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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

23
Jan16

Com calma

Carolina

É uma merda quando o nosso corpo não evoluí ou, neste caso, recupera, da forma que nós queríamos. E também é uma merda saber que temos coisas para fazer - e outras que não temos, mas gostávamos - e não nos sentirmos totalmente capazes de o fazer. Não quer dizer que não consigamos, mas dói. Ou chateia. Ou incomoda. Ou fica dorido. E a sensação com que ficamos é a de tentar não repetir. 

Desde segunda que tentei fazer a minha vida normal. Fui ao cabeleireiro, voltei a conduzir, voltei ao curso de fotografia. Fiquei sempre cansada rapidamente, mas só no curso é que me apercebi do quão limitada ainda estava. Depois de três horas sentada, desta vez sem intervalo, a assistir a uma aula muito pormenorizada e a um ritmo demasiado lento, fiquei mesmo muito dorida. Com dores. E extenuada e irritada, tanto por aquilo ainda estar a acontecer como por uma provável quebra de açúcar que me deixou com o humor a níveis negativos. Saí dali derrotada e a saber que tinha de olhar para a agenda, porque as coisas estavam a apertar. Trabalhos para entregar, exames ao virar da esquina (mesmo deixando um para a época de Setembro), coisas por fazer. Pouco tempo, muita coisa e um corpo ainda-não-muito-funcional.

E daí comecei a stressar, porque comecei a ver que algumas coisas iam ser deixadas por fazer: e essa sensação é das piores que tenho - não fazer aquilo com que me tinha comprometido. Foi, aliás, a razão de um sofrimento paralelo enquanto estive em repouso (quase) absoluto: saber que tinha trabalhos para entregar, que não pude completar, deixando uma sobrecarga para todos os meus colegas dos vários grupos que tinha. Eu não sou nem nunca fui a lapa de serviço; sempre fui a que me chateava por os outros não entregaram as suas partes, por o fazerem mal e porcamente ou as entregarem umas horas antes do prazo final; sempre fui aquela que tinha ideias, que ajudava, que impulsionava. E desta vez tive que ser a que não fez, a que deixou para os outros; quis acreditar até à última que ia recuperar o suficiente para, ainda a tempo, fazer algo - mas enganei-me redondamente. E isso, mesmo sabendo que a culpa não é minha e que a saúde vem primeiro, trouxe-me um peso na consciência enorme.

Agora que já me sentia melhor (ou a minha cabeça já me dizia "yey! 'tás boa, faz-te ao trabalho, há um mundo de coisas para fazer!"), senti que o corpo me dizia para abrandar, porque ainda não era hora de levar esta empreitada avante, pelo menos com a envergadura que tinha em mente. Comecei também a ter dores num sítio na cicatriz e todo o medo de algo ter corrido mal e de me ter de submeter a mais alguma coisa tornou a esmagar parte de mim. Queria muito despachar isto, ficar só com uma cadeira por fazer (a tal que vou deixar para Setembro) e tirar boas notas nas restantes; ter um bom trabalho final a fotografia; arrumar e mudar algumas coisas neste quarto; desfrutar de novo da minha liberdade. Mas a dissonância entre o meu corpo e a minha cabeça, a juntar ao medo assoberbado criado pelos macaquinhos da minha mente, fizeram com que caísse.

Voltei à base, ao descanso, à televisão e aos livros por mais um bocadinho. Estou a tentar não dar passos maiores do que a minha perna. 'Bora com calma.

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