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Entre Parêntesis

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

24
Jan19

A escrita tem um timing próprio

Não deixa de ser irónica a história deste post. Lembro-me bem do dia em que o comecei a escrever: 15 de Novembro de 2018, rabo alapado no chão frio da copa da minha cozinha, enquanto esperava que a Molly tivesse os seus filhotes (agora tenho-a atrás de mim, a aturar um deles enquanto este lhe morde as orelhas por diversão).

Dizia eu, nessa altura, que me tinha apercebido que a escrita tem o seu tempo próprio e muitas vezes não funciona fora dele. Tenho a agenda cheia de temas para desenvolver aqui - coisas que aponto quando me lembro, mas que na altura não tenho tempo para escrever ou cuja ideia sinto não estar suficientemente madura para eu me debruçar totalmente sobre ela. E lá vai, mais uma, apontada a caneta azul turquesa ou rosa choque, ter com tantas outras que se ajuntam tristemente à espera da sua vez.

Quando finalmente tenho uma hora para estar em frente a uma página em branco, mesmo olhando para aquela página colorida com todos os tópicos quase a gritar "escreve-me!", nada sai. Já passou. Porque quando tive essa ideia estava num determinado local, com um diferente mind set, num enquadramento temporal distinto - e é impossível reproduzir de forma fidedigna essas circunstâncias, de forma a pôr alma e sentimento no texto. A oportunidade foi perdida.

E por isso cada vez percebo mais que, quando uma ideia surge, é agarra-la, sem desculpas. O meu conceito de liberdade e de qualidade de vida passa também por aqui: poder parar para pensar e escrever. Ter um trabalho que me permita faze-lo e, depois, arranjar a força de vontade para usufruir de tal - sim, porque nem só de falta de tempo se fazem as desculpas para não escrever durante dias a fio. 

Voltei a lembrar-me deste texto que tinha nos rascunhos quando, há dois dias, escrevi o último post, "Ainda há blogs com gente dentro". Gostei muito do resultado final - e, pelo feedback, vocês também - e isso deve-se em grande parte por não ter deixado a escrita para depois. Nunca aquele texto teria saído assim se eu não pudesse, na hora, descrever tudo aquilo que senti e me passou pela cabeça naqueles instantes. É a transmissão mais pura e sem filtros daquilo que vai dentro de mim, algo que acaba por não acontecer quando as ideias estão muito tempo em banho-maria. Há vantagens em pensar sobre as coisas (principalmente críticas e coisas mais sérias, que possam pôr em causa o nome de outros), mas não há dúvida que muito do que se ganha em construção de texto e maturação de ideias ao não escrever um texto na hora, perde-se muitas vezes em espontaneidade.

Isto para não falar das ideias que morrem no momento em que não são escritas. Porque como em tudo, há coisas que não sobrevivem fora do seu meio natural - e toda a gente sabe que as palavras são para viver no papel (ainda que papel virtual, como este aqui).

 

Serve portanto este post como uma espécie de walk of shame. Um texto sobre espontaneidade e a volatilidade das ideias, escrito dois meses depois da data em que devia ter sido publicado - que moral, hun?! Isto para não falar do facto de ter dado três vezes mais trabalho do que daria se tivesse sido escrito na íntegra na altura, ao invés de estar a fazer corta-cose entre as partes recentes e mais antigas do texto. Ouviste, Carolina?

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