e acho que devido também a feridas antigas estou sempre à espera que me passem a perna, que me digam "olha, já não podes entrar no nosso grupo, já está cheio..." (oh, como eu ouvi isto tantas vezes). Mas enfim, sosseguei-me - na verdade, não tenho outro remédio.

A verdade é esta (e eu sei que é estranha): cheguei ao fim das férias já com vontade de trabalhar. Adoro sopas e descanso e, como já toda a gente está farta de saber, amo o Algarve. Mas acaba por ser a trabalhar que convivo com as pessoas, que guio os meus dias, que lhes dou algum significado - e numa semana sem nada para fazer já estava a fazer com que perdesse o rumo. Quando falo com amigos que ainda estão na faculdade e entraram agora em época de férias - 3 meses, hoje em dia, parece-me ainda mais tempo! - o primeiro pensamento que tenho é "que sorte!". E depois abano-me, olho para mim mesma e percebo que a única coisa boa no dessas férias grandes é a possibilidade: o ter tempo para tudo, não ter de fazer contas às semanas, ter mais de 90 dias para fazer tudo o que se quiser.

Mas isso só importa quando, de facto, aproveitamos os dias: e eu nunca o fiz; a possibilidade ficava sozinha, assim como eu. Ainda no outro dia me cruzei com um post antigo, nos arquivos aqui do blog, onde no fim de Junho me queixava dos meses entediantes e solitários que tinha pela frente; por isso, sempre que penso "que sorte" relativamente aqueles que ainda têm férias grandes... repenso e vejo que gosto muito mais das coisas como elas estão agora. Porque a verdade é que agora conto os dias: mas também os faço valer a pena. Planeio-os com cuidado, anseio por eles, penso e repenso a melhor forma de os aproveitar ao máximo... e não me deambulo por aí, meio deprimida, sem saber o que fazer da vida.

A única coisa que me falta é mesmo o mar de possibilidades. Não ter de chatear os meus amigos porque tenho de marcar férias... ter apenas de ir. Mas de possibilidades, tal como as boas intenções, está o inferno cheio. E eu quero coisas concretas, quero planos, quero dias cheios - porque caso contrário, é a cabeça que se enche de coisas más, como aconteceu em todos os verões antes deste. Por isso, mesmo que Agosto vá ser passado a trabalhar, mesmo que não tenha três meses pela frente, sei que este ano vai ser melhor.

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