Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

08
Set18

Gorjetas: dar ou não dar, eis a questão

Carolina

Há certas normas na sociedade que já estão mais que formadas, implementadas, concretizadas e especificadas. E depois há outras deixadas um bocadinho ao Deus dará (ou o chamado senso comum), que por vezes causam certas dúvidas a quem se dedica um bocadinho a pensar sobre elas. Para mim, uma dessas normas pouco definidas é a cultura das gorjetas – pelo menos aqui, porque nos Estados Unidos (e, calculo, noutros locais) está bem padronizado e, calculo até, previsto na lei.

Apesar de ao longo de toda a minha vida me ter confrontado com este "problema" e opinado frequentemente sobre se ou o que deixar, só nos Açores (mais uma vez) é que me caiu a ficha. Estava sozinha, não podia deixar a decisão de dar ou não gorjetas para cima dos meus pais, como fiz quase sempre durante a minha vida. A situação era específica: depois de duas tours - que, importa dizer, correram bem, embora tivesse gostado mais de uma que de outra – perguntei-me a mim mesma se devia dar alguma coisa aos meus guias.

Este é o tipo de situação em que tipicamente se dá qualquer coisa assim de forma muito discreta – algo que eu também nunca percebi. Num restaurante deixamos o dinheiro em cima da mesa, no cabeleireiro metemos-lhes a moeda ao bolso de forma nada discreta, num cruzeiro deixam-se envelopes a dizer "GORJETA" em cima da mesa, mas ali faz-se a coisa pela calada. Porquê?

Há ainda o problema da quantidade a deixar. Num restaurante dos Estados Unidos deixa-se o equivalente a 10 ou 15% da conta total... mas e aqui? Num tour que, em princípio, eu nem saberia o preço, uma vez que estava incluída num pacote comprado previamente?

Acho que o que tende a acontecer em países como o nosso, que não têm nenhuma norma estabelecida para este tipo de casos, é cada um estabelecer a sua própria norma. Eu própria estou a construir a minha – e confesso que nem sempre a sei explicar. Se sou mal servida, em qualquer tipo de sítio ou serviço, nunca deixo nada – isso é certo. Mas se for a um restaurante ou café costumo deixar alguma coisa; o mesmo não se passa no cabeleireiro, onde vejo muitas pessoas a darem moedas a quem lhes fez a manicure ou pintou o cabelo, por exemplo, algo que nunca faço; também não dou àqueles rapazes que nos hotéis transportam as malas para os quartos. Porquê? Não sei bem e depende de caso para caso. Se às manicures, pensando bem, até podia dar – porque me tratam sempre bem, já sabem como gosto das unhas -, ao camareiro – que tem um serviço rápido – já não me faz tanto sentido. O que levanta outra questão: porquê que há profissões em que se dá "gorjas" e outras que não? Porque é que não damos umas moeditas a um médico ou enfermeiro que nos tratou de forma impecável e hiper humana? Porque é que não damos um extra à senhora do IKEA que nos ajudou a escolher o móvel? Porque é que não damos gorjeta à senhora da frutaria por debaixo da nossa casa?

Enfim, são questões que me assolam de vez em quando. A verdade é que acabei por dar gorjeta a cada um dos meus guias, tentando dar-lhes o dinheiro de forma discreta mas sem arranjar todo um esquema para o fazer. Vi que as pessoas que estavam comigo não deram nada, o que gera ainda outro problema: o confronto de normas dentro do mesmo grupo, que faz cada um dos indivíduos sentir-se mal, ora porque deu, ora porque não deu.

E se por um lado o rapaz recebeu bem o presente extra que eu lhe dei, a rapariga disse-me logo que não era preciso. Para mim, que não sou muito boa a interpretar este tipo de coisas, foi um momento um bocado chato: era óbvio que eu não ia retirar o dinheiro que já lhe tinha dado, mas por momentos até achei que a podia ter ofendido. Depois a situação rolou normalmente, ela aceitou e eu lá suspirei de alívio, mas naquele momento pensei em tudinho que está aqui neste post e amaldiçoei o facto de não existir um livro com este tipo de regras, para não andarmos todos aqui meio perdidos.

Mais tarde perguntei a uma prima minha, também ela guia, qual era a relação dela com gorjetas e se de alguma forma o dinheiro extra podia ser mal interpretado. Ela quase se riu na minha cara. Mas eu sei lá – as coisas mudam tanto, há pessoas com filosofias de vida tão distintas, que é difícil o mesmo comportamento agradar a gregos e a troianos. Embora eu perceba que, metendo dinheiro extra no bolso, poucos se possam queixar.

E por aí, dão gorjetas? Só a alguns, a todos ou são os sovinas?

 

7 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Deixem like no facebook:


E sigam o instagram em @carolinagongui

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Leituras

A ler:



goodreads.com


2018 Reading Challenge

2018 Reading Challenge
Carolina has read 5 books toward her goal of 12 books.
hide

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D

Ranking