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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

23
Jun15

Até Voares

A reportagem de ontem da TVI é, por um lado, um murro no estômago e, por outro, uma esperança na humanidade. Ouvir as histórias daquelas pessoas - que foram vendidas por um garrafão de vinho, que foram queimadas, que viveram no meio dos animais - fazem parecer os nossos problemas uma ninharia; isso e a bondade daquele homem, que parece não ter fim. 

Tive uma cadeira de ética este semestre onde falamos que "nunca se deve reduzir o homem ao seu crime". Estampei isso em todos os trabalhos que tive de fazer para a cadeira, mas nunca senti, de facto, o peso das palavras que escrevi - seria hipócrita da minha parte dizer que não o faço, que não julgo uma pessoa porque matou outra ou coisas menos graves. E, no entanto, aparece-nos este homem, que acolhe tudo e todos de braços abertos e olhos fechados aos atos do passado.

Do muito que se pode dizer sobre esta reportagem, retiro duas coisas que me marcaram particularmente:

Primeiro, a relatividade das coisas. João Almiro questionou, e bem, como é que uma rapariguinha não há de matar alguém quando, em miúda, foi violada e queimada nos seios e nas axilas quando o homem ainda não tinha tido prazer suficiente? Como é que uma pessoa destas pode ser "normal", boa, feliz, quando sofreu um abuso deste tamanho? De facto, postas assim as coisas, matar não é assim tão complicado.

Segundo, foi uma resposta que deu um dos residentes da casa, quando questionado sobre o quê que vê agora quando olha para si. Respondeu: "vejo que sou um homem". Parece redundante (porque, supostamente, todos somos homens ou mulheres), mas neste caso é tudo menos isso. Ele, agora, já se consegue ver um homem - porque antes não conseguia. Uma questão tão basilar como esta - sentir-se um ser humano - era antes posta em causa e isso, a mim, mexeu-me com as entranhas.

Parabéns à TVI, à jornalista, ao repórter de imagem e ao editor pelo belíssimo trabalho (e sim, eu agora já sei dar valor individual a cada um deles e percebo que cada um fez um trabalho espetacular). Que belo trabalho.

 

Para ver aqui.

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