Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

12
Abr15

Miúda de 95 32#

As camas pinchonas da Oura

 

Sempre que vou ao Algarve lembro-me de uns trinta textos para esta rubrica - é a região que mais memórias felizes me traz. Lembro-me de tantas e tão pequeninas coisas que acho que quase poderia passar o resto da minha vida a escrever sobre isso - desde o cheiro a pão quente de um determinado supermercado até às pastilhas elásticas em tubo que só se vendiam lá.

Mas uma coisa que não falha e que eu me lembro sempre, sempre, sempre que lá vou são as "camas pinchonas". Isto era o que eu chamava, quando tinha uns oito ou dez anos, a uma espécie de complexo de camas elásticas e outros divertimentos que estavam na rua da Oura, em Albufeira. De um lado tinha um conjunto de dez trampolins, separados por colchões e com números estampados na rede; no meio existiam umas bolas que giravam sobre elas mesmas e onde as pessoas se sentavam no centro, para rodarem num sem-fim de voltas e saírem de lá a virar o barco; no outro lado estava uma espécie de grua com uma bola presa por dois elásticos - as pessoas sentavam-se dentro da bola e depois os elásticos eram puxados, de modo a que a bola subisse e descesse a uma velocidade alucinante, ao mesmo tempo que rodava sobre si mesma. Uma coisa digna de festa popular, mas em bom. 

É claro que eu me mantinha afastada dessas bolas terríveis, mas as "camas pinchonas" eram a minha loucura. Eu organizava, literalmente, excursões até lá, só para poder saltar durante quinze minutos. Levava os primos, os amigos, os irmãos - quem quisesse podia vir saltar para uma cama vizinha, desde que eu também saltasse. E eu não fazia mais nada - havia muitos malucos a dar mortais, voltas e voltinhas, mas eu só desfrutava daqueles momentos em que a força da gravidade parecia não se lembrar de mim. Desde nova que sou uma control freak, que gosto de ter mão sobre tudo na minha vida, e aqueles minutinhos já eram, na altura, o meu escape. Saltar, deixar-me ir, cair e voltar a levantar-me. Era a melhor parte do meu dia, das minhas férias. 

Mas, de um ano para o outro, esse conjunto de diversões desapareceram do mapa. A rua da Oura ficou muito mais triste a partir desse dia. E ainda hoje, sempre que lá passo, me lembro do quanto fui feliz naqueles pedacinhos de rede elástica.

Pesquisar

Mais sobre mim

foto do autor

Redes Sociais

Deixem like no facebook:


E sigam o instagram em @carolinagongui

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Leituras

A ler:



goodreads.com


2019 Reading Challenge

2019 Reading Challenge
Carolina has read 1 book toward her goal of 12 books.
hide

Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

Ranking