Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

11
Set18

Fazer uma excursão: como é, vantagens e desvantagens

Carolina

Budapeste (284).jpg

 A vista do meu lugar no autocarro

 

Apesar de o blog ter andado pacatamente normal na última semana, quem me acompanha no instagram (@carolinagongui) deve ter-se apercebido que os últimos dias tiveram pouco de calmo. Na verdade, foi um corropio. Durante uma semana passei por Praga, Bratislava, Budapeste e Viena – um percurso que fizemos de autocarro com um grupo e um roteiro muito bem definido, cansativo quanto baste.

Depois de nos dois últimos anos termos feito cruzeiros, e já tendo esgotado as nossas rotas preferidas (nomeadamente na Europa), decidimos que este ano íamos fazer algo diferente. Há muito tempo que as capitais da Europa central pairavam nas nossas cabeças e algures no início do ano fomos a uma agência de viagens e acabamos por nos decidir por esta alternativa - o circuito "As 4 Capitais da Europa Central", feita pela Nortravel. Os meus pais já tinham feito uma coisa deste género nos Estados Unidos, para mim foi uma estreia. E, como em tudo na vida, tem vantagens e desvantagens - que vou passar a enumerar abaixo, assim como alguns detalhes que acho importantes.

 

AS PESSOAS

A forma mais fácil que eu tenho de descrever isto é dizer que fazer uma excursão em grupo é quase como um regresso à escola, mas numa permanente visita de estudo. Ao todo éramos 23 (eu era a única desemparelhada – a culpada por sermos um número ímpar - e, claro, a mais nova do grupo) e, como seria de esperar, vínhamos todos de contextos e sítios diferentes, com uma formação e educação muito distintas. Era um grupo bastante heterogéneo, em todos os sentidos. Havia o palhaço, havia o tímido, havia a-Maria-vai-com-todos, havia a estridente, havia a “mãezinha”... havia de tudo, tal e qual uma turma de liceu! E, como é lógico, surgem rapidamente empatias com uns e distância de outros, tal como acontece numa turma – e grupos, claro. Ao fim de dois dias os elementos das mesas já estão praticamente definidos, assim como quem se sente atrás e à frente do autocarro (eu não disse que isto era como na escola?!).

Confesso que para mim foi estranha a falta de abertura que houve logo de início. O grupo era maioritariamente de pessoas mais velhas (com média entre os 50 e 60 anos, provavelmente) e talvez isto seja algo geracional, mas a verdade é que saí da excursão sem saber o nome de muita gente. Acho que na minha geração temos logo a tendência de nos apresentarmos, dizermos de onde somos, o que fazemos, que idade temos; talvez aqui, por ser de alguma forma evidente que os contextos socio-económicos eram distintos e serem pessoas com outros hábitos, tal não aconteceu. Parecia que estava tudo no segredo dos deuses, o que não ajudou a uma interação completa entre todos os membros – os viajantes que faziam parte do mesmo “grupinho” iam sabendo mais entre si, todos os outros tendiam a ficar na ignorância. Apesar disto, a convivência entre todos era simpática, ainda que de alguma circunstância. Acredito que um mau grupo – ou simplesmente um grupo onde alguém não se integre – possa fazer a diferença numa viagem deste tipo.

 

AS GUIAS

Não há uma turma sem professora. Neste caso tínhamos uma guia, que nos acompanhou do princípio ao fim da viagem, e que era quem tinha de pôr toda a gente na linha – um papel que não invejo. Não é fácil para uma rapariga, na ordem dos seus 30 anos, pôr ordem num conjunto de pessoas que têm idade para ser pais dela – e alguns homens que, sendo homens, não apreciam que sejam uma mulher a impor as regras. Mas a verdade é que não há alternativa e há que ser muito rigoroso: se há alguma coisa essencial nestas viagens é, por exemplo, a pontualidade. Houve uma situação em que dois elementos se atrasaram e tudo ficou um bocadinho em alvoroço. A gestão de pessoas é, em todas as áreas, o maior desafio de todos – e aqui não é exceção.

Para além desta guia principal, com quem tratávamos de todas as questões práticas (era ela que definia o horário e o plano do dia) havia, em cada uma das cidades, uma guia local que nos levava e descrevia os locais com mais pormenor. Curiosamente foram todas mulheres e todas falavam português – algo indispensável, pois vários membros do grupo não sabiam falar inglês.

 

AS REGRAS

Eu ficava fula sempre que as pessoas se punham a reclamar dos horários, dos tempos para isto e para aquilo. Quem se mete neste tipo de viagens tem de perceber que isto não funciona sem regras rígidas, que têm mesmo de ser cumpridas. Se são do tipo de pessoas que gosta de acordar ao 12h, passear relaxadamente pelas avenidas e ainda fazer um retrato pelo caminho numa das ruas pedonais mais famosas da cidade... esta modalidade de viajar não é a indicada para vós. Também não é o ideal para quem gosta de passar dez minutos atrás da fotografia perfeita. Nem para quem é demasiado independente.

