Farta dos "bips" que nos enchem a vida
Hoje, exausta depois de uma manhã stressante, almocei e deitei-me na cama antes das 15h, com a intenção de tirar uma sesta. Para meu espanto, dormi até às 18h30. Sem medicamentos (que tenho tomado esporádicamente por causa dos ataques de pânico), com luz a entrar no quarto, com pessoas a entrarem e a sair de casa constantemente. Só com uma excepção à regra: desliguei as tecnologias. Desliguei os telemóveis, o computador, o tablet, a televisão. Dormi uma sesta sossegada e pesadíssima como não dormia há anos: sem "bips", tremuras de notificações do chat do facebook ou respostas a comentários, sem chamadas (que, embora receba poucas, acontecem sempre quando decido dormir um pouco) ou SMS's. Fechei a loja.
Nos dias de hoje queremos estar rodeados de tudo, de todos, com todos os aparelhos e mais alguns para não perdermos pitada do que a vida nos pode dar. Queremos estar em todo o lado ao mesmo tempo, de todas as formas possíveis; fazer tudo, ver tudo, estar em todas as frentes. Estamos rodeados de merda que não serve para nada: de pessoas que nada nos acrescentam, de likes no facebook com que não nos identificamos, de tablets e smartphones que, refletindo a minha realidade, só servem para esconder a solidão em que vivemos mas que escondemos com tudo o que mostramos e com todos os "bips" manhosos que preenchem a nossa vida e nos stressam até aos píncaros.
Ao menos hoje, desligada de todas estas porcarias, estava verdadeira e realmente sozinha. Hoje em dia tendemos a desvalorizar o silêncio. Se é para estar sozinha, que seja em bom.







