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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

29
Set16

Carolina, hoje é dia de seres feliz

carolina.jpg

 

 

Isto pode parecer piroso, estúpido e terrível mas esta é a imagem que tenho como pano de fundo do meu telemóvel. Quando acordo e pego no telemóvel em busca das primeiras novidades do dia, esta é a primeira coisa que vejo. Quando pego no telemóvel para me distrair ou desviar as atenções no meio de uma situação que me deixa desconfortável, isto é o que vejo. Quando me esqueço que tenho relógio e clico no botão do telemóvel, mais por vício do que por necessidade, esta imagem que me aparece à frente. E quando me deito e pego no telemóvel uma última vez para ligar o despertador para o dia seguinte, esta também é a imagem que vejo.

E vocês dizem: "oh, passado dois dias já nem lês o que aí está". Não é verdade. Posso nem ler, mas como gosto da imagem e olho para ela todos os dias, a missão fica logo cumprida - e há uma campainha no meu subconsciente que se acende e que sabe a importância por detrás desta mensagem.

Pode soar a cliché, mas isto é mesmo muito importante para mim. Entrei agora numa fase nova da minha vida e por muito bem que as coisas corram há sempre embates fortes que tendem a derrubar-nos. Há dias piores, em que tudo nos irrita - e a culpa tanto pode ser nossa como do outro que trabalha connosco, mas a impertinência e o mau estar estão lá. Para mim, o maior desafio de todos os dias de trabalho é pôr-me fora da minha zona de conforto: fazer telefonemas, falar com pessoas, estar com pessoas, almoçar com pessoas. É uma overdose de pessoas para alguém que nunca gostou de (lidar com) pessoas, e não é fácil enfrentar o mesmo "bicho" todos os dias. O truque tem sido pensar dia-a-dia, hora a hora. Por cada chamada que tenho de fazer ou pessoa com quem tenho de falar, faço uma série de coisas que gosto - e isso compensa-me tudo o resto.

Quando o saco enche, a coragem se vai e a noite não foi tão bem dormida, eventualmente as coisas rebentam. E eu deixo que elas rebentem, mas não sem antes processar bem a informação e estabelecer um limite de segurança. Preciso de chorar durante 10 minutos? Choro durante 10 minutos. Mas depois vou à minha vida, fazer uma das milhentas coisas que gosto. Isto, no fundo, tem uma comparação simples. Há uma escolha a fazer nestes momentos cruciais e meio depressivos: enquanto os estamos a viver, ouvimos músicas tristes ou alegres? Eu era a pessoa que ouvia músicas tristes e chorava cada vez mais - chegava ao fim com a cara irreconhecível e a já não saber porque razão chorava; hoje tento ser a que põem música alegre e tenta cantar, mesmo que aquele nó da garganta ainda não tenha desaparecido. E penso que isto explica tudo.

Isto pode parecer conversa de chacha, mas eu contextualizo. Admito, sem muitos pudores, que ainda não tinha 18 anos e já andava a tomar anti-depressivos. Tomei-os durante uns meses, até me senti melhor, e depois parei, porque achei que aquela leveza que sentia não era verdadeira nem conquistada por mim mas devido aos químicos que estava a tomar. Passada essa fase turbulenta, tentei mudar e ficar feliz pelos meus próprios meios. Tenho vindo a conseguir, com fases melhores e piores pelo caminho - há acontecimentos na vida de cada um de nós que são suficientemente arrebatadores para destruir este tipo de "construções de nós próprios", mas penso que estou incomparavelmente melhor do que estava há alguns anos.

Mas preciso de me lembrar, todos os santos dias, que há uma alternativa à pessoa que eu sou naturalmente. É uma coisa de ADN, que me é intrínseca - eu tenho tendência a ser depressiva e não me posso deixar enterrar em ciclos viciosos onde depois não vejo saída. Aprendo todos os dias a contrariar-me e faço um esforço muito grande (e consciente) nesse sentido.

Por isso, sim, hoje é dia de eu ser feliz. Hoje, amanhã e todos os dias da minha vida - mesmo aqueles em que não sou e não vou ser, porque há momentos que ultrapassam a nossa vontade e força. Mas nos dias em que eu puder tentar - que felizmente são a maioria - é essa a minha missão. Perdoem-me, por isso, a imagem pirosa na foto de capa do telemóvel, ok? É só um lembrete para a vida.

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