Primeiro havia hora para acordar. E não, não era definida pelas pessoas: era a guia que definia a wake-up call à hora pretendida, por isso ou acordam... ou acordam. Nos dias de viagem entre cidades havia também uma hora para colocar as malas à porta do quarto (cerca de uma hora antes da saída do hotel) para que não tivéssemos de as carregar e estas pudessem ser contadas e colocadas dentro do autocarro. E, claro, havia horas de saída e de pontos de encontro. Todos os tempos livres eram contados ao minuto e a tolerância para atrasos era baixa – até porque em alguns sítios os autocarros só podiam parar por escassos momentos, por isso era problemático se a contagem das pessoas não desse o número certo à hora marcada.

No fundo, a única coisa que é preciso fazer (para além de não ser preguiçoso) é pôr as regras de civismo e boa educação em prática, ter em mente que deixamos de ser um só para ser “apenas” um dos membros de um grupo maior, que deve sempre prevalecer nas nossas decisões durante o tempo de viagem.

 

AS VANTAGENS

A maior vantagem é, sem dúvida, ter a “papinha” toda feita. Nem o check-in fazíamos! Chegávamos ao hotel, esperávamos cinco minutos e logo depois tínhamos a chave na nossa mão, já com tudo pronto para nos receber. Esta excursão em particular tinha tudo incluído, por isso até as refeições estavam todas combinadas ao pormenor.

Esta é também  uma forma fácil de conhecer vários sítios num curto período de tempo, com a garantia de que nos mostram os sítios mais emblemáticos e que nos dão a conhecer algum do contexto e da história da cidade, assim como do país. Se não quisermos não precisamos de fazer nenhum tipo de pesquisa à priori – podemos ir completamente às cegas, pois sabemos que vamos ser sempre elucidados pelo caminho. As guias estão sempre disponíveis para dar dicas sobre onde ir, como ir, o que ver e quando ver – ou porque vivem lá ou porque já têm conhecimento de causa para falar, o que evita muitos imprevistos e percalços que acontecem a todos os viajantes que andam por si próprios e partem à descoberta.

É também uma forma óptima de se viajar sozinho, pois apesar de estarmos sem a companhia de alguém conhecido, rapidamente nos entranhamos no grupo e simpatizamos com alguém que se assemelhe a nós. No fundo, é viajar sozinho, mas acompanhado.

 

AS DESVANTAGENS

Para mim, a maior desvantagem é a falta de liberdade e a sensação de que o meu tempo não está a ser gerido da melhor forma – sim, tenho uma veia independentista um bocadinho acentuada. Os minutos estão sempre contados neste tipo de situações e há momentos em que parece que estamos a correr contra o tempo. Lembro-me de estar na Ponte de Carlos, em Praga, e da guia estar a acelerar por ali fora, quando todos queríamos parar e tirar fotos; acaba por ser algo stressante, porque acabamos mesmo por tirar as fotos, mas estamos sempre de olho na bandeirinha de Portugal que ela carrega para tentarmos não a perder de vista e tentar apanhar o grupo com uma corridinha logo depois de todos os clicks estarem feitos. O nosso tempo deixa de ser nosso, para estar a ser governado por outras pessoas – mas é mesmo assim, faz parte das regras quando se entra numa coisa deste género.

Os tempos livres sabem a pouco e há que fazer cedências, que não são poucas: não convém afastarmo-nos muito do ponto de encontro e, de tudo o que gostaríamos de fazer, sabemos que só algumas é que podem ser concretizadas. Nunca há tempo para tudo e, creio eu, nunca aproveitamos as coisas a 100%: estamos sempre a pensar no que vamos fazer a seguir, no caminho que vamos seguir, a forma mais rápida de lá chegar... e quando lá chegamos, mais uma vez, já pensamos em partir para outra coisa qualquer.

A falta de liberdade pode também revelar-se numa coisa tão simples como não poder escolher aquilo que se come às refeições. Eu vim um quilo mais leve, e não foi por ter adorado a comida ;)

E, claro, não esquecer o cansaço que uma viagem destas acarreta. Apesar da maioria das pessoas que faz este tipo de coisas ter idades mais avançadas, a verdade é que isto cansa! Andar sempre com as malas num faz-desfaz constante (mesmo que não as desfaçam na totalidade, como aconteceu comigo), acordar cedo, fazer várias horas de viagem num autocarro, andar a passo de procissão atrás da guia, às vezes debaixo de um sol abrasador... não é fácil. Não se compara a uma praia no Algarve ou em Punta Cana. É para chegar mais cansado do que se foi – com a alma cheia, é um facto, mas com o corpo a pedir umas horinhas extra de sono ;)

 

Nos próximos posts faço uma descrição alargada, estilo diário de bordo, sobre cada uma das paragens desta minha viagem.

6 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Deixem like no facebook:


E sigam o instagram em @carolinagongui

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Leituras

A ler:



goodreads.com


2018 Reading Challenge

2018 Reading Challenge
Carolina has read 5 books toward her goal of 12 books.
hide

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D

Ranking