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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

06
Jun18

Já tenho férias marcadas... e vou sozinha!

Carolina

Decidi que vou passar férias sozinha. Foi rápido: lembrei-me do destino, encontrei um pacote apetecível e marquei. Não perguntei a ninguém se queria vir comigo e fi-lo de forma consciente, por duas razões: a primeira é porque já sabia as respostas que ia obter se perguntasse, a segunda é porque sempre quis viajar sem ninguém ao lado.

Há uns dias lia o blog da Beatriz, que foi sozinha até à Escócia (também hei-de ir!), e ela dizia lá uma coisa de que eu gostei muito, a propósito de viajar sem companhia: "Este silêncio, que só se quebra com o ruído dos locais, dos turistas, dos guias e das colegas de quarto, é um descanso. Adoro estar assim, principalmente porque sei que tenho o oposto em Portugal. Só daria valor a um e a outro cenário, tendo os dois. É o caso." Felizmente, também é o meu. Na verdade, esta frase aplica-se, para mim, não só nas viagens como no resto da vida. Eu sou das pessoas que conheço que mais gosta de estar sozinha - mas isso acontece porque sei que chego a casa e, se quiser, tenho o "colo" dos meus pais ou os meus irmãos a uma chamada de distância. Acho que só é bom estarmos sozinhos quando sabemos que também temos o outro lado da moeda - o que, pensando bem, até é um tanto ao quanto egoísta. A solidão completa é assustadora.

Mas voltando à viagem: é sabido que eu não tenho muitos amigos. Aliás, talvez seja melhor retificar: tenho mesmo muito poucos amigos. E a verdade é que os que tenho não estão na mesma "página" que eu. No que a companhias diz respeito é muitas vezes a família que me safa: para ir a concertos, a festivais, a viagens, às compras ou simplesmente dar um passeio. Sempre achei - e continuo a pensar o mesmo - que uma das maiores dificuldades nisto de arranjar alguém (seja esse alguém um namorado ou um amigo) que combine mesmo connosco é precisamente essa estar na mesma situação que nós, a todos os níveis (financeiros, familiares, sociais...); as coisas funcionam se isso não acontecer (senão, o mundo estava perdido!), mas vão sempre existir entraves. E eu tenho a plena consciência de que é muito difícil alguém estar nas condições em que eu estou neste momento. Neste verão eu devo ter um coisa que é rara: tempo. Para além disso, tenho dinheiro no bolso. E, acima de tudo, não tenho amarras: não tenho namorado, não tenho filhos, não tenho pais que precisem de mim a tempo inteiro, não tenho um trabalho que me exija uma presença permanente, não tenho eventos para ir, não tenho nada marcado. Tenho um freepass e quero aproveita-lo. E sei que mais ninguém à minha volta tem todas estas condições reunidas. Ora porque as amigas têm namorados, ora porque os meus irmãos têm filhos, ora porque todos os outros têm trabalho ou preferem aplicar o seu dinheiro noutra coisa qualquer. E eu percebo e respeito isso. Só não posso é deixar escapar esta oportunidade. Porque, como cheguei à conclusão aqui, acho que já chega de esperar pelos outros. Sinceramente, acho que já chega de esperar por alguém que eu acho que não vai chegar.

Não marquei esta viagem por querer estar sozinha, por querer fazer uma auto-descoberta ou qualquer uma dessas coisas meias-espirituais com as quais não me identifico. Foi uma questão prática: vi, quis e marquei. E que bom que foi, não ter de esperar pelos outros; não ter de me adequar aos gostos e opiniões alheias; não ficar em stand-by à espera de autorizações, de consultas de budgets ou impasses. Que bom que foi, querer algo e fazer. E eu sei que sou muito egoísta nesta minha forma de ser, de estar, de pensar. Mas acho que esta vai ser a única forma de eu fazer alguma coisa na vida - ou de, pelo menos, não me irritar tanto no processo.

E ainda que eu não esta não seja, como disse acima, uma viagem de auto-descoberta, acho que vai ser uma boa prova para eu ver como me safo, realmente, sozinha. As expectativas estão altas. E, caraças, estou a contar os dias! Tem tudo para ser incrível.

 

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