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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

27
Nov15

O fim de mais um (pequeno) ciclo

Carolina

Há quase três anos, quando entrei na faculdade e deixei de fazer o pouco exercício que fazia (na escola, em educação física) mentalizei-me de que precisava de ir para um ginásio. Fi-lo pela minha saúde, pelo meu bem estar (naquela altura físico, não sabendo que me ia fazer ainda melhor à parte psicológica) e já com objetivos traçados - que, felizmente, vim a cumprir com muito sucesso e orgulho. Acima de tudo, e sabendo que sempre fui um bom garfo principalmente no que toca a comidas carregadas de açúcar, não queria ficar uma bola.

Inscrevi-me primeiro num ginásio e passado pouco tempo mudei-me para outro, onde estou há dois anos. E apesar de eu não ser de trato fácil e de não me dar com muita gente (e de me ter sentido, principalmente no início, mesmo muito excluída) aquela acabou por ser uma espécie de terceira casa. Não posso dizer que me tenha afeiçoado muito às pessoas - com excepção de um professor -, mas a verdade é que são pessoas constantes na nossa vida, o que traz conforto e estabilidade. Eu sabia que, às terças e às sextas-feiras, ia ver aqueles sorrisos, ouvir aquelas gargalhadas e sentir a boa disposição a entrar-me na pele - algo que no meu caso é essencial, tendo em conta que a minha tendência é sempre olhar para o copo meio vazio da vida. As pessoas gozam - e eu deixo que o façam, porque eu também gosto de o fazer - mas a verdade é que ir para o ginásio (e a zumba em particular) trouxe-me uma luz que eu não tinha; para além de todo o sentimento de superação que é conseguir criar o hábito de ir três vezes por semana a um ginásio (sozinha!), o facto de ter começado a trabalhar e a preocupar-me com o meu corpo deu-me mais auto-estima e noção do corpo que tinha. Mas o mais importante é o sentimento de libertação mental que dançar (ou nadar ou fazer pilates) me provoca: principalmente na altura da morte da minha avó, ia para o ginásio a chorar e saía de lá uma pessoa nova, com um estado de espírito completamente diferente da pessoa que lá tinha entrado há uma hora atrás. E isso - nessa e noutras ocasiões mais complicadas - salvou-me de mim própria, do meu terrível hábito de deprimir e ver sempre as coisas pelo lado negativo. 

Enfim, isto para dizer que, há duas semanas atrás, foi anunciado que o ginásio ia fechar no fim do mês. Foi um choque geral. E, surpreendentemente, eu fiquei triste. Eu, que nunca gostei de ginásios, que até há um par de anos era super-sedentária, que tenho aversão a balneários e que tenho vergonha de fazer fracas figuras em tudo o que é aula, fiquei sinceramente triste por perceber que ia ficar sem aquele ginásio, sem aqueles professores, sem aqueles profissionais e aquelas pessoas. A verdade é que uma pessoa se habitua aos espaços e aos colegas com quem os partilhamos e isso acaba por fazer parte de nós; no meu caso, acima de tudo, habituo-me aos professores e mudar é uma autêntica tortura.

Há quinze dias, quando todos soubemos da notícia, angustiava-me só de pensar em ter de procurar um ginásio novo. Todo aquele processo de reintegração, de conhecer novas pessoas, novos espaços, novas dinâmicas e novos tipos de aulas era algo por que não me apetecia passar outra vez. Na verdade, ainda não apetece e ainda não decidi o que vou fazer daqui em diante. Já há muitos grupos formados, os alunos foram-se agrupando e migrando para os mais variados ginásios da zona, assim como alguns professores; a minha tendência é seguir quem gosto, principalmente quem me dá zumba, mas a verdade é que nem a localização nem os horários do ginásio são os melhores para mim. Estou num impasse: não sei se me ajeite ao que tenho e sigo a maioria do pessoal e o meu professor ou se volto a sair da minha zona de conforto e torno a procurar ginásios, correndo o risco de me esquecer do quão bem isto me faz, ceder à preguiça e voltar à vida sedentária do antigamente.

É engraçado como isto é um pormenorzinho de nada num todo que é a nossa vida, mas a realidade é que mexeu - e está a mexer - com a minha dinâmica do dia-a-dia e, naquele momento em que soube a notícia, me deixou sinceramente triste. A vida é um conjunto de muitas fases e ciclos, uns mais pequenos e menos importantes que outros. Este é mais um que acaba e que abre a porta para outro começar. Mas a verdade é que custa sempre deixar as coisas que gostamos para trás.

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