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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

18
Mar14

Há dias que não deviam ter 24 horas

Às vezes uma pessoa sabe. Sabe e pronto. Mas sabe o quê? Alguma coisa. Não é algo que se explique,  mas que se sente; algo tão puro,  genuíno,  intenso,  que vem cá de dentro e tão estúpido que não há como explicar. É como aquela história de sairmos de casa com a sensação de que nos falta algo - não percebemos bem como,  mas a sensação está lá e, na maioria das vezes, tem razão. Hoje também tinha. 

Eu percebi rapidamente que o que eu sentia,  a minha apreensão,  tinha que ver com o trânsito e os carros e tudo mais. Fui concentrada durante todos os quilómetros que fiz hoje de casa para a faculdade,  da faculdade para casa (e hoje foram duas viagens para cada lado). Ao contrário dos outros dias,  não faltaram situações para bater: de lado,de frente, na rua,  na estrada. Foi stress acumulado em cada situação que parecia que era posta propositadamente no meu caminho para me assustar. Acho que hoje comecei a acreditar um bocadinho no destino. Vi um acidente feio,  com três carros, e tentei não olhar nem me focar naquilo. 

Quando à tarde vinha para casa,  comprimida,  stressada,  com aquele feeling mau, pensei: "já só falta um bocadinho para chegares a casa sã e salva, respira fundo". E nesse momento,  nesse preciso segundo em que esse pensamento me passa de rajada no cérebro, pumba, foi-se o retrovisor. OUTRA VEZ. O mesmo! Na mesma situação: um carro mal estacionado,  eu passo o mais rente possível para não bater no carro que está  no meu lado esquerdo e,  em vez disso,  bato no cabrão que decidiu que não fazia mal deixar o carro quase em segunda fila numa das ruas mais movimentadas da cidade. Desta vez tive a frieza de estacionar o carro (sim,  meus amigos,  porque havia lugares para dar e vender),  ir buscar o espelho e meter-me outra vez dentro da viatura,  onde finalmente caí em mim e comecei num pranto fenomenal, que me deixou com as olheiras até ao chão com que vos escrevo agora. Não era tristeza,  nem tanta raiva como da outra vez (embora também existisse,  porque caso ainda não tenham reparado eu lido muito mal com este tipo de infracções que são tão normais no nosso país que as pessoas acham que até já nem tem mal). Foi a vergonha,  a frustração, a dor de ter tornado a estragar o carro,  o orgulho demasiado ferido e,  acima de tudo,  a descompressão. A sensação de "já está, já aconteceu, eu estou bem,  o carro nem por isso,  mas eu estou bem. Universo,  estamos de contas soldadas?". O resto do caminho foi um dilúvio, onde chorei pelo carro e por tudo o resto que tinha a chorar e não chorei nos meses passados. Uma lavagem da alma, confundida com uma dor e uma raiva que só passa com o tempo. Ou com o polish que tira os arranhões do carro. 

Hoje foi um dia tão mau que eu desejei que não tivesse 24 horas. 

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