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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

30
Ago18

Eu, miúda saudosista da geração morangos, me confesso

Carolina

Morangos-com-Açúcar-Joana-e-Pipo.jpeg

 

No facebook não se fala de outra coisa: há 15 anos, neste mesmo dia, começava uma série que ia mudar a juventude de todos os que por lá passaram nessa época. Lembro-me perfeitamente de começar a ver e de pensar que nunca nenhuma novela iria bater a "Saber Amar", uma novela protagonizada pela Leonor Poeiras e pelo Rodrigo Menezes (o meu primeiro amor platónico), que tinha terminado precisamente antes dos Morangos com Açúcar. Também me recordo, pouco tempo depois, de ter dado a mão à palmatória: os Morangos eram melhores. Não havia nada como os Morangos.

Isto porque era uma novela para todos, sobre todos. Eu nunca fui a miúda fixe da escola, nunca tive grandes amigos, nunca tive namorados - e havia personagens como eu. Também havia os rebeldes, os betos, os surfistas, os skaters, os graffiters. O bar do Pipo, o bar do Fred, as primeiras bebedeiras, os primeiros "spots", as "primeiras vezes", os namoros, as traições, as gravidezes na adolescência, as zangas com os pais, as férias com os amigos, os bons e os maus. Na verdade, era o retrato de todo um mundo em que eu estava a entrar (tinha 8 anos quando a série estreou), mas que acabou por me moldar e definir um bocadinho daquilo que sou hoje.

Lembro-me de andar a suspirar pelos cantos em pleno 4º ano, apaixonadíssima pelo Simão (aka Pedro Teixeira - há coisas que nunca mudam...) e de também querer beber um MorangIce. Lembro-me de ter usado uma camisola laranja no dia depois do Francisco Adam (o grande Dino!) ter morrido, por ser essa a sua cor favorita. Lembro-me de regular a minha vida e os meus trabalhos de casa de forma a estar - religiosamente! - às 18h à frente da tarde para ver a repetição do episódio do dia anterior e às 19h o episódio do dia. Lembro-me de quando o Colégio da Barra foi infetado por um vírus terrível, quando a Ana Luísa se perdeu no deserto e de quando a Matilde foi esfaqueada (e se eu vos disser que não pesquisei nenhum destes nome e que ainda está tudo na ponta da língua?!). Lembro-me de ter todos os CD's com as bandas sonoras, de os esfregar até à exaustão para ficar com o cheirinho a morango nos dedos e de chorar quando ouvia a "Picture of my own", dos Fingertips (a música do Simão e da Ana Luísa). Lembro-me de um talk show, à tarde, feito por atores da série (que toda a gente parece ter esquecido e que eu também não me recordo do nome) e do teatro dos Morangos. Lembro-me de várias letras dos DZR'T de cor e ainda vibro de cada vez que ouço "Ação, é o clique da claquete, presta atenção a este show de marionetas (...)". Lembro-me de dizerem que a série era uma má influência para os adolescentes, que a certa altura só faziam rabiscos nas paredes para tentar imitar o Manel e a Becas. Lembro-me de muitas, muitas personagens (não se nota nada...). Lembro-me de uma das séries de verão em que eles estavam numa "surf house", que ainda hoje existe no meu imaginário e é idealizada como as minhas férias de sonho com amigos (que não tenho, mas que na altura sonhava ter). Lembro-me do SACO do Rafa - Serviço de Apoio à Cabula Organizada. E lembro-me do dia em que me apercebi que já não via Morangos, que essa fase já tinha terminado (talvez algures na 7ª temporada), e do quão triste fiquei com isso.

Quer queiram, quer não, os Morangos foram um marco para a minha geração. Para mim, foi tão indescritível que é impossível pôr em palavras ou descrever as lembranças, até porque foi um fenómeno partilhado (ainda o é hoje, quando vejo os meus sobrinhos a ver episódios no Panda BIggs). As personagens faziam parte do meu grupo de amigos, os seus dramas eram os meus. Eu podia não ter amigos, podia não ter nada em comum com quem me rodeava - mas era certo que os Morangos eram um tópico seguro, porque toda a gente via e adorava.Tudo aquilo que escrevi no parágrafo acima é só uma pequena parcela do que me lembro, assim como das saudades que tenho. Apesar de tudo, ainda era um mundo um bocadinho diferente - nessa altura, as televisões davam-se ao luxo de repetir um episódio que havia passado no dia anterior, nunca sonhando que dez anos depois qualquer um podia andar com a emissão para a frente e para trás. 

Este post já era para ter sido escrito há uns três meses, quando o meu coração palpitou de saudades ao ver um reencontro da família Morangos, relatados em muitos instagrams alheios (o da Mariana Monteiro é um bom exemplo, podem ver esses posts aqui e aqui). Foi aí, ao ver que muitos dos meus atores preferidos da época já têm rugas, cabelos brancos e provavelmente filhos para criar - e isto depois de ter passado alguns minutos até conseguir reconhecer alguns -, que percebi que tinham passado 15 anos desde a primeira série. Primeiro fiquei de queixo caído. Depois lembrei-me que os anos não passam só para alguns e que eu também sofri a passagem do tempo; que a menina de 8 anos, algures no 3º ano, que esperava ansiosamente pelos episódios em frente ao mono a que chamava TV, também já se foi embora há muito tempo.

 

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