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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

23
Mai16

Adele [ou o concerto de uma vida]

É difícil descrever o concerto da Adele ontem no MEO Arena. Eu chorei como uma madalena perdida, porque a música é algo que mexe realmente comigo. Ouço música todos os dias, principalmente enquanto trabalho e escrevo - aliás, os primeiros dias de trabalho custaram-me bastante por passar tantas horas sem música como barulho de fundo (depois percebi que não havia problemas em usar auriculares e tudo melhorou). A Adele tem músicas particularmente deprimentes, o que, como sabem, coincide muitas vezes (e infelizmente) com o meu estado de espírito - por isso eu já perdi a conta às vezes que já chorei, deprimi e escrevi ao som de todas as músicas dela. Tenho fases em que ponho o spotify em repeat mode nos álbuns dela e posso passar dias a ouvir aquela voz incrível .
Ao todo foram mais de 150€ gastos só para a ouvir - e, meus amigos, valeu cada cêntimo! Não sei quando é que ela volta a fazer uma tour e não podia mesmo perder esta oportunidade - acho que ela própria não sabe se repete a aventura e tratou de não fazer a coisa menos que perfeita. Porque foi, de facto, perfeito.
Na minha cabeça, Adele fez um concerto à semelhança de um concerto que gostaria ela própria de ver - e semelhante aos que antes fazia, em espaços pequenos e intimistas. Porque nós éramos milhares ali dentro, mas ela parecia olhar e interagir com cada um de nós, como pessoas individuais. E eu adoro artistas que se esforçam por isso, que interagem com o público, que não os deixam sentir que são só mais uns - e ela faz essa gestão na perfeição. Falou imenso, chamou pessoas ao palco, tirou selfies, assinou cd's; reparou que os fãs que estavam na primeira fila eram os mesmos do dia anterior e, a meio de uma música, avisou os seguranças de que uma pessoa estava a desmaiar (e não, a pessoa não estava à frente dela - estava longe, numa lateral e no meio da multidão). Mostrou-se a artista mais humana que vi até hoje. Mais sincera.
Falou sobre a criação das suas músicas, do namorado que originou isto tudo, da comida portuguesa, do filho, de ter ido ao oceanário e à praia . Disse que estes tinham sido as maiores e melhores plateias para quem já tinha cantado - e embora eu já tenha ouvido tanto elogio à plateia portuguesa que já acho que é tudo planeado, perante toda aquela sinceridade, acreditei.
O espetáculo é aparentemente simples, sem grandes produções, mas o estilo minimalista torna-o gigante. A voz dela é simplesmente mágica (e a clareza com que se ouvia tornou-a ainda melhor). As imagens que passaram em plano de fundo eram incríveis e não pude deixar de me arrepiar quando vi Lisboa em "Hometown Glory" e de chorar perdidamente quando passaram fotos dela em pequena e adolescente em "When We Were Young" - principalmente depois da explicação que ela deu antes de a cantar.
Adele é uma artista completa e, para mim, uma das melhores de sempre. As músicas podem ser deprimentes mas ela tem um sentido de humor genial, acompanhado de uma humildade e respeito pelo público como poucos artistas têm (basta começar pelo "pormenor" de ter começado o concerto a horas). Ouvia tudo aquilo vezes sem conta - e juro que acho que não me cansava. Saí do MEO Arena tão emocionada e inspirada por ter podido testemunhar aquele momento épico que me apetecia chorar de felicidade e descarregar todas as emoções que acumulei naquelas duas horas.
O ano ainda não vai a meio, mas eu desconfio que este concerto já ganhou o troféu do melhor de 2016. E entra certamente para a lista dos mais marcantes da minha vida.

 

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 (fotos Getty Images&DN, respetivamente - eu não saquei do telemóvel durante o concerto inteiro)

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